Randolfe Rodrigues acusa Pazuello de falso testemunho em depoimento à CPI

“Vídeo mostra que ele fazia o contrário do que falava na CPI”, disse Randolfe (Jefferson Rudy e Leopoldo Silva/Agência Senado) Pazuello alegou que teria ficado de fora das tratativas de aquisição de vacinas por haver entraves éticos na participação de um ministro, mas vídeo mostra que ele fez o contrário Segundo o senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello cometeu crime de falso testemunho ao dizer, em depoimento à CPI da Covid, que não participou das negociações da compra de vacinas contra o coronavírus. Para o parlamentar, o vídeo vazado no qual o então chefe da pasta aparece em reunião com intermediários da venda de doses do imunizante Coronavac, comprova que os relatos dados à comissão são mentirosos. “Basta nós constatarmos o depoimento do ministro na comissão parlamentar de inquérito e o fato de o próprio vídeo mostrar que ele fazia o contrário do que falava na CPI”, disse Randolfe neste sábado (17), em entrevista à GloboNews. Pazuello alegou que teria ficado de fora das tratativas de aquisição de vacinas por haver entraves éticos na participação de um ministro da Saúde em processos de compra da pasta. Os valores negociados eram três vezes maiores do que os oferecidos pelo Instituto Butantan, entidade responsável pelo desenvolvimento da Coronavac em parceria com a empresa chinesa Sinovac. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou a utilização da vacina e questionou sua eficácia em diversas oportunidades. Em outubro do ano passado ordenou a Pazuello que cancelasse a compra dos imunizantes do Butantan. O dono da empresa World Brands Distribuição, representada pelos intermediários com os quais Pazuello se reuniu, Jaime José Tomaselli, foi condenado pela Justiça Federal de Itajaí (SC) por fraude em importação “Em março quando, exatamente por conta da omissão na negociação com a Pfizer, nós estávamos com três mil mortos por dia, ele aparece negociando com uma empresa 171 intermediária de vacinas. Mas esse é o menor dos crimes do senhor Pazuello”, disparou Randolfe. Além do crime de falso testemunho, o senador acusou Pazuello de corrupção ativa e passiva e tráfico de influência. “Nós vamos aprofundar a investigação nesses crimes”, declarou. Intermediários suspeitos O então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, abriu as portas do ministério para representantes de uma empresa que pretendia intermediar a venda ao governo de 30 milhões de doses da Coronavac, vacina do laboratório chinês Sinovac já em uso no País graças à parceria com o Instituto Butantan. A World Brands Distribuição, de Santa Catarina, está registrada em nome do empresário Jaime José Tomaselli. Ele foi um dos três condenados pela Justiça Federal de Itajaí (SC), em maio de 2014, por participar de um conluio que fraudou documentos de importação de produtos. Segundo a decisão do juiz Marcelo Micheloti, notas fiscais de importação de “carrinhos de controle remoto, embalagens em cartela de papel com plástico e lâmpadas fluorescentes” eram falsamente emitidas em nome de uma das empresas de Jaime, a Marfim. Agência Estado
Aumento no valor destinado ao fundo eleitoral gera polêmica na votação da LDO

O aumento do valor a ser repassado ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o chamado fundo eleitoral, gerou reação de senadores durante a votação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) para 2022. O PLN 3/2021, aprovado nesta quinta-feira (15) pelo Congresso Nacional, criou uma fórmula para o cálculo do montante a ser repassado ao fundo, que vai passar de R$ 2 bilhões para R$ 5,3 bilhões. — A LDO, novamente, não reflete a necessidade do país, não garante requisitos de transparência e faz uma quase triplicação dos recursos destinados ao Fundo Eleitoral. É desnecessário, é equivocado e é desrespeitoso com as centenas de milhares de vidas que já perdemos e com o tamanho dos investimentos que serão necessários para a recuperação da nossa economia — criticou o líder do Cidadania, senador Alessandro Vieira (SE). A votação foi feita de forma nominal, a pedido do Podemos. O partido havia apresentado um destaque para a votação em separado dessa parte do texto, mas o pedido foi derrubado na Câmara. Ao pedir a votação nominal, o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), vice-líder do partido, afirmou que o registro serviria para marcar a “impressão digital” dos que aprovassem o aumento. — É um absurdo o que estão fazendo. Em plena pandemia estão possibilitando que se aumente o fundo eleitoral. É uma coisa absurda! A imprensa toda já está falando nisso. É um desrespeito à nação — disse o senador, que orientou o voto não. O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) disse considerar o aumento indecente e imoral. Ele chegou a sugerir que o destaque apresentado pelos senadores do seu partido fosse reestabelecido e disse que, caso contrário, não poderia votar a favor da aprovação por causa do aumento do fundo. O vice-presidente do Congresso, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), que presidia a sessão, explicou que não seria possível retomar um destaque e votar pela derrubada apenas dessa parte, já que os destaques haviam sido rejeitados durante a votação dos deputados. Fundo O fundo foi criado em 2017, após a proibição de doações de empresas para campanhas políticas. Os recursos do fundo, do Tesouro Nacional, são repassados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que faz o repasse aos diretórios nacionais dos partidos políticos. Na LDO de 2020, último ano eleitoral, o valor de R$ 2,03 bilhões foi definido internamente pela Comissão Mista de Orçamentos e aprovado pelo Congresso. À época o governo havia proposto aumentar o valor, mas a repercussão foi bastante negativa e os parlamentares reduziram. Desta vez o relator definiu que o fundo deve receber a soma de 25% do valor das emendas de bancada dos dois últimos anos acrescida dos recursos já destinados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o que deve somar R$ 5,3 bilhões, segundo as Consultorias de Orçamento do Senado e da Câmara. Os valores são repassados de forma proporcional à representatividade dos partidos no Congresso, ou seja: quem tem mais parlamentares recebe mais dinheiro. — A população brasileira não suporta mais assistir tudo isso, ter serviços públicos cada vez piores e disponibilizar para o fundo bilhões, dos quais dois partidos políticos vão levar uma boa e grande fatia. Seriam o PT e o PSL — disse o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN). Ao defender o partido, o líder do PT, senador Paulo Rocha (PA), afirmou que é preciso explicar à população que democracia tem um custo e que os representantes do povo não podem ficar submetidos ao poder econômico. — Nós não somos culpados disso. O PT não tem o que esconder no País. Nós sempre brigamos, é a nossa proposta desde o início. O financiamento de campanha tem que ser financiamento público para assegurar o mínimo de democracia. Senão, aquele que tem poder econômico maior ganha— explicou o líder. Apesar de ser favorável ao aumento no fundo, o partido votou contra a aprovação do PLDO, por ser contrário a outros pontos do projeto. A líder do PSL, senadora Soraya Thronicke (MS), disse ser contra o aumento no valor e chegou a orientar a bancada para votar contra a aprovação do projeto. Após a fala da senadora, no entanto, o partido alterou a orientação para que a bancada votasse a favor da aprovação do PLDO. Igualdade de Condições Também favorável ao aumento no fundo, o senador Jean Paul Prates (PT-RN) afirmou que os recursos servem para financiar a democracia e fornecer a candidatos pobres as condições para fazer suas campanhas. — Com todo respeito a quem estreita o argumento a essa questão de realocar recursos. Pelo amor de Deus! Nós estamos aqui reduzindo da saúde R$ 34 bilhões e estamos reclamando de R$ 5 bilhões que vão financiar a democracia de forma igual, propiciando que candidatos pobres possam ter condição de percorrer as favelas, os igarapés, as ruas e os roçados do país? Isso é completamente desproporcional! O líder do PSD, senador Nelsinho Trad (MS), afirmou que o fundo eleitoral, se administrado de forma transparente e clara, é uma necessidade para que os eleitos não fiquem amarrados a empresas, como ocorria antes da proibição. — E digo também que muitos, muitos dos que encaminham contra serão os primeiros a estarem na fila para poder pegar o fundo eleitoral e fazer as suas campanhas — disse o senador. A líder do PSB, senadora Leila, explicou que, apesar de os parlamentares precisarem, sim, do fundo para as suas campanhas, o aumento no valor neste momento é inadmissível. — É uma questão, assim, de bom senso; de perceber o momento que o País está vivendo, e eu acho que esta Casa deveria ser a primeira a dar o exemplo. É muito ruim neste momento a gente ter que discutir aumento de fundo. Ao orientar o voto não, o líder da oposição, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) lembrou que o momento exige um grande esforço, especialmente em termos de recursos públicos, para que o Brasil se recupere dos efeitos da pandemia. — A essa altura, aumentar o fundo eleitoral soa como um acinte aos brasileiros. Não é o momento. É totalmente despropositado, para falar o mínimo,
Médicos teriam retirado cerca de 1kg de conteúdo fecal de Bolsonaro

Presidente foi diagnosticado com uma obstrução intestinal, que impede a passagem das fezes; ele foi transferido para SP e pode passar por cirurgia No início da tarde desta quarta-feira (14), o Palácio do Planalto confirmou que Jair Bolsonaro foi diagnosticado com uma obstrução intestinal. O presidente, após passar mal e se queixar de fortes dores na região do abdômen, havia dado entrada no Hospital das Forças Armadas (HFA) de Brasília na parte da madrugada e a expectativa, a princípio, era que ele passasse por exames e apenas ficasse em observação por 48 horas. A situação, no entanto, mudou. Apesar da escassez de informações sobre o real estado de saúde do presidente, o cirurgião Antonio Luiz Macedo, médico de confiança de Bolsonaro, foi enviado a Brasília. Ele foi o responsável pela intervenção cirúrgica após o episódio do atentado a faca que o chefe do Executivo sofreu durante a campanha eleitoral de 2018. Foi após a chegada do profissional de saúde no HFA que a transferência de Bolsonaro a São Paulo foi confirmada. Na capital paulista, o presidente pode passar por uma cirurgia de emergência. Informações apuradas pela Fórum dão conta de que, no HFA, Bolsonaro foi submetido a um procedimento com sonda nasogástrica em que foram retirados cerca de 1kg de conteúdo fecal. Isso porque a obstrução intestinal é um bloqueio total do cólon (intestino grosso) que impede a passagem do material fecal circulante daquela região. O acúmulo de material fecal no intestino pode provocar sintomas como desconforto, dor, cólicas e soluços, sinais que Bolsonaro já vem apresentando há mais de uma semana. Ao todo, Bolsonaro já passou por 7 procedimentos cirúrgicos na região do abdômen desde o episódio da facada, na campanha eleitoral de 2018. Via: Revista Fórum
Eunício Oliveira compra apartamento leiloado de Ciro e ironiza: “arrematei de sacanagem”

“O homem não administra nem o patrimônio dele, quer administrar o Brasil?”, ironizou o ex-presidente do Senado, desafeto de Ciro O ex-ministro Ciro Gomes teve um apartamento vendido pela Justiça para pagar uma indenização devida pelo presidenciável do PDT ao senador Fernando Collor. O imóvel, localizado em Fortraleza, foi comprado por R$ 451 mil no leilão judicial pelo ex-presidente do Senado, Eunício Oliveira. Desafeto de Ciro, Eunício ironizou a compra. “Arrematei de sacanagem… O homem não administra nem o patrimônio dele, quer administrar o Brasil?”, afirmou o ex-senador, segundo o colunista Robson Bonin, da Veja. Collor processou Ciro após o pedetista afirmar, em 1999, que Lula deveria ter chamado seu concorrente de “playboy safado” e “cheirador de cocaína” nas eleições de 1989. A indenização foi fixada em R$ 400 mil. Como Ciro não pagou, a Justiça determinou a penhora do imóvel.
Bolsonaro oficializa André Mendonça, seu ministro terrivelmente evangélico para STF

Senado pode rejeitar a indicação do ainda presidente Pode bater na trave a indicação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para a vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) aberta pela aposentadoria do decano Marco Aurélio Mello. O mandatário ungiu o atual ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), André Luiz de Almeida Mendonça, 48 anos, para a corte máxima. O senado da República pode rejeitar o nome terrivelmente evangélico escolhido pelo inquilino do Palácio do Planalto. Não é comum o Senado “gongar” as indicações presidenciais para o STF, no entanto, isso já ocorreu. Em 1894, a Casa barrou o emblemático Cândido Barata Ribeiro –que na época já atuava como ministro do Supremo. Os senadores de antanho não chancelaram a indicação do presidente da novata República, Marechal Floriano Peixoto. Na história do Senado, apenas cinco indicações do presidente para o STF foram derrubadas pelos senadores. Todas elas ocorreram no governo de Floriano Peixoto. Há um histórico de animosidades entre o presidente da República e as instituições, que pode atrapalhar a aprovação de André Mendonça, ministro terrivelmente evangélico. Bolsonaro vem sistematicamente atacando o Judiciário e o Congresso Nacional. Aliás, Bolsonaro sempre defendeu o fechamento dessas duas instituições republicanas. Na semana passada, durante uma live, Jair Bolsonaro acusou senadores da CPI da Pandemia de serem “patifes” e “picaretas” e disse que estava cagando para os parlamentares que investigam possíveis omissões do governo no enfrentamento da pandemia. O contexto da explosão do mandatário são mais de 530 mil mortes pela doença no País. A indicação de Mendonça foi formalizada no Diário Oficial da União desta terça-feira (13/7). Agora é a vez dos senadores. Se o Senado barrar pela sexta vez na história um nome para o Supremo, isso poderá ser entendido como um recado do Congresso a Bolsonaro. André Mendonça é tido como ‘porta-voz’ do presidente da República nesse ambiente turno. O Congresso e o Judiciário ficaram nas últimas horas com o cabelo em pé, especialmente o ministro Alexandre de Moraes, ante as ameaças do presidente da República de não realizar eleições de 2022 e de não reconhecer a vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), caso esse vença nas urnas. O Brasil espera um Supremo Tribunal Federal terrivelmente laico, como prescreve a Constituição de 1988. Quem é André Mendonça, o terrivelmente evangélico indicado para o STF Advogado, pastor e ex-ministro da Justiça por um período no governo Bolsonaro, Mendonça já era aventado como um nome possível para o posto devido a alegações anteriores, por parte do presidente, de que o novo ocupante da Suprema Corte seria um jurista “terrivelmente evangélico”. Natural de Santos, no litoral paulista, o advogado de 48 anos é formado pela Faculdade de Direito de Bauru, no interior de São Paulo. Tem também o título de doutor em Estado de Direito e Governança Global e mestre em Estratégias Anticorrupção e Políticas de Integridade pela Universidade de Salamanca, na Espanha. Mendonça atua na Advocacia-Geral da União (AGU) desde 2000. Na instituição, exerceu os cargos de corregedor-geral e de diretor de Patrimônio e Probidade, dentre outros. Em 2019, ele assumiu o comando da AGU com a chegada de Bolsonaro à presidência, mas não ocupou apenas este cargo desde então. Após a saída do ex-ministro Sergio Moro, Mendonça assumiu a pasta da Justiça e Segurança Pública em abril de 2020. No entanto, voltou para a AGU em abril de 2021 após a mais recente reforma ministerial do governo Bolsonaro, ocasionada após crise com o alto-escalão das Forças Armadas. Nos últimos dias, com a proximidade da aposentadoria compulsória de Marco Aurélio Mello pelo seu aniversário de 75 anos, Mendonça limitou-se a comentar que qualquer indicado à vaga “certamente será um grande ministro”. Senado já rejeitou médico e general para o Supremo Tribunal Federal O Senado aprovou há duas semanas o advogado Luiz Edson Fachin para o Supremo Tribunal Federal (STF). A toga de ministro não veio fácil. Indicado pela presidente Dilma Rousseff, ele passou 11 horas sendo interrogado pelos senadores e, no final, recebeu 52 votos a favor — só 11 além do mínimo necessário — e 27 contra. Se Fachin tivesse sido barrado, uma tradição teria se quebrado. O STF foi criado em 1890, após a Proclamação da República. Nestes 125 anos, apenas cinco indicações do presidente foram derrubadas pelos senadores. Todas as rejeições ocorreram em 1894, no governo do marechal Floriano Peixoto. O caso mais emblemático foi o de Cândido Barata Ribeiro, que amargou a reprovação quando já atuava como ministro do STF. Na época, o escolhido podia assumir as funções antes de o Senado votar a indicação. Após dez meses julgando processos, Barata Ribeiro foi obrigado a deixar o casarão da Rua do Passeio, no Rio, onde os juízes da alta corte despachavam. O breve ministro hoje é mais conhecido por ser tio-avô do comediante Agildo Ribeiro e dar nome a uma rua de Copacabana. Seu currículo, no entanto, vai muito além. Barata Ribeiro foi uma das figuras mais influentes do país. Ele era médico-cirurgião e lecionava na Faculdade de Medicina do Rio. Foi expoente dos movimentos pelo fim da escravidão e da monarquia e, mais tarde, prefeito do Distrito Federal (o status do Rio após a queda de dom Pedro II). Apesar dessas credenciais, os senadores concluíram que Barata Ribeiro não poderia ficar no STF. Motivo: ele não tinha formação jurídica. Floriano havia feito a nomeação aproveitando-se de uma brecha na lei. A Constituição de 1891 exigia dos ministros do STF “notável saber” — sem especificar o tipo de saber. O Arquivo do Senado, em Brasília, guarda o histórico parecer emitido pelos senadores no Palácio Conde dos Arcos, a sede da Casa, em setembro de 1894. Diz o documento: “Mentiria a instituição [STF] a seus fins se entendesse que o sentido daquela expressão ‘notável saber’, referindo-se a outros ramos de conhecimentos humanos, independesse dos que dizem respeito à ciência jurídica, pois que isso daria cabimento ao absurdo de compor-se um tribunal judiciário de astrônomos, químicos, arquitetos”. Senso jurídico Em outro ponto do parecer, os senadores foram ainda mais
Democracia: CNBB solta nota após ataque à democracia de brigadeiro da Aeronáutica

“A sociedade democrática brasileira está atravessando um dos períodos mais desafiadores da sua história”, diz a entidade A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou uma nota nesta sexta-feira (9) em defesa da democracia. A mensagem foi divulgada no mesmo dia em que o brigadeiro Carlos Almeida Baptista Junior, comandante da Aeronáutica, fez insinuações sobre um possível golpe militar e um dia depois do presidente Jair Bolsonaro dar a entender que as eleições de 2022 podem não acontecer. “A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB levanta sua voz neste momento, mais uma vez, para defender vidas ameaçadas, direitos desrespeitados e para apoiar a restauração da justiça, fazendo valer a verdade. A sociedade democrática brasileira está atravessando um dos períodos mais desafiadores da sua história. A gravidade deste momento exige de todos coragem, sensatez e pronta correção de rumos”, diz trecho da nota. Em entrevista a O Globo, o comandante da Aeronáutica disse que a nota conjunta das Forças Armadas e do Ministério da Defesa com ataques ao presidente da CPI do Genocídio, Omar Aziz (PSD-AM), é um “alerta às instituições” e frisou que “homem armado não ameaça” ao ser indagado sobre a possibilidade de um novo golpe no país. Na mensagem, a CNBB demonstra apoio às investigações travadas pela CPI do Genocídio, que tem apurado denúncias de corrupção envolvendo a compra de vacinas contra a Covid-19. “A trágica perda de mais de meio milhão de vidas está agravada pelas denúncias de prevaricação e corrupção no enfrentamento da pandemia da COVID-19. ‘Ao abdicarem da ética e da busca do bem comum, muitos agentes públicos e privados tornaram-se protagonistas de um cenário desolador, no qual a corrupção ganha destaque’ (CNBB, Mensagem da 56ª. Assembleia Geral ao Povo Brasileiro, 19 de abril de 2018)”, afirma. “Apoiamos e conclamamos às instituições da República para que, sob o olhar da sociedade civil, sem se esquivar, efetivem procedimentos em favor da apuração, irrestrita e imparcial, de todas as denúncias, com consequências para quem quer que seja, em vista de imediata correção política e social dos descompassos”, finalizam. Confira na íntegra: Nota da CNBB diante do atual momento brasileiro Brasília-DF, 9 de julho de 2021 A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB levanta sua voz neste momento, mais uma vez, para defender vidas ameaçadas, direitos desrespeitados e para apoiar a restauração da justiça, fazendo valer a verdade. A sociedade democrática brasileira está atravessando um dos períodos mais desafiadores da sua história. A gravidade deste momento exige de todos coragem, sensatez e pronta correção de rumos. A trágica perda de mais de meio milhão de vidas está agravada pelas denúncias de prevaricação e corrupção no enfrentamento da pandemia da COVID-19. “Ao abdicarem da ética e da busca do bem comum, muitos agentes públicos e privados tornaram-se protagonistas de um cenário desolador, no qual a corrupção ganha destaque.” (CNBB, Mensagem da 56ª. Assembleia Geral ao Povo Brasileiro, 19 de abril de 2018). Apoiamos e conclamamos às instituições da República para que, sob o olhar da sociedade civil, sem se esquivar, efetivem procedimentos em favor da apuração, irrestrita e imparcial, de todas as denúncias, com consequências para quem quer que seja, em vista de imediata correção política e social dos descompassos. Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte (MG) Presidente da CNBB Dom Jaime Spengler Arcebispo de Porto Alegre (RS) Primeiro Vice-Presidente da CNBB Dom Mário Antônio da Silva Bispo de Roraima (RR) Segundo Vice-Presidente da CNBB Dom Joel Portella Amado Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ) Secretário-geral da CNBB
58% a 31% – Pesquisa aponta Lula com quase o dobro dos votos de Bolsonaro

Na pesquisa espontânea, quando não são revelados os nomes dos candidatos, Lula subiu 5 pontos porcentuais – de 21% para 26% – desde o último levantamento, realizado em maio Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (9) confirma a disparada do ex-presidente Lula (PT) sobre Jair Bolsonaro (Sem Partido) na simulação da disputa presidencial de 2022. O petista continua subindo nas pesquisas em todos os cenários. No segundo turno, Lula venceria Bolsonaro por 58% a 31%, quase o dobro dos votos, segundo o Datafolha. Na pesquisa espontânea, quando não são revelados os nomes dos candidatos, Lula subiu 5 pontos porcentuais – de 21% para 26% – desde o último levantamento, realizado em maio. Bolsonaro tinha 17% e foi para 19%. Ciro Gomes (PDT) oscilou de 1% para 2%. Os que dizem não saber em quem votar eram 49% e hoje são 42% – outros candidatos marcaram 2%; nulos ou brancos são 8%. Cenários Lula também aparece à frente nos dois cenários pesquisados pelo Datafolha. Na simulação com o governador paulista João Doria (PSDB), o petista registra 46% das intenções de voto. Bolsonaro tem 25%, Ciro 8%, o tucano marca 5%, e Luiz Henrique Mandetta, do DEM, 4%. Não sabem são 2% e em branco ou nulo 10%. No cenário com o governador gaúcho Eduardo Leite como candidato tucando, Lula marca os mesmos 46% contra 25% do atual presidente. Ciro sobe 1 ponto e vai a 9%, Mandetta chega a 5% e Leite registra 3%. Não sabem, brancos ou nulos são idênticos à primeira simulação. Rejeição A pesquisa mostra ainda que Bolsonaro lidera disparado a rejeição entre os eleitores: 59% dizem que não votariam nele. Lula e Doria são rejeitados por 37%, Ciro por 31%, Mandetta por 23% e Eduardo Leite, ainda desconhecido para a maioria, 21%.
Caguei para a CPI, disse Bolsonaro. E Renan ironiza: caguei será o slogan de Bolsonaro para 2022

Durante sua live semanal, o presidente Jair Bolsonaro reagiu nesta quinta-feira (8) com irritação à carta enviada a ele pela cúpula da CPI do Genocídio. Os senadores haviam cobrado que ele se manifestasse sobre o depoimento dos irmãos Miranda na CPI. À comissão, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) afirmou que conversou com Jair Bolsonaro sobre esquema de corrupção na compra da vacina Covaxin e que o mandatário responsabilizou o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). Até o momento, o mandatário não negou a informação. “Eu agora sou ‘corrupto’… Como se seu pegasse 1 centavo com a vacina. Zero. Não vou responder questão de CPI para esses caras, esse tipo de gente que quer desgastar o governo. O Renan quer a volta do Lula. Hoje o Renan, o Omar e o saltitante (sic) fizeram uma festa lá embaixo entregando um documento para eu responder. Pergunto à CPI: sabe qual a minha resposta? Caguei. Caguei para a CPI. Não vou responder nada. É uma CPI de 6 pessoas que não estão preocupadas com a verdade. O que a CPI produziu de bem?”, disse Bolsonaro durante transmissão ao vivo. “Não tenho paciência para ficar ouvindo patifes. CPI de picaretas, 7 picaretas”, completou. “Dentro da Saúde tem os filtros, tem a CGU, um servidor não pode fazer um esquema sozinho”, agregou. “Deita aí para esperar minha resposta”, afirmou em outro momento da live. Na carta enviada ao presidente, os senadores que integram a cúpula da CPI cobraram um posicionamento sobre o depoimento de Miranda. Em entrevista coletiva, Aziz afirmou que o contato era uma oportunidade para Bolsonaro dar sua versão sobre a conversa com o parlamentar e defender o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo. A postura do presidente em insistir que não está atento à CPI parece ser uma forma de negar a realidade. Pesquisas de opinião de diferentes institutos mostram o aumento da rejeição do governo e a queda na aprovação. Renan Calheiros ironiza “caguei” de Bolsonaro: “Já tem o slogan de 2022” Senadores membros da CPI do Genocídio reagiram à declaração chula de Bolsonaro com um misto de ironia e desprezo. “Resposta não é à CPI, é ao povo brasileiro”, afirmou Randolfe Rodrigues Relator da CPI e um dos alvos prediletos de Bolsonaro, Renan Calheiros (MDB-AL) usou da ironia e rebateu dizendo o presidente já encontrou um slogan para a campanha à reeleição no próximo ano. “Que síntese. Nunca um governo foi tão bem definido em uma palavra. Parabéns Bolsonaro, foi o que o senhor fez mesmo. Já tem o slogan de 2022”, tuitou. Que síntese. Nunca um governo foi tão bem definido em uma palavra. Parabéns Bolsonaro, foi o que o senhor fez mesmo. Já tem o slogan de 2022. — Renan Calheiros (@renancalheiros) July 9, 2021 “É importante frisar: a resposta do Presidente não é à CPI, é ao POVO BRASILEIRO! Seu desprezo pela vida é a resposta dele para as mais de meio milhão de famílias enlutadas. Ele ofende o povo que quer vacina, que está com medo de morrer enquanto tem gente ROUBANDO”, escreveu Randolfe. É importante frisar: a resposta do Presidente não é à CPI, é ao POVO BRASILEIRO! Seu desprezo pela vida é a resposta dele para as mais de meio milhão de famílias enlutadas. Ele ofende o povo que quer vacina, que está com medo de morrer enquanto tem gente ROUBANDO! — Randolfe Rodrigues (@randolfeap) July 8, 2021 Delegado de polícia por 17 anos, Alessandro Vieira (Cidadania-RS) afirmou que “a única diarreia do Bolsonaro relevante para o país é a mental, que está na base de uma gestão fracassada e irresponsável”. “Nós brasileiros é que vamos limpar essa sujeira. Qualquer outra manifestação tosca e grosseira não merece resposta. Já passamos de meio milhão de mortos”, tuitou. A única diarreia do Bolsonaro relevante para o país é a mental, que está na base de uma gestão fracassada e irresponsável. Nós brasileiros é que vamos limpar essa sujeira. Qualquer outra manifestação tosca e grosseira não merece resposta. Já passamos de meio milhão de mortos. — Alessandro Vieira (@_AlessandroSE) July 9, 2021 Eliziane Gama (Cidadania-MA), que representa a bancada feminina na CPI, diz que “ao usar palavra chula para atacar a CPI da Covid e esconder denúncias de corrupção sob o tapete, o presidente apenas mostra a sua falta de grandeza”. “E a sua linguagem definitivamente não é compatível com a grandeza do povo brasileiro”. Ao usar palavra chula para atacar a CPI da Covid e esconder denúncias de corrupção sob o tapete, o presidente apenas mostra a sua falta de grandeza. E a sua linguagem definitivamente não é compatível com a grandeza do povo brasileiro. — Eliziane Gama (@elizianegama) July 9, 2021
Bolsonaro é burro, desonesto, incompetente, despreparado e autoritário, diz Datafolha

Dados divulgados nesta quinta-feira (8) não são nada animadores para o presidente e muito menos motivo de orgulho A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (8) sobre a popularidade Jair Bolsonaro revelou também impressões da população sobre o presidente que não devem deixá-lo muito orgulhoso. A maioria dos entrevistados ouvidos pela pesquisa considerou o chefe de estado brasileiro desonesto, falso, incompetente, despreparado, indeciso, autoritário e pouco inteligente. Sobre o primeiro quesito mencionado, 52% consideraram o presidente desonesto, um aumento em relação aos 38% que pensava o mesmo na pesquisa de junho de 2020. Já sobre a sinceridade dele, 61% o avaliaram como falso, contra 52% no último levantamento. Quando o assunto é competência, os números não são muito diferentes. Entre os ouvidos, 58% consideram Bolsonaro um incompetente, um crescimento razoável se comparado à ultima enquete, quando ele foi avaliado dessa forma por 52% dos entrevistados. Um indicador que também afetou seriamente a imagem do mandatário brasileiro nesta pesquisa Datafolha foi o do preparo para exercer o cargo. Para 62% Jair Bolsonaro é despreparado, índice maior que os 58% de um ano atrás. Para 57% dos entrevistados o presidente é indeciso, mesmo índice dos que consideram Bolsonaro pouco inteligente. Além disso, uma de suas principais marcas também já é percebida pela maioria dos brasileiros: o autoritarismo. Os que o veem como autoritário representam dois terços do total, 66%. A pesquisa Datafolha ouviu 2.074 pessoas entre os dias 7 e 8 de julho, em 146 municípios de todos os estados brasileiros
Esposa de Adriano da Nóbrega negocia com MPF delação premiada

Júlia Lotufo estava na Bahia com o capitão Adriano da Nóbrega, onde ele foi morto em fevereiro de 2020 Júlia Emílio Mello Latufo, viúva de Adriano da Nóbrega, miliciano ligado ao senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ) negocia há algumas semanas uma delação premiada com o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro e o Ministério Público do estado através de seu advogado, o ex-senador Demóstenes Torres. A delação, de acordo com a coluna de Guilherme Amado no Metrópoles, já está na segunda fase, ou seja, já foi aceita pelos procuradores e agora investiga uma série de homicídios cometidos no Rio de Janeiro por organizações criminosas. Júlia Lotufo estava na Bahia com o capitão Adriano da Nóbrega, onde ele foi morto em fevereiro de 2020. Ficou foragida, teve a prisão preventiva decretada, mas, logo a seguir, sua punição foi reduzida a prisão domiciliar. Atualmente, ela responde a um processo da 1ª Vara Criminal Especializada da Capital do RJ, por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Com a morte do marido, segundo esse processo, coube a ela cuidar do espólio de atividades ilegais de Adriano. A própria Júlia procurou a Polícia Civil. Após isto, foi encaminhada ao MP, na área que investiga a participação de milicianos em assassinatos de aluguel — mortes como as cometidas pela organização criminosa Escritório do Crime. Posteriormente, o Ministério Público Federal foi envolvido na negociação e tudo caminha para que na semana que vem haja a homologação.