The Intercept precisa entrar em campo para desvendar a corrupção de Moro

O nova-Iorquino, advogado e jornalista investigativo, Glenn Greenwald precisa novamente entrar em campo. Foi ele que se tornou uma figura fundamental quando liderou uma equipe que revelou o escândalo que sacudiu o Brasil, mostrando a farsa do ex-ministro de Bolsonaro, Sergio Moro, que condenou, sem prova, o ex-presidente Lula à prisão. De lá pra cá, todos nós sabemos o fim da história. O STF declarou Moro suspeito e Lula foi solto e absolvido de todos os processos arquitetados pela dupla Moro e Dallagnol, que montou a farsa da Lava Jato para golpear Dilma e eleger Bolsonaro, perseguindo os partidos de esquerda e suas lideranças, especialmente Lula e o PT, além dos movimentos populares. Agora, é preciso que Glenn Greenwald e sua equipe entre em campo novamente apurar o escândalo da Alvarez & Marsal, que a mídia corporativa esconde. Esta mesma mídia que criou e aplaudiu o personagem Moro, uma vez que a tal Operação Lava Jato não existiria sem a mídia corporativa brasileira e a adesão dos donos destas mídias, de seus comandos editoriais e de diversos jornalistas tornou-se uma referência de como o jornalismo pode ser destruído para estar a serviço da perseguição política -no caso, ao PT, à ex-presidenta Dilma Roussef e especialmente ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois da completa derrota da narrativa lavajatista deste segmento da imprensa, o país assiste agora à derrocada final do chefe da operação, o ex-juiz Sergio Moro, condenado como juiz suspeito e por práticas ilegais na 13ª Vara de Curitiba. Sabe-se agora que parte do butim pelo serviço foram R$ 3,7 milhões de reais em dez meses de 2021, uma receita de nada menos que R$ 10 mil reais por dia, recebidos da empresa Alvarez & Marsal, justamente a empresa que lucrou com a quebra de empresas brasileiras por meio de decisões da Lava Jato.
Sob Bolsonaro, Brasil piora no ranking da corrupção

O Brasil caiu duas posições no ranking mundial da corrupção, segundo o levantamento da Transparência Internacional divulgado nesta terça-feira (25/01). Entre 180 países analisados, o Brasil passou a ocupar a 96ª colocação no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) no ano passado. Em 2020, estava na 94ª posição. A ONG cita o presidente Jair Bolsonaro – junto com Nayib Bukele, de El Salvador, – como chefe de governo latino-americano que se elegeu prometendo combater a corrupção mas, contrariando as próprias promessas, “essas figuras populistas não fizeram progressos no controle da corrupção, mas sim adotaram medidas antidemocráticas e regressivas que violam os direitos das pessoas.” A Transparência Internacional cita o Brasil como um dos países das Américas onde a corrupção está minando a democracia e os direitos humanos. “Ao longo de 2021, a região testemunhou graves ataques às liberdades de expressão, imprensa e associação, direitos civis e políticos fundamentais necessários para construir democracias saudáveis e livres de corrupção.” De acordo com a Anistia Internacional, o Brasil é um dos países latino-americanos – assim como Venezuela, El Salvador e Guatemala, por exemplo – cujos “governos usaram intimidação, difamação, notícias falsas e ataques diretos contra organizações da sociedade civil, jornalistas e ativistas – incluindo aqueles que combatem a corrupção – como uma forma de desacreditar e silenciar os críticos”. Terceira pior nota brasileira O IPC é elaborado desde 1995 com base na análise de dados, pesquisas e avaliações de especialistas. Em 2012, o índice passou por um revisão metodológica, que permitiu traçar uma comparação histórica a cada ano. Numa escala de 0 a 100 pontos, o Brasil alcançou 38 pontos. Esta foi a terceira pior nota da série histórica, repetindo a pontuação registrada na edição anterior do IPC. O desempenho deixa o país abaixo da média global, que é de 43 pontos, e abaixo da média regional da América Latina e Caribe (41 pontos). O Brasil também fica abaixo da média do Brics (grupo de países formados por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que foi de 39 pontos, e inferior à do G20, grupo formado pelas 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia, que teve 54 pontos. As maiores pontuações foram alcançadas por Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia (os três países com 88 pontos). Logo depois, estão Noruega, Cingapura e Suécia (85 pontos). Já as piores avaliações do ponto de vista mundial ficam com Venezuela (14 pontos), Somália e Síria (13 pontos) e Sudão do Sul (11 pontos). Corrupção gera violação de direitos humanos Em seu relatório, a Transparência Internacional afirma que o aumento da corrupção provoca diretamente um crescimento nas violações de direitos humanos e enfraquecimento da democracia no país afetado. “A corrupção possibilita violações de direitos humanos, dando abertura a uma espiral perversa e desenfreada. À medida que os direitos e as liberdades vão se erodindo, a democracia entra em declínio, dando lugar ao autoritarismo, que, por sua vez, possibilita níveis maiores de corrupção”, alerta o texto. A pontuação do Brasil em 2021, de 38 pontos, foi a mesma do ano anterior. A queda em duas posições ocorreu devido à melhoria no índice obtida por outros países. A melhor pontuação brasileira foi em 2012 e 2014, com 43 pontos, quando o Brasil esteve no 69º lugar. Entre 2014 e 2018, já havia despencado para o 105º lugar, e, em 2019, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, o país caiu ainda mais, para a posição 106, a pior na série histórica.
Morre de covid, o reacionário guru de Bolsonaro. Ele era antivacina

Oito dias depois de testar positivo para Covid, Olavo de Carvalho morre, aos 74 Morreu o escritor e influenciador Olavo de Carvalho, aos 74 anos, em um hospital de Richmond, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, onde estava internado. De acordo com a nota oficial divulgada pela família, o óbito ocorreu na noite da última segunda-feira (24). A causa da morte, porém, não foi divulgada oficialmente. O que se sabe é que no último dia 15 o próprio Olavo afirmou a seguidores, que fariam um de seus cursos, que foi infectado pelo novo coronavírus (Covid-19). Ele era antivacina. “Que Deus o perdoe”, diz filha, ao saber da morte de Olavo de Carvalho Brigada com o pai, guru do bolsonarismo, Heloísa de Carvalho afirmou que comemorar a morte de qualquer pessoa é “atestado de total falta de humanidade” Por Leonardo Meireles, Metrópoles – Filha de Olavo de Carvalho, Heloísa de Carvalho lamentou nas redes sociais a morte do pai, deixou mensagens críticas ao escritor, mas também afirmou que “comemorar a morte de qualquer pessoa é assinar o atestado de total falta de humanidade”. Em uma das postagens, ela também pediu que Deus perdoasse todas as “maldades” que o pai cometeu. Olavo de Carvalho morreu na noite desta segunda-feira (24/1), madrugada no horário brasileiro, em um hospital na região de Richmond, no estado norte-americano da Virgínia. Ele estava internado com problemas de saúde. Na nota do perfil do escritor, não há menção sobre a causa do falecimento dele. Entretanto, Olavo anunciou no último dia 16 que estava com Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Leia a íntegra no Metrópoles.
Ministra Rosa Weber envia à PGR ação contra Bolsonaro e Queiroga

Governo preferiu fazer consulta pública o assunto, ao invés de incluir crianças no plano de vacinação contra a Covid depois de autorização da Anvisa Do Conjur – A Procuradoria-Geral da República deverá se manifestar sobre notícia-crime por prevaricação contra o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, por não terem incluído crianças no plano de vacinação contra a Covid mesmo depois de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em vez disso, o governo resolveu fazer uma consulta pública sobre o assunto. A notícia-crime foi apresentada pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e pelo secretário de Educação do Rio de Janeiro, Renan Carneiro, em dezembro último. “Determino a abertura de vista dos autos à Procuradoria-Geral da República, a quem cabe a formação da opinio delicti em ações penais de competência desta Suprema Corte, para manifestação no prazo regimental”, escreve a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, relatora da ação. Na ação, os dois parlamentares e o secretário pedem que seja considerado o provável cometimento do crime de prevaricação, tipificado no artigo 319 do Código Penal, diante de recusa da inclusão de crianças com idade entre cinco a onze anos no público-alvo para vacinação contra Covid-19. Segundo a petição, logo depois do anúncio da Anvisa de que havia autorizado a imunização infantil, o presidente Jair Bolsonaro chegou a anunciar, em sua live semanal pelas redes sociais, que iria solicitar e tornar públicos os nomes dos técnicos da agência reguladora responsáveis pela autorização. Além disso, o mandatário disse que a vacinação dependeria de autorização dos pais e o governo anunciou, em seguida, a promoção de uma audiência pública sobre o tema.
O Estado de São Moro – Por Fernando Brito, via Tijolaço

Reacionário e direitista, o Estadão sempre foi. Pretensioso, também. Mas, agora, adotou também a covardia como linha editorial. Como seu “santo do pau oco”, Sérgio Moro, atrai uma rejeição imensa nas pesquisas, quer fazer sua campanha sem citar-lhe o nome. E, enquanto o país se debate com um governo que nos afunda numa crise (não é exagero dizer, como se verá no próximo post) humanitária, leva para sua capa um vergonhoso editorial “O mal que Lula faz à democracia”. Claro que não se esperava do jornal, nem mesmo com o país à matroca, que o Estadão fosse adotar, em nome de razões maiores, que o ex-presidente, embora não de seu agrado, é a alternativa para deter o processo de crise e de balbúrdia institucional em que mergulhamos, ao ponto de vermos, em plena pandemia, dirigentes do Ministério da Saúde ainda mentindo sobre a vacina e referendando o charlatanismo da cloroquina. Mas, ao dizer que “Lula nunca tratou bem a democracia brasileira”, o jornal parte para a mentira, vociferada com ódio, à mesma moda do bolsonarismo de plantão e do “não tenho provas, mas tenho convicção”. Lula amargou cadeia por exercer seu papel de líder sindical, nos anos 70, ainda sob a Lei de Segurança Nacional da ditadura que censurava o Estadão; perdeu e acatou o resultado de eleições, pacificamente, em 1989, 1994 e 1998; chegou ao poder sem perseguir ninguém e, durante seu exercício, nunca tentou qualquer manobra autoritária contra os outros poderes, nem mesmo quando era seu governo o investigado; recusou o movimento por um terceiro mandato, quando os 87% de popularidade que tinha davam a ele todas as condições de aprovar esta possibilidade no Congresso, como antes Fernando Henrique aprovara a reeleição. Por fim, pode-se dizer que desrespeita o Estado de Direito que, mesmo ante uma sentença reconhecida como injusta, submete-se a 580 dias de cárcere, sem apelar para o exílio internacional que não lhe faltaria e se recusando, até, a reconhecer a punição optando por uma tornozeleira eletrônica e a uma prisão domiciliar que se lhe ofereceu, para provar sua inocência? Se Lula jamais investiu contra a democracia no campo político institucional, mais do que qualquer outro trabalhou para aprofundá-la, ainda que modestamente, no campo econõmico social. Elevou o emprego, o salário, a renda e a qualidade de vida da população mais pobre, da classe média e, até, dos privilegiados deste país. Saneou as contas públicas e obteve superávit primário ao longo de seus dois mandatos, inclusive no período 2008/2009, na crise mundial que ameaçou arruinar o mundo. Liquidamos a dívida pública externa, nos tornamos credores do FMI e acumulamos mais de US$ 300 bilhões em reservas internacionais que, até hoje, nos livram da insolvência cambial. Viramos a 6ª economia do mundo e agora somos a 11ª, e ladeira abaixo por conta de crescimentos muito menores que a média do planeta. Reconhecer estes fatos, tranquilize-se o centenário jornal, não é ser “lulopetista”. Apenas reconhecer verdades, do que não está eximido um jornal por mais que discorde da atenção de Lula ao que chamam de “patuléia”. Assim como não anistia suas responsabilidades pela eleição deste traste presidencial, ao dizer que era “uma escolha muito difícil” decidir se um ex-capitão de trajetória, esta sim, de desrespeito à democracia poderia merecer o voto dos brasileiros. O jornal, porém, não poderia esconder dos seus leitores a admissão de que tem um candidato às eleições de outubro e que deve, quanto a ele, dizer se faz bem ou mal à democracia. Faz bem à democracia que um juiz cujas decisões – ilegais, como reconheceu o STF – tenham influído no resultado das eleições e que, ato contínuo, aboleta-se num cargo de ministro? Faz bem à democracia que este já ex-juiz, defenestrado do cargo em meio até hoje não explicadas supostas pressões sobre a condução da Polícia Federal, para proteger a prole presidencial, vá se tornar “managing director” de uma multinacional que cuida, a peso de ouro, da administração judicial das empresas quebradas pela Lava Jato? Faz bem à democracia que um pretendente à Presidência diga que o dinheiro que ganhou nesta relação é privado e que “ninguém tem nada com isso”, quando se trata de um negócio empresarial que se dá por designação de um juiz – portanto, do poder público – de um administrador das massas empresariais em recuperação, que é pública e não privada, pois está sujeita a controles do Estado? O Estadão fez muitas campanhas políticas e ninguém espere que não atuará nesta. Mas se excede os limites das razões política e passa a fazer acusações de autoritarismo e pouco apreço às instituições a quem jamais investiu contra elas, o jornal passa a viver, também, no mundo das “narrativas” fascistoides do bolsonarismo, aquelas mesmas que viam um exército de comunistas chineses às nossas fronteiras, prontos a aqui implantar o comunismo. Como o jornal não assume que apoio Moro e nem o menciona, parece que está diante, agora sim, de uma “escolha muito difícil”: ou embarca no pedalinho do ex-juiz que anda a deriva ou vai de Bolsonaro mesmo. Se é para ser assim, recomenda-se que o Estadão passe logo à história das mamadeiras e chame o foragido Allan dos Santos para editar o jornal.
Paulo Marinho prevê prisão da família Bolsonaro em 2023

Empresário, que chegou a coordenar a campanha de Bolsonaro, diz agora que seu “consolo” é que “a família presidencial vai para cadeia” no ano que vem O empresário Paulo Marinho prevê a prisão da família Bolsonaro em janeiro de 2023. Em postagem no Twitter, ele diz que seu “consolo” é que no início do ano que vem “a família presidencial vai para cadeia”. Marinho, que foi coordenador da campanha de Jair Bolsonaro à presidência em 2018, mas depois virou opositor do político, resgatou também em postagem no Twitter um episódio envolvendo Gustavo Bebianno, trazido à tona pela revista Veja. Confira abaixo: https://twitter.com/PauloMarinhoRio/status/1485360256922361864?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1485360259157958660%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es2_&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.brasil247.com%2Fbrasil%2Fpaulo-marinho-preve-prisao-da-familia-bolsonaro-em-2023-u0du3coe Meu consolo: em Janeiro de ‘23 Jacaré retorna para o anonimato e a família presidencial vai para cadeia.
Eleição 2022 – Ciro Gomes lança pré-candidatura à presidência pelo PDT

Ciro inicia sua quarta candidatura à presidência. Em 1998, ele concorreu pelo PCB, e em 2002 e 2018, pelo PDT – Ciro foi terceiro colocado nas eleições presidenciais de 2018 O ex-governador do Ceará Ciro Gomes foi confirmado nesta sexta-feira como pré-candidato do PDT para as eleições presidenciais de outubro, uma disputa que tem como favoritos o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o atual, Jair Bolsonaro. Terceiro colocado nas eleições presidenciais de 2018, com 12,5% dos votos, Ciro, 64, é líder do PDT, que no passado aliou-se ao PT de Lula. Ele é um dos candidatos de centro que aspiram à presidência, em um ambiente bastante polarizado. “A incompetência de Bolsonaro apenas agravou uma situação que piorava ano após ano” no Brasil, e a pandemia do novo coronavírus “foi potencializada pela política genocida” do governo, disse Ciro após o PDT aprovar sua candidatura, durante convenção nacional em Brasília. Segundo pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha em dezembro, Ciro tem 7% das intenções de voto, muito atrás dos 48% de Lula, que ainda não confirmou sua candidatura, e dos 22% de Bolsonaro, que aspira à reeleição, embora seu índice de popularidade esteja no nível mais baixo. Ex-ministro da Integração Nacional de Lula (2003-2010), Ciro busca se posicionar como o candidato de centro, sob o slogan “A rebeldia da esperança”, com foco no eleitorado jovem. Nessa disputa pela chamada “terceira via”, aparece também o ex-juiz e ex-ministro de Bolsonaro Sergio Moro, com 9% das intenções de voto, e o governador de São Paulo, João Doria, com 4%. Chamando Moro de “lambe-botas de Bolsonaro”, Ciro responsabilizou o ex-juiz por ter favorecido a eleição da extrema direita “ao tirar Lula da disputa eleitoral em 2018”. Ciro inicia sua quarta candidatura à presidência. Em 1998, ele concorreu pelo PCB, e em 2002 e 2018, pelo PDT. Candidato inflamado, que sonha em reorientar a esquerda, Ciro foi governador do Ceará, prefeito de Fortaleza e deputado entre 2007 e 2011. Especialistas consultados pela AFP concordam que, no momento, não há um pré-candidato com perfil que possa superar Lula ou Bolsonaro. AFP
Morre aos 91 anos Elza Soares, símbolo da resistência do povo brasileiro

Elza, a voz contra o autoritarismo: Da casa fuzilada na Ditadura ao ‘Fora, Bolsonaro’ Diva da música brasileira, que morreu nesta quinta-feira (20), era pura resistência. Mulher negra e favelada, ela enfrentou as balas dos militares e puxou o coro de ‘ei, Bolsonaro… vai tomar no cu’ em pleno Rock in Rio Elza Soares era uma mulher que peitava a vida. Sem tempo para lamentos e para temer, a mulher negra e favelada que saiu do subúrbio carioca para ser a diva da música brasileira precisou enfrentar o medo e resistir durante toda sua longa existência. No campo político não foi diferente. Durante uma entrevista ao humorista Fábio Porchat, em 2018, ela revelou um episódio ocorrido durante os tempos sombrios da Ditadura Militar (1964-1985). Elza, ainda que não tenha revelado os motivos, contou que sua casa, no elegante bairro do Jardim Botânico, no Rio, foi metralhada por agentes do regime. Um segurança disponibilizado pelo Botafogo, clube no qual jogava Mané Garrincha, seu marido à época, ficou ferido no braço e um piano que ficava na sala, onde estavam os filhos pequenos, ficou destruído pelas rajadas. Ela e o companheiro precisaram fugir para a Itália, onde foram recebidos por Chico Buarque de Hollanda. “Nós estávamos dentro da casa (na hora do ataque). Eu morava no Jardim Botânico e brincava com as crianças na rua. Depois, entramos e começamos a ouvir um barulho de tiroteio. Minha casa foi toda baleada. Fiquei completamente apavorada por causa dos filhos, das crianças. Eu tinha um piano na sala e o piano foi aberto no meio”, relembrou a artista. Como o programa foi realizado próximo do período eleitoral de 2018, quando a onda conversadora que varreu o país levou Jair Bolsonaro à Presidência, Fábio Porchat perguntou então o que ela pensava das pessoas que pediam uma nova ditadura no Brasil. Elza foi enfática na resposta. “Que horror! Um horror! Ninguém pode dizer isso. Eu ouço o Cazuza… ‘Eu vejo o futuro repetir o passado’. Nada mudou, né?” Passei por tudo isso e acho que a gente tem que ter muito medo. Medo não, coragem. Porque tudo passa”, disparou Elza. Protesto no Rock in Rio Em 2019, para uma multidão que acompanhava sua apresentação no Rock in Rio, um dos maiores festivais musicais do planeta, Elza Soares mandou um recado bem direto a Bolsonaro e, ao final, puxou um coro de “ei, Bolsonaro… vai tomar no cu”. “Esse povo sofrido, que sonha com um lugar melhor para viver. Sonha, mas é preciso acordar, minha gente! Lutar! Gritar, ir para as ruas, aprender a votar! Nós não sabemos. Vamos para as ruas, vamos buscar os nossos direitos. Esse Rio de Janeiro acabado, esse Rio de Janeiro completamente distorcido. Cadê o povo? Cadê a voz da gente? Cadê as mulheres? Somos faladeiras, vamos falar até não aguentar mais”, gritou a musa, puxando a multidão para as palavras de ordem contra o presidente extremista. Na mesma apresentação houve tempo ainda para que ela discursasse em defesa das mulheres e contra a violência de gênero, usando um bordão de protesto contra Bolsonaro bastante conhecido também. “Mulheres, a história agora é outra. Gemer, só de prazer. Chega de sofrer calada! Denuncie, por favor. É 180 (número da Central de Atendimento à Mulher) neles! Machistas não passarão! E não é não!”, disse para o público. Bolsonaro na ONU Na passagem de Bolsonaro por Nova York em setembro do ano passado, para a abertura da 76ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), oportunidade em que o presidente radical deu um show de vexames e incivilidade, se negando a apresentar passaporte vacinal e comendo pizza com a mão no meio da rua, Elza também disparou críticas a ele, desta vez pelas redes sociais. “Ei, psiu, somos sócios da empresa chamada Brasil, sabia? Pois é! Os altos impostos que pagamos bancam viagens luxuosas, hotéis, avião e até pizza em dólar nas ruas de NY. Uma fortuna pra passar vergonha perante o mundo. Queiram ou não, somos patroas e patrões deles. Vamos cobrar!”, escreveu Elza em sua conta no Twitter.
STF determina que MPs estaduais atuem contra pais que não vacinarem crianças

Ricardo Lewandowski, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), resolveu agir contra o negacionismo. Ele determinou, nesta quarta-feira (19), que todos os Ministérios Públicos estaduais e do Distrito Federal atuem contra os pais que não vacinarem seus filhos, de 5 a 11 anos, contra a Covid-19. “Oficie-se, com urgência, aos Procuradores-Gerais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal para que, nos termos do art. 129, II, da Constituição Federal, e do art. 201, VIII e X, do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990), empreendam as medidas necessárias para o cumprimento do disposto nos referidos preceitos normativos quanto à vacinação de menores contra a Covid-19”, destacou o ministro. Lewandowski estabeleceu prazo de 48 horas para os estados responderem alegações da União, a respeito de irregularidades na imunização de crianças. O STF já reconheceu que pais e responsáveis não podem deixar de imunizar filhos e tutelados por convicções filosóficas ou ideológicas. Pedido original da Rede era pela ação dos Conselhos Tutelares O pedido original foi feito pela Rede Sustentabilidade e apontava para que os Conselhos Tutelares exercessem essa função. No entanto, Lewandowski decidiu, sem prejuízo das atribuições dos Conselhos, inserir os MPs na missão de preservar a saúde das crianças. Na Arguição de Descumprimento de Preceitos Fundamentais (ADPFs), a Rede alegou que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) exige que seja “obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias”.
Caso Adélio: Bolsonaro fez reunião secreta com investigadores para tentar culpar esquerda

Desesperado com os resultados das pesquisas de intenções de voto, que mostram sua desidratação, Bolsonaro tenta ressuscitar o episódio da facada e atribuir o atentado aos “comunistas” Em busca de uma nova forma de vincular Adélio Bispo à esquerda, e culpar os “comunistas” pela facada que recebeu em Juiz de Fora (MG), o presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniu com investigadores do caso no Palácio do Planalto no início de dezembro do ano passado. Segundo reportagem de Laryssa Borges na “Veja”, o objetivo do encontro, nunca revelado na agenda presidencial, era pedir que policiais considerassem novas hipóteses de apuração envolvendo Adélio, que esfaqueou Bolsonaro às vésperas do primeiro turno das eleições de 2018. De acordo com a reportagem, no mundo das conspirações bolsonaristas, uma das novas “linhas de investigação” discutidas na reunião de dezembro foi a hipótese de Adélio Bispo ter utilizado um jatinho com um prefixo frio para se deslocar até a cidade mineira e desferir o golpe de faca contra o presidente. Outra conjectura aventada no passado mas agora revisitada por apoiadores presidenciais é a de que o crime teria tido participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) – desta vez o braço paraguaio da facção. Desesperado, Bolsonaro tenta ressuscitar a facada Desesperado com os resultados das pesquisas de intenções de voto, que mostram sua desidratação e a vitória de Lula (PT), Bolsonaro tenta ressuscitar o episódio da facada e atribuir o atentado à esquerda. Recentemente, quando foi internado mais uma vez por obstrução intestinal, ele resgatou sua posição como vítima do “comunista Adélio Bispo”. Esta estratégia já vinha sendo preparada desde antes do Natal. No fim de novembro, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região autorizou a investida contra Zanone Manuel de Oliveira Júnior, um dos advogados de Adélio Bispo, e o delegado Rodrigo Morais Fernandes reabriu o caso. No entanto, pouco depois, ele foi transferido pelo diretor-geral da PF, Paulo Maiurino, para um cargo nos EUA. Fernandes fará parte da força-tarefa El Dorado, que é coordenada pela Homeland Security Investigations (HSI), com sede em Nova York. O delegado, que chegou a ser atacado por Bolsonaro por conta da condução dada por ele às investigações sobre o episódio, concluiu no inquérito policial que Adélio Bispo teria agido sozinho. Tempos depois, o caso foi reaberto e mais uma vez foi definido que o autor da facada não recebeu ajuda de ninguém para cometer o atentado. O caso, ocorrido em Juiz de Fora na tarde de 6 de setembro de 2018, é cercado de mistério e pontos confusos que nunca foram devidamente esclarecidos. O próprio presidente, já depois de eleito, e que tem predileção por atribuir tudo que ocorre à esquerda, nunca questionou os resultados das investigações e até abriu mão de recorrer do arquivamento do caso, uma atitude absolutamente contraditória em relação à sua personalidade punitivista e que a todo custo tenta jogar culpa nos adversários políticos. Carlos Bolsonaro e Adélio Bispo estiveram em clube de tiro no mesmo período Carlos Bolsonaro esteve em clube de tiro no mesmo período que Adélio Bispo, aquele que esfaqueou seu pai. Nova revelação coloca em xeque inúmeras versões da família Bolsonaro sobre o caso. Atentado foi apontado por especialistas como fundamental para a eleição do atual presidente Com base em matérias jornalistas e publicações nas redes sociais, um internauta fez uma apuração individual e levantou novos questionamentos sobre o atentado contra Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha eleitoral de 2018. Algumas informações são tão intrigantes que muita gente custa a crer que possam se tratar de meras “coincidências”. Foi constatado, por exemplo, que Adélio Bispo, o homem que esfaqueou Bolsonaro, esteve nos mesmos dias no mesmo clube de tiros que Carlos Bolsonaro, filho do presidente. Adélio Bispo vivia na cidade de Montes Claros (MG) até 2017, mas em 2018 ele começou a viajar pelo Brasil e chegou até a cidade de São José (SC), Região Metropolitana de Florianópolis. No dia 5 de julho de 2018, Adélio praticou uma hora de tiro esportivo no clube .38. Dois dias depois Carlos Bolsonaro desembarcou na mesma cidade e passou um final de semana inteiro confinado no mesmo clube de tiro, conforme postado pelo próprio vereador em seu Instagram. Foi neste mesmo clube, inclusive, que Carlos se refugiou quando brigou com o pai depois que foi obrigado a retirar do canal do YouTube oficial da presidência um vídeo de Olavo de Carvalho. A imprensa tradicional já havia noticiado, timidamente, que os filhos de Bolsonaro, como Carlos e Eduardo, frequentavam o mesmo clube de tirou que Adélio treinou. A mídia não revelou, porém, que Carlos e Adélio estiveram no mesmo local durante o mesmo período. “Aqui começa a teoria de fato. Ninguém fica 24 horas dentro de um clube de tiro. Nesses dias, Carlos e Adélio estiveram nos mesmos espaços, possivelmente compartilhando de armas similares e montando um plano. Sim, é esse plano mesmo que você pensou”, publicou o autor do levantamento. Adélio permaneceu em São José até agosto de 2018. A facada em Juiz de Fora (MG) aconteceu um mês depois, em setembro. Naquela ocasião, Carlos Bolsonaro acompanhava o pai na comitiva, algo que nunca tinha feito antes. A apuração repercutiu nas redes. “Em alguns anos, quando for tarde demais, esse falso atentado entrará para a história”, escreveu um internauta. “Qualquer ser humano percebe que tem algo errado nessa história. As evidências são no mínimo intrigantes”, observou outro. Via Pragmatismo Político e revista Fórum