Pesquisa mostra que 1/3 dos eleitores de Bolsonaro de 2018 estão arrependidos

25% dos que votaram no atual presidente dizem que votarão ‘com certeza’ em Lula em 2022 Um terço dos eleitores de Jair Bolsonaro em 2018 está arrependido e afirma que não votará nele de jeito nenhum no ano que vem. Esses ex-bolsonaristas agora tendem a optar majoritariamente por Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). Os dados são de pesquisa do instituto Ipec. Dos entrevistados pelo instituto que disseram ter apoiado Bolsonaro na última eleição presidencial, menos da metade (44%) afirma que “com certeza” voltará a votar nele. Outros 18% dizem que poderão vir a fazê-lo. Para 34%, isso está fora de cogitação. É significativo o contingente de arrependidos que saltou para a outra ponta da polarizada política brasileira: nada menos que um em cada quatro (25%) dos eleitores do atual presidente agora afirma que “com certeza” votará em Lula. E mais 13% admitem a possibilidade de fazê-lo. Ou seja, 38% dos que votaram em Bolsonaro veem agora o seu principal rival com alguma simpatia. Entre os que optaram pelo PT em 2018, o número de arrependidos dispostos a aderir ao bolsonarismo é quase insignificante. Apenas 4% dos eleitores do petista Fernando Haddad agora dizem que votariam com certeza ou poderiam votar em Bolsonaro. Para 93% deles, não há nenhuma chance de apoiar a reeleição do atual presidente. Tendências e rejeição Em resumo, os números mostram que, do lado do PT, o antibolsonarismo continua acirrado. Mas, entre os bolsonaristas de 2018, o antipetismo já não é um tema unificador. Dos responsáveis pela eleição de Bolsonaro, 59% dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum. Mas outros políticos têm níveis de rejeição similares. É o caso do tucano João Doria, também com 59%, e de Ciro Gomes, do PDT, com 57%. Já no lado que optou por Haddad, a rejeição está bem mais concentrada em Bolsonaro. Apenas 41% desses eleitores afirmam que não votariam em Ciro Gomes de jeito nenhum, por exemplo. A taxa de recusa a Ciro é 52 pontos porcentuais menor que a de Bolsonaro. Não apenas entre os eleitores de Bolsonaro há arrependidos. No contingente que votou nulo ou em branco no segundo turno de 2018, metade agora afirma que “com certeza” votará em Lula, e apenas 6% dizem que seguramente optarão por Bolsonaro. Nos números gerais, a pesquisa Ipec mostrou Lula com 49% das intenções de voto, e Bolsonaro com 23%. Ciro teve 7%, Doria, 5%, e Henrique Mandetta, do DEM, 3%. Seguindo protocolos de segurança contra o coronavírus, o Ipec entrevistou, presencialmente, 2.002 eleitores em 141 municípios brasileiros. A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 21 de junho de 2021. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O Ipec foi criado por ex-executivos do Ibope e segue a mesma metodologia do antigo instituto.

Caso Covaxin: senadores pedem ao STF autorização para investigar Bolsonaro

Notícia-crime solicita abertura de inquérito por prevaricação sobre denúncia de corrupção Os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Fabiano Contarato (Rede-ES) e Jorge Kajuru (Podemos-GO) enviaram nesta segunda-feira (28), uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a abertura de um inquérito para investigar se o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cometeu crime de prevaricação. A investida vem na esteira da denúncia do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e do irmão do parlamentar, Luis Ricardo Miranda, que é chefe de importação do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, sobre as negociações para compra da vacina indiana Covaxin. De acordo com os irmãos Miranda, que prestaram depoimento na CPI da Covid, o presidente teria ignorado alertas a respeito de supostas irregularidades para aquisição do imunizante. “Tudo indica que o sr. presidente da República, efetiva e deliberadamente, optou por não investigar o suposto esquema de corrupção levado a seu conhecimento pelo deputado federal Luis Miranda e por seu irmão”, dizem os senadores. O grupo de senadores também solicita que Bolsonaro responda, em até 48 horas, se apontou o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), como provável responsável por suposto esquema nas tratativas do imunizante, segundo denúncia de Miranda à CPI da Covid. Para Randolfe, Bolsonaro deve ser acusado pelo crime de prevaricação, pois tinha obrigação legal de avisar os órgãos competentes sobre indícios de práticas irregulares. Nesse caso, caberá ao procurador-geral da República, Augusto Aras, avaliar se investigará ou até mesmo denunciará Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte é responsável por julgar o chefe do Executivo em caso de crime comum, mas, nesse caso, precisa de autorização da Câmara dos Deputados. “Este crime até aqui é o mínimo a ser apurado. Eu tenho certeza que a Comissão Parlamentar de Inquérito apurará muito mais além disso”, disse Randolfe ao anunciar a notícia-crime contra Bolsonaro. A comissão, porém, precisa finalizar os trabalhos e o relatório de Renan Calheiros (MDB-AL) para encaminhar a conclusão a Aras. “A gravidade é muito maior do que vocês estão imaginando”, disse o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). Suspeitas Miranda e seu irmão, Luis Ricardo Miranda, servidor de carreira da pasta, confirmaram à CPI ter avisado Bolsonaro sobre suspeitas de corrupção na compra da vacina indiana. Barros nega envolvimento no caso. Nesta segunda, Bolsonaro afirmou que desconhecia os detalhes sobre o contrato de compra da vacina e negou irregularidades no negócio. Na peça, além de pedirem a investigação por suposta prevaricação os senadores afirmam existir uma “série de irregularidades” na contratação da Covaxin, como “pressões atípicas” para o fechamento do negócio, exigência de pagamentos de modo diferente ao previsto no contrato, e relação negocial com “empresas offshore” sediadas em paraísos fiscais que não apareciam no contrato original. “E tudo isso no contexto da vacina mais cara do Programa Nacional de Imunizações e que sequer teve aval amplo da Anvisa para importação, uso emergencial ou registro definitivo, por uma série de razões de índole sanitária (segurança, eficácia, etc.). Dito de outro modo, parece que as autoridades brasileiras apostaram muito alto na vacina que tinha tudo para receber a aposta mais baixa”, afirmam os senadores, que dizem ainda que a Polícia Federal “confirmou” que Bolsonaro não alertou o órgão sobre as suspeitas. Essa atitude de Bolsonaro, para os senadores, também pode eventualmente ser enquadrada em ato de improbidade administrativa, o que, no caso do presidente, seria tipificado como crime de responsabilidade, podendo ser apurado em eventual processo de impeachment, afirmam os parlamentares. “Frise-se que o aparente crime de prevaricação do Presidente da República é apenas o embrião de investigação a ser comandada pela CPI da Pandemia e pela douta Procuradoria-Geral da República, na medida em que os fatos aqui narrados têm o condão de, em um segundo momento, comprovar que autoridades públicas cometeram crimes muito mais graves”, afirmam na peça, que cita os crimes de corrupção passiva, organização criminosa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Em vídeo divulgado no Twitter, o senador Randolfe Rodrigues afirma sobre a coleta de assinaturas para prorrogar a CPI e sobre a ação no STF: “Protocolei, no STF, notícia crime por conta da grave denúncia envolvendo o presidente da República de que não tomou nenhuma providência diante de ter sido noticiado da existência de um gigantesco esquema de corrupção existente no Ministério da Saúde. A prevaricação é crime exposto no Código Penal, por isso que compreendemos a necessidade do STF e da PGR instaurarem um procedimento de investigação”. Sobre a semana na CPI da Pandemia: pic.twitter.com/ZeBtFtXGvX — Randolfe Rodrigues (@randolfeap) June 28, 2021

Ministro do STF veta uso de acordos da Odebrecht contra ex-presidente Lula

Em decisão proferida nesta segunda-feira (28) o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou o pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e anulou as provas produzidas contra ele no acordo de leniência celebrado entre a empreiteira Odebrecht e o Ministério Público Federal (MPF). O caso gira em torno do suposto pagamento de propina ao ex-presidente, por parte da Odebrecht, na compra do terreno onde seria inaugurada a nova sede do Instituto Lula, em São Paulo. A defesa do petista reclamava a anulação da ação penal que levou ao acordo de leniência com a empreiteira no âmbito da Lava Jato. Agora, com a decisão, a Justiça Federal não poderá mais usar informações desse acordo de leniência da Odebrecht contra Lula. Os advogados do ex-presidente se basearam nos arquivos de conversas hackeadas obtidas pela Operação Spoofing da Polícia Federal – e divulgadas pela imprensa – nas quais aparece a troca de mensagens entre o então juiz da Lava Jato Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato. Há ali até mesmo instruções por parte do juiz para a coleta de provas contra o petista. Ao expedir a decisão, Lewandowski enfatizou que as ações analisadas pelo plenário do Supremo nos casos referentes à suspeição de Moro e à incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar Lula caracterizam “causa de nulidade absoluta”. “Salta à vista que, quando o Supremo Tribunal Federal declarou a incompetência do ex-juiz Sérgio Moro para o julgamento de Luiz Inácio Lula da Silva, reconheceu também, implicitamente, a incompetência dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato responsáveis pelas investigações e, ao final, pela apresentação da denúncia”, escreveu. Lewandowski não poupou críticas à atuação de Moro. “Verifico que o ex-juiz Sergio Moro foi o responsável pela prática de diversos atos instrutórios e decisórios, também tisnados – consideradas as razões já exaustivamente apontadas pelo STF – pela mácula de incompetência e parcialidade, inclusive no que toca à recepção do Acordo de Leniência (…), celebrado pela Odebrecht, como prova de acusação”, assinalou. Desta forma, os atos de Moro, considerado suspeito ao julgar processos da Lava Jato em que Lula era réu, não possuem validade jurídica. Na última quinta-feira (24), a defesa do ex-presidente conquistou mais uma vitória no Supremo, desta vez com a decisão do ministro Gilmar Mendes, que estendeu a suspeição de Moro aos processos do sítio de Atibaia e do Instituto Lula. Naquele mesmo dia, o plenário da Corte encerrou a discussão sobre a parcialidade do ex-juiz e, por 7 votos a 4, o declarou suspeito. “Nos três processos, houve a persecução penal do paciente em cenário permeado pelas marcantes atuações parciais e ilegítimas do ex-juiz Sergio Fernando Moro. Em todos os casos, a defesa arguiu a suspeição em momento oportuno e a reiterou em todas as instâncias judiciais pertinentes. Além disso, diversos dos fatos ocorridos e que fundamentaram a decisão da Turma pelo reconhecimento da suspeição são compartilhados em todas as ações penais, como os abusos em conduções coercitivas e na decretação de interceptações telefônicas”, afirmou Lewandowski. O ministro também citou a atuação de Moro em outras ações penais lembrando o levantamento do sigilo da delação premiada do ex-ministro Antônio Palocci Filho, “com finalidades eleitorais em meio ao pleito em curso naquele momento, entre outros”. A invalidação das provas colhidas contra Lula na oitiva dos representantes da Odebrecht fortalece o plano do PT de lançar novamente o ex-presidente ao Palácio do Planalto, em 2022, sem obstáculos jurídicos. Eventuais provas contra o ex-presidente precisam agora ser novamente apresentadas à Vara Federal competente e analisadas por novo juiz. O governo determinou que a Odebrecht pague R$ 2,72 bilhões à União pelos próximos 22 anos, em decorrência dos danos causados ao País a partir de enriquecimento ilícito originado em 49 contratos fraudulentos envolvendo recursos públicos federais. Agência Estado

Lázaro é morto após ser preso e baleado em Goiás (vídeo com imagens fortes)

Após 20 dias de uma megaoperação que contou com mais de 270 policiais, Lázaro Barbosa, de 32 anos, foi morto após ser preso e baleado nesta segunda-feira (28), em Goiás. O vídeo de Lázaro chegando capturado tem imagens fortes Veja as imagens. ATENÇÃO, O VÍDEO TEM IMAGENS FORTES: As Forças Armadas estavam na captura de Lázaro  com a utilização de forte aparato (helicópteros, drones, cães farejadores), mas Lázaro sempre conseguia burlar as buscas policiais. Ele contou com a ajuda de um chacareiro, Elmi Caetano Evangelista, 74, e do caseiro dele, Alain Reis de Santana (ambos presos), que o abrigaram e alimentaram durante dias. Lázaro também pernoitou na pequena propriedade. Ao ser libertado, o caseiro disse apenas ter seguido instruções do patrão, que continua detido. Na manhã desta segunda-feira (28), a força-tarefa montada para capturar o psicopata culminou com êxito para a Polícia e de forma trágica para o criminoso. Nas imagens exclusivas da Record News, é possível ver os policiais carregando um corpo para uma ambulância do SAMU, acompanhados de populares. Informações da própria Polícia confirmaram que o corpo em questão é mesmo de Lázaro. Amontados ao redor da viatura do SAMU, muitos comemoraram a captura e morte do sanguinário bandido, portador de extensa ficha criminal, desde 2007, quando foi preso pela primeira vez por dois homicídios, conseguindo fugir da cadeia. Bolsonaro usa linguagem de milicianos para comemorar morte de Lázaro: CPF cancelado Jair Bolsonaro comemorou a morte de Lázaro Barbosa e usou a expressão “CPF Cancelado”, usada por grupos de extermínio para fazer referência a algum criminoso morto. O procurado pela polícia foi baleado nesta segunda-feira (28) durante um confronto com militares no município de Águas Lindas de Goiás (GO). Bolsonaro já havia causado polêmicas ao fazer apologia à expressão em abril, quando posou para uma foto em que segurava uma placa com a imagem de um CPF e a palavra, numa tarja vermelha, “cancelado”. Na foto, ele estava ao lado do apresentador Sikêra Jr.

Lázaro Barbosa é preso em Goiás, depois de 20 dias de uma megaoperação

Após 20 dias de uma megaoperação, com mais de 270 policiais, Lázaro Barbosa, de 32 anos, foi preso nesta segunda-feira (28), em Goiás. A informação foi divulgada pelo governador Ronaldo Caiado. Condenado por assassinatos e estupros, o fugitivo da Justiça conhecido como o “serial killer do DF” era procurado por uma série de crimes na Bahia e em Goiás. Ele também é acusado de promover uma chacina com quatro pessoas de uma família em Ceilândia, no Distrito Federal, e de um caseiro de uma fazenda no distrito de Girassol, em Goiás. “Acabo de receber neste momento uma informação de todas as equipes que estão na região de Cocalzinho que o Lázaro foi preso”, disse Caiado. “Como eu disse, era questão de tempo até que a nossa polícia, a mais preparada do País, capturasse o assassino Lázaro Barbosa. Parabéns para as nossas forças de segurança. Vocês são motivo de muito orgulho para a nossa gente! Goiás não é Disneylândia de bandido”, acrescentou o governador em uma rede social. Após 20 dias, Lázaro Barbosa foi preso na megaoperação que envolveu mais de 270 policiais Segundo reportagem do portal G1, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Goiás informou que o suspeito deve ser encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) para o exame de corpo de delito e, em seguida, será levado para o presídio de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital.

Quem é Ricardo Barros, o deputado acusado na CPI de envolvimento no escândalo Covaxin

Líder do governo, apontado como elo entre Bolsonaro e o suposto esquema de corrupção na compra da vacina indiana, coleciona declarações negacionistas e tem histórico de lobby junto à empresa de saúde O líder do governo Bolsonaro na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), entrou nesta sexta-feira (25), definitivamente, na mira da CPI do Genocídio, e as revelações que se fizeram sobre ele comprometem também, diretamente, o próprio presidente Jair Bolsonaro. O deputado Luís Miranda (DEM-DF) afirmou ao colegiado que, quando levou a Jair Bolsonaro, em março, os indícios de corrupção da compra da vacina indiana Covaxin, o presidente afirmou que seria “coisa” do líder do governo na Câmara: Ricardo Barros. Bolsonaro, no entanto, nada fez com relação às denúncias de irregularidades. Os indícios de corrupção que teriam envolvimento direto de Barros são inúmeros. O aval para a aquisição da vacina foi dado por Jair Bolsonaro que, no início do ano, aprovou a compra do imunizante a um valor 1.000% maior que preço inicialmenteanunciado pelo fabricante, mesmo antes de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Covaxin foi a única vacina que teve um intermediário – a Precisa Medicamentos – na negociação. Ao mesmo tempo, o governo federal rejeitou a compra da vacina da Pfizer a 10 dólares alegando preço muito alto. Quem é e onde entra Ricardo Barros na história? Barros é engenheiro civil e iniciou sua carreira política em 1988, quando se candidatou a prefeito de Maringá (PR) pelo PFL, tendo comandado a prefeitura da cidade até 1993. Em 1994, se elegeu deputado federal e em 1998 se filiou ao PP. Ele seguiu se reelegendo deputado federal até 2016, quando foi nomeado como ministro da Saúde no governo golpista de Michel Temer. Barros tem um longo histórico de lobby junto à Global Gestão de Saúde, empresa controladora da Precisa Medicamentos, que representa o laboratório indiano Bharat Biotech, produtor da Covaxin. Quando ministro de Temer, Barros foi investigado por corrupção por compra de medicamentos sem licitação por causa de demandas judiciais da Global, que pertence ao empresário Francisco Maximiano. Barros é autor da emenda e coordenou o lobby a partir de fevereiro deste ano para aprovação da Medida Provisória que autorizou a importação e distribuição de quaisquer vacinas, insumos ou medicamentos sem registro na Anvisa desde que aprovadas pela autoridade sanitária em outros países. A emenda de Barros acrescentou a Central Drugs Standard Control Organization (CDSCO), da Índia, no rol de órgãos habilitados para dar essa autorização. É aí que entraria seu suposto envolvimento com as prováveis irregularidades na compra da Covaxin – que Bolsonaro sabia e nada fez. Como líder do governo Bolsonaro na Câmara, Barros coleciona declarações negacionistas relacionadas à pandemia. Em março deste ano – mês em que Bolsonaro citou o envolvimento de Barros nas tratativas para a aquisição da Covaxin -, por exemplo, o líder do governo disse que a situação da pandemia no Brasil “é até confortável” em relação a outros países – o que é uma mentira, visto que março de 2021 foi justamente um dos períodos mais agudos da crise sanitária no Brasil, que estava registrando entre 2 mil e 3 mil mortes por Covid diárias, “feito” só alcançado pelos Estados Unidos e Índia. Em abril, ao pregar contra as medidas restritivas que fecharam escolas para conter a disseminação do coronavírus, Barros afirmou que “só o professor não quer trabalhar” na pandemia. Já em 2020, no mês de outubro, o deputado governista defendeu “imunidade de rebanho por transmissão” para acabar com a pandemia, tese também defendida por Bolsonaro, que boicotou a vacinação por se apoiar nela, e que é rechaçada por autoridades de saúde mundo afora. Revista Fórum

Irmãos Miranda levaram à CPI do Genocídio, o “PowerPoint” sobre a Covaxin

Apresentação, que contém documentos, e-mails e conversas de WhatsApp detalhando a denúncia de corrupção na compra da Covaxin, começa com trecho bíblico que Bolsonaro gosta de citar: “Conhecerei a verdade e a verdade vos libertará”; confira a íntegra O servidor do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, e seu irmão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), levaram para a CPI do Genocídio no Senado, nesta sexta-feira (25), uma apresentação de “PowerPoint” em que detalham a denúncia que fizeram sobre suposto esquema de corrupção no contrato firmado pelo governo federal para a compra da Covaxin, vacina indiana contra a Covid-19. Os indícios de corrupção são inúmeros e o contrato de R$1,6 bilhão com a Precisa Medicamentos, intermediária do laboratório indiano Bharat Biotech para a venda do imunizante ao Brasil, é alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF). Isso porque Jair Bolsonaro, no início do ano, aprovou a compra do imunizante a um preço 1.000% maior que o inicialmente anunciado pelo fabricante. Um telegrama da embaixada brasileira em Nova Délhi mostra que, quando lançada, a vacina produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech custava 100 rúpias ou cerca de 1,34 dólares a dose. Em fevereiro desse ano, sob pressão de Bolsonaro, a Precisa Medicamentos fechou a compra para o Ministério da Saúde pelo valor de 15 dólares a unidade. Ao mesmo tempo, o governo federal rejeitou a compra da vacina da Pfizer a 10 dólares alegando preço muito alto. Os irmãos Miranda, ao constatarem as supostas irregularidades, levaram o caso ao presidente Jair Bolsonaro, que nada fez para apurar as denúncias de corrupção. O servidor do Ministério da Saúde, inclusive, relatou ao MPF “pressão atípica” de superiores para a importação das doses da vacina indiana. Na apresentação levada à CPI do Genocídio, os irmãos Miranda já começam com um slide contendo a frase bíblica que o presidente Jair Bolsonaro gosta de usar: “Conheceis a verdade e a verdade vos libertará”. O deputado, inclusive, era um aliado do presidente e, após fazer a denúncia, passou, segundo ele, a ser alvo de coação do governo – ele chegou ao Senado vestindo um colete à prova de balas. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onix Lorenzoni, afirmou após as denúncias virem à tona que Bolsonaro havia determinado que abrisse investigações contra os irmãos. “Sempre te defendi e é essa a recompensa?”, disse o parlamentar do DEM nesta quinta-feira (24). Ao longo do “PowerPoint” apresentado aos senadores, os irmãos expuseram e-mails e documentos oficiais com as negociações para a compra da vacina indiana, conversas de WhatsApp com alertas a membros do governo sobre os indícios de irregularidades e inúmeros outros detalhes que comprovariam suas denúncias. Confira, abaixo, a íntegra.

Livrai-nos, Senhor, do desgoverno da morte – Por Élio Gasda*

O símbolo da morte, associado a uma figura portando uma foice, agora está associado a imagem do governo Bolsonaro (Comunicação MST/Fotos Públicas) Em nome do que ainda resta de humanidade em nós, lutemos sem trégua contra os mensageiros da morte e destruição. Que sigamos firmes Vivenciar a morte de pessoas próximas desperta emoções, desde dor até serenidade. Entretanto, no Brasil a morte vivenciada de perto por todos nós tem despertado sentimentos que vão da dor, raiva à indignação. Em pouco mais de um ano, mais de 500 mil brasileiros morreram de uma doença que já tem vacina. Faxineiras, motoristas, funcionários públicos, médicos, empresários, padres, comediantes, políticos, pastores, músicos, escritores, bailarinos, indígenas. Não são apenas cargos ou profissões. Possuem nomes e histórias, Renans, Fernandos, Marias, Paulos e Vanessas… filhos, amigos, pais, irmãos. O sentimento da perda é irreversível. Um país de enlutados! A morte nos faz refletir. É um processo universal, ocorre com todos os organismos vivos. Existem formas de prolongar a vida e com dignidade. A Covid-19 já possui vacina! Negacionista e mentiroso, corrupto e negligente, o governo brasileiro deixa as pessoas morrerem sem ar, sem medicamentos, sem leitos, sem vacinas. “Toda vida importa”. Getúlio Vargas, segundo registros, tirou a própria vida e entrou para a história. Bolsonaro entrará para a história como o presidente que atentou contra a vida de seus compatriotas. O símbolo da morte, associado a uma figura portando uma foice, agora está associado a imagem do governo Bolsonaro. É chocante o marco de 500 mil mortos. Que sábado triste! O que sentimos ao saber que o Brasil ultrapassou a marca de meio milhão de mortos? É como se Juiz de Fora se transformasse em cidade fantasma. A realidade pode ser ainda pior, já que as subnotificações de óbitos podem variar entre 30% e 50% (Rede Análise Covid). Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) começa a descortinar o teatro macabro do governo no combate à Covid-19, tratada por gripezinha. Um show de mentiras, três trocas de ministros, previsões errôneas, “gabinete paralelo” composto por negacionistas anticiência e defensores de um tratamento ineficaz. Depoimentos e documentos comprovam a série de descasos do governo. Apurações estão só no início. Já são mais de 120 os pedidos de impeachment. Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, fantoches de Bolsonaro, são cumplices dessa tragédia. Como uma pessoa com tamanho desequilíbrio mental pode se manter na presidência? “A tolerância é um crime quando se tolera a maldade” (Thomas Mann). Enquanto a morte (de pessoas, da democracia, do bem comum, da boa política) for lucrativa, os ricos rejeitarão o impeachment. O Congresso e seus muitos parlamentares corruptos, foi reduzido a mero gestor de verbas. Com a repercussão das investigações e, diante da pressão popular, o governo esboça agilizar um Plano Nacional de Imunização, mas pode ser tarde. Especialistas preveem uma terceira onda. O custo da pandemia é alto, milhares choram seus mortos, milhões são os desempregados, os desalentados, os de barriga vazia. Uma tragédia humanitária. Bolsonaro não salvou vidas e nem a economia. Não há país que resista. Qual será o legado que nos deixará a pandemia associada à necropolítica bolsonarista? Cansaço, depressão, tristeza, ansiedade, arrependimento? As ruas provam que algo mudou. Que os brasileiros não aguentam mais. Transformam o luto em luta. “A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras” (Aristóteles). Mas é preciso mais. Em tempos de pandemia a política deveria “pôr a dignidade humana no centro e, sobre este pilar, construir as estruturas sociais alternativas de que precisamos”. Papa Francisco ressalta que um político deve se perguntar: “Para onde estou realmente apontando? As perguntas, talvez dolorosas, serão: Quanto amor coloquei no meu trabalho? Em que fiz progredir o povo? Que marcas deixei na vida da sociedade? Que laços reais construí? Que forças positivas desencadeei? Quanta paz social semeei? Que produzi no lugar que me foi confiado?” (Fratelli tutti,197). O bolsonarismo é absolutamente incapaz de se fazer tais perguntas, pois palavras como dignidade, construir sociedade e amor ao próximo não existem em vocabulários de fascistas. Certos conceitos exigem outro patamar de civilidade e inteligência. Despótico descontrolado, Bolsonaro não tira um dia de folga na sua guerra contra o Brasil, a cada dia pior. A crise sanitária brasileira é uma crise de direitos humanos. Em nome do que ainda resta de humanidade em nós, lutemos sem trégua contra os mensageiros da morte e destruição. Que sigamos firmes. Resistamos, em memória dos que partiram nesta pandemia. Não nos deixemos contaminar pela estupidez da idiocracia descerebrada que nos governa. Para que este pesadelo acabe, combater a necropolítica do bolsonarismo virou questão de vida! Todo mundo já sabe das atrocidades que acontecem no Brasil. Crimes contra a humanidade, como genocídios, não prescrevem! Que o clamor das vítimas e enlutados chegue aos ouvidos de Deus. Rezemos com Dom Vicente. *Élio Gasda é doutor em Teologia, professor e pesquisador na Faje. Autor de: ‘Trabalho e capitalismo global: atualidade da Doutrina social da Igreja’ (Paulinas, 2001); ‘Cristianismo e economia’ (Paulinas, 2016)

Gilmar Mendes estende suspeição de Moro para outros processos contra Lula

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (24) estender os efeitos da declaração de suspeição do ex-juiz Sergio Moro a outros dois processos da Lava Jato envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): o do sítio de Atibaia e o da doação do terreno para sediar o Instituto Lula. A decisão individual foi tomada um dia após o plenário da Corte bater o martelo sobre a parcialidade de Moro na ação penal do triplex do Guarujá, que levou o petista à prisão por 580 dias e o deixou de fora das eleições de 2018. Em seu despacho, o ministro observou que os fundamentos que levaram o STF a concluir pela suspeição no caso do triplex são compartilhados nas demais ações penais. “Por isonomia e segurança jurídica, é dever deste Tribunal, por meio do Relator do feito, estender a decisão aos casos pertinentes, quando há identidade fática e jurídica”, escreveu Gilmar Mendes. Na prática, ao ampliar o alcance da declaração de suspeição, Gilmar Mendes também coloca os demais processos de volta à estaca zero. “Nos três processos, houve a persecução penal do paciente em cenário permeado pelas marcantes atuações parciais e ilegítimas do ex-juiz Sergio Fernando Moro. Em todos os casos, a defesa arguiu a suspeição em momento oportuno e a reiterou em todas as instâncias judiciais pertinentes”, cravou o ministro. Entre os pontos levantados pelos ministros para questionar a atuação de Moro estiveram a ordem para condução coercitiva de Lula para ser interrogado pela Polícia Federal nos autos da Operação Alethea, 24ª fase da Lava Jato; o grampo no escritório de advocacia de Cristiano Zanin, que defende o ex-presidente; a obstrução ao cumprimento da decisão, tomada no plantão judiciário pelo desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Rogério Favreto, que mandou soltar o petista em julho de 2018, quando ele estava preso em Curitiba; a retirada do sigilo de trechos da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci às vésperas das eleições de 2018; o vazamento da conversa entre Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que o nomeou como ministro chefe da Casa Civil; a assunção do cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Jair Bolsonaro e a entrada como sócio-diretor na consultoria Alvarez & Marsal, que presta serviços para empresas condenadas na Operação Lava Jato. Agência Estado

Tchau querido! Moro suspeito: Supremo Tribunal Federal conclui votação e placar fica em 7×4

O plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu nesta quarta-feira (23) o julgamento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro, confirmada por 7 votos a 4 no processo do tríplex do Guarujá (SP), em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado. O julgamento havia sido suspenso em 22 de abril em 7 a 2, após pedido de vista do ministro Marco Aurélio Mello. Agora, se confirma o restabelecimento dos direitos políticos de Lula, que poderá concorrer na eleição de 2022. Com a declaração da parcialidade de Moro, todas as provas colhidas e usadas contra o ex-presidente são invalidadas. O caso, também por decisão do Supremo, foi enviado para a Justiça Federal de Brasília, onde terá de começar do zero. O placar ratifica a decisão da Segunda Turma da Corte, de um mês antes. Marco Aurélio e o presidente, Luiz Fux, que faltam se pronunciar, votaram contra a maioria. Além dos dois, foram vencidos o relator, Edson Fachin, e Luís Roberto Barroso. Votaram pela suspeição de Moro os ministros Gilmar Mendes, Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Rosa Weber. “Só acaba quando termina” Mesmo com a maioria já formada em abril, não se podia “cravar” que o tribunal já havia resolvido a questão. Isso porque “julgamento só acaba quando termina”, como se costuma dizer das decisões do Supremo, já que enquanto o presidente não proclama o resultado qualquer ministro pode mudar seu voto e, consequentemente, o resultado final. A defesa quer agora que o STF estenda o reconhecimento da parcialidade de Sergio Moro a todos os processos envolvendo Lula conduzidos na 13ª Vara, nos casos do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e das doações ao Instituto Lula. Em março, o ministro Edson Fachin declarou a incompetência da Justiça Federal do Paraná em todos os processos. No julgamento da suspeição pela Segunda Turma, realizado em 23 de março, a ministra Cármen Lúcia mudou o voto original no julgamento, que foi iniciado em 2018. Assim, o “colegiado pequeno” formou maioria de 3 a 2 com os votos dela e de Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. “Todos têm o direito de ter um julgamento justo por um juiz e um tribunal imparciais, e, principalmente, no qual ele possa comprovar todos os comportamentos que foram aos poucos consolidando o quadro fundamental, um cenário diverso que veio a ser desvendado nesse processo”, afirmou Cármen na ocasião. Na semana passada, a Corte já havia mantido o entendimento que a Justiça de Curitiba não tinha competência para julgar os casos de Lula. Com isso, foi mantida anulação de todas as decisões tomadas pela 13ª Vara nos processos contra o ex-presidente. Inclusive as condenações no caso do tríplex no Guarujá e no do sítio de Atibaia.