Número de mortes causadas pela Covid-19 pode ser três vezes maior que o relatado, diz OMS

 Vista aérea túmulos em cemitério de Manaus, de vítimas da covid-19 Foto (Michael Dantas/AFP) Relatório da entidade aponta que a Covid-19 provocou no ano passado pelo menos três milhões de mortes diretas ou indiretas O excesso de mortes provocado pela pandemia é entre duas e três vezes maior que os óbitos atribuídos à Covid-19 desde a detecção dos primeiros casos no fim de 2019 na China, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS). Durante a publicação de seu relatório anual sobre as estatísticas de saúde no mundo, a OMS informou que a Covid-19 provocou no ano passado pelo menos três milhões de mortes diretas ou indiretas. Mas o balanço oficial de óbitos atribuídos ao coronavírus no fim de 2020 era de 1,8 milhão. “Isto corresponde a estimativas similares, que previam que o número total de mortes seria ao menos duas a três vezes maior que o balanço oficial de mortos por covid-19”, afirmou Samira Asma, vice-diretora geral responsável por dados na OMS. De acordo com os cálculos, a especialista acredita que a pandemia provocou até o momento “de seis a oito milhões” de mortes diretas e indiretas. “A pandemia de Covid constitui uma ameaça importante para a saúde e o bem-estar das populações de todo o mundo”, destacou. Samira Asma afirmou ainda que a OMS está trabalhando com os países para determinar qual é o “verdadeiro balanço humano da pandemia e, assim, estar melhor preparada para a próxima urgência”. A diferença entre os que especialistas denominam de “excesso de mortes” e o balanço oficial de óbitos vinculados à Covid-19 é provocada por vários fatores. Alguns países notificam as mortes com atraso, assim como algumas pessoas morrem sem passar por nenhum teste de diagnóstico. Outras falecem de outras doenças que não foram tratadas, por medo de comparecer ao centro de saúde ou por causa das medidas de confinamento. “O excesso de mortes nos apresenta uma imagem melhor, pois aponta os efeitos diretos e indiretos”, declarou William Msemburi, analista no departamento de dados da OMS. AFP

A direita sai derrotada da eleição Constituinte do Chile neste fim de semana

Os 96,2% dos votos apurados até a madrugada desta segunda (17) mostram que as duas frentes que aglutinam os candidatos da esquerda devem ficar com 52 assentos, seguida pelos candidatos independentes, que alcançaram juntos 48 cadeiras. Já a lista unificada da direita obteve 38. Há ainda 17 assentos reservados a representantes de povos indígenas. Esses números da eleição Constituinte foram divulgados pela DW Brasil. “A esquerda e chapas independentes, formadas por cidadãos que não são ligados a partidos políticos, devem garantir a maioria dos 155 assentos na Assembleia Constituinte, que irá redigir uma nova Carta Magna para substituir a atual, em vigor desde a ditadura de Augusto Pinochet”, informa a agência. O Chile encerrou neste domingo (16) um fim de semana histórico, com as mais importantes eleições desde 1970, quando foi eleito Salvador Allende, deposto por um golpe sangrento três anos depois. Os 14,9 milhões de chilenos aptos a votar elegeram, pela primeira vez, os governadores das 16 regiões administrativas do país – antes indicados pela presidência da República –, além de prefeitos e vereadores. E superaram, ainda, o legado de Augusto Pinochet ao eleger os 155 integrantes da Convenção Constituinte. A atual Carta Magna, de 1980, foi produto do regime neoliberal ditatorial liderado pelo general golpista. A assembleia constituinte é resultado de uma forte mobilização social na última década que culminou com as gigantescas manifestações populares de 2019. Clique aqui para ler a matéria na integra em “RBA”

Negacionista na pandemia, primeiro-ministro da Índia sofre derrota nas urnas

 Premiê mais poderoso em cinco décadas, Narendra Modi investiu pesado para conquistar o estado de Bengala Ocidental, mas foi castigado pela gestão da pandemia O partido do premiê da Índia, o nacionalista hindu BJP, sofreu um duro golpe nas urnas em Bengala Ocidental. “Não há como não associar esta derrota aos efeitos catastróficos da pandemia na Índia. Premiê mais poderoso em cinco décadas, Modi enfrenta agora os amargos reflexos do negacionismo: autorizou festivais religiosos com milhares de peregrinos e comandou, sem máscaras, gigantescos comícios eleitorais, enquanto a doença se alastrava”, escreve a jornalista Sandra Cohen no Globo. A imagem messiânica do primeiro-ministro, que assumiu o poder em 2014 e foi reeleito cinco anos depois, é transmutada pela fúria popular. O governo é acusado de inação e despreparo. E responsabilizado pela maior crise humanitária da Índia desde a independência, em hashtags, como #ModiMustResign e #ModiMadeDisaster, que proliferam nas redes sociais. Modi foi tachado de “superpropagador” do vírus pelo vice-presidente da Associação Médica Indiana, Navjot Dahiya: “Ele jogou ao vento todas as normas da Covid-19.” Críticos o acusam de priorizar as eleições em detrimento da pandemia e de afrouxar rapidamente os rígidos bloqueios para não perder votos.

Le Monde: o Brasil se afunda cada vez mais em uma tragédia sanitária

O Brasil, um dos principais epicentros da pandemia atualmente, enfrenta uma crise sanitária catastrófica. Mas, por trás da tragédia, um duelo político se trava pelo futuro do país. Quem fala a respeito, em podcast publicado nesta quinta-feira (29) no site de Le Monde, é Bruno Meyerfeld, correspondente do jornal francês no Brasil. “Enquanto um duelo político se desenha nos bastidores, o Brasil se afunda cada vez mais em uma tragédia sanitária”, diz Le Monde. De um lado, o jornal apresenta um presidente “coronacético e antivacina assumido”, autor de frases absurdas para desmoralizar a campanha contra a Covid-19. Do outro, o ex-presidente Lula, que se fez vacinar diante das câmeras e diz que Bolsonaro “tem que parar de ser ignorante”. “É o maior drama humanitário da história do Brasil”, diz Bruno Meyerfeld. Ele lembra que especialistas acreditam que o Brasil vai chegar aos 600 mil mortos até final de julho. “Ou seja, o dobro dos números atuais”. Meyerfeld conta sua experiência própria em visitar uma UTI de um hospital no Brasil. Ele disse ter ficado chocado ao ver uma ala inteira com pacientes de 30, 40, 50 anos. Ele se lembra especialmente de um jovem, entubado: Rafael, de 29 anos. Falta de vacinas Não se trata de falta de estrutura para a imunização, diz o repórter. “O Brasil foi um dos campeões da vacinação contra a H1N1 em 2009, vacinando 80 milhões de pessoas em 4 meses”, lembra. A falta de imunizantes se dá, como na França, pela dificuldade de produção. Mas o repórter ressalta que no Brasil, a política antivacina de Bolsonaro é outro freio para deter a pandemia. “Jair Bolsonaro é assumidamente contra a vacina. É um defensor inveterado da hidroxicloroquina, falando desde o início de ‘gripezinha’, da inutilidade das máscaras”, lembra Meyerfeld. Lula pode vencer Bolsonaro “Lula é um adversário muito sério, o único capaz de ganhar hoje de Bolsonaro”, diz o correspondente de Le Monde no Brasil. “Mas Lula também afasta muita gente e o ‘sistema’ teme a volta de um Lula vingativo”, reitera. “Encontrei Lula na prisão há algumas semanas, depois de ter sido inocentado. Ele é um animal político excepcional, é a maior fera política da história do Brasil. Ele se compara a Joe Biden, sonha claramente com a volta, mesmo que não assuma, por enquanto, ser candidato. Mas ele se comporta como se estivesse em campanha, dá para ver que ele sente saudades das multidões”, conta o jornalista. “O que pode influenciar a população?”, pergunta Le Monde. “Pode ser que até lá a maioria esteja vacinada e a pandemia não conte mais. O que vai estar em jogo é a política e, talvez, a ecologia. Bolsonaro perdeu apoio de Trump, e Biden é claramente a favor de proteger o meio ambiente. Isso pode ter impacto na campanha, mesmo que hoje o clima esteja totalmente ausente do cenário dominado pela pandemia e pela crise econômica”, conclui Bruno Meyerfeld. Por RFI  

Como os Estados Unidos usaram a Lava Jato para seus próprios fins

De acordo com o Le Monde, o objetivo central da operação Lava Jato era, desde o início, acabar com a ameaça representada pelo crescimento de empresas O que começou como a “maior operação contra a corrupção do mundo” e degenerou no “maior escândalo judicial do planeta” não passou, na realidade, de uma estratégia bem-sucedida dos Estados Unidos para minar a autonomia geopolítica brasileira. É o que revela o jornal francês Le Monde publicada neste sábado (10) e assinada por Nicolas Bourcier e Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc) da universidade Sciences Po de Paris. De acordo com o Le Monde, o objetivo central da operação Lava Jato era, desde o início, acabar com a ameaça representada pelo crescimento de empresas brasileiras que punham em risco os interesses dos Estados Unidos. Tudo começou em 2007, durante o governo George W. Bush. As autoridades norte-americanas estavam incomodadas pela falta de cooperação dos diplomatas brasileiros com seu programa de combate ao terrorismo. O Itamaraty, sob o governo Lula, não estava disposto a embarcar na histeria dos EUA. Para contornar o desinteresse oficial, a embaixada dos EUA no Brasil passou a investir na tentativa de criar um grupo de experts locais, simpáticos a seus interesses e dispostos a aprender seus métodos, “sem parecer peões” num jogo, conforme indica um telegrama do embaixador Clifford Sobel a que o Le Monde teve acesso. Assim, naquele ano, Sergio Moro foi convidado a participar de um encontro, financiado pelo Departamento de Estado norte-americano – o equivalente a um Ministério das Relações Exteriores. O convite foi aceito – e Moro fez contato com diversos representantes do FBI, do Departament of Justice (DOJ) e do próprio Departamento de Estado dos EUA (equivalente ao Itamaraty). Para aproveitar a dianteira obtida, os EUA foram além e criaram um posto de “conselheiro jurídico” na embaixada brasileira, que ficou a cargo de Karine Moreno-Taxman, especialista em combate à lavagem de dinheiro e ao terrorismo. Por meio do “projeto Pontes”, os EUA garantiram a disseminação de seus métodos. Entre as iniciativas implantadas, há a criação de grupos de trabalho anticorrupção, a aplicação de sua doutrina jurídica (principalmente o sistema de recompensa para as delações) e o compartilhamento “informal” de informações sobre os processos – ou seja, fora dos canais oficiais. Qualquer semelhança com a Lava Jato não é mera coincidência. Em 2009, dois anos depois, Moreno-Taxman foi convidada a falar na conferência anual dos agentes da Polícia Federal brasileira, em Fortaleza. Diante de mais de 500 profissionais, a norte-americana ensinou os brasileiros a fazer o que os EUA queriam: “Em casos de corrupção, é preciso ir atrás do ‘rei’ de maneira sistemática e constante, para derrubá-lo”. “Para que o Judiciário possa condenar alguém por corrupção, é preciso que o povo odeie essa pessoa”, afirmou depois, sendo mais explícita. “A sociedade deve sentir que ele realmente abusou de seu cargo e exigir sua condenação”, completou, para não deixar dúvidas. O nome de Lula não foi citado nenhuma vez, mas, segundo a reportagem, estava na cabeça de todos os presentes, já que o escândalo do “mensalão” ocupava os noticiários do País. Segundo os autores, o PT não viu o monstro que estava sendo criado. As autoridades estrangeiras, com destaque para um grupo anticorrupção da OCDE, amplamente influenciado pelos EUA, começaram a pressionar o País por leis mais duras de combate à corrupção. Nesse contexto, Moro foi nomeado, em 2012, para integrar o gabinete de Rosa Weber, recém-indicada para o Supremo Tribunal Federal. Oriunda da Justiça do Trabalho, a ministra precisava de auxiliares com expertise criminal para auxiliá-la no julgamento. Moro, então, foi um dos responsáveis pelo polêmico voto defendendo “flexibilizar” a necessidade de provas em casos de corrupção. “Nos delitos de poder, quanto maior o poder ostentado pelo criminoso, maior a facilidade de esconder o ilícito – esquemas velados, distribuição de documentos, aliciamento de testemunhas. Disso decorre a maior elasticidade na admissão da prova de acusação”, afirmou a ministra em seu voto. O precedente foi levado ao pé da letra pelo juiz e pelos procuradores da Lava Jato anos depois, para acusar e condenar Lula no caso (sem provas) do tríplex. Em 2013, a pressão internacional fez efeito, e o Congresso brasileiro começou a votar a lei anticorrupção. Para não fazer feio diante da comunidade internacional, os parlamentares acabaram incorporando mecanismos previstos no Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) – uma lei que permite que os EUA investiguem e punam fatos ocorridos em outros países. Para especialistas, essa legislação é instrumento de exercício de poder econômico e político dos norte-americanos no mundo. Em novembro daquele mesmo ano de 2013, o procurador geral adjunto do DOJ norte-americano, James Cole, anunciou que o chefe da unidade do FCPA viria imediatamente para o Brasil, com o intuito de “instruir procuradores brasileiros” sobre as aplicações do FCPA. A nova norma preocupou juristas já na época. O Le Monde cita uma nota de Jones Day prevendo que a lei anticorrupção traria efeitos deletérios para a Justiça brasileira, devido a seu caráter “imprevisível e contraditório”, além da ausência de procedimentos de controle. Diz o documento, “qualquer membro do Ministério Público pode abrir investigações em função de suas próprias convicções, com reduzidas possibilidades de ser impedido por uma autoridade superior”. Dilma Rousseff, já presidente à época, preferiu não dar razões para mais críticas ao seu governo, que só aumentavam, e sancionou a lei, apesar dos alertas. Em 29 de janeiro de 2014, a lei entrou em vigor. Em 17 de março, o procurador-geral da República da época, Rodrigo Janot, chancelou a criação da “força-tarefa” da Lava Jato. Desde o surgimento, o grupo atraiu a atenção da imprensa, narra o jornal. “A orquestração das prisões e o ritmo da atuação do Ministério Público e de Moro transformaram a operação em uma verdadeira novela político-judicial sem precedentes”, afirmam Bourcier e Estrada. No mesmo momento, a administração de Barack Obama nos EUA dava mostras de seu trabalho para ampliar a aplicação do FCPA e aumentar a jurisdição dos EUA no

Novo chanceler do Brasil defende diplomacia sem exclusões e sem preferências ideológicas.

Em discurso de posse, o novo ministro da Relações Exteriores, Carlos Alberto Franco França, ignorou a gestão de Ernesto Araújo e defendeu diálogo com o Congresso Nacional e “urgência climática” Ao contrário do seu antecessor, Ernesto Araújo, o novo Chanceler do Brasil, o ministro Carlos Alberto Franco França, ao tomar posse na manhã desta terça-feira (6) defendeu “uma diplomacia da saúde” para combater a pandemia e articulação internacional sem preferências ideológicas. “Meu compromisso, enfim, é engajar o Brasil em intenso esforço de cooperação internacional, sem exclusões. E abrir novos caminhos de atuação diplomática, sem preferências desta ou daquela natureza”, disse Franco. O novo ministro das Relações Exteriores definiu como prioridade número um o combate à pandemia. ”A primeira urgência é o combate à pandemia da Covid-19. Sabemos todos que essa é tarefa que extrapola uma visão unicamente de governo. E que, no governo, compete também ao Itamaraty, em conjunto com o Ministério da Saúde. As Missões diplomáticas e Consulados do Brasil no exterior estarão cada vez mais engajados numa verdadeira diplomacia da saúde.” “Em diferentes partes do mundo, serão crescentes os contatos com governos e laboratórios, para mapear as vacinas disponíveis. Serão crescentes as consultas a governos e farmacêuticas, na busca de remédios necessários ao tratamento dos pacientes em estado mais grave. São aportes da frente externa que podemos e devemos trazer para o esforço interno de combate à pandemia. Aportes que não bastam em si, mas que podem ser decisivos”, prometeu o novo chanceler. Franco também afirmou que, em consonância com o presidente Bolsonaro, entende a urgência da agenda econômica e que “o povo brasileiro quer vacina e quer emprego”. “E para crescer, e gerar mais empregos, a agenda da modernização da economia é fundamental. Essa não é agenda estritamente doméstica, por mais cruciais que sejam – e são – as reformas que o Presidente da República promove aqui dentro. Não há modernização sem mais comércio e investimentos, sem maior e melhor integração às cadeias globais de valor – daí o significado da nossa pauta de negociações comerciais”, afirmou Franco em contraste com a gestão anterior do Itamaraty. Alberto Franco também destacou o papel do Brasil nos órgãos internacionais e afirmou que a discordância de ideias e valores devem acontecer, mas sempre no âmbito do diálogo diplomático. “O Brasil sempre foi ator relevante no amplo espaço do diálogo multilateral. Isso não significa, como é evidente, aderir a toda e qualquer tentativa de consenso que venha a emergir, nas Nações Unidas ou em outras instâncias. Não precisa ser assim e não pode ser assim. O que nos orienta, antes de tudo, são nossos valores e interesses. Em nome desses valores e interesses, continuaremos a apostar no diálogo como método diplomático”, disse o ministro. Ao tratar da “urgência climática”, o novo ministro afirmou que o Brasil precisa mostrar que está “na vanguarda do desenvolvimento sustentável e limpo”. “Temos a mostrar ao mundo uma matriz energética que é predominantemente renovável. Um setor elétrico que, três vezes mais limpo do que a média mundial, já pode ser considerado de baixo carbono.” O chanceler também disse que é preciso destacar e mostrar para o mundo que, a agropecuária brasileira “além de ser capaz de alimentar o planeta, tem a marca da sustentabilidade. Quarenta anos de investimentos em ciência nos permitiram produzir mais com relativamente menos terra e com melhor uso do solo. Quem importa alimentos do Brasil, Presidente Bolsonaro, importa tecnologia”. Diferente de seu antecessor, Franco afirmou, ao finalizar o seu discurso, que o “ofício do diplomata” é ser “um construtor de pontes”. Veja o discurso do novo ministro das Relações Exteriores, na íntegra, aqui. Do “globalismo” à “urgência climática” Ainda é cedo para saber como será o trabalho do novo Chanceler do Brasil, Carlos Alberto Franco França, mas, em uma rápida comparação com o discurso de posse de Ernesto Araújo, que deixa o posto, fica nítida a diferença entre ambos e, ao que tudo indica, a diplomacia, no lugar do obscurantismo ideológico, deve prevalecer com a nova gestão. Em seu discurso de posse, Ernesto Araújo alçava o recém-eleito presidente Bolsonaro ao posto de “salvador da nação brasileira”. “Essa convicção íntima e profunda animou o presidente Jair Bolsonaro na luta extraordinária que ele travou e está travando para reconquistar o Brasil e devolver o Brasil aos brasileiros. Nesse versículo de São João há três conceitos cruciais para o pensamento humano, para a vida humana e para o nosso momento histórico. Nós temos Gnosis, que é o conhecimento, Aletheia, a verdade, e Eleuthería, a liberdade”, disse à época Araújo. Em outro momento, Araújo chegou a afirmar que iria libertar a diplomacia do Brasil, mas até hoje não revelou do que necessariamente. “O presidente Bolsonaro está libertando o Brasil, por meio da verdade. Nós vamos também libertar a política externa brasileira, vamos libertar o Itamaraty, como o presidente Bolsonaro prometeu que faríamos, em seu discurso de vitória.” Chegou mesmo a atacar a “ordem global” e dizer que o seu trabalho era pelo Brasil. “Não estamos aqui para trabalhar pela ordem global. Aqui é o Brasil. Não tenham medo de ser Brasil. Não tenham medo”, disse Araújo, revelando que, de fato, o Itamaraty deixaria de construir pontes internacionais. E, em um completo contrassenso Araújo chegou a afirmar que “o Itamaraty existe para o Brasil, não existe para a ordem global […] A partir de hoje, o Itamaraty regressa ao seio da pátria amada. O Itamaraty voltou, porque o Brasil voltou.” “Hoje escutamos que a marcha do globalismo é irreversível. Mas não é irreversível. Nós vamos lutar para reverter o globalismo e empurrá-lo de volta ao seu ponto de partida. Nós queremos levar a toda parte o grito sagrado da liberdade, eleuthería. Esse foi o primeiro grito de guerra do Ocidente em seu nascimento”, exortou Ernesto Araújo. Lembrar e comparar esses trechos do discurso de posse de Ernesto Araújo ajudar a entender por que o novo ministro ignorou a gestão dele, pois, assim como o seu discurso, o trabalho do ex-chanceler não trouxe nada de produtivo ao

Washington Post diz que Bolsonaro prepara golpe contra quem quer tirá-lo da presidência

 “O presidente brasileiro já contribuiu muito para o agravamento da pandemia covid-19 em seu próprio país e, por meio da disseminação da variante brasileira, pelo mundo. Ele não deve ter permissão para destruir uma das maiores democracias do mundo também”, diz o jornal dos EUA Em editorial nesta sexta-feira (2), o jornal Washington Post, um dos mais influentes dos EUA, afirma que “em vez de lutar contra o coronavírus, Bolsonaro parece estar preparando as bases para outro desastre: um golpe político contra os legisladores e eleitores que poderiam removê-lo do cargo”. Entre as ameaças vistas por Bolsonaro, segundo o Post, estariam os pedidos de impeachment no congresso e “o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva emergindo como um potente adversário nas eleições do ano que vem”, fatores que teriam motivado as demissões dos comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica, além das trocas em ministérios. “As medidas foram suficientes para levar seis prováveis ​​candidatos à presidência a emitir uma declaração conjunta alertando que ‘a democracia do Brasil está ameaçada’. ‘O claro plano de apoio do Bolsonaro’, escreveu o editor-chefe Brian Winter no Americas Quarterly, ‘é ter tantos homens armados do seu lado quanto possível no caso de um impeachment ou um resultado adverso na eleição de 2022′”, diz o jornal, sobre o armamento de grupos de apoiadores pelo presidente brasileiro. O WP lembra que mesmo após três decadas de consolidação das instituições democráticas “há motivos para preocupação” e fala da “admiração” de Bolsonaro pela ditadura militar que governou o país nas décadas de 1960 e 1970. “O presidente brasileiro já contribuiu muito para o agravamento da pandemia covid-19 em seu próprio país e, por meio da disseminação da variante brasileira, pelo mundo. Ele não deve ter permissão para destruir uma das maiores democracias do mundo também”, afirma o jornal estadunidense. Via Revista Fórum

Tribunal russo multa Twitter em mais de US$ 110 mil por não remover “dados ilegais”

 Moscou avisou anteriormente que poderia aplicar uma multa no Twitter, assim como em outras redes sociais e aplicativos, por violar as leis russas ao disseminar materiais ilegais Sputnik – Um tribunal de Moscou, Rússia, multou a rede social Twitter por esta se recusar a remover de sua plataforma dados que violam a lei russa. A assessoria de imprensa do tribunal afirmou à Sputnik que a rede social norte-americana será obrigada a pagar três multas, uma de quase US$ 42.000 (aproximadamente R$ 239 mil), outra no valor de US$ 43.000 (R$ 245 mil), e mais uma no valor de US$ 31.500 (R$ 179 mil), totalizando US$ 116.500 (R$ 665 mil). O Twitter deve pagar as multas no prazo de 60 dias a partir da entrada em vigor das sentenças. O Serviço Federal de Vigilância na Área das Comunicações, Tecnologias da Informação e Mass Media (Roskomnadzor, na sigla em russo) havia apresentado três queixas contra o Twitter sob o Código de Ofensas Administrativas sobre a falha da plataforma em excluir informações. Em março, o Roskomnadzor reduziu a velocidade de conexão do Twitter na Rússia devido a rede social não deletar conteúdo nocivo a crianças e ligado ao consumo de drogas. O órgão russo ameaçou bloquear a rede social caso o Twitter não cumpra as leis russas no território do país. “Em caso de insistência em ignorar as exigências da lei por parte do serviço Twitter, as medidas de influência continuarão, de acordo com o regulamento de resposta (até o próprio bloqueio), enquanto os apelos ao suicídio de menores de idade, pornografia infantil e informações sobre o uso de drogas não sejam deletados”, acrescentou o órgão. Outras redes sociais e aplicativos, como Facebook, Telegram e TikTok foram avisadas que podem ser multadas por violar as leis russas ao disseminar materiais ilegais, incluindo aqueles que convocam os cidadãos russos a participarem de manifestações não autorizadas.

Cientistas russos conseguem modernizar vacina Sputnik V em 2 dias para vencer novas cepas

O Centro Gamaleya da Rússia desenvolveu um mecanismo de modernização da vacina contra a covid-19 Sputnik – O Centro Gamaleya da Rússia está discutindo a necessidade de realizar todas as fases de ensaios clínicos com uma vacina incrementada. Seu diretor, Aleksandr Gintsburg, revelou à Sputnik que os cientistas do centro criaram uma tecnologia, baseada em vetores de adenovírus, para modernização da vacina contra o novo coronavírus. “É a mesma tecnologia baseada em vetores de adenovírus, onde na sequência de proteína S, com a estrutura inicial alterada, literalmente em um dia é sintetizada uma sequência nova, e no dia seguinte é implantada dentro do vetor já usado. Praticamente, você tem uma construção de engenharia genética que pode ser usada como um medicamento de vacinação”, explicou Gintsburg. Atualmente, está sendo discutido se é preciso realizar todas as fases de ensaios clínicos da nova vacina, segundo o diretor do Centro Gamaleya. Gintsburg relembrou que, na prática mundial, há exemplos de quando um medicamento é testado em um número limitado de pessoas, em até cem voluntários. “Se [a vacina] dá o mesmo efeito de proteção adequado, mas contra uma nova cepa, é possível começar sua produção em massa. Espero que atos semelhantes sejam aprovados em nosso país”, disse Gintsburg. Cepa da África do Sul Além disso, o diretor do Centro Gamaleya da Rússia revelou que a vacina russa Sputnik V é eficaz contra a cepa sul-africana da covid-19, e o estudo da questão continua. “[Proteção] contra a cepa britânica foi estudada, há 100% de proteção. Também há proteção contra a cepa sul-africana, e nós continuamos a estudando”, revelou Gintsburg. Em agosto de 2020, o Ministério da Saúde da Rússia registrou a primeira vacina contra a covid-19 do mundo, desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, chamada Sputnik V. O imunizante é baseado na plataforma de adenovírus humano. Além da Sputnik V, a Rússia registrou a vacina EpiVacCorona, desenvolvida pelo Centro Estatal de Pesquisa de Virologia e Biotecnologia Vektor, e a vacina CoviVac, do Centro Federal de Pesquisas Chumakov. Em meados de dezembro de 2020, foi descoberta uma mutação do novo coronavírus no Reino Unido. A mutação britânica da covid-19 se propaga mais rápido do que o vírus original. Além disso, novas variantes do vírus foram descobertas no Brasil, Índia, África do Sul e em outros países.

Papa Francisco diminui salário dos cardeais de Roma. Por quê? Por Mirticeli Medeiros*

 Em decisão histórica, Francisco reduz em 10%, e por tempo indeterminado, o salário dos cardeais que atuam em Roma (AFP/ Vincenzo Pinto) Austeridade é palavra de ordem no governo do papa jesuíta Como o resto do mundo, o Vaticano está em crise. Recentemente, a Secretaria de Economia da instituição publicou seu balanço anual, que prevê déficit de 49,7 milhões de euros. Motivo: atividades comerciais em queda (atrações turísticas e museus fechados); menos doações à Igreja e setor imobiliário pouco movimentado por causa da crise. Diante disso, qual a atitude do papa? Evitar, a todo o custo, as demissões. O pontífice disse que nenhum funcionário do Vaticano ficará sem emprego, independente do que aconteça. O pequeno Estado mantém, atualmente, cerca de 5 mil funcionários. Dentre os quais mais de 3 mil não são religiosos. Mas para tomar esse tipo de decisão, outros cortes tiveram que ser feitos. E num ato corajoso, Francisco mexeu, justamente, no bolso de seus mais estreitos colaboradores: os cardeais. Preferiu sacrificá-los a reduzir a remuneração dos pais de família que dependem do Vaticano. Um cardeal que trabalha no pequeno Estado ganha, atualmente, cerca de 5. 500 mil euros (pouco mais de 36 mil reais, na cotação atual). Além disso, eles não pagam impostos na Itália (porque são cidadãos do Vaticano) e moram em ‘apartamentos funcionais’ cedidos pela instituição. Com a medida, eles passarão a receber 4.950 mil euros – menos 10%. Mesmo assim, é um valor acima da média, se compararmos à realidade italiana. Para se ter uma ideia, um funcionário público, no país, fatura metade disso. Um gerente de banco, por exemplo (um dos cargos mais bem pagos na Itália), embolsa cerca de 4 mil euros ao mês. Vale salientar que a medida se aplica somente aos cardeais que trabalham no Vaticano. São eles que, em sua maioria, coordenam os dicastérios (ministérios) da Cúria Romana, como no caso da Congregação para a Doutrina da Fé, Institutos de Vida Consagrada, Culto Divino, etc. Como vimos, o valor da remuneração ultrapassa o recebido por trabalhadores formais na Itália. Porém, enquanto ministros de um Estado (no caso, o Vaticano), os purpurados recebem menos que um ministro do governo italiano, cujo salário varia entre 9 mil e 12 mil euros ao mês. Os outros cardeais, que geralmente são arcebispos de grandes cidades pelo mundo, são mantidos pelas dioceses que coordenam. Os italianos recebem entre 1.400 e 3 mil euros. A decisão de Francisco foi publicada em forma de motu proprio (um documento pontifício que exprime um desejo pessoal do papa). É a segunda vez que ele, dentro do seu projeto de reforma das finanças vaticanas, mexe no dinheiro dos purpurados. E explicou que a mudança não foi motivada somente pela crise provocada pela pandemia. O texto também diz que o objetivo é seguir os “critérios da proporcionalidade e da progressividade”, de modo que “os postos de trabalho, daqui pra frente, sejam salvaguardados”. Em 2013, após ser eleito, o papa argentino retirou o bônus de 2 mil euros que era concedido aos cardeais da Comissão do Banco do Vaticano (IOR). Na época, para conter gastos, também congelou o salário de todos os empregados do Vaticano. Desta vez, além dos cardeais, chefes de outros organismos da Cúria Romana, bem como religiosos e padres, que não necessariamente assumem cargos de direção, terão redução na folha de pagamento. Menos 8% para o primeiro grupo e menos 3% para o segundo. Os cardeais, que trabalham em Roma, sempre receberam uma contribuição? A remuneração dada aos cardeais, que por muito tempo foi chamada de “piatto cardinalizio” – do italiano, “prato cardinalício” – foi estabelecida, formalmente, no século 15, pelo papa Paulo III. Porém, para que o cardeal pudesse receber a remuneração, alguns critérios deveriam ser observados. O beneficiado não poderia pertencer a uma família nobre nem receber nenhum tipo de sustento do soberano do território de proveniência. O prato, nesse caso, servia para suprir o que faltava à manutenção daquele cardeal em Roma, um auxílio “ao prato do pobre cardeal”. Atualmente, o Vaticano prefere usar o termo “contribuição cardinalícia” quando se refere à remuneração recebida pelos cardeais que atuam na Cúria Romana. *Mirticeli Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras