A ESCOLA POLÍTICA MINEIRA – Por Marcelo Valmor Paculdino (*)

A nova pesquisa Atlas/Estadão traz novos números para a disputa ao governo de Minas Gerais. O senador Cleitinho (Republicanos) ainda lidera a corrida eleitoral cravando 39% das intenções dos votos. Em segundo lugar vem o deputado federal Patrus Ananias (PT) com 31%, enquanto a coligação PSDB/PDT, a frente o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, com 8%. Esses números deixaram de sobressalto o grupo de Kalil, já que ele esperava disputar os votos da centro-esquerda com o candidato do PT. Entretanto, esqueceram que a 11 dias das eleições, surge um elemento, muito comum em corridas no atletismo, que é o chamado sprint.Explico.Nas corridas de altas performances, os atletas mantém um ritmo constante até o meio do percurso. Posteriormente, forçam as passadas dalí em diante, isolando um pequeno bloco dos restantes para, finalmente, e faltando apenas 500mts dispararem. Aquele, portanto, que estiver melhor preparado chega na frente. É o sprint.Assim ocorre também com a política. E neste ponto, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o que sabe melhor explorar essa disparada final por conta da forte mobilização de sua militância, diferencial importante que o partido sempre impôs aos seus concorrentes que teimam em demonstrar força somente nos períodos eleitorais.O reflexo desses números no quadro político eleitoral pode ser sentido em duas frentes. A primeira é evitar a vitória de Cleitinho já no primeiro turno, forçando uma nova eleição (segundo turno) quando os concorrentes partem para a disputa com as mesmas armas. Segundo, porque mexe no quadro eleitoral nacional, já que o crescimento de Patrus Ananias favorece diretamente o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo maior colégio eleitoral do país, mantendo o atual presidente na ponta das pesquisas.Enquanto Cleitinho disparou ao ouvir o tiro de largada, e não conseguir aumentar o fôlego, Patrus Ananias mantém um ritmo único, e como todo político da antiga escola de Minas escuta mais do que fala, costurando acordos, construindo pontes, bem ao estilo tancrediano. E por falar no ex-presidente, certa vez, e após uma longa reunião com adversários, na saída foi abordado por um reporte que o perguntou sobre a reunião. “Meu filho, estou rouco de tanto ouvir”, respondeu.Assim é Minas.(*) Professor e jornalista

Pesquisa Atlas mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro em 1º e 2º turnos em MG

Lula tem 49,9% contra 47,1% de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno; empate ocorre dentro da margem de erro, de dois pontos O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o adversário Flávio Bolsonaro (PL) estão tecnicamente empatados em uma eventual disputa de segundo turno pela Presidência da República entre os eleitores de Minas Gerais. É o que mostra pesquisa Atlas/Estadão divulgada nesta quarta-feira (23/9).No confronto direto, Lula aparece numericamente à frente, com 49,9% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 47,1%. Outros 3% dos entrevistados afirmaram que votariam em branco, nulo ou não souberam responder.A diferença entre Lula e Flávio é de 2,8 pontos percentuais. Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados.Nos demais cenários de segundo turno apresentados pela pesquisa, Lula aparece isoladamente à frente dos adversários. Contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o petista tem 49,9%, ante 41,4% do mineiro. Brancos, nulos e indecisos somam 8,7%.Em uma disputa com Ronaldo Caiado (PSD), Lula registra 48,8%, contra 35,6%. Já contra o escritor Augusto Cury (Avante), o presidente tem 49,1%, ante 33,4% do adversário.O último cenário coloca Lula contra Renan Santos (Missão). Nesse confronto, o petista alcança 49,6% das intenções de voto, enquanto Renan soma 31,7%. Primeiro turnoNo cenário de primeiro turno, Lula aparece com 48,8% das intenções de voto em Minas Gerais, seguido por Flávio Bolsonaro, com 43,4%. Considerando a margem de erro, não há empate técnico entre os dois.Bem atrás aparecem Renan Santos, com 3,6%, e Augusto Cury, com 1,6%. Zema registra 0,8%, enquanto Ronaldo Caiado tem 0,5%.Entre os demais nomes apresentados, Hertz Dias (PSTU) tem 0,4%, Edmilson Costa (PCB), 0,2%, e Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara (UP), 0,1% cada. Clariana Barão (DC), Veterinário Wilson Grassi (Democrata) e outros nomes que não pontuaram aparecem com 0%.Outros candidatos somam 0,6%. Votos brancos e nulos representam 0,7%, enquanto 0,1% dos entrevistados não soube responder. A pesquisa ouviu 1.799 eleitores de Minas Gerais entre 15 e 20 de setembro, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números MG-03290/2026 e BR-06996/2026.

Cleitinho lidera no 1º turno, mas empata com Patrus no 2º turno

Pesquisa Real Time Big Data mostra o senador 16 pontos à frente do petista no 1º turno; no confronto direto, são 43% a 42% Os candidatos ao governo de Minas Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Patrus Ananias (PT) estão tecnicamente empatados num eventual segundo turno, segundo a pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta segunda-feira. Segundo o levantamento, o candidato do Republicanos teria 43% contra 42% do petista. Além da disputa entre Cleitinho e Patrus, a pesquisa analisou 6 cenários diferentes de segundo turno envolvendo os 4 melhores colocados no primeiro turno, segundo o levantamento: Cleitinho, que teria 35% das intenções de voto, Patrus, com 19%, enquanto Mateus Simões (PSD) e Alexandre Kalil (PDT) estariam empatados com 10%.  Em outros cenários, Cleitinho venceria Kalil (46% a 35%), e Simões (39% a 34%). Kalil também perderia para Simões (39% a 34%), e empataria com Patrus (39% a 39%). Na disputa entre Simões e Patrus, novo empate técnico, mas com ligeira vantagem ao governador mineiro: 37% a 35%. A pesquisa Real Time Big Data entrevistou 2.000 pessoas entre os dias 16 e 19 de setembro. O levantamento foi contratado pela Rede Record Minas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo nº MG-07331/2026. Fonte: EM

Cleitinho lidera com 37% em Minas; Patrus sobe um ponto mas segue no empate com Kalil

Datafolha mostra ex-prefeitos de Belo Horizonte tecnicamente empatados na briga pelo segundo lugar; governador Mateus Simões aparece estagnado em 4% O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) mantém a dianteira na disputa pelo governo de Minas Gerais, com 37% das intenções de voto no primeiro turno, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (11/9). O percentual é cinco pontos maior do que o registrado em agosto, quando o senador tinha 32%. Em eventual segundo turno, Cleitinho venceria tanto Alexandre Kalil (PDT) quanto Patrus Ananias (PT), os dois principais adversários na corrida ao Palácio Tiradentes.Ex-prefeitos de Belo Horizonte, Patrus e Kalil aparecem tecnicamente empatados na disputa pelo segundo lugar, com 13% e 11%, respectivamente, diferença dentro da margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos. Na comparação com agosto, Patrus subiu um ponto percentual (tinha 12%) e Kalil perdeu um ponto (tinha 12%), o que aproximou ainda mais os dois nomes.Nas simulações de segundo turno, o senador aparece com folga: bateria Kalil por 54% a 29% dos votos válidos e superaria Patrus por 59% a 24%. O nome do atual governador, Mateus Simões (PSD), não foi testado nos cenários de segundo turno.No primeiro turno, Simões, que governa o estado atualmente, aparece estagnado em 4%, mesmo percentual registrado em agosto. Ele empata tecnicamente com o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) e o empresário Flávio Roscoe (PL), ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que também mantiveram os 4% do mês passado.Os demais nomes testados pelo Datafolha oscilaram pouco. Túlio Lopes (PCB) subiu de 2% para 3%. O advogado e influenciador digital Ben Mendes (Missão) e Rafael Duda (PSTU) permanecem com 1% cada um. Henrique Áreas (PCO), que não pontuava em agosto, também aparece agora com 1%, enquanto Indira Xavier (UP), que tinha 1%, zerou nesta rodada. Os votos em branco e nulo somam 11%, e os eleitores que não souberam responder chegam a 10%.O levantamento foi contratado pela Globo e pela Folha de S.Paulo, ouviu 1.204 eleitores mineiros com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 10 de setembro e está registrado no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código MG-01611/2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Como toda pesquisa eleitoral, os números não são um prognóstico do resultado da eleição, mas um retrato da opinião dos entrevistados no momento em que a coleta de dados foi feita. Fonte: O Tempo

Renúncias fiscais do governo Zema tiraram R$ 28,6 bilhões dos municípios

Em Carta Municipalista, a Associação Mineira de Municípios (AMM) cobra dos candidatos ao Palácio Tiradentes compensação por renúncias fiscais e maior transparência do Estado A Associação Mineira de Municípios (AMM) divulgou, nesta sexta-feira (11), uma carta aberta direcionada a todos os candidatos ao governo de Minas Gerais cobrando uma revisão imediata na política de renúncias fiscais do Estado e medidas urgentes de compensação financeira às prefeituras. Segundo levantamento apresentado pela entidade, presidida por Lucas Vieira, prefeito de Iguatama, as 853 cidades mineiras deixaram de arrecadar cerca de R$ 28,6 bilhões entre 2020 e 2026 por causa de incentivos fiscais concedidos pelo governo Zema a empresas. Para o presidente da AMM, o governo está aplicando a Lei Robin Hood ao contrário. “O governo está tirando dos pobres, ou seja, os pequenos municípios que são maioria no Estado, para dar aos ricos, no caso as empresas”, apontou Lucas Vieira. Ele citou o caso de Iguatama, no Centro-Oeste de Minas, onde é prefeito. A cidade tem cerca de 7 mil habitantes e deixou de receber do governo estadual, entre 2020 e 2026, em torno de R$ 18,2 milhões. “Imagina o que o gestor municipal não poderia fazer pela população com esse recurso em mãos?”, questiona. O argumento central da AMM é constitucional. Como os municípios têm direito a 25% de todo o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e 50% do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) arrecadados pelo Estado, cada vez que o governo estadual concede um benefício ou isenção para atrair uma empresa, ele reduz automaticamente a base de repartição e tira receita dos cofres municipais. De acordo com o levantamento da entidade, os impactos da renúncia fiscal, entre 2020 e 2026, são de R$ 22 bilhões da parte do ICMS que caberia aos 853 municípios mineiros e R$ 6 bilhões referentes ao IPVA. Para a associação, o modelo atual cria uma disparidade regional perversa, já que o benefício econômico do incentivo fica concentrado na região que recebe a indústria, enquanto o custo da renúncia é socializado e dividido entre todas as cidades, prejudicando justamente os municípios menores, que não recebem o investimento de empresas, mas arcam com a perda de arrecadação geral do Estado. Demandas das prefeituras mineiras Diante desse quadro, a Carta Municipalista cobra dos postulantes ao Palácio Tiradentes um compromisso público e formal com quatro frentes. A primeira é a revisão criteriosa de cada benefício fiscal, com avaliação técnica do real custo-benefício e publicação transparente dos impactos. A segunda é a criação de um mecanismo de compensação, como um fundo estadual ou repasses alternativos, capaz de repor as perdas impostas aos municípios por decisões tributárias tomadas exclusivamente pelo Estado. A terceira frente é a garantia de transparência e participação, com a inclusão obrigatória das entidades municipalistas no processo de deliberação sobre novos incentivos que afetem diretamente a arrecadação das cidades. Por fim, os prefeitos pedem a descentralização de recursos e o fortalecimento da autonomia financeira municipal como condição para garantir a manutenção de serviços essenciais de saúde, educação e infraestrutura. A AMM ainda faz um alerta final sobre o estrangulamento financeiro das prefeituras. Além da queda nas transferências estaduais provocada pelas renúncias, as cidades sofrem com o aumento progressivo de despesas obrigatórias impostas por pisos e medidas aprovadas no Congresso Nacional sem a indicação de novas fontes de custeio. Para a entidade, a combinação de receita menor e despesa maior cria o pior cenário possível para o municipalismo mineiro e precisa ser enfrentada já no primeiro ano do próximo governo. Fonte: Diário do Comércio

Nikolas Ferreira pode ser preso se ficar comprovado que falsificou laudo da PF

Deputado divulgou documento falso atribuído à Polícia Federal para tentar afastar suspeitas sobre conversas com Daniel Vorcaro; parlamentar afirma que apenas compartilhou o material sem saber que era fraudulento O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pode enfrentar consequências criminais caso fique comprovado que participou da falsificação de um suposto relatório da Polícia Federal (PF) divulgado por ele próprio para tentar afastar suspeitas sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A PF afirma que não produziu o documento que circulou nas redes sociais e que atribuía à corporação uma conclusão favorável ao parlamentar. A análise técnica realizada por verificadores apontou que o material apresenta sinais de ter sido criado com auxílio de inteligência artificial e contém inconsistências em relação aos documentos oficiais da investigação. Nikolas Ferreira publicou o documento em suas redes sociais após a divulgação de mensagens e áudios que mostram conversas entre ele e Vorcaro. O deputado, porém, afirma que apenas compartilhou um material que recebeu e que não sabia que o relatório era falso. A alegação de desconhecimento, no entanto, não encerra automaticamente uma eventual investigação. Caso as autoridades concluam que houve participação direta na produção do documento ou que o parlamentar tinha conhecimento da falsidade e mesmo assim utilizou o material como verdadeiro, a conduta pode gerar responsabilização criminal. Até 6 anos de prisão A legislação brasileira prevê punição para quem falsifica documento público ou altera documento público verdadeiro. O artigo 297 do Código Penal estabelece pena de reclusão de dois a seis anos, além de multa, para esse tipo de crime. Também existe previsão para quem utiliza documento falso. O artigo 304 do Código Penal determina que quem faz uso de documento falsificado pode receber a mesma pena prevista para a falsificação correspondente. No caso envolvendo Nikolas, a eventual responsabilização dependeria de elementos como a identificação de quem produziu o documento, quem participou da fabricação e se houve intenção de apresentar como verdadeiro um material que sabia ser falso. Ou seja: a simples circulação de um documento falso não permite, por si só, concluir pela responsabilidade criminal de quem o compartilhou. A investigação precisaria demonstrar conhecimento da falsidade ou participação na fraude. Documento falso simulava relatório da Polícia Federal O material divulgado nas redes sociais afirmava que a Polícia Federal teria analisado mensagens entre Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro e concluído que não havia indícios de crime nas conversas. A PF negou autoria do documento. Segundo verificações feitas pela Fórum e sites de checagem como o Aos Fatos, o arquivo apresenta elementos incompatíveis com documentos oficiais da corporação, incluindo inconsistências de datas, transcrições alteradas e referências inexistentes. A checagem também apontou sinais de uso de inteligência artificial na produção do material, incluindo uma marca d’água digital associada a ferramentas da OpenAI. Entre os problemas identificados está uma divergência na cronologia das mensagens atribuídas a Nikolas e Vorcaro, além da indicação de páginas de relatórios da PF que não correspondem ao conteúdo citado. Laudo apareceu após divulgação de conversas com Vorcaro A divulgação do documento ocorreu após a publicação de mensagens e áudios envolvendo Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro. Reportagens de Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, apontaram que o deputado teria procurado o empresário para pedir ajuda relacionada a um ativo de minério ligado a um ex-assessor. Nikolas negou irregularidades e afirmou que as conversas não indicariam qualquer prática ilícita. O suposto relatório falso surgiu justamente como uma tentativa de sustentar a versão de que as mensagens não apresentariam problemas jurídicos. Duda Salabert questiona possibilidade de prisão A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) afirmou nas redes sociais que, caso seja comprovado que Nikolas falsificou o documento e o utilizou como verdadeiro, poderá haver consequências criminais. “Se ficar comprovado que Nikolas falsificou um documento da Polícia Federal e usou essa fraude como verdadeira, estamos falando de CRIME”, escreveu a parlamentar. Ela também citou a possibilidade de enquadramento por falsificação e uso de documento falso. A publicação gerou repercussão nas redes sociais e ampliou o debate sobre a responsabilidade de agentes públicos na divulgação de documentos falsificados. Investigação dependerá de comprovação de autoria e intenção Até o momento, não há comprovação pública de que Nikolas Ferreira tenha produzido o documento falso. A principal questão jurídica será esclarecer se o deputado participou da criação do material ou se, ao divulgar o arquivo, tinha conhecimento de que se tratava de uma fraude. Caso fique demonstrada a participação na falsificação ou o uso consciente de documento falso atribuído a um órgão público, o caso poderá avançar para uma investigação criminal com possíveis consequências previstas no Código Penal. Fonte: Revista Fórum

Fora do páreo: Justiça Eleitoral barra candidatura do golpista Eduardo Cunha

Com carreira política no Rio de Janeiro, Cunha pretendia retornar à Câmara dos Deputados por Minas Gerais O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) aceitou os pedidos de impugnação e barrou o registro da candidatura de Eduardo Cunha (Republicanos), ex-presidente da Câmara. Ele pretendia eleger-se deputado federal, neste ano, disputando a eleição por Minas Gerais. A decisão foi tomada em unanimidade após longa discussão, que durou mais de três horas, na tarde desta quinta-feira (3/9). Cunha foi tratado pela Corte como inelegível.Os magistrados julgaram os pedidos de impugnação apresentados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e por Roberta Lopes (PL), vereadora de Juiz de Fora. O relator do caso, desembargador Salvio Chaves, atendeu integralmente a representação da parlamentar e parcialmente o pedido apresentado pelo MPE. Ao pedir a impugnação de Cunha, as partes citaram a condenação por improbidade administrativa que o ex-presidente da Câmara foi alvo, em 2019, após Ação Civil Pública que tramitou na 10ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro.À época, dentre as penas, Cunha teve os direitos políticos suspensos por oito anos. Eduardo Cunha chegou a obter, em 2022, tutela provisória em decisão monocrática que suspendeu a pena aplicada e restabeleceu os direitos políticos. No entanto, o MPE recorreu e conseguiu manter as penalidades aplicadas anteriormente.O MPE usou ainda a cassação de Cunha, na Câmara dos Deputados, em 2016, por quebra de decoro parlamentar. No pedido ao TRE, o Ministério Público Eleitoral ainda cita uma confusão entre leis que tratam do período em que o ex-presidente da Câmara teria de permanecer inelegível. À época, o entendimento dado pela Lei Complementar 64/1990 previa que Cunha permanecesse inelegível até 2027.Era considerado um prazo de oito anos contados a partir do término da legislatura, neste caso até 2019. No entanto, a Lei Complementar 219/2025 alterou a contagem dos prazos de elegibilidade e estabeleceu que os oitos deveriam ser contados a partir da decisão que determinou a perda de cargo, e não mais tendo como pontapé inicial o término da legislatura.No entendimento do MPE, a alteração não beneficia Cunha, que teve o mandato cassado antes da atualização das regras. O relator do caso acolheu o argumento do MPE e confirmou que a pena aplicada a Cunha só terá fim em fevereiro de 2027, já que, no entendimento apresentado em voto, o prazo de oito anos de inelegibilidade só começou a ser contado a partir do dia 31 de janeiro de 2018.O relator ainda tratou as mudanças apresentadas na Lei Complementar 219/2025 como inconstitucionais. As controvérsias sobre as alterações normativas estão sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a sessão, o advogado de Cunha, Tarso Duarte de Tassis, chegou a solicitar o adiamento da discussão. O pedido foi rejeitado sob o argumento de que os debates no STF não vão chegar a um consenso até o dia 14 de setembro, prazo do TRE para julgar os pedidos de registro de candidatura. EmendasO Ministério Público Eleitoral também pediu como motivo para impedir a candidatura de Cunha a investigação, ainda em andamento, que acusa o candidato de integrar, em posição de liderança, um grupo criminoso investigado no STF e pela Polícia Federal no âmbito da Operação Transparência. A força-tarefa identificou um direcionamento ilícito de emendas parlamentares por parte de Cunha, mesmo sem exercer mandato na Câmara, para beneficiar sua candidatura em Minas Gerais.Como mostrou O TEMPO, o ex-presidente da Câmara irrigou os caixas de ao menos 29 prefeituras de Minas Gerais. Em todos os casos, as destinações tiveram a saúde como área prioritária. O valor total repassado às prefeituras, identificado até o momento pela PF, é de R$ 6.150.378,00. As destinações foram feitas via indicações da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados.De acordo com a Polícia Federal, o ex-presidente da Câmara teria montado um esquema paralelo para definir o destino das verbas por meio de servidores da própria Casa. A principal investigada é a servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, apontada como responsável por operacionalizar as indicações nos sistemas internos da Câmara. Os investigadores afirmam que parlamentares emprestavam seus nomes para formalizar pedidos que, na prática, teriam sido decididos por Cunha.O relator do caso, porém, tratou a investigação, capitaneada pelo ministro Flávio Dino, como inicial. A decisão ainda cabe recurso, da defesa do ex-presidente da Câmara, ao Tribunal Superior Eleitoral. O que diz Cunha?Em vídeo enviado à reportagem, Cunha criticou a decisão, classificada por ele como “política e teratológica”. “O Tribunal Regional Eleitoral está tentando usurpar a competência do Supremo Tribunal Federal ao declarar, uma Lei Complementar Federal, inconstitucional. É por isso que eles estão tentando impedir a minha candidatura. Eles simplesmente decidiram que a Lei Complementar que dá suporte à minha candidatura é inconstitucional, que é um papel que cabe ao Supremo Tribunal Federal fazer”, disse.Cunha também afirmou que vai recorrer da decisão. “Essa decisão é absurda. É óbvio que eu vou recorrer e é óbvio que o Tribunal Superior Eleitoral vai rever essa decisão, e eles mesmo (TRE) sabem disso. Tomaram uma decisão política sabendo que ela vai ser consertada em cima”, complementou. Veja 10 motivos que levou Eduardo Cunha perder seu mandato definitivamente de Deputado Federal, segundo publicou na época, a Agência PT Notícias 1 – Contas secretas no exterior Cunha cometeu falta ética grave ao mentir na CPI da Petrobras para ocultar a existência de pelo menos três contas no exterior. Essas contas eram de trustes (tipo de contrato no qual o dono do recurso transfere para um terceiro a administração dos valores) dos quais ele negava ser dono, mas que pagavam suas despesas luxuosas em restaurantes e hotéis. O Banco Central decidiu multar Eduardo Cunha em 1 milhão reais e sua mulher, Cláudia Cruz, em 130 mil reais, por não terem declarado contas mantidas em outros países. Esse é o principal motivo que levará Cunha a cassação. 2 – Pressão para receber propina O deputado golpista se utilizava de requerimentos na câmara para conseguir benefícios pessoais. Ele teria pressionado o lobista Julio Camargo com a emissão de dois requerimentos perante a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle

Nikolas divulgou laudo falso feito com IA para tentar se “inocentar”

Relatório falso da PF sobre Nikolas e Vorcaro foi criado com inteligência artificial, aponta verificação A Polícia Federal não produziu nenhum relatório concluindo pela ausência de indícios de crime nas conversas entre o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O documento que circulou nas redes sociais, divulgado por Nikolas e seus apoiadores, não foi reconhecido pela corporação. A análise realizada pela revista Fórum por uma ferramenta de verificação da OpenAI também apontou sinais de que o material foi criado com auxílio de inteligência artificial. As análises técnicas realizadas pelo Estadão Verifica e Aos Fatos também indicaram a presença da mesma marca d’água digital associada a ferramentas da OpenAI, o que indica que a imagem foi produzida artificialmente. O arquivo apareceu poucas horas depois de o ICL Notícias divulgar áudios em que Nikolas conversa com Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. No material divulgado nas redes, o suposto relatório atribuía à PF uma conclusão favorável ao deputado, afirmando que as mensagens indicariam apenas uma relação pessoal e profissional entre os dois. Porém, a análise do documento mostrou que a suposta manifestação da Polícia Federal não corresponde aos registros oficiais da investigação. O arquivo apresenta datas incorretas, transcrições alteradas e referências inexistentes em relação aos documentos verdadeiros. Uma das inconsistências está na cronologia das mensagens. O documento falso afirma que conversas entre Nikolas e Vorcaro ocorreram em janeiro de 2025, mas os conteúdos divulgados pelo ICL indicam diálogos registrados em março daquele ano. O material também cita uma página específica de um relatório da PF como origem das informações. A checagem constatou que a página mencionada não contém qualquer referência às mensagens atribuídas ao deputado. Outro erro aparece na própria identificação do arquivo. O suposto relatório informa uma data de elaboração de novembro de 2025, enquanto o relatório verdadeiro da Polícia Federal divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) foi produzido em agosto de 2026. A circulação do documento ocorreu em meio à repercussão das relações mantidas por Vorcaro com autoridades e políticos. Relatórios da PF tornados públicos mostram mensagens do empresário com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Os dois não aparecem formalmente como investigados. Nikolas Ferreira negou irregularidades nas conversas divulgadas pelo ICL Notícias. O suposto relatório que tentava afastar suspeitas sobre o deputado, contudo, não integra nenhuma investigação oficial da Polícia Federal. Fonte: Revista Fórum

Gabriel Azevedo sugere a Ben Mendes “sair do armário” em debate para o governo de Minas

O debate entre candidatos ao governo de Minas Gerais realizado pela rádio TMC e a TV Sim, nesta quarta-feira (2/9), já começou com tensão entre Ben Mendes (Missão) e Gabriel Azevedo (MDB). Em um debate acalorado entre candidatos ao governo de Minas Gerais, realizado pela rádio TMC e TV Sim na quarta-feira (2), o candidato Gabriel Azevedo (MDB) provocou o influenciador de extrema-direita Ben Mendes (Missão) com uma insinuação sobre sua sexualidade. “Benzinho, seu primeiro debate, você praticamente não falou de você, já tomou dois direitos de resposta e gastou seu momento final pra falar de mim”, iniciou Azevedo. “Cara, conheço muitos caras casados que são parecidos contigo e que têm uma fixação comigo, sabe? Deixa eu te dar uma dica: liberta-se. Se segura não, sabe? Deixa ser quem você é”, afirmou. Azevedo encerrou a provocação com um conselho: “Aliás, são vários do Missão que são muito parecidos. Essa convivência muito masculina, sem mulher, é de uma tensão absurda, cara. Seja feliz, sabe? Se assuma. Vai ser quem cê é com liberdade, porque liberdade tá na bandeira de Minas Gerais e é de Minas Gerais que eu quero cuidar”. A provocação ocorreu após uma série de acusações entre os dois candidatos. Antes da fala de Azevedo, Ben Mendes havia acusado o emedebista de espalhar “fake news” ao afirmar que ele não teria comparecido a um debate anterior da TV Horizonte e que seu plano de governo não estaria disponível no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Gabriel, você veio aqui para espalhar fake news? A segunda em menos de três minutos. É assim que vai ser o seu governo se você fosse eleito?”, disparou Mendes. Azevedo rebateu afirmando que Ben Mendes foi convidado para o debate da TV Horizonte, mas não compareceu, e que o plano de governo do candidato do Missão não constava na página do TSE. “Portanto, o senhor não me acuse de fake news porque eu não sou uma pessoa que desrespeita as outras. Aliás, não falo de quem está passando fome na rua para fazer corte pra internet e também não agrido mulheres”, completou, em referência a declarações anteriores de Mendes, que já afirmou que pessoas em situação de rua devem “passar fome para aprender a trabalhar” e se envolveu em um confronto físico com uma funcionária de uma loja em Betim. Influenciador, Ben Mendes ficou conhecido nas redes sociais com vídeos em suposta defesa do consumidor, quando invadia estabelecimentos para constranger trabalhadores. Nos últimos meses, se envolveu em diversas polêmicas, como agredir um motociclista em uma briga de trânsito e romper com youtubers que impulsionaram seus conteúdos.

Patrimônio de Aécio vai de R$ 1,9 milhão a R$ 22,5 milhões em quatro anos

O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), candidato ao Senado, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 22.548.039,13. Na eleição de 2022, quando concorreu ao cargo que ocupa atualmente, ele havia informado bens no valor total de R$ 1.943.933,43. Aécio formalizou a candidatura ao Senado por Minas Gerais no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na terça-feira (01). A nova declaração reúne imóveis, automóveis, aplicações financeiras, participações em empresas, joias e outros bens, incluindo parte da herança deixada por sua mãe, que morreu em 2023. Os imóveis somam R$ 12.534.617,17. Dois deles, localizados em Santa Catarina e no Rio de Janeiro, vieram da herança materna e totalizam R$ 8.607.155,06. A lista também inclui uma propriedade rural herdada, avaliada em R$ 3.618.462,11, um apartamento de R$ 222 mil em Belo Horizonte e um terreno rural de R$ 87 mil. A herança materna contém ainda R$ 6.032.874,06 em aplicações financeiras e uma participação societária de R$ 829.468,24. Aécio declarou outra participação, de R$ 166.660, proveniente da herança paterna, além de R$ 498.063,96 em renda fixa e joias herdadas avaliadas em R$ 1.722.773,35. O candidato informou também R$ 542.390 em automóveis e R$ 43.650 em obras de arte, antiguidades e peças diversas. Em 2022, as aplicações financeiras concentravam R$ 1.046.419,87 do patrimônio declarado, enquanto os imóveis somavam R$ 307 mil e os veículos, R$ 129.890. Aécio entrou na disputa pelo Senado após desistência no PSDB Presidente nacional do PSDB, Aécio anunciou a candidatura em 28 de agosto. O partido havia registrado Gustavo Galasse para disputar uma vaga no Senado por Minas Gerais, mas ele deixou a corrida eleitoral. Ao anunciar a decisão, Aécio defendeu uma presença mais forte do estado no Congresso: “Minas Gerais precisará ter no Senado da República uma representatividade muito maior do que em qualquer outro tempo. E olha que eu já estive lá. O Senado é mais vital do que nunca para que nós possamos rediscutir a negociação da nossa dívida”. A legislação permite a substituição de candidatos após desistência, morte ou declaração de inelegibilidade. A disputa mineira também teve a retirada da candidatura de Marcelo Heringer, do PDT, partido coligado com o PSDB no estado. No levantamento Genial/Quaest citado antes dessas mudanças, Marília Campos (PT) aparecia com 15% das intenções de voto, seguida por Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL), com 8% cada, e Marcelo Aro (PP), com 6%; Galasse e Heringer registravam 1% cada. Fonte: DCM