Após fala de Bolsonaro, PGR pede investigação sobre invasões a hospitais

 Procurador-geral da República, Augusto Aras, enviou ofícios para o Ministério Público em São Paulo e no Distrito Federal O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu em ofício enviado às unidades do Ministério Público nos estados que sejam investigadas as tentativas de invasão a hospitais durante a pandemia de coronavírus. Em live na última quinta-feira (11), o presidente Jair Bolsonaro convocou seus apoiadores a invadirem e filmarem hospitais voltados ao tratamento de pacientes da covid-19. Aras decidiu enviar ofícios à chefia dos Ministérios Públicos estaduais de São Paulo e do Distrito Federal. Um ofício enviado pelo procurador-geral equivale a um pedido para que os casos sejam apurados. No entanto, não significam uma determinação de abertura imediata de investigações e a decisão fica a cargo das chefias estaduais. Nos documentos, Aras não cita a declaração de Bolsonaro e não informa se a fala será investigada

Gilmar Mendes diz que invadir hospitais é crime; Carluxo xinga ministro de ‘débil mental’

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), o Carluxo, xingou neste domingo (14) de ‘débil mental’ o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o magistrado afirmar que estimular e invadir hospitais é crime. “Invadir hospitais é crime —estimular também. O Ministério Público (a PGR e os MPs Estaduais) devem atuar imediatamente. É vergonhoso —para não dizer ridículo— que agentes públicos se prestem a alimentar teorias da conspiração, colocando em risco a saúde pública”, tuitou na manhã de hoje Gilmar. Ato contínuo, Carluxo revidou xingando Mendes de “bandido ou um doente mental” no Twitter. “Só um bandido ou um doente mental para minimamente crer que o Presidente incentivou invasão a hospitais ao invés de entender que o citado foi para que cidadãos cumpram seu direito de fiscalizar os gastos públicos!”, atacou o filho do presidente da República, em resposta a Gilmar Mendes. O tuíte do ministro do STF se deu em referência ao pedido do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na quinta-feira (11), para que seus apoiadores filmassem o interior de hospitais públicos e de campanha para averiguar se os leitos de emergência estão livres ou ocupados. Na sexta-feira (12) à tarde, horas depois do estímulo de Bolsonaro, um grupo entrou no Hospital municipal Ronaldo Gazolla, unidade de referência no tratamento da Covid-19 no Rio, e invadiu alas restritas a médicos e pacientes. De acordo com profissionais da saúde, é grande a probabilidade de uma pessoa ser infectada se adentrar num ambiente hospitalar desprotegida e sem autorização às áreas restritas. O procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou a instauração de procedimentos para apurar eventuais responsabilidades por invasões a hospitais destinados ao tratamento de pacientes com covid-19. Aras diz que as condutas dessa natureza colocam em risco a integridade física dos “valorosos profissionais que se dedicam, de forma obstinada, a reverter uma crise sanitária sem precedentes na história do país”. Os ofícios serão enviados na segunda-feira (15) aos Ministérios Públicos dos estados de São Paulo e Distrito Federal, que tiveram casos relatados de invasão. Em São Paulo, assessores de deputados estaduais bolsonaristas invadiram o Hospital de Campanha do Anhembi, em 4 de junho. Já no Distrito Federal, a ocorrência foi em 9 de junho, no Hospital Regional de Ceilândia, por um apoiador do presidente

Bolsonaro parte para ameaça por temer julgamento no TSE, dizem juízes

 – Integrantes do STF e TSE, ouvidos reservadamente pela Folha de S.Paulo, dizem que nota do presidente seria uma tentativa de intimidação por preocupação de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão na corte eleitoral – Magistrados do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) avaliam que a nota de Bolsonaro alertando que as Forças Armadas não cumprem “ordens absurdas e não aceitam tomada de poder por julgamento político” é uma tentativa de intimidação ao judiciário e ao mesmo tempo preocupação do governo com julgamento da chapa presidencial na corte eleitoral. “Na avaliação na cúpula do Judiciário, o comunicado desta sexta-feira não leva a crise para outro patamar. Segue a aposta do presidente numa estratégia de disparar ameaças para demonstrar força junto a seus simpatizantes”, diz reportagem do jornal Folha de S.Paulo deste domingo (14). Apesar da tentativa de intimidação, magistrados ouvidos reservadamente pelo jornal, dizem que a nota é parte da retórica construída por Bolsonaro, mas que o governo segue cumprindo as decisões do Judiciário. Na sexta-feira (12), o ministro do STF Luiz Fux decidiu em liminar, numa ação do PDT, que as Forças Armadas não são poder moderador da República. No mesmo dia, Bolsonaro divulgou nota, assinada pelo vice Hamilton Mourão e pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo, ambos generais da reserva. Para os integrantes ouvidos pelo jornal, a menção a “julgamentos políticos” é uma referência velada tanto ao STF quanto ao TSE. O fato de o vice-presidente ter assinado a nota, avaliam, também é um sinal de que há preocupação com a cassação na corte eleitoral. O TSE analisa um processo que pode levar à cassação da chapa eleita em 2018. A ação foi aberta após a Folha revelar, durante o segundo turno das eleições, que correligionários de Bolsonaro dispararam, em massa, centenas de milhões de mensagens, prática vedada pelo TSE. O esquema foi financiado por empresários sem a devida prestação de contas à Justiça Eleitoral, o que pode configurar crime de caixa dois. Com informações da Folha

Em dia de manifestações, Fantástico explica o que é fascismo e antifascismo

 – Programa apresentou relações entre o fascismo histórico com eventos que acontecem hoje no Brasil. Reportagem destacou publicação sobre Mussolini compartilhada por Bolsonaro – A edição do Fantástico deste domingo (7) apresentou uma reportagem dedicada à explicar o que é fascismo e antifascismo. O tema ganhou força nos últimos dias com as manifestações antirracistas que eclodiram pelo mundo após a morte de George Floyd, nos Estados Unidos. O programa também apresentou pontos que ligam eventos que acontecem hoje no Brasil e no mundo com práticas fascistas, isso tudo a partir de explicações de especialistas. De acordo com a reportagem, a busca pela palavra “fascismo” cresceu 1126% no Google. “O regime fascista surgiu nos anos 20 na Europa e teve como marco mais representativo o fascismo italiano de Mussolini”, explica uma das fontes ouvidas pela reportagem. “Apareceu para impor a ordem, para recuperar os valores tradicionais”, continuou. O repórter Murilo Salviano então explicou que uma das características do fascismo é a existência de uma liderança forte, que é glorificada e idolatrada. “O líder aparece como a personificação deste exemplo ideal de cidadão. Ele se diz o dono da verdade, para fazer com que as pessoas não busquem outras opiniões”, explicou o repórter. Outra característica do líder fascista citada pela reportagem é a censura e ataques constantes a veículos de imprensa, algo constantemente praticado pelo presidente Jair Bolsonaro. A reportagem então citou as declarações recentes de Bolsonaro chamando manifestantes antifascistas de “marginais e terroristas”, endossando um discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na semana anterior a esta fala, Bolsonaro compartilhou uma publicação nas redes sociais com uma frase usada pelo líder fascista italiano, Benito Mussolini. Via Revista Fórum

Ocultação de cadáveres -Por Fernando Brito 

 – Os jornais falam que o governo fez uma “mudança de metodologia” na contagem das vítimas da pandemia. Não fez. Mudança de metodologia seria, por exemplo, usar o diagnóstico clínico para a contagem dos casos de Covid-19, pela incapacidade de aplicar testes em quantidade suficiente. O que está em curso é outra coisa, é a tentativa de esconder os cadáveres, aos milhares, que a epidemia está fazendo pelo Brasil. Carlos Wizard, bilionário mórmon que foi colocado à frente da Secretaria de Ciência, dedica-se à arte de, a partir do nada, definir que há uma “supernotificação” de casos de morte pela doença:” A orientação do Ministério da Saúde anteriormente era ficar em casa. A pessoa estava em casa e morria por uma razão qualquer. Conclusão: nunca foi testado, nunca foi no médico e o atestado é que morreu por Covid.” É o mais completo exercício de “chutologia epidêmica” que se tem notícia, como se os médicos dessem atestados de óbito a granel tendo o vírus como causa mortis, por “modismo”. Metodologia? O que o governo brasileiro pretende não conseguirá, é evidente, fazer chama-se ocultação de cadáveres. Via Tijolaço

“Não posso respirar”, por Frei Betto

 Eu também. Não consigo respirar neste Brasil (des)governado por militares que ameaçam as instituições democráticas e exaltam o golpe de Estado de 1964, que implantou 21 anos de ditadura Foram as últimas palavras de George Floyd: “Não posso respirar”. Eu também. Não consigo respirar neste Brasil (des)governado por militares que ameaçam as instituições democráticas e exaltam o golpe de Estado de 1964, que implantou 21 anos de ditadura; elogiam torturadores e milicianos; acertam o “toma lá, dá cá” com notórios corruptos do Centrão; plagiam ostensivamente os nazistas; manipulam símbolos judaicos; tramam, em reuniões ministeriais, agir ao arrepio da lei; proferem palavrões em reuniões oficiais, como se estivessem num antro de facínoras; debocham de quem observa os protocolos de prevenção à pandemia e saem às ruas, indiferentes aos 30 mil mortos e suas famílias, como a celebrar tamanha letalidade. “Não posso respirar” quando vejo a democracia asfixiada; a Polícia Militar proteger neofascistas e atacar quem defende a democracia; o presidente mais interessado em liberar armas e munições que recursos para combater a pandemia; o ministério da Educação dirigido por um semianalfabeto que ameaça reprisar a “noite dos cristais” dos nazistas, proclama odiar povos indígenas e propõe prender os “vagabundos” do Supremo Tribunal Federal. “Não posso respirar” ao ver os comandantes das Forças Armadas calados diante de um presidente destemperado que não esconde ter como prioridade de governo a sua proteção e a de seus filhos, todos suspeitos de graves crimes e cumplicidade com assassinos profissionais. “Não posso respirar” diante da inércia dos partidos ditos progressistas, enquanto a sociedade civil se mobiliza em contundentes manifestos de indignação e pela defesa da democracia. “Não posso respirar” diante desse empresariado que, de olho nos lucros e indiferente às vítimas da pandemia, pressiona para a abertura imediata de seus negócios, enquanto os leitos hospitalares estão lotados e covas rasas se multiplicam nos cemitérios quais gengivas desdentadas de Tânatos. “Não posso respirar” quando, no Brasil e nos EUA, cidadãos são agredidos, presos, torturados e assassinados pelo “crime” de serem negros e, portanto, “suspeitos”. Falta-me ar ao ver João Pedro, um garoto de 14 anos, perder a vida dentro de casa ao levar um tiro de fuzil pelas costas, enquanto brincava com amigos. Ou entregadores de encomendas serem assassinados por policiais que nos consideram imbecis ao tentar justificar a morte de tantos civis desarmados. “Não posso respirar” ao pensar que o bárbaro crime cometido contra George Floyd se repete todos os dias e permanecem impunes por não haver ali uma câmera capaz de flagrar assassinatos semelhantes. Ou ao ver Trump, do alto de sua arrogância, reagir aos protestos antirracistas ameaçando calar os manifestantes com o indiciamento deles como terroristas e a intervenção de tropas do exército. Como oxigenar minha cidadania, meu espírito democrático, minha tolerância, ao me ver cercado por mimólogos da Ku Klux Klan; generais improvisados em ministros da Saúde em plena tragédia sanitária; manifestantes infringirem, impunes, a lei de segurança nacional; e a Bolsa de Valores subir, enquanto milhares de caixões baixam nas tumbas que recebem as vítimas da pandemia? Preciso respirar! Não deixar que sufoquem a sociedade civil, a mídia, a liberdade de expressão, a arte, os direitos civis, o futuro dessa geração condenada a viver esse presente nefasto. Respiro, apesar de tudo, quando leio o que o estilista Marc Jacobs postou no Instagram depois de ter uma de suas lojas destruída pelos protestos em Los Angeles: “Nunca deixe que eles te convençam que vidro quebrado ou saque é violência. Fome é violência. Morar na rua é violência. Guerra é violência. Jogar bomba nas pessoas é violência. Racismo é violência. Supremacia branca é violência. Nenhum cuidado de saúde é violência. Pobreza é violência. Contaminar fontes de água para obter lucro é violência. Uma propriedade pode ser recuperada, vidas não.” Faço meus os versos de Cora Coralina: quero “mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros”. *Frei Betto é escritor, autor do romance histórico “Minas de Ouro” (Rocco), entre outros livros. Site: www.freibetto.org Twitter: @freibetto

Similia simulibus curantur: PGR dá a Moro veneno que ele dava a Lula – Por Fernando Brito

Nos jornais, a articulação de Bolsonaro contra Sergio Moro mira com o mesmo olho torto que o ex-juiz mirou o ex-presidente Lula: usar provas indiciárias – ou provas que não provam, mas sugerem – para condenar o antigo Super Homem de Maringá e torná-lo inelegível, conta a repórter Andrea Sadi, no G1. O braço desta articulação seria a reabertura das negociações para a delação premiada do advogado Rodrigo Tacla Duran, que acusa um amigo íntimo de Moro – Carlos Zucolloto, seu padrinho de casamento e ex-sócio de sua mulher – arquivadas pelo Ministério Público na era de ouro da Lava Jato. É evidente que repugnam investigações dirigidas, até mesmo contra Sergio Moro, que disso usava e abusava, mas é irônico que se esteja aplicando sobre ele o velho preceito hipocrático da cura pelo semelhante – o famoso similia similibus curantur. Moro, entretanto, deve ter seus atos examinados à luz da lei e das provas que demonstram, claramente, sua associação aos acusadores de Lula, agindo de maneira que, evidente para qualquer pessoa honesta, destruiu a imparcialidade judicial. Mas, se não encerrar seu período de evidência por isso, morrerá à míngua por orfandade. A geração que ele criou adotou-se de Bolsonaro e já o renegou, deixando-o pendurado apenas na Globo e no que resta da “Força Tarefa” da Lava Jato. Por enquanto… Via Tijolaço

Quem com ferro fere… Moro reclama do populismo do qual se locupletou na Lava Jato

 O ex-juizeco e ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, em artigo no Globo, declara guerra ao populismo do qual abusou durante o período em que foi juiz da Lava Jato. O populismo penal da força-tarefa restou evidente em todas as fases, nos últimos seis anos, o que gerou questionamentos sobre a legalidade das operações e das sentenças judiciais delas decorrentes. O que dizer do famoso powerpoint de Deltan Dallagnol, que, mais tarde, somente na convicção e sem provas, fundamentou a prisão política do ex-presidente Lula? A esse respeito o petista comentou mais tarde à luz do inquérito que agora investiga Moro no Supremo Tribunal Federal: “As mesmas razões apresentadas no presente por Moro no exercício do seu próprio direito de defesa reforçam a necessidade de o sistema de Justiça corrigir os erros do passado, causados pelo próprio Moro.” De acordo com a literatura política mundial, existem três tipos de populismo: o populismo-autoritário, o neopopulismo e o populismo não-autoritário. Moro se enquadra no populismo-autoritário cujo subproduto é o populismo penal, aquele que prende e arrebenta, que tem a prisão como fetiche e vê na limitação da liberdade do indivíduo a panaceia para todos os males sociais. O populismo penal de Moro e dos lavajatistas é uma praga que corrói o Estado Democrático de Direito.

Bolsonaro vai a cavalo encontrar o gado bolsonarista

 – Em mais um gesto de pleno descuido com a saúde da população, Jair Bolsonaro foi a cavalo encontrar seus apoiadores, que iniciaram uma manifestação em Brasília (DF) e novamente com dizeres contra o Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro segue violando as recomendações de autoridades de saúde, que pedem o distanciamento social para diminuir a propagação do coronavírus, que já deixou o Brasil em segundo lugar no ranking mundial de confirmações (501,9 mil), de acordo com a plataforma Worldometers, que disponibiliza dados em nível global. O País também é o quarto em número de mortes (28,8 mil). Vale ressaltar, ainda, que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertou Bolsonaro sobre necessidade de isolamento social. Em relatório enviado ao Planalto, a instituição destacou uma “testagem com baixa representatividade (cerca de 3 mil por 1 milhão)”.

“Fake News” – Desorientada, esquerda defende ação da PF

 – A esquerda pequeno burguesa comemorou entusiasticamente a ação da PF contra as “milícias do fake news”, Na última quarta-feira, dia 27, a Polícia Federal cumpriu diligências contra 29 pessoas a partir do despacho sobre as fakes news do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação estaria em busca de provas contra uma rede formada por empresários, políticos e blogueiros que supostamente formariam uma associação criminosa. Segundo Alexandre de Moraes, essa rede de Fake News promoveria mensagens de “ódio, subversão e de incentivo à quebra da normalidade institucional democrática”. Nas redes sociais, a esquerda pequeno burguesa comemorou entusiasticamente a ação da PF contra as “milícias do fake news”, acreditando que o STF estaria desmontando o esquema de mentiras fabricadas pelo bolsonarismo. Assim, Guilherme Boulos, ex-candidato a Presidente da República pelo PSOL, passou praticamente o dia inteiro passando mensagens de aplausos ao judiciário e a PF. “A quadrilha do fake news começa a ser desmontada”. Por sua vez, Fernando Haddad (PT) postou que “estão chegando ao covil dos criminosos”, e propõe a criação de uma CPMI das Fake News. Já a pré-candidata à prefeitura de Porto Alegre, Manuela D`Avila declarou que “ há esperança!” , uma vez que os “ principais atores” da trama do fake news “já começam a prestar contas com a justiça”. Praticamente todos os agrupamentos da esquerda exaltam a ação da PF como uma sinalização de como disse Manuela “há esperança!”, e que as instituições “ democráticas” ainda teriam fôlego para enfrentar as noticias falsas. Leia Também Presidente do BC diz que PIB pode cair mais de 5% em 2020 Interessante notar que nenhum combate efetivo contra a extrema direita a esquerda parlamentar efetivamente realiza, e fica como meros espectadores aguardando o desenlace dos embates entre as forças políticas burguesas. Nem mesmo existe uma apreciação do que expressa a atuação do judiciário e da PF nos diferentes conflitos. As manifestações contra os ministros do STF e a atuação do “gabinete do ódio” teriam motivado a ação da PF, que teria como alvo possíveis financiadores da rede de fake news, como os donos da Havan e da rede de academias Smart Fit. Segundo Moraes os empresários atuam de “maneira velada fornecendo recursos (das mais variadas formas), para os integrantes dessa organização”. (G1, 28/5/20) O despacho determinou ainda que seis deputados federais e dois deputados estaduais paulistas prestem depoimentos na Polícia Federal no inquérito. A ação da PF um dia depois de ações da própria PF contra o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, no inquérito sobre o superfaturamento e desvio da verba pública na construção de hospital de campanha e compra de equipamento médico naquele Estado, indica a intensificação da crise política, e da utilização do judiciário na disputa entre os agrupamentos políticos de direita que estão em conflito. O que mais impressiona na defesa da esquerda na atuação da PF no caso do “combate às fakes news” é o posicionamento absurdo em relação ao direito do estado em restringir opiniões, inclusive de parlamentares, que por sinal tem a prerrogativa constitucional de expressar posicionamentos políticos sem medo de cerceamento. O pretexto de combate a fake news leva a esquerda a exaltar as ações da PF contra parlamentares e contra jornalistas. Acontece que o mesmo STF que hoje promove ações contra a direita amanhã também promoverá ações contra à esquerda, em nome do combate do fake news. Além disso, a imprensa corporativa empresarial controlada por meia dúzia de famílias, que promovem fake news em escala industrial. No golpe de Estado de 2016, essa imprensa burguesa promoveu mentiras de maneira deliberada, inclusive em conluio com o próprio judiciário contra o PT e o ex-presidente Lula, em particular. Entretanto, a esquerda nem sequer menciona nem muito menos questionada a dominação das informações por essa imprensa golpista. Em praticamente em todas as questões, a esquerda encontra-se a reboque da direita. É preciso uma posição independente, não ficar a subordinado a uma das alas da burguesia que está em disputa. Apoiar o suposto combate às fake news significa justificar ações de censura e de intimidação por parte do judiciário. Via Causa Operária