Paris concede ao ex-presidente Lula o título de cidadão honorário

A prefeitura de Paris decidiu nesta quinta-feira (3) conceder o título de cidadão honorário ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso político desde abril do ano passado na sede da Polícia Federal (PF) em Curitiba. A menção honrosa, aprovada nesta tarde pelos membros do Conselho de Paris – órgão equivalente à Câmara de Vereadores– é concedida pelo compromisso do ex-presidente com a redução das “desigualdades sociais e econômicas” no Brasil. Esse compromisso “permitiu que quase 30 milhões de brasileiros saíssem da extrema pobreza e acessassem direitos e serviços essenciais”, afirmou a prefeita de Paris, a socialista Anne Hidalgo, em comunicado. “Lula se destacou por uma política proativa de combate às discriminações raciais especialmente marcadas no Brasil”, acrescenta a prefeita, dizendo que “por meio de seu compromisso político, todos os defensores da democracia no Brasil são atacados”. Lula, de 73 anos, governou o Brasil de 2003 a 2010 e cumpre uma injusta condenação de oito anos e dez meses de prisão. Ele foi condenado após um julgamento-farsa da Operação Lava Jato atualmente questionada em diversas instâncias judiciais. A agência AFP recorda que o ex-presidente de esquerda sempre afirmou ser vítima de uma conspiração política para impedi-lo de voltar ao poder enquanto era o favorito da eleição presidencial de outubro de 2018, que viu a vitória do candidato de extrema direita Jair Bolsonaro.
É golpe: Presidente do Peru anuncia dissolução do Congresso

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, anunciou nesta segunda-feira (30) que dissolveu o Congresso, dominado pela oposição, após o Legislativo se recusar a suspender a polêmica nomeação de novos membros do Tribunal Constitucional. “Decidi dissolver o Congresso e convocar eleições parlamentares”, declarou Vizcarra em um pronunciamento pela televisão, em meio ao agravamento do conflito entre os poderes, que começou há três anos, encerrando assim o caminho de entendimento entre o Executivo e o Legislativo. O presidente peruano considerou que a questão de confiança solicitada anteriormente pelo primeiro-ministro Salvador del Solar foi rejeitada, com a eleição de um novo membro do Tribunal. A questão da confiança trazida pelo governo sugeriu modificações no processo de eleição de candidatos ao Tribunal Constitucional ao considerar que não era transparente e caía em numerosos vícios. O pais atravessa uma longa crise instititucional, que já teve como saldo a prisão de três ex-presidentes e o suicídio de um, o do ex-presidente Alan Garcia. A Lava Jato peruana foi um fator a mais que contribuiu para desestabilizar as instituições políticas do país. Via Blog do Esmael
A ativista Greta Thunberg manda recado para os haters

A ativista sueca, Greta Thunberg, de 16 anos, vem sendo constantes atacada por haters — pessoas que fazem comentários e postagens carregadas de ódio. No Brasil, um radialista a atacou de forma machista e grosseira, sendo posteriormente demitido da rádio onde atuava no Rio Grande do Norte. Nesta quinta-feira, Eduardo Bolsonaro (PSL/SP), deputado federal e filho do presidente brasileiro, postou uma imagem modificada da jovem, em uma tentativa de deslegitimar sua luta. Em resposta, a adolescente decidiu fazer uma publicação em suas redes sociais. Leia na íntegra: Lá vamos nós de novo… Como você deve ter notado, os haters estão mais ativos do que nunca — indo atrás de mim, meu visual, minhas roupas, meu comportamento e minhas diferenças. Eles inventam com toda mentira existente e teoria da conspiração. Parece que eles vão atravessar qualquer linha possível para divergir o foco, desde que estão tão desesperados para não falar sobre as crises climática e ecológica. Ser diferente não é uma doença, e a atual e melhor ciência disponível não são opiniões — são fatos. Eu honestamente não entendo porque adultos escolheriam passar seu tempo zombando e ameaçando adolescentes por promover ciência, em vez de estar fazendo algo bom. Eu acho que eles simplesmente se sentem muito ameaçados por nós. Mas o mundo está acordando. Te vejo nas ruas nessa sexta-feira! O perfil oficial do governo da Suécia respondeu ao post, confira a tradução: Querida Greta, infelizmente, mídias sociais estão cheias de pessoas negativas. Felizmente, elas são minoria. Pelo que parece, apesar da enorme avalanche de comentários desagradáveis, a esmagadora maioria de pessoas, que se engajam com seu perfil, são apoiadores entusiasmados da sua causa! Continue o bom trabalho! Só o melhor do nosso time! ???????????? Mídia Ninja
Contra Lula, Globo inicia campanha pelo Nobel da Paz para Raoni

A TV Globo iniciou campanha neste domingo (29), no programa Fantástico, pelo Prêmio Nobel da Paz para o cacique Raoni. Não que a emissora tenha se convertido, de uma hora para outra, uma defensora da floresta e dos povos que nela moram. Pelo contrário. A campanha é contra o ex-presidente Lula. Também é importante frisar que a indicação de Lula para o Nobel da Paz tem o significado da luta contra a fome e pela restituição do Estado Democrático de Direito, dilapidado pela Lava Jato. A campanha pró-Lula é liderada pelo Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquive; a campanha pró-Raoni é liderada pela Globo. “Bolsonaro é mentiroso. É doido”, diz o Cacique Raoni, com razão. Raoni Metuktire é cacique da nação indígena Caipó. Ele tem 89 anos e um histórico em defesa da demarcação da Amazônia. Para a Globo, o cacique lhe cai como uma luva. Bate no presidente Jair Bolsonaro (PSL) que, em seu discurso na ONU, decretou o fim do “monopólio” de Raoni e bate no ex-presidente Lula, indicado ao Nobel da Paz. A disputa Lula x Raoni é falsa porque o Prêmio Goldman já funciona como o “Nobel de Ecologia”. Portanto, Lula poderá ficar com o Nobel da Paz e Raoni com o Nobel de Ecologia.
New York Times: ‘Impeachment de Trump é a única opção’

O jornal New York Times em editorial defendeu o processo de impeachment aberto na Câmara dos Deputados contra o presidente Donald Trump. “Trump degradou as instituições da governança americana e agora é a hora de elas, numa reprimenda histórica, demonstrarem a majestade da democracia representativa”, afirma o jornal em editorial publicado na sexta-feira (27). O conselho editorial NYT assina o artigo. “Por quase três anos, pessoas de espírito público […] imaginaram em que ponto os freios e contrapesos da governança americana teriam que ser restabelecidos pelo freio mais radical de todos. Esse ponto foi alcançado agora”, registra o texto. O jornal acusa ainda Trump de usar o poder presidencial para ganho próprio, às custas do interesse público. “É a quintessência de um crime punível com impeachment”, diz o NYT. O editorial lembra que o jornal já apontou o presidente como inapto para o cargo: “Nos opomos ao sr. Trump não apenas por suas transgressões pessoais, sua divisão e sua desonestidade, mas também por causa do cerne de muitas de suas políticas, para o ambiente, a imigração, os impostos, o comércio e outras questões”. Leia também: https://emcimadanoticia.com/2019/09/30/as-mentiras-de-bolsonaro-em-seu-discurso-na-onu/ Na terça-feira (24), a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, abriu o procedimento de inquérito na Comissão Judiciária da Câmara dos Deputados sobre Donald Trump, a primeira fase de um processo de impeachment contra o presidente norte-americano. Em um telefonema em julho, o republicano teria pressionado o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, para que este investigasse o filho de um de seus principais adversários, Joe Biden. É por este caso que ele deverá ser investigado. Biden atualmente lidera a disputa democrata pela vaga de candidato a presidente em 2020, provavelmente para enfrentar o próprio Trump, caso ele escape do impeachment.
As mentiras de Bolsonaro em seu discurso na ONU

A agência de checagem Aos Fatos analisou trechos do discurso do presidente Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (24). Em uma fala carregada de viés ideológico, foi possível verificar diversas informações falsas no texto lido pelo mandatário brasileiro. Logo no início, após dizer que o país esteve “à beira do socialismo”, Bolsonaro faz referência ao Mais Médicos, programa implantado no primeiro mandato da ex-presidenta Dilma Rousseff. “Em 2013, um acordo entre o governo petista e a ditadura cubana trouxe ao Brasil 10 mil médicos sem nenhuma comprovação profissional”, afirmou. “Dados do Tribunal de Contas da União de 2017 mostram que, dos 18.240 médicos participantes do programa, 5.274 eram formados no Brasil (29%), 1.537 tinham diplomas do exterior (8,4%) e 11.429 eram cubanos e faziam parte do acordo de cooperação com a Opas (62,6%). Conforme determina a Lei 12.871/2013, que instituiu o programa Mais Médicos, os profissionais cubanos precisavam apresentar documentação que comprovasse formação em curso superior de Medicina e autorização para exercício da profissão no exterior. Logo, a declaração de Bolsonaro é FALSA”, conclui a agência de checagem, quanto à suposta falta de habilitação dos profissionais. Ainda sobre o Mais Médicos, atacado por Bolsonaro como forma de atingir sua antecessora e também Cuba, o presidente disse que os médicos do país caribenho “foram impedidos de trazer cônjuges e filhos”, informação que também é falsa. “Não é verdade que os profissionais cubanos que vieram ao Brasil pelo programa Mais Médicos não podiam trazer parentes. O artigo 18 do texto da lei 12.871/2013 prevê que o Ministério das Relações Exteriores pode conceder visto temporário ‘aos dependentes legais do médico intercambista estrangeiro, incluindo companheiro ou companheira, pelo prazo de validade do visto do titular’”, pontua a agência. O Aos Fatos ainda destaca que o presidente, quando deputado, se posicionou de forma contrária à vinda de familiares dos profissionais médicos de Cuba. “Em discurso no plenário da Câmara em 2013, Bolsonaro afirmou ‘está na Medida Provisória: cada médico cubano pode trazer todos os seus dependentes. A gente sabe como funciona a ditadura castrista. Então, cada médico vai trazer 10, 20, 30 agentes para cá’”, imaginou o então parlamentar. Mentiras ambientais Ao falar sobre preservação do meio ambiente, motivo pelo qual o Brasil é motivo de críticas em todo o mundo, tendo sido denunciado na própria ONU por um grupo de 16 jovens ativistas, entre eles Greta Thunberg, Bolsonaro disse que “em primeiro lugar, meu governo tem o compromisso solene com a preservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável em benefício do Brasil”. “Apesar de afirmar que seu governo preza pela defesa do meio ambiente, Bolsonaro e seus ministros têm tomado atitudes que indicam intenções contrárias. Até o fim de junho haviam sido liberados 239 novos agrotóxicos, alguns comprovadamente causadores de problemas de saúde e danos graves ao meio ambiente. O escolhido para chefiar a pasta do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi condenado no fim de 2018 por fraudar o processo do Plano de Manejo de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê quando ainda era secretário estadual do Meio Ambiente de São Paulo”, lembra a agência. “Em maio, Salles afirmou, sem apresentar dados concretos, que o Fundo Amazônia, criado em 2008 para arrecadar recursos de países desenvolvidos para a preservação da floresta, apresenta uma série de irregularidades e inconsistências, o que levou a questões diplomáticas que podem extinguir o fundo. “O ministro também cortou cerca de 95% da verba destinada a políticas climáticas pelo governo e exonerou o coordenador Executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. “Suas críticas ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também levaram seu presidente e três de seus diretores a se demitirem – eles foram substituídos por militares sem os mesmos conhecimentos técnicos. “Por fim, as inúmeras críticas feitas pelo ministro e o próprio presidente à fiscalização do Ibama fizeram com que o número de multas aplicadas entre janeiro e maio tenha sido o mais baixo em 11 anos. Matéria publicada por Aos Fatos mostra que o ministro, mesmo com números recordes de desmatamento na Amazônia, tem priorizado o encontro com deputados e senadores ligados ao agronegócio. Por todos esses motivos, a declaração de Bolsonaro é considerada FALSA.” Sobre o meio ambiente, o presidente disse que “71% do nosso território é preservado”. Outro equívoco. “A informação é FALSA. De acordo com números fornecidos pelo Ministério do Meio Ambiente, o Brasil tem 26,5% de sua área total ocupada por Unidades de Conservação. O dado considera tanto regiões de proteção integral, que não podem ser manipuladas por seres humanos, quanto áreas de uso sustentável, que podem ser ocupadas e ter seus recursos extraídos desde que sejam respeitadas certas regras.” Por RBA
Processo de impeachment de Trump é aberto pela Câmara de Deputados

A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, anunciou nesta terça-feira (24) a abertura de um inquérito na Comissão Judiciária da Câmara dos Deputados sobre Donald Trump, a primeira fase de um processo de impeachment contra o presidente norte-americano. Depois de Netanyahu, derrotado em Israel, Macri em baixa na Argentina, é mais um aliado de Bolsonaro com dificuldades políticas. Em um telefonema em julho, o republicano teria pressionado o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, para que este investigasse o filho de um de seus principais adversários, Joe Biden. É por este caso que ele deverá ser investigado. Biden atualmente lidera a disputa democrata pela vaga de candidato a presidente em 2020, provavelmente para enfrentar o próprio Trump. Pouco antes da conversa, Trump cancelou uma ajuda de cerca de US$ 400 milhões para a Ucrânia. A oposição afirma que o republicano usou a verba para pressionar Zelenski a investigar o filho de Biden, o que a Casa Branca nega. Na ocasião, o presidente americano teria pedido que o ucraniano trabalhasse com seu advogado pessoal, o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, na investigação contra o adversário. Giuliani se encontrou nesta terça com o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, após o discurso deste na Assembleia Geral da ONU. Na saída, ele comentou o caso e atacou os democratas. “Eles são um bando de enganadores políticos. Tudo o que eles estão fazendo é torná-lo (Trump) mais popular. E o que eles estão fazendo é destruindo a si próprios”, afirmou Giuliani. O início do processo permite aos deputados investigarem Trump, mas não significa que ele terá que deixar o cargo. Cabe a Câmara aceitar ou não o processo por maioria simples, o equivalente a 218 deputados caso todos os 435 estejam presentes. Segundo o jornal New York Times, 172 (171 democratas e 1 independente) já se declararam a favor da medida. O julgamento depois será feito pelo Senado, onde os Republicanos contam com a maioria dos parlamentares.
Eleições de Argentina, Uruguai e Bolívia podem mudar a política regional

Em outubro, eleitores dos três países vão às urnas para escolher novos presidentes Luis tem 46 anos, veste-se como os CEOs das startups e promete derrotar uma “ditadura de 15 anos”, terminar todo lo que hay, talkei? Seria uma grande novidade na política do Uruguai se a sua persona não fosse tão fabricada quanto a imagem de bom moço do apresentador Luciano Huck. Na campanha eleitoral, Luis é solamente Luis, o que obriga os marqueteiros a um malabarismo para esconder o sobrenome Lacalle Pou. E não há nada de mais tradicional e oligarca naquelas bandas do Rio da Prata. Seu pai, de mesmo nome, Luis Alberto Lacalle, presidiu o país entre 1990 e 1995. Seu bisavô. Luis Alberto Herrera, tentou seis vezes sem sucesso ocupar o mesmo cargo. Em compensação, exerceu o mandonismo no Partido Nacional, os “blancos”, por 50 anos. Era um típico caudilho sul-americano, populista, nacionalista e de origem agrária. Apesar dessa herança, Lacalle Pou, o Luis, tem boas chances de interromper a sequência de vitórias da esquerdista Frente Ampla, de Pepe Mujica. Em outubro, os uruguaios, assim como os argentinos e os bolivianos, vão às urnas para escolher novos presidentes. À exceção da Argentina, onde a vitória da dupla Alberto Fernández e Cristina Kirchner no primeiro turno parece líquida e certa, dado o completo fracasso de Mauricio Macri, as disputas nos outros dois países estão cercadas de incertezas. O Uruguai é o caso mais intricado. A tal “ditadura” atacada por Lacalle Pou corresponde ao período de sucessivos governos da Frente Ampla. Durante uma década e meia, os uruguaios escaparam dos sobressaltos dos vizinhos: enquanto o Brasil e a Argentina afundavam em crises políticas e econômicas, o parceiro menor do Mercosul via sua economia crescer de forma ininterrupta, reduzia as desigualdades e tinha até tempo para avançar em pautas de costumes, entre elas a legalização do aborto e da maconha. O ritmo cada vez menor de expansão do PIB, 1,6% em 2018, uma inflação não tão alta, mas incômoda (cerca de 8% ao ano) e o aumento da dívida pública fizeram, porém, brotar no eleitorado um sentimento de fastio e um desejo de mudança, embora os uruguaios tenham tido a sapiência de rejeitar, ainda nas primárias ocorridas em junho, o aventureiro Juan Sartori, banqueiro nebuloso fã de Donald Trump e Jair Bolsonaro, que abusou das fake news na tentativa de emplacar sua candidatura. As últimas pesquisas dão uma ligeira vantagem a Daniel Martínez, ex-prefeito de Montevidéu e candidato da Frente Ampla. Ele aparece com 37% das intenções de voto, contra 26% de Lacalle Pou. Em terceiro desponta o economista Ernesto Talvi, do Partido Colorado, de centro-direita, com 19%. Sem chances de conquistar uma vitória no primeiro turno, Martínez terá de convencer parte do eleitorado de Talvi a reafirmar a confiança no mais longevo e bem-sucedido projeto progressista do Cone Sul. A disputa no Uruguai é, de toda forma, sui generis. Luis e Talvi estão à direita no espectro político, mas seus programas de governo não defendem uma guinada radical rumo ao neoliberalismo. Ao contrário. Os dois pregam aumentos dos investimentos em educação e infraestrutura. As diferenças mais notáveis se dão na pauta de costumes. Lacalle Pou ameaça, por exemplo, asfixiar a política de liberalização da maconha aprovada no governo Mujica. O aumento da violência também incomoda e a defesa de um endurecimento das penas e do combate ao crime organizado é uma das principais bandeiras da oposição. Na Bolívia, a tentação caudilhesca virou-se contra Evo Morales. Seus três mandatos modernizaram o país andino – que antes da chegada do MAS ao poder não possuía uma Suprema Corte, criada em 2009 – e geraram um crescimento do PIB sem precedentes na história local, média de 5% ao ano. Ainda assim, os eleitores bolivianos não escondem o desconforto com o fato de Morales ter atropelado as regras constitucionais e decidido concorrer uma quarta vez. Não bastasse, o governo tem sido responsabilizado pelas queimadas na Amazônia boliviana, que destruíram mais de 2 milhões de hectares de floresta. As pesquisas impedem uma leitura precisa da situação. Uma delas, posta em dúvida por integrantes do Tribunal Eleitoral, dá 31% para Morales e 25% a Carlos Mesa. Outra, divulgada na segunda-feira 16, registra uma vantagem de 20 pontos porcentuais do atual presidente em relação ao oponente. Mesa presidiu a Bolívia durante cinco meses, de outubro de 1994 a março de 1995, período de intensa turbulência. A revolta popular contra a privatização do gás natural, principal riqueza boliviana, quando os ministros de Energia e de Economia tinham o hábito de morar em Miami, fomentaria o movimento que mais tarde levaria Morales à Presidência. Como no Uruguai, esta eleição será um teste para um grupo político de longo domínio, que coleciona mais sucessos do que fracassos, mas que, diante de novos desafios, se apega a velhas soluções. Caso Martínez e Morales superem as adversidades e saiam consagrados das urnas, uma nova onda vermelha irá reconfigurar as relações regionais. Sob a liderança da Argentina a partir de novembro estarão Bolívia, Uruguai e Venezuela. Do outro lado do ringue apresentam-se Bolsonaro, Sebastian Piñera, do Chile, e Ivan Duque, da Colômbia. Mario Abdo Benítez, do Paraguai, acuado por denúncias de corrupção e alvo de protestos populares, apequenou-se. Luis esconde o sobrenome na esperança de vencer Martínez Maior, mais rico e populoso país sul-americano, o Brasil carece, para desespero de quem decretou o fim precoce e torce pelo enterro do “bolivarianismo”, de uma liderança à altura do embate, para dizer o mínimo. Bolsonaro é uma fonte de instabilidade no arco americanófilo e neoliberal. Seus ataques gratuitos, juvenis e incivilizados contra lideranças do continente dispersam a tropa. O episódio no qual enalteceu o ditador Augusto Pinochet e comemorou o assassinato do pai da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, além de mais um vexame internacional, produziu um desgaste na relação com Piñera, obrigado a repudiar as declarações do colega brasileiro e defender a adversária Bachelet. Se quiserem ter influência no Cone Sul, os Estados Unidos vão precisar de um interlocutor capacitado. E
Comunistas são os grandes vencedores de eleições regionais na Rússia

Um espectro ronda a Europa Partido comunista ampliou de forma considerável suas cadeiras no Parlamento de Moscou, enquanto partido de Vladimir Putin perdeu espaço Em 1848, em seu Manifesto do Partido Comunista, Karl Marx afirmava que “um espectro ronda a Europa. O espectro do comunismo”. 170 anos depois, passada a derrocada da União Soviética e a queda do Muro de Berlim, os comunistas seguem fazendo barulho no Velho Continente e, desta vez, voltam a ter voz na Rússia, berço da primeira grande tentativa de governo comunista do mundo. Neste domingo (8), o Partido Comunista russo foi o grande vencedor das eleições ao Parlamento de Moscou. Saltou de 5 para 13 cadeiras. Enquanto isso, o Rússia Unida, partido do presidente Vladimir Putin, sofreu um revés e perdeu um terço de suas cadeiras: foi de 38 para 26. Já o partido liberal Yabloko (Rússia Justa, opositor) conquistou três cadeiras. As eleições deste final de semana abrangeram diferentes níveis, de regionais a municipais, e foram realizadas em 85 diferentes localidades. A taxa de participação foi de 21,77%, levemente acima da registrada em 2014. Disputa As eleições provocaram uma disputa entre o governo e a oposição, que protestou durante várias semanas contra a proibição de várias candidaturas de opositores. Em Moscou, 225 candidatos, de nove partidos, disputavam as vagas na assembleia legislativa (Duma) local. No entanto, 57 candidatos foram impedidos de concorrer – o que provocou as maiores manifestações populares do país desde 2012. Veja também: Atacada por Bolsonaro, Bachelet convidou Ana Estela Haddad para rede de proteção à criança da ONU Diante da queda de popularidade de Putin, candidatos do Rússia Unida não se apresentaram, durante a campanha, como partido do governo – mas, sim, de uma forma mais pessoal. A tática foi em vão. Após a apuração de quase todos os votos, nove deputados do Rússia Unida não foram reeleitos, incluindo o líder moscovita Andrei Matelsky, que estava na Duma sem interrupção desde 2001. Os resultados definitivos devem ser conhecidos até esta terça-feira (10), segundo as informações oficiais. Mas já é certo que, apesar da manutenção dos governadores ligados a Putin, o Partido Comunista apresentou expressivo crescimento nos parlamentos regionais. Parte do avanço comunista se deve a uma decisão do Yabloko – cujo principal líder, o blogueiro Alexey Navalni, convocou o “voto inteligente”, apoiando os candidatos em melhor posição para derrotar os governistas nesses pleitos. Com essa estratégia, o grupo de Navalny chegou a pedir voto para candidatos comunistas em muitos distritos, o que dividiu sua própria base. *Revista Fórum com Portal Vermelho
CARTA DE PARIS – Jessé Souza: A Lava Jato desqualificou a Justiça

Sociólogo explica em Paris o Brasil Bolsonaro – «Como se imbecilizou o povo a esse ponto para levá-lo a pensar que o problema do país é a corrupção política? Como se retira o poder de reflexão do povo inteiro a esse ponto? O alfa e o ômega da história brasileira é criminalizar a soberania popular e os pobres e ter o Estado para os ricos, roubar com isenções fiscais, não pagar imposto». Um dos intelectuais brasileiros mais conhecidos e lidos, o sociólogo Jessé Souza vai, a partir de setembro dar aulas na Universidade Sorbonne Nouvelle-Paris1. O anúncio foi feito no final de sua concorridíssima conferência no Institut des Hautes Études de l’Amérique Latine (Université Sorbonne Nouvelle-Paris 3), dia 2 de julho. A conferência tinha por título «Le Brésil de Bolsonaro-Diviser pour régner» e o brasileiro foi apresentado pelo professor Gérard Wormser, diretor da revista Sens Public, que publicou recentemente o artigo de Jessé Souza «Bolsonaro, raciste en chef du Ku Klux Klan et des petits blancs du Brésil». Souza apresentou uma conjuntura bastante difícil para o Brasil, que vê dominado por um sistema racista de uma elite cínica, que manipula a classe média com uma falsa narrativa anticorrupção e, na verdade, usa o Estado para enriquecer. Diante desse governo, se debate uma esquerda sem bússola. «A esquerda não tem nenhuma narrativa política para o Brasil, jamais teve mas é arrogante pois pensa que tem. O Brasil tem uma esquerda sem as armas simbólicas para efetivamente criar uma narrativa que tenha uma direção para o futuro». Em sua verdadeira aula de história do Brasil para um público formado de franceses e de brasileiros, o sociólogo não poupou as elites econômicas e sociais brasileiras que «sempre utilizaram o Estado como seu cofrinho». Ele citou o sociólogo francês Pierre Bourdieu para explicar a violência simbólica da elite brasileira com o objetivo de dominar o imaginário da classe média. Depois de resumir a história do Brasil, sua origem escravagista que marca até hoje as relações sociais, a Justiça e o Estado, Jessé desconstruiu o que ele chama de «mitos» caros a intelectuais que formaram várias gerações de brasileiros, como Sérgio Buarque de Hollanda. «A transmissão cultural não se dá pelo sangue. A fraude de dizer que o Brasil vem de Portugal foi inculcada desde sempre, o Brasil vem da escravidão, que não existia em Portugal. É a escravidão que estrutura a sociedade brasileira. A cultura passa pelas instituições, família, escola, justiça, trabalho. E a escravidão é a mãe do Brasil. O resto é fraude, mentira, bobagem. Todos os grandes pensadores repetiram e naturalizaram a mentira». Para ele, o Brasil é até hoje marcado pela escravidão e suas consequências. Bolsonaro, o mais corrupto entre os corruptos «Jair Bolsonaro é fruto da Lava-Jato, cujo projeto era ganhar do PT por meios não-eleitorais. Antes era o projeto da UDN, do atalho que não passava pelo voto. Bolsonaro é o pior político que o Brasil já fabricou em 500 anos. E olhem que o Brasil já produziu gente muito ruim mas nenhum canalha maior que Bolsonaro», diz Souza, ovacionado pelo público. Ele continua : «Bolsonaro é o representante do que podemos chamar de lixo branco. É uma expressão dos Estados Unidos para designar o branco que tinha menos dinheiro, menos educação, socialmente é inferior ao branco americano do Norte e que só tem a cor da pele como vantagem. Por conta disso, ele é o maior racista dos EUA. Ele odeia o negro. Nas famílias brancas do interior de São Paulo, o maior crime que você pode cometer aos olhos da família é casar com um negro. Bolsonaro vem desse meio. A política de Bolsonaro é dar arma para a milícia matar pobre e negro. Ele não tem política pública a não ser o holocausto de pobres e negros. Ele fala ao pequeno branco que ganha entre dois e seis salários mínimos. É o remediado pobre. Bolsonaro é a vingança deste lixo pobre branco sobre o negro e o pobre que melhorou de vida. Essa baixa classe média fascista existe no Brasil há cem anos. O movimento fascista brasileiro, o integralismo, tinha 500 mil inscritos, é a mesma canalha que apoia o Bolsonaro.» Segundo Jessé Souza, a imprensa é a aliada de sempre dos que querem manter os privilégios dos cem mil brasileiros que mandam no Brasil. Ela bombardeia a todos com a suas mentiras. «A escravidão não é somente um processo de exploração econômica do escravo mas a humilhação cotidiana e desumanização do escravo. Numa sociedade escravocrata que precisa humilhar o outro para mantê-lo na servidão, é preciso desenvolver sentimentos sádicos, dando origem ao gozo na humilhação. Nada define mais o Brasil e o brasileiro de classes dominantes do que o prazer em humilhar. O brasileiro tem o gozo da humilhação do inferior socialmente.» Para o sociólogo, o brasileiro interiorizou a idéia de que somos emocionais, logo, irracionais, animalizados, incapacitados à reflexão, à abstração, a pensar. O espírito é a inteligência, honestidade, a racionalidade. Tentar destruir a auto-estima de um povo é a melhor maneira de mantê-lo subalterno. «Como eu posso fazer com que a classe média jamais entre na arena para decidir com sua própria cabeça mas para servir aos meus interesses? É preciso imbecilizá-la e fazê-la agir contra seus próprios interesses de classe. Como tornar a classe média letrada imbecil? É preciso conquistá-la pelas idéias e então cria a Universidade de São Paulo pois a classe média controla a sociedade, supervisiona em nome de uma pequena elite. Pela violência simbólica e por idéias que são fraudes científicas». O que Souza mais enfatizou foi a marca da escravidão que deixou raízes profundas na sociedade brasileira e até hoje está presente nas relações sociais e no racismo que impediu os negros de terem acesso à educação e a uma vida digna depois da Lei Áurea. Difícil ser mais explícito sobre o jogo de interesses que se escondem por trás da Operação Lava Jato e que pode ser explicado pela tensão permanente entre os donos do poder