Boris Johnson renuncia ao cargo de primeiro-ministro britânico

“É desejo do Partido Conservador que haja um novo líder e um novo primeiro-ministro”, anunciou Johnson em discurso – Em frente à residência oficial do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson renunciou ao cargo nesta quinta-feira (7). “É desejo do Partido Conservador que haja um novo líder e um novo primeiro-ministro. E eu falei com o comitê do partido, e a questão de escolher esse novo líder deve acontecer agora. Até o novo líder aparecer, eu estarei aqui como interino”, afirmou. Johnson foi abandonado pelos ministros do governo. Até mesmo o ministro das Finanças, Nadhim Zahawi, que só foi nomeado para o cargo na quarta-feira (6), pediu a renúncia do premiê. Ele passou dias resistindo à renúncia, mas não obteve êxito. A situação política de Johnson ficou mais delicada após o deputado Chris Pincher, nomeado pelo premiê como vice-líder do governo, ter sido acusado de ter apalpado dois homens em um clube privado em Londres.
G7 articula mais sanções para enfraquecer fontes de receita de Moscou

O primeiro dia da cúpula do G7, realizada nos Alpes da Alemanha, no domingo (26), resultou na publicação de um documento de seis páginas de “apoio à Ucrânia” e também na divulgação de informações de um plano de infraestrutura do bloco que procura fazer frente a uma iniciativa similar da China, a Iniciativa do Cinturão e Rota. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, participou por videoconferência do evento e afirmou não ser hora de negociar com os russos, de acordo com informações de agências de notícias. Os líderes de Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Canadá e Japão reforçaram apoio ao que consideram a “defesa corajosa” da Ucrânia, e afirmaram não reconhecer as tentativas da Rússia de “redesenhar fronteiras à força”. O texto da declaração, que pode ser conferido na íntegra (em inglês) neste link, apresenta o cálculo de que US$ 29,5 bilhões (R$ 153 bilhões) “de apoio de orçamento” já foram entregues ou prometidos para Kiev. No tópico das sanções, a declaração conjunta do G7 defende que os países mais ricos que integram o bloco continuarão a prestar assistência à economia global para “ajudar a mitigar os efeitos” da atual situação, em especial em países de renda média e baixa. Isso porque as sanções contra a energia russa e as interrupções do fluxo do comércio de alimentos são um dos fatores que impulsionam a crise inflacionária observada em diferentes partes do mundo sobre itens essenciais, como trigo e petróleo. “Estamos comprometidos em sustentar e intensificar a pressão econômica e política internacional sobre o regime do presidente [Vladimir] Putin e seus facilitadores em Belarus, privando a Rússia dos meios econômicos para persistir em sua guerra de agressão contra a Ucrânia, e continuaremos nosso uso direcionado de sanções coordenadas o tempo que for necessário, agindo em uníssono em todas as fases”, comunicou o G7. “O G7 anunciará que proibiremos a importação de ouro russo, uma importante exportação que arrecada dezenas de bilhões de dólares para a Rússia”, afirmou o presidente dos EUA, Joe Biden. Em abril, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, afirmou após visitar a Ucrânia, que o objetivo dos EUA é ver uma “Rússia enfraquecida ao ponto de não poder fazer o tipo de coisa que fez ao invadir a Ucrânia”. Mais de US$ 6,1 bilhões em “assistência de segurança” já foram enviados pelos Estados Unidos para a Ucrânia desde o início da guerra, de acordo com o Departamento de Defesa dos EUA. O mais recente pacote de ajuda militar incluí oito embarcações militares. Do lado russo, o assessor presidencial de Vladimir Putin, Yury Ushakov, afirmou nesta segunda-feira (27) que é “muito cedo” para comentar os resultados do G7 e que ele poderia falar sobre os resultados da cúpula do Brics realizada na última semana, de acordo com informações da agência de notícias Tass. Avanço na competição com a China Os países do G7 também anunciaram o lançamento de um plano global de investimentos em infraestrutura para países em desenvolvimento. O anúncio se assemelha a um programa semelhante adotado pela China, a Iniciativa do Cinturão e Rota, também conhecida como Nova Rota da Seda. A União Europeia também tem um programa semelhante, formalizado em dezembro de 2021. Biden afirmou que um dos objetivos do novo programa, batizado de “Colaboração pela Infraestrutura Global e o Investimento”, é demonstrar os “benefícios concretos” de ter parcerias com “democracias”. De acordo com a Casa Branca, estão previstos investimentos na transição energética, energia nuclear, fabricação de vacinas, construção de hospitais na Costa do Marfim, expansão da conexão de 5G com “vendedores confiáveis”. Este é um setor em que as empresas chinesas têm vantagem tecnológica. No plano dos EUA, será construído um cabo submarino de internet que conectará Singapura até a França por meio do Egito e do Chifre da África. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, afirmou sobre o plano do G7 que Pequim “acolhe todas as iniciativas que ajudam a construir infraestrutura global”. “No entanto, nos opomos a declarações e ações que promovam cálculos geopolíticos e difamem a Iniciativa do Cinturão e Rota sob o pretexto de construir infraestrutura”, disse o diplomata chinês. Sob a presidência da Alemanha, o G7 deste ano termina na terça-feira (28). Brasil de Fato
Gustavo Petro é eleito primeiro presidente de esquerda da Colômbia

Principal liderança progressista do país, o ex-guerrilheiro venceu a disputa contra o empresário Rodolfo Hernández Após uma corrida eleitoral bastante disputada, o economista Gustavo Petro foi eleito presidente da Colômbia neste domingo (19). Petro, que participou de movimentos guerrilheiros nos anos 1980 e se consolidou como a principal liderança progressista do país nos últimos anos, será o primeiro presidente de esquerda da história do país. Segundo dados da contagem rápida do Cartório Nacional Eleitoral, a chapa formada por Petro e Francia Márquez conquistou 50,69% dos votos com 94,57% apurado. Hernández teve 47,05%. “Hoje é dia de festa para o povo. Que ele celebre a primeira vitória popular. Que tantos sofrimentos sejam amortecidos na alegria que hoje inunda o coração da Pátria. Esta vitória para Deus e para o Povo e sua história. Hoje é o dia das ruas e praças”, escreveu Petro nas rede sociais após ser eleito presidente. Hernández já admitiu a derrota enquanto o presidente Iván Duque, de extrema-direita, ligou para felicitar o presidente eleito. Hoy es dia de fiesta para el pueblo. Que festeje la primera victoria popular. Que tantos sufrimientos se amortiguen en la alegria que hoy inunda el corazon de la Patria. Esta victoria para Dios y para el Pueblo y su historia. Hoy es el dia de las calles y las plazas. — Gustavo Petro (@petrogustavo) June 19, 2022
Argentina é convidada para reunião do G7; Brasil é ignorado por anfitrião

É UMA VERGONHA ATRÁS DA OUTRA – Nação vizinha foi chamada a participar pela Alemanha. Foram convidados ainda África do Sul, Índia, Indonésia e Senegal. Isolamento internacional do Brasil por causa de Bolsonaro gera constrangimento no Itamaraty Aumenta ainda mais o isolamento internacional do Brasil. O país estará fora da próxima reunião do G7, clube dos sete países mais ricos do mundo, que será realizada em Schloss Elmau, na Alemanha, entre os dias 26 e 28 deste mês. A Argentina foi o único país da América Latina convidado pelo chanceler Olaf Scholz e teve o chamado aprovado pelo Bundestag, o parlamento alemão. África do Sul, Índia, Indonésia e Senegal foram os outros convidados pelos anfitriões. O desprezo dispensado ao Brasil governado pelo extremista Jair Bolsonaro e sua agenda de pautas e posturas incivilizadas vem legando à nação, que tinha um dos corpos diplomáticos mais respeitados do mundo, um esquecimento doloroso e constrangedor. No primeiro ano de governo do líder brasileiro de extrema-direita, 2019, o encontro do G7 foi em Biarritz, na França, e o país também foi deixado de fora, da mesma forma que na cúpula seguinte, em Cornwall, no Reino Unido, 2021. O encontro de 2020, que seria em Camp David, nos EUA, precisou ser cancelado por conta da pandemia. Embora não exista um critério claro para convidar nações de fora do G7, o país anfitrião, responsável por chamar os Estados convidados para a cimeira, considera normalmente o papel de destaque na comunidade internacional dessas nações. Com o isolamento total do Brasil no cenário mundial e suas políticas radicais e conflituosas adotadas a partir da chegada de Bolsonaro ao poder, cada vez mais as autoridades de Brasília vêm sendo deixadas de fora de qualquer encontro multilateral. Desta vez, caberá ao presidente Alberto Fernández representar a região na confraria dos países ricos. Revista Fórum
Com ampla vantagem Gustavo Petro disputa 2º turno com “Trump colombiano”

O candidato de esquerda, da Coalizão Pacto Histórico, faz história na Colômbia e chega ao segundo turno como favorito Com 40,32% dos votos, em 99,99% das urnas apuradas, o candidato de esquerda, Gustavo Petro, da Coalização Pacto Histórico, confirmou o favoritismo apontado nas pesquisas e ficou em primeiro na eleição presidencial da Colômbia, realizada neste domingo (29). Ele vai disputar o segundo turno, no dia 19 de junho, com Rodolfo Hernández, da Liga de Governantes Anticorrupção, conhecido como “Trump colombiano”, com 28,15%. Na terceira colocação ficou o candidato de direita, Federico Gutiérrez, da Coalizão Equipe pela Colômbia, com 23,91% dos votos. O adversário de Petro no segundo turno tem 77 anos, se autodenomina “Engenheiro Rodolfo Hernández”. Porém, é mais conhecido no país como o “Trump colombiano”, que, com sua fortuna, se apresentando como um outsider. Conheça mais sobre Petro e sua vice, Francia Márquez Gustavo Petro é formado em Economia. Foi prefeito de Bogotá e ex-guerrilheiro do grupo M-19, que atuava na luta armada. Em 2016, Petro foi um dos grandes articuladores da construção do acordo de paz do Estado com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), assinado em 2016 pelo então presidente Juan Manuel Santos. O grupo do qual Gustavo Petro fazia parte, o M-19, também foi beneficiado por um acordo semelhante ao assinado com as Farc, mas que se deu na década de 1990. Desde então, Petro atua na política convencional. A candidata a vice de Petro é Francia Márquez. Ela nasceu em La Toma Suárez, região de Cauca, no Oeste da Colômbia, e começou a ganhar destaque na cena política do país ao denunciar a mineração ilegal do Ouro, que afeta o ecossistema do rio Ovejas e mais de 250 mil pessoas de sua comunidade. Em 2018, Francia convocou um ato que lhe renderia o Prêmio Ambiental Goldman 2018 (conhecido como Nobel Ambienta). Ela reuniu 80 mulheres de sua região e, juntas, caminharam por dez dias cerca de 350 quilômetros até Bogotá. O ato tinha por objetivo fazer com que as autoridades “ouvissem” as demandas do movimento. Conhecida por ter uma retórica contundente e direta, Francia tem como bandeiras prioritárias o fim da desigualdade econômica das mulheres, a descriminalização do aborto, presença do Estado em regiões periféricas, erradicação do racismo estrutural e preservação do meio ambiente e da “mãe terra”, com ela costuma dizer. Revista Fórum
Atirador mata 19 crianças em escola primária na cidade de Uvalde, nos EUA

O agressor “atirou e matou, de forma horrível e incompreensível”, disse o governador do Texas – Allison Dinner / AFP Ao menos 21 pessoas foram assassinadas nesta terça-feira (24/05) durante um ataque armado em uma escola primária de Uvalde, cidade com 15 mil habitantes no sul do estado americano do Texas. O agressor “atirou e matou, de forma horrível e incompreensível”, disse o governador do Texas, Greg Abbott, em uma entrevista coletiva. Foram ao menos 19 crianças mortas e dois adultos, entre eles ao menos um professor. Segundo autoridades, o suspeito, identificado como Salvador Ramos, de 18 anos, foi morto em seguida por oficiais que reagiram ao ataque. Ele era morador de Uvalde e estava armado com um revólver e um fuzil semiautomático, disseram investigadores. Autoridades afirmaram ainda que, antes de partir em direção à escola, o suspeito atirou em sua avó – que foi transportada com vida a um hospital. O atentado foi iniciado às 11h32 locais (9h32 em Brasília), segundo a polícia, na Robb Elementary School, que ensina crianças de 7 a 10 anos de idade. Ainda não há confirmação sobre o número de feridos. O presidente americano, Joe Biden, que estava retornando de uma viagem à Ásia, foi informado sobre o ataque e “continuará a ser informado regularmente à medida que informações fiquem disponíveis”, disse a Casa Branca, que deixou a bandeira do país à meia-haste em luto pelas vítimas. “Suas orações estão com as famílias impactadas por este terrível evento, e ele falará esta noite quando voltar à Casa Branca”, disse Karine Jean-Pierre, a assessora de imprensa da Casa Branca. A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, afirmou após o atentado em Uvalde que “já basta”. “Precisamos ter a coragem de agir”, disse. O atentado é o pior em escolas americanas desde dezembro de 2012, quando um homem de 20 anos matou 26 pessoas, incluindo 20 estudantes, em uma escola primária em Connecticut. Surto de violência armada O ataque de terça-feira ocorreu menos de duas semanas depois que um atirador branco matou dez negros em um supermercado na segunda maior cidade do estado de Nova York, Buffalo. Biden definiu o ataque em Buffalo como um ataque terrorista. Os Estados Unidos têm sofrido repetidos ataques em massa e violência armada. De acordo com dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), foram registrados 19.350 homicídios com armas de fogo em 2020, um aumento de quase 35% em comparação com o ano anterior. Ainda assim, regras mais duras para controlar o acesso a armas fogo não conseguiram ser aprovadas no Congresso americano.
Varíola de macacos – doença rara acende alerta da Organização Mundial de Saúde

Homem brasileiro é o primeiro a ser infectado pelo vírus da varíola do macaco na Alemanha A infecção por varíola de macacos, doença que apareceu na Europa e recentemente nos Estados Unidos, tem preocupado a OMS (Organização Mundial de Saúde). A doença, comum de países africanos, apareceu em novos locais que ficam fora de seu ciclo epistemológico, entre eles, um brasileiro de 26 anos que está na Alemanha. A OMS afirma que está trabalhando com os países envolvidos e monitorando os novos casos. De acordo com a organização, a doença também conhecida por Monkeypox é uma enfermidade viral rara que geralmente ocorre em partes florestais da África central e ocidental. Porém, recentemente, casos da varíola dos macacos têm sido detectados em países como Canadá, Grã-Bretanha, Itália, Irlanda do Norte e Espanha. O primeiro país a relatar casos da doença foi o Reino Unido, no dia 7 de maio. Autoridades alemãs identificaram o vírus pela primeira vez no país em um brasileiro que chegou à Alemanha vindo de Portugal, após passar pela Espanha. Segundo o Instituto de Microbiologia da Bundeswehr, ligado às Forças Armadas alemãs, o vírus foi detectado na quinta-feira (19). Também na quinta-feira autoridades portuguesas confirmaram ter identificado cinco casos da infecção por varíola dos macacos. Os serviços de saúde da Espanha estão testando 23 casos em potencial, depois que o Reino Unido colocou a Europa em alerta para o vírus. A doença Os sintomas da enfermidade incluem febre, dores de cabeça e erupções cutâneas que começam no rosto e se espalham para o resto do corpo. A maioria das pessoas infectadas costuma recuperar-se em algumas semanas. Ainda segundo a OMS, a Monkeypox é transmitido durante o contato próximo entre indivíduos por meio de lesões cutâneas infectadas, gotículas exaladas ou fluidos corporais, incluindo contato sexual, ou com materiais contaminados. “A OMS está trabalhando com os países envolvidos – facilitando o compartilhamento de informações e apoiando a detecção de casos e a investigação de eventos. Ele continua a monitorar de perto a situação em rápida evolução e produzirá edições atualizadas do Disease Outbreak News sobre a varíola dos macacos à medida que novas informações estiverem disponíveis”, diz a Organização em comunicado. Agência Brasil
Rússia proíbe que Joe Biden e secretário de Estado dos EUA entrem no país

Mais de 960 cidadãos norte-americanos estão entre os alvos da medida A Rússia anunciou neste sábado (21) que proibiu a entrada no país de 963 norte-americanos, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o secretário de Estado, Antony Blinken, e o chefe da CIA, William Burns. As proibições de viagem têm apenas um impacto simbólico, mas fazem parte de uma constante espiral descendente nas relações da Rússia com os Estados Unidos e seus aliados desde a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro
Elon Musk: a compra do Twitter e o ‘direito’ de ofender e mentir

O anúncio da compra do Twitter pelo bilionário norte-americano Elon Musk trouxe um misto de tristeza e revolta para quem luta contra as fake news e uma alegria incontida para a extrema-direita em todo o mundo. Mas é preciso uma análise que vá além da dicotomia e dos 280 caracteres. A partir das declarações do próprio Elon Musk surgem pelo menos algumas motivações para a compra e uma provável mudança na curadoria de conteúdo dessa plataforma. Por Renata Mielli* e Gustavo Alves** Esse pressuposto é fundamental para entender porque um bilionário que não tem nenhuma atuação nas plataformas de tecnologia resolveu investir US$ 43 bilhões numa empresa avaliada em pouco mais de US$ 38 bilhões e que no ano passado registrou um prejuízo líquido de US$ 221 milhões. A primeira constatação é que ele comprou a empresa para acabar com o pouco de conquistas que a sociedade obteve no processo recente de pressão para que as Big Techs desenvolvessem algum contrapeso para reduzir a disseminação de desinformação e discurso de ódio. Isso escamoteado pelo argumento da defesa fundamentalista da “liberdade de expressão”, vista como um direito absoluto e que inclusive se sobrepõe a outros direitos. Mas é preciso enfrentar essa retórica oportunista e não ficar na defensiva para afirmar que não existem direitos absolutos, que estabelecer limites para o exercício desta liberdade é tão fundamental quanto a sua própria existência. Não cabe na liberdade de expressão, por exemplo, racismo, homofobia, apologia à morte ou aniquilação de grupos sociais, discursos que atentem contra a vida. Nada disso é opinião que possa ser livremente expressada. Nem em espaços privados como círculos de amigos ou familiares, muito menos em ambientes nos quais se realiza o debate público, como no caso das Plataformas de Redes Sociais. Por isso, quem defende – como Musk, que o Twitter e outras plataformas sejam “arenas livres”, na prática estão colocando em risco as poucas conquistas que a sociedade conseguiu avançar no debate sobre a necessidade de haver mais regras sobre a atividade dessas plataformas, como o reconhecimento tímido do papel deletério da amplificação algorítmica pelas plataformas. Sob pressão da sociedade, o Twitter patrocinou um estudo para entender qual a possibilidade de seu algoritmo valorizar ou impulsionar uma determinada ideologia política e embora o Twitter tenha divulgado as descobertas da pesquisa em outubro de 2021, só agora o estudo foi publicado na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences, publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos), após ter sido revisado por outros cientistas. O estudo analisou uma amostra de 4% de todos os usuários do Twitter que foram expostos ao algoritmo (mais de 46 milhões) e também analisou um grupo de controle de 11 milhões de usuários que nunca receberam tweets recomendados automaticamente em sua timeline. A face visível da ação do algoritmo do Twitter é a exposição entre as postagens das contas que você segue, tweets marcados como “você pode gostar”. Ou seja, o algoritmo está recomendando conteúdo para você. Isso é feito usando os dados da sua atividade anterior na plataforma, como os tweets que você curtiu ou retuitou. Uma equação estatística aplicada a estes dados lastreia o “aprendizado de máquina”. Assim o computador, em tese, aprende automaticamente com as preferências do usuário e aplica isso a dados que o sistema não viu antes. Mas existe um fantasma presente nessas equações: o viés. Que segundo esse estudo reforça preconceitos humanos e amplificou os discursos de “direita”. O estudo analisou o efeito de “amplificação algorítmica” em tweets de 3.634 políticos eleitos de sete países com grande base de usuários no Twitter: EUA, Japão, Reino Unido, França, Espanha, Canadá e Alemanha. A pesquisa mostrou que em seis dos sete países (a Alemanha foi a exceção), o algoritmo favoreceu significativamente a amplificação de tweets de fontes politicamente inclinadas à direita. No Canadá por exemplo, os tweets dos liberais foram amplificados em 43%, contra os dos conservadores em 167% e no Reino Unido os tweets dos trabalhistas foram amplificados em 112%, enquanto os conservadores foram amplificados em 176%. Outro aspecto revelado pelo estudo foi amplificação algorítmica de notícias políticas. O estudo analisou a amplificação algorítmica de 6,2 milhões de notícias políticas compartilhadas nos EUA. E chegou à conclusão que a amplificação das notícias também segue o mesmo padrão. Ou seja, há uma exposição maior dos conteúdos de direita, fake news e desinformação. Esse estudo só foi realizado graças a intensa cobrança da sociedade e após a tentativa de invasão do Congresso americano pela turba fascista alimentada por Trump. Pois bem, quando se começa a vislumbrar a chance de se entender como os algoritmos alimentam a disseminação de desinformação e discurso de ódio, eis que surge Elon Musk. Musk é mais um expoente dos fundamentalistas da liberdade de expressão. Para ele, não deve haver limites, o que significa que não deve haver qualquer tipo de moderação sobre o que se diz nas redes sociais. Outro defensor dessa tese é o presidente Bolsonaro. Segundo Musk, ele quer transformar o Twitter numa “arena de livre discurso”. Ele afirma que irá democratizar o Twitter apostando na abertura do código fonte (a programação interna do Twitter) para que os mecanismos de operação sejam conhecidos e explorados por programadores. Uma promessa vazia cheirando a “Ouro de Tolo” feita pela mesma pessoa que usou sua conta para atacar pessoas transgêneros e as políticas de combate à transmissão da Covid-19. A liberdade de expressão tem sido usada – de forma tão indevida, oportunista e equivocada – por expoentes da extrema direita, bilionários e representantes do grande capital. A economia atual é dinamizada pelo modelo de negócios que usa o discurso como mobilizador da atenção. E o que chama mais atenção é o discurso de ódio, é o preconceito, é a polarização social baseada em grupos que se comportam como torcedores raivosos e não como cidadãos que discutem temas de interesse público e social. Somos todos sugados pela força centrípeta dos estímulos incessantes provocados pelas redes de alienação e agimos como autômatos reproduzindo, curtindo,
Derrota da extrema-direita – Emmanuel Macron é reeleito presidente da França

Atual presidente foi reeleito com 58,2% dos votos válidos diante de 41,8% da candidata da extrema direita, de acordo com os primeiros resultados divulgados neste domingo (24). Pela segunda vez consecutiva, Emmanuel Macron, do partido República em Marcha, venceu as eleições presidenciais na França contra Marine Le Pen (Reunião Nacional). De acordo com a Rádio França Internacional, Macron obteve 58,2% dos votos válidos diante de 41,8% da candidata da extrema direita. As projeções divulgadas no início da noite são uma estimativa realizada por institutos de pesquisa a partir da apuração de votos de uma mostra de seções de eleitores em todos os territórios do país. Os números serão aprimorados ao longo da noite conforme a apuração avance. Segundo esses primeiros dados, após uma campanha marcada pela guerra na Ucrânia e pela alta da inflação, que afetou o poder aquisitivo da população, os franceses decidiram apostar novamente em Emmanuel Macron. Muitos dos eleitores de Macron foram às urnas para bloquear a chegada ao poder da extrema direita, com a candidata Marine Le Pen, que admitiu a derrota minutos após o fechamento das urnas. Macron é o primeiro presidente a ser reeleito na França desde o conservador Jacques Chirac (1995-2007). “Obrigado por estarem aqui novamente”, disse aos mesários após votar na cidade costeira de Le Touquet, no norte francês, neste domingo, de acordo com o portal G1. Marine Le Pen já havia votado mais cedo em seu reduto de Hénin-Beaumont, também no norte do país. Com informações dos portais da RFI e do G1.