Minas tem rombo de R$ 11,3 bilhões no caixa no último ano do governo de Romeu Zema

O valor consta no Relatório de Gestão Fiscal (RGF), enviado ao Tesouro Nacional, com um raio-x consolidado da situação financeira do estado O governador Romeu Zema (Novo) encerrará o seu mandato à frente do governo de Minas Gerais com o Executivo tendo um déficit da ordem de R$ 11,3 bilhões. O valor diz respeito ao total de recursos não vinculados, ou seja, que não recebem uma destinação legal para aplicação em áreas específicas. O valor consta no Relatório de Gestão Fiscal (RGF), enviado ao Tesouro Nacional, com um raio-x consolidado da situação financeira do estado em 2025.O material indica que o estado terá dificuldades para arcar com dívidas de outros anos e firmar compromissos neste ano. De acordo com o relatório, Minas soma R$ 3,7 bilhões em restos a pagar empenhados, mas que não foram liquidados em 2025. Ao Tesouro, o estado informou uma despesa líquida com pessoal de R$ 53,8 bilhões. O valor deixa Minas no limite prudencial e próximo ao máximo permitido, de 49%, em relação à Receita Corrente Líquida (RCL). O percentual apurado do estado foi de 48,22%.A dívida pública líquida apurada pelo estado foi de R$ 187,1 bilhões. Somente à União, o governo mineiro deve R$ 179,3 bilhões, saldo que foi confessado no ato de adesão ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag) em 31 de dezembro de 2025. A entrada no programa, inclusive, é tratada por Zema como alternativa para amortizar o endividamento junto à União. A amortização será feita em 360 parcelas.De acordo com matéria do Estadão, o rombo apresentado em Minas Gerais é o maior entre os estados brasileiros que finalizam 2025 com as contas no vermelho. Também estão nesta condição Rio Grande do Norte, Alagoas, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Tocantins e Acre – todos com saldo devedor menor que o apresentado pela gestão Zema.Pedra no sapatoA indisponibilidade de recursos acima de R$ 11 bilhões, que representa pouco menos da metade dos R$ 24 bilhões em isenções fiscais que Zema incluiu no orçamento de 2026, pode dificultar os meses finais da gestão do governador e de seu vice, Mateus Simões (PSD). Zema deixará o estado no final de março para se dedicar à campanha presidencial, e a cadeira será assumida por Simões, pré-candidato ao governo.No entanto, em anos eleitorais, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) proíbe o Executivo de aumentar despesas com pessoal nos últimos 180 dias de mandato. Além disso, a partir de maio, é proibido assumir novas despesas sem a garantia de pagamento até o final do ano ou de que haverá recursos em caixa para cumprimento das obrigações a partir do ano que vem.Na aprovação do orçamento para 2026, o governo já havia informado à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) um déficit de R$ 5,21 bilhões. A proposta aprovada pelos deputados estima receita de R$ 127,1 bilhões e despesa de R$ 132,3 bilhões em 2026.Funcionalismo critica governadorO ex-presidente e atual diretor do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais (Sindifisco-MG), Matias Bakir, disse que a situação fiscal apresentada no relatório poderia ser ainda mais deteriorada. Ele citou que nos últimos anos o estado só reajustou os salários dos servidores conforme a inflação em 2023. “Esse rombo ainda é pouco, porque é um governo que não cumpre com as suas obrigações com o funcionalismo. Ele financia o governo em cima dos servidores públicos”, disse Bakir.A tese é corroborada pelo diretor político do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público de Minas Gerais (Sindpúblicos-MG), Geraldo Henrique. Ele lembrou que o funcionalismo ficou sem reajustes de 2013 até 2022, quando Zema concedeu 10,6% de aumento em concordância com a inflação de 2021.“Daí pra frente, o Zema não pagou a inflação de 2022 que foi 5,7%, não pagou 2024 que ficou em torno de 4,8% e não pagou a inflação do ano passado de quase 5%. E ele prometeu na campanha de 2022 que a partir do segundo mandato ele pagaria o reajuste da inflação aos servidores todos os anos, assim como as empresas da família dele faziam com todos os trabalhadores”, lembrou Geraldo.Segundo o diretor do Sindpúblicos, há uma insatisfação enorme da categoria com o governador. “Imagine só: você monta uma empresa, coloca os trabalhadores para produzir, a empresa cresce, mas você não dá aos trabalhadores os direitos que eles têm. É óbvio que você terá um ganho bem acima do que imaginou, porque não está repartindo com a massa de produção”, criticou. “Ele paga o 13º salário, anuncia o pagamento todo quinto dia útil, e acha que pagando de forma congelada o salário está fazendo um papelão”, acrescentou.Isenções na miraPara Matias Bakir, do Sindifisco, outro ponto de crítica ao governo de Romeu Zema é o volume de isenções fiscais cedidas a empresas, na casa dos R$ 24 bilhões neste ano. A listagem das organizações beneficiadas é mantida em sigilo pelo Executivo. “É uma transferência literal do recurso público para a iniciativa privada. Se você concede benefício fiscal a uma empresa para incentivar a indústria, você tem que ter o controle da indústria para ser se ela vai cumprir aquilo que prometeu, mas não tem ninguém controlando”, acrescentou.Matias Bakir citou ainda que ao assinar o acordo com a União sobre a Lei Kandir, em 2020, o estado renunciou a um montante de R$ 135 bilhões para receber R$ 8,7 bilhões. “Sete anos depois, ele não conseguiu equilibrar as contas do estado. E quem mostra isso, que o governo dele foi pífio, que ele está deixando o estado pior do que ele pegou, é a própria Secretaria de Fazenda dele”, finalizou.O que diz o governo?O TEMPO procurou o governo de Minas e pediu esclarecimentos sobre o relatório. Em nota, a Secretaria de Estado de Fazenda (SEF) voltou a citar, indiretamente, a gestão do ex-governador Fernando Pimentel (PT) para justificar o rombo de R$ 11,3 bilhões. O discurso, inclusive, é um dos mais citados por Zema desde que chegou ao governo.No comunicado, a pasta diz que o valor refere-se a passivos herdados de gestões anteriores que
Rubens Menin, dono do Atlético, da Itatiaia e da CNN Brasil, é sócio do banqueiro Daniel Vorcaro

Um dos principais acionistas da SAF do Atlético, o empresário Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na noite da última segunda-feira Rubens Menin, dono do canal CNN Brasil e da Rádio Itatiaia de Minas Gerais, é sócio do banqueiro Daniel Vorcaro desde 2023 na SAF (Sociedade Anônima de Futebol) do Atlético Mineiro. Menin, como chefe do conselho administrativo e maior acionista da empresa que controla o clube de Belo Horizonte, foi quem levou o proprietário do já liquidado Banco Master para ser um dos donos da controladora do time mineiro, em uma operação de centenas de milhões de reais, que atualmente é investigada pela Polícia Federal. A SAF do Atlético-MG foi criada em julho de 2023, quando o clube aprovou a venda de 75% do futebol para a recém-formada Galo Holding, por R$ 913 milhões. À época, o negócio foi saudado como um movimento que buscava organizar o passivo e profissionalizar a gestão esportiva e financeira do clube. A Galo Holding é comandada por um grupo que ficou conhecido como os “4R’s”: Rubens Menin e seu filho Rafael, que controlam a CNN Brasil, a Rádio Itatiaia, a construtora MRV e o Banco Inter; Ricardo Guimarães, presidente do Banco BMG; e Renato Salvador, sócio da rede de hospitais Mater Dei. A sociedade recebeu no mesmo mês um novo investidor de peso: Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. Vorcaro investiu, por meio de papéis financeiros do fundo Galo Forte FIP, cerca de R$ 100 milhões para adquirir uma participação de 20% da SAF do Atlético, tornando-se o segundo maior acionista da empresa, atrás apenas do dono da CNN e seu filho, que detinham cerca de 45% da empresa. O “Globo Esporte”, site e telejornal esportivo da Rede Globo, deu a notícia, em 24 de julho de 2023, que Daniel Vorcaro – graças a uma operação coordenada pelo dono da CNN – passava a ser um dos donos do Atlético. Na referida reportagem, Rubens Menin dá a sua explicação para o aporte, e diz que estão todos ali investindo porque são apaixonados pelo Atlético-MG, e que nada irão ganhar com a operação – “a não ser mais responsabilidades”. Clique aqui para assistir à integra da reportagem da Globo sobre o tema. Em junho de 2024, após um novo aporte de R$ 300 milhões de Vorcaro na sociedade, o banqueiro passou a ser dono de cerca de 26% da SAF Atlético-MG. Já o empresário Rubens Menin, que também efetuou novos aportes, passou a ser proprietário de 55% do capital da sociedade. O dono da CNN, que é presidente do conselho administrativo que aprovou essas operações, explicou, em entrevista ao canal de TV ESPN, por que havia decidido “botar mais dinheiro” (seu e de Vorcaro) na empresa que controla o Atlético-MG: “Esse aporte vai ser super relevante. Ele não seria necessário se os juros caíssem de forma mais rápida, mas toda vez que os juros demoram a cair, se você não fizer o aporte, você tem mais despesa financeira. Então, nós botaremos mais dinheiro para diminuir a dívida mais rápido. Nada mais simples do que isso”. Para os órgãos oficiais de fiscalização e controle, porém, a operação não foi tão simples. A Procuradoria-Geral da República – tomando como base investigações da Polícia Federal – produziu um relatório enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal ) que aponta indícios de que recursos usados para investir na SAF do Atlético Mineiro podem ter origem em um esquema de desvio e ocultamento de capitais do extinto Banco Master e de seu (ex-)proprietário, o que poderá resultar em prejuízos multimilionários ao clube. Essa notícia foi amplamente difundida pelos órgãos de imprensa no mês passado, sem nunca mencionar o papel de Rubens Menin na entrada de Vorcaro na sociedade. Relação entre Vorcaro e dono da CNN é conhecida há anos Na alta sociedade de Belo Horizonte, as ligações entre Daniel Vorcaro e o dono da CNN são bem conhecidas não é de hoje. No dia 10 de agosto de 2022, por exemplo, o banqueiro patrocinou, foi o anfitrião e o mestre de cerimônias do “III Gala Minas”, um jantar filantrópico realizado em Belo Horizonte pela Brazil Foundation, uma empresa que realiza eventos para a arrecadação de fundos para projetos beneficentes. Na noite de gala, Rubens Menin foi o grande homenageado, recebendo o prêmio de filantropo do ano. O empresário foi representado no evento por sua filha Maria Fernanda Menin, que também possui cadeira no conselho administrativo da CNN. Foi ela quem recebeu o prêmio (em nome do pai) das mãos de Daniel Vorcaro. Na foto abaixo, retirada de reportagem laudatória do site da Rádio Itatiaia sobre o evento, Maria Fernanda é quem aparece no centro da imagem, com o logo do Banco Master logo atrás. Já em janeiro de 2024, Daniel Vorcaro foi uma das figuras presentes a se deixar fotografar em jantar de gala oferecido a personalidades por Rubens Menin, em homenagem ao aniversário de quatro anos da CNN Brasil. Entre outras autoridades presentes, estavam o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) e o ministro do STF Dias Toffoli, conforme pode ser visto em reportagem da própria emissora sobre o evento. Até a publicação desta reportagem, a CNN ainda não havia se declarado suspeita para produzir reportagens sobre o Banco Master e seu dono, apesar da sociedade de seu proprietário com o banqueiro. Fonte: DCM
Goleiro Bruno, condenado por matar mulher, quer carreira política em partido de direita

Em 2022, ele já havia demonstrado apoio à candidatura de Jair Bolsonaro O goleiro Bruno Fernandes de Souza manifestou interesse em disputar uma vaga de vereador em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte (MG). A informação foi confirmada pelo atleta em entrevista à Rádio Itatiaia.Bruno informou que ainda não definiu filiação partidária. Entretanto, declarou que sua orientação política está alinhada à direita. “Não tem como não ser de direita”, afirmou o goleiro à emissora mineira.O atleta cumpre pena de 22 anos de reclusão pelo homicídio de Eliza Samudio, cometido em 2010. Atualmente, ele está em regime de liberdade condicional. Pela legislação eleitoral, a candidatura só será possível após o término da pena, previsto para janeiro de 2031. Defendeu BolsonaroDurante as eleições de 2022, o assassino manifestou apoio ao então presidente Jair Bolsonaro (PL). Em vídeo postado nas redes, Bruno dirigiu-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por meio de redes sociais. Na mensagem, questionou: “Lula, sabe qual a diferença entre você e eu? Entre o bandido”, apontando para a tela, “e o criminoso?”.Bruno foi condenado em 2013 pelo Tribunal do Júri de Nova Lima (MG). A defesa do goleiro apresentou recursos que resultaram na progressão de regime e, posteriormente, na concessão da liberdade condicional.
Justiça dá razão ao TCE e volta a suspender modelo de escolas cívico-militares em Minas

Na decisão, o magistrado reforçou que o pedido do TCE para suspender o programa embasado dentro da legalidade O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu novamente o programa de escolas cívico-militares proposto pelo governador Romeu Zema (Novo). A decisão, publicada no início da tarde desta quinta-feira (5/2), é válida já para o ano letivo de 2026 e referenda o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) que pediu a descontinuidade do modelo.O órgão recorreu do parecer que havia retomado o funcionamento do programa, após recurso do governo estadual. O despacho é assinado pelo desembargador Pedro Carlos Bitencourt Marcondes. Na decisão, o magistrado reforçou que o pedido do TCE para suspender o programa embasado dentro da legalidade, “especialmente quanto à ausência de lei formal que institua o modelo cívico-militar da rede pública estadual de ensino, bem como à irregularidade orçamentária verificada”.O desembargador deu razão ao TCE, que apontou um desacordo com o Plano Plurianual de Ação Governamental (2024–2027), com a Lei Orçamentária Anual de 2025, além de comprometer as metas previstas no Plano Estadual de Educação. Segundo o magistrado, a resolução conjunta nº 1/2024, firmada entre a Secretaria de Estado de Educação e o Corpo de Bombeiros Militar não possui força normativa para criar um programa educacional como o proposto por Zema. “A decisão do Tribunal de Contas, ao determinar a interrupção do programa instituído pela Resolução-Conjunta nº 1/2024, não se mostra, em análise superficial, como ingerência política, mas sim como medida assecuratória da legalidade orçamentária, diante da ausência de lei formal e de previsão específica da Lei Orçamentária Anual para o incremento de despesas que a expansão e a continuidade do modelo cívico-militar acarretaria”, diz trecho da decisão.Além de indeferir o pedido do estado para baixar a decisão do TCE, o desembargador indeferiu pedido do estado para assegurar oitiva prévia antes da apreciação da tutela de urgência. SuspensãoAo suspender o programa de escolas cívico-militares, o relator do processo no TCE, o conselheiro em exercício Adonias Monteiro justificou a determinação citando a inexistência de uma previsão orçamentária compatível para a implementação do modelo. Monteiro ainda frisou que a interrupção do modelo nas instituições já habilitadas não vão gerar prejuízos e insegurança à comunidade escolar. Adonias ainda argumentou que indicadores educacionais não apresentaram evolução com a implementação do programa. O TCE também contestou a convocação de militares da reserva para o projeto. No escopo pretendido pelo governo, oficiais já aposentados poderiam atuar como supervisores e monitores. A configuração foi considerada incompatível com a necessidade de “execução contínua e por prazo indeterminado das atividades das escolas cívico-militares”. Além disso, segundo o Tribunal, o pagamento desses militares da reserva com recursos da segurança pública configura ‘desvio de finalidade’. ModeloEm Minas Gerais, nove escolas da rede estadual adotam o modelo cívico-militar, mesmo após o Decreto Federal nº 11.611, assinado em 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que extinguiu o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (PECIM). São instituições nas cidades de Belo Horizonte, Contagem, Itajubá, Santos Dumont, São João del-Rei e Três Corações. No ano passado, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Defensoria Pública da União (DPU) questionaram o programa junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) alegando incompatibilidade com o Plano Nacional de Educação. O modelo, no entanto, foi mantido pelo Governo de Minas.
DNIT nega ter dado autorização para governo Zema privatizar BR-365

O estado pretende implantar nove praças de pedágio na via, com tarifa inicial de R$10,67, em um trecho que ainda está sob jurisdição da União Apenas em estradas federais sob administração do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) o país tem 61 mil km. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) negou ter autorizado o governo Romeu Zema (Novo) a privatizar a BR-365, rodovia federal que liga Uberlândia, no Triângulo Mineiro, a Montes Claros, no Norte de Minas. O estado pretende implantar nove praças de pedágio na via, com tarifa inicial de R$ 10,67, em um trecho que ainda está sob jurisdição da União. O departamento, autarquia vinculada ao Ministério dos Transportes, afirmou que não foi comunicado sobre a publicação do edital, ocorrida em 21/1, que prevê a entrega da rodovia à iniciativa privada. “O DNIT informa que não emitiu qualquer documento que autoriza um edital de concessão rodoviária da BR-365/MG e não foi comunicado pelo governo do estado de Minas Gerais”, afirma o órgão em nota enviada ao Estado de Minas. O DNIT ressaltou que possui diversas obras e serviços previstos para a rodovia, como a duplicação entre Patos de Minas e Patrocínio, a adequação de capacidade entre Patos de Minas e a BR-040, além de serviços de manutenção. O governo de Minas alegou, em nota enviada à reportagem na semana passada, que a concessão foi autorizada pelo Ministério dos Transportes e conduzida com apoio técnico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O estado afirma que a rodovia será estadualizada antes da assinatura do contrato com o vencedor da concorrência, marcada para o próximo mês. O ministério foi procurado, mas não esclareceu se autorizou a concessão ou se a via será estadualizada. O espaço segue aberto para a manifestação da pasta. A concessão já é alvo de representações no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e no Tribunal de Contas da União (TCU), feitas por deputados estaduais e federais. O processo também é contestado pela Associação Mineira de Municípios (AMM). As representações alegam que a rodovia não pode ser pedagiada por ser federal e que a concessão não prevê obras de duplicação em todo o trecho. Via jornal Estado de Minas
Nikolas vota contra a criação do “Gás do Povo”, que garante botijão de gás para famílias pobres

Ao todo, 29 deputados federais, sendo três de Minas,votaram contra medida que auxilia população de baixa-renda; veja quem A Câmara dos Deputados aprovou, nessa segunda-feira (2/2), o texto-base da medida provisória que institui o programa Gás do Povo. A iniciativa substitui o pagamento do Auxílio-Gás pela retirada direta de botijões nos revendedores credenciados e é voltada a famílias de baixa renda. Aprovada por 415 deputados federais, 29 votaram contra. Dentre eles, três são de Minas Gerais. São eles: Eros Biondini (PL), Junio Amaral (PL) e Nikolas Ferreira (PL). O deputado Lincoln Portela (PL) optou pela abstenção e os demais deputados mineiros, representantes do PSDB, PP, PT, Avante, União, PSD, PDT, Republicanos, MDB, Podemos, Solidariedade e outros do Partido Liberal votaram a favor da medida.Nas demais unidades da federação, um votou contra em Roraima, outro no Rio Grande do Norte, três no Rio de Janeiro, um no Distrito Federal, dois no Mato Grosso do Sul, um no Paraná, seis em Santa Catarina e quatro no Rio Grande do Sul. São Paulo foi o estado com mais votos contra: sete deputados disseram “não” à proposta. Veja os nomes dos deputados que votaram contra: O auxílio A proposta foi uma das vitrines eleitorais da gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e foi uma vitória para o governo na primeira sessão deliberativa do ano
Com Marília Campos, esquerda mineira busca feito inédito no Senado

Desde a redemocratização do país, em 1988, Minas Gerais nunca elegeu um senador filiado a partidos de esquerda “A decisão do diretório coloca um protagonismo no PT mineiro. Como existia uma grande costura para entender qual era o nome do partido, agora temos uma candidatura forte”. Com essa avaliação, a prefeita de Contagem, Marília Campos, comentou ao Estado de Minas a decisão do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT de homologar seu nome como pré-candidata ao Senado Federal por Minas Gerais em 2026. A deliberação ocorreu em reunião realizada na quarta-feira (28/1) e ainda depende do aval da Executiva estadual da legenda para ser oficializada. A indicação de Marília reforça o movimento do Partido dos Trabalhadores de buscar um nome com alta densidade eleitoral e trajetória consolidada para a disputa por uma das duas vagas ao Senado no estado. Em nota, o PT destacou que “Marília já demonstrou sua capacidade e seu apoio popular nas quatro administrações em que esteve à frente daquela cidade e nos três mandatos como deputada estadual” e afirmou que sua candidatura “poderá contribuir de maneira decisiva para uma nova vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais”. Caso confirmada e eleita, Marília poderá protagonizar um feito inédito. Desde a redemocratização do país, em 1988, Minas Gerais nunca elegeu um senador filiado a partidos de esquerda. A primeira eleição ao Senado após a promulgação da Constituição ocorreu em 1990 e, desde então, nenhuma candidatura desse campo político conseguiu vencer a disputa majoritária no estado. Se vitoriosa em 2026, Marília será a primeira representante da esquerda mineira a ocupar uma cadeira na Casa. A eleição para o Senado ocorre a cada quatro anos, de forma concomitante à disputa pela Presidência da República e pelos cargos de deputados federais e estaduais. Cada estado tem direito a três senadores, com mandatos de oito anos, e a disputa é alternada quanto ao número de vagas. Em 2026, duas cadeiras estarão em jogo. Na eleição seguinte, em 2030, apenas uma. Neste ano se encerram os mandatos de Rodrigo Pacheco, eleito em 2018 pelo então Democratas, hoje no PSD, e de Carlos Viana, eleito pelo PHS e atualmente filiado ao Podemos. O outro senador mineiro é Cleitinho, cujo mandato vai até 2030. Apesar da ausência de vitórias, candidaturas da esquerda chegaram, no máximo, ao terceiro lugar entre 1994 e 2014, com nomes do PT, PDT e PSB. O pior desempenho ocorreu em 2018, quando a ex-presidente Dilma Rousseff concorreu em uma disputa com duas vagas e terminou em quarto lugar. Os eleitos naquele ano foram Rodrigo Pacheco e Carlos Viana, com o terceiro lugar ficando com Dinis Pinheiro. A esquerda voltou a repetir um quarto lugar em 2022, com a candidatura de Sara Azevedo, do PSOL. O PDT chegou a ter uma senadora por Minas, Júnia Marise, eleita em 1990. À época, porém, ela estava filiada ao PRN, partido do então presidente Fernando Collor de Mello. A parlamentar só se filiou ao PDT em 1993. Tentou a reeleição pela legenda em 1998, mas foi derrotada por José Alencar, então no PMDB. Segunda vagaPara a segunda vaga ao Senado, assim como para as candidaturas ao governo do estado e à vice-governadora, o PT mineiro informou que seguirá em diálogo com partidos e lideranças da base do governo federal. A estratégia de trabalhar com apenas um nome competitivo foi explicitada pela própria Marília em entrevista concedida na segunda-feira (26). “O PT ainda não definiu, eu não conversei com o presidente Lula e eu acho que isso tudo tem que ser amarrado direito”, afirmou. Entre as condições, citou o apoio público e explícito do presidente. “Uma delas é ser abraçada pelo presidente Lula. Eu quero que ele fale: ‘Ó, Marília, você é a minha candidata do meu coração’. Eu quero esse chamego do presidente Lula.” A prefeita também condicionou a decisão à garantia de estrutura partidária para uma campanha em um estado com 853 municípios. “Não dá para ser voluntária. Eu preciso de estrutura para fazer campanha, de meios para me locomover e de jornalistas para fazer rede social”, afirmou. Nos bastidores, dirigentes do PT avaliam que o partido deve concentrar esforços em uma candidatura única ao Senado, deixando a segunda vaga para ser construída em diálogo com aliados, como parte de uma composição mais ampla para 2026. DisputaO debate em torno da vaga ao Senado reabre um conflito antigo entre PT e PSD em Minas Gerais. Em eleições anteriores, a disputa entre as duas legendas já ameaçou a unidade do palanque presidencial no estado. Em 2022, o PT defendia a candidatura do deputado federal Reginaldo Lopes ao Senado, enquanto o PSD apostava no então suplente e depois senador Alexandre Silveira, que havia assumido a vaga deixada por Antonio Anastasia, nomeado para o Tribunal de Contas da União. Naquele contexto, o impasse ocorreu simultaneamente à pré-candidatura de Alexandre Kalil ao governo de Minas, pelo PSD, que buscava uma aliança formal com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O conflito entre a candidatura petista ao Senado e a pretensão do PSD gerou receios de fragmentação do palanque presidencial no estado. Agora, em 2026, Silveira volta ao jogo. Atualmente ministro de Minas e Energia no governo Lula, ele é um dos nomes cotados para a segunda vaga ao Senado, embora a pré-candidatura enfrente obstáculos. Isso porque o vice-governador Mateus Simões, também filiado ao PSD, deve disputar o governo do estado, o que pode colocar no mesmo palanque candidaturas com orientações políticas distintas. Além disso, a legenda é presidida em Minas por Cássio Soares, que já manifestou reservas quanto a uma eventual candidatura de Silveira ao Senado. “Vejo muita dificuldade”, afirmou o dirigente estadual na semana passada, no podcast EM Entrevista, ao defender que a coexistência de um palanque ao governo alinhado à direita com uma candidatura ao Senado apoiadora de Lula poderia gerar ruído entre os eleitores. Segundo ele, apesar da boa relação institucional com o ministro, a configuração eleitoral traria risco de incoerência política. Ainda assim, ressaltou que o tema “nunca
André Janones vai disputar o governo de Minas Gerais pela REDE

A candidatura do deputado tende a embaralhar as articulações do campo progressista no estado mineiro, que vinha costurando o nome de Rodrigo Pacheco O deputado federal André Janones vai deixar o Avante e se filiar à REDE para disputar o governo do estado de Minas Gerais. O anúncio deve ocorrer na próxima terça-feira (27). De acordo com informações obtidas com exclusividade pela Fórum, André Janones se reuniu na noite de sexta-feira (23) com o presidente da REDE, Paulo Lamac, e fechou o acordo. A pré-candidatura de Janones ao governo de Minas deve embaralhar as articulações em curso no campo progressista do estado, já que o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD) vinha sendo ventilado para disputar o Palácio da Liberdade em uma espécie de frente ampla com partidos de centro e de esquerda. Caso as pré-candidaturas de Janones e Pacheco se mantenham até o início do processo eleitoral, o presidente Lula deverá ter palanque duplo em Minas Gerais. O PT mineiro não participou da articulação em torno do nome de André Janones para a disputa pelo governo do estado.
Lud Falcão diz ter sido ameaçada por vice de Zema e afirma não ser garota de recado

Deputada leva denúncia contra vice-governador Mateus Simões à ALMG e discute medidas com lideranças A deputada estadual Lud Falcão (Podemos) afirmou, nesta quinta-feira (22/1), em entrevista ao Café com Política, exibido no canal de O TEMPO no YouTube, que levou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a denúncia de ameaça e intimidação feita contra ela pelo vice-governador Mateus Simões (PSD).A deputada publicou um vídeo em suas redes sociais dizendo que o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), teria ameaçado “fechar as portas” do Estado para ela. A suposta ameaça teria ocorrido após o marido da parlamentar, Luís Eduardo Falcão (sem partido), prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), ter criticado o governo por conta dos custos que as cidades têm de arcar em relação a obrigações que seriam do Estado.Segundo Lud, o caso está sendo discutido com lideranças da Casa para a definição de eventuais medidas institucionais. De acordo com a parlamentar, a postura do vice-governador extrapola o conflito político e atinge o próprio parlamento. Para a deputada, a ligação feita por Simões revela uma tentativa de intimidação. “Ele age como se fosse dono do Estado. Quem é ele?”, questionou a deputada.Segundo ela, a atitude de Simões atingiu não apenas sua atuação individual, mas o próprio Legislativo. “Ele não atinge somente a mim. Ele atinge o parlamento mineiro. Ele acha que a Assembleia é tapete vermelho para as atividades pessoais dele”, pontuou. A deputada relatou ainda que procurou o presidente da ALMG, Tadeu Martins Leite (MDB), além da bancada feminina e da Procuradoria da Mulher, para tratar do episódio. Questionada sobre quais medidas podem ser adotadas, afirmou que a decisão será tomada coletivamente: “Isso é feito em conjunto, é uma costura. Vamos aguardar os próximos passos”. O embate levou a deputada a anunciar que não pretende permanecer na vice-liderança do governo quando Mateus Simões assuma o comando do Executivo estadual. Para a deputada, sua permanência na função está condicionada à atual gestão. “Quando o governador sair da cadeira, ele entra e eu saio”, disse, ao destacar que não vê legitimidade política no vice-governador para ocupar o cargo com seu apoio.Privatização CopasaDurante a entrevista, Lud Falcão também comentou a divergência pública com o marido em relação à privatização da Copasa. Enquanto Falcão, na condição de presidente da AMM, criticou o processo e defendeu maior participação dos municípios, a deputada votou a favor da privatização. Para ela, a diferença de posição está relacionada às funções exercidas por cada um. “Não somos obrigados a pensar igual”, afirmou, ao destacar que sua decisão foi tomada a partir da realidade do saneamento e da prestação do serviço à população. A deputada disse não se arrepender de ter votado a favor da proposta e afirmou que sua decisão foi baseada nas dificuldades enfrentadas pela população. “Eu agi atuando nas dores dos munícipes, das pessoas que vivem e que não têm abastecimento de água potável nas suas casas”, explicou.Segundo a parlamentar, a precariedade do serviço justifica a mudança no modelo. “Eu estou falando de 48% do esgoto do Estado de Minas Gerais, que é jogado nos nossos rios porque a Copasa não faz os investimentos necessários”, disse a deputada, que reforçou que sua atuação é independente. “Eu sou muito convicta em que eu voto na minha consciência. Eu não voto porque eu sou subserviente ao governo”. Ao tratar das diferenças de posicionamento dentro da própria família, a deputada afirmou que isso não compromete a atuação política. “Nós somos unidos como um bom casal pelo amor e não pelas opiniões que sempre têm que ser as mesmas”, avaliou.
Zema teria utilizado aeronave oficial para campanha política, denunciam deputadas

Apenas em 2025, os gastos com combustível de aviões oficiais chegaram a quase R$ 1,5 milhão As deputadas estaduais Bella Gonçalves (Psol) e Leninha (PT) protocolaram, nesta segunda-feira (19), representações no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) pedindo a apuração do uso de aeronaves oficiais pelo governador Romeu Zema (Novo) em agendas com indícios de caráter político-eleitoral. As denúncias se baseiam em informações divulgadas pela imprensa, especialmente em reportagem do jornal O Globo, que apontou gastos recordes com combustível aeronáutico vinculados ao gabinete do governador. De acordo com as parlamentares, aeronaves do Estado teriam sido utilizadas em deslocamentos que possibilitaram a participação de Zema em eventos partidários e de pré-campanha à Presidência da República em 2026. A apuração jornalística citada nas representações indica que, apenas em 2025, os gastos com combustível de aviões oficiais chegaram a quase R$ 1,5 milhão, valor superior, inclusive, ao registrado no ano eleitoral de 2022, quando as despesas somaram cerca de R$ 1,4 milhão. InvestigaçãoNa representação encaminhada ao TCE-MG, Bella Gonçalves solicita que o órgão investigue a legalidade, a finalidade e a moralidade do uso dos recursos públicos, ressaltando que o pedido não antecipa juízo eleitoral, mas busca esclarecer possível desvio de finalidade no emprego de bens do Estado. O documento também requer que, caso sejam identificados indícios de repercussão eleitoral, o tribunal dê ciência ao Ministério Público Eleitoral para as providências cabíveis. A deputada afirma que o governador teria utilizado aeronaves oficiais para comparecer a encontros do Partido Novo e a eventos como a Festa do Peão de Barretos e o Festival de Moda em Itu, entre outros compromissos fora de Minas Gerais. “Isso não seria um problema se ele tivesse viajado para os interiores de Minas Gerais ou mesmo para fora de Minas para cumprir os interesses do nosso estado. Pedimos ao Tribunal de Contas, então, que faça uma investigação de todas as viagens do Zema, de acordo com os princípios de impessoalidade, da administração pública, de transparência”, afirmou a parlamentar do Psol. Já a deputada Leninha protocolou pedido para a instauração de procedimento de fiscalização com base nos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no artigo 37 da Constituição Federal. A parlamentar solicita que o TCE-MG apure se houve desvio de finalidade no uso das aeronaves oficiais e eventual dano ao erário. O requerimento destaca o episódio relatado pela reportagem do O Globo. Em 30 de outubro, Zema teria deixado antecipadamente uma reunião no Rio de Janeiro para seguir a Campinas (SP), onde participou de um encontro partidário voltado à apresentação de pré-candidaturas para 2026. Conforme os dados citados, o deslocamento teria sido feito em voo oficial custeado pelo governo de Minas, com registros no portal da transparência. “Nosso pedido é para que os órgãos de controle cumpram seu papel: verificar a regularidade do uso de aeronaves oficiais, apurar se os compromissos atendiam à finalidade pública e, se houver irregularidades, adotar as medidas cabíveis. O que está em jogo é o respeito ao dinheiro público e à lisura do processo democrático”, afirmou Leninha. Mais denúnciaAlém das representações ao Tribunal de Contas, a deputada Andreia de Jesus (PT) encaminhou, também nesta segunda-feira, uma notícia-crime eleitoral ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). No documento, a parlamentar pede a apuração das chamadas “agendas casadas”, quando compromissos institucionais são realizados em datas próximas a eventos político-partidários na mesma localidade. Outro ladoA reportagem entrou em contato com o governo para pedir posicionamento e aguarda respostas. O conteúdo será atualizado quando houver retorno. ECN com Brasil de Fato