Bolsonaro transforma Aras num desmoralizado – Por Fernando Brito

 – A distância entre ser e parecer, na política, é muito pequena. Na prática, quase nenhuma – O Procurador Geral da República, ao recusar as regras de um jogo que já estavam sedimentadas – a escolha do cargo a partir da lista tríplice formada com o voto da categoria – entregou, por sua ambição, sua alma ao presidente da República. Como Mefistófeles no Fausto de Goethe, a hora de pagar o preço sempre vem quando se pensa alcançar a situação de felicidade que parece eterna, como é uma cadeira no STF. Bolsonaro, ao acenar com uma “vaga não prevista” do Supremo, acenou publicamente com aquilo que já acenara em particular ou, ao menos, na mente de Augusto Aras. O resultado é que o Procurador se tornou um molambo perto da independência que o cargo exige. Mesmo que de boa-fé ou por convicção jurídica tome alguma decisão que favoreça o presidente, ninguém mais deixará de suspeitar – lembram-se da convicção mesmo sem provas inventada pelo próprio MP? – que o fez por sabujice interesseira. A repórter Malu Gaspar, na Piauí, mostra que já há uma sublevação entre seus próprios pares dentro da PGR, inclusive entre alguns de seus auxiliares diretos. Não parece que o ânimo do STF em guerra com a Presidência, certamente não será diferente. O Ministério Público, como todos os que entraram na aventura desastrosa da politização da Justiça, é mais um que tem uma morte sem honra.

Gilberto Dimenstein morre aos 63 anos em São Paulo

O jornalista, colunista e escritor Gilberto Dimenstein faleceu na manhã desta sexta-feira (29), em São Paulo. Com 63 anos, ele lutava contra um câncer no pâncreas, descoberto no início do ano passado. A informação foi confirmada por amigos e familiares do profissional. Formado na Faculdade Cásper Líbero, Dimenstein foi diretor da sucursal de Brasília da Folha de São Paulo, colunista do jornal, correspondente em Nova York, além de ter atuado no Jornal do Brasil, Correio Braziliense, Última Hora, Visão e Veja. Foi o fundador e editor do portal Catraca Livre. Dimenstein recebeu o prêmio Esso, na categoria principal. Recebeu os prêmios Jabuti, em 1993, pelo “melhor livro de não-ficção (Cidadão de Papel); prêmio Nacional de Direitos Humanos; Prêmio Criança e Paz, do Unicef; Menção Honrosa do Prêmio Maria Moors Cabot, da Faculdade de Jornalismo de Columbia, em Nova York, entre outras honrarias.

A fake news de Sérgio Moro exposta em outdoors

O ex-ministro Sérgio Moro é um velho conhecido das fake news. Sua atuação como juiz na 13ª Vara Federal de Curitiba, na Lava Jato, foi baseada nos factoides, nas mentiras, nos powerpoints, nas convicções não provadas contra o ex-presidente Lula e o PT. Moro e a velha mídia conhecem como ninguém tudo sobre notícias falsas. Durante a Lava Jato e sua passagem no Ministério da Justiça, no governo Jair Bolsonaro, Sérgio Moro usou e abusou dos outdoors para fazer propaganda de si mesmo. Uma verdadeira farra paga sabe-se lá como… Pois bem, não é que o ex-ministro e ex-juiz lançou uma nova campanha acerca das fake news? Moro contou com a ajuda do empresário curitibano Fábio Aguayo, uma espécie de “Véio da Havan” do Paraná, para colocar-se nas ruas. Aguayo é presidente da Abrabar (Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas), que é contra o isolamento social e a favor da abertura do comércio mesmo na pandemia de coronavírus. A pré-campanha eleitoral de Sérgio Moro é assim justificada pela Abrabar: “a intenção é apoiar o combate a mensagens odiosas nas redes sociais, inclusive contra estabelecimentos comerciais.” Cada vez mais no ostracismo, o ex-ministro da Justiça pensa formar chapa com o procurador Deltan Dallagnol para disputar o governo do Paraná e o Senado, respectivamente. Palestra de Sérgio Moro é suspensa em Faculdade de Direito, após protestos na Argentina O ex-ministro Sérgio Moro teve uma palestra suspensa, na Argentina, após fortes manifestações contrárias na Faculdade de Direito da UBA (Universidade de Buenos Aires). A ministra da ministra da Mulher, Gênero e Diversidade, Elizabeth Gómez Alcorta, do governo Alberto Fernández, liderou os protestos contra a palestra de Moro. “Compartilho o repúdio a esta atividade, em uma faculdade pública na qual se deve formar para a defesa do Estado de direito e das garantias constitucionais”, escreveu no Twitter a ministra argentina. Dentre os argumentos que fizeram a organização desistir do evento estão o de que Sérgio Moro era o arquiteto e executor da perseguição judicial contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no âmbito da Lava Jato, em virtude da qual o petista não pôde se candidatar à eleição de 2018. De acordo com o jornal argentino Página 12, os idealizados do abaixo-assinado contra a palestra afirmaram que Moro demonstrou “sua absoluta parcialidade em relação a quem ele havia tentado anteriormente” e por ter participado no governo de extrema direita. “Ele [governo Bolsonaro] é reconhecido por violar e atacar os direitos das minorias étnicas, sexuais, religiosas, os direitos das mulheres e por promover o ódio e a discriminação como uma ferramenta política”. E acrescentaram que “Moro é um símbolo da pior face do Poder Judiciário nas nações latino-americanas, sendo uma roda dentada fundamental na ‘Lei’, ou guerra judicial contra líderes políticos da região”, pelo que rejeita “sua presença em qualquer atividade organizada” por qualquer universidade e “solicitamos à Faculdade de Direito que analise a atividade”. Sérgio Moro era ministro da Justiça de Bolsonaro desde a posse do presidente ultraconservador, em 1º de janeiro de 2019, e deixou seu cargo no dia 24 de abril. Ele deixou seu posto denunciando que Bolsonaro estava tentando interferir na Polícia Federal, que está investigando dois de seus filhos. A suspensão da palestra de Sérgio Moro, na Argentina, é principal derrota ex-juiz e ex-ministro após deixar o governo Bolsonaro. Via Blog do Esmael Morais

Lula ironiza Bonner, que sente saudades da época do PT

 – “Quem diria que até o Bonner tinha saudade”, tuitou nesta quarta-feira (27) o petista, ao comentar a entrevista do jornalista no programa “Conversa com Bial”. – O ex-presidente Lula não perdoou seu “inimigo” de estimação William Bonner, apresentador do Jornal Nacional, da Globo. Lula comentou o encerramento da entrevista em que Bonner, em 2006, apresentou direto de Juazeiro do Norte (CE). Ele estava cercado por uma multidão empolgada e alegre, que o aplaudia, Bonner disse não acreditar que essa situação algum dia possa acontecer de novo. “Hoje seria impossível isso”. Nessa época, há 14 anos, o presidente do Brasil era quem? Lula. “Apesar da seleção de futebol e da derrota na Copa, em 2006 a população brasileira teve muito a comemorar. Principalmente na melhoria dos indicadores econômicos e sociais do Brasil”, diz o texto compartilhado por petista no Twitter. O site “Reconta Aí” ainda registrou: PIB: R$ 2,37 trilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); PIB per capita: R$ 12.688 (PIB per capita é o valor da riqueza gerada no país se divido igualmente entre toda a população); Taxa de crescimento do PIB: 4,0%; Desemprego: 8,4%, a menor taxa desde 1997; Formalidade no mercado de Trabalho: Pela primeira vez na história, o número de trabalhadores formais passou os informais e ficou no patamar de 50,6% dos trabalhadores formalizados. Dados do Caged mostram que foram em 2006 foram gerados 1.228.686 empregos com carteira assinada no País; Salário Mínimo: R$ 350,00; Cesta Básica: O estado com a cesta básica mais cara foi o Distrito Federal, cujo valor dos itens foi de R$ 178,14. A publicação retuitada por Lula fez questão de frisar sua solidariedade com William Bonner e todos os jornalistas que vêm sofrendo uma implacável perseguição de grupos de ódio. É impossível ter democracia sem o jornalismo profissional e a liberdade de expressão. Quem diria que até o Bonner tinha saudade. #equipeLula https://t.co/4uFKLE4xrY — Lula (@LulaOficial) May 27, 2020 Assista ao vídeo da entrevista de Bonner: O jornalista William Bonner, âncora do Jornal Nacional, na Globo, surgiu abatido numa entrevista ao programa “Conversa com Bial” na madrugada desta quarta-feira (27). Ele tem sido alvo constante de fake news. “Eu ainda me assusto com a bile, com o ódio que escorre nas palavras, nas palavras mal escritas, nas palavras cuspidas. É um ódio tão intenso que a gente não sabe onde levará. E aí a gente vai para as ruas e assiste a esta mesma incivilidade”, disse ele. O jornalista aparentava abatimento, cansaço, tristeza e falta de esperança com o futuro do País. Bonner revelou no programa de Pedro Bial que sua presença em determinados locais públicos é completamente inviável. “Era motivadora de tensões. Percebi isso de maneira muito ruim, dentro de farmácias, de padarias, no cinema. Verbalmente agredido, insultado…”, lamentou o âncora do JN, que teve de pausar para respirar diante da conjuntura política atual. Triste e desperançoso, ele contou que não conseguiu pegar um avião para visitar sua mãe doente em 2018 e que teve de viajar de carro do Rio para São Paulo diversas vezes. “Não podia pegar um avião com tranquilidade nem para visitar um parente doente”. O problema é que a empresa que William Bonnner trabalha, a Rede Globo, é uma das responsáveis por parir o fascismo representado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A eleição de Bolsonaro é decorrência do golpe de 2016, do enfraquecimento dos partidos políticos e instituições democráticas, alvos constantes do “jornalismo” global. Além disso, a Globo tem se esmerado na retirada de direitos sociais e na semiescravização da sociedade brasileira. É por isso que Bonner e os profissionais da imprensa estão sendo alvo nas ruas, no entanto, o povo [ainda] não consegue formular. É aí que surgem os grupos de ódio contra a mídia corporativa, o ovo da serpente. Segundo Lúcio Kowarick, professor titular do Departamento de Ciência Política da USP, no Le Monde Dimplomatique, “o ovo da serpente constitui uma metáfora de um filme de Ingmar Bergman que representa o lento envenenamento da sociedade pelo nazismo na Alemanha dos anos 1920.” Em nota, TV Globo repudia campanha de intimidação a Bonner A TV Globo divulgou na terça (26) uma nota de repúdio a uma campanha de intimidação promovida contra o jornalista e apresentador do Jornal Nacional, William Bonner. No texto, a emissora cita o uso indevido do CPF do filho de Bonner por um fraudador que inscreveu o jovem no programa de auxílio emergencial do governo a pessoas vulneráveis que perderam renda na pandemia. Além disso, também informa que jornalista e uma de suas filhas receberam mensagens de WhatsApp, originadas de número telefônico com o prefiro 61, de Brasília, com dados fiscais sigilosos dele e da família. E declara apoio da empresa ao apresentador na busca e na punição dos responsáveis pelo desrespeito ao sigilo previsto na Constituição. “A Globo o apoiará para que os autores dessa divulgação de seus dados fiscais, protegidos pela Constituição, sejam encontrados e punidos. William Bonner é um dos mais respeitados jornalistas brasileiros e nenhuma campanha de intimidação o impedirá de continuar a fazer o seu trabalho correto e isento. Ele conta com o apoio integral da Globo e de seus colegas e está amparado pela Constituição e leis desse país”, diz um trecho da nota. Leia a nota na íntegra: A Globo repudia a campanha de intimidação que vem sofrendo o jornalista William Bonner e se solidariza com ele de forma irrestrita. Há dias, um fraudador usou de forma indevida o CPF do filho do jornalista para inscrever o jovem no programa de ajuda emergencial do governo para os mais vulneráveis da pandemia, para isso se aproveitando de falhas no sistema, que não checa na Receita Federal se pessoas sem renda são dependentes de alguém com renda, fato denunciado publicamente pelo próprio jornalista que apresentou notícia crime junto ao Ministério Público Federal no Rio de Janeiro. Agora, tanto o jornalista quando a sua filha receberam por WhatsApp em seus telefones pessoais mensagem vinda de um número de Brasília com uma

Caso Marielle: STJ nega, por unanimidade, a federalização das investigações

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou nesta quarta-feira (27) por unanimidade a federalização da investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes. O pedido de federalização foi apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O caso foi julgado pela terceira seção do STJ, que reúne os cinco ministros da Quinta Turma e os cinco ministros da Sexta Turma. Os ministros seguiram o voto da relatora, Laurita Vaz, para quem não houve “inércia ou inação” das autoridades estaduais no caso. Marielle e Anderson foram assassinados, em março de 2018, por milicianos no Rio de Janeiro. Dois suspeitos foram presos em março de 2019, mas ainda não foi descoberto o mandante do crime. A decisão do STJ assegura que o crime continuará sendo investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

Não adianta ignorar Bolsonaro, ele está no poder pela mídia – Por Fernando Brito

 Folha, Globo e Band decidiram não enviar mais repórteres para o circo matinal de Jair Bolsonaro na porta do Alvorada, com a plateia cativa do grupo de fanáticos que se reveza no curralete montado para o show. – Tardia decisão, não apenas pela segurança dos profissionais que lá vão, mas pela repercussão que se dá ao espetáculo fascista que lá se encena diariamente. É, porém, uma atitude inócua. Está longe de ser uma atitude decente da mídia. O que ela se recusa, agora, a cobrir, é o que ela produziu. Bolsonaro, um nada antes, é filho da mídia e de Sergio Moro, pai e mãe que hoje renega. Durante a campanha de 2018, foi frequente, até entre gente que se diz de esquerda, exigir uma autocrítica do PT pelos desmandos e corrupções que aconteceram sob seu governo. Nem sequer se exige isso de instituições que apoiaram o golpe de 2016 e nem mesmo o golpe eleitoral de 2018. O que se exige é uma autocrítica prática. É reconhecer que entramos, muito antes da eleição de Bolsonaro, em um estado de anormalidade, onde as representações políticas da sociedade foram criminalizadas. Destruiu-se a política e, no lugar dela, como sempre ocorre na História, pôs-se em seu lugar o fundamentalismo e a loucura. Eles ascendem sempre ao poder em nome da moralidade e da ordem e se tornam a mais abjeta imoralidade e a desordem autoritária. Restaure-se a política, a disputa legítima, e restauraremos a democracia.  

Carla Zambelli confirma que Moro protegia o PSDB e perseguia o PT como juiz da Lava Jato

 “Ele tinha predileção em condenar o PT”, afirmou a deputada bolsonarista, que tem Sérgio Moro como padrinho de casamento Em entrevista na manhã desta segunda-feira (25), a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), fiel escudeiro de Jair Bolsonaro, afirmou confirmou que o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, como juiz, protegia o PSDB e perseguia o PT nas investigações da Lava Jato. “Os colegas da PF falavam sobre o fato de que a Lava Jato era muito em cima do PT. […] Era uma percepção interna de que não se falava em PSDB”, disse, segundo a jornalista Kelly Matos, da rádio Gaúcha, em seu Twitter.

Bolsonaro desafia STF e ameaça Celso de Mello: “retire o pedido, não vou entregar meu celular ‘

 – Presidente disse ainda que responsabilidade pelos absurdos ditos na reunião é do ministro do STF por ter liberado vídeo e atacou Moro: “fim melancólico” – O presidente Jair Bolsonaro reagiu na noite desta sexta-feira (22) à divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, pelo ministro do Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em pronunciamento na entrada do Palácio do Alvorada, Bolsonaro voltou a negar que interferiu na Polícia Federal, o que aparece no vídeo, e atacou o STF, o ex-ministro Sergio Moro e a imprensa. “O vídeo, para nós, estava classificado como secreto. Quem suspendeu o sigilo foi o senhor Celso de Mello. Então, a responsabilidade de tudo naquele vídeo que não tem haver com o inquérito é do senhor ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello. Nenhum ministro meu tem responsabilidade do que foi falado ali”, disse Bolsonaro, alegando que a reunião em que xinga governadores era reservada. No vídeo, aparecem falas comprometedoras ou potencialmente criminosas dos ministros Abraham Weintraub (Educação), Paulo Guedes (Economia), Damares Alves (Família) e Ricardo Salles (Meio Ambiente). No pronunciamento na porta do Alvorada, Bolsonaro adotou, em alguns momentos, tom quase tão exaltado quanto o da reunião e também usou palavras de baixo nível. O presidente ameaçou diretamente o ministro Celso de Mello. “Seu Celso de Mello, retira o seu pedido porque o meu telefone não será entregue”, afirmou Bolsonaro, em referência a recente decisão do ministro do STF de pedir manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre os pedidos de apreensão do celular do presidente, dentro da investigação de interferência na PF. Em uma fala mal articulada, Bolsonaro chegou a sugerir que o ministro “sente” no processo e não atue. “Deixe os partidos lá que pediram esperando”, disse. Em outros momentos, o presidente também faz referências em que parece querer dizer que o processo contra ele tramita mais rápido do que ele gostaria. Entre ataques à impressa, frases de efeito para a claque de apoiadores que interrompia com palmas e alegações de injusta perseguição, pouca novidade. O presidente repetiu novamente toda a sua versão para os pedidos de trocas de comando na PF, que o vídeo e depoimentos de envolvidos, como o delegado exonerado Maurício Valeixo, contradizem. “Foi um tiro nágua. Se quer foi tiro de festim. Um traque”, bradou Bolsonaro. “Mais uma farsa caiu, de muitas contra mim”, completou, passando a atacar o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, autor da acusação que deu origem ao processo e que indicou o vídeo da reunião como prova. “Lamento senhor Sergio Moro, uma pessoa que tem uma história, que ajudou muito o país, ter um fim melancólico desse”, disse. “Posando de vítima. Não sei quais são seus interesses.”

Em nota conjunta, oposição repudia vídeo e pede impeachment de Bolsonaro

 – “Desfaz qualquer legitimidade do atual governo no comando dos destinos da Nação, pois escancara o desprezo à democracia, à vida e às conquistas civilizatórias do povo brasileiro”, diz o documento – As bancadas dos partidos de oposição na Câmara dos Deputados, PT, PCdoB, PSOL, PSB, PDT e Rede, divulgaram nesta sexta-feira (22) uma nota conjunto em que manifestam o “seu veemente repúdio ao conteúdo de vídeo de reunião ministerial do governo Bolsonaro, bem como à nota divulgada pelo general Augusto Heleno, com um ataque inaceitável ao Supremo Tribunal Federal”. “A reunião ministerial revela o baixo nível dos integrantes do atual governo. Como bárbaros, jogam a República no caos, desrespeitam as leis, as instituições e ignoram a Constituição”, diz a nota. PUBLICIDADE Os partidos de oposição destacam que “o vídeo desfaz qualquer legitimidade do atual governo no comando dos destinos da Nação, pois escancara o desprezo à democracia, à vida e às conquistas civilizatórias do povo brasileiro”. “Ademais, indica a tentativa de formação de milícias em defesa de um projeto antinacional e antidemocrático”, aponta a nota, em referência às várias vezes em que Bolsonaro defendeu armar a população.

Bolsonaro xinga governadores de “bosta”, prega armamento da população e diz que é fácil implementar ditadura no Brasil

 – “Havendo necessidade qualquer um dos poderes pode pedir às Forças Armadas que intervenham para restabelecer a ordem, sem problema nenhum”, disse o presidente durante a reunião de 22 de abril – Após a revelação do vídeo da reunião ministerial do gabinete do presidente Jair Bolsonaro, diversas afirmações polêmicas feitas pelo ex-capitão vieram à tona e chamaram a atenção. A gravação foi revelada na tarde desta sexta-feira (22) após decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal. Entre outras questões, Bolsonaro fala sobre a troca de ministros caso “mexam” com a família dele – ponto central do inquérito aberto pela Procuradoria-Geral da República -, AI-5, intervenção militar, impeachment e bandeiras defendidas por ele. Governadores também são alvo do presidente. Um dos trechos mais fortes da fala é quando o presidente, revoltado cita o artigo 142 da Constituição Federal logo após dizer que não existe mais AI-5. O artigo é alardeado por bolsonaristas como garantidor de uma suposta intervenção militar constitucional. “Agora, nós queremos cumprir o artigo 142? Todo mundo quer cumprir o artigo 142. Havendo necessidade qualquer um dos poderes pode pedir as Forças Armadas que intervenham para restabelecer a ordem, sem problema nenhum” declarou o presidente. A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), inclusive, defendeu uma intervenção baseada nesse artigo no plenário do Congresso Nacional na quinta-feira. Assista aqui. A palavra intervenção e o verbo intervir, no entanto, não estão presentes no artigo, como pode ser lido aqui. O clamor pelo golpe por parte da parlamentar atende às manifestações de pequenos grupos bolsonaristas que tem acampado na Praça dos Três Poderes nas últimas semanas com cartazes e gritos contra o STF e o Congresso Nacional. Confira algumas declarações ditas pelo presidente: Troca de ministro “Putaria o tempo todo pra me atingir, mexendo com minha família já tentei trocar segurança nossa no rio de janeiro e não consegui. Isso acabou! Não vou fuder um amigo meu porque não posso trocar a segurança. Se não puder, troca o ministro. E ponto final”. AI-5 “Cabo o AI-5, AI-5 não existe. É uma besteira. Artigo 142 é um pessoal que não sabe interpretar a Constituição. Agora em cima disso fazer uma onda? Quando a Câmara faz homenagem a Che Guevara, Mao Tsé Tung, não tem nada demais. Quando o Partido Comunista do Brasil faz suas convenções e idolatram Fidel Castro não tem problema nenhum. Então quando um coitado levanta uma placa pedindo Ai-5 eu tô me lixando pra aquilo”. Artigo 142 (Intervenção militar) “Agora, nós queremos cumprir o artigo 142? Todo mundo quer cumprir o artigo 142. Havendo necessidade qualquer um dos poderes pode pedir as Forças Armadas que intervenham para restabelecer a ordem, sem problema nenhum”. Armar população “O que eles querem impor uma ditadura. Olha, como é fácil impor uma ditadura aqui. Por isso que eu quero que o povo se arme. É facinho colocar uma ditadura aqui. Vem um filha da puta de um prefeito e deixa todo mundo dentro de casa. Se eu fosse ditador, eu ia querer desarmar”. Luta pelo poder e impeachment “Não é apenas cuidar do seu ministério. A luta pelo poder continua a todo vapor e sem neurose da minha parte. Tem campo fértil pra aparecer porcaria aí. Não é ‘tá bom, o ministério fatura’, ‘deu merda, cai no colo do presidente’. Por exemplo, quando se fala em possível impeachment, ação no Supremo, baseados em filigramas. Eu vou em qualquer lugar do território nacional. Eu não vou meter o rabo nos meios das pernas. Impeachment com frescura? Com babaquice? Não. Eu sou o chefe Supremo das Forças Armadas. Falei algo e nada demais”. Aceitar bandeiras “Quem não aceitar as minhas bandeiras, Damares, família, Deus, armamento, liberdade de expressão, livre mercado, está no governo errado. Perde o ministério quem for elogiado pelo Globo, pela Folha… Pelo Antagonista… Tem ministro que é sempre elogiado nesses blogs”. Governadores “Esse bosta do governador de SP, esse estrume do RJ, o bosta do prefeito de manaus abrindo covas coletivas”.