BH: Fuad Noman é reeleito e afasta perigo bolsonarista na capital mineira

Bolsonarista Bruno Engler, lançado pelo extremista bolsonarista Nikolas Ferreira, foi derrotado pelo atual prefeito do PSD Belo Horizonte deu um novo mandato de quatro anos ao prefeito Fuad Noman (PSD). Às 19h08, com 94,25% das urnas apuradas, ele atingiu 53,79% dos votos e matematicamente se reelegeu, afastando definitivamente o risco de a capital mineira cair nas mãos do bolsonarismo. Seu adversário, Bruno Engler (PL), “patrocinado” pelo deputado federal extremista Nikolas Ferreira (PL), e que contou ainda com o apoio explícito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que amargou outra derrota, tinha 46,24% dos votos dos belo-horizontinos no mesmo horário, sem chances de vencer. No primeiro turno, Engler saiu na dianteira, com 435.853 votos totais (34,38% dos válidos), contra 336.442 (26,54%) de Noman. A abstenção já havia sido elevada – quase 30% dos eleitores não foram votar em 6 de outubro. Já neste segundo turno, a abstenção, de 31,95%, permaneceu elevada. Nada menos que 636.752 eleitores se ausentaram. Para vencer, Noman herdou votos de seus adversários. Duda Salabert (PDT) e Rogerio Correia (PT), que disputaram o primeiro turno como representantes da esquerda, lhe declararam apoio. Já Mauro Tramonte (Republicanos) e Gabriel Azevedo (MDB), mais próximos de Engler, se omitiram, o que favoreceu a virada. Pesquisas apontaram que Noman herdou a maioria dos eleitores dos dois candidatos.
Zema ataca Bolsa Família e associa benefício a vagabundagem

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), voltou a criticar o programa Bolsa Família nesta terça-feira (22), atribuindo as dificuldades de contratação de mão de obra no país ao programa social e alegando que ele estaria incentivando a “vagabundagem”. “É complicado no Brasil. Em Minas Gerais, temos mais de um milhão de pessoas recebendo o Bolsa Família que alegam não encontrar oportunidades de trabalho”, declarou o bolsonarista durante um encontro com empresários do setor de supermercados em Belo Horizonte. “Já estive na posição de vocês. Muitas vezes, na entrevista, o candidato pergunta: ‘Preciso trabalhar no sábado ou domingo?’ Se você responde que sim, ele já desiste, porque quer a vaga, mas com várias condições que muitas empresas não conseguem atender.” Essa não é a primeira vez que o governador critica o Bolsa Família. Em uma entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, em fevereiro, ele comentou que alguns beneficiários evitam retornar ao mercado de trabalho com receio de perder o auxílio. Além disso, em 2023, o simpatizante do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou que os estados do Sul e Sudeste se diferenciam dos demais por terem uma maior proporção de trabalhadores em comparação àqueles que vivem de auxílios emergenciais. Diante da repercussão negativa de suas falas e das acusações de preconceito, Zema, que busca construir sua candidatura à Presidência em 2026, afirmou que suas declarações foram mal interpretadas Wellington Dias rebate ataque preconceituoso de Zema aos mais pobres O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), rebateu duramente as declarações preconceituosas do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que relacionou a falta de mão de obra no comércio e varejo ao pagamento do Bolsa Família. A fala gerou indignação no governo federal, que considerou a abordagem como preconceituosa e equivocada. Wellington Dias foi rápido ao rebater e esclarecer as mudanças feitas no programa Bolsa Família, destacando que as críticas de Zema ignoram os esforços do governo para combater a pobreza e estimular a inclusão no mercado de trabalho. “O preconceito prejudica os mais pobres, ainda mais com a disseminação de fake news. O presidente Lula mudou a regra do Bolsa Família para que não se perca o benefício ao conseguir um emprego, o que acontecia no Auxílio Brasil, do governo anterior”, ressaltou Dias. O ministro explicou que a nova configuração do programa permite que, mesmo com uma pessoa da família empregada, o benefício seja mantido. “Em uma família de seis pessoas, se uma tem emprego com carteira assinada e ganha um salário mínimo, o benefício é mantido. Se duas pessoas ganham um salário mínimo, a família ainda recebe 50% do valor. Ou seja, os beneficiários só param de receber o BF [Bolsa Família] quando saem da pobreza”, completou. Wellington Dias também apresentou dados que contradizem a fala de Zema. “A prova de que nosso trabalho está funcionando é que, em 2023, 71% das vagas de emprego foram ocupadas por beneficiários do Bolsa Família, de acordo com dados do Caged. E, só neste ano, já chegamos a 77%. Não vamos deixar ninguém para trás. Estamos juntos no combate à pobreza!”, enfatizou o ministro. As críticas de Zema também se estenderam a reclamações sobre a relutância de trabalhadores em aceitar empregos que exigem trabalho aos finais de semana. Ele afirmou que muitos trabalhadores “querem um trabalho cheio de pré-requisitos que nem sempre empresas e setor produtivo conseguem atender”. A fala foi vista como mais um exemplo de uma visão insensível em relação à realidade da classe trabalhadora.
Homem que fez vídeos com falas racistas é preso em Belo Horizonte

Ele já cometeu crimes de violência doméstica e psicológica, injúria, difamação, descumprimento de medida proativa e divulgação de material sexual O ex-funcionário de um bar na Região da Pampulha, em Belo Horizonte, que aparece proferindo falas racistas em um vídeo publicado nas redes sociais, foi preso nesta quarta-feira (23/10). “Ele já cumpria pena por um crime de violência doméstica, saiu em razão de um benefício e não retornou. Nós tomamos conhecimento da presença desse cidadão em Belo Horizonte justamente após a repercussão de uma fala dele nas redes sociais, que foram amplamente divulgadas. Ele foi recapturado e responderá também pelos crimes de racismo eventualmente praticados”, explicou o tenente-coronel Carlos Eduardo Lopes, comandante do 13º Batalhão da PM. Segundo a Polícia Militar (PM), com a divulgação do vídeo foi verificado que Alessandro Pereira de Oliveira, de 36 anos, se encontrava em Belo Horizonte, e uma força tarefa foi empenhada em sua busca nos últimos cinco dias. O cruzamento de informações recebidas por meio do Disque Denúncia e do Serviço de Inteligência da PM levaram à localização do suspeito. O criminoso foi preso em um apartamento no bairro Jaqueline no fim da tarde desta quarta-feira (23/10). A Polícia Militar cercou a residência e, vendo que não tinha como fugir, o suspeito se entregou pacificamente aos militares. O caso de racismo será encaminhado para a Polícia Civil para investigação, e Alessandro será devolvido ao sistema prisional ainda esta tarde. Relembre o caso Na última semana, um vídeo feito por Alessandro, que trabalhava em um bar na região da Pampulha, viralizou nas redes sociais. No registro, ele aparece defendendo a volta da escravidão após um cliente fazer uma reclamação. “Trabalhar em bar não é fácil. Maldita Princesa Isabel que assinou a Lei Áurea pra acabar com a escravidão. Preto tem que entrar no chicote e no tronco mesmo. Não tem conversa, não. Não sei se preto tem razão para reclamar de copo, tem que tomar água do vaso. Eu tinha que ter vivido na época dos barões, cortar essa raça no chicote. Amarrar no tronco e chicote estalando no ombro, amarrado dentro da caixa de ferro e deixar o dia inteiro no sol. Vou ter que aturar macaco me enchendo o saco”, disse o homem. @portalotempo RACISMO- O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) acionou a polícia, neste fim de semana, para apurar crime de racismo após um vídeo de um funcionário de um bar de Belo Horizonte viralizar nas redes sociais. Na gravação, ele diz que “preto tem que entrar no chicote” e “tem que tomar água do vaso”, além de criticar a Lei Áurea, que acabou com a escravidão no Brasil em 1888. O homem foi identificado como Alessandro Pereira de Oliveira, de 36 anos. O vídeo foi publicado nas redes sociais dele na última sexta-feira (18 de outubro). “Essa notícia desse crime grave, em tese praticado por esse homem, chegou ao nosso conhecimento através de movimentos sociais. Embora eu não estivesse de plantão, eu instaurei procedimento de notícia de fato na coordenadoria e já pedi providência à Decrin (Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência) e à promotoria de Justiça de Direitos Humanos”, afirmou Allender Barreto Lima, promotor de Justiça e coordenador de Combate ao Racismo e Todas as Outras Formas de Discriminação (CCRAD) do MPMG. A reportagem tenta contato com o homem, mas sem sucesso. O espaço segue aberto. A reportagem também tenta contato com o bar. 🔗 Veja mais em nosso site, no link da bio. 📹 Reprodução / Redes Sociais 📸 Reprodução #OTEMPO #racismo #mpmg #bh #belohorizonte #mg ♬ som original – O Tempo Foragido da polícia Alessandro tinha mandado de prisão em aberto pela Vara de Execuções Criminais da Comarca de Governador Valadares. De acordo com o processo do mandado de prisão, o foragido descumpriu a Lei Maria da Penha e cometeu crimes de violência psicológica contra mulher, perseguição e pornografia de vingança. Além disso, ele tem ao menos outras três passagens pelo sistema prisional mineiro.
Vereador eleito em BH mora em São Paulo e é de família ‘caça-mandato’

Lucas Ganem usa sobrenome do primo, deputado federal por SP, e só mudou o domicílio eleitoral em fevereiro Por Jornalistas Livres Os Ganem são uma família muito unida. Primeiro do grupo a se aventurar na política, o deputado federal Bruno Ganem (Podemos-SP) tem orgulho de ostentar nas redes sociais que elegeu quatro vereadores Brasil afora, todos com o “sobrenome” Ganem. A mãe do parlamentar, a deputada estadual paulista Clarice Ganem (Podemos), também comemora pelas redes a vitória da cunhada, Simone Ganem, do mesmo partido, que ocupará uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo a partir de janeiro. O filho de Simone foi outro a dar motivos para celebração. Lucas Ganem (Podemos) foi eleito vereador em Belo Horizonte depois de conquistar mais de 10 mil votos, mesmo morando em São Paulo e sem nunca ter vivido na capital mineira, conforme indicam os sistemas de informação de órgãos públicos dos dois estados, que não o associam a nenhum endereço em BH, mas sim à locais na capital paulista. Nascido e criado em São Paulo, entre a capital do estado e Indaiatuba, Lucas do Carmo Navarro tem 28 anos e é formado em publicidade pela Unip. Entre fevereiro de 2022 e abril de 2023, atuou como assessor comissionado na Câmara Municipal de Indaiatuba, reduto onde os Ganem criaram raízes políticas. Tanto ele quanto a mãe, agora vereadora de São Paulo, não possuem o sobrenome reconhecido dos familiares: Simone é casada com um irmão de Clarice, tio de Bruno, e, assim como Lucas, “herdou” o nome para ser utilizado nas urnas. Mesmo com candidatos em diversas cidades, os laços com Indaiatuba permanecem: neste ano, Bruno concorreu à prefeitura da cidade, mas terminou na segunda colocação — o município não tem segundo turno. As redes sociais pessoais do novo vereador de Belo Horizonte exibem pouco do perfil ideológico do futuro integrante do Legislativo. As exceções foram durante as eleições de 2018 e 2022, quando publicou imagens de apoio ao primo, Bruno, e à tia, Clarice. O perfil de Lucas Ganem indica, no entanto, a pouca familiaridade com a capital mineira. A primeira menção à BH nas redes do parlamentar eleito aparece somente em agosto de 2023, com uma foto dele carregando um cachorro no quintal de uma casa. A imagem foi publicada com a localização “Belo Horizante (sic), Minas Gerais, Brazil” De onde, para onde Lucas Ganem também é um desconhecido dos sistemas de informação dos órgãos de Minas Gerais. Seja em registros policiais ou de informações digitais do governo estadual, nunca registrou ou figurou em qualquer ocorrência – e nem em qualquer outro procedimento documental, que envolva uma instituição pública mineira. Também não está ligado a nenhum endereço no estado. Além disso, teve sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) emitida em São Paulo, em junho deste ano, com endereço também registrado na capital paulista, em uma casa na Vila Prudente. Depois da curta passagem como servidor comissionado na Prefeitura de Indaiatuba, Lucas passou a atuar como coordenador de Assistência Social do Grupo Executivo de Assistência Patronal (Geap), uma operadora de planos de saúde voltada exclusivamente para servidores públicos. A Geap tem sido alvo de críticas por supostamente ter se tornado um reduto de indicados de parlamentares do Podemos. Recentemente, o Sindicato dos Trabalhadores do Seguro Social e Previdência Social no Estado de São Paulo (SINSSP) denunciou, em publicações nas redes sociais, a contratação de pessoas indicadas pelo partido, para áreas de direção da entidade. Procurada por O Fator, a direção nacional do Podemos classificou a acusação como “leviana e irresponsável”. Em novembro de 2023, Lucas Ganem, ainda chamado por seu nome de batismo, Lucas Navarro, participou de negociações do Geap do Paraná com a Prefeitura de Quatro Barras, na região leste paranaense. Segundo o SINSSP, a diretoria do Geap-PR teve seu diretor indicado pelo deputado federal Bruno Ganem. A casa Apesar de ter crescido e trabalhado fora de Minas, Lucas Ganem registrou domicílio eleitoral em Belo Horizonte, em 19 de fevereiro deste ano. O endereço indicado pelo vereador eleito é uma casa geminada no bairro Trevo, na região da Pampulha. O imóvel, segundo apuração de O Fator, está registrado em nome do representante do Geap em Minas Gerais, o empresário Grijalva de Carvalho Lage Duarte Junior. A reportagem foi até a residência registrada por Lucas, em Belo Horizonte, na tarde desta terça-feira (15). Ninguém atendeu ao interfone durante de 25 minutos. Procurado, o empresário Grijalva Duarte Júnior afirmou, por mensagem, que a reportagem deveria contactar Lucas Ganem. A Justiça Eleitoral estabeleceu o dia 6 de abril como data-limite para a troca de domicílio de voto — e candidatura. Lucas, portanto, transferiu o título de eleitor para a capital mineira dois meses antes do fim do prazo. Vereadores com mandato em BH, entretanto, precisam cumprir outro requisito, explica o advogado Jorge Washington Cançado, especialista em Direito Público e Eleitoral. “O Direito Eleitoral permite que os eleitores votem onde tenham vínculos reais, ainda que não sejam no município de sua moradia, na tentativa de eliminar possíveis injustiças a quem queira lançar candidatura em local diverso de onde mora, mas que a ele esteja vinculado e viabilizar a organização das eleições. No entanto, no caso de Belo Horizonte, a Lei Orgânica prevê que o vereador deve comprovar residência no município. Caso contrário, poderá ter o mandato questionado”, assinala. Estratégia Apesar da curiosidade pela falta de vínculos claros entre Belo Horizonte e Lucas Ganem, a candidatura do vereador eleito não é ilegal. Aliás, o Ministério Público Eleitoral (MPE), durante o processo de registro, deu parecer favorável à candidatura, indicando que toda a documentação do paulistano estava em conformidade com a legislação. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) deferiu a candidatura na sequência. Mesmo sem ser belo-horizontino de nascimento ou ter criado identidade com a cidade ao longo dos últimos anos, Lucas Ganem ultrapassou a barreira dos 10 mil votos — marca que apenas 17 dos 41 escolhidos para a nova composição da Câmara Municipal alcançaram nas urnas. A boa votação deixa cidadãos afeitos à política impressionados. A
Governo Zema prevê rombo de R$ 7,1 bilhões em 2025

Proposta de Lei Orçamentária Anual foi recebida pelo Plenário da ALMG Nada menos que R$ 7,1 bilhões é o rombo previsto pelo Governo do Estado para 2025. O déficit projetado para o ano que vem consta na Proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA), encaminhada pelo governador Romeu Zema (Novo), à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A proposta, que estima as receitas e as despesas do Executivo, foi recebida durante reunião ordinária nessa terça-feira (15). De acordo com a LOA, a receita total programada para 2025 é de R$ 126,7 bilhões. Já a despesa está estimada em R$ 133,8 bilhões. O déficit previsto para 2025 é inferior aos R$ 8 bilhões do exercício fiscal de 2024. Na mensagem à ALMG, Zema disse que houve melhora na previsão do resultado fiscal do Estado devido ao crescimento da arrecadação tributária. Estima-se que essa receita terá aumento de R$ 5,9 bilhões no ano que vem. Com relação às despesas, o governador disse que elas se devem à elevação dos gastos constitucionais com saúde, educação e fomento à pesquisa científica, que serão maiores devido ao crescimento da receita tributária. O governador ainda destaca o aumento de R$ 1,1 bilhão na despesa com o pagamento de juros e amortizações da dívida pública em 2025. Os números utilizados na elaboração da LOA levam em consideração a adesão do Estado ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que prevê a retomada parcial do pagamento da dívida com a União. Zema ainda disse que houve “pouca margem” para o governo adotar medidas capazes de reduzir gastos públicos significativamente, em razão das vinculações de receita com gastos constitucionais obrigatórios. “Mas é certo que estão sendo envidados todos os esforços no sentido de se atingir o equilíbrio fiscal, o que se reflete na progressiva melhoria dos resultados financeiros de Minas Gerais”, afirma. Ele ainda defendeu união de esforços para melhorar a situação fiscal do Estado. “É indispensável, para tanto, a participação dos Poderes Legislativo e Judiciário na discussão e aprovação de medidas estruturais, legislativas e administrativas com esse objetivo”, argumenta.
Partidos do centrão dominam prefeituras mineiras; PT e PSB conseguem pequeno avanço

RAIO X – Veja como ficou o desempenho dos partidos na disputa pelas 853 prefeituras de Minas Gerais Por Leonardo Fernandes / Brasil de Fato | Além de Belo Horizonte, só haverá segundo turno em mais uma cidade, Uberaba, no Triângulo Mineiro – Reprodução TRE – RN A esquerda ficou de fora da eleição para a Prefeitura de Belo Horizonte (MG) depois da realização do primeiro turno, no último domingo (6). Agora, os eleitores da capital mineira terão que escolher entre o bolsonarista Bruno Engler (PL) e o atual prefeito, candidato à reeleição, Fuad Noman (PSD). O candidato do PT, Rogério Correia, ficou em 6º lugar, com pouco mais de 55 mil votos, o que representou cerca de 4% dos votos válidos. Das 13 cidades com mais de 200 mil habitantes no estado, além de Belo Horizonte, apenas Uberaba terá segundo turno, que será entre a candidata do PSD, Elisa Araújo, e o representante do MDB Tony Carlos. Embora na disputa pelo Executivo da capital a esquerda tenha ficado de fora, a bancada progressista na Câmara Municipal dobrou, passando de cinco para dez, dos 41 vereadores. O Partido dos Trabalhadores, que tinha duas vagas no Legislativo de BH, dobrou o número de cadeiras, e o Psol, ampliou de duas para três parlamentares, todas mulheres. As outras vagas são do PV e do PCdoB, que integram federação com o PT. Apesar dos resultados na capital, o PT levou duas importantes prefeituras do interior, já no primeiro turno. Marília Campos se reelegeu em Contagem, terceira maior cidade do estado, com 60% dos votos. E Margarida Salomão conseguiu a reeleição na quarta maior cidade mineira, Juiz de Fora, com cerca de 54% dos votos. Já em Montes Claros, Governador Valadares e Uberlândia, os candidatos do PT ficaram para trás. Em todas essas cidades, a direita ganhou as prefeituras já no primeiro turno. Em Betim, na região metropolitana de BH, as forças progressistas apoiaram o candidato do PV, Dr. Vinícios, que ficou em segundo lugar, dando a vitória para Heron Guimarães, do União Brasil, com 52% dos votos. Em Ribeirão das Neves, o candidato do PP, Túlio, ganhou as eleições com mais de 81%, contra 13% do candidato petista. Em Divinópolis, o bolsonarista Gleidson Azevedo, do Partido Novo, irmão do senador Cleitinho (Republicanos), levou o pleito com 71% dos votos, contra 28% da candidata do PSD, Laíz. Sete Lagoas também elegeu em primeiro turno o prefeito Douglas Melo, do PSD. E finalmente, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de BH, Paulo Bigodinho, do Avante, também se elegeu com mais de 50% dos votos. O PSD, partido do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que é visto como favorito para disputar o governo estadual em 2026, foi o partido que conquistou mais prefeituras, 140 dos 853 municípios mineiros. Um crescimento de 79% em relação a 2020, quando o partido elegeu 78 prefeituras. Em seguida, o Republicanos elegeu prefeituras em 76 municípios, registrando o maior crescimento em relação a 2020, quando havia conseguido eleger apenas 41 prefeitos. Logo, vem o Progressistas, com 74, e o União Brasil, com 76. O MDB ficou com 67 prefeituras, e o PSDB com 56, e são os partidos que mais perderam o controle de Executivos municipais em Minas Gerais, com quedas de 30% e 33%, respectivamente. O PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou em 49 cidades, nove a mais do que em 2020. E o PT tinha 26 prefeituras, conquistou mais quatro, chegando a 30 governos municipais em todo o estado. Já o PSB, do vice-presidente Geraldo Alkmin passou de 47 para 64 prefeituras mineiras. Já o Partido Novo, do governador Romeu Zema, ganhou em apenas nove municípios. Ainda assim o número representou um avanço para a agremiação que, em 2020, não elegeu nenhum candidato ao Executivo. Quem financia a disputa na capital? Em 27 de outubro próximo, os belo-horizontinos vão ter que escolher entre reeleger o atual prefeito Fuad Noman, que teve 26% dos votos no primeiro turno, e Bruno Engler, que liderou a primeira votação com 34%. Mas quem são eles e quem os financia? Fuad Noman governa a capital mineira desde 2022, quando Alexandre Kalil, de quem era vice, renunciou à Prefeitura de Belo Horizonte para concorrer ao governo estadual. Ele tem 77 anos, é empresário, e tem como vice o ex-vereador Álvaro Damião, do União Brasil. A chapa, apoiada por uma coligação de oito partidos, recebeu R$ 19,8 milhões entre recursos de fundo eleitoral e doações, e teve R$ 15,9 milhões em despesas. Os maiores recebedores de recursos da campanha de Noman foi a agência de publicidade Camp2024 Comunicação SPE LTDA, que recebeu um total de R$ 5 milhões, seguido da D24 Comunicação SPE LTDA, para a qual foram pagos R$ 3 milhões. Noman gastou cerca de R$ 404 mil em impulsionamentos de conteúdo no Facebook, empresa que recebeu a maior quantidade de recursos gerais da campanha de 2024, superando os R$ 94 milhões. Dos mais de R$ 19 milhões de recursos no caixa da campanha, cerca de R$ 13,5 milhões foi oriundo do fundo partidário, e pouco mais de R$ 6 milhões em doações. O maior doador da campanha de Noman em Belo Horizonte foi o empresário do agronegócio, Rubens Ometto, dono da Cosan, empresa de energia, que aportou R$ 2 milhões à campanha do candidato do PSD. Fuad Noman recebeu 27 doações de R$ 5 mil e outras dez de R$ 6 mil. O dono da rede Supermercados BH e do Cruzeiro, time de futebol, Pedro Lourenço, doou R$ 100 mil. O mesmo valor foi depositado na conta da campanha do candidato do PSD por outro sócio dos Supermercados BH, Bruno Santos de Oliveira e pelo empresário Fabiano Lopes Ferreira, dono da rede de concessionárias Multimarcas. Fuad também recebeu R$ 350 mil de Ricardo Annes Guimarães, presidente do BMG e presidente do Conselho Deliberativo do Atlético Mineiro, e outros R$ 500 mil do dono da Rádio Itatiaia, da CNN e da MRV Engenharia, Rubens Menin. Os sócios da MRV Engenharia doaram também para o
Fuad lidera pesquisa e abre caminho para derrotar bolsonarismo em BH

O prefeito de Belo Horizonte (MG) e candidato à reeleição, Fuad Noman (PSD), virou o jogo. Após passar para o segundo turno com menos votos que o deputado estadual bolsonarista Bruno Engler (PL), Fuad lidera a primeira pesquisa Datafolha feita nesta fase da disputa e divulgada nesta quinta-feira (10). Conforme o levantamento, 48% dos eleitores declaram que vão votar no prefeito. Engler, por sua vez, tem apenas 41% das intenções de voto. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, Fuad conquistaria mais um mandato se a eleição fosse hoje. A pesquisa indica que há, hoje, 4% de indecisos, além de 8% de brancos e nulos. A crer nos números, Engler precisa não apenas convencer a totalidade desses indecisos – mas também atrair eleitores que hoje preferem Noman. No primeiro turno, a sinalização parecia oposta. Engler totalizou 435.853 votos no domingo (6), o equivalente a 34,38% dos votos válidos. Já Fuad teve 336.442, ou 26,54%. Na sequência, vieram Mauro Tramonte (Republicanos, 15,22%), Gabriel (MDB, 10,55%), Duda Salabert (PDT, 7,68%) e Rogerio Correia (PT, 4,37%). Os demais candidatos, juntos, não chegaram a 1,3%. Engler é apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – que, no entanto, não gravou para seu horário eleitoral, nem foi a Belo Horizonte durante a campanha. Nesta semana, o candidato do PL recebeu o apoio do governador Romeu Zema (Novo), talvez o grande derrotado do primeiro turno. Zema, a exemplo do ex-prefeito Alexandre Kalil, fez campanha para Mauro Tramonte, que liderou as pesquisas até a semana do pleito, mas desidratou na reta final. Fuad diz ser um candidato “sem padrinhos”, numa tentativa de blindar-se da polarização. Mas os partidos da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) – que disputaram o primeiro turno com a candidatura de Rogerio Correia – agora lhe declaram apoio, assim como o presidente Lula (PT). Uma estratégia importante para os dois candidatos é convencer o eleitor a ir à urna. No primeiro turno, a abstenção na capital mineira bateu recorde – 588.699 eleitores não votaram. A taxa de ausentes foi de 29,54%, acima até dos 28,34% registrados na eleição de 2020, sob a pandemia de Covid-19. Para Engler, no entanto, o desafio maior é baixar sua rejeição: 48% dos eleitores dizem que não votariam nele de jeito nenhum . No caso de Fuad, a taxa de rejeição é de 39%. A pesquisa Datafolha, contratada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, ouviu 910 eleitores de Belo Horizonte na terça (8) e na quarta-feira (9).
As derrotas de Romeu Zema e Alexandre Kalil em Belo Horizonte

Governador e ex-prefeito apostaram em Tramonte, que sequer foi para o segundo turno O governador Romeu Zema (Novo) e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (Republicanos). iniciaram a campanha como padrinhos políticos de peso na eleição deste ano na capital mineira. O resultado que saiu das urnas neste domingo, entretanto, mostrou que o apoio deles não foi suficiente para levar o candidato Mauro Tramonte (Republicanos) ao segundo turno. A disputa será decidida entre o deputado André Fernandes (PL) e Fuad Noman (PSD), que tenta a reeleição. Tramonte iniciou forte a campanha, beneficiado pelo recall das aparições diárias na TV como apresentador de programas populares como Balanço Geral. Na primeira pesquisa de intenção de votos divulgada após o anúncio de sua candidatura, o deputado estadual já aparecia na liderança. O desempenho fez com que o candidato do Republicanos conquistasse uma proeza: juntar Zema e Kalil no mesmo palanque. Em 2022, os dois haviam disputado o governo do estado numa campanha recheada de ataques pessoais, que havia deixado sequelas. Zema vinha de uma derrota. O governador tentou lançar uma ex-secretária de seu governo à prefeitura, mas a candidatura não decolou. Sem muitas opções, decidiu pelo apoio a Tramonte, então líder das pesquisas. Kalil havia deixado a prefeitura com altas taxas de aprovação e as pesquisas internas das campanhas apontavam que ele era considerado um apoio político importante. Por isso, foi assediado pela maioria dos candidatos. Nas conversas, no entanto, Kalil ignorou os apelos de Fuad Noman, candidato que naturalmente receberia seu apoio. Fuad era vice de Kalil e herdou o cargo depois que ele se desencompatibilizou para concorrer ao governo do estado. Fuad precisava do apoio de Kalil. Embora fosse prefeito, ele ainda lutava com a alta taxa de desconhecimento entre os eleitores. Em uma negociação que olha para 2026, no entanto, Kalil trocou o PDT pelo Republicanos e anunciou apoio a Tramonte. O candidato do Republicanos, no entanto, não tinha tempo no horário eleitoral, e sentiu os efeitos disso. Na medida em que as propagandas eram exibidas em rádio e TV, cujo tempo era dominado por Bruno Engler e Fuad Noman, Tramonte passou a descrever uma trajetória descendente nas pesquisas, ao mesmo tempo em que os dois concorrentes cresciam. Em suas agendas de rua, Tramonte até levou Zema e Kalil para o mesmo palanque, mas o distanciamento entre eles era evidente. E o apoio dos doi caciques não lhe garantiu transferências de votos.
Gusttavo Lima é indiciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa

Cabe ao Ministério Público decidir se denunciará o cantor à Justiça, após apreensão de dinheiro, notas fiscais para suspeitos, venda de aeronaves para investigados, sociedade oculta e ajuda a foragidos O cantor sertanejo Gusttavo Lima foi indiciado pela Polícia Civil de Pernambuco, em 15 de setembro, sob suspeita de envolvimento nos crimes de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. O indiciamento é parte das investigações da Operação Integration, que apura esquemas de jogos ilegais e lavagem de dinheiro. Entre os 53 alvos da operação, também estão a influenciadora digital Deolane Bezerra, empresários e bicheiros. Após cancelar os próximos shows programados, ivaldo Batista Lima, nome de batismo do músico, saiu do Brasil e está em Miami, nos Estados Unidos, de acordo com reportagem da TV Record. Gusttavo também teria anunciado uma live em suas redes sociais na tarde desta segunda-feira (30), onde há a expectativa que ele fale sobre a investigação e o pedido de prisão revogado. Agora, cabe ao Ministério Público decidir se denunciará o cantor à Justiça. A defesa de Gusttavo Lima nega todas as acusações, de acordo com reportagem do programa Fantástico da Rede Globo, afirmando que as operações financeiras do artista são legítimas e devidamente declaradas. Apreensão de dinheiro e transações suspeitas Um dos elementos que chamou a atenção dos investigadores foi a apreensão de um cofre com cerca de R$ 150 mil na sede da Balada Eventos e Produções, empresa de shows de Gusttavo Lima, em Goiânia (GO). Segundo a polícia, a grande quantia em espécie é considerada um indício de lavagem de dinheiro. A defesa do cantor, por sua vez, afirmou que o dinheiro era destinado ao pagamento de fornecedores. Além disso, as autoridades encontraram 18 notas fiscais sequenciais, emitidas pela GSA Empreendimentos, outra empresa de Gusttavo Lima, totalizando mais de R$ 8 milhões. As notas foram emitidas à empresa PIX365 Soluções, que, de acordo com a polícia, estaria envolvida em apostas esportivas ilegais. A defesa do cantor, porém, afirmou que os valores foram declarados corretamente, e os impostos pagos. Venda de aeronaves e transações suspeitas Outro ponto central da investigação envolve a venda de um avião da Balada Eventos para dois empresários ligados ao esquema de jogos ilegais. Em 2023, a aeronave foi vendida para Darwin Henrique da Silva Filho, empresário pernambucano com suspeitas de envolvimento no jogo do bicho, por US$ 6 milhões. Apenas dois meses depois, a venda foi cancelada, sob a alegação de problemas técnicos. Em 2024, o mesmo avião foi novamente negociado, desta vez com a J.M.J Participações, do empresário José André da Rocha Neto, que também é investigado. A transação, avaliada em R$ 33 milhões, incluiu um helicóptero que já havia sido vendido pela empresa de Gusttavo Lima a Rocha Neto. Segundo a polícia, essas transações envolveram tanto dinheiro legal quanto recursos provenientes de atividades ilícitas. As defesas de Gusttavo Lima e dos empresários negam irregularidades, afirmando que todos os contratos foram feitos de forma transparente, com pagamentos via contas bancárias regulares. Relacionamento com a marca Vai de Bet Outro ponto de destaque nas investigações é o envolvimento de Gusttavo Lima com a marca Vai de Bet, uma das empresas investigadas. Em julho de 2024, o cantor teria se tornado sócio da empresa, com participação de 25%, segundo documentos obtidos pela polícia. Entretanto, sua defesa sustenta que ele nunca foi sócio da administração da empresa, mas que tinha direito a um percentual em caso de venda futura da marca. A polícia, no entanto, investiga se Gusttavo Lima seria um sócio oculto da Vai de Bet desde 2023, quando a empresa fechou um contrato milionário de patrocínio com o Corinthians, também sob investigação. Viagem à Grécia e suspeitas de ajuda a foragidos Gusttavo Lima estava na Grécia comemorando seu aniversário de 35 anos quando a operação foi deflagrada. Segundo a polícia, ele teria dado carona em seu avião para José André da Rocha Neto e sua esposa, Aissla, ambos foragidos e donos da Vai de Bet. O casal teria desembarcado antes do retorno ao Brasil, levantando suspeitas de que o cantor os teria ajudado a escapar das autoridades. A suspeita de ajuda aos foragidos resultou na decretação da prisão de Gusttavo Lima em 16 de setembro, mas a decisão foi revogada menos de 24 horas depois, em segunda instância. Agora, o destino do cantor depende do Ministério Público, que analisará as evidências e decidirá se apresentará denúncia formal à Justiça.
Datafolha em BH: Tramonte tem 28% das intenções de voto e Fuad 18%

O candidato Mauro Tramonte (Republicanos) segue na liderança da disputa eleitoral para a Prefeitura de Belo Horizonte, com 28% das intenções de votos, mostra pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (19). No levantamento anterior, de 5 de setembro, ele apareceu com 29%. O atual prefeito, Fuad Noman (PSD), disputa o segundo lugar com Bruno Engler (PL), ambos com 18%, das intenções de voto. Na apuração anterior, os candidatos tinham 14% e 13%, respectivamente. A candidata Duda Salabert (PDT) somou 9%, ante 12% na edição do início do mês. Os demais candidatos são: Rogerio Correia (PT), com 6%, antes 8%; Carlos Viana (Podemos) manteve os 5%; e Gabriel (MDB) alcançou 3% das intenções de voto, antes eram 2%. Lourdes Francisco (PCO), Wanderson Rocha (PSTU) e Indira Xavier (UP) não pontuaram. Os entrevistados que declararam a intenção de votar nulo, branco ou em nenhum candidato somam 7%. Na edição anterior eram 8%. Aqueles que ainda não sabem em quem votarão no dia 6 de outubro somaram 5% ante 8% da última apuração. Espontânea Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos eleitores, Tramonte somou 17%, ante 15% na última apuração; Engler conseguiu 13% da preferência dos eleitores, em 5 de setembro eram 8%; Noman ficou com 12% e antes tinha 7%; Salabert aparece com 5 e antes eram 6%; e Correia somou 3% (5% na edição anterior). O percentual daqueles que ainda não sabem em quem votar sobe para 38% na sondagem espontânea (48% na última apuração). A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo e pela Rede Globo e registrada na Justiça Eleitoral sob o código MG-07919/2024. Foram ouvidos 910 eleitores entre os dias 17 e 18 de setembro. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais para mais ou menos. O nível de confiança é de 95%.