Eliminação da seleção feminina de futebol decepciona torcedoras

Empate em 0 a 0 com a Jamaica encerra participação brasileira Depois de um jogo tenso contra a Jamaica, em que a vitória era obrigatória, a seleção brasileira foi eliminada da Copa do Mundo de futebol feminino. O empate em 0 a 0 causou tristeza nas torcedoras que se reuniram na Associação de Moradores de Vila Isabel, bairro da zona norte do Rio de Janeiro. No salão da associação, um telão exibiu a partida, que começou às 7h desta quarta-feira (2). A torcida demorou a chegar, mas quem esteve no local sentiu a tensão a cada lance do jogo. Uma das torcedoras mais animadas era Dirce Cerqueira, que incentivava as jogadoras como se estivesse no estádio, em Melbourne, na Austrália, onde a Copa é disputada. “Assisti todas as partidas aqui. Como os jogos femininos não costumam reunir torcida para ver pela televisão, reunimos os amigos e chamamos as mulheres para assistir aqui. Só o horário deixou um pouco a desejar”, disse a torcedora, vestida com uma camisa nas cores verde e amarela e um chapéu de paetês amarelos. Clima de confraternização A exibição pública do jogo foi realizada pela Turma da Pereira Nunes, que organiza, no Rio de Janeiro, uma tradicional festa de rua na Copa do Mundo masculina, desde 1982. “É muito importante essa confraternização do público. A gente precisa torcer para as meninas e também buscar uma equidade no esporte”, afirmou Marcia Rossi, de 57 anos. Etyene Dutra, de 34 anos, lamentou a eliminação. “A gente queria que o Brasil avançasse para deixar um legado e quebrar o preconceito contra o futebol feminino. Ainda mais porque deve ser a última copa da [atacante] Marta”, disse A ideia é que, a partir da próxima Copa feminina, todos os jogos passem a ser exibidos na rua Pereira Nunes, assim como acontece nos mundiais masculinos.
Sem inspiração, Brasil fica no 0 a 0 contra Jamaica e dá adeus à Copa

É a primeira vez, desde 1995, que seleção não passa da fase de grupos No principal compromisso do Brasil na Copa do Mundo feminina de futebol, a seleção comandada por Pia Sundhage não conseguiu o gol que precisava para avançar às oitavas de final. Após empate sem gols contra a Jamaica nesta quarta (2), em Melbourne, as brasileiras deram adeus ao Mundial sem sequer passar da fase de grupos, algo que não acontecia desde 1995. Com quatro pontos, o Brasil terminou em terceiro no grupo F, atrás da própria Jamaica (cinco pontos) e da França (que bateu o Panamá por 6 a 3 e chegou a sete pontos, em primeiro). An historic day for @JFF_Football! ????????#BeyondGreatness | #FIFAWWC — FIFA Women's World Cup (@FIFAWWC) August 2, 2023 Precisando vencer para garantir a classificação (um empate tornaria necessária uma combinação de resultados para avançar), Pia Sundhage promoveu uma mudança de impacto no onze inicial. Depois de começar no banco e entrar somente nos últimos minutos nos dois primeiros jogos da seleção, Marta foi escalada como titular. Durante cerca de 20 minutos, as coisas andaram bem para o Brasil, mas não por algo que a própria seleção estivesse fazendo. Marta Cox abriu o placar para o Panamá diante da França em Sydney com um golaço de falta, aos dois minutos. Naquele momento, o Brasil tinha a combinação de resultados que precisava para se classificar mesmo empatando. Quando Lakrar empatou para a França, aos 21, a figura mudou e, assim como era esperado, a vitória se fez obrigatória. Na primeira etapa, usando principalmente o lado esquerdo do ataque, o Brasil até criou. Tamires apareceu bem para finalizar por duas vezes, aos 19 e aos 38, mas em ambas oportunidades a finalização foi defendida por Rebecca Spencer. Em outra jogada pela esquerda, o cruzamento encontrou Ary Borges na área. A arma que rendeu a ela dois gols na estreia, a cabeça, não foi tão eficiente desta vez e a finalização aos 23 saiu por cima do gol. A Jamaica, completamente dedicada a se defender, terminou o primeiro tempo sem nenhuma finalização. O Brasil beirou os 60% de posse de bola. Mas não fez a pressão que se esperava. Àquela altura, a França ia para o intervalo já goleando o Panamá por 4 a 1. ⏰ 15 minutes left to play! Can #BRA keep their #FIFAWWC 2023 dreams alive? — FIFA Women's World Cup (@FIFAWWC) August 2, 2023 Segundo tempo: mais posse, menos criatividade do Brasil Na volta do intervalo, Ary Borges deu lugar a Bia Zaneratto. Nos primeiros minutos, a impressão era de que o Brasil assumiria uma posição mais incisiva no campo de ataque para de fato pressionar as jamaicanas. No entanto, logo se viu que a seleção se tornou refém da falta de criatividade e do nervosismo. Insistindo em jogadas aéreas, o Brasil tinha a bola mas pouco finalizava. Esbarrava na forte defesa do país caribenho (que entrou em campo sem ter sido vazada e assim terminou) e nos erros de passe. Em uma última cartada de desespero, Pia Sundhage sacou, de uma vez, três jogadoras – uma delas Marta – quando restavam menos de dez minutos para o fim. Andressa Alves, Duda Sampaio e Geyse entraram mas não alteraram o andamento da partida. Geyse teve a melhor chance ao receber já na área com ângulo para chutar, pela esquerda, mas a finalização saiu completamente torta. Já no fim, Andressa Alves cobrou falta direto nas mãos de Spencer. No derradeiro lance do jogo, o Brasil colocou todas as suas jogadoras – inclusive a goleira Letícia – no ataque em uma cobrança de escanteio. Após intenso bate-rebate, a bola sobrou para Debinha, que cabeceou mirando o canto direito, mas Spencer novamente chegou a tempo para encaixar. Com o apito final, o gramado do Estádio Retangular foi tomado pela emoção, desde o choro alegre das jamaicanas, classificadas ao mata-mata pela primeira vez na história, às lágrimas de decepção das brasileiras. A beautiful last minute goal from @DesbonneVicki as #FRA claim the spoils at Sydney Football Stadium! ????@EquipeDeFranceF | #FIFAWWC — FIFA Women's World Cup (@FIFAWWC) August 2, 2023 O triunfo da França sobre o Panamá por 6 a 3 (com três gols de Diani para a França), enfim, decretou a eliminação do Brasil. As francesas, vencedoras da chave, esperam pelo segundo colocado do grupo H para saber quem enfrentam na terça (8), em Adelaide (Austrália). Da mesma forma, a Jamaica aguarda pelo primeiro colocado do mesmo grupo para conhecer o adversário nas oitavas, também na terça (8), em Melbourne (Austrália). Nesta quinta (3), a fase de grupos da Copa se encerra com os dois duelos finais do grupo H. Coreia do Sul e Alemanha se enfrentam em Brisbane (Austrália), enquanto Colômbia e Marrocos medem forças em Perth (Austrália). A Colômbia soma seis pontos, ocupando a liderança, seguida por Alemanha e Marrocos com três pontos cada, enquanto a Coreia do Sul ainda não tem ponto nenhum. And that's a wrap on Group F! France top the group ???? and Jamaica make history. ????????#FIFAWWC — FIFA Women's World Cup (@FIFAWWC) August 2, 2023
Flamengo demite preparador físico após agressão ao atacante Pedro

Decisão da diretoria em demitir Pablo Fernández foi comunicada na noite deste domingo, um dia após as agressões O Flamengo demitiu o preparador físico Pablo Fernández após o incidente de violência no vestiário que evoluiu na agressão ao atacante Pedro. A decisão da diretoria em demitir o profissional foi comunicada na noite deste domingo (30), e confirmada pelo Uol. O clima dentro do clube já não favoreceu a permanência de Pablo Fernández, e a agressão ao atacante Pedro foi o ponto culminante que levou à sua demissão, destaca a reportagem. O preparador físico, em nota publicada anteriormente, admitiu a agressão e expressou suas desculpas ao atacante Pedro, aos colegas e ao próprio Flamengo. O pedido de desculpas não foi suficiente para reverter a decisão do clube, que optou por encerrar a relação profissional com o profissional envolvido no episódio.
Futebol feminino – Brasil larga bem, goleia na estreia da Copa e assume a liderança do grupo

Seleção jogou com tranquilidade e goleou o Panamá por 4 a 0 em seu primeiro jogo do Mundial A seleção brasileira estreou bem na Copa do Mundo de futebol feminino, nesta segunda (24). Com controle total do jogo, goleou o Panamá por 4 a 0 e assumiu a liderança de seu grupo. Ontem, França e Jamaica empataram sem gol. O destaque da partida foi Ary Borges, que marcou três e já é artilheira do Mundial, disputado na Austrália. O primeiro tempo foi jogo de um time só. As brasileiras adiantaram a marcação e não deixavam as adversárias tocar a bola. Com deslocamentos e troca de passes, foram acumulando situações de gol. O primeiro surgiu aos 18 minutos: lançada pela esquerda, Debinha cruzou para Ary Borges, sozinha na linha da pequena área, do lado oposto. Sem sair do chão, ela teve tempo de escolher o canto e cabecear. Emocionada, a atleta se ajoelhou no gramado e chorou. Ex-jogadora do Palmeiras e atualmente nos Estados Unidos, Ary Borges marcou o segundo aos 38, em jogada parecida. Cruzamento da esquerda, de Tamires, cabeçada e defesa da goleira Bailey. Novamente sem marcação, a atacante aproveitou o rebote e foi comemorar. Marta entra no final Na volta, a seleção marcou o terceiro logo aos 3 minutos, após bonita jogada. Tamires lançou Debinha, que tabelou com Adriana e cruzou. Ary dominou e apenas rolou para Bia Zaneratto chutar forte. Para fechar o placar, aos 25, Geyse recebeu de Tamires – mais uma vez pela esquerda, por onde saíram todos os gols – cortou para trás e cruzou para Ary Borges. Ela escapou de duas marcadoras e cabeceou entre as pernas da goleira. Houve tempo ainda para que a veterana Marta entrasse em campo, aos 29 minutos, sob aplausos. Foi o primeiro confronto entre Brasil e Panamá, que estreou em Copas do Mundo. Atual campeã da Copa América, a seleção brasileira é uma das poucas que disputou as nove edições do torneio – a melhor colocação foi em 2007 (vice-campeã). Agora, a equipe treinada por Pia Sundhage inicia a preparação para a partida de sábado (29), às 7h, contra a França. Confira os jogos disputados até agora: Grupo A Nova Zelândia 1 x 0 Noruega Filipinas 0 x 2 Suíça Grupo B Austrália 1 x 0 Irlanda Nigéria 0 x 0 Canadá Grupo C Espanha 3 x 0 Costa Rica Zâmbia 0 x 5 Japão Grupo D Inglaterra 1 x 0 Haiti Dinamarca 1 x 0 China Grupo E Estados Unidos 3 x 0 Vietnã Holanda 1 x 0 Portugal Grupo F França 0 x 0 Jamaica Brasil 4 x 0 Panamá Grupo G Suécia 2 x 1 África do Sul Itália 1 x 0 Argentina Grupo H Alemanha 6 x 0 Marrocos Colômbia x Coreia do Sul (ainda não realizado)
Saiba o que moradores de BH podem perder caso a Arena MRV não cumpra suas contrapartidas

Projeto libera funcionamento do estádio antes de executar obrigações, como construção de unidades de saúde e de educação Amélia Gomes) Brasil de Fato MG Está em tramitação, na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o Projeto de Lei 623/2023, de autoria do vereador César Gordin (Solidariedade), que autoriza o funcionamento da Arena MRV sem que sejam integralmente cumpridas as contrapartidas estabelecidas como compensação à sociedade pelos impactos causados pelo empreendimento. O texto ainda não foi a plenário, mas já gera controvérsias. Em construção desde 2020, a obra, que ocupa uma área de 128 mil metros quadrados no bairro Califórnia, região Noroeste de Belo Horizonte, traz um impacto direto para o meio ambiente e para a sociedade. Além dos danos aos bens naturais do local, como a Mata dos Morcegos e suas nascentes, o empreendimento causa o aumento expressivo do fluxo de veículos no bairro e no entorno, visto que o estádio tem capacidade para 50 mil pessoas. Diante disso, medidas, como intervenções na Via Expressa e ruas no entorno, construção de viaduto e calçadas, de um Núcleo de Saúde, de uma Academia da Cidade e de um Centro de Línguas, bem como a revitalização da Mata dos Morcegos, foram impostas aos responsáveis pelo empreendimento para que o estádio pudesse entrar em funcionamento. Mas, com o PL 623, tudo pode mudar. O texto propõe a liberação do funcionamento pleno de empreendimentos considerados de interesse público ou social, antes da integralização das contrapartidas. Isso, na avaliação da professora e pesquisadora do Observatório das Metrópoles Jupira Mendonça, dá um cheque em branco não só à Arena MRV mas a qualquer outra obra da cidade. A urbanista pontua ainda que o texto não descreve o que pode ou não ser considerado como empreendimento de interesse social ou público, deixando margem para interpretações subjetivas. “É um PL contra a cidade, porque define que o empreendimento pode funcionar antes dos impactos serem minimizados”, critica. “A gente sabe que aquilo que não é condicionante para o empreendimento funcionar acaba não acontecendo. O Shopping Diamond, por exemplo, tinha uma contrapartida de que o terraço fosse uma área de recreação pública, mas houve um acordo para que ele funcionasse antes. E isso foi cumprido? Não”, completa. Retrocessos Jupira alerta ainda que, no último período, o Executivo e o Legislativo de Belo Horizonte têm proposto iniciativas que privilegiam interesses de empresários em detrimento aos da população. Como exemplo, ela cita a recente disputa para a redução da outorga determinada no Plano Diretor, que foi reduzida após a insistência do mercado imobiliário. “É um projeto de lei atrás do outro, que derruba regras e determinações que protegem a cidade. É um grupo que está destruindo um conjunto de normas para beneficiar o empresariado da construção civil e do mercado imobiliário”, alerta.
Governo decide adotar ponto facultativo em jogos do Brasil na Copa feminina

A seleção brasileira estreia nesta segunda-feira (24/7), às 8h, contra o Panamá; os funcionários públicos podem se ausentar até duas horas após o final do jogo O governo federal decidiu, nesta sexta-feira (14/7), que os dias de jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo feminina serão considerados como ponto facultativo para funcionários públicos. Os servidores poderão se ausentar durante a partida e até duas horas após o seu término. A equipe brasileira disputará três jogos nesta primeira fase, mas só um cai no final de semana, no dia 29, contra a França. O primeiro jogo está marcado para segunda-feira (24/7), às 8h, contra o Panamá. Trata-se da primeira vez que ocorre ponto facultativo no campeonato disputado pelas mulheres —algo tradicional na Copa do Mundo de equipes masculinas. A decisão foi tomada por Lula nesta sexta, após uma demanda da ministra Ana Moser (Esporte). A portaria deve sair na próxima semana, assinada pela ministra Esther Dweck (Gestão).
Palmeirense vítima da violência nos estádios cuidava de crianças autistas

Gabriela Anelli Marchiano trabalhava com crianças para que seu pai pudesse assistir aos jogos do time A história da torcedora palmeirense Gabriela Anelli Marchiano, de 23 anos, que perdeu a vida após ser atingida por uma garrafa nas proximidades do Allianz Parque, revela um aspecto tocante de sua dedicação ao clube. Segundo seu pai, Ettore Marchiano, de 49 anos, Gabriela trabalhava como cuidadora de crianças para conseguir arcar com um plano mensal que lhe permitia assistir aos jogos do Palmeiras. Em uma entrevista à Folha de S. Paulo, Ettore contou que sua filha se dedicava ao cuidado de crianças autistas e com síndrome de Down. No sábado (8), Ettore deixou Gabriela por volta das 14 horas na estação de metrô Campo Limpo, localizada no mesmo bairro onde a família residia, na zona sul de São Paulo. Lá, ela encontrou amigos e seguiu para a Barra Funda, na zona oeste, para acompanhar a partida entre Palmeiras e Flamengo pelo Campeonato Brasileiro. De acordo com o delegado Cesar Saad, da Delegacia de Polícia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade), imagens captadas pela polícia mostram o início de uma confusão quando quatro vans com torcedores do Flamengo chegaram por volta das 17h30. Logo em seguida, os torcedores começaram a lançar garrafas. Gabriela, associada à torcida organizada Mancha Alviverde e namorada de um membro de outra organizada do Palmeiras, a Porks, foi atingida no pescoço por estilhaços de uma garrafa arremessada por um torcedor flamenguista na rua Padre Antônio Tomas. Gabriela foi socorrida por uma equipe da Guarda Civil Metropolitana, que a levou até um posto médico dentro do estádio, enquanto seu pai assistia ao empate entre as duas equipes nas arquibancadas do Allianz Parque. Naquele momento, a jovem já estava sendo atendida na Santa Casa, para onde foi transferida. Foi somente após o jogo, quando o sinal de celular voltou a funcionar, que Ettore Marchiano soube do ocorrido com sua filha. Infelizmente, Gabriela não resistiu aos ferimentos e veio a falecer na manhã de segunda-feira (10).
Ana Moser tem o apoio irrestrito dos progressistas que vivem o esporte brasileiro

O Esporte não é moeda da troca Por Juca Kfouri (@BlogdoJuca), no UOL Quem disse o que faz as vezes de título desta nota foi o presidente Lula, em reunião com esportistas ainda em setembro do ano passado, às vésperas da eleição. Então, se comprometeu com a recriação do ministério do Esporte e, eleito, escolheu Ana Moser para ser a ministra, ex-campeoníssima de vôlei e com excelente trabalho social na área desde que abandonou as quadras. Séria, cuidadosa, Moser não é propriamente política, o que nem a desqualifica nem a qualifica para o posto. Sua vivência e compromisso com o país sim, a credenciam. Políticos há da melhor estirpe para ocupar cargos públicos, como também há não políticos — basta lembrar do cardiologista Adib Jatene no governo FHC e, agora mesmo, da cientista Nísia Trindade Lima, ambos no ministério da Saúde. É igualmente certo que partidos políticos mirem nos espaços ocupados por não-políticos para aumentar suas quotas no governo, assim como é comum que o governo negocie em busca de apoio e, às vezes, até com dor, entregue os anéis para fortalecer os dedos. Dito isso, tudo ponderado, será retrocesso brutal entregar o ministério do Esporte para quem quer que seja e interromper o promissor trabalho de Ana Moser. O Esporte não pode ser moeda de troca como disse Lula e nem está à venda, como dizem todos que olham para ele como fator de saúde pública — e não apenas para fazer campeões, objetivo importante, mas não excludente. Ana Moser tem o apoio irrestrito dos progressistas que vivem o esporte brasileiro.
Psicólogo, ex-jogador e inovador: Quem é Fernando Diniz, o novo técnico da Seleção Brasileira

Relembre a trajetória do novo técnico interino da seleção, que dividirá a função com o comando do Fluminense, clube que o projetou como atleta e treinador Na noite da última terça-feira (4) a CBF finalmente colocou fim à novela sobre quem será o novo técnico da seleção brasileira e anunciou Fernando Diniz, do Fluminense, como interino. Que esperaria cerca de um ano para a chegada do tarimbadíssimo Carlo Ancelotti, italiano hoje no Real Madrid, já estava decidido. Mas a entidade máxima do futebol brasileiro vinha sendo cobrada justamente sobre o desempenho da seleção nesse meio tempo – sobretudo após as recentes derrotas para Marrocos e Senegal. É verdade que se por um lado o anúncio de Diniz acalma a imensa maioria dos críticos, que apontavam para a inédita total falta de planejamento da entidade em relação à próxima Copa do Mundo, por outro, também divide os mesmos críticos. Se há aqueles que reconhecem em Diniz um importante talento entre os treinadores brasileiros da atualidade, que inova com saídas de jogo completamente fora dos padrões e situações de jogo em que as posições dos atletas perdem a centralidade; há também aqueles que, embasados pelos números da sua carreira e da dificuldade que apresentou, até aqui, em construir trabalhos bem sucedidos, duvidem do seu desempenho à frente da seleção. Nascido em 27 de março de 1974, em Patos de Minas (MG), além de técnico do Fluminense e da seleção brasileira, Diniz é também psicólogo, formado pela Universidade São Marcos, localizada em Paulínia, no interior de São Paulo. Confira a seguir sua carreira como atleta e, posteriormente, como treinador. Carreira como jogador Entre 1993 e 1996, Diniz teve os seus primeiros anos como jogador profissional atuando pelo Juventus da Mooca, em São Paulo. Em seguida se transferiu para o Guarani, que acabava de vender seu trio de sucesso composto Amoroso, Djalminha e Luisão. No segundo semestre foi contratado pelo Palmeiras, mesmo destino de dois dos atletas bugrinos supracitados. Em um alviverde que vivia um semestre pouco inspirado, logo após um inesquecível primeiro semestre, Diniz não brilhou muito. Sua passagem ficou marcada por uma situação inusitada. O atacante estava concentrado, já no vestiário, para uma partida contra o Atlético-MG, mas foi retirado do jogo para servir como mesário nas eleições municipais daquele ano. Em 1997 trocou o Palmeiras pelo seu principal rival, o Corinthians, onde foi campeão Paulista (97) e Brasileiro (98). Apesar dos títulos, Diniz não foi titular, mas uma importante peça que saía do banco de reservas. Após uma rápida passagem pelo Paraná Clube em 1999, chegou ao Fluminense em 2000, onde finalmente teve uma excelente passagem. Em um contexto de retomada da grandeza do tricolor carioca, que anos antes havia se envolvido em rebaixamentos e polêmicas sobre viradas de mesa, foi o atacante de um time que marcou o retorno do clube entre os principais do Brasil. Apesar das dificuldades e da escassez de títulos em 2000 e 2001, Diniz finalmente foi campeão carioca em 2002, como um dos destaques da equipe. Curiosamente é o mesmo clube e o mesmo título que 21 anos depois o consagraram como treinador. Assim como havia feito em São Paulo, trocou o Flu pelo rival Flamengo no segundo semestre de 2003. Mas sua curta passagem foi marcada por lesões e pela dificuldade em repetir os bons tempos no Tricolor. Em 2004 Diniz passou por Juventude e Cruzeiro, onde foi campeão mineiro. Em 2005 jogou pelo Santos e entre 2006 e 2007 atuou pelo Paulista de Jundiaí e pelo Santo André. No ano seguinte, o último de sua carreira, jogou o campeonato paulista pelo Juventus da Mooca no primeiro semestre e pendurou as chuteiras meses depois atuando pelo Gama, do Distrito Federal. Carreira como treinador Mal pendurou as chuteiras, Diniz começou sua carreira como treinador no ano seguinte, em 2009, onde se destacou no comando do pequeno Votoraty, da cidade de Votorantim, no interior de São Paulo. Foi campeão do Campeonato Paulista da Série A3 e da Copa Paulista com o clube. No ano seguinte, em 2010, foi bicampeão da Copa Paulista, dessa vez no comando do Paulista de Jundiaí. Em 2011, cheio de prestígio no futebol do interior paulista, foi para um dos maiores clubes da região: o Botafogo de Ribeirão Preto. Mas a passagem durou pouco, apenas quatro jogos. Ele teve ainda três passagens pelo Audax, além de passagens por Atlético Sorocaba, Guaratinguetá, Oeste e Paraná Clube, antes de retornar ao Audax em 2015 e, no ano seguinte, surpreender o futebol paulista chegando à final do estadual. Naquele momento, algumas características hoje observadas nos seus clubes e que já era marcam do seu trabalho desde o Votoraty, começam a fazer sucesso, como as saídas de bola e as trocas de passe características, além da ausência de posições em determinadas situações de jogo. Depois da bela campanha com o Audax no Paulistão 2016, Diniz passou o segundo semestre de 2017 no Guarani e então foi para o Athlético Paranaense em 2018, onde acabou demitido antes da temporada acabar. Em 2019, sua primeira passagem pelo Fluminense não foi nada brilhante. Acabou demitido em agosto, deixando seu time na zona de rebaixamento. Um mês depois foi para o São Paulo, que vivia péssima fase. Arrumou a casa e no ano seguinte, em 2020, disputou o título do Brasileirão contra Internacional e Flamengo, tendo ficado de fora da disputa apenas nas últimas rodadas. Entre 2021 e 2022 teve passagens discretas por Santos e Vasco da Gama até que em abril de 2022 foi anunciado pelo Fluminense. Ainda na temporada 2022, levou o Flu ao terceiro lugar do Campeonato Brasileiro e consequentemente à Copa Libertadores da América desse ano. No primeiro semestre de 2023, após vencer a Taça Guanabara, referente ao primeiro turno do Campeonato Carioca, mediu forças contra o poderoso Flamengo nas finais. E depois de perder por 2 a 0 no jogo de ida, o Fluminense de Diniz protagonizou uma verdadeira apresentação de gala no jogo da volta, e virou a disputa, goleando o forte rival
CBF anuncia Diniz como técnico interino da Seleção e banca Ancelotti na Copa América

Acordo prevê continuidade do trabalho com o Fluminense paralelamente Fernando Diniz foi anunciado nesta terça-feira como técnico interino da Seleção, com contrato de um ano. Comandante do Fluminense, ele esteve na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na Barra da Tijuca, para acertar os últimos detalhes com o presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues. O dirigente ainda afirmou que italiano Carlo Ancelotti, do Real Madrid, assumirá o cargo na Copa América e comandará a Seleção no ciclo até a Copa do Mundo de 2026. – (Diniz) Vai dirigir a Seleção com toda autonomia – afirmou Ednaldo, que confirmou a apresentação de Diniz para esta quarta-feira, às 15h (de Brasília), na sede da CBF. – Tem muitos treinadores bons no Brasil, e Diniz foi por conta de trabalho que entendi que era inovador, a partir do momento em que ele fez trabalho no Audax. Depois, passou por outros clubes tendo a mesma filosofia de jogo, sem ficar mudando. Sempre teve o mesmo método e gostei muito pela renovação que ele fez, das aplicações táticas. Então, é um treinador que realmente a proposta de jogo dele é quase parecida também com a do treinador que assumirá a partir da Copa América, o Ancelotti. Tem quase o mesmo tipo de proposta de jogo – explicou. Era um modo diferente de treinar os atletas. Saiu de uma mesmice para situações arrojadas. Tenho certeza que todo esse trabalho e competência que ele tem, vai aplicar na seleção brasileira e será muito bem exibida por todos os atletas – disse Ednaldo. Fernando Diniz também falou pela primeira vez como técnico interino da Seleção: – Um sonho para qualquer um, uma honra e um orgulho enorme poder prestar serviço para a Seleção. É uma convocação, ainda mais do que jeito que aconteceu. Um trabalho em conjunto da CBF com o Fluminense e eu tenho convicção de que a gente tem tudo para levar isso adiante e fazer com que dê certo – afirmou Diniz. O combinado nas negociações é que Fernando Diniz concilie o trabalho com o Fluminense e se apresente nas datas Fifa para comandar a Seleção. A CBF procurou o clube para tratar da liberação, e a resposta foi que isso só ocorreria mediante pagamento de multa. Posteriormente, as partes chegaram a um consenso. Com o acordo, o Tricolor não será prejudicado em momentos-chave da temporada, como o mata-mata da Libertadores. O presidente do Fluminense, Mario Bittencourt, e o diretor de futebol, Paulo Angioni, acompanharam o treinador nesta terça-feira na sede da CBF. Ele é treinador, vai conciliar o Fluminense o período todo lá e como treinador da seleção brasileira. Como treinador da seleção brasileira, a gente não coloca ele como interino. Ele tem contrato de 12 meses de duração. Vai chegar e fazer a transição da seleção brasileira para o treinador Ancelotti, que vai assumir ali na Copa América – afirmou Ednaldo. Não há definição se Fernando Diniz permanecerá na comissão técnica da Seleção após a chegada do italiano. O primeiro compromisso do novo treinador será a abertura das eliminatórias, em setembro. Na data Fifa de 4 a 12 de setembro, o Brasil recebe a Bolívia, em local a definir, e visita o Peru, em Lima. O interino terá ainda mais quatro partidas em 2023, todas pelas eliminatórias: Venezuela (em casa) e Uruguai (fora), em outubro, Argentina (em casa) e Colômbia (fora), em novembro. Se Ancelotti não deixar o Real em janeiro, Diniz será o comandante da Seleção ainda na data Fifa de março de 2024, quando serão disputados dois amistosos, um deles já marcado, contra a Espanha, em Madri. Fica a dúvida a respeito de quem será o responsável por convocar e dirigir o Brasil nos compromissos de junho de 24. O contrato de Carlo Ancelotti com o Real Madrid termina no dia 30 daquele mês, por mais que a temporada europeia se encerre com a final da Champions, dia 1º. O calendário de seleções prevê uma data Fifa de 3 a 11 de junho e em seguida a realização da Copa América dos Estados Unidos, com abertura marcada para o dia 20. Outro ponto de interrogação no calendário de 2024 diz respeito ao pré-olímpico de janeiro, que tem boas chances de ser realizado na Venezuela e dará duas vagas para os Jogos de Paris-2024. Ramon Menezes, treinador interino nos três primeiros jogos da Seleção neste ano, com derrotas para Marrocos e Senegal e vitória sobre Guiné, segue no cargo na seleção sub-20. Não há, no entanto, calendário pré-definido para a categoria no segundo semestre deste ano. Ramon vai dar sequência na sub-20 e já fazendo trabalho também para o Pan-Americano, que tem datas até 5 de novembro. Depois tem Pré-Olímpico em janeiro, e eu acho que vai ser também importante para a seleção sub-23, que são atletas bem formados. Com certeza, ele tendo desprendimento, pelo melhor do futebol brasileiro, certeza o Diniz também pode ter informações que possam ser importantes para a boa apresentação da Seleção – comentou Ednaldo. Com o interino oficializado, a CBF agora corre para colocar em prática e no papel toda a confiança pelo acerto com Carlo Ancelotti. Apesar do otimismo, questões centrais ainda precisam ser discutidas, desde bases salariais até comissão técnica, passando por logística e local onde o italiano vai morar. GE