Datafolha confirma início de grande movimentação pelo voto útil em Lula

O “cirista moderado”, que “tem críticas ao PT mas não foi intoxicado pelo antipetismo ensandecido”, pode estar se movendo para Lula, diz Miguel do Rosário Após a divulgação do Datafolha, militantes de candidatos que não pontuam bem protestaram contra os números, alegando inconsistências. A reclamação mais comum é que “não fazia sentido” que Lula tivesse herdado os votos de João Dória e Sergio Moro. Entretanto, esse é um protesto ancorado numa interpretação esquemática e equivocada de uma pesquisa eleitoral, oriunda, por sua vez, da cultura de “bolha” das redes sociais. A movimentação dos números não obedece a esse tipo de lógica. O desaparecimento das candidaturas Dória e Moro não tem nada a ver com o aumento de Lula. Não há nada, pelo menos, a indicar que houve essa “migração”, que, de fato, seria incoerente. No entanto, os próprios números autorizam uma interpretação muito mais lógica. Os votos de Dória e Moro provavelmente retornaram a Bolsonaro, compensando em parte a desidratação que o presidente está enfrentando, especialmente entre as classes mais pobres, beneficiárias ou não do Auxílio Brasil. É infinitamente mais lógico, portanto, concluir que Lula cresceu a partir de votos de baixa renda que se soltaram de Bolsonaro. Há um outro importante movimento em curso. A pesquisa também sugere migração de votos ciristas para Lula, buscando uma opção estratégica. Os discurso de Ciro, muito agressivos contra tudo e contra todos, especialmente contra a liderança popular mais querida do país, vem gerando um gigantesco constrangimento no eleitorado de esquerda, incluindo os que votam em Ciro. É muito mais plausível que o cirista moderado, que tem críticas ao PT e a Lula, mas que não foi inteiramente intoxicado pelo antipetismo ensandecido que Ciro vem tentando promover, esteja se movendo na direção de Lula. Temos observado inúmeros exemplos nas redes sociais. Os mais notórios foram Gregório Duvivier e Bruno Torturra, apresentador e editor do programa Greg News, que fizeram campanha para Ciro de 2018, mas que agora optam por um voto crítico – porém não menos entusiasmado e determinado – em Lula. Neste sábado, a vereadora Duda Salabert (PDT), a mais votada da história de Belo Horizonte, postou em suas redes sociais um vídeo em que ela e família aparecem à janela do carro fazendo o L de Lula. Apesar de ter se mantido firme no Datafolha, com seus 8%, a candidatura de Ciro emergiu fragilizada da pesquisa , porque os números legitimam as críticas que muitos vem fazendo ao candidato de estar “fazendo o jogo da direita”, ou pior, fazendo um jogo que interessa unicamente a Jair Bolsonaro. A campanha de Ciro, no entanto, parece ter se fechado num clima negacionista assustador. Quadros próximos de Ciro procuram disseminar as mais bizarras teorias de conspiraçação, como a de que o UOL “fechou aliança” com Lula, ou que o Datafolha é uma pesquisa “falsa”. O próprio Ciro alimenta isso em suas entrevistas. No dia da pesquisa, Ciro participou de uma entrevista na CNN Brasil, na qual declarou que uma pesquisa como Datafolha custaria em torno de “R$ 2 milhões”.  O valor é usado por Ciro como um elemento de suspeita. A troco de que, insinua o candidato, alguém se interessaria em pagar pesquisas tão absurdamente caras? A inflação galopante que assola o país chegou às teorias de conspiração de Ciro, porque até então ele vinha “denunciando” que as pesquisas “pagas por banco” custavam R$ 1 milhão. O custo delas aumenta na proporção inversa com que agradam a Ciro. Quanto mais as pesquisas o incomodam, mais caras ficam. Talvez cheguem a R$ 5 ou R$ 10 milhões até o dia das eleições. Entretanto, isso não era para ser uma brincadeira. O TSE regula severamente o mercado de pesquisas eleitorais no país, aplicando multas pesadíssimas contra empresas que cometem qualquer irregularidade. Hoje os institutos de pesquisa são obrigados a registrar os formulários, custos e nota fiscal no site do TSE, e tudo fica disponível ao público. Essa última pesquisa Datafolha, por exemplo, não custou os R$ 2 milhões “denunciados” por Ciro, mas R$ 473.780,00. E, a propósito, não foi paga por “banco”, e sim pela empresa Folha da Manhã, proprietária do jornal Folha de São Paulo. Realizado entre os dias 25 e 26 de maio de 2022, a pesquisa traz números que nos permitem entender melhor de onde estão vindo os eleitores que, até o momento, dão vitória a Lula no primeiro turno. O número de entrevistados foi de 2.556, abordados em pontos de fluxo. Desse universo, mais da metade, ou 1.339, tem renda familiar abaixo de dois salários. É nesse grupo que o ex-presidente Lula tem uma de suas melhores pontuações, ou 43% dos votos espontâneos (atenção, espontâneos!). Entretanto, se fizéssemos uma lista dos segmentos onde Lula apresenta seu melhor desempenho na votação espontânea, por ordem descrescente, ela seria a seguinte: nordestinos (49%), estudantes (44%), pretos (44%), jovens até 24 anos (43%), eleitores com até o ensino fundamental (43%), com renda até 2 salários (43%), católicos (43%), assalariado sem registro (42%). No caso de Bolsonaro, ele se destaca entre evangélicos (32%) e empresários (49%). De uma base de entrevistados de 2.556, os evangélicos responderam por 682. É um grupo expressivo, correspondente a quase a totalidade de nordestinos. Os empresários, por outro lado, representam um grupo muito pequeno de entrevistados, apenas 83. Desses 83 empresários abordados pelo Datafolha, 20% indicaram voto em Lula, 49% em Bolsonaro e apenas 1% em Ciro. O grupo de estudantes não é tão numericamente relevante, mas é simbólico. Dos 100 estudantes entrevistados pelo Datafolha, 44% disseram votar em Lula, 22% em Bolsonaro, e ninguém em Ciro. O Datafolha entrevisou 353 jovens com idade até 24 anos. É um grupo bem grande –  mais representativo, por exemplo, que empresários (83 entrevistados) ou funcionários públicos (184 entrevistados). Desses jovens, 43% disseram, espontaneamente, que iriam votar em Lula, contra apenas 16% para Bolsonaro e 1% para Ciro Gomes. Esses números reforçam nossa análise da migração de votos ciristas para Lula, porque Ciro chegou a ter uma boa entrada entre a juventude, especialmente universitária.

Anitta faz piada com Zé Neto após escândalo de cachês milionários

A cantora não resistiu e postou em sua conta do Twitter sobre a polêmica que resultou em cancelamento de shows e pedidos da CPI do Sertanejo A cantora Anitta não resistiu e entrou neste sábado (28), na polêmica gerada após Zé Neto, da dupla com Cristiano, fazer críticas à tatuagem que ela fez e também à Lei Rouanet. “E eu achando que tava só fazendo uma tatuagem no tororó”, escreveu a cantora. E eu achando que tava só fazendo uma tatuagem no tororó — Anitta (@Anitta) May 29, 2022 Cancelamento de show O show do cantor Gusttavo Lima, que custaria aos cofres da cidade o valor de R$ 1,2 milhão, foi cancelado pela Prefeitura de Conceição do Mato Dentro, na Região Central de Minas Gerais. Ele iria se apresentar na cidade no dia 20 de junho, durante a 30ª Cavalgada do Jubileu do Senhor Bom Jesus Do Matozinhos. O cachê de R$ 1,2 milhão foi motivo de polêmica nesta semana após ser revelado que o dinheiro partia de uma verba destinada a saúde e educação, obtida a partir da Compensação Financeira pela Exploração Mineral, a CFEM. Zé Neto cancelado Ao fazer críticas à colega Anitta, dizendo em uma apresentação ao vivo que não precisava nem fazer “tatuagem no toba” e nem usar a Lei Rouanet, o cantor Zé Neto, da dupla com Cristiano, abriu uma crise sem precedentes no mercado de shows e acabou virando alvo de críticas de seus colegas de gênero. De acordo com a coluna do Fefito no Splash, sertanejos não têm poupado críticas a Zé Neto em grupos de WhatsApp, pois suas declarações abriram uma “caixa de Pandora”. Desde suas críticas à Lei Rouanet, tem sido revelados vários cachês milionários realizados em cidades pequenas pelo Brasil que foram sido pagos com dinheiro público e muitas vezes sem licitação.

Aliado de Bolsonaro joga a toalha e admite que vitória de Lula é fava contada

Lincoln Portela, do PL, novo vice-presidente da Câmara diz ser difícil vitória de Bolsobaro sobre Lula O deputado Lincoln Portela (PL-MG), novo vice-presidente da Câmara dos Deputados, não tem esperanças de uma reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), embora façam parte do mesmo partido. O parlamentar avalia que o chefe do Executivo pode perder no segundo turno para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). – Vamos para o 2º turno. Na minha avaliação é muito difícil que Bolsonaro, apesar de eu ser governo, ganhe no segundo turno. Mas, no segundo turno, esses antipetistas voltarão para o Bolsonaro – disse o vice-presidente da Casa ao UOL. O parlamentar comparou os apoiadores de Bolsonaro aos de Lula. – Quem é militante de Bolsonaro milita desde que acorda até dormir. Quem milita para Lula, da mesma forma – completou. Lincoln Portela foi eleito para o cargo de vice-presidente da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (25). Ele foi escolhido após a destituição do deputado Marcelo Ramos (PSD-AM) por ter trocado de partido. Lincoln Portela teve o apoio da Bancada Evangélica e foi indicado ao cargo pelo PL após vencer Major Vitor Hugo (PL-GO), que contava com o apoio do governo. Na votação final, ele levou os votos de 232 parlamentares.

Eleições 2022 – Nova pesquisa Datafolha mostra vitória de Lula no 1º turno

Ex-presidente tem 48% de intenções de voto contra 40% de seus adversários somados – No Datafolha, Lula aparece na espontânea com 38%, contra 22% de Bolsonaro – Ricardo Stuckert  Nova pesquisa Datafolha divulgada no início da noite desta quinta-feira (26) mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48% de intenções de voto, contra 40% dos seus adversários somados, indicando possibilidade de vitória no primeiro turno. O presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece em seguida com 27%. Ciro Gomes (PDT) é o terceiro colocado, com 7%, seguido de André Janones (Avante) e Simone Tebet (MDB), com 2% cada. Pablo Marçal (Pros) e Vera Lúcia (PSTU) têm 1%. Brancos e nulos somam 7% e 4% disseram não saber em quem votar. Os demais candidatos não chegaram a 1%. A pesquisa é a primeira divulgada pelo instituto após a desistência de Sergio Moro e João Doria. O Datafolha destaca a força de Lula entre eleitores de 16 a 24 anos, onde o ex-presidente alcança 58%. Já Bolsonaro aparece com percentual maior no Centro-Oeste, onde chega a 42%. Liderança de Lula na pesquisa espontânea O Datafolha também mostra liderança folgada de Lula na pesquisa espontânea, quando não são citados os nomes dos candidatos. O ex-presidente aparece com 38% contra 22% de Bolsonaro. Os que se dizem indecisos somam 29%. No levantamento anterior, divulgado em 24 de março, o ex-presidente Lula tinha 43% das intenções de voto e Bolsonaro aparecia com 26%. Ainda estavam na disputa o ex-juiz Sérgio Moro (Podemos), com 8%, e João Doria (PSDB), 2%. Ciro Gomes tinha 6%; André Janones, 2%, e Vera Lucia, Simone Tebet e Frederico D’Ávila tinham 1%. Havia 6% que pretendiam votar em branco ou nulo, e 2% não opinaram. A pesquisa Datafolha desta quinta-feira entrevistou, por meio de abordagem pessoal, 2.556 pessoas em 181 municípios, nos dias 25 e 26 de maio. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo protocolo BR-05166/2022.

“Guerreiros do BOPE” – Bolsonaro comemorou a chacina que deixou 22 mortos no Rio

Bolsonaro ainda atacou a mídia e especialistas em segurança pública que criticam a ação, a terceira mais letal da história recente. A própria PM emitiu nota dizendo que não considerou “exitosa” a operação. Em publicação em seu perfil no Twitter no fim da noite desta terça-feira (25), Jair Bolsonaro (PL) parabenizou os “guerreiros do BOPE e da PM” pela operação que resultou em uma chacina com pelo menos 22 mortos na Vila Cruzeiro, Complexo da Penha, Zona Norte do Rio, entre elas uma moradora de 41 anos. “Parabéns aos guerreiros do BOPE e da @PMERJ que neutralizaram pelo menos 20 marginais ligados ao narcotráfico em confronto, após serem atacados a tiros durante operação contra líderes de facção criminosa”, tuitou. Na sequência de tuites, Bolsonaro ainda atacou a mídia e especialistas em segurança pública que criticam a ação da PM, que resultou na terceira mais letal da história recente do Rio de Janeiro – ficando atrás do massacre do Jacarézinho, que teve 28 mortos em 2021, e da chacina da Vila Operária em Duque de Caxias, em 1998, com 23 mortos. A própria PM do Rio divulgou nota no início da noite desta terça-feira (24) dizendo que não considerou “exitosa” a ação. “A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que não é possível considerar exitosa uma operação com resultado morte, principalmente envolvendo a perda da vida de uma pessoa inocente – a senhora Gabrielle. No entanto, a operação se fazia necessária tendo em vista as disputas entre grupos criminosos”, diz a nota – leia a íntegra abaixo. Dos 22 mortos, 12 eram suspeitos e Gabrielle Ferreira da Cunha, de 41 anos, moradora da região foi morta por um tiro. “Lamentamos pela vítima inocente, bem como pela inversão de valores de parte da mídia, que isenta o bandido de qualquer responsabilidade, seja pela escravidão da droga, seja por aterrorizar famílias, seja por seus crimes cruéis. Boa noite a todos”, escreveu Bolsonaro após atacar “especialistas” que “omitem essas informações com o intuito de demonizar aqueles que arriscam suas vidas por nós”. Veja a íntegra da nota da PM A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que não é possível considerar exitosa uma operação com resultado morte, principalmente envolvendo a perda da vida de uma pessoa inocente – a senhora Gabrielle. No entanto, a operação se fazia necessária tendo em vista as disputas entre grupos criminosos, envolvendo inclusive a facção atuante na Vila Cruzeiro, em diferentes comunidades na cidade do Rio de Janeiro – como foi visto no Morro dos Macacos na última semana. Neste sentido, também devem ser consideradas as informações de inteligência indicando a possibilidade de migrações criminosas em direção à Rocinha. Cabe ressaltar que a operação foi planejada para realizar prisões, mas o resultado fático no terreno decorre da característica da facção criminosa atuante na região, que opta pela beligerância e confronto armado com uso de armas de guerra, sendo 13 destas apreendidas no decorrer da ação desenvolvida hoje

Aras é expressão do país ignorante e violento – Por Fernando Brito*

Não, a cena de Augusto Aras, com seu corpanzil, partindo para as vias de fato com outro integrante do Conselho Superior do Ministério Público Federal é também – mas não só – uma das colheitas malditas do Brasil com o período Bolsonaro. Também, porque vem de antes dele no MP, pois não se pode esquecer da confissão de Rodrigo Janot de que, em uma de suas bebedeiras, entrou com uma pistola no Supremo Tribunal Federal disposto a descarregar a arma sobre o ministro Gilmar Mendes. Não é um episódio, antes se constitui numa era que, no MP e em outras instituições que chamaram para si a função que não têm de “salvadoras da pátria” e modelo inquestionável de pureza que, como se sabe, deixou de ser condição humana desde a expulsão do Éden. O Ministério Público, porém, entre elas, tornou-se mesmo um emblema e olhe que numa dura competição com polícias, militares e juízes que andaram pelo mesmo desvio. Procuradores, cada vez mais, assumiram a postura do “conosco ninguém pode” e passaram a comportar-se ou a usar o cargo – com honrosas exceções – como donos da lei e não fiscais de sua observância. Nada menos que um crime, o do artigo 345 do Código Penal, o exercício arbitrário de suas próprias razões: “Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite”. Querendo ou não, este sentimento disseminou-se para a sociedade e nada o reflete melhor do que a campanha armamentista e os milhões de revólveres, pistolas e fuzis que os “cidadãos de bem” foram normalizando e quase que transformando em objetos de “lazer” em seus clubes de tiro. Num dia de chacinas, aqui e lá nos EUA, onde um garoto de 18 anos matou ao menos 18 crianças numa escola de ensino fundamental do Texas, seria bom que refletíssemos que as armas são o pior para a execução do ímpeto deste autoritarismo que se reveste de “justiça”. Temos o dever de cortar o suprimento de ódio deste Brasil ignorante e violento, antes que isso se normalize completamente e todos os lugares da vida nacional sejam ocupados por valentões de botequim. * Editor do blog Tijolaço

“Que ele tenha o direito de defesa que eu não tive”, diz Lula após Moro se tornar réu

Após o ex-juiz parcial Sergio Moro (União Brasil-SP) ter se tornado réu em ação que pede o ressarcimento aos cofres públicos dos prejuízos causados pela Lava Jato à economia brasileira, o ex-presidente Lula (PT), principal perseguido pela operação, afirmou esperar que Moro tenha seus direitos de defesa respeitados durante o processo, o que não aconteceu com ele anos atrás. “Só espero que nessa acusação ele tenha o direito de defesa e a presunção de inocência que eu não tive. Se ele tiver que ser julgado, que ele tenha o direito de defesa, que possa se defender, que a imprensa possa ser honesta ao divulgar as coisas contra ou a favor dele, e não com a parcialidade que transmitiram coisas contra mim. Eu sou um democrata, mas é difícil você suportar nove horas de matérias contra mim, como eu suportei, nove meses de Jornal Nacional. É muito difícil você sobrevier com 59 capas de revistas te chamando de ‘ladrão’. É muito difícil você sobreviver com 680 primeiras páginas de jornais falando que você cometeu corrupção. Eu sobrevivi a tudo isso”. “Estou com a minha consciência tranquila porque invadiram a minha casa, levantaram colchão, quebraram fogão, abriram televisão para tentar ver se tinha alguma coisa mas não encontraram dólar, não encontraram um grama de ouro. E quando não encontram não têm coragem de dizer. A Polícia Federal quando encontrava qualquer coisa na casa de alguém era um show de pirotecnia. Quando iam na minha casa e não encontravam nada, e nem na casa dos meus filhos, eles saíam de cabeça baixa e com o rabo no meio das pernas. Eles deveriam dizer: ‘fomos na casa do cara e não encontramos nada’. O que eu quero que aconteça com o Moro e com qualquer outra pessoa nesse país é que ele tenha um julgamento decente, digno, respeitoso, que ele tenha direito à presunção de inocência, que eles possam provar as coisas que fizeram a não fizeram”, completou. Lula afirmou que acredita sim na culpa de Moro por corroer a economia do país. “Acho que o Moro cometeu um crime contra esse país. Os prejuízos que esse país teve com o carnaval que o Moro protocolou nesse país foram muito grandes. Foram praticamente R$ 170 bilhões que deixaram de ser investidos, 4,4 milhões de pessoas que perderam o emprego, foi a destruição da indústria de óleo e gás do Brasil, da indústria naval brasileira, da engenharia civil. Era desnecessário”.

O golpe de estado de 2016 apodrece em praça pública – Por Leonardo Attuch

Vamos contar aqui uma breve história recente do Brasil. Em 2006, no governo do ex-presidente Lula, a Petrobrás anuncia a descoberta do pré-sal. Com a confirmação das reservas em uma das maiores bacias petrolíferas do mundo, o Brasil passou a atrair a cobiça internacional. Em 2013, o governo de Barack Obama assumiu a espionagem contra a ex-presidente Dilma Rousseff. A Petrobrás também vinha sendo espionada. Naquele mesmo ano, montaram-se as “jornadas de junho”, que tinham como objetivo central desestabilizar o governo da ex-presidente Dilma, que até então era aprovada por 70% dos brasileiros e caminhava para uma reeleição tranquila. O objetivo final das manifestações era garantir uma mudança de bastão, pela via eleitoral, para o partido das elites, o PSDB, que estava comprometido com a entrega das reservas do pré-sal à exploração privada pelo modelo de concessões. Como força auxiliar deste projeto, a Operação Lava Jato, comandada pelo ex-juiz suspeito Sergio Moro, desmoralizava o Partido dos Trabalhadores e a própria Petrobrás. Em 2014, entretanto, Aécio Neves foi derrotado por uma margem estreita. No mesmo dia, as elites nacionais, associadas ao capital internacional, decidiram promover o golpe de estado contra a ex-presidente Dilma Rousseff, com um objetivo central: transferir a renda do petróleo, que serviria para financiar saúde, educação, ciência e tecnologia, da sociedade brasileira para os acionistas privados da Petrobrás. Dois anos depois, em 2016, a presidência da República foi entregue ao golpista Michel Temer, do MDB, e a Petrobrás ao tucano Pedro Parente, indicado por Fernando Henrique Cardoso. E a primeira decisão central tomada pelos golpistas foi a mudança na política de preços da Petrobrás. Cada cidadão brasileiro, cada motorista de aplicativo, cada dona de casa teria que dar sua contribuição cívica para engordar os gatos gordos de Wall Street e da Faria Lima. O resultado foi a explosão dos preços, que, no governo Temer, se tornou visível no episódio da greve dos caminhoneiros. Com Bolsonaro, a desvalorização cambial, facilitada para favorecer os exportadores do agronegócio, agravou ainda mais o quadro, uma vez que os preços são determinados pela combinação entre preços internacionais e a cotação do dólar. Lá atrás, na fase preparatória para o golpe de 2016, os neoliberais convocaram os fascistas e o gado manipulado para ocupar as ruas. Nas eleições de 2018, o chamado “populismo de direita” já estava crescido, a ponto de suplantar os tucanos e eleger Jair Bolsonaro, que só se viabilizou graças a um acordo com os liberais, que atendia pelo nome de Paulo Guedes e pela alcunha de Posto Ipiranga. Hoje, quatro anos depois, o PSDB enfrenta seu funeral e os fascistas eleitos em 2018 precisam se libertar do neoliberalismo para se manterem viáveis na disputa eleitoral. Nenhum governo é reeleito com uma inflação de dois dígitos, causada, sobretudo, por preços administrados, como os da Petrobrás. Por isso mesmo, Jair Bolsonaro demitiu ontem mais um presidente da estatal, numa tentativa desesperada de se manter no poder. O que estamos assistindo no Brasil é o apodrecimento e a agonia do golpe de estado de 2016, que assaltou toda a população brasileira para favorecer um pequeno grupo de acionistas privados da Petrobrás. * Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247

Do Bolsodoria ao isolamento político: a ruína fulminante de João Doria

Assim como obteve uma rápida ascensão, ao trair aliados e se aliar com a extrema direita, o político terminou sem apoio e rejeitado por seu próprio partido Por Marcelo Hailer – Revista Fórum O ex-governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou em pronunciamento na tarde desta segunda-feira (23) que desistiu da candidatura à presidência. Com 2% nas pesquisas de intenção de voto, o tucano vinha sendo pressionado pelo seu partido a abrir mão da disputa em nome da construção de um outro nome da chamada “terceira via”. “Hoje, neste 23 de maio, serenamente, entendo que não sou a escolha da cúpula do PSDB. Aceito essa realidade com a cabeça erguida, sou um homem que respeita o bom senso, dialogo e equilíbrio, e sempre seguirei buscando o consenso mesmo que seja contra minha vontade pessoal”, declarou. Ascensão e ruína João Doria não é figura nova na política, mas a sua ascensão na disputa para cargos executivos se deu em 2016, quando venceu a eleição à prefeitura de São Paulo no 1º turno, algo inédito até então na disputa paulistana. O ano de 2016 tinha o cenário ideal para o sucesso fulminante de João Doria: a presidenta Dilma Rousseff sofrera um golpe que a tirou do poder, o Partido dos Trabalhadores era vítima de uma campanha violenta de criminalização de sua história e, naquele momento, a Operação Lava Jato era tratada como aquilo que ia “salvar o Brasil do comunismo e da corrupção do PT”. Doria surfou e soube utilizar em benefício próprio o discurso produzido em torno da Lava Jato: era o não-político, o empresário bem-sucedido que estava fazendo um favor de se dedicar à política, o homem moderno que ia desburocratizar o Estado e, se possível, entregar a gestão da cidade de São Paulo ao setor privado. A tática funcionou e Doria atropelou a candidatura de Fernando Haddad, que buscava a reeleição. Além disso, clamava que era preciso acabar com o “Bolsa Crack” na cidade de São Paulo ao se referir ao Programa Braços Abertos, primeira experiência baseada na política de redução de danos para lidar com o consumo do crack no centro da capital paulista… Cumpriu a sua promessa: na primeira semana como prefeito, em uma ação articulada com o governo do Estado, desmontou o programa e trocou a assistência e saúde por balas de borracha. Mas foi justamente na sua vitória à prefeitura de São Paulo que João Doria cometeu o seu primeiro ato de traição: havia prometido ao eleitorado que iria concluir o seu mandato e só depois iria pensar em alçar outros voos. Um ano e meio depois Doria passão o bastão da Prefeitura da cidade de São Paulo para Bruno Covas. Oportunista político, Dora percebeu que em 2018 o discurso político havia migrado à extrema direita e que a vitória do então candidato Jair Bolsonaro (PL) era certa. Desta feita, defendeu que o PSDB apoiasse Bolsonaro já no primeiro turno e abandonasse a candidatura de Geraldo Alckmin, o candidato tucano à presidência da República em 2018. Acontece que Alckmin havia apadrinhado e apostado em João Doria como um novo quadro tucano paulista, Doria o agradeceu com traição. Bolsodoria Para conquistar o Palácio dos Bandeirantes, João Doria se aliou a extrema-direita, defendeu o Escola Sem Partido – grupo fundamentalista que defende o controle do conteúdo das escolas e o criacionismo – e declarou aos quatro cantos que iria combater “a ideologia de gênero”, neste sentido, Doria é um quadro regressivo quando comparado com os quadros tucanos de São Paulo. No segundo turno da eleição de 2018 João Doria lançou a campanha BolsoDoria e mergulhou de cabeça nas teses extremistas. Na disputa contra Marcio França (PSB), Doria trouxe para São Paulo o discurso da campanha de Bolsonaro: combate ao comunismo e a ideologia de gênero. Além disso, chamava o seu adversário de “Marcio Cuba”, em referência ao país socialista. Todavia, mesmo com a campanha BolsoDoria, João Doria não teve uma vitória fácil e conquistou o governo de São Paulo com pouco mais de 1 ponto de diferença em relação a França. Declínio Sem o apoio da extrema direita e rompido com Bolsonaro, Joao Doria viu a sua popularidade derreter e as intenções de votos em seu nome não irem além dos 2%. Soma-se a isso a realização de uma prévia completamente conturbada. Mesmo com uma atuação acertada durante pandemia, a popularidade de João Doria nunca mais retornou. João Doria, que sonhava em controlar o PSDB, levou uma puxada de tapete de quando grupos liderados por Aécio Neves defenderam publicamente para que o governador de São Paulo retirasse o seu nome em prol de Eduardo Leite. Doria, enfim, experimenta das armas que utilizou contra “aliados” e, mesmo com a vitória das prévias, o governador de SP foi abandonado por seu partido e hoje vive a ruína de sua carreia política.

Aos prantos Dória desiste da candidatura à Presidência da República

Calcinha apertada enfrentava resistência dentro do próprio partido O ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB) desistiu nesta segunda-feira, 23, da sua pré-candidatura à Presidência da República. O ex-gestor paulista iniciou seu pronunciamento à imprensa lembrando a trajetória política dele e de seu pai. Além de Doria, estavam presentes o presidente do PSDB, Bruno Araújo, o coordenador de campanha do postulante, Marco Vinholi, e a sua esposa, Bia Doria. “Para esta missão, coloquei meu nome à disposição do partido. Hoje, neste 23 de maio, serenamente, entendo que não sou a escolha da cúpula do PSDB. Aceito esta realidade com a cabeça erguida. Sou um homem que respeita o bom senso, o diálogo e o equilíbrio”, afirmou Doria. “Seguirei sempre buscando o consenso, mesmo que ele seja contra a minha vontade pessoal”, acrescentou. “O PSDB saberá tomar a melhor decisão no seu posicionamento para as eleições deste ano. Me retiro da disputa com o coração ferido, mas com a alma leve”, anunciou o ex-governador. Doria disse sair com a sensação “inequívoca” de dever cumprido e missão bem realizada com “boa gestão e sem corrupção”. “Saio com o sentimento de gratidão e a certeza de que tudo que fiz foi em benefício de um ideal coletivo e a favor dos paulistanos, paulistas e dos brasileiros. Saio como entrei na política: repleto de ideias, com a alma cheia de esperança e com o coração pulsante, confiante na força do povo brasileiro, que tem fé na vida, que tem fé em Deus”, apontou. Em seguida, pede desculpas a todos pelos erros. “Se me excedi, foi por vontade de acertar. Se exagerei, foi pela pressa em fazer com perfeição. Se acelerei, foi pela urgência que as ações públicas exigem”, justificou. O ex-governador também agradeceu pela “ousadia” e “coragem” da sua equipe. “Seguirei como observador sereno do meu País. Sempre à disposição de lutar a guerra para a qual eu for chamado. Na vida pública ou na vida privada”, finalizou Doria, aplaudido efusivamente pelos presentes. O ex-gestor foi escolhido como pré-candidato do PSDB em 27 de novembro de 2021, durante as prévias partidárias. O paulista venceu com 53,99% dos votos, enquanto o na época governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite obteve 44,66% e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio, 1,35%. Na última quarta-feira, 18, os presidentes do PSDB, MDB e Cidadania se reuniram para analisar os resultados das pesquisas quantitativas e qualitativas encomendadas pela terceira via checar a viabilidade eleitoral de Doria e da senadora Simone Tebet (MDB). Durante o exame dos dados, os caciques deliberaram que a parlamentar tem maior capacidade de angariar votos e vencer a polarização entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL).