Brasil e Espanha assinam três acordos e Lula defende em Madri o “G20 da Paz”

Presidente brasileiro encontrou o premiê espanhol Pedro Sánchez durante o encerramento de visita à Europa – Lula e Pedro Sánchez, no Palácio da Moncloa, em Madrid – Ricardo Stuckert/PR O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, concederam coletiva de imprensa nesta quarta-feira (26) em Madri e participaram de cerimônia de assinatura de acordos nas áreas de educação, trabalho e ciência e tecnologia. Os líderes falaram sobre a guerra na Ucrânia e as negociações por um acordo entre Mercosul e União Europeia. A íntegra dos acordos pode ser conferida neste link. O documento prevê um “intercâmbio sobre o processo que se realizou, no final de 2021, para a revisão da reforma trabalhista na Espanha” e também a “criação do grupo de trabalho técnico sobre a regulamentação do trabalho e da atividade econômica em plataformas digitais”. Já durante a coletiva de imprensa, Lula e Sánchez deram ênfase a volta do Brasil ao cenário internacional e também apresentaram visões diferentes sobre a guerra na Ucrânia e coincidentes em relação ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O presidente brasileiro disse que o Brasil condena a invasão territorial da Ucrânia, mas ressaltou que a Organização das Nações Unidas (ONU) deveria fazer mais pela paz, e que seu Conselho de Segurança precisa ser reformulado para incluir mais países. “Nós vivemos num mundo em que o Conselho de Segurança da ONU, os membros permanentes, todos eles são os maiores produtores de armas do mundo, são os maiores vendedores de armas do mundo e são os maiores participantes de guerra do mundo”, afirmou Lula. O presidente brasileiro citou a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, da Líbia pela França e Inglaterra, via OTAN, e da Ucrânia pela Rússia como exemplos de guerras de membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. “Por que Brasil, Espanha, Japão, Alemanha, Índia, Nigéria, Egito, África do Sul não estão [como membros permanentes]? Quem determina atualmente são os vencedores da 2ª Guerra, mas o mundo mudou. Precisamos construir um novo mecanismo internacional que faça a coisa diferente. Acho que tá na hora da gente começar a mudar as coisas e está na hora da gente criar um tal de G20 da Paz, que deveria ser a ONU”. O premiê da Espanha – país que envia armas para a Ucrânia -, reforçou a importância de um “ator global” como o Brasil se preocupar com a construção da paz e ainda ressaltou que a guerra tem um “agressor”, os russos, e um país invadido, a Ucrânia. Nós queremos construir com a Espanha uma parceria ainda mais forte do que a que já existe. Vamos trabalhar juntos para melhorar nossos países e ajudar a melhorar o mundo ???????????????? ????: @ricardostuckert pic.twitter.com/XdJd6n0KkG — Lula (@LulaOficial) April 26, 2023 Acordo UE-Mercosul e declaração conjunta Os dois líderes defenderam a conclusão das negociações por um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Sánchez declarou que neste ano a Espanha ocupará a presidência rotativa da UE e o Brasil, do Mercosul. “Portanto, acho que vamos ter uma conjuntura propícia para verdadeiramente culminar este processo e atingir este acordo. Vamos trabalhar para tentar obter este acordo neste ano”, afirmou o premiê espanhol. A criação de uma área de livre comércio entre os dois blocos comerciais é negociada há décadas e atualmente discordâncias sobre as cláusulas ambientas do acordo são um dos pontos de impasse. “O Brasil também tem seus interesses. A proposta feita no governo anterior é inaceitável por parte do Brasil porque impõe punição e não acho que podemos aceitar”, disse o petista. Na declaração conjunta de Brasil e Espanha, os governos ainda se comprometeram a “impulsionar a assinatura do acordo entre as duas regiões que permita o aumento do comércio e dos investimentos em ambas as direções e a promoção da prosperidade compartilhada”. O documento também ressalta posições em comum como a preocupação com a emergência climática, a defesa da transição energética e afirma que o governo espanhol “saudou a candidatura do Brasil para a realização da Conferência do Clima (COP 30) na cidade de Belém do Pará em 2025”.

Ameaça do gigante chinês. Artigo de Frei Betto

“Na afirmação de nossa soberania, Lula decretou o fim do dólar como moeda de comércio entre a China e o Brasil. E deu um “chega pra lá” no FMI e no Banco Mundial ao valorizar o banco dos Brics, com sede em Xangai e, agora, presidido por Dilma Rousseff, escreve Frei Betto, escritor, autor de “Paraíso perdido – viagens ao mundo socialista” (Rocco), entre outros livros. Eis o artigo. A “Newsweek” noticiou que o ex-presidente Jimmy Carter recebeu telefonema de Trump, preocupado com o crescimento geopolítico da China. Carter reagiu: “Você tem medo que a China nos supere, e concordo com você. Sabe por que a China nos superará? Eu normalizei relações diplomáticas com Pequim em 1979, e desde aquela data sabe quantas vezes a China entrou em guerra com alguém? Nenhuma, enquanto estamos constantemente em guerra. Os EUA são a nação mais guerreira da história do mundo, quer impor aos Estados se submeterem ao nosso governo e aos valores americanos em todo o Ocidente, e controlar as empresas que dispõem de recursos energéticos em outros países. A China, no entanto, investe seus recursos em projetos de infraestrutura, ferrovias de alta velocidade, tecnologia 6G, inteligência robótica, universidades, hospitais, portos e edifícios, em vez de usá-los em despesas militares. Quantos quilômetros de ferrovias de alta velocidade temos em nosso país? Já desperdiçamos U$ 300 bilhões em despesas militares para submeter países que procuravam sair da nossa hegemonia. A China não desperdiçou nenhum centavo em guerras e, por isso, nos ultrapassa em quase todas as áreas. Se tivéssemos U$ 300 bilhões para instalar infraestruturas, robôs e saúde pública nos EUA, teríamos trens bala transoceânicos de alta velocidade. Teríamos pontes que não desabam, sistema de saúde grátis para os americanos não infectarem, por Covid-19, mais conterrâneos do que qualquer outro país do mundo. Teríamos estradas adequadas. Nosso sistema educativo seria tão bom quanto o da Coreia do Sul ou Xangai.” Os EUA estão gastando em orçamento militar, neste ano de 2023, quase US$ 800 bilhões. E mantêm mais de 700 bases militares ao redor do mundo. O orçamento militar da China em 2023 não chega a US$ 300 e ela não dispõe de nenhuma base militar fora de suas fronteiras. Passei um mês na China em 1988 e visitei oito províncias. Então, a China era chinesa. Toda a população vestia a mesma roupa anil estilo Mao Tsé-tung e as diferenças sociais não eram gritantes. Hoje, diz a anedota que, perguntado se atualmente o sistema chinês é híbrido, o presidente Xi Jinping respondeu: “Sim, o Conselho de Estado e o Birô Político são comunistas e, os demais, capitalistas”. Os chineses são pragmáticos. E o governo e as empresas, diante da necessidade alheia, perguntam primeiro pela contrapartida antes do gesto de solidariedade. É um povo autocentrado. A palavra China significa “país do meio”, o centro do mundo. Vi nas escolas mapas-múndi nos quais o território chinês se destacava no centro, assim como muitos mapas no Brasil são eurocentrados. A recente viagem de Lula a China incomodou a Casa Branca que, progressivamente, perde sua hegemonia na América Latina. Sabem quantas vezes o presidente Biden visitou a América do Sul? Nenhuma. Biden, infelizmente, se relaciona com o nosso continente mais pautado por Trump do que por Obama. Este flexibilizou as relações com Cuba, inclusive reatando relações diplomáticas, embora mantendo o bloqueio, enquanto Trump adotou quase 300 medidas para apertar o bloqueio e Biden não ousa revogá-las. A China é, hoje, o principal parceiro comercial do Brasil. É o país que mais importa nossos produtos. Em 2022, as exportações brasileiras para a China (incluindo Hong Kong e Macau) somaram 91,26 bilhões de dólares. O Brasil é o quarto país no mundo onde a China mais investe. Responde por 5% do total. O país asiático importou US$ 90 bilhões do Brasil em 2022 e exportou US$ 60 bilhões. As exportações do Brasil para os chineses somaram, no ano passado, mais do que o total que o país vendeu para os EUA (US$ 37 bilhões) e a União Europeia (US$ 50,8 bilhões). Na afirmação de nossa soberania, Lula decretou o fim do dólar como moeda de comércio entre a China e o Brasil. E deu um “chega pra lá” no FMI e no Banco Mundial ao valorizar o banco dos Brics, com sede em Xangai e, agora, presidido por Dilma Rousseff. Um mundo multilateral favorece o surgimento de uma nova governança global, capaz de assegurar a paz no planeta. Mas, para isso, é preciso que a União Europeia dê o seu grito de independência em relação à Casa Branca e que a ONU sofra uma profunda reforma, a começar pela democratização de seu Conselho de Segurança.

‘OBRA MULTIFACETADA’ Lula entrega Prêmio Camões a Chico Buarque

Chico, Lula e o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo – Patricia de Melo Moreira / AFP Quatro anos após ser agraciado com o Prêmio Camões, o mais importante da língua portuguesa, o cantor, compositor e escritor Chico Buarque finalmente recebeu a honraria, entregue pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu homólogo português, Marcelo Rebelo de Sousa, em cerimônia em Lisboa nesta segunda-feira (24/04). O prêmio para Chico foi anunciado em 2019, mas o artista não pôde recebê-lo pois o então presidente Jair Bolsonaro, que praticamente congelou as relações com Portugal durante seu mandato, se recusou a assinar a documentação necessária para a entrega da distinção, segundo afirmaram os atuais governos do Brasil e de Portugal. “Essa entrega é simbólica porque representa a vitória da democracia. Chico Buarque é um artista de uma envergadura tremenda, pela história, por tudo que já produziu, tanto na música, quanto na literatura. Ser testemunha, participar enquanto ministra desse momento depois de sofrermos uma tentativa de golpe recente no Brasil e do desmonte da cultura nesses últimos quatro anos, é motivo de festa”, afirmou a ministra da Cultura, Margareth Menezes, às vésperas da cerimônia de premiação. O primeiro-ministro português, António Costa, destacou a entrega do Prêmio Camões a Chico como parte da retomada de contatos entre Brasil e Portugal. “Viramos uma página e temos muita matéria para trabalhar em conjunto”, escreveu no Twitter. O Ministério da Cultura de Portugal, por sua vez, destacou que, para o júri do Prêmio Camões, a atribuição da distinção a Chico reconheceu “o valor e o alcance de uma obra multifacetada, repartida entre poesia, drama e romance”, um trabalho que “atravessou fronteiras e se mantém como uma referência fundamental da cultura no mundo contemporâneo”. A cerimônia de entrega da distinção, realizada no Palácio Nacional de Queluz, foi integrada à viagem oficial de Lula a Portugal. A passagem do presidente brasileiro pelo país se encerra nesta terça-feira, com uma cerimônia no Parlamento português à margem das comemorações do 49º aniversário da Revolução dos Cravos. “Um dos maiores absurdos cometidos contra a cultura” Em discurso na cerimônia realizada na cidade de Sintra, Lula disse que entrega do prêmio serviu para “corrigir um dos maiores absurdos cometidos contra a cultura brasileira nos últimos tempos”. “Digo isso porque esse prêmio deveria ter sido entregue em 2019 e não foi. Todos nós sabemos por quê”, afirmou o presidente. Lula declarou que o ataque a cultura em todas as suas formas foi um dos objetivos que a extrema direita tentou implementar no país, mas que “finalmente, a democracia venceu no Brasil”. “Não podemos esquecer que o obscurantismo e a negação das artes também foram uma marca do totalitarismo e das ditaduras que censuraram o próprio Chico no Brasil e em Portugal. Esse prêmio é uma resposta do talento contra o censura, do engenho contra a força bruta’” disse. A concessão da honraria a Chico Buarque seria, na opinião do presidente, uma “resposta do talento contra a censura”. Após receber o prêmio das mãos do presidente Rebelo de Souza, Chico criticou o governo de Jair Bolsonaro e a falta de incentivo às artes durante o mandato do ex-presidente, e disse ter valido a pena esperar quatro anos para receber o prêmio. Ele disse ter a impressão de que “um tempo bem mais longo havia transcorrido. No que se refere ao meu país, quatro anos de um governo funesto duraram uma eternidade, porque foram um tempo em que o tempo parecia andar para trás”, disse o artista. Chico agradeceu ao presidente Rebelo de Souza por ter deixado em branco no o diploma do prêmio o espaço para a assinatura do presidente do Brasil, que ficou a cargo de Lula, e não de seu antecessor. “Recebo este prêmio menos como uma honraria pessoal e mais como um desagravo a tantos autores e artistas brasileiros humilhados, ofendidos nesses últimos anos de estupidez e obscurantismo”, concluiu Chico. Ele disse também ter herdado de seu pai, o escritor e historiador Sergio Buarque de Holanda, o amor pela língua portuguesa. “Valeu a pena esperar” Há quatro anos Chico Buarque foi escolhido vencedor do Prêmio Camões, considerado o mais importante da língua portuguesa, mas a Bolsonaro se recusou a entregar o prêmio. Agora, o prêmio finalmente chega às mãos de Chico Buarque pelo presidente Lula. pic.twitter.com/XABi7GgE6S — Brasil de Fato (@brasildefato) April 24, 2023 Além de Chico Buarque e dos presidentes do Brasil e de Portugal, estiveram presentes na cerimônia cidade de Sintra a ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, e autoridades dos dois países. “Formação cultural de diferentes gerações” Um dos maiores nomes da MPB, Francisco Buarque de Holanda nasceu em 19 de junho de 1944, no Rio de Janeiro. Começou sua carreira musical na década de 1960 e se tornou um dos maiores compositores brasileiros. Entre os sucessos musicais de Chico, que tem cerca de 80 álbuns em sua discografia, estão A banda (1966), Apesar de você (1970), Cotidiano (1971), Construção (1971) e Amor barato (1981). Em 1967, escreveu sua primeira peça de teatro, Roda Viva. No total, foram quatro incursões nesse gênero, sendo a última delas a Ópera do malandro, de 1978. Em 1974, escreveu a novela Fazenda Modelo, e em 1979, o livro infantil Chapeuzinho Amarelo. Em 1991, publicou seu primeiro romance, Estorvo. O sucesso como escritor lhe rendeu três prêmios Jabuti, a premiação literária mais importante do Brasil, por Estorvo, melhor romance e livro do ano de ficção de 1992; Budapeste, livro do ano de ficção de 2004; e Leite Derramado, melhor livro de ficção de 2010. Seu último livro, O irmão Alemão, foi publicado em 2014. Essa foi a primeira vez que um músico foi agraciado com o Prêmio Camões, que é um reconhecimento pela obra completa do artista. Ele foi eleito por unanimidade por um júri composto por representantes de Portugal, Brasil, Angola e Moçambique. O júri justificou sua escolha pela “qualidade e transversalidade” da obra de Chico Buarque, “tanto através de gêneros e formas, quanto pela sua contribuição para a formação cultural de diferentes

Na China, Lula golpeia o imperialismo – Por Jair de Souza

Em seu discurso feito no ato da posse de Dilma Rousseff como presidenta do Banco do BRICS, Lula proferiu palavras muito duras para condenar a injustificável persistência do uso do dólar estadunidense como moeda efetiva para as relações de troca entre as diferentes nações do mundo. Para que tenhamos ideia da gravidade do que foi dito por Lula, basta observar as reações em relação com esta declaração provenientes dos grandes meios de comunicação alinhados com a defesa dos interesses imperialistas, tanto no Brasil como no resto do mundo. Com efeito, na esmagadora maioria dos órgãos dessa mídia corporativa, houve uma gritaria generalizada em discordância com os termos expressados por Lula em seu discurso. Portanto, em vista disto, cabe-nos perguntar: O que significa ter o dólar estadunidense como a moeda internacional e o que pode representar o fim desta norma Da forma como as coisas estão na atualidade, quando dois países, Brasil e Paquistão, por exemplo, decidem negociar entre si, importando e exportando seus próprios produtos, a questão não fica limitada a estas duas nações. Há um terceiro país (os Estados Unidos) que, mesmo sem ter tido nenhuma participação na negociação, na produção ou no transporte desses bens, vai receber ganhos com a realização dessas operações. Como assim? Por que É que, ao final da II Guerra Mundial, o mundo adquiriu uma nova faceta. Os Estados Unidos saíram daquela conflagração como a nação mais poderosa do planeta, tanto do ponto de vista econômico como no militar. No ano anterior à derrota da Alemanha nazista (1944), na cidade de Bretton Woods, em New Hampshire, EUA, as nações que haviam se aliado em seu enfrentamento com as potências do Eixo firmaram um tratado que visava normatizar as bases para o funcionamento da economia mundial após a conclusão do conflito. O acordo firmado em Bretton Woods foi muito vantajoso para os Estados Unidos. A partir de então, uma parte substancial do comércio internacional e das movimentações financeiras passaria a ser gerida sob o controle efetivo dessa nação norteamericana. O dólar se tornava o meio de pagamento de referência para as trocas internacionais e ficava estabelecida sua convertibilidade em base a uma paridade com o ouro. Todo o sistema de compensações financeiras internacionais passou a funcionar com base nessa moeda. No entanto, a partir de 1971, os Estados Unidos puseram fim à convertibilidade do dólar, e isto efetivou na teoria o que já era uma verdade na prática: o dólar tinha se tornado uma moeda fiduciária, cuja aceitação ao redor do mundo dependia fundamentalmente da grande capacidade política e militar ostentada pelos Estados Unidos. .Sem necessidade de contar com o amparo de reservas em ouro para garantir a validade internacional de sua moeda, os Estados Unidos passaram a se despreocupar com a questão de seu déficit orçamentário. Afinal, qualquer desequilíbrio que viesse a surgir seria compartilhado (na verdade, transferido) ao restante do mundo. Bastava emitir mais dólares e as contas seriam acertadas. E isso os Estados Unidos poderiam fazer sem dificuldades. Em outras palavras, caberia aos demais países da comunidade internacional arcar com o rombo orçamentário estadunidense, o qual ia se agigantando a cada ano. Por isso, quando Lula sugeriu que, em lugar de seguir fazendo nossas transações com base na moeda estadunidense, deveríamos buscar formas de comercializar por meios alternativos que não nos sujeitassem aos caprichos das autoridades monetárias dos Estados Unidos, aqueles que se beneficiam amplamente do atual sistema não gostaram da ideia. Ainda que a proposta de Lula expresse um suposto que deveria ser considerado natural e lógico, nas condições atuais, ela significa um violentíssimo golpe contra as pretensões estadunidenses de seguir exercendo sua hegemonia mundial apesar de sua notável decadência em termos de produção e liderança tecnológica. Como sabemos, a economia da República Popular da China é atualmente muitíssimo mais dinâmica do que sua contraparte estadunidense. A produtividade da indústria chinesa é incomparavelmente superior e, em termos de competição estritamente econômicos, os Estados Unidos não têm nenhuma possibilidade de disputar mercados com a China No intuito de manter sua posição de líder no cenário internacional do momento, os Estados Unidos vão dependendo cada dia mais de seu poderio militar e de seu controle do sistema financeiro. Assim que, ao sugerir que o dólar deixe de ser a moeda de uso generalizado para as relações comerciais entre as diferentes nações, Lula aplica um golpe dos mais violentos contra os interesses do imperialismo gringo. Em uma analogia com o boxe, seria como desfechar um vigoroso direto de esquerda no fígado do adversário. Se não puderem mais dispor da capacidade de manipular com sua moeda, os Estados Unidos vão precisar depender de sua própria produção e de seus próprios recursos para aspirar a ter êxito em suas interações com as demais nações. Há muito tempo eles vêm atuando de modo parasitário, alimentando-se com o sacrifício de todos os outros países da comunidade internacional, transferindo os custos de sua ineficiência para o restante do mundo. Portanto, ao propor medidas que os obrigam a ter de voltar a contar com seus próprios esforços para respaldar sua situação, as sugestões feitas por Lula se tornam de fato uma forte ameaça que põe em risco suas pretensões de continuar exercendo sua hegemonia em detrimento do restante da humanidade. * Jair de Souza é economista formado pela UFRJ; mestre em linguística também pela UFRJ

Lula viaja à China para estreitar laços de parceria

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viajou na manhã desta terça-feira (11) para a China, maior parceiro comercial do Brasil. É essencial à economia do país retomar as boas relações após atritos durante a gestão do governo anterior. O petista terá agendas nas cidades de Xangai e Pequim até sábado, com expectativa de concluir pelo menos 20 novos acordos entre os países – ambos integrantes do bloco dos Brics, ao lado de Rússia, Índia e África do Sul. Acompanham Lula empresários, governadores, senadores, deputados e ministros, como Fernando Haddad (Fazenda), Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária), Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social). Os governadores, Jerônimo Rodrigues, da Bahia, Elmano de Freitas, do Ceará, Carlos Brandão, do Maranhão, Helder Barbalho, do Pará, e Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte também integram a delegação. Comércio e soberania A viagem estava programada para o dia 4 deste mês, mas foi adiada por conta de uma pneumonia do presidente. Contudo, parte da comitiva presidencial manteve a agenda original. É o caso de Fávaro, que destacou avanços para reduzir burocracias na relação bilateral. “Tratativas importantes que há muitos anos a gente sonhava devem se concretizar com a presença do presidente Lula na China”, disse. Entre os destaques, um acordo para o comércio direto entre China e Brasil em moeda dos dois países, yuan e real. Esta decisão, na prática, aumenta a autonomia, reduz os custos e fortalece a soberania das nações ao deixar de lado a dependência do dólar. A relevância do acordo é tanta que um dos maiores nomes da extrema direita dos Estados Unidos, o senador republicano Marco Rubio (Flórida) atacou os países em uma entrevista à Fox News. “Estão criando uma economia secundária independente dos Estados Unidos. Não poderemos falar em sanções em poucos anos. Os países estarão negociando em suas próprias moedas e não em dólar. Não teremos como promover sanções”, disse. O discurso encontra eco também entre os democratas. A porta-voz do presidente Jor Biden chegou a dizer que o acordo é “uma violação dos direitos americanos”. Brasil e China A China é maior parceira comercial do Brasil desde 2009. O volume de negócios entre os países superou US$ 150 bilhões em 2022, sendo que o Brasil tem superávit. Foram US$ 89,7 bilhões em exportações e US$ 60,7 em exportações. “A intensificação das relações faz parte de uma agenda que celebra 50 anos de comércio sino-brasileiro. A primeira venda entre os dois países aconteceu em 1973, um ano antes do estabelecimento das relações diplomáticas sino-brasileiras”, informa o Planalto. “A visita faz parte da reconstrução das relações internacionais do novo governo brasileiro, que inclui as viagens já feitas à Argentina, onde também ocorreu a reunião da Celac, ao Uruguai e aos Estados Unidos, além das reuniões com líderes europeus que vieram para a posse em janeiro. Será também a primeira visita fora do hemisfério ocidental”, diz o governo, em nota. Existe um grande espaço para alavancar a lucratividade das relações com a China. E Lula evidencia sua disposição para que isso se concretize. O ânimo fica evidente logo no primeiro compromisso do presidente em solo chinês. Ele participa, na quinta-feira, da cerimônia de posse da ex-presidenta Dilma Rousseff no comando do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco de fomento dos BRICS (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Então, na sexta-feira, ele encontrará o primeiro-ministro Li Qiang e o presidente Xi Jinping. Em pauta, negociações sobre investimentos no setor agropecuário, de turismo, e de tecnologia, além de troca de experiências no combate à fome e à pobreza. Um dos acordos, por exemplo, prevê a construção do CBERS-6, o sexto de uma linha de satélites em parceria entre Brasil e China. O diferencial do novo modelo é uma tecnologia que permite o monitoramento de biomas como a Floresta Amazônica mesmo com nuvens.

Momento histórico – Trump é fichado e alega ser inocente de mais de 30 acusações

trump

O magnata, que tecnicamente permanece sob custódia, foi submetido ao trâmite habitual para um indiciado, como a tomada de fotografias e de digitais. O ex-presidente Donald Trump se declarou inocente de 34 acusações em um tribunal de Manhattan, em Nova York, depois de ouvir as alegações na tarde desta terça-feira 4. Ele deixou a corte por volta das 16h30 de Brasília. O magnata, que tecnicamente permaneceu sob custódia, foi submetido ao trâmite habitual para um indiciado, como a tomada de fotografias e de digitais para a ficha judicial. Trump é acusado de ter subornado a estrela pornô Stormy Daniels com 130 mil dólares na reta final da campanha presidencial de 2016 para que ela se calasse sobre um suposto caso extraconjugal. Ele nega. Antes de entrar no tribunal, Trump não concedeu qualquer declaração, ao contrário do que alguns conselheiros esperavam. Tínhamos a impressão de que ele poderia fazer uma breve declaração antes de entrar, e acho que o fato de ele não ter feito é digno de nota”, disse à CNN norte-americana Alyssa Farah Griffin, ex-diretora de comunicações da Casa Branca sob Trump “Isso indica para mim que, potencialmente, o que ele viu na acusação vai mais longe do que ele esperava.” Do lado de fora do tribunal, dezenas de simpatizantes de Donald Trump se reuniram. Agentes do Departamento de Polícia de Nova York estavam a postos no local enquanto trumpistas, muitos usando chapéus com o slogan “Make America Great Again”, gritavam insultos contra os opositores. Já os manifestantes contrários ao republicano desfilavam com uma grande faixa com a mensagem “Trump mente o tempo todo” e gritavam “prendam-no!”. Apesar de histórico, o comparecimento de Trump à Justiça “não é uma prioridade” o presidente Joe Biden, alegou nesta terça porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre. “Obviamente, ele [Biden] vai acompanhar parte das notícias quando tiver um momento para se atualizar, mas isso não é uma prioridade para ele”, afirmou. (Carta Capital).

Papa Francisco condena golpe contra Dilma e prisão ilegal de Lula

Papa Francisco, Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Reuters | Ricardo Stuckert/Divulgação O papa Francisco afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi vítima de perseguição política e que a ex-presidente Dilma Rousseff sofreu um processo de impeachment injusto. “O lawfare abre caminho nos meios de comunicação. Deve-se impedir que determinada pessoa chegue a um cargo. Então, o pessoal o desqualifica e metem a suspeita de um crime. Então, faz-se todo um sumário, um sumário enorme, onde não se encontra [a prova do delito], mas para condenar basta o tamanho desse sumário. ‘Onde está o crime aqui?’ ‘Mas, sim, parece que sim…’ Assim condenaram Lula”, afirmou o sumo pontífice, em entrevista exibida pela rede argentina C5N. O Papa também citou outros casos de lawfare na América Latina, como Equador, Argentina e Bolívia. Sobre a ex-presidente Dilma Rousseff, Francisco disse que ela teve o mandato cassado por um “ato administrativo menor” e é “uma mulher de mãos limpas, uma mulher excelente”. O papa ainda citou o “fumus delicti”, termo jurídico em latim para conceituar a comprovação de um crime por meio de indícios suficientes de autoria, e ainda disse que “às vezes, a fumaça do crime te leva ao fogo, outras vezes é uma fumaça que se perde porque não há fundamento”. Ao jornalista dizer que “inocentes são condenados”, o pontífice ressaltou que “no Brasil, isso aconteceu nos dois casos”, referindo-se a Lula e a Dilma. Para ele, “os políticos têm a missão de desmascarar uma Justiça injusta”. Em dezembro passado, Francisco já havia dito em entrevista a um jornal espanhol que o processo que levou Lula à prisão começou por uma notícia falsa. “Um julgamento tem que ser o mais limpo possível, com tribunais que não têm outro interesse senão fazer justiça”, disse na ocasião.

Multidões vão às ruas em 10° dia de greve na França

Luta dos trabalhadores contra reforma da previdência decretada por Macron continua – Povo se manifesta em Paris contra reforma da Previdência imposta por Macron (Foto: Reuters/Nacho Doce) RFI – A população francesa voltou às ruas nesta terça-feira (28) para a décima jornada de manifestações contra a reforma da Previdência. Em todo o país, a mobilização foi marcada por uma diminuição dos confrontos entre policiais e manifestantes. No entanto, o clima entre as centrais sindicais e o governo continua tenso, marcado pela resistência do presidente francês, Emmanuel Macron, em direção a uma negociação. De acordo com o Ministério do Interior, 740 mil pessoas participaram de protestos em todo o país. A contagem do governo aponta para 93 mil pessoas na capital, onde os manifestantes fizeram uma passeata da Praça da República, no centro, à Praça da Nação, no leste. Já os números da central sindical Confederação Geral do Trabalho (CGT) apontam para 2 milhões de participantes na França, sendo 450 mil em Paris. As mídias francesas são unânimes em afirmar que o atos registraram menos atos de violência, depois de semanas de hostilidades entre as forças de segurança e militantes. O temor era que as agressões registradas no último sábado (25) em Sainte-Soline, no centro-oeste do país, durante um protesto contra um projeto de instalação de reservatórios de água para uso agrícola, voltassem a se repetir. Em Paris, a polícia interveio em um momento da passeata quando black blocs vandalizaram uma loja, montaram uma barricada e colocaram fogo em lixeiras, no momento em que a manifestação se preparava para o encerramento. Após o final do protesto, na Praça da Nação, o mesmo grupo voltou a provocar as forças de segurança, que tentaram dispersar indivíduos radicais lançando bombas de gás lacrimogênio. As Brav-M, esquadrões móveis célebres pelo uso de violência, foram acionadas no início da noite. As autoridades informaram que até o fechamento desta matéria, 27 pessoas haviam sido detidas. Ao menos quatro pessoas ficaram feridas e foram levadas ao hospital por socorristas voluntários. Informações da AFP apontam que diversos manifestantes foram feridos na cabeça e que um repórter teve um ferimento na perna. Confrontos também foram registrados em Nantes (oeste), onde uma agência bancária foi incendiada, e 49 pessoas foram presas. De acordo com as autoridades, atos de vandalismo ocorreram em Rennes (oeste), e seis black blocs foram detidos. No leste, as cidades de Estrasburgo, Besançon e Nancy registraram momentos de tensão. Em Toulouse, no sudoeste, policiais utilizaram jatos d’água para dispersar elementos radicais. De acordo com o Ministério do Interior, 13 mil membros das forças de segurança foram moblizados em todo o país para a décima jornada de manifestações contra a reforma da Previdência – um dispositivo inédito. Apenas em Paris, 5,5 mil membros de unidades policiais acompanharam os protestos. Encontro da premiê com líderes sindicais  Após semanas de resistência, o governo francês começa a dar os primeiros sinais de abertura. No início da noite desta terça-feira, a primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, convidou as centrais sindicais para uma reunião no início da próxima semana. “Um e-mail lapidário” por parte da chefe de governo, afirmou Laurent Berger, secretário-geral da Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT). Um pouco antes, uma nova jornada de greve nacional havia sido anunciada pelos líderes sindicais para o dia 6 de abril. “Após dois meses de um movimento social exemplar e inédito em 50 anos, majoritariamente apoiado pela população, e um trajeto parlamentar caótico, a ausência de resposta do Executivo nos leva a uma situação de tensões no país, nos preocupando fortemente”, afirma um comunicado divulgado pela central sindical Solidários. Do lado dos manifestantes, a promessa é de não ceder enquanto Macron não anunciar mudanças. “Temos a impressão que, o que quer que aconteça, nada muda”, reclama a estudante Suzanne, de 21 anos, no protesto de Lyon (centro-leste). “Eles [o governo] nos pressionam, mas não vamos ceder ao cansaço”, declarou. Além do bloqueio de escolas de ensino médio e universidades, os protestos também assumiram diversas formas há semanas: quedas na produção de eletricidade, 15% dos postos de gasolina sem combustível, trens e voos cancelados, transporte público em Paris interrompido e até a Torre Eiffel foi fechada nesta terça-feira. Já os agentes de limpeza públca decidiram encerrar na quarta-feira (29) uma greve que já durava três semanas e que deixou milhares de toneladas de lixo acumuladas nas ruas. Imposição da reforma revolta população As centrais sindicais vêm realizando protestos desde janeiro, quando o governo apresentou o projeto de reforma da Previdência. No entanto, a tensão aumentou desde que Macron decidiu adotar por decreto, em 16 de março, o adiamento da idade de aposentadoria de 62 para 64 anos e o aumento para 43 anos do tempo de contribuição para se ter direito a uma pensão integral até 2027. O chefe de Estado defende que a reforma é fundamental para evitar um déficit no fundo de pensões, embora muitos economistas apontem o contrário e indiquem soluções alternativas. Apesar do sinal verde do executivo, a mais alta jurisdição administrativa da França, o Conselho Constitucional, avalia o projeto. Ao mesmo tempo, ministros e deputados governistas apostam na criminalização dos protestos para minar o apoio da opinião pública, que responsabiliza Macron por não aceitar a rejeição de seu plano. Enquanto isso, o impasse segue entre o executivo e as centrais sindicais que querem a retirada ou suspensão da reforma.

Trump diz que será preso na terça-feira e pede protestos de apoiadores

trump

Ex-presidente dos Estados Unidos pode ser indiciado por suposto suborno praticado antes das eleições de 2016 O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump afirmou neste sábado (18), através da sua rede social Truth Social, que deve ser preso na próxima terça-feira (21). Ele ainda pediu que seus apoiadores façam protestos para impedir a prisão. “O principal candidato republicano e ex-presidente dos Estados Unidos Estados da América será preso na terça-feira da próxima semana. Proteste, leve de volta nossa nação!”, escreveu Trump, que espera concorrer novamente à presidência dos Estados Unidos em 2024. A publicação de Trump diz respeito a uma possível acusação de suborno pago a uma atriz pornô antes das eleições presidenciais de 2016. Nesta semana, promotores de Manhattan se reuniram com Stormy Daniels, que afirma que Trump pagou para que ela mantivesse o caso dos dois em segredo. A reunião ajudaria os promotores a decidirem se apresentam acusações contra Trump sobre o caso. No Twitter, o advogado da atriz informou que ela se reuniu com os investigadores a pedido do promotor distrital, e acrescentou que ela está disposta a colaborar com investigações sobre o caso. Se Trump for indiciado, ele será o primeiro ex-presidente dos Estados Unidos a ser acusado de cometer um crime.

Presidente sírio diz que 3ª Guerra Mundial já está em curso

Vladimir Zelensky está travando uma guerra em nome do Ocidente com seu Exército composto de nazistas, diz o líder sírio Sputnik – Em entrevista à Sputnik, o líder sírio Bashar al-Assad comentou sobre o conflito na Ucrânia. Ele declarou que o Ocidente coletivo lançou a Terceira Guerra Mundial, que é travada pelos nazistas na Ucrânia na forma de uma guerra por procuração e por terroristas. “Acredito que a Terceira Guerra Mundial está acontecendo, mas é diferente em forma. Quero dizer, guerras mundiais costumavam ser tradicionais. Os exércitos de várias nações agiam contra vários outros. Agora, essa situação existe, mas por causa das armas modernas, especialmente as armas nucleares, há um impedimento à guerra tradicional, então as guerras vão na direção de guerras por procuração.” Segundo ele, hoje Vladimir Zelensky está travando uma guerra em nome do Ocidente com seu Exército composto de nazistas. “O mesmo, terroristas são exércitos agindo em nome do Ocidente na Síria e em outras regiões”, acrescentou Assad. O povo da Síria apoia a Rússia na realização da operação militar especial na Ucrânia, após a vitória da Federação da Rússia, o mundo se tornará mais seguro e calmo, declarou Bashar al-Assad. Durante a entrevista, Bashar al-Assad lembrou que Damasco reconhece as novas fronteiras da Rússia com os territórios que se juntaram conforme os resultados dos referendos: República Popular de Donetsk (RPD), República Popular de Lugansk (RPL) e as regiões de Kherson e Zaporíjia. Ele ressaltou que a Síria reconheceu essas regiões antes de se juntarem à Rússia. “Esta questão estava clara para nós desde o início e não hesitaremos em nossa posição. O posicionamento da Síria é claro e ao mesmo tempo determinado, estamos convencidos desta questão, não apenas por amizade com a Rússia, mas também por se tratar desses territórios”, disse o presidente sírio. O presidente sírio, Bashar al-Assad, chamou a expansão da presença militar da Rússia na República Árabe de uma boa ideia, durante entrevista à Sputnik imediatamente após suas conversações com Vladimir Putin no Kremlin, na terça-feira (15). “Acreditamos que se a Rússia quer expandir bases ou aumentar seu número, é uma questão técnica ou logística. Se houver tal desejo, acreditamos que a expansão da presença russa na Síria cai bem, essa ideia”, declarou Assad, em entrevista à Sputnik. Segundo o presidente da República Árabe, os lados russo e sírio ao nível dos ministros da Defesa discutiram questões de cooperação militar, mas o tópico específico de bases militares não foi levantado. “Não costumamos declarar que tipo de cooperação será entre nós e a Rússia. Porque é uma questão militar, que sempre tem um tipo de sigilo. É normal”, disse o líder sírio. Segundo Assad, as duas partes têm uma visão comum sobre a questão das bases em termos políticos e militares. Ao mesmo tempo, o líder sírio expressou confiança de que a presença militar da Rússia não deve ser temporária e limitada à luta contra o terrorismo. “Falamos de equilíbrio internacional, e a presença da Rússia na Síria tem um significado, ligado ao equilíbrio de forças no mundo como um país localizado no Mediterrâneo”, sublinhou ele. Após as negociações com o presidente russo, Assad relatou a assinatura de um acordo entre a Rússia e a Síria de cooperação econômica e projetos de investimento. “Agora os projetos estão sob revisão e o acordo será assinado em algumas semanas […] cada projeto será avaliado separadamente posteriormente. Isso é parte do mecanismo de monitoramento dos projetos.” Durante as negociações em Moscou nos últimos dias, a comissão conjunta discutiu vários projetos, acrescentou. Segundo Assad, esses projetos serão anunciados após a assinatura do acordo. O presidente sírio chamou as negociações sobre essas questões de uma nova etapa nas relações entre os dois países, observando que o trabalho sobre este acordo durou vários anos. Relações Síria-Turquia O presidente da República Árabe não evitou o tema das relações entre Síria e Turquia. Ele declarou que estava pronto para se encontrar com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan somente após a retirada das tropas turcas da República Árabe. “Quanto ao encontro com Erdogan, está relacionado com a realização de uma fase em que a Turquia estará pronta de forma clara e sem qualquer incerteza para completar a retirada [dos militares turcos] do território da Síria. É como se ela estivesse antes da guerra na Síria. Esta é a única maneira de se encontrar com Erdogan”, disse Assad. Segundo ele, a Turquia desempenhou um papel negativo na guerra na Síria, apoiando organizações que Damasco considera terroristas e levando suas tropas para o território sírio. Ele observou o importante papel da Rússia na manutenção de boas relações com os lados sírio e turco, e também disse que “confiamos ao lado russo, que desempenhou o papel de intermediário para facilitar esses contatos”.