Movimentos pedem suspeição de André Mendonça em ação sobre conselhos

Novo ministro do STF herdou processos de Marco Aurélio Mello e está escalado para julgar ADI que visa derrubar decreto de Bolsonaro para extinção ou redução de conselhos; a questão é que Mendonça já atuou na ação quando comandava AGU O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) e o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) ingressaram na Justiça, pedindo que o novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, seja considerado suspeito em um caso que envolve os conselhos de políticas públicas. Em abril de 2019, Jair Bolsonaro editou um decreto que extinguia ou reduzia uma série de conselhos participativos. O presidente alegava que os órgãos serviam apenas para militância política e que ele iria acabar com a mobilização na administração pública. O Partido dos Trabalhadores (PT), então, ajuizou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) número 6121, com o objetivo de derrubar o decreto. A ação tem vários amicus curiae (pessoas ou entidades que se credenciam para participar da causa, embora não sejam titulares, não tenham legitimidade processual, mas acompanham o processo e têm oportunidade de se manifestar; têm por finalidade fornecer subsídios às decisões dos tribunais). “A ação pedia que o decreto fosse julgado inconstitucional, porque afrontava o princípio da participação que está contido no texto constitucional brasileiro”, explica Ana Cláudia Farranha, professora de Direito Constitucional na Faculdade de Direito na Universidade de Brasília (UnB) e doutora em Ciências Sociais pela Unicamp. Ela acompanha o caso como pesquisadora. A ADI foi distribuída para o então ministro do STF, Marco Aurélio Mello, que a recebeu no início de maio de 2019. O magistrado deferiu liminar para impedir o fim de conselhos, principalmente os que são constitucionais, ou seja, criados por lei. “Uma tese jurídica se estabeleceu nesse debate, de que o decreto não poderia acabar com os conselhos que foram criados por lei. Então, o ministro Marco Aurélio concedeu a liminar, que foi ao Plenário”, conta Ana Cláudia. Neste cenário, a ADI aguarda para julgamento do Pleno. A questão é que, com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello, André Mendonça, nomeado por Bolsonaro, herdou todos os processos do ex-ministro, o que ocorre automaticamente. “No entanto, neste processo específico, o novo ministro participou defendendo o governo quando comandada a Advocacia-Geral da União (AGU). Portanto, está impedido de relatar ou participar do julgamento”, relata Luciano Caparroz, advogado e integrante da organização social (OS) Rede Brasileira de Conselhos (RBdC). “Este é o pedido que fez o MNDH e o MCCE, entidades que são amicus curiae no processo. André Mendonça pode se declarar impedido, mas, se não o fizer, o presidente do STF, ministro Luiz Fux, vai ter que colocar em discussão no Pleno”, acrescenta Caparroz. O advogado critica a demora do julgamento pelo STF, “o que compromete o funcionamento dos conselhos. A Justiça quando tarda, já falhou”, destaca. ADI tem papel fundamental, diz um dos autores do pedido de suspeição O advogado Carlos Nicodemos Oliveira Silva, um dos autores do pedido de suspeição de Mendonça e integrante do Movimento Nacional de Direitos Humanos, avalia que a ADI tem um papel fundamental, porque foi uma das primeiras ações que enfrentou o processo de desmonte da política de participação social na construção de políticas públicas em direitos humanos no Brasil. “Esta ação, que teve o julgamento consolidado num acórdão, recebeu, à época, um recurso chamado embargo de declaração, que questionou a decisão do STF de não ter considerado os conselhos e comitês, que foram criados a partir de compromissos de tratados internacionais do Estado brasileiro”, afirma Nicodemos. “Então, este recurso está pendente para julgamento, em embargo de declaração. O que é muito importante, porque isso pode levar a uma outra dimensão a decisão que o STF consolidou de que os conselhos criados por lei federal não poderiam ser afetados pelo decreto que é o objeto na ação”, acrescenta. O advogado ressalta que, portanto, há um recurso a ser apreciado, que foi interposto pelo MNDH. “Ocorre que o agora ministro do STF, André Mendonça, funcionou, atuou diretamente como Advogado-Geral da União no processo, suscitando teses e defendendo a posição do governo no que diz respeito ao decreto emitido. Então, à luz da legislação do Código de Processo Civil há um evidente impedimento legal, em razão de ele ter atuado àquela época como AGU, não podendo, agora, atuar como ministro do STF”, detalha Nicodemos. “Por isso, nós entramos com essa petição. Suscitamos que ele próprio, de maneira voluntária, se retire do processo e envie para redistribuição ou, se o não fizer, siga a lei, apresentando as razões que o levam a permanecer e encaminhe para o presidente do STF, ministro Luiz Fux, que vai fazer o processamento para o julgamento desse impedimento”, completa o advogado. Mendonça defendeu decreto de Bolsonaro: “Fez, inclusive, sustentação oral” A professora Ana Cláudia tem a mesma opinião. “Quem era o advogado da União, quem estava defendendo o decreto naquele momento era o atual ministro André Mendonça, que ainda respondia como AGU. Ele foi o advogado da causa, fez, inclusive, sustentação oral. “Então, esse pedido vai exatamente no sentido de que o ‘advogado da causa, não julgue a causa’. É óbvio que o fundamento legal é o impedimento. Não se pode ser advogado e julgador. Ele mesmo poderia se dar por impedido, mas não se deu”. Ana Cláudia acredita que a questão só será resolvida em 2022. “O STF está em recesso. Então, me parece muito difícil que o ministro Luiz Fux acate a pretensão de ofício, ou pelo menos agora, pois não seria uma causa urgente. Muito provavelmente, isso será decidido na volta dos trabalhos do judiciário”. Veja a íntegra do pedido de suspeição de Mendonça

IstoÉ escolhe Alexandre de Moraes como brasileiro do ano e revolta bolsonaristas

Segundo a ISTOÉ, Moraes “se destacou este ano por sua incansável defesa da democracia” pois levou adiante ofensiva contra bolsonaristas A revista ISTOÉ elegeu o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como Brasileiro do Ano de 2021. “Destemido, corajoso e resoluto, ele é um dos principais ministros do Supremo Tribunal Federal na luta pelo Estado de Direito”, argumenta a revista. O prêmio foi escolhido pelos editores do órgão de imprensa. Segundo a ISTOÉ, Moraes “se destacou este ano por sua incansável defesa da democracia” pois levou adiante ofensiva contra os setores da extrema direita bolsonarista considerados antidemocráticos. “Houve condutas atentatórias, mas as instituições souberam evitar a ação dos radicais”, afirmou à revista. A nomeação revoltou os bolsonaristas, que levaram o nome do ministro do STF e da revista aos assuntos mais comentados do Twitter. A revista também elegeu outros dez brasileiros que se sobressaíram em suas respectivas áreas. São eles, Txai Suruí, indígena que discursou contra o genocídio indígena na COP26; a atriz Fernanda Montenegro; a cientista Natália Pasternak; o ator e músico Seu Jorge, do filme “Marighella”; a cantora sertaneja Marília Mendonça, falecida neste ano após acidente de avião; o governador de São Paulo, João Doria (PSDB); a empresária Luiza Trajano, da Magazine Luiza; o apresentador da Globo Marcos Mion, que ocupou o lugar do Faustão; a vereadora de São Paulo Erika Hilton; a ginasta Rebeca Andrade, que conquistou ouro nas Olimpíadas de Tóquio 2020.

Urna eletrônica – Bolsonaro foi um propagador de mentiras, aponta Polícia Federal

Relatório da PF aponta que Bolsonaro promoveu fake news e defendeu teorias da conspiração sobre urna eletrônica O relatório afirma que o inquérito permitiu identificar a atuação direta e relevante de Bolsonaro na promoção de fake news Relatório da Polícia Federal (PF) concluiu que Jair Bolsonaro difundiu fake news na “live” ocorrida em julho deste ano na qual fez acusações sem provas contra as urnas eletrônicas. Na transmissão, o próprio Bolsonaro reconheceu que não tinha provas. O relatório afirma que o inquérito permitiu identificar a atuação direta e relevante de Bolsonaro na promoção de fake news. O documento é assinado pela delegada Denisse Dias Rosa Ribeiro e foi concluído em setembro deste ano, informa O Globo. O texto aponta ainda: “A live presidencial foi realizada com o nítido propósito de desinformar e de levar parcelas da população a erro quanto à lisura do sistema de votação, questionando a correção dos atos dos agentes públicos envolvidos no processo eleitoral (preparação, organização, eleição, apuração e divulgação do resultado), ao mesmo tempo em que, ao promover a desinformação, alimenta teorias que promovem fortalecimento dos laços que unem seguidores de determinada ideologia dita conservadora.” Segundo o relatório da PF, as pessoas envolvidas na live atuam, “com dolo, consciência e livre vontade, na produção e divulgação, por diversos meios, de narrativas sabidamente não verídicas”.

Lula tem 48% e vence no primeiro turno, mostra pesquisa Datafolha

No cenário A, Lula tem 48%, enquanto a soma de votos de todos os outros nomes (Bolsonaro, Moro, Ciro e Doria) chega a apenas 42% A nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (16), mostra o ex-presidente Lula com margem folgada sobre Jair Bolsonaro, que ocupa a segunda posição. No cenário A, Lula tem 48%, ante 22% de Bolsonaro, 9% do ex-juiz parcial Sergio Moro, 7% do ex-governador Ciro Gomes e 4% do governador de São Paulo, João Doria. Votarão em nulo, branco ou ninguém, 8%. 2% não souberam responder. Na hipótese B, Lula tem 47%; Bolsonaro, 21%; Moro, 9%; e Ciro, 7%. Doria cai para 3%. Os senadores Rodrigo Pacheco e Simone Tebet empatam, com 1%. O senador Alessandro Vieira, o ex-ministro Aldo Rebelo e o cientista político Felipe d’Ávila não pontuaram. Nulos/brancos/ninguém/não sabem repetem o cenário A. A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 16 de dezembro com 3.666 pessoas com mais de 16 anos, presencialmente em 191 cidades do país. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.  

STF forma maioria e mantém exigência de passaporte da vacina

Faltam os votos de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Nunes Marques Agência Brasil – A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (15) validar a decisão do ministro Luís Roberto Barroso que determinou a exigência de comprovante de vacinação contra covid-19 para viajantes que chegam do exterior no Brasil. Pela decisão, a exigência de comprovante de vacinação para entrada no Brasil não será aplicada para quem saiu do país antes do dia 14 de dezembro, data da decisão na qual Barroso que esclareceu o alcance das medidas. No entanto, o teste PCR será obrigatório. Contudo, quem saiu do país ontem deverá apresentar o certificado de vacinação ao regressar. “Voto no sentido de referendar a decisão monocrática proferida a fim de que se exija de brasileiros e residentes de modo geral, que viajarem após 14.12.2021, o comprovante de vacinação, sujeitando sua entrada no país, em caso de recusa: à apresentação de documento comprobatório de realização de teste para rastreio de infecção pela covid-19, bem como à quarentena que somente se encerrará, com nova testagem negativa, nos termos do art. 4º da Portaria Interministerial no 661/2021”, votou o relator. O caso foi levado para julgamento no plenário virtual, modalidade na qual os ministros depositam os votos eletronicamente, sem necessidade de reunião presencial. Até o momento, acompanharam o entendimento os ministros Edson Fachin, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Rosa Weber e o presidente, Luiz Fux. Os demais ministros devem votar até a data limite para o término do julgamento, previsto para ser encerrado amanhã, às 23h59.

Lula e Dilma se solidarizam com os irmãos Cid e Ciro

O ex-presidente Lula (PT) se pronunciou na manhã desta quarta-feira, 15, sobre a operação da Polícia Federal com cara, cheiro e gestos de lawfare, ou seja, de guerra jurídica com fins políticos. A “operação Coliseu” foi deflagrada para investigar um suposto esquema de fraudes, pagamentos de suborno a agentes políticos e servidores públicos durante as obras no estádio Castelão em Fortaleza. No Twitter, Lula prestou solidariedade aos irmãos que foram seus aliados e disse que a casa de ambos foram invadidas pela Polícia Federal “sem necessidade”. O líder progressista também disse que os dois “merecem ser respeitados”. Quero prestar minha solidariedade ao senador Cid Gomes e ao pré-candidato a presidente Ciro Gomes, que tiveram suas casas invadidas sem necessidade, sem serem intimados para depor e sem levar em conta a trajetória de vida idônea dos dois. Eles merecem ser respeitados. — Lula (@LulaOficial) December 15, 2021 Dilma também se solidariza com Ciro e Cid Gomes, alvos da PF: “merecem respeito” “Suas casas foram invadidas, sem terem sido sequer intimados a depor”, destacou a ex-presidente, em crítica à Polícia Federal A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) utilizou o Twitter para prestar solidariedade ao candidato a presidente pelo PDT, Ciro Gomes, e ao senador Cid Gomes (PDT-CE), que foram alvos nesta quarta-feira (15) de uma operação da Polícia Federal. Dilma criticou a PF, já que os agentes da instituição fizeram busca e apreensão na casa dos irmãos Gomes sem nem tê-los chamado para depor sobre a investigação em andamento. “Minha solidariedade ao senador Cid Gomes e ao pré-candidato Ciro Gomes. Suas casas foram invadidas, sem terem sido sequer intimados a depor. Como cidadãos brasileiros, merecem ser tratados com o respeito às leis vigentes ao país. Repudio o arbítrio e a perseguição a eles”, escreveu a ex-presidente.

Ciro e Cid Gomes são alvos de operação da PF por acusação de desvio de verbas em estádio da Copa

Polícia Federal está cumprindo 14 mandados de busca e apreensão no âmbito de uma investigação sobre um esquema de fraudes e pagamento de propinas na construção do Estádio Castelão, em Fortaleza (CE), entre 2010 e 2013 A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (15) uma operação contra um suposto esquema de fraudes e pagamentos de propinas a políticos e servidores públicos envolvendo a licitação para a construção do Estádio Castelão, em Fortaleza (CE), entre os anos de 2010 e 2013. Entre os alvos da operação, está o presidenciável Ciro Gomes (PDT) e seu irmão, o senador Cid Gomes. Segundo os investigadores, Ciro e Cid Gomes fariam parte de uma “associação criminosa” que favoreceria empresários mediante o pagamento de propina. Os irmãos Gomes são citados juntamente com um outro irmão, Lúcio Ferreira Gomes, além de três outros políticos como integrantes do núcleo de “agentes públicos” da organização criminosa. Ao todo, 80 agentes federais estão cumprindo 14 mandados de busca e apreensão expedidos pela 32ª Vara da Justiça Federal, nas cidades de Fortaleza (CE), Meruoca (CE), Juazeiro do Norte (CE), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e São Luís (MA).Os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, fraudes em licitações, associação criminosa, corrupção ativa e passiva. De acordo com a PF, “as investigações tiveram início no ano de 2017, sendo identificados indícios de esquema criminoso envolvendo pagamentos de propinas para que uma empresa obtivesse êxito no processo licitatório da Arena Castelão e, posteriormente, na fase de execução contratual, recebesse valores devidos pelo Governo do Estado do Ceará ao longo da execução da obra de reforma, ampliação, adequação, operação e manutenção do Estádio Castelão”. “Apurou-se indícios de pagamentos de 11 milhões de reais em propinas diretamente em dinheiro ou disfarçadas de doações eleitorais, com emissões de notas fiscais fraudulentas por empresas fantasmas.” Os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, fraudes em licitações, associação criminosa, corrupção ativa e passiva”, completa a PF.

Moro Batoré. Após colocar chapéu de vaqueiro, ex-juiz ganha apelido nas redes

Além de render o apelido, o chapéu típico também não conseguiu fazer com que o ex-juiz escapasse de uma manifestação em Recife: “Moro satanás, quebrou a Petrobras” Após colocar chapéu de vaqueiro nordestino em sua ida à Recife (PE), neste domingo (6), o ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, ganhou o apelido de Batoré nas redes sociais. O humorista Batoré, conhecido por sua participação no programa humorístico “A Praça é Nossa”, do SBT, é apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL) e chegou a postar vídeo no YouTube, em 2020, pedindo o fechamento do Congresso e do STF. Com vocês o Batoré de Maringá pic.twitter.com/suyBieNKcA — Distopia Brazil (@DistopiaBrazil) December 5, 2021 pq o batoré é considerado galã e o serjo mouro não? pic.twitter.com/PszLymxWwN — M E M E R I A (@M_E_M_E_R_I_A) December 6, 2021 Moro esteve em Recife e se fantasiou de Batoré. Parece que os fascistas do marreco vão usar o segundo padrão da seleção. pic.twitter.com/1APjq1IHaJ — Flávio Costa (@flaviocostaaf) December 6, 2021 Inquestionável, ele realmente é a cara cuspida do Batoré, não tem jeito https://t.co/cvBm0aeJQY — dantas. (@thiagoindi) December 5, 2021 Eu vejo o Marreco de Maringá é o Batoré como uma coisa só pic.twitter.com/UFD3GHWmjj — Distopia Brazil (@DistopiaBrazil) December 5, 2021 Eu vejo Moro e Batoré uma coisa só! pic.twitter.com/aHaQcxpzVD — Príncipe Estranho (@PrincipEstranho) December 6, 2021 Via Revista Fórum

Bolsonaro chuta o balde: “Como eu posso aceitar o cartão vacinal se eu não tomei?”

O presidente Jair Bolsonaro (PL) chutou o balde nesta quinta-feira (09/12) ao criticar a exigência do comprovante de imunização contra a Covid-19, apelidado de passaporte da vacina. O inquilino do Palácio do Planalto disse que não vai instituir a obrigação porque ele mesmo não se imunizou. “Queriam que a gente impusesse aqui a obrigação do cartão vacinal. Como eu posso aceitar o cartão vacinal se eu não tomei vacina? E é um direito meu de não tomar, como é direito de qualquer um”, disse o presidente em discurso durante evento de comemoração ao Dia Internacional contra a Corrupção. A portaria do governo federal, publicada nesta quinta, não exige o comprovante. Determina que os visitantes que não apresentarem exame PCR com resultado negativo para a Covid e comprovante de vacinação dos imunizantes aprovados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ou pela Organização Mundial da Saúde (OMS) não cumpram quarentena antes de seguir viagem. Durante o evento, o presidente aproveitou para espezinhar o ex-juiz suspeito Sergio Moro durante sua atuação no Ministério da Justiça. Segundo Bolsonaro, mesmo com toda a liberdade, Moro nunca mostrou serviço [à frente do Ministério da Justiça] a não ser desde o começo do mandato fazer intrigas. Para Bolsonaro, seu ex-ministro da Justiça não tem coração, “gratidão zero” e “só interesse pessoal” pelo poder. Não vacinados que chegarem ao Brasil terão que cumprir quarentena Todas pessoas, brasileiras ou estrangeiras, que entrarem no Brasil por via aérea, a partir deste sábado (11/12), terão que apresentar documentos de teste negativo para a covid-19 e comprovante de vacinação, caso contrário vão ter que passar por uma quarentena de cinco dias na cidade de destino. Na hipótese de voo com conexões ou escalas em que o viajante permaneça em área restrita do aeroporto, os prazos referidos serão considerados em relação ao embarque no primeiro trecho da viagem. Até então, o viajante oriundo de outro país tinha que mostrar somente a Declaração de Saúde do Viajante (DSV), documento preenchido no site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e um teste RT-PCR negativo feito até 72 horas antes do embarque. A portaria interministerial, que trata das restrições, medidas e requisitos excepcionais e temporários para entrada no país, em decorrência dos riscos de contaminação e disseminação do coronavírus SARS-CoV-2 (covid-19) está publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (09/12). Crianças Para os casos de crianças com idade inferior a 12 anos que estejam viajando acompanhadas. A portaria diz que elas estão isentas de apresentar documento comprobatório de realização de testes para rastreio da infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2 (covid-19), desde que todos os acompanhantes apresentem documentos com resultado negativo ou não detectável, do tipo laboratorial RT-PCR, realizado em até 72 horas anteriores ao momento do embarque, ou teste de antígeno, realizado em até 24 horas antes da viagem. Via terrestre O viajante estrangeiro, ao entrar no Brasil por rodovias ou quaisquer outros meios terrestres, também deverá apresentar à autoridade migratória ou sanitária, comprovante, impresso ou em meio eletrônico, de vacinação com imunizantes aprovados pela Anvisa ou pela OMS ou pelas autoridades do país onde ele foi vacinado e cuja aplicação da última dose ou dose única tenha ocorrido, no mínimo, 14 dias antes da data de ingresso no país; ou teste para rastreio da infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2 (covid-19), com resultado negativo ou não detectável, do tipo teste de antígeno, realizado em até 24 horas anteriores ao momento da entrada, ou laboratorial RT-PCR, realizado em até 72 horas antes de ingressar no território brasileiro. Nota da Anvisa: nova portaria de fronteiras – Portaria 661/2021 No tema fronteiras, a Agência seguirá cumprindo as suas atribuições nos termos da Lei 13.979/21, de assessoramento técnico fundamentado, sempre que provocada ou mesmo de ofício, apoiada em razões de saúde pública. A adoção do comprovante de vacina como ferramenta para controle de entrada de viajantes no país é uma medida que alinha o Brasil a um movimento de alcance global e pavimenta o caminho para uma política de fronteiras guiada pela segurança sanitária. A portaria publicada assume, no modal aéreo, a vacina como eixo central da nova política e mantém a exigência do teste negativo antes do embarque, disposições que espelham, em seu núcleo essencial, as recomendações da Anvisa, contidas na Nota Técnica 113/2021. Em análise inicial, portanto, as regras estabelecidas para o modal aéreo reproduzem as orientações técnicas da Agência. No modal terrestre, há acolhimento do comprovante de vacina como mecanismo de controle de entrada, recomendação constante da Nota Técnica 112/21. Contudo, a previsão de política de testagem antecipada para não vacinados é medida ao alcance e de competência do Ministério da Saúde, mediante avaliação do contexto epidemiológico. Essa medida deve ser monitorada para avaliação dos seus eventuais impactos. A Anvisa reitera que as medidas de fronteira devem ser reavaliadas permanentemente e revistas a partir dos resultados alcançados e em razão da evolução do cenário epidemiológico. No tema fronteiras, a Agência seguirá cumprindo as suas atribuições nos termos da Lei 13.979/21, de assessoramento técnico fundamentado, sempre que provocada ou mesmo de ofício, apoiada em razões de saúde pública. Blog do Esmael

O dilema de Moro e Ciro – Por Fernando Brito

Com tantas diferenças, Sergio Moro e Ciro Gomes enfrentam um problema similar em suas candidaturas. Não conseguem superar – nem sequer se aproximarem – do ídolo que pretendem derrubar. Bolsonaro e Lula não perdem senão farelos para os seus ex-ministros que pretendem enfrentá-los. Mais ainda, logo verão parte desta poeira ser atraída, pela força gravitacional da polarização, de volta ao núcleo de onde ser soltaram. Moro achou que poderia ficar longe da polêmica – e da política – num exílio bem remunerado nos EUA e que, quando desejasse, faria sua rentreé triunfal, saudado como salvador da pátria e rivalizando com Bolsonaro no eleitorado conservador. Só mesmo na rejeição, porém, já que ambos assinalam mais de 60% das declarações de que neles não votariam de jeito algum os eleitores. 60% de rejeição para quem está na chefia de um governo desastroso, explica-se por isso mesmo, mas para que é franco atirador, como o ex-juiz, revela um grau de ojeriza que vem menos dos seus atos que de seu caráter. Portanto, mais difícil de ser revertido. Além do mais, se Moro não tem partido senão formalmente a apoiá-lo – condição em que empata com Bolsonaro, este tem (ainda) os partidos informais das Forças Armadas, das polícias e das milícias, além de parte das igrejas evangélicas, a darem capilaridade à sua candidatura, o que falta ao ex-líder da Inquisição brasileira, além de inteligência inata e a construída pelo traquejo político. Sua candidatura, que seria um foguete em seu imaginário e sobe semelhante, no máximo a um balão japonês, vacilante e lerdo e isso realmente não empolga a festa. Já Ciro Gomes, sobre quem os jornais registram as dificuldades de manter a fidelidade da bancada do PDT, está sofrendo os efeitos negativos daquilo que estabeleceu como seu eixo central de campanha, e desde de 2018: o de pretender ser o contraponto, o antagonista de Lula. Desde lá, nunca funcionou. Quando deixou de lado a oposição a Bolsonaro como centro de seu posicionamento, com a omissão cúmplice no segundo turno daquela eleição, Ciro cravou seu limite para o futuro. Quem tolerou a vitória de Bolsonaro não pode pretender seu maior adversário, algo que, com mais força, pela adesão explícita, levou João Bolsodória à situação deplorável em que está hoje. Ciro surgiu, para Carlos Lupi e para a bancada de um PDT que tem pouco a ver com a herança de Leonel Brizola, surgia como uma possibilidade de sobrevivência e, até, de expansão mas, agora, representa um risco de aproximar-se, na votação nacional, do limite da cláusula de barreira que passa a ser aplicada este ano. Ciro pretende, ao que se noticia, com mais do mesmo e corre o risco de agravar seu isolamento. Não aparece, hoje, nenhum sinal de que se vá quebrar a polarização entre Bolsonaro e Lula. Via Tijolaço