Ciro fica ainda mais isolado após ataques contra Lula

Por causa da agressividade de Ciro Gomes, partidos de esquerda estão evitando alianças com o PDT Por Naian Lopes -Via DCM Ciro Gomes (PDT) está cada vez mais isolado dentro do seu próprio partido, segundo informações da jornalista Natália Portinari, do jornal O Globo. A principal insatisfação dos pedetistas com o presidenciável é seus constantes ataques ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O tom agressivo do ex-governador do Ceará tem criado dificuldade para que o PDT consiga formar alianças nos estados com partidos de esquerda, principalmente o PT. O maior exemplo disso é a indefinição sobre a união entre as duas siglas na região cearense. A jornalista explicou que o diretório nacional deve liberar os diretórios regionais para realizar suas alianças de maneira independente. No Maranhão, o senador Weverton Rocha (PDT) contará com o apoio de uma ala do PT na corrida eleitoral do governo estadual. No Rio de Janeiro, Rodrigo Neves, ex-prefeito de Niterói, já deixou claro que se incomoda com os ataques feitos de Ciro a Lula. Além disso, Ciro tem sido criticado por servir como linha auxiliar do bolsonarismo. Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) estão usando frases do ex-governador cearense para atacar o ex-presidente Lula. “Os ataques do pré-candidato do PDT ao Planalto têm sido usados inclusive por aliados do presidente Jair Bolsonaro para criticar o petista. No fim de semana, uma declaração de Ciro durante ‘live’ com o humorista Gregório Duvivier, que é eleitor de Lula, ficou entre os assuntos mais comentados do fim de semana”, completou a jornalista.
Cruz-credo – Bancada evangélica já alcança 80% dos partidos, aponta pesquisa

Com 181 deputados e 8 senadores, a Frente Parlamentar Evangélica é composta por filiados de 80% dos partidos representados na Câmara – do PL ao PT – e vota mais alinhada às propostas do governo Bolsonaro (PL) do que o conjunto de deputados. Ainda assim, a pauta de costumes não avançou na Câmara ao longo da atual legislatura, considerando o total absoluto de projetos. Os dados são do Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ. O estudo aponta que apenas 62 dos 4.879 projetos propostos na pauta de costumes na Casa foram efetivamente aprovados, dos quais só quatro deles são de autoria da Frente Parlamentar Evangélica. Segundo a pesquisa, a adesão dos deputados da frente às pautas governamentais é de 77% contra 66% do total da Câmara Debora Gershon, do Observatório do Legislativo Brasileiro, afirma que ainda falta uma pauta específica a ser definida pelos membros da frente, além da construção de uma agenda coletiva para reunir os parlamentares. “O eleitor evangélico que busca na frente alavancagem dos projetos de seu interesse não encontra nela um espaço capaz de brigar por essa movimentação.” O estudo aponta ainda que o grupo sofre com grau baixo de institucionalização em comparação a outras frentes parlamentares, como a da agropecuária. Representatividade Criada em 2003 e oficializada em 2015, a frente representa quase 30% da população e 24% do eleitorado. Sua composição é dividida entre parlamentares evangélicos (46%) e católicos (43%). A adesão maior dos deputados da frente às pautas governamentais pode ser explicada nos três maiores partidos que a integram. PL, Republicanos e Progressistas somam 45% dos seus membros e representam o núcleo mais estruturado e coeso do Centrão, grupo que apoia o presidente no Congresso. A presidência da Frente, ocupada hoje pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), esteve em uma disputa interna entre lideranças da Assembleia de Deus. No fim de 2020, houve um acordo para que Sóstenes e Cezinha de Madureira (PSD-SP) se revezassem no cargo entre 2021 e 2022. O bispo Samuel Ferreira, do Ministério Madureira, defendeu a recondução de Cezinha em 2022 – o que irritou Silas Malafaia, do Ministério Vitória em Cristo, mentor de Sóstenes. “Essa heterogeneidade da frente começa inclusive a suscitar disputas políticas”, afirmou Debora, doutora em ciência política e responsável pela pesquisa. Ela argumenta que esse conflito é um dos fatores que mostram o processo de institucionalização do grupo: “Não é usual que haja disputa pela presidência de uma frente parlamentar”. Outro fator está exposto no desempenho legislativo da Frente na Câmara. A taxa de sucesso da Frente Parlamentar Evangélica, aponta a pesquisa, indica que a proporção de proposições aprovadas, do total de apresentadas no período, é de 0,27%, enquanto a taxa de sucesso na Câmara é de 1,15%. “A frente não tem uma produção legislativa coesa a ponto de produzir e aprovar os projetos como grupo”, explicou Débora. “A frente não é de representação dos evangélicos. É de deputados e senadores. Somos de denominações e de partidos diferentes”, afirmou a deputada Benedita da Silva (PT-RJ). “São evangélicos, estão defendendo interesses dos seus partidos e não sei onde pode prosperar. Podemos ter mais evangélicos na Câmara, mas lá somos políticos. Faço parte da frente, mas sou da bancada do PT ” Proposições Os projetos apresentados com maior participação da frente evangélica estão concentrados em três principais temas: Processo legislativo e atuação parlamentar (49%), direito penal e processual penal (48%) e defesa e segurança (48%). Finanças públicas (44%), administração pública (31%) e direitos humanos e minorias (19%) estão entre os temas mais comuns dos textos aprovados assinados pela frente. Procurado, o atual presidente do grupo, Sóstenes Cavalcante, não respondeu até a conclusão desta edição. (Estadão Conteúdo)
Empresários ligados à Fiesp preparam manifesto em defesa da democracia

Inspirado em documento de 1978, empresários alegam que Jair Bolsonaro provoca instabilidades que prejudicam os negócios – Empresários ligados à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) planejam reeditar o chamado “Documento dos Oito”, um manifesto assinado por grandes industriais em 1978 em defesa da democracia no País. De acordo com a Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo, os empresários alegam que Jair Bolsonaro provoca instabilidades que acabam por prejudicar as empresas. Os signatários do manifesto de 1978 foram os empresários Antônio Ermírio de Moraes, José Mindlin, Cláudio Bardella, Severo Gomes, Paulo Villares, Laerte Setúbal Filho, Paulo Vellinho e Jorge Gerdau.
Bolsa Família sofreu retrocesso e virou auxílio Brasil eleitoreiro de Bolsonaro

Em editorial, jornal da família Marinho diz que a mudança fez com que o Bolsa Família ‘deixasse de ser um programa de Estado para se tornar trunfo eleitoreiro’ de Jair Bolsonaro O jornal O Globo afirma, em editorial, que o programa Bolsa Família, criado no governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é citado dentro e fora do Brasil como exemplo de política social bem-sucedida” e que é “extremamente preocupante a deterioração da qualidade dessa política pública exitosa desde que foi transformada no Auxílio Brasil, o programa eleitoreiro criado pelo presidente Jair Bolsonaro para chamar de seu e ostentar nos palanques.” “O desmonte se acentuou a partir da pandemia. Como o auxílio emergencial distribuído em 2020 e 2021 destinava-se a parcela maior da população, o coronavírus serviu de pretexto para a suspensão da cobrança de contrapartidas daqueles que recebiam o Bolsa Família. Ao mesmo tempo, criou-se uma pressão maior no caixa do Tesouro. Para o lançamento do Auxílio Brasil, com valor estipulado em R$ 400 sem nenhum tipo de critério ou embasamento técnico, o custo do programa passou a cerca de 1% do PIB, sem que houvesse ganho correspondente na eficácia. Eis uma das razões para a ruptura do teto de gastos no Orçamento deste ano”, destaca o periódico da família Marinho. “Ainda mais preocupante que o impacto fiscal — ao menos pode-se argumentar que esse dinheiro é destinado a sanar um dos maiores flagelos nacionais — foi a perda de foco do programa. Não há distinção entre os beneficiários, não se sabe se Bolsonaro restabelecerá a cobrança de contrapartidas e, para piorar, o Cadastro Único de quem recebe o benefício não vem sendo atualizado como deveria pelas prefeituras. Um governo sustentado pelo Centrão por certo não fará a cobrança para que seja”, destaca o editorialista no texto. Ainda segundo o jornal, “o relaxamento na administração do Auxílio Brasil resulta em perda de foco na distribuição dos recursos e o rebaixa à condição de um plano assistencial meramente populista, contrário aos interesses do contribuinte. Ele deixou de ser um programa de Estado para se converter apenas em trunfo eleitoreiro”.
Padre termina cerimônia ao ver cães entrarem com alianças: “O cúmulo”

Incomodado ao ver dois cachorros entrando na igreja para levar as alianças, o religioso se recusou a dar a bênção final aos noivos Metrópoles – A cerimônia de casamento dos jovens Brenda Jamili, 18 anos, e Eliwelton Silva, 24, terminou antes do previsto por um motivo inusitado. O padre César Retrão, incomodado ao ver dois cachorros entrando na igreja para levar as alianças, se recusou a dar a bênção final aos noivos. “Isso é o cúmulo, dois animais entrando na igreja com as alianças. É inadmissível”, teria dito o padre. O caso aconteceu no último sábado (14/5), em Nova Olinda (CE). Segundo o casal, apesar da atitude do religioso, eles tinham autorização da paróquia para levar os animais. Em entrevista ao UOL, a noiva contou que se sentiu muito triste ao ouvir a declaração do padre. “Apenas assinamos o livro, e ele deu as costas. Nos sentimos envergonhados, fracos, não tivemos ação nem de reagir na hora”, disse. Os noivos são voluntários do Instituto Lilica, ONG que resgata animais de rua e os encaminha para adoção. Foi o caso dos vira-latas Pipoca e Scooby, adotados por Brenda e Eliwelton e escolhidos para fazerem parte da cerimônia. Pipoca foi resgatada machucada e cega de um olho. Scooby perdeu o movimento de uma das pernas após um acidente. Os dois entraram na igreja guiados por familiares. Nas redes sociais, a jovem fez um desabafo. “Eu e Eliwelton somos católicos, cremos que nosso casamento precisa da bênção de Deus, e precisamos do homem para isso. Enfim, não tivemos essa bênção pelo fato de o padre achar um cúmulo dois cachorros entrarem com as alianças. Não fomos declarados marido e mulher porque é um absurdo dois cachorros entrarem com as alianças, não teve o ‘agora os noivos podem se beijar’ porque dois cachorros levaram as alianças”, lamentou. “Isso nos enfraqueceu na hora, eu não tive ação, eu chorei, gelei, passei os dois últimos dias pensando no que aconteceu, a forma que fui tratada comparada ao que esses animais passam na rua, e ‘vistos como o cúmulo’”, assinalou. “Ao meu ver, ninguém é obrigado a gostar de qualquer animal, mas aceite, não despreze, você não é obrigado a ter um animal em sua casa, a alimentar os das ruas, mas aceitar que é um ser que pode ser bem-vindo em qualquer lugar é um dever seu”, ressaltou Brenda. Diante da repercussão, o Instituto Lilica soltou nota afirmando que não compactua com os ataques direcionados ao padre, que “já ajudou a presente entidade por diversas vezes e de várias formas”. “Manifestamos nossa tristeza pelo ocorrido, uma vez que, ao nosso entender, como cristãos e amantes da causa, o amor estava ali representado, assim como estava respeitada a Igreja, visto a autorização prévia da secretaria paroquial, sendo angustiante a surpresa do repúdio em meio à cerimônia”, encerrou.
Dinheiro do SUS é usado para beneficiar prefeituras aliadas de Bolsonaro

Devido à influência do congressista em Brasília, Petrolina, que fica a 712 quilômetros de Recife, tornou-se o mais agraciado do estado com verba parlamentar destinada ao Sistema Único de Saúde (SUS), superando até mesmo a capital pernambucana, cuja população é quatro vez maior. O município é um tradicional reduto eleitoral do ex-líder do governo no Senado Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). Dos R$ 65 milhões em emendas de relator, que compõem o orçamento secreto, destinadas no ano passado por Bezerra à área de saúde, Petrolina desponta como o maior destino, com R$ 13 milhões. Os recursos foram transferidos ao município por meio do Fundo Nacional de Saúde (FNS), responsável por bancar despesas do SUS. O valor foi negociado por Bezerra com a cúpula do Congresso, indicado pelo senador ao FNS, liberado por Queiroga e transferido ao fundo municipal de saúde de Petrolina. A partir daí, a verba se misturou com outras fontes de pagamentos, dificultando assim mapear o destino final da emenda parlamentar, diz o Globo. Apesar da falta de transparência, é possível identificar, a partir de algumas informações públicas, que o Fundo Municipal de Saúde de Petrolina destinou R$ 4,5 milhões para a inauguração de um centro cirúrgico e da UTI do hospital Dom Tomás, que é administrado pela Associação Petrolinense de Amparo à Maternidade e à Infância (Apami). A entidade é comandada por Augusto Coelho, tio avô de Miguel, que deixou a prefeitura em março para concorrer ao Palácio do Campos das Princesas. Via DCM
O Rei da Mamata – Chorinho de Zeca Baleiro continua bombando na internet

O cantor divulgou, no mês de Agosto do ano passado, uma canção em homenagem ao desgoverno Bolsonaro que continua fazendo o maior sucesso na rede: “Dizem por aí/ Eu sou o Rei da Mamata/ Caçador de comunistas e esquerdopatas/ Dizem também que de arte ninguém mais precisa”. De acordo com o cantor, a música é uma homenagem para aqueles que gostam de entrar em suas redes e escrever “o choro é livre”. No entanto, além de ser uma homenagem a base bolsonarista nas redes, a música traz uma série de críticas irônicas aos integrantes do governo Bolsonaro. “Dizem por aí/ Eu sou o Rei da Mamata/ Caçador de comunistas e esquerdopatas/ Dizem também que de arte ninguém mais precisa”. Em outro momento, Zeca Baleiro faz críticas diretas ao ex-secretário da Cultura, Mario Frias. “Dizem que eu mamo nas tetinhas da cultura/ Quando o artista canta, o idiota nem murmura/ Bando de hipócritas lambendo a sandália”. Nos momentos finais, o cantor afirma que segue cantando para “ajudar a reerguer essa nação da latrina”. Para os desocupados que gostam de entrar nas redes sociais de artistas para escreverem bobagens como “o choro é livre” e “a mamata acabou”, aqui vai minha homenagem: o chorinho “O Rei da Mamata”, saidinho do forno. E, importante, feito sem patrocínio. O REI DA MAMATA Dizem por aí que eu sou o rei da mamata Caçador de patrocínios, comunista, esquerdopata Dizem também que de arte ninguém mais precisa Quando o mundo acabar por favor alguém me avisa Dizem que eu mamo nas tetinhas da cultura Quando o artista canta, o idiota nem murmura Bando de hipócritas lambendo a sandália De gente rica, inculta, ignorante, uma gentalha Eu podia estar roubando Eu podia estar matando Eu podia ser o líder da milícia na chacina Eu podia estar ganhando até um dólar por vacina Mas eu sigo trabalhando E compondo e cantando Ajudando a erguer uma nação desta latrina A cumprir mui sinceramente a minha sina Você por sua vez se orgulhando da bravata De ser apoiador de um imbecil sociopata Requenguela, mequetrefe Cada qual tem a cultura que merece Ordinário, mequetrefe Cada um tem a cultura que merece Confira abaixo a canção na íntegra:
Racista, Bolsonaro volta a dizer que negro é pesado em arrobas

“Conseguiram te levantar, pô? Tu pesa o quê, mais de sete arrobas, não é?”, disse o presidente a um apoiador que aparece brevemente na gravação no Palácio da Alvorada, mas não é identificado. Os jornais da imprensa corporativa praticamente ignoraram que Jair Bolsonaro voltou a cometer o crime de racismo, na véspera do 13 de maio, dia que marca a Abolição da escravidão no Brasil, ao dizer que negros são pesados em arrobas – o que os qualifica como animais de tração, e não como indivíduos plenos de direitos. O racismo, no Brasil, é crime inafiançável e imprescritível, mas é cometido pelo presidente da República, diante do silêncio dos meios de comunicação. Na noite de ontem, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) anunciou representação criminal contra Jair Bolsonaro e a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) afirmou que ele se beneficia da impunidade nos crimes de racismo. https://twitter.com/marciatiburi/status/1524981469919252496?ref_src=twsrc%5Etfw
O que está por trás da insistência de Lira no debate sobre semipresidencialismo

Especialistas apontam ânsia do centrão por mais poder e levantam preocupações com participação popular no sistema Alvo de um grupo de trabalho (GT) na Câmara dos Deputados na atualidade, a pauta do semipresidencialismo voltou à cena no país, ao mesmo tempo em que segue sendo alvejada não só por parlamentares de oposição, mas também por especialistas que acompanham o jogo político nacional e pedem cautela ao se tratar do tema. Instalado em meados de março, o GT é uma forma encontrada pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), de colocar o tema em evidência, atraindo os holofotes para o assunto. O colegiado é formado por 10 parlamentares e tem 120 dias de prazo para discutir as tarefas, mas pode também estender os trabalhos por igual período. Um conselho consultivo composto por juristas também foi criado para subsidiar os parlamentares. Uma proposta de emenda constitucional (PEC) de autoria do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), por exemplo, tramita atualmente na Casa. Mas a ideia de mudança de sistema ainda não tem balizas nem textos legislativos específicos. Caso fosse aprovada, só entraria em vigor em 2030, mas se mantém no radar graças especialmente às iniciativas patrocinadas por Lira e aliados. Para tentar dar mais musculatura à pauta, o presidente da Câmara pleiteia ajuda internacional. Para isso, aciona possíveis interlocutores em lugares que adotam esse formato de gestão. Foi o que ocorreu em diálogo com o presidente da Assembleia da República de Portugal, Augusto Santos Silva. A Assembleia da República é equivalente, em Portugal, à Câmara dos Deputados no Brasil. Ou seja, Santos Silva ocupa cargo análogo ao de Lira no país europeu. Os dois se encontraram em agenda oficial na última quinta (5), durante visita do líder português ao Brasil. Lideranças da Alemanha e da França, cujos sistemas guardam semelhanças com o que Lira defende, também estariam na rota de busca do presidente da Câmara. “É uma tentativa de trazer visibilidade e dar consistência à pauta pra dar a entender que seria legal o Brasil fazer como Portugal faz, por exemplo. Ao mesmo tempo, Lira tenta dar importância a si próprio, já que ele não é um ator político com estatura internacional”, analisa o coordenador do Núcleo de Estudos sobre Bicameralismo em Instituições Comparadas (Nebic), da Universidade de Brasília (UnB), Adrian Albala. Resgate e a força do centrão A tentativa de encampar a pauta não é nova no país. Nos últimos anos, o tema foi destacado publicamente pelo então presidente da Câmara, Rodrigo Maia (Sem partido-RJ), e alguns aliados que viam na saliência de poder conquistada pelo Congresso uma oportunidade para ampliar os tentáculos das duas casas legislativas no ambiente político. “Na época do pré-golpe, desde a eleição de 2014, esse assunto surgia sempre como uma forma de a direita, na oposição, disputar poderes em termos de Câmara com a Presidência da República. Havia uma oposição consolidada que foi ganhando corpo na gestão do Eduardo Cunha e que trazia essa pauta de oposição a Dilma”, resume a cientista política Carla Guareschi. Pesquisadora do doutorado em Ciência Política da UnB, ela olha para o cenário atual ressaltando o horizonte colocado para si próprio por parte do centrão. O bloco reúne uma série de forças da direita liberal no Legislativo e tem maior expressão numérica na Câmara, casa legislativa que é a porta de entrada de pautas dessa natureza. “Essa articulação do Lira hoje está muito associada aos interesses do centrão, que tem se manifestado também nos espaços que estão sendo ocupados dentro do governo e nos de domínio do orçamento federal ocupados hoje [por eles], que miram nos espaços de protagonismo”, acrescenta Guareschi, ao mencionar o famigerado “Orçamento secreto”. O referido esquema consiste na destinação de verbas públicas a parlamentares sem contar com vigilância e transparência pública. Dados recentes ajudam a dar a dimensão do poder envolvido na operação: um levantamento publicado no final do ano passado pelo jornal O Estado de S. Paulo mostrou que hoje o Legislativo administra mais de 50% dos investimentos do orçamento. A execução de emendas parlamentares foi de R$ 3,3 bilhões em 2015 e já atingiu o montante de R$ 26,5 bilhões no ano passado, em um salto estratosférico. Já para 2022 o orçamento projeta uma quantia de R$ 44 bilhões para investimentos em geral e R$ 21,1 bilhões somente para emendas dos parlamentares. Para Guareschi, o estilo de governança de Bolsonaro facilita a insistência dos entusiastas do semipresidencialismo. “Por ser muito radicalizado, ele facilita o trânsito de uma agenda como essa, que encontra respaldo, por exemplo, em quem acha que toda polarização demanda uma resposta de centro. Nesse sentido, entendo que a forma como Bolsonaro governa facilitou isso, apesar de não considerar de nenhuma forma a movimentação do Lira como um gesto de oposição ao governo. É uma oposição de fortalecimento do centrão apenas”, pontua a pesquisadora. Popularidade Mayrá Lima, pesquisadora do Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades (Demodê) da Universidade de Brasília (UnB), destaca que a pauta do semipresidencialismo não conta com adesão popular. O tema, inclusive, já foi motivo de um plebiscito realizado em 1993 para saber se a população aprovaria a mudança de regime. Na ocasião a maioria decidiu manter no país o sistema presidencialista. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, na época, 55,41% dos eleitores escolheram esta última opção, enquanto 24,79% votaram pelo parlamentarismo. “Tenha certeza absoluta, porque é recente, que a população brasileira não quer o compartilhamento de poder da administração. Ela quer escolher diretamente quem vai administrar a República brasileira”, realça Mayrá. Com esse cenário, ela assinala que há uma “sobrevalorização do poder de elites”, já que a pauta não tem sido agendada pela própria sociedade. Uma menor participação popular no Congresso também é elemento de preocupação de especialistas, principalmente diante do que foi observado durante os trabalhos legislativos na pandemia. Na Câmara – casa que, por excelência, conta historicamente com maior movimentação popular –, as audiências públicas foram suspensas e mesmo a entrada de representantes civis ficou prejudicada por conta das limitações impostas pela crise sanitária nos
Com 51% dos votos válidos, Lula pode ganhar eleição no 1º turno

Ex-presidente tem mais intenções de voto do que a soma de todos os outros pré-candidatos à Presidência da República e continua com sólida vantagem na liderança da corrida eleitoral. Na foto, Lula em evento do PT, em Minas Gerais – Ricardo Stuckert Uma nova pesquisa da Quaest, encomendada pela corretora Genial Investimentos, divulgada nesta quarta-feira (11), mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem grandes chances de vitória no primeiro turno das eleições presidenciais. Clique aqui para fazer o download da íntegra. Com 46% das intenções de voto, Lula possui mais votos que todos os outros candidatos somados (44%), o que garantiria a vitória no pleito ainda no primeiro turno. No entanto, considerando a margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos, o cenário ainda está longe de uma definição. A pontuação em votos totais garantiria a Lula um patamar de 51,1% dos votos válidos. O petista oscilou positivamente em 1 ponto percentual. Seu principal oponente, o presidente Jair Bolsonaro (PL), não teve alterações na pontuação e se manteve como segundo colocado, com 29%. Nas duas pesquisas anteriores (março e abril), Bolsonaro havia ganhado 3 e 5 pontos percentuais, respectivamente. Atrás dele, aparecem: Ciro Gomes (PDT), com 7%, André Janones (Avante), com 3%, João Doria (PSDB), com 3%, Simone Tebet (MDB), com 1%, Felipe D’Ávila (Novo), com 1%, e Luciano Bivar (União), com 0%. A categoria ‘branco/nulo/não vai votar’ chega a 6%, enquanto 3% estão indecisos. Em todos os outros cenários considerados, Lula lidera com ampla vantagem. A pesquisa ouviu 2 mil pessoas de 27 estados, face a face, entre os dias 5 a 8 de maio. O índice de confiança, segundo o instituto, é de 95%. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01603/2022. Segundo turno Cenário 1 Lula: 54%; Jair Bolsonaro: 34% ; Branco/nulo/não vai votar: 9% ; Indecisos: 2%. Cenário 2: Lula: 53%; Ciro Gomes: 24%; Branco/nulo/não vai votar: 21%; Indecisos: 2%. Cenário 3: Lula: 58%; Simone Tebet: 17%; Branco/nulo/não vai votar: 22%; Indecisos: 3%.