Quem mandou matar Marielle foi alguém ligado a Bolsonaro ou a Braga Netto

 Só influência política explica a não resolução do caso, diz Nassif  O jornalista Luís Nassif, editor do site GGN, afirma que só a influência política explica o fato de a polícia não ter chegado aos mandantes do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco. E diz ainda que só dois grupos podem ser os responsáveis pelo brutal crime: ou o clã Bolsonaro ou as forças da intervenção militar no Rio de Janeiro, chefiadas pelo general Braga Netto. Confira: 1. Fato: a não descoberta do mandante do assassinato de Marielle só tem uma explicação: sua enorme influência política.2. A partir daí, duas hipóteses: ou alguém ligado aos Bolsonaro ou às forças de intervenção, chefiadas por Braga Neto. Não há outra hipótese de poder político — Luis Nassif (@luisnassif) February 12, 2022

Ex-BBB bolsonarista é demitido da Jovem Pan após fazer saudação nazista

A  Jovem Pan anunciou que o ex-BBB e comentarista pró-Bolsonaro, Adrilles Jorge, foi demitido após fazer uma saudação nazista durante sua participação no quadro “Opinião”, em um jornal da emissora. Em nota, a Jovem Pan disse que o grupo “repudia qualquer manifestação em defesa do nazismo e suas ideias. Somos veementemente contra a perseguição a qualquer grupo por questões étnicas, religiosas, raciais ou sexuais”. Em outro trecho da nota, a empresa também fala que “não endossamos qualquer tipo de manifestação que leve ao discurso de ódio e reforce ideias que remetam a um episódio da nossa história”. Antes de fazer o gesto, Adrilles comentava justamente a declaração de Bruno Aiub, o Monark, que defendeu a regulação de um “partido nazista reconhecido pela lei” na entrevista com Tabata Amaral (PSB-SP) e Kim Kataguiri (DEM-SP) no Flow Podcast. Durante seu comentário, o bolsonarista tentou fazer uma falsa equivalência entre o nazismo e o comunismo. Ao ser interrompido pelo âncora do jornal, Adrilles se despediu com a palma da mão levantada como saudação ao ditador nazista Adolph Hitler. Logo em seguida, o jornalista William Travassos, apresentador do programa, balança a cabeça e diz sussurrando: chocado com isso. Depois, Adrilles olha para o colega e dá uma risada sarcástica.

Lula lidera com 45% em nova pesquisa Quaest; Terceira via não empolga

A Genial/Quaest divulgou na manhã desta quarta-feira, 9, uma segunda rodada de pesquisas presidenciais neste ano onde mostra a liderança folgada e consolidada do ex-presidente Lula (PT) na disputa pelo Palácio do Planalto. Só que desta vez, as intenções de voto registradas por Lula supera numericamente a soma de todos os adversários nos quatro cenários levantados pela pesquisa, mas está dentro da margem de erro do levantamento. Outro ponto importante da pesquisa é que ela indica que mais de 50% dos eleitores que participaram do levantamento declararam que a escolha do voto é definitiva. Esse é o ponto chave para entender a consolidação de um cenário de polarização entre o líder progressista e Jair Bolsonaro (PL). Sem dúvida, é uma péssima notícia para a terceira via, cada vez mais fragmentada e com pouco fôlego nas candidaturas. Nos números, o ex-presidente Lula varia entre 45% e 47% das intenções de voto em cenários reduzidos. Contudo, ele é seguido em todos os cenários por Bolsonaro que oscila entre 23% no cenário mais disputado e 26%, no quadro mais enxuto. Lula (PT) – 45% Bolsonaro (PL) – 23% Moro (Podemos) – 7% Ciro Gomes (PDT) – 7% João Doria (PSDB) – 2% André Janones (Avante) – 2% Simone Tebet (MDB) – 1% Rodrigo Pacheco (PSD) – 0% Felipe d’Ávila (Novo) – 0% Branco/nulo/não vai votar – 8% Indecisos – 5% Já no levantamento espontâneo, o que muitos especialistas em pesquisa eleitoral consideram a parte mais reveladora da disputa, Lula tem seus 28% de eleitores, Bolsonaro fica com 16%, e os demais concorrentes tem 4%, juntos. Cerca de 48% declaram estar indecisos, e 4% indicaram querer anular ou votar em branco. Segundo turno: Lula (PT) – 54% Bolsonaro (PL) 30% Branco/nulo/não vai votar – 13% Indecisos – 3% Lula (PT) – 52% Moro (Podemos) – 28% Branco/nulo/não vai votar – 17% Indecisos – 3% Lula (PT) – 51% Ciro Gomes (PDT) – 24% Branco/nulo/não vai votar – 22% Indecisos – 4% Lula (PT) – 55% João Doria (PSDB) – 16% Branco/nulo/não vai votar – 26% Indecisos – 3% Lula (PT) – 56% André Janones (Avante) – 14% Branco/nulo/não vai votar – 25% Indecisos – 4% A Quaest fez a pesquisa de forma presencial ouviu 2 mil pessoas entre os dias 3 e 6 de fevereiro. A pesquisa foi registrada nos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pode ser encontrada pelo número de identificação: BR-08857/2022. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de cerca de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Acesse o relatório completo clicando aqui

Bolsonaro sugere matar influenciador digital – e fica por isso mesmo

Jair Bolsonaro disse no twitter que não erraria o tiro num “gordinho” caso houvesse uma invasão de propriedade Jair Bolsonaro usou suas redes sociais nesta segunda-feira para postar uma mensagem contra o influenciador Cauê Moura, que pode ser interpretada como uma clara ameaça. Cauê ironizou a cena armada pelos marqueteiros de Bolsonaro num clube de tiro, em que ele se mostrou incapaz de disparar os tiros. Logo depois, Bolsonaro disse que não erraria o tiro num “gordinho” como Cauê, caso houvesse uma invasão de propriedade. Confira o tweet de Bolsonaro e algumas reações: – Confesso que não dá para disputar uma olimpíada, mas em uma eventual invasão de propriedade, se o alvo fosse um gordinho do seu tamanho não ficaria tão difícil acertar. Kkk. ???????? https://t.co/R1C9abN0pQ pic.twitter.com/V9EigKgCbF — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) February 7, 2022 Imagina se em 2018 o Lula dissesse que ia dar um tiro no Kim Kataguiri. Era prisão em flagrante, PLANTÃO DA GLOBO, capa de todos os jornais. Hoje Bolsonaro ameaçou de morte o Cauê Moura e ficou por isso mesmo. — Thiago dos Reis ???????? (@ThiagoResiste) February 7, 2022 Leia-se: PRESIDENTE BRASILEIRO AMEAÇA DE MORTE INFLUENCIADOR DIGITAL QUE O IRONIZOU. Esta é a manchete. Ou o editor é incompetente ou a imprensa segue passando pano para fascista. https://t.co/A9RSgAMMII — Jean Wyllys (@jeanwyllys_real) February 7, 2022 The YouTuber Caue Moura released a video showing Bolsonaro struggling to handle a gun. In response to Caue, Bolsonaro said on social media that it wouldn’t be hard to hit a "chubby" target as the youtuber. So yes, the Brazilian President made a “humorous” death threat! pic.twitter.com/twRnC0I3dt — Nathália Urban (@UrbanNathalia) February 7, 2022 Via 247

A importância do projeto – Por Marcel Farah*

Hoje os mesmos falsários tentam dizer que não concordam com Bolsonaro, contudo concordam Então quer dizer que Bolsonaro provavelmente cometeu o crime? Por outro lado, o ministro Barroso do STF reconhece que Dilma não cometeu crime? Nada como a história para demonstrar que estavam corretos os que acusaram de golpe o falso impeachment de Dilma pelo falso motivo das falsas pedaladas. Hoje os mesmos falsários tentam dizer que não concordam com Bolsonaro, contudo concordam. Uma lição que as esquerdas devem aprender com a direita, o que importa é o projeto, o programa político. Pois é ele que representa os interesses das pessoas, dos grupos, das classes. Não importa o nome: Centrão; Terceira Via; Frente Ampla pela Democracia; Somos 70%. Todos se referem a um mesmo projeto. Um projeto conservador. Estamos no momento certo para discutir projetos, estamos no momento certo para discutir, para criticar o projeto conservador e para construir um projeto Popular para o país. O momento das eleições, pelo menos teoricamente, deveria servir para isso. Mas como sempre, buscam desviar a atenção da população. Desviar a atenção do Povo. A tática de criação de cortinas de fumaça, na verdade, não é algo novo para a direita. A história brasileira é marcada pelas cortinas de fumaça da direita. Assim funciona a mídia grande e conservadora, assim funcionam as extrema importância que se dá às frivolidades, aos acontecimentos no Big Brother Brasil, às brigas e aos casamentos entre celebridades. Somos historicamente enganados, ou melhor, distraídos pelas novelas da Globo de ontem e pelo homem desolado comendo frango com farinha de hoje. Discutir o projeto de país é a tarefa mais importante que temos a cumprir nesse ano de 2022 para que não se repita o 2018 nesta próxima eleição. Uma boa lição a se aprender com a direita, o que importa é o projeto, e não o candidato a vice. Contudo, depois de definido o projeto só cabe ser vice se concordar. Ou seja, se a esquerda constrói um projeto popular, com medidas emergenciais para atenuar a crise, o vice tem que aceitar. Traduzindo, para ser vice de Lula, Alckmin terá que negar tudo que já foi até hoje, um privatista, destruidor dos serviços públicos, fechador de escolas, acobertador da violência policial, um lacaio dos grandes empresários e do mercado financeiro. *Marcel é advogado e educador Popular Via Dom Total  

Morre, aos 92 anos, Maria Prestes, militante comunista e viúva de Luiz Carlos Prestes

Nascida Altamira Rodrigues Sobral, a lutadora social mudou o nome para Maria do Carmo Ribeiro para se proteger da perseguição da polícia – Maria Prestes/Reprodução Twitter Ana Prestes  – Pernambucana foi filiada ao PCdoB e um dos mais importantes quadros do comunismo brasileiro Maria Prestes, militante comunista e viúva do líder revolucionário Luiz Carlos Prestes, morreu nesta sexta-feira (4), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. Ela estava internada com Covid-19 desde janeiro. “O Brasil perdeu uma lutadora, uma mulher corajosa, firme e decidida. É uma perda para sua família, para todos nós do PCdoB e para todos e todas que lutam contra as injustiças desse nosso país”, lamentou o PCdoB em nota. Confira aqui na íntegra. Maria Prestes é mãe de sete filhos de Luiz Carlos Prestes, com quem viveu junto por 40 anos. Filha de camponeses, a pernambucana trabalhou desde cedo no campo, até se tornar uma destacada militante do Partido Comunista Brasileiro e virar segurança de Prestes. Nascida Altamira Rodrigues Sobral, a lutadora social mudou o nome para Maria do Carmo Ribeiro para se proteger da perseguição da polícia. Essa e outras histórias estão no livro de memórias “Meu companheiro Luiz Carlos Prestes”, lançado por ela em 2012. “Maria Prestes se foi. Aos 92 anos, como seu companheiro Luiz Carlos Prestes. Mulheres como ela deveriam ser eternas tamanha a generosidade e resiliência q guardam em si. Fará muita falta. Guardarei sua força, sua luta, seu amor ao povo e sua coragem em homenagem à sua história”, escreveu a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Maria Prestes se foi. Aos 92 anos, como seu companheiro Luís Carlos Prestes. Mulheres como ela deveriam ser eternas tamanha a generosidade e resiliência q guardam em si. Fará muita falta. Guardarei sua força, sua luta, seu amor ao povo e sua coragem em homenagem à sua história. pic.twitter.com/9ZVKPAY76b — Jandira Feghali ???????????? (@jandira_feghali) February 4, 2022 A cientista política Ana Prestes, colunista da Fórum, fez uma homenagem para a avó nas redes sociais. “Partiu uma grande brasileira. Dona Maria Prestes, que também foi Maria do Carmo ou Altamira ou todos os nomes que precisasse usar para seguir lutando por liberdade, democracia e justiça social. Uma comunista orgulhosa de sua luta e a mais maravilhosa avó que alguém poderia ter”, escreveu no Twitter. Ana e outros dois netos da militante lançaram um livro infantil em 2020 em homenagem à avó, “Minha Valente Avó”, pela editora Quase Oito. Partiu uma grande brasileira. Dona Maria Prestes, que também foi Maria do Carmo ou Altamira ou todos os nomes que precisasse usar para seguir lutando por liberdade, democracia e justiça social. Uma comunista orgulhosa de sua luta e a mais maravilhosa avó que alguém poderia ter ♥️ — Ana Prestes (@anaprestes) February 5, 2022 Também nas redes sociais, outras lideranças políticas e militantes prestaram homenagens à comunista. Maria Prestes – grande brasileira, guerreira da luta pelo socialismo – presente! Agora e sempre! A @anaprestes e toda a família meu abraço solidário. https://t.co/j0KAI44du5 — Luciana Santos (@lucianasantos) February 5, 2022 Perdemos dona Maria Prestes, uma incansável lutadora do povo brasileiro. Resistiu aos anos mais difíceis de nossa história. Uma grande amiga do MST. Um forte abraço solidário a toda a familia. https://t.co/cCjlcas9bq — João Pedro Stedile (@stedile_mst) February 5, 2022 O Brasil perdeu uma lutadora do povo Maria Prestes, 92 anos, foi uma destacada militante do Partido Comunista. Foi uma das responsáveis pela segurança de Luís Carlos Prestes, Cavaleiro da Esperança. Depois foram companheiros de vida. Jamais deixou a luta. Maria Prestes, presente! pic.twitter.com/2y4xN1HJ4m — Orlando Silva (@orlandosilva) February 5, 2022 Revista Fórum

Falta de acesso ao tratamento é principal entrave para combate ao câncer

Priscila Soares: “Trinta por cento de nós, brasileiros, poderíamos não ter câncer” As dificuldades de acesso a exames, consultas e cirurgias decorrentes das desigualdades sociais do país, agravadas neste período de crise sanitária, foram apontadas como as principais barreiras para o tratamento do câncer no Brasil. Em audiência pública na Câmara em comemoração ao 4 de fevereiro, Dia Mundial de Combate à doença, parlamentares e especialistas também ressaltaram problemas como a falta de financiamento e a demora nos diagnósticos. Convidados do debate promovido pela Comissão Especial de Combate ao Câncer mostraram que a doença é a segunda maior causa de mortes no país, com 300 mil óbitos por ano. São 625 mil novos casos registrados no mesmo período. Lei dos 30 dias O slogan “quem tem câncer, tem pressa” foi repetido várias vezes durante as discussões. Primeira vice-presidente da comissão especial, a deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC) destacou o papel das entidades da sociedade civil na busca de igualdade de oportunidades para a população, assim como os prejuízos que a pandemia do novo coronavírus tem causado aos pacientes com câncer. Para ela, é preciso comunicar aos pacientes, com muita clareza, qual é o direito que eles têm com relação à Lei dos 30 dias. “A lei que garante que, na suspeita diagnóstica ou procedimento, os exames precisam ser feitos em até 30 dias; e na confirmação, após a biópsia, não é marcar a consulta, é realmente fazer o procedimento prescrito pelo médico. E agora é o momento de nós corrermos para recuperarmos o tempo perdido”, observou a deputada. A médica Priscila Soares, da associação Presente de Apoio a Pacientes com Câncer, ressaltou que, desde o início da pandemia, as taxas de rastreamento e do número de biópsias caíram. Ela confirmou que um dos maiores gargalos é o tempo, e sugeriu mobilizações rápidas para a prevenção. “Trinta por cento de nós, brasileiros, poderíamos não ter câncer, se nós tivéssemos acesso a informação adequada, se nós tivéssemos acesso, entre a suspeita de ‘algo dando errado em meu corpo’ e o início de um diagnóstico, de um tratamento. Porque o câncer é evitável, o câncer é curável”, disse. Perfil populacional A psicooncologista Luciana Holtz, do Instituto Oncoguia, afirmou que, em 14 estados do país, mais de 50% dos casos de câncer são diagnosticados em estágio avançado. O mote da campanha feita pela organização da sociedade civil é “o câncer não escolhe, o acesso à saúde também não deveria escolher”. Luciana Holtz mostrou o perfil da parcela da população mais prejudicada com a falta de acesso ao tratamento. “Hoje, as pessoas que morrem mais são as que não sabem ler, as pretas; as que não têm dinheiro para pagar uma condução e ir ao médico, e muitas vezes têm que escolher entre ir ao médico e dar comida a seus filhos”, disse. Segundo ela, são pessoas que “não têm força para se cuidar, por falta de autoestima e bem-estar emocional e social; e que não têm acesso a um serviço de saúde perto ou longe delas”. Fundo Nacional O presidente da Comissão Especial de Combate ao Câncer, deputado Weliton Prado (Pros-MG), propôs a criação de um Fundo Nacional de Combate à doença, e indicou de onde viria o dinheiro. “Recursos provenientes de efeitos de condenação judicial, criminal, civil; de acordos inclusive na atuação extrajudicial do Ministério Público; todos os criptoativos apreendidos, as criptomoedas confiscadas, sequestradas pela União ou pedidos em favor da União após decisão judicial”, enumerou. Weliton Prado também defendeu que um percentual da arrecadação de impostos sobre cigarros e bebidas alcoólicas, além da arrecadação com as loterias federais, também fosse destinado ao fundo. Os convidados da audiência pública também explicitaram as diferenças entre os pacientes que são atendidos nas redes pública e particular de saúde, tanto em relação ao estágio em que a doença está e se têm acesso ao tratamento, quanto em relação ao índice de cura do câncer. Fonte: Agência Câmara de Notícias

“Com Supremo, com tudo”: relembre papel do STF na queda de Dilma após “confissão” de Barroso

Luís Roberto Barroso durante sua posse como ministro do Supremo Tribunal Federal, em 2013, após indicação de Dilma – Nelson Jr./STF – Divulgação GOLPE DE 2016 – Ministro escreveu artigo dizendo que o “motivo real” para o impeachment foi a falta de apoio político, não as pedaladas O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), escreveu um artigo afirmando que o “motivo real” para o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) foi falta de apoio político, não as pedaladas fiscais. As informações foram reveladas pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. “A justificativa formal foram as denominadas ‘pedaladas fiscais’ – violação de normas orçamentárias –, embora o motivo real tenha sido a perda de sustentação política”, escreveu Barroso. A afirmação consta em artigo que será publicado na edição de estreia da revista do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). A prévia do texto escrito pelo ministro foi obtida pela Folha. A publicação será lançada oficialmente no próximo dia 10. “O vice-presidente Michel Temer assumiu o cargo até a conclusão do mandato, tendo procurado implementar uma agenda liberal, cujo êxito foi abalado por sucessivas acusações de corrupção. Em duas oportunidades, a Câmara dos Deputados impediu a instauração de ações penais contra o presidente”, afirmou o magistrado. Em maio de 2016, gravações obtidas pela Folha mostraram o então senador Romero Jucá (MDB-AP) sugerindo ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado um “pacto” para tentar barrar a Operação Lava Jato. Na conversa, Jucá disse que uma “mudança” no governo federal resultaria em um pacto para “estancar a sangria” representada pela Lava Jato. Machado respondeu que era preciso “botar o Michel [Temer num grande acordo nacional”. “Com o Supremo, com tudo”, retrucou Jucá. Leia também: A confissão de Barroso, a quem a história não absolverá – Por Fernando Brito Motivado pela declaração de Barroso, o Brasil de Fato relembra os principais episódios em torno do impeachment de Dilma Rousseff que tiveram o envolvimento do STF. Leia: O papel do STF Dilma foi notificada da abertura do processo em 3 de dezembro de 2015. Na mesma data, o Supremo rejeitou ações protocoladas por PT e PCdoB que contestavam a admissibilidade do pedido de impeachment na Câmara dos Deputados. Ainda em dezembro, o plenário do STF determinou mudanças na tramitação do processo na Câmara que prejudicaram a então presidente. A Corte impediu o voto secreto e concedeu maior poder ao Senado. No mesmo mês, o ministro Luiz Edson Fachin negou o afastamento do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ), acusado de corrupção e entusiasta da deposição da então presidenta. O mandato do emedebista foi suspenso pelo STF apenas em maio, após a votação na Câmara. Em abril de 2016, o STF decidiu, por oito votos a dois, rejeitar o pedido do governo Dilma Rousseff e de dois deputados de sua base para anular o processo. No mês seguinte, em maio, o ministro Teori Zavascki negou recurso apresentado pela petista. A fase final do processo, com o julgamento definitivo de Dilma no Senado, em agosto de 2016, foi comandada pelo então presidente do STF, o ministro Ricardo Lewandowski. A prática é determinada pela Constituição Federal. Em março de 2020, o STF negou recurso da ex-presidente que tentava anular o impeachment. A decisão do STF foi tomada no plenário virtual e os votos dos ministros não foram revelados. ‘Ironia da história’ É a segunda vez que Barroso afirma que Dilma foi deposta por ter perdido influência política. Em um seminário, em julho de 2021, Barroso disse que “afastar a petista por corrupção após o que se seguiu” seria uma “ironia da história”. “Creio que não deve haver dúvida razoável de que ela [Dilma] não foi afastada por crimes de responsabilidade ou corrupção, mas, sim, foi afastada por perda de sustentação política. Até porque afastá-la por corrupção depois do que se seguiu seria uma ironia da história”, disse, na ocasião. Edição: Vivian Virissimo – Brasil de Fato

A confissão de Barroso, a quem a história não absolverá – Por Fernando Brito

É curiosamente trágica a valentia dos covardes. O artigo em que o ministro Luís Roberto Barroso diz que “a justificativa formal [para o impeachment de Dilma Rousseff] foram as denominadas ‘pedaladas fiscais’ —violação de normas orçamentárias—, embora o motivo real tenha sido a perda de sustentação política”, antecipado pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha, equivale a uma confissão, tardia e covarde, de um dos cúmplices do golpe jurídico-político-midiático que derrubou a presidente eleita do país. Mais um admitir que não existiu violação das leis orçamentárias da República, em nome do que se fez a cassação de Dilma, Barroso assume que não havia crime e, portanto, não poderia haver pena de perda de mandato, porque estar em minoria no Congresso não é, nem nunca foi, razão legal para interromper um mandato legítimo. É certo que até as pedras das caçadas sabiam disso, mas estamos diante de um juiz do Supremo Tribunal dizendo que ele e seus pares acumpliciaram-se à violação da soberania popular – a regra é presidentes elevarem-se ou decaírem do poder pelo voto dos cidadãos – por decisão de uma maioria parlamentar “moralista” ao ponto de ser liderada por Eduardo Cunha. Afinal, “perda de sustentação política” tem este presidente rejeitado por dois terços da população mas, comprando – como Dilma se recusou a fazer – a fidelidade do presidente da Câmara e de trezentos picaretas que o acompanham, mas está imune para, agora sim, revogar ou violar qualquer regra fiscal, como está fazendo. Havia muitas confissões – até de Michel Temer, num ato falho – mas esta é a que vai ficar na história, porque Barroso encarna os 11 covardes que, com medo da mídia, do dinheiro e dos deputados, deixaram de cumprir com seu dever de defender a Constituição e a intangibilidade de um mandato concedido pelo voto. É verdade que tem um sentido didático, o de esclarecer aos ainda tolos que buscar sustentação política é mais importante do que apenas buscar votos, porque se eles elevam ao Governo, a falta dela mais que depressa dali o derrubam. Dilma, mais que nunca, está absolvida do que lhe acusaram e é evidente vítima de uma trampa à qual até o STF se associou. Mas Barroso e seus pares no Supremo, embora possam permanecer nas suas confortáveis cátedras e paparicando-se com os “vossa excelência” para lá e para cá, vão carregar para sempre a condenação moral como covardes e omissos diante de uma farsa e de um golpe. Tinham a obrigação funcional e moral de defender a Constituição e não o fizeram. Alguns, como Barroso, fazem ainda pior, procurando exibir suas “superioridades morais”, ao dizer de cara limpa que não houve crime. Houve, Dr. Barroso, houve o pior dos crimes políticos: um golpe de Estado contra o voto popular, no qual muito ajudaram os seus chiliques moralistas. De que moral pode falar um juiz que assume que não tinha provas, não tinha sequer convicções mas tinha – perdoem-me o chulo – um enorme cagaço da onda da mídia, do parlamento e dos militares e, por isso, desertaram como ratos de defender aquilo que juraram fazer cumprir: a nossa Constituição. Via Tijolaço

Globo ultrapassa Record e volta a ser a maior beneficiada no governo Bolsonaro

Apesar de toda a crítica de Jair Bolsonaro, a Globo foi a emissora que mais recebeu repasses para propaganda oficial do governo. Um levantamento feito pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), e Divulgado pela Veja, mostrou que a emissora embolsou R$ 65,5 milhões, enquanto a Record – por quem o governo tem mais simpatia – ficou com R$ 53,9 milhões. A reportagem é do portal Na Telinha. Em 2020, a situação era oposta: a emissora do bispo Edir Macedo liderava com 59,2 milhões de reais, enquanto o conglomerado da família Marinho vinha em segundo, com 51,9 milhões de reais. Já a A TV Jovem Pan, por quem o chefe do executivo tem grande simpatia e até faz propaganda nas redes sociais, estreou em outubro na disputa e recebeu apenas R$ 43.320, por duas campanhas envolvendo o Auxílio Brasil. A quantia bruta destinada à Globo é a soma de todos os repasses feitos à emissora nacional, a suas afiliadas e aos canais da TV fechada, como Globonews, Multishow e outros. Os repasses foram para a veiculação de campanhas públicas, como as de vacinação, combate ao Aedes Aegypti e uso consciente da água, e de divulgação de iniciativas do governo, como a implantação do 5G.