Para que se comemore o dia do índio é preciso demarcar nossos territórios

19 DE ABRIL – O QUE CELEBRAR? Conheça a origem do “dia do índio” e por que integrantes do movimento indígena criticam a data comemorativa Poucos dias depois do encerramento da maior edição do Acampamento Terra Livre (ATL) em seus 18 anos de história, acontece o chamado “dia do índio”, oficializado no Brasil em 1943. A origem da data remete a um protesto feito por indígenas durante o Congresso Indigenista Interamericano, realizado entre os dias 14 e 24 de abril de 1940, no México. Antecipando que não seriam devidamente escutados em um evento comandado por líderes políticos brancos, os representantes indígenas de 47 países do continente fizeram um boicote: não compareceram nos primeiros dias do Congresso. Só em 19 de abril, seis dias depois do início, foram ao encontro e, com o impacto do protesto inicial, ganharam força nas discussões. Daí a escolha da data como uma das propostas finais do Congresso, então sugerida como “dia do aborígene americano”. O delegado brasileiro no Congresso, veja só, não era indígena. Mas sim um homem branco: o médico e antropólogo carioca Edgar Roquette-Pinto (responsável também por fundar a primeira rádio do Brasil, mas essa é outra história). Marechal Rondon – engenheiro, sertanista brasileiro e o primeiro diretor do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), que depois se transformaria na Fundação Nacional do Índio (Funai) -, foi quem convenceu Getúlio Vargas a instituir a data. Em 1943 o então presidente assinou o decreto-lei que estabeleceu o “dia do índio”. Índio ou indígena A folclorização, a homogeneização dos 305 povos existentes no país, a redução do debate sobre o tema a um dia no ano ou a ideia de que é simplesmente uma data para celebrar determinada harmonia fictícia estão entre as críticas de representantes dos povos originários ao chamado “dia do índio”. As clássicas atividades escolares que, no 19 de abril, estimulam crianças a pintar um indígena com dois riscos nas bochechas e uma pena na cabeça, celebrando a cultura nacional, é um exemplo do reducionismo produzido por estereótipos. Em uma fala durante o evento Mekukradjá – Círculo de Saberes: o Movimento da Memória, o escritor e educador Daniel Mundurku afirma que, apesar de serem ancestrais, as populações indígenas se tornaram visíveis no país apenas na década de 1970 e, de forma institucional, a partir da Constituição de 1988. Durante todo o tempo anterior, narra ele, um apelido recaiu sobre os povos indígenas como uma forma de invisibilização. Repetida à exaustão, a palavra “índio” foi incorporada por toda a sociedade brasileira, incluindo os povos a quem a alcunha é dada. “Nos anos 1970, quando a juventude começou a se perceber parte de uma sociedade maior, porque foi assim que começou o movimento indígena, ela usou esse termo ‘índio’ como uma forma de luta. Como uma forma de identificação daqueles que eram parceiros. Então essa palavra ainda é usada, e se é usada por uma liderança indígena, é nesse sentido”, diz Munduruku. O escritor lembra que o contexto é completamente diferente daquele em que a palavra é usada no sentido “do apelido, do desdém, do estereótipo, da ideologia”. Levando as mãos à boca para fazer o gesto, Munduruku afirma que “quando alguém olha para mim e diz ‘ah, ele é índio! Uh, uh, uh!’, a pessoa está me colocando numa classificação de menos humanidade. E aí a gente tem que brigar com isso”. “Índio” foi a palavra dada pelos colonizadores aos povos que viviam no continente americano quando Cristóvão Colombo aqui atracou, mais de 500 anos atrás, achando que estava nas “Índias”. Indígena quer dizer originário, aquele que estava ali antes dos outros. “Não estou falando do politicamente correto. Estou falando do correto”, ressalta Daniel Munduruku. “Palavra para nós tem sentido, tem alma, tem vida”. Acampamento Terra Livre tem edição histórica Mulheres indígenas marcharam, durante o Acampamento Terra Livre em Brasília, contra o “PL da Mineração” – Mídia Ninja Encerrada no último dia 14, a edição 2022 do Acampamento Terra Livre, organizada pela maior instância de representação nacional dos povos originários do país, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), reuniu cerca de oito mil pessoas em Brasília. :: Com 8 mil indígenas, Acampamento Terra Livre lança documento final com propostas para o Brasil :: A realização anual no mês de abril não é à toa. Liderança do povo Guarani Mbya da Aldeia Morro dos Cavalos e coordenadora da Apib, Kerexu Yxapyry conta que, quando o ATL surgiu, em 2004, decidiu-se estrategicamente por fazê-lo próximo ao 19 de abril porque “no período do ‘dia do índio’ as autoridades estariam mais sensíveis às questões indígenas”. O movimento indígena questiona a data, seu nome e a suposta “celebração” que ela sugere. “Vamos para Brasília no mês de abril para dizer que ‘dia do índio’ não é dia de comemorar. Para que se comemore o ‘dia do índio’, é preciso demarcar nossos territórios”, enfatiza Kerexu, que é também coordenadora da Comissão Guarani Yvyrupa (CGY). A demarcação de terras indígenas, paralisada durante o governo Bolsonaro, foi a principal reivindicação do ATL de 2022. A carta final da mobilização, que apresentou uma “plataforma indígena de reconstrução do Brasil”, ressaltou a importância de interromper um processo de “destruição e morte” que está em curso. Brasil de Fato

Foi tarde – Morre o general Newton Cruz, ex-chefe do SNI na ditadura

Mais um canalha da ditadura bate as botas cercado de amigos e familiares num leito de hospital. O general Newton Cruz, ex-chefe do SNI, a Agência Central do Serviço Nacional de Informações, morreu neste sábado (16), aos 97 anos. Faleceu de causas naturais. Estava internado no Hospital Central do Exército, em Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Famoso pela truculência — a cena em que ele, destemperado, chicoteia carros em Brasília montado a cavalo é clássica –, Cruz era uma espécie de pré-Bolsonaro. Foi acusado pela morte do jornalista Alexandre von Baumgarten, escândalo de corrupção do regime. Alegava ter recebido informações sobre a identidade do responsável pelo assassinato, mas se negara a revelar. Confessou que os militares planejavam outros ataques terroristas além do Riocentro. Foi em 2010, ao jornalista Geneton Moraes Neto. “Tempos depois eu recebi a informação de que havia um grupo tentando fazer um ataque semelhante. Não era problema meu. Eu tinha apenas que informar. Pela primeira vez saí da minha função na SNI e fui pessoalmente acabar com isso. Pedi para a agência do Rio marcar um encontro com dois elementos do quartel na cidade”, disse. “Me encontrei com um tenente da Polícia Militar e um sargento em um hotel no bairro do Leme. Disse a eles que falassem com outros companheiros que se houvesse mais algum ataque, eu iria denunciar. Não houve mais nenhum atentado”. “Nini” encabeçou o SNI entre 1977 e 1983. Foi denunciado pelo Ministério Público Federal em 2014 por participação no episódio. A Justiça lhe concedeu habeas corpus, bem como aos cinco militares e ao delegado envolvido. Em 1983, agrediu um repórter de TV ao vivo. Mandou-o calar a boca e “desligar essa droga”, referindo-se ao gravador. Não gostou de ser questionado sobre democracia. Vai tarde. * Via DCM

Além de viagra, governo Bolsonaro também comprou próteses penianas

Foram realizados três pregões eletrônicos no ano passado para comprar 60 próteses penianas infláveis de silicone, com comprimento entre 10 e 25 centímetros, segundo dados oficiais O deputado Elias Vaz e o senador Jorge Kajuru identificaram que o Exército realizou a compra de 60 próteses penianas com recursos públicos, ao custo de R$ 3,5 milhões, segundo informação do jornalista Guilherme Amado, do portal Metrópoles. Os congressistas devem acionar o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal (MPF) para investigar a compra. Foram realizados três pregões eletrônicos no ano passado para comprar as próteses penianas infláveis de silicone, com comprimento entre 10 e 25 centímetros, segundo dados do Portal da Transparência e o Painel de Preços do governo federal. Próteses infláveis podem durar entre 10 e 15 anos e são indicadas em casos de disfunção erétil. O valor das próteses infláveis costuma superar R$ 50 mil. Leia também Governo Bolsonaro compra até Viagra para tratar de sua impotência A compra se soma aos gastos em 35 mil unidades de Viagra, remédio indicado para disfunção erétil. A Defesa também gastou, no período de um ano, R$ 56 milhões em filé mignon, picanha e salmão para as Forças Armadas. O Ministério da Defesa disse que não iria se manifestar sobre os gastos com próteses penianas porque o Exército tem autonomia para usar os recursos que lhe cabem.

Governo Bolsonaro compra até Viagra para tratar de sua impotência

O Ministério da Defesa aprovou a compra de 35.320 comprimidos de Viagra, remédio que costuma ser usado para tratar disfunção erétil, para atender as Forças Armadas. A Marinha e a Aeronáutica informaram à colunista Bela Megale, do jornal O Globo, que as licitações visam o tratamento de pacientes com Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP). O setor que encomendou mais unidades do medicamento foi a Marinha, com 28.320 comprimidos. Outras 5 mil unidades foram aprovadas para o Exército e 2 mil, para a Aeronáutica. O remédio é identificado pelo nome do princípio ativo Sildenafila, composição Sal Nitrato (Viagra), nas dosagens de 25 mg e 50 mg. Além do Viagra, Forças Armadas aprovam compra de medicamentos contra calvície Além de comprar 35 mil unidades de Viagra, medicamento que costuma ser usado para tratar disfunção erétil, as Forças Armadas aprovaram a aquisição de Minoxidil e Finasterida, os remédios para utilizados para combater a calvície. Ao todo, oito pregões foram realizados por unidades ligadas aos comandos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, segundo dados do Portal da Transparência e do Painel de Preços do governo federal. O gasto com os remédios contra calvície, apesar de pequeno (R$ 2,1 mil entre 2018 e 2020), se trata de dinheiro público. Após descobrir as compras, o deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) apresentou ao Ministério da Defesa um pedido de explicações a respeito dos processos de compra dos medicamentos. Nesses processos, o medicamento identificado pelo nome do princípio ativo Sildenafila, composição Sal Nitrato (Viagra), tem como destino a Marinha, com o maior volume, de 28.320 comprimidos. Outros cinco 5 mil comprimidos foram aprovados para Exército e outros 2 mil para Aeronáutica. Leia também Forças Armadas compraram 70 toneladas de picanha e 80 mil cervejas com dinheiro público

Em áudio, irmã de Adriano diz que Planalto ofereceu cargo pela morte do miliciano

“Já tinham dado cargos comissionados no Planalto pela vida dele, já. Fizeram uma reunião com o nome do Adriano no Planalto. Entendeu, tia?”, diz Daniela à tia, dois dias depois da morte do irmão. Áudios são da Polícia Civil do Rio Começam a vir à tona os reais motivos que levaram à morte o ex-capitão do Bope e depois chefe da milícia do Rio das Pedras e do Escritório do Crime, Adriano da Nóbrega. Sua mãe, Raimunda Veras Magalhães e sua ex-mulher, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, eram funcionárias fantasmas do gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) num esquema de lavagem de dinheiro que, segundo o MP-RJ, envolvia a milícia. MÃE DE ADRIANO FOI ORIENTADA POR QUEIROZ A FUGIR DO RIO A mãe de Adriano foi orientada por Fabrício Queiroz, assessor de Flávio, a fugir da cidade assim que o escândalo da rachadinha estourou em 2018. Ela foi se esconder no interior de Minas Gerais para não depor no Ministério Público do Rio. Lá ela recebeu a visita de um emissário de Queiroz e de seu advogado Frederick Wassef. Nessa época, Adriano ainda estava foragido. Esta visita se deu dois meses antes de Adriano morrer numa operação de captura da polícia na Bahia. Adriano recebeu uma proposta feita por Luis Gustavo Boto Maia, advogado de Flávio Bolsonaro, e pela mulher de Fabrício Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar. Os dois foram orientados por Frederick Wassef, o “Anjo”, e Fabrício Queiroz antes de se reunirem com a mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães em seu esconderijo no interior de Minas Gerais. Os promotores nunca localizaram a mãe de Adriano porque ela se escondeu em Minas Gerais e recebia orientações jurídicas de Queiroz e de Luiz Gustavo Botto Maia. Mãe de Adriano, foragida em MG, recebe a visita da ex-mulher do miliciano e do advogado de Fabrício Queiroz, Luis Gustavo Boto Maia Uma escuta telefônica feita pela Polícia Civil do Rio de Janeiro há dois anos, e tornada pública agora, mostra Daniela, uma irmã do ex-policial militar e criminoso profissional, acusando o Palácio do Planalto de oferecer cargos comissionados em troca da morte do ex-capitão. A conversa é com uma tia de Adriano e dela dois dias após a morte do miliciano. Ela disse que ele soube dele que houve uma reunião envolvendo seu nome no palácio do Planalto e do desejo deles de que se tornasse um “arquivo morto”. Ouça aqui a conversa da irmã de Adriano com a tia Reprodução da Laurindus TV “Ele já sabia da ordem que saiu para que ele fosse um arquivo morto. Ele já era um arquivo morto. Já tinham dado cargos comissionados no Planalto pela vida dele, já. Fizeram uma reunião com o nome do Adriano no Planalto. Entendeu, tia? Ele já sabia disso, já. Foi um complô mesmo”, disse ela na gravação autorizada pela Justiça e divulgada pela Folha de S. Paulo. A gravação faz parte das escutas realizadas pela polícia no âmbito da Operação Gárgula que investigam o esquema de lavagem de dinheiro e a estrutura de fuga de Adriano. QUEIMA DE ARQUIVO Desde o dia em que Adriano foi morto no interior da Bahia em fevereiro de 2020, a família dele suspeita de uma execução para “queima de arquivo”, o que até o momento não foi esclarecido. “Ele falou para mim que não ia se entregar porque iam matar ele lá dentro. Iam matar ele lá dentro. Ele já estava pensando em se entregar. Quando pegaram ele, tia, ele desistiu da vida”, disse Daniela. Já uma outra irmã de Adriano, Tatiana, conversa com a mesma tia e escuta dela: “Daniela sabe de muita coisa, hein?” Tatiana nega a acusação feita ao irmão de ser miliciano. “Pessoal cisma que ele era miliciano. Ele não era miliciano não. Era bicheiro. […] Querem pintar o cara numa coisa que ele não era por causa de coisa política. Porque querem ligar ele ao Bolsonaro. Querem ligar ele a todo custo ao Bolsonaro.” “Aí querem botar ele como uma pessoa muito ruim para poderem ligar ao Bolsonaro. Aí já disseram que foi o Bolsonaro quem assassinou. Quando a gente queria cremar diziam que e a família queria cremar rápido porque não era o Adriano. Uma confusão.” A atuação do presidente na ocasião foi alvo de elogio de Tatiana em outra conversa. “Ele foi nos jornais e colocou a cara. Ele falou: ‘Eu estou tomando as devidas providências para que seja feita uma nova perícia no corpo do Adriano’. Porque ele só se dirige a ele como Adriano, capitão Adriano.” Ela, por sua vez, sugere na fala que a ordem para matar o irmão foi do ex-governador Wilson Witzel. “Foi esse safado do Witzel, que disse que se pegasse era para matar. Foi ele.” “SOU AMIGO DO PRESIDENTE E ESTOU ME FUDENDO” O vínculo entre a morte do ex-PM e a proximidade com o presidente também foi tema de conversa entre Luiz Carlos Felipe Martins, sargento da PM acusado de ser braço-direito de Adriano, e um homem não identificado. “Ele falava para mim: ‘Orelha, nunca vi isso. Estamos se fudendo por ser amigo do presidente da República. Porra, todo mundo queria uma porra dessa. Sou amigo do presidente da República e to me fudendo’. Morreu por causa disso” , disse o sargento. Orelha, como era conhecido o sargento PM, foi morto numa emboscada no dia 20 de março de 2020, dois dias antes do cumprimento de mandados de prisão e busca da Operação Gárgula. O homicídio ainda não foi esclarecido. As ligações de Jair Messias Bolsonaro com o assassino profissional Adriano da Nóbrega são anteriores aos vínculos de sua mãe e ex-mulher no gabinete de Flávio. Em discurso feito do plenário da Câmara, em 2005, Bolsonaro saiu em sua defesa e contestou o resultado do julgamento do miliciano. Ele chamou o ex-militar condenado de “brilhante oficial”. Adriano, à época, já estava associado ao crime, após participar do esquema de segurança na guerra entre bicheiros do Rio de Janeiro.

Dia do Jornalista: ataques de Bolsonaro contra a imprensa incitam violência

O que comemorar? Estudo da Fenaj mostra que Bolsonaro é o maior agressor de jornalistas em casos registrados pela entidade pelo terceiro ano consecutivo  No dia 7 de abril é comemorado o Dia do Jornalista. A data, que foi estabelecida em 1931 pela Associação Brasileira de Imprensa para legitimar a atuação e assegurar direitos dos jornalistas, vem ganhando um propósito diferente nos últimos anos: denunciar ameaças, ataques e agressões contra a categoria, que não param de crescer. De acordo com o mais recente levantamento realizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em 2021 foram contabilizados 430 casos de violência contra os profissionais da área. O Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa mostra que 2021 foi o segundo ano consecutivo com recorde de registros desde que a série histórica começou a ser feita, na década de 1990. Em 2020, foram 428 casos. A pesquisa aponta que a censura é, atualmente, o tipo de violência mais comum sofrido pelos jornalistas. Foram registradas 140 ocorrências, representando 32,56% do total de casos, enquanto a descredibilização da imprensa – que chegou a liderar a lista em levantamentos anteriores respondeu por 30,46% – foram 131 ocorrências no total. Agressões físicas e verbais são disparadas de todas as partes, e o “campeão” nesse quesito é o próprio presidente da República. A presidente da Fenaj, Maria José Braga, diz que os números são alarmantes, e a entidade acredita que haja ainda mais casos. “Nós acreditamos que há uma subnotificação. Muitos não denunciam, principalmente quando as agressões são feitas por meio virtual”, explicou. Bolsonaro é o maior agressor Segundo o relatório, o presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o principal agressor em 2021. Sozinho ele foi responsável por 147 casos (34,19% do total), sendo 129 episódios de descredibilização da imprensa (98,47% do total de registros desse tipo de violência) e 18 agressões verbais. É o terceiro ano seguido que Bolsonaro é o maior agressor em casos registrados pela Fenaj. Durante uma coletiva de imprensa, em 2020, ele chegou a disparar a seguinte fala a um repórter: “Vontade de encher a tua boca com porrada”. No Palácio da Alvorada, ele também mandou os profissionais “calarem a boca”. Para a presidente da Fenaj, a postura de Bolsonaro, além de ser violenta, “impulsiona que os seus apoiadores também agridam jornalistas e atuem para descredibilizar a imprensa. É um processo preocupante porque se trata de uma instituição da República, incentivando, sim, agressões contra jornalistas”, afirmou. Nesta semana, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do presidente, recebeu inúmeras críticas ao debochar de tortura sofrida pela jornalista Miriam Leitão durante a ditadura. No Twitter, ele disse sentir “pena da cobra” que torturou a jornalista. Miriam passou horas trancada em uma sala com uma jiboia, além de ter sido agredida com tapas, chutes e golpes que causaram graves ferimentos na cabeça. Também teve de ficar nua em frente a dez soldados e três agentes de repressão. As entidades que representam os jornalistas estão preocupadas com uma possível escalada de agressões no ano eleitoral. “Há um foco de ataque a jornalistas e imprensa por partidos e políticos da direita, que querem manter seus apoiadores na desinformação. Nós teremos uma guerra informacional e tememos pela segurança dos profissionais”, alerta Maria José Braga. Violência de gênero Em março, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou estudo sobre violência de gênero contra jornalistas, realizado com apoio do Global Media Defence Fund, da Unesco, em 2021. Segundo o levantamento, 127 mulheres jornalistas (cis e trans) e meios de comunicação foram alvos de 119 casos de violência de gênero. O relatório da Abraji monitorou redes sociais como propagadoras de agressões a profissionais de imprensa. Quase 60% dos casos de discursos estigmatizantes foram iniciados por publicações de autoridades de Estado e outras figuras proeminentes no campo político brasileiro. A maioria das vítimas eram jornalistas que cobriam política. Em 2020, Bolsonaro foi criticado por entidades e chegou a ser processado após preferir um comentário de cunho sexual a respeito da jornalista da Folha de S. Paulo Patrícia Campos Mello. Na ocasião, ele usou a palavra “furo” de forma pejorativa. “Ela [Patrícia] queria um furo. Ela queria dar um furo a qualquer preço contra mim”, disse aos risos. No jargão jornalístico, “furo” é a informação publicada em primeira mão por um veículo ou profissional de imprensa. Em outro episódio, o presidente disse a um jornalista que ele tem “uma cara de homossexual terrível”. A declaração foi dada depois que Bolsonaro foi questionado sobre o que faria se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu filho mais velho, estivesse envolvido em algum esquema de corrupção. Violência física A violência física também faz parte do cotidiano dos profissionais de imprensa. Recentemente, dois repórteres foram agredidos por um homem com uma corrente de metal e um cachorro, durante a gravação de uma reportagem em São Paulo. Em janeiro, durante uma gravação de reportagem, uma repórter foi agredida por um homem. Ele arrancou o microfone das mãos da profissional e pisoteou o equipamento. O caso também ocorreu em São Paulo. Já no final do ano passado, na Bahia, equipes de reportagem foram agredidas por seguranças e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, um dos profissionais levou um tapa no rosto. O chefe do Executivo chegou a pedir desculpas após o caso. De acordo com a presidente da Fenaj, o combate à violência contra jornalistas exige medidas de diversos atores, como o poder público e a sociedade. “É preciso que as empregadoras assumam a responsabilidade pela segurança, pela integridade física e mental de seus profissionais. Obviamente o poder público tem uma parcela a cumprir. É preciso que as instituições da República funcionem para a proteção dos profissionais. Que as polícias, o Ministério Público e o Judiciário cumpram seus papeis”, destacou. “Esperamos que haja, também, comportamento da sociedade rechaçando a violência e contribuindo para que os agressores não tenham nenhum tipo de respaldo em suas ações violentas”, finalizou.

Bolsonaro cresce quatro pontos com saída de Moro, e Lula fica estável na liderança

Pesquisa Ipespe mostra crescimento do atual chefe do Executivo, com a desistência de ex-juiz, mas Lula segue com vantagem confortável  O presidente Jair Bolsonaro (PL) cresceu quatro pontos percentuais após a saída do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) da corrida pela Presidência da Repúblicas nas eleições de outubro. A informação é da primeira pesquisa eleitoral feita pelo Ipespe, sob encomenda da XP, depois da desistência de Moro em ser um dos cabeças de chapa no pleito. O ex-presidente Lula (PT) segue estável na liderança, com 44% das intenções de voto, mesmo patamar da última pesquisa do Ipespe, realizada há 15 dias. Bolsonaro, seu principal oponente, subiu de 26% para 30%. Na terceira colocação, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) foi de 7% para 9%, herdando votos de Moro. Intenções de voto no 1º turno da eleições presidenciais de 2022 / Ipespe O ex-governador João Doria (PSDB) e a senadora Simone Tebet (MDB) tiveram oscilações positivas, dentro da margem de erro, que é de 3,2 pontos percentuais. O tucano foi de 2% para 3%, enquanto a emedebista oscilou de 1% para 2%. Intenções de voto no 1º turno da eleições presidenciais de 2022 / Ipespe Na simulação de segundo turno, Lula aparece com 53%, 20 pontos à frente de Bolsonaro, que marca 33%. Há quinze dias, a vantagem era de 54% a 31%. Foram realizadas 1.000 entrevistas de abrangência nacional por telefone, nos dias 2 a 5 de abril. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-03874/2022.

PSB formaliza Alckmin como vice de Lula na sexta

 Informação foi revelada por Lula em entrevista a uma rádio do Paraná e confirmada pela assessoria do PSB O PSB vai apresentar ao PT, em uma reunião na sexta-feira (8), o nome do ex-governador Geraldo Alckmin como opção para ocupar o cargo de vice na chapa do ex-presidente Lula nas eleições de outubro. Com o gesto, o PSB formaliza a indicação que vem sendo costurada desde o ano passado. Em dezembro, Alckmin e Lula fizeram uma aparição pública juntos, indicando a aliança para o pleito presidencial. A informação foi revelada por Lula em entrevista à Rádio T, do Paraná, na manhã desta terça-feira (5). Em seguida, a reunião com o PT foi confirmada pela assessoria da direção nacional do PSB a veículos de imprensa. “Vou ter uma reunião na sexta-feira em que o PSB vai propor ele, o Alckmin, de vice e isso nós vamos levar para discutir no PT. Vamos reconstruir o Brasil porque somos dois democratas, gostamos da democracia e temos como prova o exercício dos nossos mandatos”, disse o ex-presidente. “Eu mudei, o Alckmin mudou e acho que o Brasil precisa dessa mudança para que a gente possa reconstruir. Eu fui adversário do Alckmin, não fui inimigo, e feliz era o Brasil no tempo em que a disputa era entre dois partidos democráticos”, declarou. Depois de ser cortejado por outros legendas, como o Solidariedade e o PV, Alckmin sacramentou a entrada no PSB há duas semanas. Na cerimônia de filiação, teceu fortes elogios a Lula. Lula critica governo Bolsonaro Na mesma entrevista à Rádio T, Lula disse que a família do presidente Jair Bolsonaro (PL) “não presta para governar o Brasil”. O ex-presidente também falou sobre a incapacidade de o Executivo estabelecer diálogos com representantes dos movimentos sociais e sindicais, e citou a insensibilidade do governo diante da pandemia de covid-19. “Temos um governo que vai terminar seu primeiro mandato sem conversar com sindicalistas, sem conversar com ninguém do movimento social, sem visitar nem sequer uma família que perdeu um parente por causa da covid”, afirmou. Brasil de Fato

Randolfe: unidade democrática exige gestos de todos – Por Fernando Brito

É lúcida a entrevista do senador Randolfe Rodrigues a Guilherme Amado, no Metrópoles (íntegra, aqui), embora o título que lhe foi dada (“Bolsonaro vencerá se Lula não for mais plural”) não transmita exatamente o que diz o parlamentar da Rede. “Se a esquerda, os progressistas, os democratas, os republicanos e os liberais não se esquecerem dos rancores que os dividiram no passado e não compreenderem que têm um papel imediato em combater essa estratégia, Bolsonaro vai ser reeleito.” Esta é a expressão exata e, aliás, correta. Da qual o próprio Randolfe é exemplo, quando os diálogos da Vaza Jato o fizeram rever seu apoio a Curitiba e reaproximar-se de Lula, que o recebeu sem rancores políticos. A diferença está no fato de que, embora Lula esteja fazendo gestos de abertura – e não podia haver maior deles que trazer Geraldo Alckmin para o lugar de vice em sua chapa – é preciso que o centro e a centro-direita assumam também sua capacidade de reagirem a ideia de que a consequência de não apoiando o ex-presidente, há risco significativo de que o atual presidente possa vencer. A rigor, é este o teor da entrevista de Randolfe que, claro, não deixa de defender que Lula dialogue com todo o espectro político, mas diz também que o ex-presidente “está consciente disso”: “Quando Lula foi eleito [em 2002], eu era da esquerda do PT, e ele me mostrou como é fazer um governo desta natureza, conversando com todos os setores, fazendo as composições necessárias”. Não é a Lula, mas ao PT, que o senador pede abertura para “compreender que o Lula não é patrimônio partidário, não pertence ao PT”. Randolfe acerta na mosca ao deixar claro que, para ele, a eleição está irreversivelmente polarizada e que é preciso entende-la assim, sem desvios personalistas e até mesmo de divergências ideológicas naturais no campo democrático: “É chegado o momento de ser chamada a responsabilidade de todos, de todos. O PT tem que ter consciência do que está se passando, e as lideranças políticas, inclusive mais experientes que eu, devem entender que não há espaço para segundo turno nesta eleição. O segundo turno é no primeiro. O Moro entendeu isso claramente, e já fez o movimento de retorno para onde ele veio. Ele é produto do bolsonarismo, nunca esteve comprometido com o campo democrático, e voltou para o lugar dele”. Via Tijolaço

Ministros do STF formam maioria a favor de punições impostas a Daniel Silveira

Alexandre de Moraes havia determinado multa diária no caso do descumprimento das medidas, além de bloqueio imediato de contas do bolsonarista O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria (6 a 0), nesta sexta-feira (1), a favor das punições impostas ao deputado bolsonarista Daniel Silveira (União-RJ) pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. O magistrado havia determinado medidas contra Silveira, como multa diária de R$ 15 mil no caso do descumprimento de qualquer das punições, além de oficiar o bloqueio imediato de suas contas bancárias para pagamento da pena. Os ministros que seguiram o relator são: Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Edson Fachin, Rosa Weber e Gilmar Mendes. Os outros membros da Corte podem votar até às 23h59 desta sexta, de acordo com a CNN Brasil. Durante seu voto, Moraes criticou a recusa inicial de Silveira em usar tornozeleira eletrônica. “Estranha e esdrúxula situação, onde o réu utiliza-se da Câmara dos Deputados para esconder-se da Polícia e da Justiça, ofendendo a própria dignidade do Parlamento, ao tratá-lo como covil de réus foragidos da Justiça”, disse. “Não só estranha e esdrúxula situação, mas também de duvidosa inteligência a opção do réu, pois o mesmo terminou por cercear sua liberdade aos limites arquitetônicos da Câmara dos Deputados, situação muito mais drástica do que àquela prevista em decisão judicial”, acrescentou. Relembre o caso Silveira foi preso em fevereiro de 2021, depois de divulgar um vídeo com ameaças aos ministros do STF. O bolsonarista passou por regime domiciliar, acabou solto em novembro, mas ficou submetido a uma série de medidas cautelares, como proibição de acesso às redes sociais e de contato com outros investigados nos inquéritos das fake news e das milícias digitais. Mesmo assim, o deputado voltou a atacar o STF. Disse, inclusive, que “está ficando complicado” para Moraes continuar vivendo no Brasil. No dia 26 de março, o ministro determinou o uso de tornozeleira eletrônica pelo deputado e o proibiu de participar de eventos públicos. Porém, o bolsonarista declarou que não cumpriria a determinação. Ele passou a noite no plenário da Câmara dos Deputados, argumentando que a polícia não poderia forçá-lo a colocar a tornozeleira sem autorização de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Casa. Depois da nova decisão de Moraes, Silveira resolveu voltar para casa e compareceu à Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, na quinta (31) para instalação da tornozeleira eletrônica.