Polícia mata jovem negro por roubo de celular que esqueceu no próprio carro

De acordo com testemunha, o cabo Silvio Pereira dos Santos Neto aparentava estar embriagado e cobrou Clayton Abel de Lima pelo aparelho. O jovem respondeu que não sabia e foi alvejado O cabo da PM Silvio Pereira dos Santos Neto, 29, foi preso em flagrante no sábado (7) após matar Clayton Abel de Lima, 20, num bar na região de Vila Medeiros, na zona norte da capital paulista. Neto acusou Clayton de ter roubado seu celular que foi encontrado, após o crime, no carro do PM. A reportagem é de Jeniffer Mendonça, na Ponte. Após o disparo que matou Clayton, dois PMs que foram atender a ocorrência afirma que encontraram Silvio Neto “agitado”, “aparentando estar embriagado”, e que teria dito a eles que tinha sofrido uma tentativa de roubo e que reagiu contra o suspeito. O dono do estabelecimento conta que presenciou uma discussão entre os dois, que estariam embriagados. Silvio questionou a Clayton onde estava seu celular, que respondia não saber. O cabo ainda teria ido até o dono e também perguntado sobre o aparelho, que disse desconhecer. Depois, viu Silvio retornar ao fundo do bar e ouviu um disparo. O dono afirma que correu e viu Clayton caído no chão e que tirou a arma das mãos do cabo e a descarregou. Silvio tentou pegá-la de volta e apresentou sua carteira funcional de policial militar, mas o homem não a devolveu. A testemunha disse que pediu para pessoas no local chamarem o resgate e a polícia. Quando os PMs chegaram, entregou a eles o revólver calibre 357. O carro de Silvio, que estava estacionado na mesma rua, a poucos metros do local, também foi periciado. Nele, estavam um cartão do SUS e um comprovante de banco em nome de Clayton, além do aparelho celular do cabo. Silvio foi indiciado por homicídio doloso (quando há intenção de matar). De acordo com o delegado Ricardo Lemes de Araujo, do DHPP, ele “não estava confinado em situação de perigo que justificasse reação imoderada e desproporcional, consistente em disparar contra indivíduo desarmado, o levando a óbito no local”. Araujo também pediu a prisão de Silvio, que foi convertida em preventiva (sem prazo determinado) em audiência de custódia. O cabo está no Presídio Militar Romão Gomes. Leia mais detalhes na Ponte

Câmara barra distritão, mas resgata coligações de deputados para as eleições 2022

Proposta entrou na pauta da Câmara de forma repentina, por decisão do presidente da Casa, Arthur Lira (Cleia Viana/Câmara) Proposta que beneficiaria atuais parlamentares, ‘distritão’ foi derrotado após um acordo com os partidos de oposição. Votação foi colocda ‘a jato’ por Arthur Lira Em votação a jato, a Câmara aprovou nessa quarta-feira, 11, o texto-base da proposta de emenda à Constituição (PEC) com uma nova reforma eleitoral. A principal mudança traz de volta as coligações entre partidos, extintas em 2017, nas eleições para deputados e vereadores. O “distritão”, que até então era o mote da proposta, foi derrotado após um acordo com os partidos de oposição. Se a mudança for confirmada pelo Senado, as eleições municipais de 2020 terão sido as únicas realizadas sem as coligações proporcionais. A reforma aprovada pela Câmara atende aos interesses dos pequenos partidos e deverá frear a queda na fragmentação do sistema político ao permitir que o país continue tendo um grande número de siglas com representação no Congresso. Sob a relatoria da deputada Renata Abreu (Podemos-SP), a proposta entrou na pauta da Câmara de forma repentina, por decisão do presidente da Casa, Arthur Lira (Progressistas-AL). Foi aprovada em primeiro turno por um placar de 339 votos a 123. Depois desta votação, os deputados passaram a apreciar destaques ao texto, excluindo ou mantendo partes separadas. O “distritão” foi rejeitado por 423 votos a 35. Já a volta das coligações proporcionais teve o apoio de 333 deputados – houve 149 votos contrários. A PEC permite a retomada das coligações para eleições proporcionais já a partir do ano que vem, quando serão eleitos deputados estaduais e federais, mas, para ter validade, a reforma precisa ser promulgada até outubro. Até agora, a disputa de 2020 foi a primeira, e única, na qual os vereadores não puderam concorrer por meio de coligações. Hoje, a Casa também deve votar a proposta da federação de partidos, segundo a qual legendas pequenas e com fraco desempenho eleitoral podem se juntar para escapar da cláusula de barreira. A reforma ainda terá de ser votada em segundo turno na Câmara antes de seguir para o Senado. Como se trata de uma emenda constitucional, a PEC precisa ter no mínimo 308 votos na Câmara e 49 no Senado, em duas votações em cada Casa. No modelo de coligação, a quantidade de votos de cada um dos candidatos de uma mesma aliança entre partidos é somada e dividida pelo quociente eleitoral. Trata-se da relação entre o número de votos válidos e o de vagas. O resultado é o total de vagas daquela coligação e os mais votados dentro do grupo são eleitos. Essa união não precisa ser replicada em âmbito federal, estadual ou municipal. O fim das coligações prejudica os partidos pequenos, uma vez que as legendas muitas vezes não conseguem indicar, sozinhas, o número máximo de candidatos para os cargos proporcionais num determinado Estado. Neste caso, com menos gente fazendo campanha, o “bolo” de votos tende a ser menor, resultando em menos vagas para esses partidos. ‘Mal menor’. “Optamos pelo mal menor, que entendemos que é o retorno das coligações”, afirmou nesta quarta-feira o líder da Oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ). O acordo para remover o “distritão” – que já foi barrado pela Câmara em outras duas ocasiões, em 2015 e 2017 – partiu de deputados do PT, segundo apurou o Estadão. “É menos ruim para o País a volta da coligação do que o “distritão”, que é um golpe na nossa democracia”, disse o presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP). Lira interrompeu a votação de uma medida provisória sobre manutenção de empregos para colocar a PEC em votação, após se reunir com líderes da base e com Renata Abreu. A mudança na pauta do dia, de última hora, provocou protestos no plenário. O presidente da Câmara se justificou, sob o argumento de que estava usando a mesma celeridade adotada na análise da PEC do voto impresso, rejeitada na Câmara na noite desta terça-feira, dia 10. O requerimento para acelerar a votação foi aprovado no começo da noite com um quorum menor do que o necessário para uma PEC, o que abriu espaço para a negociação que derrotou o “distritão”. “Esta Casa já tem restrição de representação popular, mesmo com o voto proporcional. Se nós olharmos aqui, veremos que a maioria é homem, a maioria é branca, mas ainda assim conseguimos, com o proporcional, trazer negros, negras, mulheres, indígenas”, afirmou a presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR). A deputada observou que, se o “distritão” passasse, não haveria essa representação. O Estado de São Paulo

Relatório da CPI vai incluir indiciamento de Bolsonaro por charlatanismo

O relator Renan Calheiros acusa o presidente de ser ‘garoto propaganda’ de remédios sem comprovação científica (Jefferson Rudy/Ag. Senado) Comissão do Senado avalia ainda outros supostos crimes cometidos pelo presidente A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid decidiu encaminhar o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro por charlatanismo após o chefe do Planalto incentivar o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra o novo coronavírus. A medida foi discutida por senadores nesta quarta-feira (11), e deve fazer parte do relatório final da CPI, a ser apresentado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). A CPI ouve nesta quarta o diretor executivo da Vitamedic, Jailton Batista, um dos fabricantes da ivermectina no Brasil. A empresa aumentou os ganhos com a venda do medicamento durante a pandemia e patrocinou publicações incentivando o chamado medicamento precoce, contrariando evidências científicas. Para os senadores, Bolsonaro foi o principal “garoto-propaganda” de medicamentos como a ivermectina e a hidroxicloroquina durante a pandemia, disseminando informações falsas para a população e levando pessoas à morte. O relatório de Renan, para se tornar uma conclusão final da CPI, precisa ser aprovado na comissão. A maioria dos integrantes do colegiado é aliada ao senador. “E o custo foi pago em vidas. Está aqui a tragédia. E, com certeza, a Vitamedic colaborou para que isso acontecesse ao continuar produzindo e comercializando, para tratamento da Covid, um medicamento inútil, ineficaz, tido como tal pela ciência, por todos de responsabilidade no Brasil e no mundo”, disse Renan Calheiros durante o depoimento, exibindo uma placa com o número de mortos pela doença no país, que chegou a 564.890 na terça-feira (10). De acordo com senadores, Renan Calheiros vai propor o indiciamento de Bolsonaro com base nos artigos 283 e 284 do Código Penal, que punem os crimes de charlatanismo e curandeirismo. As penas para as duas condutas variam de três meses a dois anos de prisão e multa. O relatório da CPI deve ser encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), responsável por encaminhar uma denúncia contra o presidente por crime comum. “O senhor Jair Bolsonaro atuou como se fosse um curandeiro, anunciando cura infalível para uma doença em que isso efetivamente não existe”, disse o senador Humberto Costa (PT-CE). “É um constrangimento ver o presidente da República se prestar a um papel desses, ou seja, de charlatão, ao prescrever sem autorização para tal”, afirmou o senador Rogério Carvalho (PT-SE). Com prazo final marcado para 5 de novembro, os senadores da CPI já discutem um rol de crimes pelos quais Bolsonaro será acusado no relatório final. Outra conduta apontada é o crime de prevaricação no caso da vacina indiana Covaxin. Nesta quinta-feira (12), a CPI ouvirá o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), acusado de atuar em um suposto esquema de corrupção na compra do imunizante. O deputado nega qualquer influência ou atuação irregular. Além do indiciamento por charlatanismo, Renan Calheiros anunciou que vai sugerir uma onda de ações de indenização nos estados para que as famílias de vítimas da Covid-19 processem a União e as empresas que lucraram com medicamentos sem eficácia comprovada. A iniciativa dependerá das próprias famílias, mas Renan sugeriu que as Advocacias dos Estados e da União auxiliem nos processos.

Câmara cassa mandato de Flordelis, que pode ser presa pelo assassinato do marido

Com o mandato cassado, Flordelis perde a imunidade parlamentar e fica sujeita a uma prisão preventiva. Ela é acusada de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson Torres O plenário da Câmara dos Deputados, por 437 votos a favor, 7 contrários, e 12 abstencões, decidiu nesta quarta-feira (11) cassar o mandato da deputada federal Flordelis (sem partido-RJ), acusada de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson Torres, em 2019. Torres foi morto com 30 tiros. Para concretizar a cassação, bastaria obter maioria absoluta dos deputados, ou seja, 257 votos. Flordelis nega ter participação no crime e acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a votação. O recurso, no entanto, foi negado pela ministra Cármen Lúcia. Com o mandato cassado, Flordelis não tem mais direito a imunidade parlamentar, o que lhe livrava da prisão preventiva. Como deputada, ela só poderia ser presa em flagrante de crime inafiançável. O relator do processo contra Flordelis no Conselho de Ética da Câmara, deputado Alexandre Leite (DEM-SP), deu parecer favorável à cassação.

A maioria dos deputados votou a favor voto impresso. E dai? Bolsonaro foi derrotado

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que previa a obrigatoriedade da adoção do voto impresso nas eleições brasileiras foi derrotada na noite desta terça-feira pela Câmara dos Deputados, mesmo a maioria dos parlamentares votando favorável ao atraso do voto impresso. O placar registrou 229 votos a favor e 218 contra. Houve uma abstenção PO-pulista, de Aécio Neves. Como se trata de uma PEC, para ser aprovada, a matéria precisaria do voto de 308 dos 513 deputados. Ou seja, mesmo ganhando, o ainda presidente Jair Bolsonaro foi derrotado. Anteriormente, a comissão especial da Câmara, já tinha derrotado esta PEC, mas o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), decidiu levá-la ao plenário, que acabou sendo definitivamente derrotada. Veja, abaixo, como votaram os deputados mineiros sobre o tema. A favor do voto impresso: Alê Silva (PSL) Charlles Evangelista (PSL) Delegado Marcelo Freitas (PSL) Diego Andrade (PSD) Dimas Fabiano (PP) Domingos Sávio (PSDB) Dr. Frederico (Patriota) Emidinho Madeira (PSB) Eros Biondini (PROS) Euclydes Pettersen (PSC) Franco Cartafina (PP) Fred Costa (Patriota) Gilberto Abramo (Republicanos) Greyce Elias (Avante) Hercílio Coelho Diniz (MDB) Júlio Delgado (PSB) Junio Amaral (PSL) Lafayette Andrada (Republicanos) Léo Motta (PSL) Lincoln Portela (PL) Lucas Gonzalez (Novo) Misael Varella (PP) Stefano Aguiar (PSD) Subtenente Gonzaga (PDT) Weliton Prado (Pros) Zé Vitor (PL) Contra o voto impresso: Aelton Freitas (PL) André Janones (Avante) Áurea Carolina (PSOL) Eduardo Barbosa (PSDB) Leonardo Monteiro (PT) Luis Tibé (Avante) Marcelo Aro (PP) Mário Heringer (PDT) Newton Cardoso Jr (MDB) Odair Cunha (PT) Padre João (PT) Patrus Ananias (PT) Paulo Guedes (PT) Reginaldo Lopes (PT) Rodrigo de Castro (PSDB) Rogério Correia (PT) Tiago Mitraud (Novo) Vilson da Fetaemg (PSB) Abstenção Aécio Neves (PSDB) Não votaram Bilac Pinto (DEM) Fábio Ramalho (MDB) Igor Timo (Podemos) Marcelo Álvaro Antônio (PSL) Mauro Lopes (MDB) Paulo Abi-Ackel (PSDB) Pinheirinho (PP) Zé Silva (Solidariedade)

Em dia de desfile de tanques, Senado enterra LSN e aprova Lei de Defesa do Estado Democrático

Projeto, que já havia sido aprovado na Câmara, torna crime, por exemplo, golpe de Estado, interrupção do processo eleitoral, comunicação enganosa em massa e atentado ao direito de manifestação O Senado aprovou por maioria, nesta terça-feira (10), o texto-base da Lei de Defesa do Estado Democrático, projeto que revoga a Lei de Segurança Nacional (LSN), resquício da ditadura militar. A matéria já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e seguiu para o Senado sob a relatoria de Rogério Carvalho (PT-SE). Os senadores, agora votarão os destaques apresentados à propostas e, caso todos sejam rejeitados, o projeto segue para a sanção do presidente Jair Bolsonaro. A proposta tipifica no Código Penal, por exemplo, crimes contra as instituições democráticas; o funcionamento das eleições; e a cidadania. Entre os crimes estão golpe de Estado, interrupção do processo eleitoral, comunicação enganosa em massa e atentado ao direito de manifestação. A Lei de Segurança Nacional, agora revogada, é de 1983, período em que o país ainda vivia sob ditadura militar. A aprovação da nova lei em defesa do Estado Democrático de Direito tem, inclusive, caráter simbólico por ter ocorrido no mesmo dia em que as Forças Armadas e Jair Bolsonaro encamparam um desfile com tanques de guerra em frente ao Palácio do Planalto, em uma tentativa de intimidar as instituições. “Sobre essa manifestação de hoje, o desfile de tanques das Forças Armadas em Brasília, que muitos Senadores apontaram como algo que seria indevido, inoportuno, um tanto aleatório, devo dizer, para aqueles que assim interpretaram, que está reafirmado o nosso compromisso com a democracia, e absolutamente nada e ninguém haverá de intimidar as prerrogativas do Parlamento”, disse o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), durante a sessão que aprovou o projeto. “Viva a democracia!”, exclamou. “Temos a compreensão de que as democracias precisam de normas penais para assegurar a soberania da Nação e o respeito ao Estado democrático de direito. Ameaças à estabilidade democrática devem ser coibidas com rigor. Neste contexto, acreditamos que o projeto de lei a ser aprovado estabelece regras apropriadas para garantir a segurança institucional sem o risco de servir ao propósito de perseguição política”, afirmou por sua vez Rogério Carvalho, relator da proposta. Pelas redes sociais, Carvalho comemorou a aprovação do projeto. “Senado aprova nosso relatório que REVOGA a lei autoritária da ditadura militar, denominada Lei de Segurança Nacional. Uma honra relatar esse PL que enterra esse resquício da ditadura. GRANDE DIA! Vitória da Democracia! Tanques nas ruas nunca mais!”, escreveu. Novos crimes O texto-base tipifica dez novos crimes: atentado à soberania; atentado à integridade nacional; espionagem; abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; interrupção do processo eleitoral; comunicação enganosa em massa; violência política; sabotagem; atentado a direito de manifestação. O que não é crime Não serão considerados crimes contra o Estado Democrática de Direito: manifestação crítica aos poderes constitucionais; atividade jornalística; reivindicação de direitos e garantias constitucionais por meio de passeatas, reuniões, greves, aglomerações ou qualquer outra forma de manifestação política com propósitos sociais.

MEMES – Militares envergonhados: desfile de tanques precários vira piada nas redes

Comboio com veículos blindados e armamentos passa pela Esplanada dos Ministérios (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) A imagem de tanques com emissão de fumaça e gases poluentes em elevada quantidade na frente do Planalto virou motivo de deboche na internet Utilizado como uma tentativa de intimidar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), de acordo com interlocutores do Planalto, o desfile de tanques em Brasília revelou um alinhamento mais tênue da Marinha com o Poder Executivo e pressiona o comandante do Exército, Paulo Sérgio. Desde o começo do ano, o presidente Jair Bolsonaro exige atos de lealdade e apoio dos militares ao governo. Desde que assumiu, Paulo Sérgio resiste em participar de atos políticos e endossar manifestações públicas, embora isso tenha ocorrido em notas editadas pelo Ministério da Defesa com ataques ao parlamento. De outro lado, o comandante da Marinha, Almir Garnier dos Santos, revela proximidade política com o Executivo. A Operação Formosa ocorre todos os anos e o presidente sempre é convidado para a cerimônia. No entanto, neste ano é a primeira vez que foi realizada uma “ação promocional”, nome dado aos militares para a passagem de tanques no centro de Brasília. A sugestão da visita das tropas a Praça dos Três Poderes partiu da Marinha, foi chancelada pelo ministro da Defesa, Braga Netto e autorizada por Bolsonaro. O ato gerou ânimos exaltados no Congresso. O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID-19, senador Omar Aziz, classificou o ato como tentativa de “golpismo” e intimidação do Legislativo. Até mesmo Ciro Nogueira, aliado do Planalto, disse não ver o desfile com bons olhos. O presidente Jair Bolsonaro acompanha o desfile de tanques em Brasília(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) A imagem de tanques com emissão de fumaça e gases poluentes em elevada quantidade na frente do Planalto virou piada na internet. Militares ouvidos pelo Correio disseram que estão envergonhados com o evento, e dizem que as tropas foram expostas a condição política e vexatória. O comandante do Exército evitou chamar atenção, mas agora é pressionado a mostrar apoio ao governo, como fez o comandante Garnier. Outro que decidiu se distanciar do desfile foi o vice-presidente, Hamilton Mourão, general da reserva, e que ao contrário de Bolsonaro, esteve recentemente na ativa. “Não é o perfil dele. Preferiu não ir”, disse um interlocutor do militar. Confira alguns memes: nova campanha do governo… é o: Tanque do Fumacê – Dengue Aqui Não! pic.twitter.com/oNCkgrO5GE — memecrata (@memecrata) August 10, 2021 É desfile militar ou fumigação contra dengue pic.twitter.com/uA8ppHB3nD — bruno (@bslvra) August 10, 2021 Bem, pelos veículos que eu vi nessa desfile constrangedor a Bolívia tá dando mole de não descolar sua saída pro oceano atlântico. pic.twitter.com/hGWufN186R — Medo e Delírio em Brasília (@medoedeliriobr) August 10, 2021 Coloquei uma música apropriada no vídeo do desfile dos tanques golpistas por Brasília. pic.twitter.com/LZe6nei5cb — Flávio Costa (@flaviocostaaf) August 10, 2021 Carluxo, traz a cloropina que o pai capotô o corsa no desfile pic.twitter.com/L50ojK1M1p — jb (@nothimnow) August 10, 2021 Começa agora mais uma edição especial do LATA VELHA: pic.twitter.com/VYfFg7ntEG — Lucão Quer Atenção (@queridoarado) August 10, 2021 Com Estado de Minas

Democracia armada – Desfile Militar e a sombra sobre Bolsonaro. Por Igor Felippe Santos

“Bolsonaro atua sem qualquer desembaraço na zona cinzenta da ameaça de golpe, da chantagem e da bravata contra as instituições e entidades civis” – Marcos Corrêa / PR 150 carros de combate, tanques, blindados, aeronaves e lançadores de mísseis e foguetes farão passeio na Esplanada A crise político-institucional parece ser um buraco sem fundo. O tom da reação dos atores envolvidos aumentou na semana passada contra as declarações do presidente Jair Bolsonaro contra o sistema eleitoral. Ministros das cortes superiores do Judiciário, lideranças do Congresso Nacional e agentes do mercado financeiro se manifestaram em defesa das urnas eletrônicas. A novidade das ações da semana passada é que foram além de declarações e tiveram desdobramentos institucionais, com a abertura de investigação no TSE sobre as denúncias de fraudes nas eleições e a inclusão de Bolsonaro no inquérito das fake news do STF. Foram essas as respostas mais efetivas que as chamadas instituições conseguiram dar depois de uma escalada de atos do presidente, dos seus apoiadores e das Forças Armadas, que se acumulam nos últimos 34 meses, contra os pilares do regime democrático no Brasil. No entanto, parece que estão sempre um passo atrás de Bolsonaro, que sempre surpreende com novas ações que imobilizam os outros poderes, entidades da sociedade civil e vão esgarçando ainda mais o Estado de Direito. Cento e cinquenta carros de combate, tanques, blindados, aeronaves e lançadores de mísseis e foguetes farão um desfile na Esplanada dos Ministérios, depois do recrudescimento da crise político-institucional com o envolvimento das Forças Armadas na manobra para minar a credibilidade do sistema eleitoral e ameaçar as eleições de 2022. A justificativa para a operação é entregar um convite para Bolsonaro participar do tradicional exercício da Marinha, que acontece desde 1988, chamado de Operação Formosa, em Goiás, na próxima semana. É a primeira vez que o convite terá um desfile de blindados militares, com uma demonstração de força na Praça dos Três Poderes, que separa Palácio do Planalto, Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional. Ou seja, é um casuísmo oportuno para o presidente. Bolsonaro atua sem qualquer desembaraço na zona cinzenta da ameaça de golpe, da chantagem e da bravata contra as instituições e entidades civis, que assistem a escalada golpista como telespectadores de um espetáculo sepulcral do que ainda resta da democracia no Brasil A simulação da operação vai acontecer, coincidentemente ou não, no mesmo dia da votação da PEC do voto impresso no Plenário da Câmara dos Deputados, marcada pelo presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). O voto impresso é, justamente, o ponto de conflito entre as instituições. Ao arrastar os militares para essa disputa, construindo a polarização entre um presidente e o seu exército contra o Congresso Nacional, o STF e os meios de comunicação empresariais, Bolsonaro reforça o papel de antissistema e coloca as Forças Armadas como fiadora do seu governo. Por isso, independente do resultado da votação, o ex-capitão fortalece a sua relação com os militares, com fotos e vídeos em meio a um desfile de blindados, como defensores da democracia contra os arautos do voto eletrônico. URGENTE Os tanques de guerra p/ o exibicionismo golpista de Bolsonaro já estão posicionados no Grupamento dos Fuzileiros Navais, localizado próximo à Esplanada dos Ministérios. Bolsonaro está dobrando a aposta e a reação dos democratas desse país precisa ser enérgica! pic.twitter.com/96aqJskdzJ — Erika Kokay (@erikakokay) August 9, 2021 Enquanto as pesquisas de opinião demonstram a perda de popularidade do governo, as manifestações em defesa do presidente perdem intensidade e se restringem às “motociatas”, Bolsonaro recorre às Forças Armadas para dar uma demonstração de força no momento mais difícil do seu governo. Contraditoriamente, ao instrumentalizá-las de acordo com seus interesses políticos, evidencia a ascendência sobre os militares, aparentando força. Na medida em que não conseguem impedi-lo, quem mostra fraqueza são os poderes constituídos. Se as forças democráticas não forem capazes de circunscrever a atuação do ministro da Defesa Braga Neto, reforçando os limites constitucionais e barrando o uso político dos militares, Bolsonaro avançará no sombreamento que forja dele próprio com Exército, Marinha e Aeronáutica para transformar as eleições de 2022 em um plebiscito sobre a Forças Armadas com consequências imprevisíveis. @igorfelippes

Bolsonaro vai receber comboio de tanques antes da votação da PEC do Voto Impresso

Contra tanques e intimidação de Bolsonaro, oposição prepara ato na rampa do Congresso Nacional Bolsonaro e Walter Braga Netto vão receber convites para a Operação Formosa, exercício militar da Marinha que neste ano contará com o Exército e a Força Aérea. Tanques e blindados serão estacionados em frente ao Palácio do Planalto A audácia de Jair Bolsonaro (Sem partido) no uso político das Forças Armadas não tem limites. Nesta terça-feira (10), antes da votação da PEC do Voto Impresso no plenário da Câmara – após a proposta ser rejeitada em Comissão Especial da casa -, o presidente vai aguardar a chegada de um comboio com tanques e blindados de guerra no Palácio do Planalto. Por volta das 8h30, o comboio militar vai desfilar pelas avenidas na Praça dos Três Poderes e estacionar em frente ao Planalto, onde generais vão entregar a Bolsonaro e ao ministro da Defesa, Walter Braga Netto, convites para a demonstração operativa da Operação Formosa. Exercício militar realizado anuamento pela Marinha, a Operação Formosa deste ano contará pela primeira vez com efetivos do Exército e da Força Aérea, que vão simular uma operação anfíbia, empregando mais de 150 diferentes meios, entre aeronaves, carros de combate, veículos blindados e anfíbios, de artilharia e lançadores de mísseis e foguetes. Ao todo, 2,5 mil soldados participaram da operação, que é considerado o maior exercício militar das Forças Armadas no ano. Ao receber o comboio, Bolsonaro pretende passar uma mensagem subliminar ao legislativo e, especialmente, ao judiciário, com quem vem alimentando crises sucessivas desde que foi eleito. Contra tanques e intimidação de Bolsonaro, oposição prepara ato na rampa do Congresso Nacional PT ainda entrará com requerimento de informações para que o ministro da Defesa explique a manobra militar planejada para acontecer em Brasília durante a votação da PEC do voto impresso Como reação à tentativa de intimidação de Jair Bolsonaro, parlamentares de oposição estão preparando para esta terça-feira (9) a realização de um ato político em defesa da democracia na rampa do Congresso Nacional em Brasília. A ideia do ato é fazer frente ao evento planejado por Jair Bolsonaro. Ele participará de um desfile do Exército com carros blindados e tanques de guerra, que se posicionarão em frente ao Palácio do Planalto durante a votação da PEC do voto impresso – que já foi derrotada em comissão especial. Por volta das 8h30, o comboio militar vai desfilar pelas avenidas na Praça dos Três Poderes e estacionar em frente ao Planalto, onde generais vão entregar a Bolsonaro e ao ministro da Defesa, Walter Braga Netto, convites para a demonstração operativa da Operação Formosa. Políticos e partidos da oposição têm interpretado o ato de Bolsonaro como uma tentativa de intimidação e até mesmo um ensaio golpista contra a iminente derrota do voto impresso na Câmara. O presidente tem defendido a pauta como forma de tumultuar o processo eleitoral, visto que ele já deu sinalizações de que não aceitará o resultado da eleição de 2022 caso perca o pleito. “Bolsonaro mais uma vez rebaixa as Forças Armadas ao papel de milícia presidencial. O desfile de blindados é uma violência contra o Poder Legislativo e o Estado de Direito. Não nos intimidaremos c/ as ameaças de um presidente delinquente. Vamos derrotar o golpe do voto impresso”, afirmou Marcelo Freixo (PSB-RJ), líder da Oposição na Câmara. O horário do ato dos parlamentares contra Bolsonaro ainda não foi definido. Requerimento de informações O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Elvino Bohn Gass (RS), prepara nesta segunda-feira (9) um requerimento de informações a ser enviado ao ministro da Defesa, general Braga Netto, para que ele explique a manobra militar planejada em Brasíia. O parlamentar pedirá informações como custos com diárias, combustíveis, nomes dos comandantes envolvidos e o motivo da realização da operação. A depender da resposta do ministro, Bohn Gass cogita acionar o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público contra o evento. Tanques já estão posicionados Os tanques e blindados que Jair Bolsonaro deve exibir em uma tentativa de intimidação nesta terça-feira (10) já estão, nesta segunda-feira (9), posicionados em Brasília, próximos à Esplanada dos Ministérios. O flagrante dos veículos estacionados foi feito pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF). “Os tanques de guerra p/ o exibicionismo golpista de Bolsonaro já estão posicionados no Grupamento dos Fuzileiros Navais, localizado próximo à Esplanada dos Ministérios. Bolsonaro está dobrando a aposta e a reação dos democratas desse país precisa ser enérgica!”, escreveu a parlamentar, junto a um vídeo que mostra os carros militares posicionados. Assista. URGENTE Os tanques de guerra p/ o exibicionismo golpista de Bolsonaro já estão posicionados no Grupamento dos Fuzileiros Navais, localizado próximo à Esplanada dos Ministérios. Bolsonaro está dobrando a aposta e a reação dos democratas desse país precisa ser enérgica! pic.twitter.com/96aqJskdzJ — Erika Kokay (@erikakokay) August 9, 2021 Ações na Justiça O PSOL protocolou junto à Justiça do Distrito Federal, nesta segunda-feira (9), um mandado de segurança para impedir a manobra militar que o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, e Jair Bolsonaro planejam em Brasília nesta terça-feira (9). “A informação de que haverá uma manobra militar amanhã na Esplanada dos Ministérios é grave. O PSOL decidiu entrar com um Mandado de Segurança na Justiça do DF para proibir qualquer presença de veículos ou tropas militares durante as votações no Congresso Nacional”, disse o presidente do PSOL, Juliano Medeiros. Quem também entrou na Justiça contra o ato militar atípico encampado por Bolsonaro no dia da análise da PEC do voto impresso foi o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). “Pedi à Justiça que impeça o gasto de recursos públicos em uma exibição vazia de poderio militar. As Forças Armadas, instituições de Estado, não precisam disso”, informou o congressista. “Os brasileiros, sofrendo com as consequências da pandemia, também não. O Brasil não é um brinquedo na mão de lunáticos”, completou. Revista Fórum

Diário, ontem foi Dia dos Pais. A fraquejada só me mandou uns desenhos com uns corações

.Um caso perdido. Mas meus filhos homens me mandaram uns bilhetinhos que quase me deixaram emocionado. Por José Roberto Torero – Carta Maior O do 04 foi assim: “Pai, obrigado por atender aquele empresário lá. Graças a você ganhei um carrão! Você é 10! Opa, 10, não. Você é 90 mil, que esse é o preço do carro. Kkk” O do 03 foi esse: “Dier fader, obrigado por sempre querer me dar o filé minion. Que outro pai tentaria entregar o cargo de embaixador pro filho, mesmo que ele nunca tenha sido diplomata, mesmo que ele fale inglês que nem índio de filme de bang-bang, mesmo que fique na cara que se trata de nepotismo? Omly you, fader. Omly you não se importaria com essas bobagens de mérito e honestidade.” O do 02: “Pai, obrigado por me fazer vereador aos 18 anos e nunca precisar trabalhar de verdade. Você me fez ser o que eu sou. Nossa hemorroida nunca será vermelha! Não adianta apontar o dedo se não for proctologista! Você acima de tudo, Hipogloss dentro de todos!” E o do 01: “Que outro pai mudaria a direção da Polícia Federal pra proteger o filho? Bom, talvez, o Mourão, o Lira, o Aras, o Braga Neto, o Pazu, e uns outros aí também fizessem isso. Mas só você podia e só você fez. Sem falar que me ensinou tudo o que eu sei sobre rachadinha, me passou o tio Queiroz para organizar minhas contas e o tio Wassef para cuidar dos meus processos. Por isso, sempre que te vejo, escuto aquela música do Fábio Junior: “Pai, você é meu herói, meu bandido”. Enfim, Diário, é como diz aquele ditado: “Ser pai é padecer no paraíso fiscal”.