Parlamentares protestam contra novos cortes nos recursos da Educação

– O presidente Bolsonaro editou, na noite da terça-feira (30), um decreto detalhando o bloqueio de mais R$ 1,4 bilhão do Orçamento Federal – a pretexto de cumprir a meta fiscal fixada para este ano. O novo corte de recursos, a maior parte nas rubricas da Educação e Cidadania, recebeu duras críticas de parlamentares na Câmara dos Deputados. – “É inadmissível tantos cortes de investimentos. Educação e Cidadania deveriam ser as prioridades do governo, no entanto, estamos retrocedendo”, afirmou o líder do PCdoB, Daniel Almeida (BA). Em sua conta no Twitter, o parlamentar registrou que a União Nacional dos Estudantes convocou protesto no dia 13 de agosto contra os cortes. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), líder da minoria na Câmara, disse que ao efetuar mais esse contingenciamento (bloqueio) no Orçamento de 2019, o governo “ataca novamente prioridades da população”. “Retirar R$ 619 milhões do Ministério da Cidadania e R$ 348 milhões da Educação é impactar políticas essenciais para jovens, pobres e idosos”, denunciou. O deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE) lamentou que a Educação esteja entre as pastas com maior número de verbas bloqueadas. “Ensino de qualidade contribui para construirmos uma sociedade menos desigual. Mas temos visto que isso não é importante nessa gestão”, disse. “Esses cortes impactam diretamente em políticas públicas para os que mais precisam. No total, somente na Educação, R$ 6,2 milhões já foram bloqueados. O prejuízo já atinge as salas de aulas em todo o país”, criticou a vice-líder da minoria, deputada Alice Portugal (PCdoB-BA). A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), diz que o governo passa mais uma tesourada no orçamento e deixa o país na paralisia. “Só a Educação já tem 25% das verbas cortadas e a previsão é de novas reduções de recursos ocorrerão em setembro. Máxima do governo Bolsonaro é quanto pior melhor”, criticou. “Mais um corte na Educação, de R$ 348 milhões. No Brasil de Bolsonaro, o Ministério da Educação é o que mais perde dinheiro: R$ 6,1 bi. Precisamos de um Brasil que invista na educação, pelo avanço do país, por melhores empregos e por mais qualidade de vida. É por isso que lutamos”, afirmou o líder da Oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ). O líder do PDT na Casa, André Figueiredo (CE), prevê novos embates no parlamento por causa dos cortes. “Que absurdo o que este desgoverno está fazendo com o presente e o futuro do nosso país. Novamente agiremos através do Parlamento para recompor esta perda”, anunciou. O bloqueio adicional nas verbas previstas no Orçamento da União se soma aos R$ 29,7 bilhões que foram divulgados em março. Devido à retenção de verbas orçamentárias, os recursos para custeio e investimentos estimado para este ano são os menores desde 2008. No corte desta terça, também serão bloqueadas verbas para Meio Ambiente (R$ 10 milhões), Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (R$ 59 milhões), Economia (R$ 282 milhões), Saúde (R$ 6 milhões), Turismo (R$ 100 milhões) e Relações Exteriores (R$ 32 milhões). Via Vermelho
CNPq suspende edital e pesquisadores perdem bolsas no segundo semestre

Projetos de pós-graduação em curso também correm o risco de ter o pagamento de bolsas suspenso a partir de outubro O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) anunciou a suspensão de novas bolsas de pesquisa até o dia 30 de setembro. O motivo alegado é a falta de recursos. – A decisão suspende um edital lançado em 2018 que previa a liberação de 60 milhões de reais para alunos de pós-graduação atuarem ao longo de todo o ano, no Brasil e no exterior. Isso significa que os pesquisadores que se candidataram para o segundo semestre devem ficar sem financiamento. Projetos já contemplados pelo edital – foram 781 no primeiro semestre, sendo 648 no País e 133 fora do Brasil – também correm o risco de terem o pagamento das bolsas interrompido a partir de outubro. Os projetos atendidos consumiram 51 milhões do total do orçamento. Os nove milhões restantes seriam capazes de financiar cerca de 130 projetos no segundo semestre. Para o período, no entanto, foram submetidas 5.342 propostas. A assessoria de imprensa do CNPq informou que, tradicionalmente, o conselho conseguia atender o segundo cronograma com recursos adicionais em relação ao previsto originalmente. No entanto, “para este ano, é preciso aguardar a situação orçamentária”. Para quitar os compromissos, a saída seria contar com um crédito suplementar que precisaria ser aprovado pelo governo federal, via projeto de lei que destinasse mais recursos na Lei de Orçamento Anual (LOA). No entanto, o governo anunciou novo bloqueio de 1,4 bilhão no orçamento de 2019. O que ainda não se sabe é quais pastas serão afetadas.
Com ironia no Twitter, Weintraub chancela violência contra estudantes

O ministro da educação Abraham Weintraub compartilhou em seu twitter um vídeo em que integrantes da UNE aparecem apanhando da polícia em frente ao MEC. O texto que o ministro compartilhou, publicado originalmente no perfil UFF Livre Campos dos Goytacazes diz: Vagabundos da UNE tomando um sacode na frente do MEC ao som de Sweet Dreams. Weintraub deu um tom de sarcasmo à chancela que dá para a violência contida no vídeo: “Sem mais comentários (apenas que a música é boa e é do meu tempo”, escreveu. Abraham Weintraub ✔@AbrahamWeint Sem mais comentários (apenas que a música é boa e é do meu tempo…) https://twitter.com/LivreUff/status/1152644071707553792 … UFF Livre Campos dos Goytacazes@LivreUff Vagabundos da UNE tomando um sacode na frente do MEC ao som de Sweet Dreams #BolsonaroPresidenteAté2026 21,8 mil 15:30 – 20 de jul de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads O caso aconteceu na terça-feira 16 quando estudantes foram para a frente do Ministério da Educação protestar contra o programa Future-se que, na data, foi apresentado aos reitores das universidades para no dia seguinte tornar-se público oficialmente. Os estudantes foram para o local na tentativa de conversar com os reitores e entregar uma carta, contrária à proposta, assinada pela Ubes, pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e pela Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG). Não é a primeira vez que Weintraub demonstra sua completa intolerância à UNE. Em maio, durante reunião da Comissão de Educação na Câmara dos Deputados onde estavam presentes a então presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Marianna Dias, e o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Pedro Gorki, Weintraub se negou ao diálogo, retirando-se do local. “Eu não quero falar com a UNE, eles não estão eleitos. Eu nunca fui filiado à UNE”, declarou. O ministro se retirou da sala logo após a declaração. Na ocasião, os líderes estudantis também foram agredidos por seguranças, que ainda tentaram os tirar a força do plenário. O pronunciamento dos líderes estudantis havia sido previamente combinado com o presidente da Comissão, o deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB)
Protesto contra cobrança de mensalidades em universidades públicas sofre repressão

Ato organizado pela UNE é dispersado com violência em frente ao Ministério da Educação, em Brasília Poucos meses após o corte de R$ 5,8 bilhões nas verbas destinadas às universidades públicas e programas de fomento à pesquisa os impactos já podem ser sentidos. Nesta terça-feira (16), em frente ao Ministério da Educação (MEC), estudantes voltaram a expor indignação com a política de arrocho de Jair Bolsonaro (PSL) e protestaram contra o projeto que autoriza a cobrança de mensalidades em universidades públicas. Dentro do MEC, reitores das universidades federais estavam reunidos discutindo o tema. A manifestação foi organizada pela União Nacional de Estudantes (UNE) e foi interrompida por agressões e spray de pimenta por parte da força policial. Um estudante foi detido acusado de depredação. Após negociação com advogados, o jovem foi liberado. O presidente recém-eleito da UNE, Iago Montalvão, fazia parte do grupo de manifestantes e afirma que o protesto foi pacífico. Segundo ele, os estudantes foram reprimidos enquanto tentavam se aproximar do Ministério para entregar suas reivindicações aos reitores de universidades reunidos no interior do prédio. Em entrevista ao Brasil de Fato, o presidente da UNE afirmou que o número de policiais militares destacados para acompanhar o protesto era maior do que o normal. “Eles chegaram com esse contingente já sem nenhum diálogo, não procuraram nenhuma liderança do movimento para buscar algum diálogo. Já chegaram para retirar os estudantes daquele local, e aí foi quando eles apelaram para a agressão, para uma violência maior e jogaram spray de pimenta, usaram cassetetes, o que fez com a manifestação se dispersasse”, relata. Após o chamado Tsunami da Educação, Montalvão afirma que a repressão policial não intimida a luta dos estudantes e conclama a população para a próxima agenda de mobilizações: “Para nós, o dia 13 de agosto é um dia importante, é a nossa principal mobilização a partir de agora. É quando a gente vai ter condições de mostrar para o Brasil a nossa indignação e então nós estamos nos organizando bastante para isso: para reunir os estudantes nas universidades e mobilizar para o dia 13”. Consultada pela reportagem sobre sua versão do ocorrido, a Polícia Militar do Distrito Federal informou estar fora do expediente de trabalho e pediu para ser consultada novamente nesta quarta-feira (17). Também contatado, o MEC não respondeu até o fechamento desta versão. O desfinanciamento e a cobrança de mensalidades Para Iago Montalvão, o projeto Future-se do ministro da Educação, Abraham Weintraub, é uma ameaça à autonomia universitária. A proposta prevê que as universidades deixem de ser autarquias e, com isso, possam cobrar mensalidades. Segundo ele, a aprovação do projeto coloca as universidades à mercê de grandes empresas do ramo. “Na verdade, pode ser uma tentativa de privatização da universidade ou uma flexibilização, como eles dizem, que, na verdade, é uma tentativa de desresponsabilizar o Estado do orçamento das universidades e fazer com que os reitores tenham que se virar para captar dinheiro com a iniciativa privada”, critica o estudante de Economia da Universidade de São Paulo (USP). Os efeitos dos cortes de verbas na Educação já estão aparecendo, destaca Montalvão. O fornecimento de energia elétrica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, foi cortado nesta manhã. O motivo é a falta de pagamento. O funcionamento da instituição foi afetado e o Restaurante Universitário (RU), por exemplo, não pôde servir a janta aos estudantes. Via Brasil de Fato
Bolsonaro corta repasses federais para creches, educação básica, alfabetização e ensino técnico

Dados obtidos por meio de Lei de Acesso da Informação pela Folha de S.Paulo revelam que enquanto planeja construir 108 escolas militares, governo Bolsonaro cortou verbas de projetos de educação básica neste primeiro semestre Enquanto o ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciava na quinta-feira (11) o projeto de criação de 108 escolas cívico-militares até 2023 como parte de um plano estratégico para a educação básica, escolas de educação em tempo integral, ensino técnico e até mesmo creches estão tendo cortes sucessivos no orçamento neste primeiro semestre de governo Jair Bolsonaro (PSL). Dados obtidos por meio de Lei de Acesso à Informação, divulgados em reportagem de Paulo Saldaña na edição desta segunda-feira (15) da Folha de S.Paulo, mostra que Bolsonaro esvaziou políticas da educação básica, com cortes de recursos em programas e projetos. Segundo a reportagem, o fomento para o ensino integral por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) neste semestre foi de R$ 343 milhões, 18% do previsto para todo o programa no ano. Recursos para creches também foram reduzidos. Até abril, foram pagos R$ 10,3 bilhões para a continuidade da construção de unidades municipais por meio do programa Proinfância. O valor representa 13% do executado no mesmo período de 2018. Veja também: Rodrigo Maia diz que Bolsonaro “não tem uma preocupação, uma palavra para o pobre brasileiro” Nenhum repasse foi feito para as escolas dentro do Mais Alfabetização, criado em 2018 para ações como a adoção de professor extra. O Brasil Alfabetizado, de bolsas para jovens e adultos, parou. Em 2018 foram atendidos 114 municípios. Neste ano, só um —e por decisão judicial. Outra prioridade do governo, a educação profissional, passou por esvaziamento sem iniciativas de expansão. O total de alunos no Pronatec caiu 58% de 2018 para 2019. Leia AQUI a reportagem na íntegra, da Folha de São Paulo Via Revista Fórum
MEC convoca reitores para anunciar privatização das universidades públicas

– Os reitores de universidades federais foram convocados pelo Ministério da Educação para uma reunião institucional que será realizada na próxima quarta-feira 17, às 10, no MEC, e para a apresentação de um programa sobre o ensino superior no dia seguinte, quinta-feira 18, às 9h no auditório do INEP. Segundo informações passadas pelo secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Arnaldo Barbosa de Lima Júnior, ao jornal Valor Econômico, o novo programa se chamará Future-se e tem como um dos objetivos promover a autonomia financeira das instituições. Em outras palavras, permitir que atuem como empresas. Outras informações divulgadas em um evento privado na noite de sexta-feira 12 dão conta de que o plano prevê ainda que as universidades públicas deixarão de ser administradas sob o regime jurídico de direito público, deixando de ser autarquias e fazendo com que seja implementada uma política de cobrança de mensalidade para cursos gratuitos. O programa terá como objetivo o “fortalecimento da autonomia financeira das universidades e dos institutos federais”, disse na última quarta-feira o secretário, durante participação na Conferência Internacional sobre Financiamento Vinculado à Renda. Um dos eixos do programa, disse ainda, será a “internacionalização” do ensino superior. O tema central do evento é um programa implantado pelo governo australiano no fim dos anos 80, quando o modelo de ensino superior do país deixou de ser totalmente gratuito para se tornar híbrido, com o estudante arcando por parte dos custos de sua formação ao longo da vida, apontou a reportagem do Valor. No início da semana, uma análise de conjuntura publicada pela consultoria TAG Report, das jornalistas Helena Chagas e Lydia Medeiros, informa que “para reduzir de forma permanente e profunda o orçamento federal para essas instituições, a intenção do governo é flexibilizar o modelo atual de gestão e permitir que elas atuem como empresas. Significa poder demitir e captar recursos prestando serviços e firmando contratos com empresas privadas que hoje podem ser proibidos”. O relatório elaborado pelas jornalistas consultou técnicos que já analisaram as linhas gerais da reforma pretendida. Eles afirmam que a etapa seguinte seria congelar os orçamentos em patamares baixos e deixar de financiar qualquer projeto que ultrapasse esses limites, inclusive pesquisas e contratações.
Governo lançará projeto para destruir universidades públicas

Jair Bolsonaro e Abraham Weintraub ultimam os preparativos para lançar em breve um projeto de reformas com intuito de promover a destruição da universidade pública, enxugando ao máximo o orçamento e transformando as instituições federais em “empresas”. A informação é das jornalista Helena Chagas e Lydia Medeiros, no relatório “Vencedores, Vencidos e uma Nova Guerra, uma análise de conjuntura”. A análise revela que, “para reduzir de forma permanente e profunda o orçamento federal para essas instituições, a intenção do governo é flexibilizar o modelo atual de gestão e permitir que elas atuem como empresas. Significa poder demitir e captar recursos prestando serviços e firmando contratos com empresas privadas que hoje podem ser proibidos”. O relatório elaborado pelas jornalistas consultou técnicos que já analisaram as linhas gerais da reforma pretendida. Eles afirmam que a etapa seguinte seria congelar os orçamentos em patamares baixos e deixar de financiar qualquer projeto que ultrapasse esses limites, inclusive pesquisas e contratações. A cobrança de mensalidades pelas instituições que hoje oferecem serviços gratuitos também seria permitida, como forma de financiamento. Incompatibilidade de gênios As jornalistas tambem revelam no relatório que a cada visita do ministro Abraham Weintraub à Comissão de Educação da Câmara cresce a animosidade entre ele e os deputados. Dias atrás, o ministro da Educação irritou os integrantes do colegiado ao apresentar um power point de dois slides, numa audiência sobre o Fundeb, se retirar da sala. Outra crítica dos parlamentares é o fato de o ministro sempre leva as piores notícias à Casa, mas mantém um intrigante ar de satisfação. “Ele é um sádico”, desabafa um deputado
A defesa da educação é uma tarefa imposta às forças progressistas

Para o deputado federal Glauber Braga (PSOL), o bolsonarismo acena para um futuro frustrado em que educação não é sinônimo de resistência O golpe de 1964 legou-nos uma ditadura que logo ficou conhecida como ‘revolução dos caranguejos’, de tanto que caminhava para trás, condenando-nos ao obscurantismo. Em artigo antológico publicado no Correio da Manhã, Carlos Heitor Cony dizia que o golpe que pretendia ser chamado de “revolução” ignorava a marcha da história e tentava regredir à República Velha. Assim rasteja o novo regime brasileiro, modelo arcaico de populismo autoritário, ameaçando-nos com políticas retrógradas em todos os campos da experiência humana. Em pouco mais de seis meses, retrocedemos nas políticas externa, ambiental, educacional, científica e tecnológica, bem como nos conceitos de nação, independência e mesmo de defesa. O novo regime renunciou ao desenvolvimento e às políticas de compensação social, em um país no qual quase 14 milhões de cidadãos não dispõem de emprego e outros tantos vivem à margem do mercado de trabalho. Desfeitas as esperanças de um presente digno, o bolsonarismo destrói o nosso futuro. Para o projeto de subalternidade econômica, militar e estratégica de nosso país aos interesses dos EUA e de suas empresas, é fundamental que persistam nossos atuais índices de pobreza e atraso industrial-tecnológico. O bolsonarismo transformou a estagnação econômica em recessão, o PIB vem caindo mês a mês e já aponta para um crescimento negativo. A máquina pública está parada, a União não investe e cresce o endividamento das famílias e do governo, mandando às favas o tal de saneamento fiscal que tudo pretende justificar. Da recessão caminhamos para a depressão, aumentando o fosso que nos separa de outras nações. A resposta do governo é desnacionalizar, vender os ativos de nossas empresas na bacia das almas, ameaçar o País com um ciclo irresponsável de privatizações que começa com a Eletrobras e não se deterá mesmo na Petrobras, já em processo de liquidificação com a irresponsável venda, a preço de banana, de seus ativos mais rentáveis. Se não for detido, o bolsonarismo inviabilizará a atividade industrial-manufatureira ainda sobrevivente, embora em crise profunda. Por primarismo ideológico e carência cognitiva, colocam-se em risco as exportações de commodities, último setor positivo da balança comercial. Pari passu com a destruição da economia, o neoliberalismo arcaico investe na eliminação das conquistas dos trabalhadores, começando por demolir a Previdência pública, para melhor servir ao sistema financeiro e a uma “elite” suicida. Destruído o presente, o bolsonarismo acena com a frustração do nosso futuro, pois essa é a consequência inevitável de suas políticas de educação, ciência e desenvolvimento tecnológico. A educação, sabem principalmente os países que se desenvolveram antes de nós, é o mais importante meio de assegurar a transição do atraso para o desenvolvimento. O investimento maciço e sistemático em ensino, pesquisa científica, tecnologia e inovação é o único meio de promover o progresso, quando o mundo se divide entre detentores de conhecimento e importadores de conhecimento. O Brasil, que perdeu a marcha da História, que nunca chegou a ter um desenvolvimento industrial pleno, corre o risco de levar rasteira na revolução tecnológica que avança entre os desenvolvidos a passos largos. Seu alvo mais recente é o BNDES, principal agência de desenvolvimento, que descapitaliza para preparar sua extinção. A crise da educação é um projeto político da elite, alertou Darcy Ribeiro, tragicamente premonitório Nesse afã antinacional, o novo regime corta drasticamente os recursos destinados à educação e à pesquisa, esvazia as agências de desenvolvimento, desmonta a Finep (voltada para a inovação tecnológica), esvazia o CNPq e a Capes (que fomenta o sistema de pós-graduação), corta bolsas de estudo e inicia um criminoso combate à universidade pública, aquela que investe na pesquisa, forma quadros e possibilita o acesso dos mais pobres ao conhecimento. Um só dado para ilustrar o papel social desempenhado pela universidade pública: 64,7% dos alunos da Universidade Federal Fluminense são oriundos da escola pública, 50,8% são filhos de pais e mães que não tiveram acesso ao ensino superior, 51,2% são negros, 70,2% têm renda per capita menor que 1,5 salário mínimo. A UFF não é um acaso, é a regra. Por isso, a universidade pública e gratuita tornou-se alvo da antipatia governamental, movida pela loucura ideológica e articulada mobilização de interesses econômicos. Grandes conglomerados, nutridos por fundos estrangeiros, estão ávidos pelos negócios milionários que a destruição do ensino público prenuncia. É uma batalha também cultural, mas sobretudo econômica. Enquanto o governo que aí está investe contra o conhecimento, a Alemanha anuncia a aplicação de 14,6 bilhões de euros anuais em tecnologia. Em 2018, os EUA aplicaram 476,5 bilhões de dólares e a China, 370,6 bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento. Os dois gigantes, juntos, somam 62% do investimento global. E não estão sós: o Japão investiu 170,5 bilhões e a Coreia do Sul, 73,2 bilhões de dólares. E o Brasil? Destruído o presente, o bolsonarismo acena com a frustração do nosso futuro Por aqui, Bolsonaro efetuou um corte geral no custeio das universidades federais da ordem de 40% ao mesmo tempo que impôs um corte de cerca de meio bilhão de reais no orçamento do Ministério das Comunicações, Ciência, Tecnologia e Inovação. Esses números explicam, ao mesmo tempo, tanto o desenvolvimento dos países líderes em ciência e tecnologia quanto o nosso atraso. Eis o outro lado desta moeda: enquanto nossa perspectiva de PIB para 2019 é algo em torno de 0,8% em face de 2018, a China teve um crescimento de 6,9% e a Índia, de 6,6%. O mestre Darcy Ribeiro, sábio e patriota, foi tragicamente premonitório quando afirmou que “a crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto da elite para o povo não estudar, porque, se o povo estudar, o povo não aceitará mais ser escravo”. É exatamente essa “elite” atrasada que se faz representar pelo governo do capitão. Defender a educação e derrotar o governo, para salvar o País, é a tarefa que se coloca para as forças progressistas em todos os campos de luta. Um deles é o Parlamento, mas seu
Bolsonaro interfere na nomeação de reitores em três universidades

UFGD, Unirio e UFTM não elegem os reitores indicados pela comunidade acadêmica, mas os escolhidos pelo governo Pelo menos três universidades já sofreram intervenção direta do presidente Jair Bolsonaro na nomeação de seus reitores. A primeira delas foi a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Na terça feira 11, o ministro da educação Abraham Weintraub nomeou como reitora temporária a professora Mirlene Damázio. A decisão pela nomeação ignora a eleição realizada pela universidade no mês de março, que teve como vencedora a chapa “Unidade”, encabeçadas pelos professores Etienne Biasotto e Cláudia Gonçalves. Damázio, que leciona na Faculdade de Educação da UFGD, não fazia da lista tríplice encaminhada ao governo, nem nunca concorreu a processos eletivos na universidade. A nova reitora temporária nomeou como vice-reitor o professor Luciano Geisenhoff, apoiador declarado do presidente Jair Bolsonaro. A tese que se formula é que o governo pretende fortalecer o grupo da Chapa 2 e instituir na universidade uma direção alinhada à administração federal. Unirio Na segunda-feira 17, o mesmo processo aconteceu na Universidade Federal do Rio (Uniorio). Bolsonaro também nomeou como reitor da instituição um nome que não constava entre a votação da comunidade acadêmica: o professor Ricardo Silva Cardoso. As eleições junto à comunidade acadêmica da Unirio foram realizadas em abril e deram vitória a Leonardo Villela de Castro, com 72% dos votos válidos. Após o resultado, no entanto, o Colégio Eleitoral da Unirio encabeçou a lista tríplice encaminhada ao Ministério da Educação e apontou o nome de Cardoso, que não constava entre as indicações. Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) Na terça-feira 18, na UFTM, o presidente Bolsonaro também preteriu o primeiro nome indicado para a reitoria da universidade. O professor Luiz Resende dos Santos Anjo apareceu em segundo lugar na lista tríplice, mas ganhou o cargo. Fábio César da Fonseca, com maioria de votos no colegiado e também indicado pela comunidade acadêmica foi filiado ao PT, dos anos 1990 até 2005, e ao PSOL de 2007 a julho de 2018, o que deixa uma forte hipótese de sua não eleição estar atrelada a fatores políticos. Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Federais de Ensino Superior (Andifes), três instituições ainda aguardam a nomeação de seus reitores: a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), o Cefet-RJ, e a Universidade Federal do Ceará (UFC). Entenda como funcionam as nomeações A decisão de Bolsonaro nas três universidades rompe com uma tradição que vinha desde o governo Lula de nomear os primeiros colocados na lista encaminhada pelas instituições de ensino. A mudança, no entanto, já pode ser reflexo de um decreto feito pelo governo em maio, que cria mais uma etapa na nomeação de reitores. Por lei, o reitor e o vice-reitor de universidades federais são nomeados pelo presidente da República, que avalia uma lista com três nomes (lista tríplice) elaborada pelo colegiado das instituições, compostos por professores, que representam 70% do grupo. Os demais 30% podem ser preenchidos por funcionários e estudantes da instituição. Com o novo decreto, essa lista passa pelo crivo da Secretaria de Governo – ocupada pelo general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira após a demissão do general Santos Cruz na Secretaria de Governo – antes de chegar ao presidente. Leia também> Ameaça de ataque leva pânico à Universidade Federal do Espírito Santo Há uma defesa por parte de especialistas em educação, reitores das universidades públicas e também da Andifes pela nomeação do primeiro nome da lista indicado pelo colegiado eleitoral, uma forma de respeitar a autonomia das instituições e garantir valores democráticos às nomeações. O entendimento é de que a escolha por outro nome que não o ‘vencedor’ da listra tríplice possa não só desagradar à comunidade científica, como impactar a qualidade administrativa. Também há receio de que questões políticas e ideológicas sejam utilizadas para desaprovar os nomes vindos das comunidades universitárias. Daniel Cara@DanielCara Bolsonaro está descumprindo um princípio democrático básico: “reitor/a eleito/a é reitor/a empossado/a.” Escolhendo pessoas não eleitas, pratica uma agressão à autonomia universitária. Na prática, Unirio, UFTM e UFGD já estão sob intervenção bolsonarista. 108 09:42 – 19 de jun de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads Até 2023, as universidades federais deverão passar por mudanças de reitores.
Ameaça de ataque leva pânico à Universidade Federal do Espírito Santo

Mensagem que circula entre os estudantes ameaça esquerdistas, feministas, gays e negros e foi disseminada a partir da deep web O campus Goiabeiras da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) recebeu ameaças de um possível ataque marcado para esta quarta-feira 19. A mensagem, que circula entre os estudantes, supostamente foi elaborada pelo fórum Dogolachan, espaço disseminador de violência da deep web, parte da web que não é indexada pelos mecanismos de busca e fica oculta ao grande público. O grupo foi associado ao ataque cometido à escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, em março. Os dois estudantes autores do atentado que deixou 10 mortos teriam planejado a ação no fórum. No print da mensagem que circula entre a universidade, há o texto: “irei matar o máximo de esquerdistas, feministas, viados e negros que encontrar pela minha frente. Peço aos cidadãos de bem que, a fim de saírem ilesos, não frequentem o ambiente nesse dia”. Na ameaça também aparecem imagens internas do campus e da vice-reitora da universidade, Ethel Maciel. A Ufes publicou uma nota se dizendo ciente do caso e afirma que, assim que tomou conhecimento da mensagem, acionou a Superintendência da Polícia Federal no Espírito Santo, o Núcleo da Polícia Militar na Ufes e a Gerência de Segurança e Logística da Universidade, que já estão adotando todas as providências cabíveis. “A Administração Central da Ufes reforça que as autoridades policiais também estão atuando para apurar o caso e agir de forma preventiva”, afirma o texto. Nas redes sociais, estudantes relatam medo por conta da ameaça e orientam aos demais que não se dirijam ao local. Também circula nas redes sociais a informação de que o campus teria sido evacuado. CartaCapital tentou entrar em contato com a unidade para confirmar a informação, mas as ligações não foram atendidas. A reitoria, no entanto, declarou que o funcionamento da universidade será normal. Alunos da Ufes estão desesperados por uma ameaça de massacre contra “gays, esquerdistas e feministas” no maior campus da universidade. Atividades serão paralisadas. Rotinas alteradas, projetos adiados. Não era só um número na urna, era um gatilho. E vocês o puxaram. — Fernando Bianchi (@f_bianc) 19 de junho de 2019 Gabriel Schaydegger@Xeideguer Se as ameaças na UFES tivessem sido feitas aqui no twitter, eu desconfiaria e muito. Mas foi em Fórum de Chan, e o tanto de retardado que tem nessa escória da internet não se conta, é pra ficar assustado msm. 81 19:14 – 18 de jun de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads Eduardo@eduardomunaldi Cara, assustador a ameaça de massacre que psicopatas doentios fizeram a Ufes de Goiabeiras amanhã. Eu realmente estou apavorado. 233 16:52 – 18 de jun de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads Via Carta Capital