Novo chanceler do Brasil defende diplomacia sem exclusões e sem preferências ideológicas.

Em discurso de posse, o novo ministro da Relações Exteriores, Carlos Alberto Franco França, ignorou a gestão de Ernesto Araújo e defendeu diálogo com o Congresso Nacional e “urgência climática” Ao contrário do seu antecessor, Ernesto Araújo, o novo Chanceler do Brasil, o ministro Carlos Alberto Franco França, ao tomar posse na manhã desta terça-feira (6) defendeu “uma diplomacia da saúde” para combater a pandemia e articulação internacional sem preferências ideológicas. “Meu compromisso, enfim, é engajar o Brasil em intenso esforço de cooperação internacional, sem exclusões. E abrir novos caminhos de atuação diplomática, sem preferências desta ou daquela natureza”, disse Franco. O novo ministro das Relações Exteriores definiu como prioridade número um o combate à pandemia. ”A primeira urgência é o combate à pandemia da Covid-19. Sabemos todos que essa é tarefa que extrapola uma visão unicamente de governo. E que, no governo, compete também ao Itamaraty, em conjunto com o Ministério da Saúde. As Missões diplomáticas e Consulados do Brasil no exterior estarão cada vez mais engajados numa verdadeira diplomacia da saúde.” “Em diferentes partes do mundo, serão crescentes os contatos com governos e laboratórios, para mapear as vacinas disponíveis. Serão crescentes as consultas a governos e farmacêuticas, na busca de remédios necessários ao tratamento dos pacientes em estado mais grave. São aportes da frente externa que podemos e devemos trazer para o esforço interno de combate à pandemia. Aportes que não bastam em si, mas que podem ser decisivos”, prometeu o novo chanceler. Franco também afirmou que, em consonância com o presidente Bolsonaro, entende a urgência da agenda econômica e que “o povo brasileiro quer vacina e quer emprego”. “E para crescer, e gerar mais empregos, a agenda da modernização da economia é fundamental. Essa não é agenda estritamente doméstica, por mais cruciais que sejam – e são – as reformas que o Presidente da República promove aqui dentro. Não há modernização sem mais comércio e investimentos, sem maior e melhor integração às cadeias globais de valor – daí o significado da nossa pauta de negociações comerciais”, afirmou Franco em contraste com a gestão anterior do Itamaraty. Alberto Franco também destacou o papel do Brasil nos órgãos internacionais e afirmou que a discordância de ideias e valores devem acontecer, mas sempre no âmbito do diálogo diplomático. “O Brasil sempre foi ator relevante no amplo espaço do diálogo multilateral. Isso não significa, como é evidente, aderir a toda e qualquer tentativa de consenso que venha a emergir, nas Nações Unidas ou em outras instâncias. Não precisa ser assim e não pode ser assim. O que nos orienta, antes de tudo, são nossos valores e interesses. Em nome desses valores e interesses, continuaremos a apostar no diálogo como método diplomático”, disse o ministro. Ao tratar da “urgência climática”, o novo ministro afirmou que o Brasil precisa mostrar que está “na vanguarda do desenvolvimento sustentável e limpo”. “Temos a mostrar ao mundo uma matriz energética que é predominantemente renovável. Um setor elétrico que, três vezes mais limpo do que a média mundial, já pode ser considerado de baixo carbono.” O chanceler também disse que é preciso destacar e mostrar para o mundo que, a agropecuária brasileira “além de ser capaz de alimentar o planeta, tem a marca da sustentabilidade. Quarenta anos de investimentos em ciência nos permitiram produzir mais com relativamente menos terra e com melhor uso do solo. Quem importa alimentos do Brasil, Presidente Bolsonaro, importa tecnologia”. Diferente de seu antecessor, Franco afirmou, ao finalizar o seu discurso, que o “ofício do diplomata” é ser “um construtor de pontes”. Veja o discurso do novo ministro das Relações Exteriores, na íntegra, aqui. Do “globalismo” à “urgência climática” Ainda é cedo para saber como será o trabalho do novo Chanceler do Brasil, Carlos Alberto Franco França, mas, em uma rápida comparação com o discurso de posse de Ernesto Araújo, que deixa o posto, fica nítida a diferença entre ambos e, ao que tudo indica, a diplomacia, no lugar do obscurantismo ideológico, deve prevalecer com a nova gestão. Em seu discurso de posse, Ernesto Araújo alçava o recém-eleito presidente Bolsonaro ao posto de “salvador da nação brasileira”. “Essa convicção íntima e profunda animou o presidente Jair Bolsonaro na luta extraordinária que ele travou e está travando para reconquistar o Brasil e devolver o Brasil aos brasileiros. Nesse versículo de São João há três conceitos cruciais para o pensamento humano, para a vida humana e para o nosso momento histórico. Nós temos Gnosis, que é o conhecimento, Aletheia, a verdade, e Eleuthería, a liberdade”, disse à época Araújo. Em outro momento, Araújo chegou a afirmar que iria libertar a diplomacia do Brasil, mas até hoje não revelou do que necessariamente. “O presidente Bolsonaro está libertando o Brasil, por meio da verdade. Nós vamos também libertar a política externa brasileira, vamos libertar o Itamaraty, como o presidente Bolsonaro prometeu que faríamos, em seu discurso de vitória.” Chegou mesmo a atacar a “ordem global” e dizer que o seu trabalho era pelo Brasil. “Não estamos aqui para trabalhar pela ordem global. Aqui é o Brasil. Não tenham medo de ser Brasil. Não tenham medo”, disse Araújo, revelando que, de fato, o Itamaraty deixaria de construir pontes internacionais. E, em um completo contrassenso Araújo chegou a afirmar que “o Itamaraty existe para o Brasil, não existe para a ordem global […] A partir de hoje, o Itamaraty regressa ao seio da pátria amada. O Itamaraty voltou, porque o Brasil voltou.” “Hoje escutamos que a marcha do globalismo é irreversível. Mas não é irreversível. Nós vamos lutar para reverter o globalismo e empurrá-lo de volta ao seu ponto de partida. Nós queremos levar a toda parte o grito sagrado da liberdade, eleuthería. Esse foi o primeiro grito de guerra do Ocidente em seu nascimento”, exortou Ernesto Araújo. Lembrar e comparar esses trechos do discurso de posse de Ernesto Araújo ajudar a entender por que o novo ministro ignorou a gestão dele, pois, assim como o seu discurso, o trabalho do ex-chanceler não trouxe nada de produtivo ao

Washington Post diz que Bolsonaro prepara golpe contra quem quer tirá-lo da presidência

 “O presidente brasileiro já contribuiu muito para o agravamento da pandemia covid-19 em seu próprio país e, por meio da disseminação da variante brasileira, pelo mundo. Ele não deve ter permissão para destruir uma das maiores democracias do mundo também”, diz o jornal dos EUA Em editorial nesta sexta-feira (2), o jornal Washington Post, um dos mais influentes dos EUA, afirma que “em vez de lutar contra o coronavírus, Bolsonaro parece estar preparando as bases para outro desastre: um golpe político contra os legisladores e eleitores que poderiam removê-lo do cargo”. Entre as ameaças vistas por Bolsonaro, segundo o Post, estariam os pedidos de impeachment no congresso e “o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva emergindo como um potente adversário nas eleições do ano que vem”, fatores que teriam motivado as demissões dos comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica, além das trocas em ministérios. “As medidas foram suficientes para levar seis prováveis ​​candidatos à presidência a emitir uma declaração conjunta alertando que ‘a democracia do Brasil está ameaçada’. ‘O claro plano de apoio do Bolsonaro’, escreveu o editor-chefe Brian Winter no Americas Quarterly, ‘é ter tantos homens armados do seu lado quanto possível no caso de um impeachment ou um resultado adverso na eleição de 2022′”, diz o jornal, sobre o armamento de grupos de apoiadores pelo presidente brasileiro. O WP lembra que mesmo após três decadas de consolidação das instituições democráticas “há motivos para preocupação” e fala da “admiração” de Bolsonaro pela ditadura militar que governou o país nas décadas de 1960 e 1970. “O presidente brasileiro já contribuiu muito para o agravamento da pandemia covid-19 em seu próprio país e, por meio da disseminação da variante brasileira, pelo mundo. Ele não deve ter permissão para destruir uma das maiores democracias do mundo também”, afirma o jornal estadunidense. Via Revista Fórum

Tribunal russo multa Twitter em mais de US$ 110 mil por não remover “dados ilegais”

 Moscou avisou anteriormente que poderia aplicar uma multa no Twitter, assim como em outras redes sociais e aplicativos, por violar as leis russas ao disseminar materiais ilegais Sputnik – Um tribunal de Moscou, Rússia, multou a rede social Twitter por esta se recusar a remover de sua plataforma dados que violam a lei russa. A assessoria de imprensa do tribunal afirmou à Sputnik que a rede social norte-americana será obrigada a pagar três multas, uma de quase US$ 42.000 (aproximadamente R$ 239 mil), outra no valor de US$ 43.000 (R$ 245 mil), e mais uma no valor de US$ 31.500 (R$ 179 mil), totalizando US$ 116.500 (R$ 665 mil). O Twitter deve pagar as multas no prazo de 60 dias a partir da entrada em vigor das sentenças. O Serviço Federal de Vigilância na Área das Comunicações, Tecnologias da Informação e Mass Media (Roskomnadzor, na sigla em russo) havia apresentado três queixas contra o Twitter sob o Código de Ofensas Administrativas sobre a falha da plataforma em excluir informações. Em março, o Roskomnadzor reduziu a velocidade de conexão do Twitter na Rússia devido a rede social não deletar conteúdo nocivo a crianças e ligado ao consumo de drogas. O órgão russo ameaçou bloquear a rede social caso o Twitter não cumpra as leis russas no território do país. “Em caso de insistência em ignorar as exigências da lei por parte do serviço Twitter, as medidas de influência continuarão, de acordo com o regulamento de resposta (até o próprio bloqueio), enquanto os apelos ao suicídio de menores de idade, pornografia infantil e informações sobre o uso de drogas não sejam deletados”, acrescentou o órgão. Outras redes sociais e aplicativos, como Facebook, Telegram e TikTok foram avisadas que podem ser multadas por violar as leis russas ao disseminar materiais ilegais, incluindo aqueles que convocam os cidadãos russos a participarem de manifestações não autorizadas.

Cientistas russos conseguem modernizar vacina Sputnik V em 2 dias para vencer novas cepas

O Centro Gamaleya da Rússia desenvolveu um mecanismo de modernização da vacina contra a covid-19 Sputnik – O Centro Gamaleya da Rússia está discutindo a necessidade de realizar todas as fases de ensaios clínicos com uma vacina incrementada. Seu diretor, Aleksandr Gintsburg, revelou à Sputnik que os cientistas do centro criaram uma tecnologia, baseada em vetores de adenovírus, para modernização da vacina contra o novo coronavírus. “É a mesma tecnologia baseada em vetores de adenovírus, onde na sequência de proteína S, com a estrutura inicial alterada, literalmente em um dia é sintetizada uma sequência nova, e no dia seguinte é implantada dentro do vetor já usado. Praticamente, você tem uma construção de engenharia genética que pode ser usada como um medicamento de vacinação”, explicou Gintsburg. Atualmente, está sendo discutido se é preciso realizar todas as fases de ensaios clínicos da nova vacina, segundo o diretor do Centro Gamaleya. Gintsburg relembrou que, na prática mundial, há exemplos de quando um medicamento é testado em um número limitado de pessoas, em até cem voluntários. “Se [a vacina] dá o mesmo efeito de proteção adequado, mas contra uma nova cepa, é possível começar sua produção em massa. Espero que atos semelhantes sejam aprovados em nosso país”, disse Gintsburg. Cepa da África do Sul Além disso, o diretor do Centro Gamaleya da Rússia revelou que a vacina russa Sputnik V é eficaz contra a cepa sul-africana da covid-19, e o estudo da questão continua. “[Proteção] contra a cepa britânica foi estudada, há 100% de proteção. Também há proteção contra a cepa sul-africana, e nós continuamos a estudando”, revelou Gintsburg. Em agosto de 2020, o Ministério da Saúde da Rússia registrou a primeira vacina contra a covid-19 do mundo, desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, chamada Sputnik V. O imunizante é baseado na plataforma de adenovírus humano. Além da Sputnik V, a Rússia registrou a vacina EpiVacCorona, desenvolvida pelo Centro Estatal de Pesquisa de Virologia e Biotecnologia Vektor, e a vacina CoviVac, do Centro Federal de Pesquisas Chumakov. Em meados de dezembro de 2020, foi descoberta uma mutação do novo coronavírus no Reino Unido. A mutação britânica da covid-19 se propaga mais rápido do que o vírus original. Além disso, novas variantes do vírus foram descobertas no Brasil, Índia, África do Sul e em outros países.

Papa Francisco diminui salário dos cardeais de Roma. Por quê? Por Mirticeli Medeiros*

 Em decisão histórica, Francisco reduz em 10%, e por tempo indeterminado, o salário dos cardeais que atuam em Roma (AFP/ Vincenzo Pinto) Austeridade é palavra de ordem no governo do papa jesuíta Como o resto do mundo, o Vaticano está em crise. Recentemente, a Secretaria de Economia da instituição publicou seu balanço anual, que prevê déficit de 49,7 milhões de euros. Motivo: atividades comerciais em queda (atrações turísticas e museus fechados); menos doações à Igreja e setor imobiliário pouco movimentado por causa da crise. Diante disso, qual a atitude do papa? Evitar, a todo o custo, as demissões. O pontífice disse que nenhum funcionário do Vaticano ficará sem emprego, independente do que aconteça. O pequeno Estado mantém, atualmente, cerca de 5 mil funcionários. Dentre os quais mais de 3 mil não são religiosos. Mas para tomar esse tipo de decisão, outros cortes tiveram que ser feitos. E num ato corajoso, Francisco mexeu, justamente, no bolso de seus mais estreitos colaboradores: os cardeais. Preferiu sacrificá-los a reduzir a remuneração dos pais de família que dependem do Vaticano. Um cardeal que trabalha no pequeno Estado ganha, atualmente, cerca de 5. 500 mil euros (pouco mais de 36 mil reais, na cotação atual). Além disso, eles não pagam impostos na Itália (porque são cidadãos do Vaticano) e moram em ‘apartamentos funcionais’ cedidos pela instituição. Com a medida, eles passarão a receber 4.950 mil euros – menos 10%. Mesmo assim, é um valor acima da média, se compararmos à realidade italiana. Para se ter uma ideia, um funcionário público, no país, fatura metade disso. Um gerente de banco, por exemplo (um dos cargos mais bem pagos na Itália), embolsa cerca de 4 mil euros ao mês. Vale salientar que a medida se aplica somente aos cardeais que trabalham no Vaticano. São eles que, em sua maioria, coordenam os dicastérios (ministérios) da Cúria Romana, como no caso da Congregação para a Doutrina da Fé, Institutos de Vida Consagrada, Culto Divino, etc. Como vimos, o valor da remuneração ultrapassa o recebido por trabalhadores formais na Itália. Porém, enquanto ministros de um Estado (no caso, o Vaticano), os purpurados recebem menos que um ministro do governo italiano, cujo salário varia entre 9 mil e 12 mil euros ao mês. Os outros cardeais, que geralmente são arcebispos de grandes cidades pelo mundo, são mantidos pelas dioceses que coordenam. Os italianos recebem entre 1.400 e 3 mil euros. A decisão de Francisco foi publicada em forma de motu proprio (um documento pontifício que exprime um desejo pessoal do papa). É a segunda vez que ele, dentro do seu projeto de reforma das finanças vaticanas, mexe no dinheiro dos purpurados. E explicou que a mudança não foi motivada somente pela crise provocada pela pandemia. O texto também diz que o objetivo é seguir os “critérios da proporcionalidade e da progressividade”, de modo que “os postos de trabalho, daqui pra frente, sejam salvaguardados”. Em 2013, após ser eleito, o papa argentino retirou o bônus de 2 mil euros que era concedido aos cardeais da Comissão do Banco do Vaticano (IOR). Na época, para conter gastos, também congelou o salário de todos os empregados do Vaticano. Desta vez, além dos cardeais, chefes de outros organismos da Cúria Romana, bem como religiosos e padres, que não necessariamente assumem cargos de direção, terão redução na folha de pagamento. Menos 8% para o primeiro grupo e menos 3% para o segundo. Os cardeais, que trabalham em Roma, sempre receberam uma contribuição? A remuneração dada aos cardeais, que por muito tempo foi chamada de “piatto cardinalizio” – do italiano, “prato cardinalício” – foi estabelecida, formalmente, no século 15, pelo papa Paulo III. Porém, para que o cardeal pudesse receber a remuneração, alguns critérios deveriam ser observados. O beneficiado não poderia pertencer a uma família nobre nem receber nenhum tipo de sustento do soberano do território de proveniência. O prato, nesse caso, servia para suprir o que faltava à manutenção daquele cardeal em Roma, um auxílio “ao prato do pobre cardeal”. Atualmente, o Vaticano prefere usar o termo “contribuição cardinalícia” quando se refere à remuneração recebida pelos cardeais que atuam na Cúria Romana. *Mirticeli Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras

Fora de controle no Brasil, pandemia começa a se espalhar para países vizinhos

Ponte da Amizade, na fronteira com o Paraguai: crise que se alastra (Paulo Lisboa/AFP) Número de casos de Covid-19 tem aumentado nas regiões fronteiriças e preocupa Ponte da Amizade, na fronteira com o Paraguai: crise que se alastra A grave situação da pandemia no Brasil, com recordes de mortes e o sistema de saúde em seu limite, espalhou-se para o restante da América do Sul, colocando em xeque até o Uruguai, considerado até agora um exemplo de contenção do coronavírus. “Infelizmente, a terrível situação do Brasil também afeta os países vizinhos”, declarou a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Carissa Etienne. É “crucial” reforçar as medidas, advertiu. A agência destacou o aumento de casos de Covid-19 nos estados venezuelanos de Bolívar e Amazonas, bem como no departamento (estado) de Pando, na Bolívia, e em Loreto, no Peru, todos vizinhos do Brasil. A circulação massiva da cepa brasileira, ou P.1, uma mutação do Sars-CoV-2 muito mais virulenta, está no centro dessa nova onda. Após ser detectada em Manaus no final de 2020, muitos países suspenderam as ligações aéreas e terrestres para viajantes do Brasil, na tentativa de impedir sua propagação. Mas, três meses depois, a variante já foi identificada em 32 países e territórios das Américas. “Emergência de saúde pública ativa” O panorama é crítico no Brasil. A flexibilização das restrições ordenadas pelos governos estaduais, especialmente durante o Natal e o carnaval, levou a uma “emergência de saúde pública ativa”, disse Etienne. Na terça-feira, o país bateu novo recorde ao registrar 3.251 mortes em 24 horas. Um dia depois, ultrapassou a marca de 300 mil vítimas fatais, enquanto 12,2 milhões de seus 210 milhões de habitantes já foram infectados. A pressão levou o presidente Jair Bolsonaro, cético em relação ao vírus e obstinado opositor do confinamento, a formar na quarta-feira um comitê de crise “para decidir o rumo do combate” à pandemia. A decisão chega no momento em que 23 dos 26 estados e o Distrito Federal relatam 85% de ocupação das Unidades de Terapia Intensiva, e as denúncias de escassez de oxigênio e outros insumos médicos se multiplicam. Manaus registrou em fevereiro uma média semanal de 110 mortes diárias, quase o triplo da primeira onda. “Não foi só o sistema de saúde que entrou em colapso. Também faltavam insumos e oxigênio. Foi algo dramático, desesperador”, disse Adele Benzaken, médica da cidade de 2,2 milhões de habitantes. “Você não tem ideia de como é ver parentes correndo para conseguir um cilindro de oxigênio. Havia brigas nos lugares onde se vendia”, contou. Cepa brasileira Quase 24 milhões das 600 milhões de pessoas que vivem na América Latina e no Caribe contraíram a Covid, e 753 mil morreram, de acordo com um balanço da AFP. Vários países, incluindo Uruguai, Venezuela e Peru, atribuíram oficialmente a forte escalada de infecções à ferocidade da cepa P.1. O ministro da Saúde do Peru, Óscar Ugarte, disse na quarta-feira (24) que um estudo baseado em “uma amostragem em toda Lima” mostrou que 40% das infecções são causadas por ela. Com 2,8 mil quilômetros de fronteira com o Brasil, o Peru identificou essa cepa pela primeira vez em janeiro, na região amazônica de Loreto. Quanto ao Uruguai, até recentemente elogiado por conter a epidemia sem recorrer à quarentena, agora enfrenta “uma situação complexa” que pressiona seu sistema de saúde, admitiu seu presidente, Luis Lacalle Pou. Os novos casos de Covid atingiram esta semana uma alta diária de 2.682, e a taxa de positividade ficou em 17,89% na quarta-feira, um dos maiores picos desde março de 2020. Apesar do avanço explosivo e do clamor dos sindicatos médicos, Lacalle resiste em confinar a população “por uma questão de princípio”, mas adotou novas medidas de restrição, reduzindo algumas horas de expediente, suspendendo a frequência presencial escolar e shows e fechando escritórios públicos. Confinamento total As campanhas de imunização, que avançam em velocidades diferentes na região, ainda não trouxeram alívio. O Chile vive a experiência agridoce de liderar a vacinação – junto com Israel – e, ao mesmo tempo, sofrer uma retomada brutal da epidemia, que atingiu um novo máximo quando ultrapassou 7 mil infecções diárias. “São fenômenos que ocorrem em vias totalmente diferentes”, explica o presidente da Sociedade Chilena de Medicina Intensiva, Darwin Acuña. O impacto da vacina para a população de maior risco “ainda não se viu, porque a população de risco acaba de receber a segunda dose”, disse o médico, que acredita que apenas em abril “se verá um efeito real”, por exemplo, na ocupação dos leitos de terapia intensiva. Com quase 1 milhão de infectados e mais de 22 mil mortos, o país decretou confinamento obrigatório, a partir desta quinta-feira, para 70% de sua população. No fim de semana, quando um toque de recolher se aplica, a medida vai atingir 90% dos chilenos. Na Venezuela, em função do aumento de casos, uma “quarentena radical” está em vigor desde segunda-feira e deve durar duas semanas, após meses de flexibilização. Ainda assim, seus números oficiais continuam baixos, em termos comparativos. Com 30 milhões de habitantes, tem 152 mil infecções e 1.511 mortes, números questionados por diversos observadores. Também com números inéditos e sem leitos disponíveis para casos graves em hospitais públicos e privados, o Paraguai decretou o fechamento total, exceto para atividades essenciais, a partir de sábado e por uma semana, anunciou na quarta-feira o presidente Mario Abdo. Sua gestão da pandemia gerou protestos, exigindo sua renúncia. AFP/Dom Total

Jornal do Vaticano dedica amplo espaço ao agradecimento de Lula ao Papa Francisco

 A coletiva do ex-presidente mereceu chamada e matéria, especialmente sobre as palavras de Lula em agradecimento pelo apoio que recebeu do Pontífice quando estava preso O Jornal do Vaticano, “Il Messaggero”, dedicou amplo espaço ao discurso do ex-presidente Lula, nesta quarta-feira (10). O tema mereceu chamada e matéria sobre as palavras do ex-presidente, que agradeceu o apoio do Papa Francisco, no momento em que estava preso injustamente na sede da superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. O texto diz que “entre as primeiras palavras que Lula proferiu, na primeira entrevista coletiva após a anulação por um juiz do Supremo Tribunal Federal das sentenças de prisão por corrupção a ele atribuídas, foram ao Papa Francisco e à solidariedade que nunca lhe faltou”. A matéria se refere tanto ao agradecimento de Lula pelo apoio que recebeu do Pontífice, quando estava na prisão, quando ao fato de Francisco ter recebido o ex-presidente, em fevereiro de 2020, no Vaticano. Depois, o texto reportou momentos da coletiva de Lula, com destaque para as palavras do ex-presidente em relação à perseguição que sofreu. “Lula se definiu como vítima da ‘maior mentira judicial em 500 anos’, repetindo que as acusações contra ele foram forjadas para excluí-lo da corrida presidencial de 2018, que foi vencida posteriormente pelo atual presidente Bolsonaro”. Afeto e solidariedade Ao Papa Francisco, Lula dirigiu palavras de afeto pela solidariedade demonstrada. “Gostaria de lhe agradecer muito, esteve perto de mim e enviou uma pessoa para me visitar enquanto estava detido para me entregar uma carta”. O ex-presidente também lembrou “o encontro com o Pontífice e a longa conversa que ele teve sobre um tema caro a ambos: ‘a pior injustiça que vivemos neste mundo’, pobreza e desigualdades sociais”, diz a reportagem.

ORIENTE MÉDIO – Papa Francisco inicia viagem histórica ao Iraque nesta sexta-feira (5)

 Papa Francisco chega ao Iraque na manhã desta sexta-feira (5) e permanece no país até a segunda (8) – Sabah Arar/AFP  Esta é a primeira vez que o papa viaja ao país de maioria xiita; o objetivo é transmitir uma mensagem de paz Em uma visita inédita ao Iraque, o papa Francisco inicia, nesta sexta-feira (5), a 33ª viagem internacional de seu pontificado. Até a próxima segunda-feira (8), o pontífice cumpre uma agenda de encontros com autoridades e religiosos, tanto cristãos quanto muçulmanos, em uma jornada cheia de simbolismos e pela defesa da paz. Esta é a primeira viagem de um papa a um país muçulmano de maioria xiita. Iraque é um dos países mais perigosos do mundo. Em janeiro, um duplo atentado terrorista teve como vítimas fatais 35 pessoas em Bagdá. Antes disso, há quase um ano e meio a cidade não registrava atentados. No último mês, houve pelo menos quatro ataques contra bases militares dos Estados Unidos. Já do ponto de vista da pandemia, o país registra cerca de 5 mil novos contágios por dia e já faleceram mais de 13 mil pessoas. Apesar disso, o Papa Francisco considera a viagem um risco controlado e não quer cancelar a visita. “O povo iraquiano nos espera; esperava São João Paulo II, a quem proibiram de ir. Não se pode decepcionar um povo pela segunda vez”, declarou antes da visita. A viagem inclui um encontro com o aiatolá Ali Al Sistani, a maior autoridade dos muçulmanos xiitas do país. O religioso iraquiano rompeu os protocolos e receberá o Papa de pé, em sinal de respeito. Além da capital Bagdá, o Papa vai passar por Najaf, Ur, a terra natal do patriarca Abraão, figura de referência para os judeus, cristãos e muçulmanos, Erbil, capital do Curdistão iraquiano, Mossul e Qaraqosh. Esta é considerada a viagem mais arriscada do papado de Francisco, mas ele aceitou locomover-se em um carro blindado e participar de eventos com poucos participantes, em um forte esquema de segurança. Em mensagem enviada aos iraquianos antes da visita, Francisco anunciou: “Vou como peregrino (…) implorar ao Senhor perdão e reconciliação, após anos de guerra e terrorismo (…) e vou entre vocês como um peregrino da paz”. Além disso, Francisco se dirige a muçulmanos, judeus e cristãos como “uma só família” e os incentiva a “seguir adiante”, que não se rendam, para reconstruir e curar feridas. Francisco também fará a viagem para apoiar aos cristãos exterminados pelo grupo extremista Estado Islâmico. No ano de 2003, havia em torno de 1,5 milhão de cristãos no país, e agora são cerca de 300 mil. Confira a reportagem completa do correspondente da teleSUR em Roma, Javier Martínez-Brocal.

Mensagem do papa para quaresma foca na atenção aos que sofrem com a pandemia

 Francisco alerta que ‘viver uma Quaresma de caridade significa cuidar de quem se encontra em condições de sofrimento, abandono ou angústia por causa da pandemia de Covid-19’ (Unsplash/Mufid Majnun) Francisco destaca contexto de grande incerteza que marca preparação para a Páscoa deste ano Foi divulgada, nesta sexta-feira (12/02), a mensagem do papa Francisco para a Quaresma deste ano sobre o tema “Vamos subir a Jerusalém. Quaresma: tempo para renovar fé, esperança e caridade”. O pontífice convida a renovar a nossa fé, “neste tempo de conversão”, a obter “a ‘água viva’ da esperança” e receber “com o coração aberto o amor de Deus que nos transforma em irmãos e irmãs em Cristo”. Francisco recorda que “na noite de Páscoa, renovaremos as promessas do nosso Batismo, para renascer como mulheres e homens novos por obra e graça do Espírito Santo. Entretanto o itinerário da Quaresma, como aliás todo o caminho cristão, já está inteiramente sob a luz da Ressurreição que anima os sentimentos, atitudes e opções de quem deseja seguir a Cristo”. Quem jejua faz-se pobre com os pobres “O jejum, a oração e a esmola, tal como são apresentados por Jesus na sua pregação, são as condições para a nossa conversão e sua expressão”, ressalta o papa na mensagem. De acordo com Francisco, o “jejum, vivido como experiência de privação, leva as pessoas que o praticam com simplicidade de coração a redescobrir o dom de Deus e a compreender a nossa realidade de criaturas que, feitas à sua imagem e semelhança, n’Ele encontram plena realização. Ao fazer experiência duma pobreza assumida, quem jejua faz-se pobre com os pobres e ‘acumula’ a riqueza do amor recebido e partilhado. Jejuar significa libertar a nossa existência de tudo o que a atravanca, inclusive da saturação de informações, verdadeiras ou falsas, e produtos de consumo, a fim de abrirmos as portas do nosso coração Àquele que vem a nós pobre de tudo, mas ‘cheio de graça e de verdade’: o Filho de Deus Salvador”. Dizer palavras de incentivo “No contexto de preocupação em que vivemos atualmente onde tudo parece frágil e incerto, falar de esperança poderia parecer uma provocação. O tempo da Quaresma é feito para ter esperança, para voltar a dirigir o nosso olhar para a paciência de Deus, que continua cuidando de sua Criação, não obstante nós a maltratamos com frequência.” O pontífice convida no tempo da Quaresma, a estarmos “mais atentos em ‘dizer palavras de incentivo, que reconfortam, consolam, fortalecem, estimulam, em vez de palavras que humilham, angustiam, irritam, desprezam’. Às vezes, para dar esperança, basta ser ‘uma pessoa amável, que deixa de lado as suas preocupações e urgências para prestar atenção, oferecer um sorriso, dizer uma palavra de estímulo, possibilitar um espaço de escuta no meio de tanta indiferença’.” “No recolhimento e oração silenciosa, a esperança nos é dada como inspiração e luz interior, que ilumina desafios e opções da nossa missão; por isso mesmo, é fundamental recolher-se para rezar e encontrar, no segredo, o Pai da ternura”, ressalta o papa. Tempo para crer, esperar e amar “A caridade se alegra ao ver o outro crescer; e de igual modo sofre quando o encontra na angústia: sozinho, doente, sem abrigo, desprezado, necessitado. A caridade é o impulso do coração que nos faz sair de nós mesmos gerando o vínculo da partilha e da comunhão. ‘A partir do amor social, é possível avançar para uma civilização do amor a que todos nos podemos sentir chamados. Com o seu dinamismo universal, a caridade pode construir um mundo novo, porque não é um sentimento estéril, mas o modo melhor de alcançar vias eficazes de desenvolvimento para todos’.” Segundo Francisco, “viver uma Quaresma de caridade significa cuidar de quem se encontra em condições de sofrimento, abandono ou angústia por causa da pandemia de Covid19. Neste contexto de grande incerteza quanto ao futuro, ofereçamos, junto com a nossa obra de caridade, uma palavra de confiança e façamos sentir ao outro que Deus o ama como um filho. ‘Só com um olhar cujo horizonte esteja transformado pela caridade, levando-nos a perceber a dignidade do outro, é que os pobres são reconhecidos e apreciados na sua dignidade imensa, respeitados no seu estilo próprio e cultura e, por conseguinte, verdadeiramente integrados na sociedade’”. “Queridos irmãos e irmãs, cada etapa da vida é um tempo para crer, esperar e amar. Que este apelo a viver a Quaresma como percurso de conversão, oração e partilha dos nossos bens, nos ajude a repassar, na nossa memória comunitária e pessoal, a fé que vem de Cristo vivo, a esperança animada pelo sopro do Espírito e o amor cuja fonte inexaurível é o coração misericordioso do Pai”, conclui o papa. Vatican News

Governo Biden pode transformar Brasil em grande vilão internacional

 Coerente com a campanha que o levou à Casa Branca, novo presidente americano suspende políticas irracionais de Trump e engrossa coro dos descontentes com o governo brasileiro O início do governo de Joe Biden tem sido coerente com seus compromissos de campanha. Nesse sentido, a questão da imigração é talvez a mais simbólica. O democrata assinou na terça-feira (2) medidas para reunir famílias de imigrantes ilegais separadas de seus filhos pelas políticas do governo de Donald Trump. Mas será preciso uma força-tarefa para transpor dificuldades burocráticas, como a falta de documentos que permitam a rápida associação e reencontro entre os entes separados. Tal política de Trump, não sem razão, foi considerada por analistas como nazista. Chegou a ser tema de um episódio realista e comovente da aclamada série Law and Order SVU, em que se veem dezenas de crianças enjauladas em uma área de segurança, como animais. Em política externa, o democrata adota o tom do chamado multilateralismo, recolocando os Estados Unidos como interlocutores ativos no Acordo de Paris e em organismos como Nações Unidas e Organização Mundial da Saúde. Como noticiou o The New York Times na quinta-feira (4), Biden anunciou o fim do apoio do país à campanha militar da Arábia Saudita no Iêmen. Por outro lado, o tom com que o democrata se refere a Rússia e China permanece duro. “Normalidade” Obviamente, os Estados Unidos sob Biden vão continuar a defender o lema “America first“. Mas os democratas no mundo e, dentro do país, as “minorias” (negros, latinos, mulheres) comemoram o ressurgimento dos parâmetros “normais”. “É um alívio ver a volta do bom senso e voltar a ter esperança de um mundo sem as ‘baixarias’ para as quais Trump apelou e Bolsonaro apela”, diz Thomas Heye, do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF). Em relação à Venezuela, por exemplo, como mostra reportagem do Brasil de Fato, Biden começou a flexibilizar, cautelosamente, algumas sanções econômicas, passando a permitir transações comerciais por via marítima e aérea com o país vizinho. A medida é puramente pragmática, porque politicamente não está no horizonte o reconhecimento do presidente Nicolás Maduro. Brasil de Bolsonaro: vilão ambiental A questão ambiental – tema fundamental de sua campanha – é outro ponto em que Biden vai investir pesado, politicamente. E aí entra o Brasil. Por exemplo, sob a gestão Biden, os Estados Unidos projetam a adoção de políticas contra a importação de produtos brasileiros provenientes de desmatamento ilegal. A pressão contra a “política” ambiental do governo Bolsonaro e seu ministro Ricardo Salles não é, de resto, apenas norte-americana. “Há uma orquestração da campanha contra o grande vilão ambiental, que hoje é o Brasil”, observa Heye. Outros líderes, como o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, não só fazem parte da “orquestração” contra o “vilão ambiental” como querem distância de Bolsonaro. “Seríamos eleitos o grande vilão internacional, o vilão favorito do mundo. Biden não está sozinho. Macron também tem torpedeado Bolsonaro. Merkel, aliás, se recusa a entrar no mesmo recinto em que Bolsonaro estiver. Ela não quer que alguém tenha nem a chance de fazer uma foto dela sequer perto de Bolsonaro”, constata o professor da UFF. Eleições na Alemanha Claro, os líderes de França e Alemanha têm os olhos voltados para seu público interno e também para a União Europeia. Em setembro, ocorrem as eleições para a sucessão de Angela Merkel. Ela e Macron têm extremo cuidado para não assustar o crescente e importante eleitorado verde, cujos votos estão na mira de todos os políticos importantes do Velho Mundo. Qualquer associação com Bolsonaro e seu governo que queima a Amazônia e o Pantanal é uma desastrosa antipropaganda. Se as coisas podem ficar mais complicadas para Bolsonaro ante a nova gestão da Casa Branca, as armas dos líderes mundiais contra o presidente brasileiro não parecem, num primeiro momento, tão contundentes quanto desejariam setores e cidadãos que prezam a democracia e querem o impeachment do presidente brasileiro. Por hipótese, “a arma mais tradicional para esse tipo de situação seriam sanções econômicas”, sugere Heye. Mas tal solução – por parte do Ocidente ou mesmo da China – é muito improvável, além de indesejável. “Sanções econômicas têm uma característica muito triste, porque afetam a parte mais carente da sociedade”, observa o analista. Uma solução menos drástica seria, por exemplo, Biden subsidiar a produção de soja aos agricultores americanos, o que agradaria os eleitores tradicionais de Trump. Apesar das rusgas entre chineses e americanos, muitas vezes retórica para consumo interno, com um preço melhor os orientais poderiam substituir a commodity brasileira pela estadunidense. “Com isso, Biden minaria os redutos eleitorais do Trump, e de Bolsonaro também, e o agronegócio brasileiro ficaria muito contrariado com o presidente”, diz Heye. A retórica bolsonarista Mas o analista pondera que Bolsonaro também seria capaz de usar sua conhecida retórica farsesca e capitalizar situações adversas provocadas por Biden, colocando-se como vitima da comunidade internacional, invertendo o discurso de atrelamento cego aos Estados Unidos de Trump. “Com isso, poderia ainda roubar o discurso de parte da esquerda brasileira”. Esse discurso, obviamente, seria dirigido ao bolsonarismo “de raiz”, que ignora a crise e a tragédia da pandemia, que já matou mais de 230 mil brasileiros. “E, no momento, a vitória no Congresso, ao eleger os presidentes da Câmara e do Senado, o fortalece”, observa Heye. Trump é passado Segundo documento revelado pela BBC News Brasil esta semana, Biden e membros do alto escalão da Casa Branca receberam um caudaloso dossiê pedindo o “congelamento” de acordos, negociações e alianças políticas com o Brasil “enquanto Jair Bolsonaro estiver na Presidência”. O documento, segundo a reportagem, é endossado por mais de 100 acadêmicos de universidades como Harvard, Brown e Columbia. Entidades como Friends of the Earth, nos Estados Unidos, e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) também apoiam a ideia. Entre os acordos feitos pelo presidente brasileiro e ex-presidente americano, está o que, na prática, cede a base de Alcântara aos EUA, segundo analistas um claro atentado à soberania nacional. “É