UNE rebate Bolsonaro: idiota não, responsáveis pelo futuro da nação

A – A vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Jessy Dayane Santos, rebateu a declaração do presidente Jair Bolsonaro que chamou os estudantes que participam das manifestações nacionais contra o desmonte da educação e o corte de 30% das verbas do Ministério da Educação de “idiotas úteis”. “Só lamento que ele nos ache idiotas, mas somos brasileiros e brasileiras responsáveis com o futuro da nossa nação”, disse. Declaração vem na esteira da fala feita pelo presidente Jair Bolsonaro que qualificou os estudantes brasileiros que protestam contra os cortes na educação de “idiotas úteis” e de não serem capazes sequer de fazer “uma regra de três simples” ou de conhecerem a “formula da água”. Segundo ele, a maioria dos estudantes que aderiram ao protesto “é de militante” (leia no Brasil 247). “É o início do gosto amargo que o Bolsonaro vai sentir por cortar direitos. As pessoas sempre esperam que os jovens saiam na frente”, declarou a presidente da entidade, Marianna Dias, que estava na manifestação da Avenida Paulista. A expectativa do movimento estudantil é que as manifestações nacionais, que nesta quarta-feira (15) já levaram mais de 1 milhão de pessoas às ruas em diversas cidades de todo o país, ganhem peso e se equipare aos protestos de 2013, quando a população realizou protestos massivos pedindo serviços públicos de qualidade e redução nos preços das tarifas de transporte municipal.

O boçal Bolsonaro xinga os estudantes brasileiros de idiotas

À frente de um governo que cultua a ignorância e pretende destruir a educação e a soberania do Brasil, Jair Bolsonaro partiu para o confronto e decidiu provocar milhões de brasileiros que saíram e estão saindo às ruas neste 15 de maio. Do Texas, onde foi receber uma premiação após ser impedido de ir a Nova York, ele xingou os estudantes brasileiros, chamando-os de de “idiotas úteis”. E ainda atacou os desempregados do país, dizendo que “não têm qualquer qualificação” Bolsonaro parece alheado do que está acontecendo no país; disse que “a maioria ali é militante”, referindo-se aos milhões de manifestantes. O que ele disse na porta do hotel onde ficará hospedado: “É natural, é natural, mas a maioria ali é militante. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada. São uns idiotas úteis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais no Brasil”. Enquanto isso, as ruas do país, nas capitais, cidades grandes, médias e pequenas, estão ocupadas por manifestações em defesa da Educação e em protesto contra os ataques de Bolsonaro e seu governo, especialmente o ministro Abraham Weintraub, às universidades e escolas. Bolsonaro chegou a dizer na rápida entrevista que os milhões de desempregados do país “não têm qualquer qualificação” atribuindo o fato ao PT. Enquanto seu governo desmonta a educação do país, resultado de uma construção de anos durante os governos Lula e Dilma, Bolsonaro tenta vender uma ficção, acusando “a garotada, com 15 anos de idade”, de não saber “uma regra de três simples”. No entanto, quem tem dado seguidas demonstrações de desconhecer a regra de três têm sido o ministro da Educação, em suas apresentações públicas. O que disse Bolsonaro: “Se você pega as provas, que acontecem de três em três anos, está cada vez mais ladeira abaixo. A garotada, com 15 anos de idade, na oitava série, 70% não sabe uma regra de três simples. Qual o futuro destas pessoas? Fala-se que tem muito desempregado, 14 milhões, mas parte deles não têm qualquer qualificação porque esse cuidado não teve pelo PT ao longo de 13 anos”.

Zema ignora as escolas que representam oportunidade a jovens do campo

 – Para o deputado Dr. Jean, as Escolas Família Agrícola devem ser tratadas como prioridade pelo governo do estado Foi debatida, em audiência pública da Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG),  a possível interrupção do apoio do Governo de Minas  às Escolas Família Agrícola (EFAs) do estado. Para Dr. Jean Freire, apesar do momento de crise financeira pela qual passa o estado, é preciso elencar prioridades e as EFAs devem ser um delas.  As EFAs são organizações não-governamentais, administradas por associações da sociedade civil que, por meio de termos de cooperação com os governos federal, estadual e municipal, colocam em prática a pedagogia baseada na “metodologia da alternância”, que permite adequar o estudo aos trabalhos sazonais exigidos pela agricultura. Atualmente, a maior parte dos recursos para manutenção das 22 escolas que adotam esse modelo em Minas Gerais são provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). A verba, portanto, é federal, e o governo estadual é responsável pela distribuição do dinheiro entre as entidades. Um dos problemas apresentados é a data dos repasses, que não é definida na legislação. Falta de pagamento dos professores – Segundo o secretário da Associação Mineira das Escolas Família Agrícola, Geraldo Pereira Ramos, a regulamentação aponta apenas que metade dos recursos deve ser paga no primeiro semestre e a outra metade no segundo, mas não especifica quando, ao longo dos semestres. Assim, o fato de nenhuma escola ter recebido qualquer verba em 2019 não é considerado atraso. Mas, na prática, as escolas estão sem dinheiro para pagar os professores que já estão trabalhando, por exemplo. Além de garantir pagamento dos salários, os recursos governamentais é que viabilizam a permanência dos alunos na escola. Como explicou José Carlos Lopes Pereira, diretor da escola de Setúbal em Malacacheta (Jequitinhonha/Mucuri), há a necessidade de fornecer alimentação e alojamento para muitos alunos. Segundo ele exemplificou, 44 dos 120 alunos da escola que ele dirige são de Setubinha, que é um dos últimos municípios em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de Minas Gerais. Eles têm alojamento e cinco refeições diárias no local. Participantes pedem mesa de diálogo para revisar regulamentações Os participantes pediram a sensibilidade do Poder Executivo para abrir uma mesa de diálogo, não apenas para tratar das datas de repasses de verbas mas também de outros gargalos da legislação. Um deles, apresentado também por Geraldo Ramos, da Associação das Escolas Família Agrícola, diz respeito à forma de destinação de verba para as unidades. Hoje, o dinheiro é enviado a cada instituição a partir do censo escolar do ano anterior. Assim, novas escolas não recebem recursos do Fundeb em seu primeiro ano de existência. Aquelas que aumentam o número de alunos atendidos também não têm sido contempladas com o acréscimo, na verba enviada. De acordo com Idalino Firmino dos Santos, também da Associação Mineira das Escolas Família Agrícola, são atendidos atualmente 2.380 alunos em ensino regular, distribuídos por 22 escolas, das quais nove oferecem ensino fundamental, 16 ensino médio e nove contam com educação de jovens e adultos. Idalino Santos fez questão de ressaltar que em pesquisa realizada em 2014 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) com mais de 60 mil escolas destinadas a comunidades em situação de vulnerabilidade, as Escolas Família Agrícola estiveram entre as dez melhores avaliadas. O representante da Secretaria de Agricultura, Agropecuária e Abastecimento na audiência, Rodrigo Carvalho Fernandes, assegurou apoio às Escolas Família Agrícola e garantiu que a política não será descontinuada. Escolas representam oportunidade a jovens do campo A importância de dar aos jovens do meio rural a possibilidade de estudar foi ressaltada também por Marilene Faustino, coordenadora da Comissão Estadual dos Trabalhadores Rurais da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg). “É no campo que estão as maiores taxas de analfabetismo”, ressaltou. Para ela, os novos governos têm ameaçado tirar dessa população os poucos direitos já conquistados. Durante a reunião, foi anunciado, por representantes do governo estadual, o repasse, neste mês de maio, de recursos  federais para as Escolas Família Agrícola (EFAs) em Minas. De acordo com a superintendente de modalidades e temáticas especiais de ensino da Secretaria de Estado da Educação, Iara Félix Viana, não só o governo estadual continuará apoiando as instituições como elas são exemplo para as 853 escolas mantidas pelo Estado na zona rural. Com informações da ALMG

Como a associação liderada pela irmã de Paulo Guedes se beneficia de cortes no ensino

 – Universidades públicas sofrem com desmonte da Educação; família do ministro tem investimentos no ensino privado – No último dia 29, o Brasil sofreu mais um exemplo prático da agenda liberal do ministro da economia, Paulo Guedes, quando foi anunciado pelo governo Bolsonaro o contingenciamento de R$ 29,582 bilhões do Orçamento Federal de 2019 para Educação. Com a medida, todas as universidades e institutos federais terão orçamentos reduzidos em 30%. O corte, sob comando do ministro da educação Abraham Weintraub, atinge diretamente as universidades públicas, precarizando ainda mais a situação orçamentária do setor. Guedes nunca escondeu em seus discursos a opinião de que o modelo de privatização dos serviços e empresas públicas é a melhor saída para o progresso do país, além da realização de cortes em diversas áreas de investimento público do Brasil, incluindo a Educação. Na outra ponta, a irmã do ministro, Elizabeth Guedes, é vice-presidenta da Associação Nacional de Universidades Privadas (Anup), entidade que representa monopólios educacionais, como Anhanguera, Estácio, Kroton, Uninove e Pitágoras. O envolvimento da família Guedes no setor de ensino privado foi tema de uma reportagem da Agência Pública que mostra que Paulo Guedes possui investimentos no setor educacional privado e a distância, chegando a captar R$ 1 bilhão de fundos de pensão. As ações foram alvo da operação Greenfield, para apurar pagamento de propina nos fundos de pensão. O setor educacional privado se beneficia diretamente com o sucateamento do ensino público no país, é o que explica Salomão Ximenes, professor de Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC (UFABC). “Quem sai ganhando, evidentemente, como sempre, neste tipo de conflito, são os interesses privados, do setor privado de ensino superior, sobretudo o mercado educacional constituído no Brasil, que oferta vagas e matrículas em instituições de baixo custo, mas também de baixíssima qualidade. E essas instituições acabam culpando justamente esse espaço que é deixado pela oferta pública, na medida em que elas visam suprir essa demanda de jovens e adultos por um diploma superior. E a maior lucratividade aqui se encontra na oferta de educação superior à distância”, revela ele. Ensino a distância Elizabeth Guedes é forte defensora do ensino a distância nas universidades, o que gerou polêmica no setor por conta da precarização que a modalidade pode causar no ensino. “Essa migração acontece em todas as áreas e vai acontecer na educação. Já está acontecendo em centros de ponta [na área da saúde], como no [Hospital Israelita Albert] Einstein. Já existem escolas de enfermagem fora do Brasil que são 100% online. Não adianta lutar contra o futuro, ele vai chegar“, afirmou ela em entrevista sobre Ensino à Distância nas Universidades. Na mesma conversa, Elisabeth também ressaltou que “o setor particular de ensino superior é o que tem mais avançado em qualidade”. Salomão Ximenes explica que, nos últimos anos, houve um aumento das ofertas de educação a distância e que hoje em dia essa modalidade atende a maior parte das matrículas na educação privada mercadológica. “Então, é evidente que há um interesse articulado aí em conter a oferta pública, de forma a abrir mais espaço de mercado para essas instituições privadas lucrativas que inclusive tem interesses articulados diretamente dentro do governo federal com uma possibilidade de lobby, de articulação dentro do governo federal bastante forte”. Ele ainda ressalta que os cortes no ensino superior público vão contra a meta estipulada pelo Plano Nacional de Educação em 2014, que previa que 33% dos jovens entre 18 e 24 estariam matriculados no ensino superior até 2024. Sendo 40% das novas vagas em universidades públicas e gratuitas. Ainda em 2018, o governo Bolsonaro também já havia declarado intenções de tirar a educação superior da responsabilidade do MEC e passar para a pasta de Ciência e Tecnologia. A justificativa usada é de tirar sobrecarga da pasta para que a educação básica tenha mais atenção. No entanto,especialistas alertam que a mudança interfere negativamente na dinâmica educacional do país.  Além disso, Ximenes também aponta outro aspecto dos cortes: atingir políticas de inclusão social. “Eu diria que tem dois grandes efeitos imediatos que já começamos a sentir, o primeiro é o efeito de ampliar a evasão dos estudantes, ou seja, o abandono dos cursos. Nos últimos anos, nós tivemos a ampliação do acesso ao ensino superior público no Brasil, que praticamente dobrou o número de vagas nas universidades públicas, e isso foi feito combinado com uma política de cotas sócio econômicas e raciais, que mudou substancialmente o perfil dos estudantes das universidades brasileiras”. Outro ponto criticado por Salomão é a própria maneira como o corte está sendo feito. Para ele, o chamado contingenciamento de gastos é na verdade um “sequestro” de recursos da educação, na medida em que Guedes menciona que a situação pode ser revertida caso a Reforma da Previdência passe no Congresso. A reportagem entrou em contato com a ANUP para um posicionamento da entidade sobre os cortes das universidades públicas, mas não obteve retorno até a publicação da matéria. Edição: Aline Carrijo –  Brasil de Fato

Bolsonaro acaba com bolsas de mestrado e doutorado

O governo de Jair Bolsonaro desferiu nesta quarta-feira, 8, um novo golpe contra as universidades. O governo suspendeu de maneira generalizada bolsas de mestrado e doutorado oferecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Segundo informações da Folha de S. Paulo, as bolsas pertenciam a alunos que apresentaram seus trabalhos recentemente e seriam destinadas a estudantes aprovados em processos seletivos concluídos ou em andamento. Segundo relatos de coordenadores de programas, financiamentos que estavam temporariamente sem uso foram retirados do sistema do órgão de fomento ligado ao Ministério da Educação. O ataque à pós-graduação atinge não apenas a área de Ciências Humanas. No Instituto de Biociências da USP, 38 bolsas foram cortadas —17 de mestrado, 19 de doutorado e duas de pós-doutorado. Elas custeariam estudos nas áreas de botânica, ecologia, fisiologia, genética e zoologia. O pró-reitor de Pós-Graduação da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, enviou comunicado a seus colegas de universidade compartilhando a sua preocupação com a medida da Capes. “No dia de hoje, as bolsas que constavam como disponíveis para novas implementações foram zeradas nos sistemas”, escreveu.

Escolas militares federais não sofrerão com corte de verbas de Bolsonaro

Instituições têm orçamento anual de R$ 12,5 milhões e desempenho igual ao de escolas públicas com alunos de mesma renda Os 13 colégios militares federais do país não sofrerão com o corte de verbas anunciado no último dia 30 pelo Ministério da Educação, que deve atingir – entre Ensino Básico e Superior – R$ 7,3 bilhões. O modelo de colégios militares é elogiado frequentemente pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), e vem crescendo no país. Em 2018, o número de unidades chegou a 120, com a criação de 27 novas escolas em relação a 2015. Em cerimônia de aniversário do Colégio Militar do Rio de Janeiro, uma das unidades federais, na segunda-feira (6), Bolsonaro reforçou a promessa de criar uma escola do tipo em cada capital do país. Na ocasião, alunos, pais e professores do Colégio Pedro II, do Colégio de Aplicação da UFRJ, do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) e da Fundação Osório protestaram do lado de fora da instituição contra o corte de verbas anunciado pelo MEC. Ao contrário da maioria de seus colegas, barrados na entrada da instituição, a estudante de direito e ex-aluna do colégio Maria de Sá Ferreira, 24 anos, conseguiu participar da festa e fazer uma cobrança ao presidente: “vergonha ser inimigo da educação pública”. Os colégios militares brasileiros, geridos pelo Exército, contam com orçamento anual de R$ 12,5 milhões, e costumam ocupar boas posições nos índices de pontuação de vestibulares. Essas instituições, no entanto, adotam cotas para familiares de militares e seleção prévia de estudantes, o que provoca elitização no corpo estudantil e as difere dos demais colégios federais e da maioria dos colégios públicos brasileiros. Segundo levantamento da Folha de S. Paulo, colégios públicos regulares com alunos de rendas semelhante, tem desempenho igual ou melhor que o dos colégios militares, ligados ao Exército ou às Polícias Militares estaduais. Entre as escolas com estudantes de nível de renda médio (classificação usada pelo MEC), Institutos Federais (IFs) tiveram pontuação média de 552, enquanto as escolas geridas pela PM na mesma faixa de renda pontuaram 522. Entre as escolas de nível “muito alto”, a diferença entre IFs e escolas militares é de 14 pontos de vantagem para as últimas. Na pontuação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), os IFs pontuaram mais do que as escolas militares da PM e do Exército em todas as categorias. Edição: Rodrigo Chagas – Brasil de Fato

Estudantes do Rio protestam em visita de Bolsonaro contra cortes na educação

 – Cortes que começariam como retaliação a universidades específicas atingem todas as esferas do ensino público. Estudantes começam a reação: “Não vai ter corte, vai ter luta” – Estudantes de instituições federais de ensino realizam protesto contra a gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL), nesta segunda-feira (6) no Rio de Janeiro. A manifestação ocorre em frente ao Colégio Militar do Rio (CMRJ), no bairro do Maracanã, zona norte da cidade. O presidente visita o local para lançar um selo e uma medalha que comemora os 130 anos do CMRJ. O protesto contra os cortes na educação foi inicialmente convocado por estudantes do Colégio Pedro II, do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) do Maracanã, do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), e deve contar com a adesão de integrantes de outras instituições universitárias. “A população e a juventude brasileira acabam de sofrer um golpe fatal à democracia”, dizem os estudantes, em manifesto, contra o bloqueio de verbas de proporções “estratosféricas” anunciadas pelo governo Bolsonaro. “Não vai ter corte, vai ter luta”, “Uh, sai do chão quem defende a educação”, gritavam centenas de estudantes na porta do CMRJ. Além dos alunos, pais e professores também protestam. Durante a manhã, a hashtag #EuDefendoOCPII, referente ao Colégio Pedro II, era uma das mais comentadas do Twitter. “Se o Bolsonaro é inimigo da educação, então é nosso inimigo. Se a ordem deles é para nos matar, é para cortar o dinheiro da educação, é para cortar os nossos sonhos, a nossa ordem é lutar. A nossa ordem é resistir, é não sair da rua”, pronunciavam os estudantes em forma de jogral. Eles dizem que não desistirão das mobilizações até que os cortes sejam revogados e até que os investimentos não sejam mais vistos como gastos. Eles protestam contra os anunciados pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que na semana passada anunciou bloqueio de 30% dos recursos de universidades que praticam “balburdia”, segundo ele, tendo as de Brasília (UnB), da Bahia (UFBA) e Fluminense (UFF) como primeiros alvos. Acusado de perseguir ideologicamente essas instituições, o governo então universalizou o corte para todas as universidades, com a justificativa de que os recursos seriam revertidos para a educação básica, mas os cortes atingiram todos os níveis. No Pedro II, por exemplo, os diretores informam que os cortes somam R$ 18,57 milhões, alcançando 36,37% do seu orçamento de custeio. Na UFRJ, a “obstrução orçamentária” atinge R$ 114 milhões, correspondente a 41% das verbas destinadas à manutenção da instituição. Prévia da pesquisa que vem sendo realizada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) aponta que mais da metade dos alunos das instituições federais são de baixa renda, e pertencem a famílias que ganham menos do que um salário mínimo per capita por mês. Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o Brasil encontra-se nas últimas posições em termos de investimentos por aluno no ensino superior, dentre 39 países pesquisados. Ainda assim, o sistema de ensino superior registrou crescimento nas últimas décadas – como observa em artigo na RBA o economista Marcio Pochmann. Em 2000, a participação relativa do Brasil no total de estudantes universitários no planeta era de 2,7%, saltando para 4,4%, em 2014, segundo a Unesco. Nesse período também houve significativa descentralização territorial do ensino superior. No ano de 2014, por exemplo, os estados de São Paulo e Rio de Janeiro respondiam juntos por 36,6% dos mestres e 49,5% dos doutores formados no país, ao passo que em 1996 detinham 58,8% da formação de mestres e 83,4% de doutores da nação. As universidades públicas respondem por 95% da pesquisa do país e 24,7% do total dos alunos matriculados. Também realizaram, somente 2018, 17,4 milhões de exames e 6,8 milhões de consultas médicas acompanhadas por 339 mil internações de pacientes e a realização de 232 mil cirurgias e 1.398 transplantes em todo o país. Via RBA

Com Bolsonaro, o fantasma do golpe de 64 volta a assombrar

Ascensão do atual presidente e filme que quer rediscutir a ditadura reacendem o interesse sobre o período mais sinistro da história brasileira – Por Waldo Ferreira A queda de braço entre correntes de esquerda e de extrema-direita na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), em torno do filme “1964: O Brasil entre Armas e Livros”, é mais um sinal de que 55 anos depois de instalada e 34 anos após seu fim a ditadura ainda tem feridas abertas. Contribui para isso a criação da Comissão Nacional da Verdade, em 2012, a produção de vários filmes e documentários a respeito e mais recentemente a ascensão do atual presidente da República Jair Bolsonaro, militar da reserva que nega o golpe e celebra a ditadura de que foi vítima o país. Sua determinação para que os quartéis comemorassem o golpe, dia 31 de março, contribuiu ainda mais para que o assunto voltasse a ser debatido. “1964: O Brasil entre Armas e Livros” pretende rediscutir conceitos de golpe, ditadura e repressão. Considerado direitista, causou indignação na Unimontes e sua exibição foi impedida, dia 11 de abril. A tentativa foi avaliada como provocação de grupos minoritários de direita na universidade, pois no mesmo dia foi mostrado o documentário “Que Bom te Ver Viva”, de Lúcia Murat. Antes, a Unimontes já realizara o ciclo “Encontros com a História”, que exibiu no dia 5 de abril o documentário “O Dia que Durou 21 Anos”, do cineasta Camilo Galli Tavares. Houve um debate com o público sobre o filme, mediado pelo professor doutor Laurindo Mékie Pereira. No dia 24 foi realizada a mesa redonda “Para não esquecer: Memórias da Ditadura no Brasil”, com a participação da professora Maria Jacy Ribeiro, do Instituto Histórico Geográfico de Montes Claros, e do professor Guilherme Costa Pimentel, egresso do mestrado em História da Unimontes e autor de um estudo sobre pessoas de Montes Claros ligadas ao comunismo e que foram reprimidas durante o regime militar. Um dia antes, um debate sobre o golpe militar e a conjuntura política atual colocou mais lenha na fogueira. A advogada e estudante do 4° Período de Ciências Sociais, Iole Barbosa Oliva, se infiltrou entre o público presente no auditório do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), majoritariamente de esquerda, contestou o golpe e fez campanha solitária pela exibição do filme. Iole, que também não considera ter havido golpe parlamentar contra a ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, bradou em tom de ameaça, ao final do debate, que a produção será exibida “custe o que custar”. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) reiterou que não permitirá que isso ocorra. Na parte do debate reservada às perguntas ela sustentou, de forma equivocada, que não houve golpe porque “não houve o emprego de força” e o cargo de presidente “estava vago”, pela suposta ausência do presidente João Goulart do país. Os professores Gilmar Ribeiro e Laurindo Mékie rebateram, esclarecendo que o poder foi tomado à força, com o emprego de tanques nas ruas ainda na véspera do dia 31 de março, à revelia do presidente, que é o comandante supremo das Forças Armadas e se encontrava em Porto Alegre e não fora do país, como se inventou, para justificar sua deposição. FALTA PERCEPÇÃO DA REALIDADE – “Achar ditadura algo bom é um direito. Mas dizer que não houve golpe é desconhecer a história”, devolveu Mékie, que é pós-doutor em História pela Universidade Nova de Lisboa. “A discussão se houve ou não golpe em 64 não faz sentido na Academia. No boteco ainda vai”, ironizou Gilmar Ribeiro, doutor em Educação, História e Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC). Ele explicou que o golpe foi um movimento civil militar, depois transformado em um governo ditatorial, com fechamento do Congresso e perseguição aos contrários. Ribeiro considera que o país vive uma perigosa crise de legitimidade, lembrando que é justamente nela que a democracia se sustenta. “Uma coisa é ganhar, outra é governar”, resumiu, referindo-se à falta de perspectiva e projeto no atual governo. Waldo Ferreira é jornalista e editor do ECN

Bolsonaro, o imbecil, ataca faculdades de filosofia e sociologia

 – Para especialista, presidente culpa a educação pela incompetência financeira do governo –  O presidente Bolsonaro anunciou que o ministro da Educação estuda “descentralizar o investimento em faculdades de filosofia e sociologia (humanas)” e priorizar áreas como veterinária, engenharia e medicina. Afinal, pensar para quê, não é mesmo? O anúncio foi feito pelo Twitter do presidente (será que foi o Carluxo?). A justificativa é focar em áreas que “gerem retorno imediato ao contribuinte”. O presidente Jair Bolsonaro iniciou a sexta-feira 26 alarmando a sociedade. Algo que já tem se tornado frequente na gestão do capitão. O foco? A educação, área que tem sido palco de preocupantes investidas governamentais. Em um tweet publicado no início da manhã, o presidente anunciou que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, estuda descentralizar investimentos em faculdades de Filosofia e Sociologia. Jair M. Bolsonaro ✔@jairbolsonaro O Ministro da Educação @abrahamWeinT estuda descentralizar investimento em faculdades de filosofia e sociologia (humanas). Alunos já matriculados não serão afetados. O objetivo é focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina. 63,1 mil 06:52 – 26 de abr de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads O objetivo seria focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como veterinária, engenharia e medicina. “A função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta”, apontou o presidente em um segundo tweet. Jair M. Bolsonaro ✔@jairbolsonaro  · 26 de abr de 2019 O Ministro da Educação @abrahamWeinT estuda descentralizar investimento em faculdades de filosofia e sociologia (humanas). Alunos já matriculados não serão afetados. O objetivo é focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina. Jair M. Bolsonaro ✔@jairbolsonaro A função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta. 42,3 mil 06:53 – 26 de abr de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, crava que o argumento utilizado pelo presidente é falso. “Não é o curso universitário que gera recurso econômico. O que gera retorno econômico, a partir da formação, é o crescimento econômico. Ou seja, não basta que a pessoa tenha um diploma universitário, é necessário que o mercado de trabalho tenha uma vaga para contratar essa pessoa”, analisa. Esta semana, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, mostraram que o País teve o pior mês de março desde 2017, em relação a empregos com carteira assinada. O saldo negativo foi de 43.196 empregos a menos. Segundo Cara, a questão central é que o Brasil volte a crescer, o que, em sua análise, não deve ocorrer com as diretrizes do atual governo. “As políticas de austeridade econômica empreendidas desde o governo de Michel Temer e em curso no governo Bolsonaro não vão nos tirar desse cenário”, atesta, afirmando que o País continua em um quadro de depressão econômica. “Bolsonaro quer responsabilizar a educação pela incompetência econômica de seu governo”, critica. Ainda assim, o especialista reforça que não é momento para pânico, sobretudo acerca da ideia do fim dos cursos de Filosofia e Sociologia vigentes nas universidades públicas e privadas. “As universidades, especialmente as públicas, são administradas a partir do princípio constitucional da autonomia universitária, ou seja, quem decide o que vai ser lecionado são as próprias universidades. O ministro Weintraub está querendo aparecer, não tem nenhuma consistência no que foi afirmado”, contesta. Outra questão que o especialista explica é que, para existir, as universidades obrigatoriamente precisam ter o conjunto das áreas do conhecimento. Isso se aplica também às universidades privadas que recebem apoio do Fies ou Prouni. Em sua análise, os cursos não estão ameaçados de fechamento. “Pode até ser que o governo proíba o investimento, evitando os empréstimos do Fies ou negando a renúncia fiscal para esses cursos no caso do Prouni, mas é difícil que as universidades aceitem esse tipo de interferência”, atesta. Daniel Cara@DanielCara Bolsonaro não entende de Educação. Tampouco compreende a Economia. Ele quer tirar recursos das Ciências Humanas para investir em cursos que “dão retorno econômico”. 1) Ignora a Autonomia Universitária; 2) Desconhece que emprego é fruto de crescimento econômico, não de formação. 151 09:54 – 26 de abr de 2019 · Sao Paulo, Brazil Informações e privacidade no Twitter Ads Filosofia e Sociologia nas redes A polêmica declaração do presidente fez com que o tema Filosofia e Sociologia virasse um dos assuntos mais comentados do Twitter nesta sexta-feira. O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) reagiu à declaração e disse que “vai manter o respeito aos cursos de Filosofia e Sociologia”. Flávio Dino ✔@FlavioDino No âmbito estadual, sempre manterei o respeito aos cursos de filosofia e sociologia. Sem ideias e pensamento crítico nenhuma sociedade se desenvolve de verdade. E não haverá o bem viver que tanto buscamos como direito de todos 9.680 08:10 – 26 de abr de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads Marcelo Freixo ✔@MarceloFreixo O ataque aos cursos de Filosofia e Sociologia é a cruzada de um presidente fanático contra o pensamento. É um projeto de mediocridade para o país. 23,8 mil 10:47 – 26 de abr de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads Túlio Gadêlha@tuliogadelha Tirar recursos de faculdades de filosofia e sociologia mostra o real projeto deste governo: de emburrecimento do país. Os cursos de humanas são fundamentais para a construção de ideias e pensamento críticos em qualquer sociedade. Um povo que não pensa não luta por seus direitos. 18,2 mil 10:59 – 26 de abr de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads Helder Salomão ✔@heldersalomao Bolsonaro retira recursos das faculdades de Filosofia e Sociologia. “Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de

23 de Abril – Dia Mundial do Livro – Vamos abrir um livro pra comemorar

Saiba como baixar gratuitamente mais de 100 mil obras na internet Nesta terça-feira (23) é comemorado o Dia Mundial do Livro, porque foi neste dia de abril que o escritor espanhol Miguel de Cervantes, autor do best seller Dom Quixote, teve o seu falecimento registrado no ano de 1616. No Brasil, o Portal Domínio Público conta com um acervo de mais de 123 mil obras que podem ser baixadas gratuitamente. Quando um livro cai em domínio público, significa que ele não está sujeito a mais nenhum tipo de propriedade ou direito autoral e isso permite que ele possa ser utilizado em trabalhos em sala de aula, por exemplo, ou disponibilizado legalmente na internet. Na biblioteca virtual do governo brasileiro, é possível ainda visualizar quais obras são mais acessadas pelos internautas. Confira abaixo: 1. A Divina Comédia, de Dante Alighieri 2. Angola e as novas tecnologias de informação, de Victor Nataniel Narciso 3. Poemas de Fernando Pessoa 4. A borboleta azul, de Lenira Almeida Heck 5. Dom Casmurro, de Machado de Assis 6. Romeu e Julieta, de William Shakespeare 7. A Metamorfose, Franz Kafka 8. Mensagem, de Fernando Pessoa 9. A Bruxa e o Caldeirão, de José Leon Machado 10. O Eu profundo e os outros Eus., de Fernando Pessoa Para ler as obras mais acessadas ou os outros milhares de livros de domínio público disponíveis no Brasil, basta fazer o download da obra no Portal Domínio Público (clique aqui para acessar). Com Hoje em Dia