O dilema de Moro e Ciro – Por Fernando Brito

Com tantas diferenças, Sergio Moro e Ciro Gomes enfrentam um problema similar em suas candidaturas. Não conseguem superar – nem sequer se aproximarem – do ídolo que pretendem derrubar. Bolsonaro e Lula não perdem senão farelos para os seus ex-ministros que pretendem enfrentá-los. Mais ainda, logo verão parte desta poeira ser atraída, pela força gravitacional da polarização, de volta ao núcleo de onde ser soltaram. Moro achou que poderia ficar longe da polêmica – e da política – num exílio bem remunerado nos EUA e que, quando desejasse, faria sua rentreé triunfal, saudado como salvador da pátria e rivalizando com Bolsonaro no eleitorado conservador. Só mesmo na rejeição, porém, já que ambos assinalam mais de 60% das declarações de que neles não votariam de jeito algum os eleitores. 60% de rejeição para quem está na chefia de um governo desastroso, explica-se por isso mesmo, mas para que é franco atirador, como o ex-juiz, revela um grau de ojeriza que vem menos dos seus atos que de seu caráter. Portanto, mais difícil de ser revertido. Além do mais, se Moro não tem partido senão formalmente a apoiá-lo – condição em que empata com Bolsonaro, este tem (ainda) os partidos informais das Forças Armadas, das polícias e das milícias, além de parte das igrejas evangélicas, a darem capilaridade à sua candidatura, o que falta ao ex-líder da Inquisição brasileira, além de inteligência inata e a construída pelo traquejo político. Sua candidatura, que seria um foguete em seu imaginário e sobe semelhante, no máximo a um balão japonês, vacilante e lerdo e isso realmente não empolga a festa. Já Ciro Gomes, sobre quem os jornais registram as dificuldades de manter a fidelidade da bancada do PDT, está sofrendo os efeitos negativos daquilo que estabeleceu como seu eixo central de campanha, e desde de 2018: o de pretender ser o contraponto, o antagonista de Lula. Desde lá, nunca funcionou. Quando deixou de lado a oposição a Bolsonaro como centro de seu posicionamento, com a omissão cúmplice no segundo turno daquela eleição, Ciro cravou seu limite para o futuro. Quem tolerou a vitória de Bolsonaro não pode pretender seu maior adversário, algo que, com mais força, pela adesão explícita, levou João Bolsodória à situação deplorável em que está hoje. Ciro surgiu, para Carlos Lupi e para a bancada de um PDT que tem pouco a ver com a herança de Leonel Brizola, surgia como uma possibilidade de sobrevivência e, até, de expansão mas, agora, representa um risco de aproximar-se, na votação nacional, do limite da cláusula de barreira que passa a ser aplicada este ano. Ciro pretende, ao que se noticia, com mais do mesmo e corre o risco de agravar seu isolamento. Não aparece, hoje, nenhum sinal de que se vá quebrar a polarização entre Bolsonaro e Lula. Via Tijolaço

Barroso peita Bolsonaro e determina obrigatoriedade de passaporte da vacina

A decisão acontece no momento em que Jair Bolsonaro voltou a atacar as instituições, principalmente a Suprema Corte O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, confrontou a decisão do governo Jair Bolsonaro e determinou a obrigatoriedade do passaporte da vacina contra Covid-19 para todo viajante que vier do exterior para o Brasil. A informação é da jornalista Mônica Bergamo. De acordo com a reportagem, somente serão dispensados ​​de apresentação do passaporte da vacina daqueles dispensados ​​por razões médicas e também quem vier de país em que comprovadamente não haja vacina disponível ou por razão humanitária excepcional. Ignorando o perigo de novas variantes, o governo Bolsonaro determinou apenas que os viajantes vindos do exterior cumpririam cinco dias de quarentena, mas não precisam apresentar comprovante de vacinação. A decisão acontece no momento em que Jair Bolsonaro volta a atacar as instituições, principalmente a Suprema Corte e adversários políticos. O ocupante do Palácio do Planalto mostrou irritação durante as discussões sobre o passaporte da vacinação, reclamou da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) com termos chulos e voltou a desferir críticas públicas contra o STF (Supremo Tribunal Federal). Na decisão de Barroso, que atende a um pedido do partido Rede Sustentabilidade, ele entende que há urgência para o tema em razão do aumento de viagens no período que se aproxima e pelo risco do Brasil se tornar um destino antivacina. “O ingresso de militantes de viajantes no país, a aproximação das festas de fim de ano, de eventos pré-carnaval e do carnaval próprio, aptos a atrair grande quantitativo de turistas, ea ameaça de se promover um turismo antivacina, dada a imprecisão das normas que sua comprovação, configuram o inequívoco risco iminente, que autoriza o deferimento da cautelar “, disse Barroso na decisão. Na ação, a Rede pediu que o governo federal adotasse medidas recomendadas pela Anvisa para o ingresso no país a fim de conter a disseminação da Covid-19. A decisão deve será enviada para referendo em uma sessão extraordinária do Plenário Virtual da Corte.

A união entre Lula e Alckmin, se sacramentada, será o lance mais surpreendente da eleição

Geraldo Alckmin almoçou na última terça-feira, 30 de novembro, em um restaurante de São Paulo, o Figueira Rubaiyat. À mesa, havia três senhores com idades aparentemente próximas à dele, 69 anos. Um advogado conhecido do ex-governador chegou ao restaurante para uma confraternização de fim de ano e o cumprimentou. Estava acompanhado de colegas de profissão pertencentes ao grupo Prerrogativas e por um deputado federal do PT, o gaúcho Paulo Pimenta. Alckmin levantou-se, retribuiu o gesto e cumprimentou o deputado. Tudo formal, segundo Pimenta. Alckmin é um tucano histórico, e três dias antes o PSDB escolhera um candidato a presidente para provavelmente enfrentar Lula e Jair Bolsonaro em 2022, o governador João Doria Jr. Uma testemunha da cena sentiu, porém, algo diferente no ar. Uma certa “efusividade”. A decisão tucana de lançar Doria não significa lá muita coisa para Alckmin. Ou melhor, significa, mas não por ter agora um presidenciável de estimação. Há tempos Alckmin sopra por aí que deixaria o PSDB após as prévias. Doria era o favorito nelas e, embora tenha entrado na carreira política pelas mãos do ex-governador, traiu-o sem pestanejar, tomou-lhe o tucanato em São Paulo e, agora, admite no máximo apoiar o ex-padrinho para uma vaga ao Senado no ano que vem. Ao Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista, nem pensar. Seria correr o risco de levar o troco pela traição e perder o controle partidário estadual. Após fracassar na corrida presidencial de 2018, quando conseguiu menos de 5%, pior desempenho do PSDB desde o surgimentos da sigla em 1988, Alckmin imaginava ressurgir com outra candidatura a governador. Seguiria seu rumo após as prévias. DIZ MIGUEL TORRES, DA FORÇA SINDICAL: “FICOU CLARO QUE E ACEITA” Na sexta-feira 26 de novembro, véspera de Doria triunfar nas prévias, Alckmin havia recebido um telef do presidente da Federação dos Químicos do Estado de São Paulo, Sérgio Luiz Leite, o Serginho. Fora convidado para conversar na segunda-feira 29 com os presidentes de quatro centrais sindicais (Força CTB e Nova Central), na federação. Concordou no ato, reação interpretada como encorajadora pelos sindicalistas. Estes queriam sondá-lo sobre uma ideia que circula discretamente desde meados de no Toparia ser vice de Lula? Seus anfitriões aprovam a dobradinha e o que ouviram a portas fechadas os excitados. Alckmin expôs uma visão nacional, de quem está de olho em Brasília, não em São Paulo. “F claro que ele aceita ser vice do Lula”, diz Miguel Torres, da Força. Eis por que, no almoço do dia seguin havido “efusividade” do (ainda) tucano. Aliados dele no ninho têm impressão similar à dos sindicalistas. Um deputado federal do PSDB paulis comenta reservadamente em Brasília que o ex-governador está “animado” com a ideia de concorrer a apesar de guardar silêncio. “Geraldo é um político diferente. Faz política parado”, afirma. Até a conclus desta reportagem, na quinta-feira 2, Alckmin tinha dado uma única declaração pública sobre o assunt em 12 de novembro, depois de participar da gravação de um reality show de Márcio França, do PSB, s último vice-governador e peça-chave do enredo. “Já disseram que eu vou ser candidato a senador, a governador, a vice-presidente. Vamos ouvir. Fico muito honrado com a lembrança do meu nome.” E Lula, encara a parceria? Decididamente, sim. Horas antes do encontro fortuito entre Alckmin e Pime tinha dado uma entrevista à Rádio Gaúcha e sido inquirido a respeito. “O Alckmin foi um governador responsável aqui em São Paulo. Ele está numa definição de partido político. Nós estamos num proces conversar, vamos ver, na hora em que eu definir ser candidato ou não, se é possível a gente construir u aliança política. Eu preciso primeiro saber qual é o partido em que Alckmin vai entrar, ele não decidiu. seguinte: eu quero construir uma chapa para ganhar as eleições e para mudar outra vez a história des Na recente viagem à Europa, também fora indagado e piscara para Alckmin. “Não há nada que aconte entre mim e o Alckmin que não possa ser reconciliado.” Recorde-se: Lula disputou a reeleição em 200 Alckmin, sob o signo do dito “mensalão”. O tucano conseguiu a proeza de ter 2,4 milhões de votos a m no segundo turno do que no primeiro. A união entre os dois, se sacramentada, será o lance mais surpreendente de uma futura campanha qu nitidez. Enquanto Alckmin almoçava no Figueira Rubaiyat, em Brasília Bolsonaro filiava-se ao PL de Va Costa Neto, um dos símbolos do “Centrão”, a fim de concorrer a um novo mandato. “Centrão” que, reg estivera na coligação presidencial do tucano em 2018. O ex-juiz Sergio Moro aderiu ao partido Podem fazer política sem toga (com toga já fazia) e, hoje, achega-se a militares cansados de Jair e que não q Lula e o PT novamente no Palácio do Planalto, caso do general da reserva e ex-ministro Carlos Alberto Santos Cruz. Doria é o competidor do PSDB, por ora. Ciro Gomes, o do PDT. Um casamento entre Lula e Alckmin não é simples. Há senões de parte a parte, situação que tende a empurrar o desfecho da novela. O tucano guarda silêncio por uma questão de personalidade, aquele j sério, circunspecto, tímido também por razões políticas. O PSDB paulista é a oligarquia regional mais do Brasil. Está no poder desde 1995. Alckmin é a face da hegemonia. Nas três vezes em que concorre vitoriosamente ao Bandeirantes, duelou em duas com um petista (José Genoino, em 2002, e Aloizio Mercadante, em 2010) e, na terceira, o PT era do pelotão de frente (Alexandre Padilha, em 2014). Vai p muro e arriscar-se a perder o eleitorado? “Não é uma costura tranquila para ele”, anota um petista que acompanha as negociações.   Se pular o muro, seu destino provável seria o PSB, embora o PSD de Gilberto Kassab seja também um opção. O PSB apoiou os governos de Lula, afastou-se do PT na era Dilma Rousseff e até apoiou o impeachment dela, mas se dispõe a uma reconciliação. Este ano, filiou o lulista governador do Maran Flávio Dino, ex-PCdoB, e o deputado federal

STF abre inquérito contra Bolsonaro por fake news sobre vacinação e Aids

O presidente difundiu uma notícia falsa associando a vacinação contra a Covid-19 ao risco de desenvolver Aids em um vídeo que foi posteriormente retirado pelas redes sociais O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou nesta sexta-feira (3) a abertura de um novo inquérito contra o presidente Jair Bolsonaro por difundir uma notícia falsa associando a vacinação contra a Covid-19 ao risco de desenvolver Aids em um vídeo que foi posteriormente retirado pelas redes sociais. A decisão de Moraes atende a um pedido da CPI da Covid, que acusa Bolsonaro de crimes graves durante a pandemia, e se junta a outros cinco inquéritos que o presidente é alvo no STF e na justiça eleitoral, por enquanto sem resultados. O alvo deste novo inquérito é uma declaração falsa feita por Bolsonaro durante uma live realizada em outubro passado, na qual citava supostos relatórios oficiais do governo britânico que “sugeriam” que aqueles totalmente vacinados contra os coronavírus estão desenvolvendo a Aids “muito mais rápido do que o previsto”. A informação foi negada pelo governo britânico no serviço de checagem de fatos da AFP e pela Sociedade Brasileira de Doenças Infecciosas, entre outras entidades médicas. O vídeo foi removido do Facebook, Instagram e YouTube, sendo que esta plataforma também decidiu suspender o canal do Bolsonaro por uma semana. Os senadores também pediram na época a suspensão do acesso de Bolsonaro às suas contas no Facebook, Instagram, YouTube e Twitter até novo aviso. A ação do presidente “faz uso do modus operandi de esquemas de divulgação em massa nas redes sociais, revelando-se imprescindível a adoção de medidas que elucidem os fatos investigados”, escreveu o juiz em sua decisão. Em agosto, o STF decidiu investiga o presidente da República por crimes de “calúnia” e “incitação ao crime”, por conta de suas denúncias sem qualquer tipo de prova sobre fraudes nas urnas eletrônicas usadas nas eleições. Além disso, o STF também abriu inquérito sobre a interferência de Bolsonaro na Polícia Federal nas investigações relacionadas a seus familiares, se prevaricou ao não denunciar tentativa de compra fraudulenta da vacina indiana Coxavin e se infringiu a lei ao revelar nas redes sociais, Boletim de Ocorrência sobre suposto ataque ao sistema eleitoral, que estava em sigilo sumário. Se o Ministério Público encontrar provas contra o presidente da República nessas investigações, deve pedir ao STF que abra processo contra o presidente. Mas, para isso, o mais alto tribunal deve obter a aprovação de dois terços da Câmara dos Deputados. Nesse caso, Bolsonaro ficaria afastado de suas funções por seis meses, durante o julgamento. Mas esse cenário parece improvável, tendo em vista que o presidente é considerado próximo ao procurador-geral da República, Augusto Aras, e tem uma base consistente de apoio no Congresso. AFP

Papelão: Pacheco recua e manda relator informar autores de emendas

Algum passarinho deve ter contado a Rodrigo Pacheco que viria, semana que vem, uma decisão dura do STF diante da chicana, encontrada por ele e por Arthur Lira, para manter escondida a autoria das chamadas “emendas de relator”, dizendo que “não havia” documentação sobre a liberação de alguns bilhães de reais, como se isso fosse possível. Tão absurda era a justificativa que, no mesmo dia, foi desautorizada pela consultaria do Senado e, agora, desmontada pela própria comunicação de Pacheco ao STF, dizendo que determinou ao relator do Orçamento deste ano, Márcio Bittar (MDB-AC), que prepare as informações ao Supremo. Durou bem pouco a imagem de independência de Pacheco, que em setembro ainda provocava a ira dos bolsonaristas ao defender o STF – no qual Bolsonaro queria “enquadrar” ministros, abalada pelas manobras com o “orçamento secreto” e desafiada por Arthur Lira ao “fatiar” a PEC dos Precatórios, colocando no freezer as importantes modificações feitas pelo Senado no texto, para que o presidente do Senado precisa anuir. Rodrigo Pacheco, a quem comparo sempre com “macarrão sem sal e sem molho”, tanto quanto sua insossa candidatura presidencial, azedou. Via Tijolaço

Orçamento secreto: Congresso recua e diz que cumprirá decisão do STF

Presidente do Congresso se comprometeu a revelar os nomes dos parlamentares que fizeram as indicações das emendas ao orçamento O presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), recuou e afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (3/12), que cumprirá a decisão da Corte e trabalhará para ampliar a transparência no pagamento das emendas de relator-geral (RP-9), as quais deram origem ao orçamento secreto. A manifestação foi encaminhada pela Advocacia-Geral do Senado, em nome de Pacheco, à ministra Rosa Weber, relatora da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que resultou na suspensão do pagamento das emendas. Na peça, o parlamentar compromete-se a fazer as adequações no texto legislativo que versará sobre o orçamento, cuja relatoria compete ao senador Márcio Bittar (PSL-AC). O ofício, no entanto, não especifica como ocorrerá a publicidade das emendas e quando as medidas entrarão em vigor.

Plenário do Senado aprova e André Mendonça é o novo ministro do STF

Indicado por Jair Bolsonaro como “terrivelmente evangélico”, André Mendonça teve seu nome aprovado pelo plenário do Senado por 47 votos a favor e 32 contra Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (1°), por 47 votos a 32, o advogado e pastor presbiteriano André Mendonça para ocupar a vaga deixada pelo ministro Marco Aurélio Mello no Supremo Tribunal Federal. A votação superou as previsões de que o indicado poderia passar “raspando”. Ele precisava da maioria absoluta, 41 votos dos 81 senadores. “Estou muito feliz de estar aqui nesta tribuna neste dia histórico”, disse a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), relatora da indicação. Segundo ela, o processo foi histórico por ter sido a primeira vez que uma mulher relatou uma indicação ao STF. O parecer da parlamentar – antes aprovado na Comissão de Constituição e Justiça – foi francamente favorável ao “terrivelmente evangélico” André Mendonça. Eliziane também é evangélica. Em pronunciamento na tribuna, pouco antes do anúncio do resultado pelo presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a relatora defendeu enfaticamente a aprovação de André Mendonça. Segundo ela, ficou “muito claro e patente” que o indicado tem todas as “condições técnicas” para ocupar o cargo no STF. “Ninguém pode ser vetado pela sua condição religiosa, como também não é critério para ser indicado ao STF”, pregou Eliziane. Na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado (CCJ), o nome do advogado e pastor havia sido aprovado por 18 votos a favor e nove contra. Algumas expectativas de que a sessão da comissão seria tensa não se confirmaram. Ao contrário, a reunião foi morna. Mesmo a inquirição mais assertiva e crítica do senador Fabiano Contarato (Rede-ES) terminou com o parlamentar amistosamente abraçando e dando tapinhas nas costas do indicado ao STF por Bolsonaro. Ainda na comissão, o senador Omar Aziz (PSD-AM) saudou Mendonça, a relatora (“evangélica e mulher”) Eliziane Gama, pastores evangélicos e encerrou o discurso: “Abaixo de Deus só o STF, no Brasil”. A sabatina do pastor e advogado Mendonça se transformou em uma novela de quatro meses e meio. Bolsonaro o indicou no dia 13 de julho. Desde então, o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre (DEM-AP), se recusou a pautar a inquirição na comissão. No período, o senador se valeu de evasivas e subterfúgios. Por fim, muito pressionado, acabou cedendo. Alcolumbre era abertamente contrário a Mendonça no STF. Mendonça é o segundo nome indicado por Bolsonaro e aprovado para o STF. O primeiro, Nunes Marques, tem adotado posições francamente favoráveis ao chefe do governo.

O papel do Brasil no pontificado de Francisco – Por Mirticeli Medeiros*

Papa Francisco em encontro com populações indígenas em visita ao Brasil (AFP) De Aparecida para Roma: o documento-base do programa de governo do papa argentino que culminou numa reforma universal Foi no nosso país que o papado de Francisco começou, podemos assim dizer. No dia 13 de março de 2013, data da eleição do primeiro pontífice latino-americano da história, Jorge Mario Bergoglio, testemunhamos a coroação de um projeto. E não estamos falando de um complô para eleger um “papa progressista” nem de outras baboseiras conspiratórias que surgem por aí. Chamamos a atenção para um modelo de Igreja, que começou a ser plasmado em Aparecida, e chegou a Roma através da escolha de Francisco. Os cardeais reunidos no conclave, naquele ano, provaram que a mensagem de Aparecida poderia perfeitamente ser proposta para o resto do mundo, pois os diagnósticos levantados, no fim das contas, refletiam muito mais a realidade do catolicismo em geral que de um território específico. Basta lembrarmos que Bento XVI, naquela época, já falava sobre a necessidade de uma nova evangelização. E se falamos de ‘nova evangelização’, nas entrelinhas admite-se que a catequese precisa ser renovada dentro de um cenário no qual o cristianismo, cada vez mais, perde espaço. E por que perde espaço? Porque a essência da fé cristã se reduziu a puro ritualismo? Porque os cristãos não difundem o amor pregado por Cristo? A religião tornou-se uma confraria de perfeitos, onde se faz acepção de pessoas? Sem dúvida, são perguntas que ecoam muito antes de Francisco assumir o governo da Igreja. O ano era 2007 e o arcebispo de Buenos Aires, que 6 anos mais tarde passaria a ocupar o trono de Pedro, era o chefe da comissão de redação do documento conclusivo da Assembleia da Conferência Episcopal dos Bispos Latino-Americanos e do Caribe (Celam) Sim, tudo começou na cidade que abriga a imagem da padroeira do país. E isso é muito significativo. Aos pés da santa, os prelados se comprometeram a pensar numa Igreja que não se aparta dos desafios do mundo, mas procura compreendê-los. Foi lá que temas como “ir às periferias existenciais”, a questão ecológica e tantos outros com os quais acabamos nos familiarizando, começaram a ser refletidos com mais força. Havia já, entre os bispos latino-americanos, a preocupação de “humanizar mais” a pastoral católica, de promover o desenvolvimento humano integral e de chegar às pessoas não através pela imposição de uma doutrina, mas pela ‘revolução da ternura’, como o pontífice atual gosta de enfatizar. Como ocorreu no Vaticano II, era hora de pensar numa estratégia pastoral, numa força-tarefa para repropor o cristianismo numa sociedade que não quer mais saber dele. E essa é a parte que nos toca. A América Latina, tanto aos olhos de Roma, como de quem realmente acompanha o movimento que ocorre na Igreja nos últimos anos, é vista como o território onde o Concílio Vaticano II teve maior repercussão. Não que, entre nós, tudo ocorra da maneira mais perfeita possível, mas é certo que existe uma sensibilidade maior frente às propostas levantadas pela última grande assembleia ecumênica da história. Basta vivermos na Europa para constatarmos isso. Não à toa, o último sínodo, que já é considerado uma continuação do Vaticano II, conta com muitos latino-americanos na sua comissão teológica. Aparecida, portanto, volta e meia volta a ser reproposta. É o que anda acontecendo, por exemplo, na assembleia geral do CELAM. O documento dos “discípulos e missionários” ainda é, para os latino-americanos, uma lista de diretrizes que deverá, volta e meia, ser revisitada. É aquele aquele livro de cabeceira do qual nunca a gente nunca pode se apartar. A primeira viagem internacional de Francisco – por doce ironia do destino, ou não – foi justamente ao Brasil, em 2013. No nosso país, sabendo que falaria ao mundo, que naquele momento era representado por milhões de jovens, o santo padre fez um “evangelii gaudium” muito antes de lançar um documento com o mesmo nome. Disse sobre a necessidade de haver bispos com cheiro de ovelha. Falou da igreja que “não tem medo de se sujar” para ir ao encontro das pessoas. Uma nova visita ao Brasil, por parte do pontífice, não está completamente fora de cogitação. Ele disse que poderia fazer isso antes de ir à sua terra natal, Argentina. Será que ele vai voltar à Aparecida para agradecer a Maria por tê-lo conduzido nesse caminho ousado de instauração de uma reforma, cuja repercussão se sentirá nas próximas décadas? É o que vamos ver. *Mirticeli Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália Via Dom Total

Justiça Eleitoral aceita denúncia contra líder de Bolsonaro por esquema de propina

A Justiça Eleitoral no Paraná aceitou denuncia e colocou o deputado Ricardo Barros, líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara, e outras quatro pessoas no banco dos réus em razão de suposto esquema de pagamento de propinas e lavagem de dinheiro envolvendo contratos da Companhia Paranaense de Energia (Copel). De acordo com as investigações, Barros teria recebido R$ 5 milhões para ‘influenciar nos interesses’ da Copel e ‘auxiliar’ na negociação de duas empresas do setor de energia eólica da Galvão Engenharia. Os pagamentos teriam ocorrido tanto em espécie quanto em doações eleitorais direcionadas ao Partido Progressista. As apurações indicam ainda que o esquema teria ocorrido entre 2011 e 2014, quando Barros era Secretário Estadual de Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul no governo de Beto Richa. Barros também foi ministro da Saúde do governo Temer, além de prefeito de Maringá. As investigações que culminaram na denúncia oferecida pela Promotoria paranaense tiveram início a partir da remessa de peças por parte do Supremo Tribunal Federal, em novembro de 2019 decorrentes da colaboração premiada fechada de Jean Alberto Luscher Castro e Eduardo de Queiroz Galvão no bojo da Operação Lava Jato. O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público do Paraná chegou a deflagrar uma fase ostensiva das apurações, em setembro de 2020, quando foi cumprido mandado de busca e apreensão no escritório de Barros em Maringá, a 430 km da capital Curitiba. Em fevereiro deste ano, a investigação foi remetida à Justiça Eleitoral por ordem do Tribunal de Justiça do Paraná. A corte estadual acolheu pedido de Barros, que foi chancelado pela Procuradoria de Justiça. A avaliação foi a de que havia ‘robustos elementos’ sobre suposta prática de falsidade ideológica eleitoral, o caixa-dois. Com a palavra, Ricardo Barros Quero repudiar o fato de a denúncia ter sido protocolada exatamente no dia 3/11, quando estava na pauta a votação na Câmara da PEC 5 que desinteressa o Ministério Público pois alterava a composição do Conselho Nacional do Ministério Público. Auditorias independentes realizadas mostraram ausência de dano ao erário na compra do parque eólico. O próprio delator reconhece que a venda foi abaixo do preço. Não houve tráfico de influência. Depósitos citados pelo Ministério Público são lícitos e estão declarados no meu imposto de renda ou das minhas empresas. As aquisições também estão declaradas. A doação eleitoral oficial da Galvão ao diretório nacional do PP foi lícita e espontânea. Os valores foram distribuídos a vários candidatos que concorreram na eleição de 2014. A mim, foi destinado menos de 20 % do valor total, como reconhece o próprio MP eleitoral. Por fim, a denúncia não se sustenta. Repudio o ativismo político do MP, o vazamento de informações sigilosas e a criminalização das doações oficiais. Provarei mais uma vez a minha boa fé, como já provei em outras acusações do Ministério Público. Agencia Estado

Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou: “a história não para com esse processo”

Reveja o vídeo em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que hoje lidera todas as pesquisas, prevê a candidatura Moro, ao ser inquirido pelo ex-juiz parcial Ao ser questionado pelo ex-juiz condenado por parcialidade pelo Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva previu que Sérgio Moro um dia seria candidato a algum cargo público e vaticinou: “a história não pára com esse processo”. Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou: "no dia em que o senhor for candidato, o senhor vai usar muita força de expressão", disse Lula em depoimento a Sergio Moro, já prevendo a candidatura do ex-juiz e ex-ministro de Bolsonaro. pic.twitter.com/cvjdioVURC — gente de mal (@gentedemal) November 11, 2021 Lula disse ainda que a história julgaria os abusos cometidos pelo ex-juiz, que vem sendo assessorado pela Rede Globo, que lhe empresta até uma fonoaudióloga para tentar salvar sua voz. Confira: