Mutação do vírus: nova cepa mais infecciosa do coronavírus deixa mundo em alerta

 Variação do coronavírus pode estar relacionada com o aumento vertiginoso de novos casos no continente europeu. Vários países já suspenderam voos pra o Reino Unido – Brasil continua permitindo Desde o aparecimento de uma nova cepa do coronavírus, 43 países vetaram voos com o Reino Unido, mas o Brasil mantém abertos os aeroportos com origem e destino ao país britânico A nova cepa teria aparecido em meados de setembro em Londres ou em Kent (sudeste) A nova cepa teria aparecido em meados de setembro em Londres ou em Kent (sudeste) (Oli Scarff/AFP) A aparição no Reino Unido de uma nova cepa do coronavírus, muito mais infecciosa que as outras, preocupa os epidemiologistas e levou vários países a suspender seus voos procedentes do território britânico nesse domingo (20). O conselheiro científico do governo britânico, Patrick Vallance, afirmou que essa nova variante do SARS-CoV-2, além de se propagar rapidamente, está se transformando na forma “dominante”, o que gerou “um aumento muito forte” das hospitalizações em dezembro. A nova cepa teria aparecido em meados de setembro em Londres ou em Kent (sudeste), segundo ele. “O grupo consultivo sobre ameaças novas e emergentes de vírus respiratórios (Nervtag) considera que esta nova cepa pode se propagar mais rapidamente”, declarou o médico-chefe da Inglaterra, Chris Whitty, em comunicado. Essa ideia se baseia na constatação de “um aumento muito forte de casos de contágio e de hospitalizações em Londres e no sudeste, em comparação com o resto da Inglaterra nos últimos dias”, explica o professor de medicina Paul Hunter, da Universidade de East-Anglia, citado no site do Science Media Centre. “Este aumento parece ser causado pela nova cepa”, acrescentou, em alusão às informações fornecidas pelas autoridades de saúde. No entanto, “nada indica, até o momento, que esta nova cepa cause uma taxa de mortalidade mais alta ou que afete as vacinas e os tratamentos, mas há trabalhos sendo realizados com urgência para confirmar isso”, continuou Chris Whitty. Epidemiologistas preocupados A informação “sobre esta nova cepa é muito preocupante”, afirmou o professor Peter Openshaw, imunologista do Imperial College de Londres, citado pelo Science Media Centre. Principalmente porque “parece ser entre 40% e 70% mais transmissível”. “É uma notícia muito ruim”, comentou o professor John Edmunds, da London School of Hygiene & Tropical Medicine. “Parece que esse vírus é muito mais infeccioso que a cepa anterior”. Em sua página do Facebook, o geneticista francês Axel Kahn lembrou que, até agora, “foram sequenciadas 300 mil mutações do SARS-CoV-2 no mundo”. A nova cepa incorpora uma mutação, chamada “N5017”, na proteína da “espícula” do coronavírus, que permite que o vírus se prenda às células humanas para penetrá-las. Segundo o doutor Julian Tang, da Universidade de Leicester, “essa mutação N501Y já circulava muito antes, de forma esporádica, neste ano fora do Reino Unido, na Austrália em junho-julho, nos Estados Unidos em julho e no Brasil em abril”. “Os coronavírus sofrem mutações o tempo todo, então não é surpreendente que surjam novas variantes do SARS-CoV-2”, lembrou o professor Julian Hiscox, da Universidade de Liverpool. “O mais importante é tentar saber se essa variante tem propriedades que têm um impacto na saúde dos humanos, nos diagnósticos e nas vacinas”. “Quanto mais vírus houver e, portanto, mais pessoas afetadas, mais mutações aleatórias haverá” que sejam “vantajosas para o vírus”, acrescentou Axel Kahn. Suspensão de voos A confirmação do nível de transmissão desta cepa levou as autoridades britânicas a decretarem um novo confinamento em Londres e em parte da Inglaterra, afetando um total de 16 milhões de habitantes. “Infelizmente, a nova cepa estava fora de controle. Devemos retomar o controle, é a única forma de fazê-lo, restringir os contatos sociais”, declarou neste domingo o ministro britânico da Saúde, Matt Hancock. Depois da Holanda, que suspendeu nesse domingo todos os seus voos de passageiros procedentes do Reino Unido, a Bélgica também suspenderá as conexões aéreas e ferroviárias com esse país e a Alemanha estuda “seriamente” tomar uma medida semelhante, que também afetaria a África do Sul. O governo da Espanha também informou no domingo que pediu a Bruxelas uma resposta “coordenada” sobre os voos com o Reino Unido. “O objetivo é proteger os direitos dos cidadãos comunitários a partir da coordenação, evitando a unilateralidade”, explicou o governo espanhol em um comunicado. A Espanha fez o pedido “nesta manhã (domingo) à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e ao presidente do Conselho Charles Michel”, afirmou o comunicado. Caso não haja uma atuação conjunta, Madri tomará medidas “em defesa dos interesses e direitos dos cidadãos espanhóis”, acrescentou o governo do socialista Pedro Sánchez. Ao anunciar o reconfinamento de Londres e partes do sudeste da Inglaterra, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson relacionou o aumento de casos de Covid-19 nessas áreas com a nova cepa do coronavírus descoberta. Reforçar controles A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu aos seus membros na Europa que “reforcem seus controles” sobre a nova variante do coronavírus que circula no Reino Unido, afirmou neste domingo (19) seu setor europeu. Fora do território britânico, alguns casos foram notificados na Dinamarca (9), assim como um caso na Holanda e na Austrália, de acordo com a OMS, que recomenda que seus membros “aumentem sua (capacidade de) sequenciamento” do vírus antes de saber mais sobre os riscos apresentados por essa variante, disse um porta-voz da OMS Europa. A OMS afirmou que, além de “indícios preliminares de que a variante poderia ser mais contagiosa”, a cepa em questão “também pode afetar a eficácia de alguns métodos diagnósticos segundo informações preliminares”. Em vez disso, “não há evidências de qualquer alteração na gravidade da doença”, embora essa questão também esteja sendo investigada. A OMS oferecerá mais informações assim que tiver “uma visão mais clara das características dessa variante”, disse um porta-voz da OMS na Europa. “Por toda a Europa, onde a transmissão é alta e generalizada, os países devem reforçar seus procedimentos de controle e prevenção”, enfatizou a OMS. Em uma escala global, a OMS recomenda que “todos os países aumentem suas capacidades de sequenciamento do vírus SARS-CoV-2 sempre que possível

China desmente fake news bolsonarista e afirma que já vacinou mais de 1 milhão

País asiático autorizou três vacinas diferentes desenvolvidas por seus laboratórios. A CoronaVac, que contou com a colaboração do Instituto Butanta, é a mais utilizada até o momento Para você recebeu aquela corrente de whatsapp dos amigos bolsonaristas dizendo que “a China fez a CoronaVac para exportar e não vai aplicar na sua própria população” e não sabia se era verdade ou não, informamos que neste sábado (19), a Comissão Nacional de Saúde da China divulgou um balanço da campanha de vacinação no país, iniciada neste mês de dezembro, o qual afirma que ao menos um milhão de pessoas já foram imunizadas. A informação foi dada pelo diretor da entidade, Zheng Zhongwei, que também assegurou que as pessoas vacinadas até o momento “não apresentaram nenhuma reação adversa séria, apenas alguns pouquíssimos casos de alergias localizadas”. Zheng também explicou que todos os vacinados até agora pertencem ao chamado “grupo de alto risco”, composto por maiores de 65 anos e portadores de doenças crônicas como hipertensão e diabetes. Segundo a agência de notícias Xinhua, a Comissão Nacional de Sáude da China estabeleceu uma meta ambiciosa: concluiu o mês de fevereiro de 2021 com ao menos 50 milhões de pessoas vacinadas. Para isso, estão sendo utilizados três produtos diferentes. Um deles é a vacina CoronaVac, cuja última fase de testes clínicos contou com a colaboração do Instituto Butantan, e que o governo do Estado de São Paulo espera começar a aplicar a partir de janeiro de 2021. A outra vacina que está sendo utilizada é a desenvolvida pelo laboratório Sinopharm. Um terceiro produto, produzido pelo laboratório CanSino Biologics, já conta com a aprovação das autoridades chinesas e deve começar a ser utilizado neste final de dezembro País onde se registraram os primeiros casos de covid-19 no mundo, a exatamente um ano atrás, a China foi um dos países que melhor lidou com a pandemia. Após dois meses de crise sanitária, o país conseguiu controlar a propagação da doença, e registra apenas 95 mil casos oficiais, com menos de 5 mil mortes.

Em derrota diplomática histórica, Bolsonaro fica de fora da cúpula do clima, onde estarão 80 chefes de Estado

 Preocupado, o Itamaraty, comandado por Ernesto Araújo, tenta uma solução para a crise política e, extra-oficialmente, a chancelaria ainda aposta na inclusão do Brasil no evento – O Brasil ficou de fora da lista de palestrantes da Cúpula da Ambição Climática 2020 (Climate Ambition Summit), evento organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que deverá reunir cerca de 80 chefes de estado. O evento será virtual e ocorrerá no sábado (12). A exclusão do Brasil, que tem adotado política de relaxamento à preservação do Meio Ambiente, está sendo vista como uma das piores derrotas diplomáticas desde o início do governo de Jair Bolsonaro. Segundo o jornalista Jamil Chade, colunista do UOL, o Itamaraty ainda busca uma solução para a crise política e, extra-oficialmente, a chancelaria ainda aposta na inclusão do Brasil no evento. Para o governo, a situação não é definitiva e a esperança é de que exista espaço para reverter. Nas Américas foram incluídos Uruguai, Argentina, Colômbia, Peru, Belize, Cuba, Costa Rica, Equador, Jamaica, Guatemala, Honduras, Panamá e Canadá. Também estão na relação países da Europa e a China. Além do Brasil, ficaram de fora o México e os Estados Unidos. Nesta semana, o governo brasileiro apresentou suas metas de emissões de gases de efeito estufa para o ano de 2060 e submeteu seus planos para a ONU. Os objetivos foram considerados como inferiores ao que se esperava do Brasil.

Sem Trump, Bolsonaro se curva ao argentino Fernández

 – Isolado politicamente no plano internacional, o presidente Jair Bolsonaro finalmente se curvou ao colega argentino Alberto Fernández após um ano de sua posse. Nesta segunda-feira (30), Bolsonaro teve sua primeira conversa bilateral com o peronista Fernández. O encontro foi por videoconferência e durou mais de uma hora. Bolsonaro e Fernández bateram boca em vários momentos, antes, durante e depois da vitória do presidente argentino. Ele bateu nas urnas Mauricio Macri, que era apoiado abertamente pelo presidente brasileiro. “A única diferença que temos é no futebol”, disse Alberto Fernández, minimizando o histórico de confrontos políticos e ideológicos com Jair Bolsonaro. Segundo o jornal argentino Clarín, Bolsonaro não ofereceu condolências a Fernández pela morte de Diego Maradona na quarta-feira (25) passada. O presidente argentino afirmou que Brasil e Argentina “são irmãos, mais do que semelhantes” e disse que espera em “pouco tempo” apertar a mão de Bolsonaro. A reunião de hoje se deu, dia 30 de novembro, motivada pela comemoração dos 35 anos do acordo assinado entre Raúl Alfonsín e José Sarney, que lançou as bases do Mercosul. A ideia original do embaixador argentino em Brasília, Daniel Scioli, era reuni-los em Foz de Iguaçu, onde os ex-presidentes assinaram justamente a chamada Declaração do Iguaçu. Nesta segunda-feira houve uma espécie de cerimônia virtual em memória desse acordo, para a qual Sarney, 90, foi convidado hoje. Bolsonaro disse que “o que é bom para o Brasil é bom para a Argentina” e que os brasileiros estão abertos para juntos serem “mais fortes”. A Argentina assume a presidência do Mercosul no dia 16 de dezembro e sua ideia é conseguir a incorporação da Bolívia como membro titular do bloco. Bolsonaro e Fernández nunca se falaram, nem mesmo ao telefone, e têm pontos de vista conflitantes em quase todas as frentes. Eles só se viram coletivamente em uma cúpula virtual do Mercosul no meio do ano. Mas o envio do ex-vice-presidente Scioli como embaixador em Brasília começou a suavizar as coisas. A Argentina disputa com a China a condição de principal parceira comercial do Brasil.

OMS: situação da covid-19 no Brasil é ‘muito preocupante’ e país deve ser ‘sério’

 “O Brasil teve seu ápice em julho. O número de casos estava diminuindo, mas em novembro os números voltaram a subir. O Brasil precisa levar muito, muito a sério esses números. É muito, muito preocupante”, afirmou Adhanom. O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o Brasil precisa ”levar a sério” o aumento dos casos de Covid-19. “O Brasil precisa levar a situação a sério”, disse ele em um recado direto ao governo Jair Bolsonaro, de acordo com reportagem da coluna do jornalista Jamil Chade, no UOL. Segundo Ghebreyesus, em menos de um mês os números de casos e óbitos relacionados à pandemia dobraram no Brasil, o que torna a situação “muito preocupante”. A reportagem destaca, ainda, que o diretor de operações da OMS, Mike Ryan, disse recentemente que países como o Brasil deveriam “agir rapidamente” para conter o avanço da pandemia.

Argentina: Deputados aprovam taxação de grandes fortunas

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou nesta quarta-feira (18) um projeto de lei que estabelece a taxação de grandes fortunas. O texto segue agora o Senado. O projeto, que contou com 133 votos favoráveis, 115 contrários e duas abstenções, cria um imposto “extraordinário” para as pessoas que tem patrimônio superior a 200 milhões de pesos (US$ 2,35 milhões) com uma taxa progressiva de até 3,5% para ativos na Argentina e até 5,25% sobre bens fora do país. Ao todo, o imposto vai atingir entre nove mil e 12 mil pessoas e deve arrecadar cerca de US$ 3 bilhões. O projeto, defendido pelo atual presidente, Alberto Fernández, destinará 20% do valor arrecadado para a compra de materiais e instrumentos para a emergência sanitária provocada pela pandemia de coronavírus Sars-CoV-2; 20% para investimentos nas pequenas e médias empresas; 15% em programas de desenvolvimento das áreas mais pobres da Argentina; 20% para bolsas de estudo do Programa de Ajuda aos Estudantes (Progresar) – que permite que os estudantes concluam seus estudos em qualquer nível de ensino -; e 25% para programas de exploração e desenvolvimento de gás natural. Com informações do Uol

Biden confirma vitória na Pensilvânia e é eleito presidente dos EUA

“Está na hora de colocar a raiva de lado e nos unir como país” Candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden se disse honrado com a eleição. “Enfrentando obstáculos sem precedentes, uma quantidade recorde de norte-americanos votou”, disse Biden no Twitter WASHINGTON (Reuters) – O democrata Joe Biden disse neste sábado (7) que estava honrado por ter sido escolhido pelos norte-americanos como presidente e disse que agora é a hora de curar as divisões causadas pela campanha eleitoral e promover a união do país. “Estou honrado e me sinto muito humilde diante da confiança que o povo norte-americano depositou em mim e na vice-presidente eleita Harris. Enfrentando obstáculos sem precedentes, uma quantidade recorde de norte-americanos votou”, disse Biden no Twitter. “Com o fim da campanha, está na hora de colocar a raiva e a retórica rude de lado e nos unir como país. Está na hora de os Estados Unidos se unirem. E se curarem.”

Tchau, tchau, Trump, tchau tchau, e carrega o Bolsonaro pra mim

 Depois da Geórgia, Biden vira sobre Trump na Pensilvânia e está perto da vitória nas eleições dos EUA Caso seja confirmada a vitória na Pensilvânia, que garante 20 votos de delegados, Biden estaria eleito presidente dos EUA, sem nem mesmo precisar dos 16 delegados da Geórgia Após iniciar a sexta-feira (6) liderando as eleições na Geórgia, Joe Biden virou a contagem de votos sobre Donald Trump também na Pensilvânia, outro estado decisivo na disputa à Casa Branca. Por volta das 11h, com mais de 95% dos votos apurados, Biden contabilizava 3.295.304 (49,4%) dos votos na Pensilvânia contra 3.289.717 (49,3%) de Trump – uma diferença de pouco mais de 5 mil votos. A maioria dos votos da virada vieram do condado da Pensilvânia. Caso seja confirmada a vitória na Pensilvânia, que garante 20 votos de delegados, Biden estaria eleito presidente dos EUA, assegurando uma projeção de 273 votos no colégio, sem precisar nem mesmo dos votos dos 16 delegados da Geórgia.

Papa Francisco nomeia novos cardeais, incluindo crítico de Trump

 Entre os nove novos cardeais elegíveis está o arcebispo de Washington, nos Estados Unidos, Wilton Gregory Reuters – Querendo deixar sua marca na Igreja Católica Romana para o futuro, o papa Francisco nomeou neste domingo 13 cardeais de oito países, incluindo nove nomes que são elegíveis para o conclave que elegerá seu sucessor após sua morte ou renúncia. Entre os nove novos cardeais elegíveis, que o papa listou em um anúncio surpresa ao se dirigir aos peregrinos de sua janela com vista para a Praça de São Pedro, está o arcebispo de Washington, nos Estados Unidos, Wilton Gregory. Gregory, que se tornará o primeiro afro-americano a ocupar o cargo, tornou-se uma figura nacional nos últimos meses. Ele pediu mais diálogo para aliviar as tensões raciais nos Estados Unidos após a morte de George Floyd sob custódia da polícia de Minneapolis em maio. E também entrou em confronto indireto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em junho passado, quando disse ter achado “desconcertante e repreensível” que uma Igreja Católica em Washington tenha permitido a Trump usar suas instalações para uma sessão de fotos. Apoiadores de Trump chegaram a denunciar Gregory. O papa Francisco já nomeou cerca de 57% dos cardeais elegíveis para o conclave.

Evo Morales: vitória de Luis Arce, do MAS na Bolívia foi “um triunfo histórico e inédito”

 “A vitória eleitoral contundente demonstra que em 2019 não houve fraude, mas sim um golpe de Estado. Com Lucho Arce, levantaremos, unidos, novamente a Bolívia”, disse o ex-presidente boliviano em entrevista ao jornalista Breno Altman. – O ex-presidente boliviano deposto por um golpe de Estado em 2019, Evo Morales, disse em entrevista ao jornalista Breno Altman, do Opera Mundi, que a vitória de Luis Arce, do MAS (Movimento ao Socialismo), na eleição presidencial de 2020 é uma resposta aos golpistas e se trata de “um triunfo histórico e inédito”. Para Morales, “a vitória eleitoral contundente demonstra que em 2019 não houve fraude, mas sim um golpe de Estado”. “Com Lucho Arce, levantaremos, unidos, novamente a Bolívia”, disse. Ele ainda afirmou que o golpe do ano passado teve como objetivo a dominação do lítio, recurso natural boliviano estratégico para empresas de tecnologia. “O golpe de 2019 também foi um golpe ao lítio. As empresas norte-americanas reconheceram que financiaram o golpe de Estado. A luta da humanidade é a luta de quem controla os recursos naturais. Na Bolívia, graças à luta dos movimentos indígenas e dos movimentos nacionais, decidimos nacionalizar e recuperar os recursos para mudar a situação política do país”. Evo Morales ainda cobrou que os demais países da América Latina se protejam e protejam os recursos naturais próprios e dos vizinhos. “Os países da América Latina têm a obrigação de defender nossos recursos naturais. Por que tantas tentativas de invasão, de golpe dos EUA na Venezuela? Tantas ameaças jurídicas contra meu irmão Nicolás Maduro [presidente venezuelano]? É por seu petróleo!”. O ex-presidente contou que ficou surpreso com a “união” de seu povo, que levou Arce à presidência. “Com a unidade do povo, com essa convicção revolucionária, com esse alto espírito democrático e pacifista, democraticamente derrotamos os golpistas e as políticas dos Estados Unidos. Foi impressionante a vitória. Creio no movimento indígena, nas forças sociais do meu país”. Sob o comando de Arce, a Bolívia, segundo Evo Morales, continuará mantendo uma relação saudável com os países vizinhos, inclusive com o Brasil de Jair Bolsonaro. “Será uma relação sempre de amizade, assim como tivemos com [o então presidente argentino Mauricio] Macri, [o presidente brasileiro Jair] Bolsonaro e [o presidente chileno Sebastián] Piñera, apesar das diferenças ideológicas e programáticas na América Latina. Precisamos trabalhar nossas diferenças”. Morales descartou a possibilidade de assumir um cargo no governo do colega. “Não, jamais assumiria. Vou ao Trópico de Cochabamba [região ao norte da Bolívia] para fazer agricultura, uma piscina de tambaqui”.