Suga anuncia saída do governo e começa busca por candidatos a premiê do Japão

O primeiro-ministro Yoshihide Suga tem sido muito criticado pela condução do governo na pandemia O primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, desistiu de sua tentativa de reeleição como líder do governista Partido Liberal Democrático e deve deixar o posto de premiê após sua sigla escolher um novo líder. Tradicionalmente, o chefe do partido que controla o Parlamento é o primeiro-ministro. Quatro nomes têm chance de vencer a eleição de 29 de setembro para líder da sigla e pouco depois se tornar primeiro-ministro. A oposição, por sua vez, busca tomar o controle do Legislativo em eleição que não ocorrerá antes de 28 de novembro. Depois disso, alguém de fora da atual sigla governista poderia chegar a premiê. Entre os candidatos declarados está Fumio Kishida, de 64 anos, que foi ministro das Relações Exteriores sob o premiê Shinzo Abe entre 2012 e 2017. Ele representa a visão majoritária do partido governista na maioria dos assuntos. Ex-banqueiro, Kishida já propôs um pano de estímulo econômico de centenas de bilhões de dólares para impulsionar o crescimento após o choque causado pela Covid-19 e defende uma agência do governo apenas para a resposta à pandemia. É considerado um moderado. Segundo Tomoaki Iwai, professor de Ciência Política da Universidade Nihon de Tóquio, sua longa experiência governamental e sua condição de “moderado” no PLD o tornaram o favorito nas eleições de 29 de setembro. Já Sanae Takaichi, de 60 nos, é uma ex-ministra do Interior e das Comunicações e seria a primeira mulher premiê do país. Ela tem visões mais duras sobre defesa, argumentando por elevar gastos em mísseis e satélites que poderiam permitir ao Japão se proteger de eventuais ataques da China ou da Coreia do Norte. E também diz que o país tem espaço para aumentar sua dívida. Suas posições ultranacionalistas e semelhantes ao movimento revisionista japonês a tornaram uma personalidade muito mencionada no próprio seio do PLD. Entre os candidatos não declarados, mas possíveis, estão Taro Kono, de 58 anos. Ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa, ele está no comando do programa de vacinação contra a Covid-19, que ganhou fôlego após um início lento, com quase a metade da população completamente vacinada. Formado pela prestigiosa American University of Georgetown, ele se comunica confortavelmente em inglês, uma raridade no mundo político japonês. Os círculos empresariais o apreciam, assim como a opinião pública, especialmente as gerações mais jovens que aprovam seus esforços para acelerar a transformação digital da administração japonesa. Já Shigeru Ishiba, de 64 anos, é ex-ministro da Defesa e tentou quatro vezes chegar ao comando do partido, até agora sem sucesso. Ishiba disse que ainda não se decidiu se tentará novamente concorrer. O ex-banqueiro de 64 anos tem o apoio da opinião pública, mas, dentro do seu próprio partido, alguns não apreciam as suas frequentes mudanças de lado e as suas declarações a portas fechadas. Na oposição, Yukio Edano, de 57 anos, é o líder do Partido Democrático Constitucional, o maior entre os oposicionistas. Ele poderia chegar ao poder apenas no caso de obter maioria na eleição parlamentar prevista para o fim de novembro. Advogado, ele é um moderado e ocupou postos no governo entre 2009 e 2012.
NEGACIONISMO – Organizador do movimento antimáscara do Texas morre de COVID-19

Caleb Wallace fundou o Defensores da Liberdade San Angelo, que organizou uma manifestação para acabar com a ‘tirania do COVID-19’ O líder do movimento antimáscara do Texas, Caleb Wallace, morreu em decorrência das complicações do novo coronavírus depois de passar três semanas na unidade de terapia intensiva, conforme informou ao New York Times, a esposa, Jessica, no sábado. Ele tinha 30 anos. Caleb Wallace se posicionava contra o uso de mácaras e contra outras restrições relacionadas à COVID-19. “Caleb faleceu pacificamente. Ele viverá para sempre em nossos corações e mentes ”, escreveu Jessica Wallace, esposa de Caleb, na página GoFundMe da família. Jessica alertou um dia antes para o estado grave de saúde do marido e afirmou que ele ‘não duraria muito’. Wallace, que morou em San Angelo, Texas durante a maior parte de sua vida, foi hospitalizado em 30 de julho. Deixou três filhos. Wallace fundou o Defensores da Liberdade San Angelo, que organizou uma manifestação para acabar com a “tirania do COVID-19”. No mesmo mês em que foi hospitalizado, Wallace organizou uma “manifestação pela liberdade” que convocou as pessoas “cansadas do governo no controle de nossas vidas” a se juntarem ao protesto. “Eles acreditavam que o coronavírus era uma farsa e achavam que o governo estava sendo pesado demais quando se tratava de máscaras”, disse a prefeita de San Angelo, Brenda Gunter, ao New York Times. Via EM
As especulações sobre a renúncia de Francisco – Por Mirticeli Medeiros*

Francisco elogia Bento XVI ao dizer que ele abriu um precedente positivo, ao renunciar. Mas, por enquanto, isso parece não estar nos seus planos (Tiziana Fabi/AFP) Parte da imprensa italiana aposta na abdicação de Francisco em breve, mas amigos do pontífice garantem que isso está fora de cogitação Em dezembro, o primeiro papa latino-americano da história completa 85 anos. E no auge da sua velhice, ele não parece muito disposto a deixar de trabalhar. Francisco é o pontífice que não tira férias. Na pausa de julho, que em teoria seria o período de descanso do atual pontífice, algumas de suas atividades são suspensas, mas ele não arreda o pé do Vaticano. Os papas anteriores, durante o rigoroso verão europeu, transcorriam suas férias em duas etapas: no palácio pontifício de Castel Gandolfo, que fica nos arredores de Roma, e nas montanhas, ao norte da Itália. Quem começou com esse costume de deixar a região Lazio, onde está localizada a cidade de Roma, para driblar as altas temperaturas, foi João Paulo II, em 1987. E Bento XVI acabou adotando essa prática. Como fiz questão de frisar em outros artigos, Francisco tem pressa. Ao assumir as vestes de papa reformador, uma missão que foi desempenhada por poucos ao longo da história da Igreja, ele sabia o quanto assumir esse papel seria exigente. E embora uma equipe de conselheiros o auxilie nessa empreitada, cabe a ele enfrentar, em primeira pessoa, todos os desafios próprios de um projeto desse porte. As perseguições e as tentativas de minar seu governo, muitas vezes travestidas de “zelo religioso”, vêm no pacote. É inevitável. A resistência às reformas é histórica dentro do catolicismo, independente da motivação que as impulsione. Em algumas situações, o próprio sumo pontífice se viu sozinho e sem apoios para realizar mudanças pontuais. João XXIII que o diga. Gregório VII, no século 11, pretendia, na verdade, romper com um sistema inaugurado por Constantino (século 4) e reforçado pelo Carlos Magno (século 8), contra o qual nenhum papa, até então, havia se oposto. A reforma gregoriana – um termo que já foi superado pela historiografia contemporânea, justamente por se tratar de um movimento que perdurou por pelo menos 3 séculos -, cria um modelo de societas perfecta, que não se estruturava a partir de um Império, mas tinha a Igreja de Roma como referência. Por outro lado, do ponto de vista moral, a ideia era recriar uma espécie de Ecclesiae primitivae forma – a igreja em sua forma primitiva. A reintrodução da regra de Santo Agostinho e a oposição à simonia são alguns dos elementos que vão ao encontro dessa proposta. Claro que estamos em outro contexto, e seria anacronismo puro dizer que Francisco segue esse mesmo modelo de reforma. Mas é bem verdade que o desejo de enquadrar a Igreja numa Ecclesiae primitivae forma é o fundamento do projeto bergogliano. Reformatio, no latim, significa justamente voltar à forma. E não podemos negar que cada decisão de Francisco passa pela pretensão de lapidar o catolicismo, de modo que ele possa atingir sua essência. A meu ver, Francisco não renunciaria agora. Bento XVI segue bem de saúde, apesar da idade. Ter dois papas aposentados, vivendo no Vaticano, não faria bem à instituição. Se já instrumentalizam Bento XVI, ao ponto de transformarem-no num baluarte de uma ideologia que não é a sua, fariam o mesmo com o Francisco. Imaginem só o trabalho do pontífice reinante diante de dois grupos que se digladiam em torno de dois papas eméritos, cobrando-lhe uma postura que corresponda a suas preferências? Uma catástrofe. Francisco nunca se opôs à possibilidade de uma renúncia, mas recorreria a essa medida quando tivesse a certeza que a Igreja não padeceria para se adaptar a esse cenário. Como um bom conhecedor da história do catolicismo, o pontífice argentino sabe que uma boa reforma é um trabalho feito em conjunto, e pode durar anos. Talvez ele não esteja vivo para ver sua conclusão. Consciente disso, sua corrida contra o tempo parte do princípio de que é necessário deixar uma estrutura pronta para que seus sucessores possam levá-la adiante. Após a publicação da constituição de reforma da Cúria Romana, prevista para dezembro, essa base de reforma será formalizada. Francisco, mesmo após uma cirurgia de média complexidade, se encontra bem. Porém, é nítido que ele precisa diminuir o ritmo, já que o peso da idade, a cada dia que passa, faz-se sentir. Enquanto isso, seguindo uma práxis antiga, seus inimigos já começam a fabular uma propaganda para convencer a opinião pública de que ele não tem mais condições para governar. Francisco, muito esperto, não deu brecha para que esse tipo de investida tivesse êxito. Desde que deixou o hospital, em julho deste ano, fez questão de voltar a todo vapor, inclusive tomando decisões que vão desde a reforma do direito canônico ao fechamento de associações que, segundo a definição da Santa Sé, se desviam dos padrões da instituição. Renunciar agora? Um reformador não o faria. E como um bom argentino, não é que ele vai arregar, assim, tão fácil, não é? *Mirticeli Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras
Papa condena a hipocrisia de cristãos: ‘não são capazes de amar’

A hipocrisia, afirmou Francisco, pode colocar em perigo a unidade na Igreja (Vatican Media) Francisco encoraja à verdade na catequese desta quarta e, ao final, agradece testemunho de atletas paraolímpicos A hipocrisia, afirmou Francisco, pode colocar em perigo a unidade na Igreja “As pessoas preferem fingir do que ser elas mesmas”. Na audiência geral desta quarta-feira (25), o papa falou da hipocrisia, alertando que pode colocar em perigo a unidade na Igreja. Segundo Francisco há muitas situações em que a hipocrisia pode ocorrer: no trabalho, na política e até mesmo na Igreja, onde “é particularmente detestável”. “Infelizmente, existe hipocrisia na Igreja. Há muitos cristãos e ministros hipócritas”. Quando se age de outra forma que não seja com verdade está-se a “pôr em risco a unidade da Igreja. Que o teu discurso seja sim ou não, porque de outra forma vem do espírito do mal”, acrescentou. Para o papa, a hipocrisia é o medo da verdade. “Num ambiente em que as relações interpessoais são vividas sob a bandeira do formalismo, o vírus da hipocrisia propaga-se facilmente”, alertou esta manhã, lembrando que há vários exemplos na Bíblia onde a hipocrisia é combatida, como o velho Eleazar, e situações em que Jesus repreende fortemente aqueles que parecem justos no exterior, mas no interior estão cheios de falsidade e iniquidade. “O hipócrita é uma pessoa que finge, lisonjeia e engana porque vive com uma máscara no rosto, e não tem a coragem de enfrentar a verdade. Por isso, não é capaz de amar verdadeiramente: limita-se a viver pelo egoísmo e não tem a força para mostrar o seu coração com transparência”. Paraolimpíadas Depois da catequese, o papa Francisco recordou o início das Paraolimpíadas, em Tóquio, no Japão, na última terça-feira (24): “Envio a minha saudação aos atletas e agradeço-lhes, porque oferecem a todos um testemunho de esperança e coragem. Na verdade, mostram como o compromisso esportivo ajuda a vencer as dificuldades aparentemente intransponíveis”. Saudações Ao saudar os peregrinos poloneses, o papa recordou que na quinta-feira (26), “celebra-se na Polônia a Solenidade da Mãe de Deus venerada no santuário nacional de Jasna Gora. Cinco anos atrás, me detive com os jovens diante de seu rosto negro e confiei-lhe a Igreja na Polônia e no mundo. Que a sua proteção materna seja para vocês, para suas famílias e para todos os poloneses, fonte de paz e de bem”. Na saudação em língua italiana, o pontífice recordou os fiéis de Montegallo que, em 24 de agosto de cinco anos atrás, foram atingidos pelo terremoto. “Queridos irmãos e irmãs, a presença de vocês oferece-me a oportunidade de dirigir o meu pensamento as vítimas e comunidades do centro da Itália, incluindo Accumoli e Amatrice, que sofreram as graves consequências do terramoto. Com a ajuda concreta das Instituições, é necessário dar prova do ‘renascimento’ sem se deixar abater pela desconfiança. Peço a todos para que sigam em frente com esperança. Coragem!”, disse Francisco.
Haiti enfrenta emergência vital uma semana após terremoto

Na sexta-feira, foram realizadas distribuições informais de ajuda humanitária em Los Cayos, a terceira maior cidade do Haiti, destruída em grande parte pelo terremoto, o que provoca conflitos entre a multidão (Reginald Louissaint Jr /AFP) Sobreviventes lutam diariamente para encontrar água e alimentos, enquanto os comboios humanitários começam a distribuir produtos Uma semana depois do terremoto que devastou o sudoeste do Haiti, causando a morte de quase 2.200 pessoas, os sobreviventes lutam para conseguirem água e alimentos, mas responder às necessidades básicas dos afetados continua sendo um desafio para as autoridades. No último sábado, bastaram alguns segundos para que dezenas de milhares de pessoas, algumas das mais vulneráveis do país, perdessem tudo o que possuíam após o terremoto de 7,2 graus de magnitude. Nas ruas, os sobreviventes lutam diariamente para encontrar água e alimentos, enquanto os comboios humanitários começam a distribuir produtos de primeira necessidade, mas geralmente em quantidades insuficientes. Na sexta-feira, foram realizadas distribuições informais de ajuda humanitária em Los Cayos, a terceira maior cidade do Haiti, destruída em grande parte pelo terremoto, o que provoca conflitos entre a multidão. A distribuição da ajuda não contou com nenhuma logística e os sacos de arroz foram jogados contra a multidão, sem que os beneficiários fossem primeiramente identificados como pessoas em situação de vulnerabilidade, segundo observou um fotógrafo da AFP. Em Los Cayos, metade de um comboio de dois caminhões foi saqueado por indivíduos não identificados antes que a polícia haitiana pudesse intervir. O restante da mercadoria foi distribuída na delegacia, em meio a uma grande confusão, acrescentou o fotógrafo. Marcel François vê a ajuda passar em frente às ruínas de sua casa, onde passa os dias, na estrada entre o aeroporto e o centro de Los Cayos. “Vejo muitas autoridades indo de um lado para o outro, procissões de funcionários com suas sirenes, grandes carros das ONGs. Também vejo caminhões passando, mas nada chega até mim”, disse o homem de 30 anos que, como muitas das vítimas, deve sua sobrevivência à generosidade de seus conhecidos. Esta cidade recebeu na sexta-feira a vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, em uma visita de 24 horas ao país. “Ouvimos as necessidades dos que estão sobre o terreno. Há muita carência e seguimos comprometidos a apoiá-los”, disse a diplomata nigeriana. “Vimos um momento incrível de unidade na resposta ao terremoto, portanto acreditamos que isso pode se tornar uma oportunidade de reconstruir para melhor”, disse Mohammed antes de ir embora do Haiti. A ideia de “reconstruir para melhor” não é nova para os haitianos, a quem a ONU já fez essa promessa após o terremoto de 2010, que matou mais de 200.000 pessoas. O lema, no entanto, não se materializou e a reconstrução prometida não aconteceu, em uma capital devastada pelo desastre. AFP
O documentário ‘Pray away’ mostra os estragos da “cura gay” e a desconversão de alguns de seus líderes

Ser ex-ex-gay – Por Carlos Alberto Mattos – Carta Maior John Paulk era um rapaz gay de Portland (EUA) que resolveu se “curar”. Entrou para a organização Exodus, criada nos anos 1970, que advogava a “terapia reparativa ou de conversão”. Tornou-se uma estrela do movimento ex-gay na mídia e nas convenções da organização. Dando-se por “curado”, casou-se com uma ex-lésbica e teve filhos. Um belo dia, foi flagrado num bar gay e virou motivo de escândalo. A partir daí, ele e a Exodus não seriam mais os mesmos. John é o caso mais exemplar entre os vários narrados no documentário Pray Away, em cartaz na Netflix. Há outros, como o de Yvette Cantu, que chegou a ser representante da Family Research Council em Washington, fazendo palestras sobre o “erro”, a “doença” do homosseuxalismo. Depois da “desconversão”, ela se mantém casada com o marido e assumida como bissexual. Agora é uma ex-ex. O título Pray Away, que pode ser traduzido como algo próximo de “exorcismo”, se refere ao mote “pray away the gay” do movimento homofóbico, conduzido majoritariamente por entidades cristãs e organismos conservadores. Através dos depoimentos dos chamados sobreviventes da terapia e de um bom material de arquivo, o filme de Kristine Stolakis retraça um painel assustador. Os participantes passam por uma doutrinação cerrada no sentido de se amoldarem ao que seria “a intenção original de Deus”. A retórica envolve argumentos científicos toscos e o apelo de uma certa “liberdade” que estaria somente na plena heterossexualidade. A “terapia” (preciso usar muitas aspas neste texto) inclui sessões de exorcismo à moda evangélica, conclamações a Jesus, dança de guerreiros e demonização das escolas, onde estaria o germe da orientação gay. Qualquer semelhança com o “kit gay” é apenas mais um sintoma da colonização da direita brasileira pelos americanos. O resultado foram auto-enganos, mentiras públicas, muito sofrimento ocultado, suicídios e traumas que levaram à necessidade de outras terapias. Uma das sobreviventes relembra episódios de automutilação por conta de sua crise de identidade durante o processo. A Exodus foi dissolvida em 2013, quando seus líderes foram forçados a admitir os males que causaram a milhares de pessoas e a si mesmos. Mas o modelo não saiu de cena. Em contraponto aos sobreviventes que contam suas histórias de conversão e desconversão, temos um personagem que encarna a perpetuação da prática ainda hoje, convocando fiéis na rua e organizando “Marchas da Liberdade”. Pray Away tem recorte clássico de documentário americano: uma narrativa bem construída e amparada por cenas de arquivo que dispensam muito comentário oral. No entanto, fica a impressão de que coisas importantes deixaram de ser contadas. As motivações dos personagens para abandonar o movimento e assumir suas orientações sexuais nem sempre ficam claras. Assim como as razões que levaram à dissolução da Exodus. De uma coisa não resta dúvida: os que deixaram o culto homofóbico para trás não abrem mão do culto ao arrependimento. Esse, afinal, é um dos pilares da ética e da dramaturgia americanas. >> Pray Away está na Netflix. Trailer sem legendas:
Ex-ditadora da Bolívia, Jeanine Áñez, tentou se suicidar na prisão

Jeanine Áñez comandou golpe e repressão na Bolívia (Luis Gandarillas/AFP) Segundo as autoridades do país andino, Jeanine Áñez teve lesões no braço, mas sem maiores riscos à saúde. Advogados alegam ”depressão devido a abusos”, mas diretores carcerários asseguram que foi uma ”tentativa de chamar a atenção” O Ministério do Governo da Bolívia reconheceu neste sábado (21/08) que a ex-presidente de fato Jeanine Áñez sofreu um incidente na última manhã, pelo qual teve que ser atendida pela equipe médica do Centro Penitenciário Feminino de Miraflores, onde está presa desde março passado. Segundo o ministro Eduardo del Castillo, “a senhora Jeanine Añez teria tentado provocar uma automutilação nas primeiras horas de hoje, porém, afirmamos que sua saúde está completamente estável. Ela tem alguns pequenos arranhões em um de seus braços. No entanto, não há nada com que se preocupar”. Questionado sobre os detalhes do caso, o ministro afirmou que “a equipe médica fez as devidas consultas à ex-presidente, que não quis esclarecer quais seriam os motivos pelos quais ela teria tentado se machucar”. Del Castillo também afirmou que Áñez foi submetida a exames médicos durante essas consultas, que mostraram resultados normais, o que permite que ela continue detida. Versão da defesa de Áñez Os advogados da ex-presidente alegam que ela vem sofrendo há meses com “abusos cometidos por agentes penitenciários”. Quem primeiro se manifestou foi a defensora Norka Cuéllar, que justificou o incidente desta manhã dizendo que Áñez “não aguenta mais, porque está enfrentando uma pressão desumana e precisa de liberdade para se defender em sua casa”. “Este foi um pedido de ajuda da ex-presidenta. Ela não pede impunidade, e sim que a deixem se defender em liberdade, caso contrário as consequências serão fatais”, insistiu a defensora, em entrevista coletiva. O outro advogado da ex-presidenta, Luis Guillén, descreveu o que aconteceu na madrugada deste sábado como “uma tentativa de suicídio”. Segundo ele, “este é mais um caso que mostra os abusos a que o ex-presidente tem sido submetido”. Durante este mês de agosto, Jeanine Áñez foi transferida três vezes para hospitais após tentativas de suicídio – a última ocorrência foi na última quarta-feira (18/8). O defensor também argumenta que sua representada enfrenta um quadro forte de depressão devido às péssimas condições que enfrentaria na prisão. Por sua vez, o comandante da polícia boliviana, Jhonny Aguilera, expressou suas dúvidas sobre a versão dos advogados de Áñez e qualificou os acontecimentos deste sábado como “uma tentativa de chamar a atenção”. “Soubemos que a senhora Áñez gerou lesões nela mesma, que não são graves. Ela foi imediatamente encaminhada ao centro médico, como tem acontecido ao longo da semana”, disse a autoridade policial. Jeanine Áñez: do poder à prisão Jeanine Áñez assumiu o poder na Bolívia como presidenta de facto, após o golpe civil-militar de novembro de 2019. A então vice-presidenta do Senado teve o apoio das Forças Armadas, que abriu caminho para sua assunção após uma intervenção militar que levou às renúncias sob ameaça do então presidente Evo Morales, do vice-presidente Álvaro García Linera e da presidenta do Senado, a chilena-boliviana Adriana Salvatierra, todos representantes do partido de esquerda MAS (Movimento pelo Socialismo). Sua ditadura durou um ano e foi marcada por casos de corrupção e por uma repressão muito forte contra os movimentos que tentaram resistir ao golpe de Estado. A prisão preventiva decretada contra Áñez foi baseada na acusação de sedição, conspiração e promoção do terrorismo de Estado, devido à sua participação no golpe de 2019. Porém, a ex-senadora também enfrenta vários outros processos. Em maio, Jeanine Áñez foi denunciada por sua suposta participação em atos de corrupção durante sua gestão, em casos que também envolvem seu ex-ministro de Governo, Arturo Murillo, que foi preso nos Estados Unidos e enfrenta processo de extradição. A última denúncia contra Áñez foi apresentada justamente nesta sexta-feira (20/08) pela Procuradoria Geral da Bolívia, e aceita pelo Supremo Tribunal de Justiça do país, e a acusa de responsabilidade nos massacres de Senkata e Sacaba, onde pelo menos 37 manifestantes foram mortos em ação da polícia militarizada enquanto protestavam contra o seu regime, dias após o golpe de Estado, em novembro de 2019.
Radical católico da Espanha treinou extrema direita brasileira em 2013 com táticas que elegeram Bolsonaro

Antes mesmo de Jair Bolsonaro aparecer como candidato à Presidência e do bolsonarismo existir, a organização e o financiamento dos ultracatólicos brasileiros foram a semente do mal que arrasou a terra da política brasileira. Estão na lista Padre Paulo Ricardo e o blogueiro Allan dos Santos. Os ultraconservadores católicos brasileiros viviam dispersos pela internet até dezembro de 2013. Seus posts em blogs pouco frequentados não tinham impacto nas conversas e debates do dia a dia. Foi nesse cenário que um cidadão espanhol desembarcou no Brasil: Ignacio Arsuaga era o criador da Hazte Oir (Se Faça Ouvir, em espanhol), uma associação criada para defender o que ele chamava de “valores da família natural”. O que unia Arsuaga e os conservadores brasileiros naquele momento? A defesa intransigente da proibição do aborto sob qualquer circunstância, inclusive em casos de estupro ou de fetos com anencefalia. Leia abaixo a íntegra da reportagem de Leandro Demori publicada no The Intercept Brasil Os ultraconservadores católicos brasileiros viviam dispersos pela internet até dezembro de 2013. Seus posts em blogs pouco frequentados não tinham impacto nas conversas e debates do dia a dia. Foi nesse cenário que um cidadão espanhol desembarcou no Brasil: Ignacio Arsuaga era o criador da Hazte Oir (Se Faça Ouvir, em espanhol), uma associação criada para defender o que ele chamava de “valores da família natural”. O que unia Arsuaga e os conservadores brasileiros naquele momento? A defesa intransigente da proibição do aborto sob qualquer circunstância, inclusive em casos de estupro ou de fetos com anencefalia. Arsuaga veio ao Brasil para uma missão: juntar os militantes locais dispersos e ensiná-los como montar e financiar uma organização nos moldes da Hazte Oir – que, àquela altura, já havia crescido e mudado seu nome para CitizenGo (algo como Vamos, Cidadão, em inglês), numa estratégia para expandir sua pauta globalmente. Arsuaga foi recebido em São Paulo por um padre de Osasco e um casal de militantes antiaborto. Depois daquele encontro, o Brasil não seria mais o mesmo. Antes mesmo de Jair Bolsonaro aparecer como candidato à Presidência e do bolsonarismo existir, a organização e o financiamento dos ultracatólicos brasileiros foram a semente do mal que arrasou a terra da política brasileira. Juntos, esses personagens se aproveitaram do rescaldo do caos das ruas de 2013, criaram uma agenda de extrema direita, montaram uma estratégia de combate para a “guerra cultural” que estavam decididos a declarar, ajudaram a derrubar uma presidente eleita e entregaram a Jair Bolsonaro uma plataforma eleitoral enlatada, que saiu dos redutos reacionários católicos diretamente para a campanha eleitoral – e, dali, para a vitória em 2018. Semanas atrás, o Wikileaks publicou dezenas de milhares de documentos privados da CitizenGo. É a partir destes documentos que essa história pode ser contada. O primeiro chamado: a farmacêutica conhecida como ‘a mulher que calou as feministas’ e o influenciador combatente ferrenho da ‘ideologia de gênero’. Fotos: Reprodução/Facebook “Faça sua inscrição para o Workshop com Ignacio Arsuaga, Presidente da Hazteoir – Espanha: Como construir com êxito um movimento social. Dia 05 de novembro das 19 às 21:30 horas. Todos os dados são obrigatórios. Inscrições gratuitas.” Começa assim o anúncio publicado no endereço biopolitca.com.br naquele final de 2013. Não adianta procurar pelo site, ele não existe mais (mas está disponível neste link, arquivado na plataforma Internet Archive). O impacto que aquele pequeno anúncio publicado em um canto obscuro da internet causou na política brasileira, no entanto, é visível e causa estragos até hoje. Poucos meses antes daquele novembro de 2013, o Brasil pegou fogo. Não foi por acaso que Ignacio Arsuaga esteve aqui justamente no fim daquele ano. As manifestações de junho tinham rasgado o tecido social do país. Era a chance que os católicos ultraconservadores esperavam para finalmente fazer prosperar suas pautas reacionárias. Naquela época, o site Biopolítica estava registrado em nome de Renata Gusson Agelune Martins. A farmacêutica tinha virado notícia um ano antes, em 2012, quando apareceu em uma subcomissão do Senado em que se discutiam as políticas públicas do Ministério da Saúde para mulheres. Discursando contra o direito ao aborto, Martins declarou, sem provas, que as pautas feministas no Brasil eram financiadas por interesses internacionais. Ela ficou conhecida na extrema direita como “a mulher que calou as feministas”. Martins é mulher do influenciador Felipe Nery, que se apresenta no Instagram como “Católico, pai de família e trabalhador na vinha do Senhor no apostolado da Educação”. Em seus posts e pregações, Nery é um dos mais ferrenhos combatentes do que ultraconservadores como ele chamam de “ideologia de gênero” e defensor intransigente da ideia de que uma família só pode ser composta por um homem e uma mulher, definidos como pai e mãe pela biologia. Eram esses os temas essenciais que o casal discutia na época em que criou o site. Com o chamado para o evento com Arsuaga publicado no Biopolítica, Martins e Nery estavam interessados em saber como os espanhóis tinham se organizado para interferir em políticas públicas e fazer valer suas ideias no país. Foto: Divulgação/HazteOir.org Ignacio Arsuaga veio ao Brasil com um propósito: aglutinar e equipar os ativistas de extrema direita brasileiros. A ideia era reproduzir aqui o sucesso da organização espanhola. Com a Hazte Oir, Arsuaga pautava conversas públicas, influenciava políticos, tinha encontros no Vaticano, levantava dinheiro e conseguia estar sempre em evidência. A Hazte Oir e o Citizen Go eram notícia constante, por exemplo, na Agência Católica de Informações, a ACI Prensa, serviço em cinco línguas e um dos maiores geradores de conteúdo noticioso católico do mundo. Renata Martins ficou mundialmente famosa por lá, apresentada como a Madre Brasileña antiaborto. Foi a ACI Prensa que, em 2013, espalhou notícias falsas como a de que a Organização Mundial da Saúde, a OMS, ensinava menores a abortar e a se masturbar. Cartão de embarque de Ignacio Arsuaga. Criada em 2001, a Hazte Oir foi o ponto de partida do que se tornaria, mais tarde, a CitizenGo, uma versão turbinada da mesma ONG, mas com propósitos diferentes. A CitizenGo coletava assinaturas para abaixo-assinados a serviços de
Talibã abre fogo contra manifestantes apoiadores da bandeira nacional, há mortes e feridos

Vídeos nas redes sociais mostram pessoas correndo, tentando fugir de disparos do Talibã na província afegã de Nangarhar Sputnik – Na quarta-feira (18), o Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) abriu fogo contra manifestantes na província de Nangarhar que apoiavam a manutenção da bandeira nacional, segundo uma fonte da Sputnik. O tiroteio provocou mortos e feridos. Vídeos postados nas redes sociais mostram pessoas correndo para escapar dos disparos do Talibã. Alguns jornalistas foram agredidos. Veja abaixo: Afganistan/Nangarhar/Celalabad.. Taliban, Afganistan bayrakları ile kendilerine karşı yürüyüş gerçekleştiren Afganlara ateş açtı. Sayı net olmamakla birlikte 2 kişi öldü, 10 kişi yaralandı. pic.twitter.com/0tWshFNEF0 — CorrespondentTR (@TrCorrespondent) August 18, 2021 #Taliban firing on protesters in Jalalabad city and beaten some video journalists. #Afghanidtan pic.twitter.com/AbM2JHg9I2 — Pajhwok Afghan News (@pajhwok) August 18, 2021 Enquanto isso, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirma que a situação no Afeganistão está se estabilizando. O Talibã permite continuar a evacuação. Discursando perante o Parlamento, Johnson disse que o Reino Unido fará tudo para evitar uma crise humanitária no Afeganistão onde a tomada do país pelos islamistas está ocorrendo mais rápido do que se esperava. O Reino Unido mobilizará mais 800 soldados para apoiar a evacuação a partir do Afeganistão, informou o primeiro-ministro britânico. A retirada de funcionários britânicos e afegãos ligados a governos e organizações estrangeiras está sendo realizada através do único aeroporto em Cabul. Os países ocidentais não podiam continuar a missão liderada pelos EUA no Afeganistão sem as capacidades dos Estados Unidos, sua força aérea e logística, afirmou Johnson. O Talibã será avaliado com base em suas ações e não em suas palavras, disse o primeiro-ministro. “Julgaremos este regime com base nas escolhas que fizer, e por suas ações e não por suas palavras, por sua atitude em relação ao terrorismo, ao crime e aos narcóticos, bem como pelo acesso humanitário, e pelos direitos das meninas a receberem educação”, segundo Johnson. Ontem (17), o movimento realizou a primeira coletiva de imprensa após ter tomado o poder na República Islâmica, em 15 de agosto. O Talibã revelou que quer se tornar parte da comunidade internacional e pretende estabelecer diálogo com personalidades oficiais do antigo governo afegão para garantir que se sintam seguros. Os islamistas informaram que os civis afegãos devem entregar suas armas e munições aos membros autorizados do Talibã, adicionando que qualquer queixa de civis contra combatentes talibãs será investigada.
Pessoas se agarram ao trem de pouso de avião para fugir de Cabul, com a chegada dos Talibãs

Em outro vídeo é possível ver um corpo caindo de um avião. Não há como afirmar, até o momento, se é a mesma aeronave Com a chegada dos Talibãs à Cabul, capital do Afeganistão, uma multidão correu neste domingo (15), ao aeroporto para tentar deixar o país. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra homens se agarrando ao trem de pouso de um jato da Força Aérea dos EUA para tentar escapar. ???????? De outro ângulo: pic.twitter.com/vE2TswwkmC — Eixo Político (@eixopolitico) August 16, 2021 Em outro vídeo é possível ver um corpo caindo de um avião. Não há como afirmar, até o momento, se é a mesma aeronave. Inacreditável e trágico: Na tentativa de fugir do Afeganistão, duas pessoas que se amarraram a uma roda de avião caem do alto, enquanto a aeronave decola. #Afghanistan https://t.co/8oGrOFsd8r — Douglas Protázio (@douglasprotazio) August 16, 2021 Ao contrário das previsões do presidente americano Joe Biden, a situação no aeroporto internacional de Cabul, está em caos e parece repetir Saigon. Um funcionário norte-americano afirmou à Reuters que militares dos EUA que supervisionam a evacuação de seus cidadãos no aeroporto realizaram disparos de advertência para conter a multidão. Os militares dos EUA dizem ter assegurado o perímetro do aeroporto. As imagens foram registradas por alguém que estava tentando voar para a Turquia. “A multidão estava fora de controle. Os disparos apenas evitaram o caos”, afirmou. Fontes locais afirmaram à Sputnik que diversas pessoas foram mortas após os soldados norte-americanos abrirem fogo contra a multidão no aeroporto de Cabul. Revista Fórum