Instituto de Matemática abre inscrições para Olimpíada Mirim

Competição é voltada a alunos do ensino fundamental – (Tânia Rêgo/ Agência Brasil) O Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) está com inscrições abertas para a 2ª Olimpíada Mirim (OBMEP), competição voltada a alunos do 2º ao 5º ano do ensino fundamental. Este ano, a novidade foi a inclusão de escolas particulares, depois do sucesso da primeira edição, quando participaram 2,7 milhões de estudantes de escolas públicas. As inscrições podem ser feitas pelas instituições de ensino ou secretarias de Educação até 16 de junho, no site da competição. O diretor adjunto do Impa e coordenador-geral da Olimpíada Brasileira de Matemática, Claudio Landim, disse que o objetivo é usar propostas lúdicas e criativas para transformar a relação das crianças com a matéria. Acrescentou que esta segunda edição traz muitos desafios, entre eles despertar o interesse das crianças pela matéria, envolver os professores dos primeiros anos do ensino fundamental, além de ampliar a participação das escolas. “Este ano, convidamos pela primeira vez os colégios privados para esta festa da matemática”, afirmou o coordenador. Segundo Landim, a inclusão das escolas privadas permite que um número maior de alunos tenha acesso a material didático que estimula o raciocínio lógico, a exemplo do que já acontece com a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) que, desde 2017, conta com a participação das instituições particulares. Fases A Olimpíada Mirim-OBMEP será realizada em duas fases, que serão aplicadas pelas escolas. A primeira está marcada para 28 de agosto e consiste em prova classificatória, composta de 15 questões de múltipla escolha. Os estudantes classificados nessa etapa poderão participar da segunda, no dia 9 de novembro, também com 15 questões objetivas. O conteúdo das provas corresponde ao grau de escolaridade dos alunos, que são divididos nos níveis Mirim 1 (2º e 3º anos do ensino fundamental) e Mirim 2 (4º e 5º anos do ensino fundamental). Aos melhores classificados serão dados certificados digitais correspondentes a medalhas de ouro, prata e bronze. Claudio Landim lembrou que as inscrições devem ser feitas exclusivamente pelas escolas públicas municipais, estaduais, federais, secretarias de Educação e escolas privadas. O responsável pela candidatura deve informar o número total de alunos participantes por nível (Mirim 1 e Mirim 2), mas não é necessário inscrever nominalmente cada estudante. A inscrição das escolas públicas é gratuita; já as particulares têm que pagar taxa de inscrição. A Olimpíada Mirim-OBMEP é realizada pelo Impa com o poio da B3 Social, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). A competição é promovida pelos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Educação.
Mais livros e menos clubes de tiro – Lula anuncia retorno de políticas para leitura

Secretário de Formação Cultural, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba, conta com respaldo da ministra da Cultura, Margareth Menezes – Marcelo Camargo/ Agência Brasil Direito inalienável de todo ser humano, a leitura vai muito além dos livros e trata-se de jeitos de ler o mundo, na análise de Paulo Freire. Com esse mote, o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) voltará a ser uma política importante durante o novo governo Lula, que anunciou iniciativas conjuntas entre ministérios, especialmente os da Cultura e da Educação. As políticas de incentivo à leitura extrapolam o universo do tradicional livro em papel e tentam compreender a nova realidade e as novas ferramentas da comunicação, cada vez mais digitais e descentralizadas, graças às redes sociais. À frente da Secretaria de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Fabiano Piúba reforça que esses conceitos já existiam e começaram a ser implementados, mas foram ignorados durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). “O presidente Lula, no ano passado, ainda no processo da campanha, tanto falava da dimensão da cultura, das artes, como trazia de uma maneira muito poderosa o papel do livro, quando ele dizia ‘mais livros e menos armas’. Ou ‘mais bibliotecas e menos clubes de tiro’. Então, essa dimensão metafórica e simbólica do livro e da leitura é vital neste momento”, conta Piúba, que participou do plano em mandatos passados de Lula. “Lembro que era uma meta que nós pudéssemos implantar pelo menos uma biblioteca em cada município brasileiro. Naquela ocasião, realizamos um censo nacional sobre as bibliotecas do Brasil, visitamos todas, fizemos um retrato muito crítico com a ideia de implementar bibliotecas. Naquela época eram em torno de 1300 municípios sem bibliotecas. Em 2010, conseguimos atingir essa meta. Atualmente, são mais de 800 municípios sem biblioteca e a ideia não é simplesmente implantar de novo, é reabrir essas bibliotecas e modernizar as que já existem”, anuncia. Criado em 2006, em acordo assinado pelos então ministros Gilberto Gil (Cultura) e Fernando Haddad (Educação), o PNLL partiu de premissas semelhantes e definiu quatro eixos que ainda serão norteadores: a democratização do acesso ao livro; a promoção da leitura por agentes treinados, a comunicação voltada ao imaginário da leitura e dos livros na sociedade; e o fomento à cadeia produtiva do livro, o que envolve escritores, editoras e distribuidores. Essas frentes que buscam despertar o envolvimento comunitário sobre a importância do conhecimento e do respeito à diversidade. De acordo com o filósofo João Castilho, que foi Secretário Executivo do PNLL durante sete anos não consecutivos, o desenho do programa é criado em torno das bibliotecas públicas e direcionado, primordialmente, a atender às diferentes necessidades dos leitores. “Nós temos uma larga experiência já realizada no Brasil de outros programas que demonstram com toda clareza que as bibliotecas pública, escolar e comunitária são as iniciativas principais de democratização do acesso ao livro e a leitura. Contempla um segundo eixo do PNLL que é a mediação de leitura. É fundamental ter um mediador de leitura e não precisa ser ninguém formado, especializado. Pode ser a mãe, o pai, o professor, o agente comunitário, alguém que faça essa ponte, que apresente o livro às pessoas, que tire a ideia de que o livro é para poucos; o livro é para todos”, afirma. Promoção da leitura quer pegar carona no PAC O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é tido como uma das chaves para a distribuição de livros de forma mais direta e com um alcance mais variado do que as estruturas públicas convencionais. Segundo Piúba, experiências internacionais demonstram a eficiência da ampliação e diversificação do acesso, o que no Brasil poderia ter o impulso do ambicioso plano de infraestrutura retomado no atual governo. “Vamos apresentar dentro do Minha Casa, Minha Vida [programa habitacional do governo Lula] para que as famílias ao receberem as chaves já ganhem uma mini biblioteca com literatura brasileira, clássica, contemporânea, para que tenha um espaço para formação leitora”, comenta o secretário, mencionando também o desejo de as casas já serem equipadas com uma estante para abrigar esse material. Castilho lembra que a iniciativa já havia sido pensada em anos anteriores e incluiria um acervo de 10 a 12 livros por família, iniciativa que seria reforçada por bibliotecas coletivas em cada conjunto habitacional. “Ou seja, teria uma ação de leitura naquela região, onde todos contariam com os livros e não seria um tipo de livro para cada, mas poderia haver até um intercâmbio, para que a biblioteca se movimentasse na comunidade”, afirma o filósofo. Outra proposta apresentada para análise do PAC, segundo Piúba, é a de incluir a construção de bibliotecas-parque em diversos territórios, principalmente nas periferias das capitais ou em grandes cidades do interior. “Experiências como as de Medellín, na Colômbia, produzem, para além da própria leitura, outros serviços sociais, que tornam a relação orgânica com a comunidade”, comenta. Do ponto de vista escolar, há planos do Ministério da Educação que tentam acelerar a criação de acervos dentro das escolas, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), regulamentado em 2020. De acordo com a socióloga Marcele Frossard, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, é possível aferir quanto deve ser investido ao ano por aluno de cada etapa escolar a partir de levantamentos e indicadores. “O direito à leitura está relacionado ao direito à educação. E para se concretizar, a gente reforça a importância em investir na formação dos profissionais que atuam nessa área. Também é importante a infraestrutura. Nem todas as escolas têm espaços para que exista uma sala destinada para a criação de bibliotecas e isso é fundamental para que esses livros circulem e para que esses estudantes e a comunidade escolar tenham acesso a esses livros”, comenta Frossard. Cruzada ideológica freou mercado do livro e qualidade das obras Especialistas alertam que nenhuma dessas iniciativas será constante se não forem consolidadas em políticas permanentes de Estado, que resistam a eventuais mudanças de governo. Nesse sentido, há o respaldo da lei 13.696, sancionada em 2018, e que estabelece a reavaliação das metas e
Professora que participou dos atos golpistas é demitida

A professora universitária Sandra de Moraes Gimenes Bosco, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), detida enquanto retornava dos atos golpistas de 8 de janeiro, em Brasília (DF), foi demitida da universidade. A demissão foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo desse sábado (29/4). Ela estava afastado do cargo desde o dia 9 de janeiro, quando se tornou alvo de um processo administrativo da universidade para apurar a participação nos atos golpistas. A professora trabalhava no Instituto de Biociência, do campus Botucatu. A decisão informa a punição como “resultado do processo administrativo disciplinar”, mas não detalha os fundamentos da demissão. A professora foi detida pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), no dia 9 de janeiro, enquanto retornava de Brasília em um ônibus juntamente com outros 44 extremistas. Na época, a PRF informou que os passageiros do veículo confessaram que participaram da invasão.
Montes Claros irá contar com o Centro de Convenções da Educação

Montes Claros irá contar, muito em breve, com o Centro de Convenções da Educação, um espaço multiuso para a realização de feiras, palestras, seminários, congressos e apresentações artísticas, entre outros eventos. O Centro de Convenções, cuja construção está em fase final, está sendo edificado pela Prefeitura de Montes Claros no coração da região norte da nossa cidade. De acordo com o vice-prefeito e secretário de Serviços Urbanos de Montes Claros, Guilherme Guimarães, o Centro de Convenções faz parte do projeto da Prefeitura de construir a “Montes Claros do Futuro”. “A Prefeitura está investindo em obras que, além de atender ao seu fim direto, contemplam a cidade de forma integral. E o Centro de Convenções traz esse conceito, ao descentralizar conhecimento, capacitação, cultura e arte”, explica. Segundo o vice-prefeito, a obra havia sido abandonada em 2009, mas “a Prefeitura de Montes Claros refez o projeto e retomou a obra, projetada inicialmente para oferecer espaço para a qualificação dos profissionais do sistema educacional do Município”. O Centro de Convenções contará com ampla área externa, salas para oficinas e palestras, e um auditório com capacidade para 400 pessoas, com acessibilidade, tratamento acústico e equipamentos apropriados, além de estacionamento, lanchonetes e estrutura de logística. “Montes Claros é conhecida como a ‘Cidade da Cultura’, e esse auditório, com cara de teatro, vai possibilitar levar arte e cultura para quem mais precisa, e que muitas vezes não tem acesso”, destaca Guimarães. Segundo o vice-prefeito, o espaço também irá fortalecer o turismo, tendo em vista que está estruturado para a realização de feiras e eventos técnicos. “É importante dizer que o Centro de Convenções faz parte da revitalização da região onde estão sediadas as indústrias de Montes Claros. O bairro Cidade Industrial está recebendo pavimentação, o bairro Vitória está recebendo escolas, ou seja, a Prefeitura organiza ainda mais a infraestrutura, sempre pensando a cidade em todas as dimensões – econômicas, sociais, culturais e ambientais”, conclui.
Audiência pública – Novo Ensino Médio recebe nota zero em Montes Claros

Montes Claros diz não ao Novo Ensino Médio. Esta é a conclusão da audiência pública, realizada na manhã dessa quinta-feira (27/4), no plenário da Câmara Municipal, agendada pelo vereador Daniel Dias (PCdoB). Para os debatedores, a instituição do Novo Ensino Médio, na verdade, será a privatização do ensino público, resultado de uma pressão da iniciativa privada, disposta a “abocanhar o segundo maior orçamento da União”. Segundo professores e estudantes, a reforma, idealizada em 2017, caminha para a precarização da educação e dos educadores. “A educação está sendo rendida”, disse uma estudante do 3º ano do Ensino Médio, enquanto professores, uníssonos, pediram a revogação do Novo Ensino Médio. Resumindo, a audiência pública na Câmara Municipal de Montes Claros serviu para alinhar o sentimento dos profissionais da educação da cidade com o de outros municípios brasileiros, que já fazem manifestação pela revogação do Novo Ensino Médio, o que deverá ser acatado pelo Governo Lula, como sinalizou a suspensão da implementação da reforma por 60 dias. Presidente da Comissão de Educação do Legislativo, o vereador Daniel Dias disse que o Novo Ensino Médio foi implantado através de uma medida provisória sem nenhum tipo de estudo aprofundado e que isso tem gerado aflição na comunidade escolar. Para o parlamentar, a principal questão foi a rapidez com que a proposta foi implantada, na qual existem mudanças drásticas na grade curricular dos alunos e na necessidade dos professores terem que se adequar. “Temos visto que propostas, mal elaboradas, que envolvem grandes mudanças que têm dificultado a vida da população. Prova disso, temos as reformas da previdência e a trabalhista que foram elaboradas de forma drástica”, enfatizou Daniel. De acordo com o Ministério da Educação, o Novo Ensino Médio tem o objetivo de ampliar o tempo mínimo do estudante na escola de 800 horas para 1.000 horas anuais e definindo uma nova organização curricular, mais flexível, que contemple uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ofertando diferentes possibilidades de escolhas aos estudantes, os itinerários formativos, com foco nas áreas de conhecimento e na formação técnica e profissional. DISCREPÂNCIA Contudo, a diretora do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro), Isabela Catrink, destacou que os informativos itinerários propostos na nova legislação trazem uma discrepância na qualidade de ensino fornecido entre as escolas públicas e privadas. “Enquanto as instituições da rede privada têm como disciplina itinerária de robótica a rede pública tem aula de como fazer brigadeiro gourmet. A desigualdade educacional é grande e isso impactará diretamente nos nossos alunos”, ponderou a diretora. Fernando Andrade é professor de história e já atua em escolas que oferecem o novo ensino médio. Segundo ele, foram retiradas disciplinas de história para colocar a de “receitas” no lugar. “Substituíram minhas aulas por outros conteúdos totalmente aleatórios, os quais não fui preparado para lecionar. Estou dando aula em três turnos, pois, aumentaram a quantidade de horas e disciplinas – agora são 21 por semana. Alunos de escola pública não conseguem acompanhar. Já as escolas particulares estão colocando essas matérias em outros turnos e cobrando a mais na mensalidade”, pontuou o professor que leciona nas escolas CAIC do Maracanã e Planalto Rural. O estudante Gabriel Soares Alves, diretor social do Grêmio Estudantil do INFMG, ressaltou que a implantação do novo ensino médio foi mal planejado, sendo necessária uma reavaliação, pois exclui disciplinas importantes que desenvolvem o senso crítico e democrático dos estudantes. “As escolas também não estão preparadas para receber esse novo ensino. Talvez se fosse melhor planejado feito de maneira adequada agregaria o futuro desses jovens”, finalizou. Presidente do Sind-UT, Célio Moreira informou que os servidores da educação do Estado de Minas Gerais fizeram greve, nessa semana, reivindicando o pagamento do piso salarial nacional e a revogação do novo ensino médio.
REVOGA OU REFORMA? MEC inicia consulta pública sobre o Novo Ensino Médio

O Ministério da Educação anunciou nesta segunda-feira (24) os instrumentos que serão utilizados na Consulta Pública para Avaliação e Reestruturação da Política Nacional de Ensino Médio. Todos os interessados podem dar sua opinião sobre o Novo ensino Médio por meio da plataforma Participa+. Essa consulta já está aberta. Além disso, haverá webinars, audiências públicas, consulta online direcionada para integrantes das comunidades escolares – estudantes, professores e gestores -, grupos focais e outros espaços. A consulta foi anunciada em março como resposta às demandas de estudantes e professores pela revogação da Reforma do Ensino Médio, aprovada por meio de Medida Provisória pelo Governo Temer. A nova organização da última etapa da educação básica vem recebendo críticas por retirar disciplinas básicas do currículo e não garantir a liberdade de escolha para os estudantes. Além disso, os itinerários formativos oferecidos pelas escolas são, na maior parte das vezes, disciplinas de baixa complexidade, que não levam à formação profissional nem preparam para a universidade. Os instrumentos previstos são: – cinco webinários transmitidos via YouTube – audiências públicas regionais – coleta de manifestações pela plataforma Participa + Brasil, do Governo Federal; – consulta online com 100 mil representantes da comunidade escolar; – grupos focais e oficinas, pesquisa quantitativa e qualitativa, com aplicação de questionário com amostra representativa de todas as unidades da Federação; – reuniões com equipes técnicas de secretarias estaduais de educação, representações dos movimentos de estudantes e profissionais do ensino médio; – seminários e escutas a especialistas. Neste link é possível consultar o cronograma de todas as etapas da consulta, que está em atualização constante. A consulta pública vai até 6 de junho, com possibilidade de prorrogação, se necessário.
Os assassinos de crianças em escolas podem ser os terroristas de 8 de janeiro

“O ethos, o paradigma de organização do mundo que golpistas políticos e agressores de crianças, assassinos de crianças têm é o mesmo”, afirmou o ministro Flávio Dino (Foto: Agência Brasil) Agenda do Poder – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, disse que a “ideia de violência extremista” liga golpistas políticos que invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes da República, em 8 de janeiro, a assassinos de crianças em escolas e creches. “Tem influência da ideia de violência extremista a qualquer preço, a qualquer custo”, disse Dino, nesta segunda-feira (10/4), em conversa com jornalistas na saída do evento no Palácio do Planalto que marcou os primeiros 100 dias de governo Lula. Dino falava sobre as consequências e investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, quando militantes bolsonaristas inconformados com a derrota eleitoral invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). “Do ponto de visto político eu posso dizer que já melhorou muito, em relação às questões democráticas”, começou o ministro. “Se nós olharmos 100 dias atrás, havia muitas indagações em relação às condições de governabilidade. O extremismo político acabou fazendo com que se ampliasse o apoio ao governo, não só social como institucional”, continuou ele, que em seguida falou sobre o que vê como relação entre aqueles eventos e os ataques a escolas e creches, como o que ocorreu em Blumenau na semana passada, deixando quatro crianças mortas. “A questão hoje remanescente é a responsabilização das pessoas que engendraram esse planejamento golpista durante meses e os ecos, as reverberações da violência que permanecem. Por exemplo, estamos agora às voltas com essas ameaças relativas a escolas. Nós temos uma ligação entre uma coisa e outra”, avaliou Dino. “Tem influência da ideia de violência extremista a qualquer preço, a qualquer custo. O ethos, o paradigma de organização do mundo que golpistas políticos e agressores de crianças, assassinos de crianças têm é o mesmo. É a mesma matriz de pensamento, a matriz da violência”, afirmou o ministro da Justiça. “Então, nós temos uma luta cotidiana, porque nesse aspecto o nível de destruição foi muito grande. E a resposta que nos cabe é a resposta da responsabilização. É dar punição para essas pessoas que violam a lei e, claro, dar prevenção, como nós estamos fazendo cotidianamente”, concluiu Flávio Dino. As informações são do Metrópoles.
Dalva Garcia – Não se faz política pública, conservando destroços em terra arrasada

O Novo e a busca de milagres Tenho a estranha mania de ler. Entre letras escritas com certa distância temporal consigo traçar algumas relações oportunamente não muito precisas. Digo, oportunamente, porque a pretensa precisão de alguns argumentos estampados nos debates sobre educação não só me cansam, mas chegam a me assustar. Não me refiro, obviamente, ao que se costuma denominar “artigo de opinião” sobre juros, violência, desenvolvimento e até religiosidade. Mas quando o tema é educação os debates florescem mais que do que as disputas por algum conhecimento de estratégia futebolística em ano de Copa de Mundo. Na quinta-feira, 6 de abril, o Estadão publicou o editorial Bagunça na educação. Confesso que, não só me surpreendeu, como me irritou. De cara, o Estadão diz: “Ao suspender processo de implantação do novo ensino médio, o governo petista cede ao esperneio dos inconformados e amplia a confusão num setor crucial para o desenvolvimento do país”. Para o Estadão, a suspensão não passa de um artifício para adiar a necessidade de novo ensino médio que, “ninguém pode dizer que fracassou, pois nem sequer está plenamente em vigor”. Atualmente há pesquisas em andamento que indicam diminuição de matrícula do NEM — sigla pelo qual é conhecido o novo ensino médio –, e aumento de evasão escolar. A própria manifestação de estudantes de todo país em 15 de março aponta um contínuo incômodo mediante a bagunça da reforma do ensino médio. O editorial reduz esses indícios e manifestações como vozes de ” ninguém”. O Estadão é taxativo: “ninguém sequer pode dizer o que não está plenamente em vigor”. Pois seria importante o jornal conversar com jovens que terminam o NEM em 2023. Entraram e sairão dessa etapa do ensino despreparados e desesperançosos. A revogação do NEM é vista como absurdo com o argumento que “a educação estava ainda submetida à realidade do século passado, num modelo condenado por quase todos os especialistas como atrasado e insatisfatório”. Mas não foi no século XX que vimos o avanço vertiginoso da tecnologia e da comunicação alargar fronteiras e criar tantas outras?! Por que usar século passado em vez de século XX? Seria para passar ao leitor a falsa impressão de que é algo mais velho, antigo, do que é de fato? Seria bem mais prudente perguntar o que o século XX nos ensina para pensar o que queremos para a segunda, terceira ou quarta década deste “novo século”. Até porque há avanços e retrocessos como em qualquer curso da história da humanidade. A volta da poliomielite e de doenças já erradicadas no século XX é apenas é um exemplo. Mas podemos apontar outros, como o renascer dos fundamentalismos de ordem política ou religiosa e o avanço de tendências nazifascistas que tomam de assalto o desejo de jovenzinhos dispostos a matar ou morrer para participar de um jogo de conquistas típicas do afã do homem que faz, atento ao novo. Para o Estadão, o século XX deve ser apagado, cancelado seria o termo mais apropriado para o novo jargão. Com ele, a memória dos mortos, da poesia, da arte, da literatura, da música, das ciências sociais e, mais especialmente, da filosofia. Aí, apresentaremos ‘’itinerários’’ que jogam no lixo a tradição junto com entulhos de construtoras e embalagens de fones de ouvido sem fio. Mas, por hora, quero me ater à afirmação de um “modelo de educação totalmente atrasado e insatisfatório”, que, segundo o Estadão, é condenado por especialistas. Limitar os processos educacionais a modelos ultrapassados ou novos me parece reducionismo simplista. Dois pensadores podem servir de exemplo aqui, e por incrível que pareça, ambos do século passado. 1. John Dewey, filósofo e educador norte-americano, autor do artigo “Interesse e esforço”. Nele, discute a importância do interesse e da experiência do aluno como ponto de partida para a imersão do aluno no universo do conhecimento seja ele científico, histórico ou artístico. Escreve Dewey: “os interesses não são nada senão atitudes a respeito de possíveis experiências; não são conquistas; seu valor reside na força que proporcionam, não no sucesso que representam”. 2.Hannah Arendt, filósofa alemã, autora de coletânea de artigos publicada pela Editora Perspectiva com título “Entre o passado e o Futuro. “A Crise da Educação” é um dos artigos desta obra. Hannah Arendt escreve: “O papel desempenhado pela educação em todas as utopias políticas mostra o quanto parece natural iniciar um novo mundo com aqueles que são por nascimento e por natureza novos. No que toca à política, isso implica novamente em grave equívoco: ao invés de juntar-se a seus iguais, assumindo o risco de persuasão e correndo o risco do fracasso, há a intervenção ditatorial, baseada na superioridade do adulto e a tentativa de produzir o novo como se o novo já existisse… O que há é um simulacro de educação, enquanto o objetivo real é a coerção sem o uso da força”. É impossível discorrer sobre esses dois textos num artigo como o nosso sem reduzir a importância e complexidade de ambos. Fica o convite para a leitura atenta deles. O fundamental aqui é ressaltar que os dois autores — de diferentes tradições e formação filosóficas — já alertavam sobre o perigo de reducionismos quando o tema é a crise da educação, como se pode conferir no trecho abaixo de Hannah Arendt: “Por que Joãozinho não sabe ler? Por que os níveis escolares da escola americana média se acham atrasados em relações aos padrões médios na totalidade dos países da Europa? Não é por ser este um país jovem que não alcançou ainda os padrões do velho mundo, mas, ao contrário, é pelo o fato de ser o país mais avançado e moderno do mundo. E isso verdadeiro em duplo sentido: em parte os problemas educacionais de uma sociedade de massas são tão agudos, e em nenhum outro lugar as teorias mais modernas no campo da pedagogia foram aceitas tão servil e indiscriminadamente. Desse modo, a crise na educação americana de um lado anuncia a bancarrota da educação progressiva e, de outro, apresenta um problema imensamente difícil
Governo Lula cria grupo interministerial de combate à violência nas escolas

Hora de um basta. Ataque a creche em Blumenau (SC) resultou na morte de quatro crianças Articulação entre os ministérios da Educação, Justiça, Direitos Humanos e a Presidência foi convocada após ataque a creche em Santa Catarina. Congresso também analisará propostas sobre o tema O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criou, nesta quinta-feira (6), um grupo de trabalho interministerial para elaborar políticas de prevenção e enfrentamento da violência em creches e escolas de todo o país. De acordo com o decreto presidencial 11.469/2023, divulgado na edição de hoje do Diário Oficial da União (DOU), a equipe deverá desenvolver estudos e propor estratégias sobre o tema no prazo de até 180 dias. O período para a entrega do relatório final começa a ser contado já a partir desta quinta, quando os ministérios realizam a primeira reunião. A coordenação e a secretaria executiva do grupo ficarão a cargo do Ministério da Educação. Também participarão da iniciativa representantes dos ministérios das Comunicações, da Saúde, Cultura, Esporte, Direitos Humanos e Cidadania, Justiça e Segurança Pública, Secretaria Nacional de Juventude e a Secretaria-Geral da Presidência da República. O grupo de trabalho foi convocado ainda nesta quarta (5) por Lula, logo após o ataque a uma creche em Blumenau (SC), que resultou na morte de quatro crianças. O crime foi cometido por um homem de 25 anos que invadiu a unidade e golpeou as vítimas com uma machadinha. Outras quatro crianças ficaram feridas. Foi o segundo atentado contra uma escola do país em nove dias. No último dia 27 de março, a professora Elizabeth Tenreiro, de 71 anos, também morreu após ser esfaqueada em uma escola estadual de São Paulo, onde lecionava, por um aluno de 13 anos. Valorização da paz Diante dos frequentes ataques, o presidente anunciou ontem o grupo interministerial para “valorizar na sociedade uma cultura da paz, uma cultura da não violência”, conforme destacou por meio do ministro da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta. escolas públicas. E advertem para o aumento da circulação dos discursos de ódio, fomentados pela extrema direita, que tem tem levado a muitos dos atentados. A questão também foi advertida em relatório do Grupo de Trabalho da Educação do governo de transição de Lula no final do ano. Intitulado O ultraconservadorismo e extremismo de direita entre adolescentes e jovens no Brasil: ataques às instituições de ensino e alternativas para a ação governamental, o documento revelou como a extrema direita age para cooptar jovens nas escolas para a radicalização em sua ideologia. Discurso da extrema direita e redes sociais O tema é apontado no projeto do senador Fabiano Contarato (PT-ES) que defende a avaliação da influência das redes sociais na escalada de ataques. Ainda ontem, o parlamentar solicitou que quatro comissões da Casa façam uma série de audiências públicas com especialistas para debater iniciativas contra esses episódios. “Sabe-se que a prevenção e a repressão desse tipo de atentado deve ocorrer em diversas frentes, como o cuidado à saúde mental dos estudantes, a prevenção contra o bullying, a restrição ao acesso de armas, a restrição a jogos e sites que promovam violência e discursos de ódio, a diminuição da desigualdade, a fim de possibilitar que crianças e adolescentes vivam em ambientes sadios”, afirmou Contarato ao veículo. Também nesta quinta, Flávio Dino anunciou que a Polícia Federal passará a investigar organizações nazistas e o neonazistas no Brasil. A apuração teve início após conhecido de que esses grupos estão se articulando de forma interestadual.
Governo Lula suspende a implementação da reforma do ensino médio

O governo Luiz Inácio Lula da Silva deve divulgar portaria que suspende a implementação da reforma do ensino médio nos próximos dias. A suspensão também atinge as mudanças previstas para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2024. A suspensão tem o apoio da equipe próxima ao presidente Lula, muito por conta do desgaste gerado entre os estudantes – uma base de apoio petista por conta das políticas implementadas em governos anteriores. Por ter sido aprovada por lei, a revogação total da reforma dependeria do Congresso Nacional, o que levou à suspensão dos prazos. O ministro da Educação, Camilo Santana, tem se posicionado contra a revogação e favorável a ajustes no modelo, mas tanto seu posicionamento como a aproximação com empresários do setor educacional e a manutenção de nomes dos governos Temer e Bolsonaro têm sido alvo de críticas. “Vamos suspender a portaria 521 que aplica o cronograma do Novo Ensino Médio, principalmente por causa do ENEM. Vamos suspenser (sic) para que a partir da discussão a gente possa tomar decisões em relação ao Ensino Médio”, disse o ministro em entrevista coletiva. "Vamos suspender a portaria 521 que aplica o cronograma do Novo Ensino Médio, principalmente por causa do ENEM. Vamos suspenser para que a partir da discussão a gente possa tomar decisões em relação ao Ensino Médio", ministro @CamiloSantanaCE. pic.twitter.com/Qs2eX9hOvA — PT Brasil (@ptbrasil) April 4, 2023 A notícia da suspensão repercutiu nas redes sociais. “Após nossa intensa mobilização, o Ministro da Educação, Camilo Santana anunciou que irá suspender a Portaria 521/21 do MEC, suspendendo o calendário de implementação do NEM”, afirma a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). “Voltaremos às ruas no dia 19 de abril para avançarmos rumo a Revogação do NEM e a construção de uma Nova Escola, à altura dos nossos sonhos e das nossas necessidades”, ressalta a entidade representativa. VITÓRIA DOS ESTUDANTES! Após nossa intensa mobilização, o Ministro da Educação, Camilo Santana anunciou que irá suspender a Portaria 521/21 do MEC, suspendendo o calendário de implementação do NEM. — União Brasileira dos Estudantes Secundaristas ✏️ (@ubesoficial) April 4, 2023 Para o educador Daniel Cara, o novo ensino médio “é a mais nefasta e cruel volta ao passado” Um pouco de História da Educação Brasileira: A Reforma do Ensino Médio tem objetivos e consequências semelhantes à terrível Lei 5.692/1971 da Ditadura Militar. Sim, você leu bem: Ditadura Militar. Ou seja, o Novo Ensino Médio é a mais nefasta e cruel volta ao passado. — Daniel Cara – Educação e Ciência (@DanielCara) April 4, 2023 Proposta pelo governo de Michel Temer em 2016, a reforma do ensino médio no Brasil teve como objetivo principal modernizar e tornar mais flexível o currículo dessa etapa de ensino, mas tem sido alvo de sucessivas críticas por ter sido elaborada sem ouvir a sociedade. Uma das principais críticas à reforma do ensino médio foi a forma como ela foi proposta e implementada, além da falta de recursos para implementar as mudanças propostas e a falta de investimentos em infraestrutura e formação de professores. Outro ponto controverso da reforma foi a ênfase dada às disciplinas de português e matemática em detrimento das demais áreas do conhecimento, o que foi visto por muitos como uma redução da carga horária e da importância dada a disciplinas como história, geografia, artes, filosofia e sociologia. GGN