Lava Jato blindou Paulo Guedes e fingiu não ver repasse para empresa de fachada

Surge mais uma prova de parcialidade da Lava Jato, que há 500 dias prendeu, sem provas, o ex-presidente Lula para solapar a democracia brasileira, fraudar o processo eleitoral e abrir espaço para a ascensão do neofascismo. Um repasse de uma empresa de Paulo Guedes a uma empresa de fachada, usada para pagar propinas no Paraná, foi solenemente ignorado pela operação – “A Lava Jato descobriu que uma empresa do atual ministro da Economia, Paulo Guedes, fez pagamento a um escritório de fachada, suspeito de lavar dinheiro para esquema de distribuição de propinas a agentes públicos no governo do Paraná”, revela o jornalista Fábio Fabrini, em reportagem publicada na Folha de S. Paulo. “A força-tarefa da operação em Curitiba apresentou denúncia sobre o caso em abril de 2018 e não incluiu no rol de acusados Guedes ou outros representantes de sua empresa. Na época, o agora ministro integrava a pré-campanha de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República”, prossegue ainda o jornalista. É mais uma prova do viés político da operação, que prendeu o ex-presidente Lula sem provas há exatos 500 dias, para que ele fosse impedido de disputar a presidência da República e vencer as eleições, como indicavam todas as pesquisas. Com a exclusão artificial de Lula do processo político, Jair Bolsonaro pôde assumir o poder e implantar um programa de extrema-direita no Brasil. “Os responsáveis por outras duas companhias que destinaram recursos ao escritório suspeito foram presos, denunciados e viraram réus de ação penal aberta pelo então juiz Sergio Moro”, diz Fábio Fabrini. Guedes não foi incomodado. Questionado pela reportagem, ele não conseguiu justificar o repasse. O repasse de R$ 560,8 mil foi feito em 2007 pela GPG Consultoria, de Guedes, à Power Marketing Assessoria e Planejamento, operada por um assessor do ex-governador Beto Richa (PSDB-PR).

Lawfare, a arma de guerra política e econômica usada contra Lula

– Em 10 de outubro de 2016, na condição de advogados do ex-presidente Lula, apresentamos durante entrevista jornalística o conceito de lawfare para designar o uso perverso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política, com táticas e características específicas. O fato está retratado em reportagem intitulada “Defesa de Lula diz que Lava Jato usa leis como ‘arma de guerra’ para desmoralizar o inimigo”, do jornal O Estado de S. Paulo. * Por Cristiano Zanin e Valeska Martins* Buscamos, naquele momento, com base em amplo estudo científico, mostrar a realidade de Lula diante da atuação de uma parte do Sistema de Justiça brasileiro. Desde então, muito se tem escrito e falado em referência ao termo “lawfare”. Verificamos, porém, que nem todas essas referências ao lawfare estão corretas à luz dos critérios científicos que nortearam a proposta que fizemos sobre o conceito naquela oportunidade ou com a leitura atual que fazemos sobre o fenômeno. Muitas vezes, o termo tem sido utilizado como sinônimo de judicialização da política, fenômeno que, embora real, não se confunde com o lawfare. O termo “lawfare” provém da junção de duas palavras da língua inglesa com elevada força retórica: law (direito) e warfare (guerra). Antes de retomar o real significado de “lawfare”, de acordo com a nossa percepção, é preciso recorrer a um breve histórico. Em 2001, o major-general Charles J. Dunlap Jr. usou pela primeira vez o termo “lawfare” em texto escrito para a Kennedy School de Harvard, no qual fez uma reflexão sobre formas de “conflitos modernos”, os quais se utilizam da aplicação ou da má aplicação das leis em substituição ao campo físico de batalhas. Sob a perspicaz ótica daquele autor, a lei pode ser vista como uma arma e, da mesma forma, pode ser utilizada para o bem e para o mal. Diz ele: “O direito é muito parecido com uma ferramenta ou arma que pode ser usada adequadamente de acordo com as virtudes mais altas do Estado de Direito – ou não. Tudo depende de quem a está empunhando”. John e Jean Comaroff, antropólogos jurídicos da Universidade Harvard, publicaram relevantes reflexões sobre a prática do lawfare para propósitos militares, políticos e empresariais. As publicações desses professores foram muito inspiradoras para desenvolvermos e apresentarmos um conceito de lawfare levando em consideração situações que estão ocorrendo no Brasil e em diversos lugares do mundo, não apenas no âmbito político, mas também no âmbito geopolítico e empresarial. Qualquer indivíduo ou entidade pode ser alvo do uso indevido da lei para fins ilegítimos. Assim como na guerra, o lawfare atua em dimensões. Das diversas dimensões da guerra, três podem ser facilmente relacionadas ao lawfare: a geografia, o armamento e as externalidades. Analisaremos, brevemente, cada uma delas. Na guerra convencional, os acampamentos e campos de batalha são cuidadosamente escolhidos diante das vantagens ou desvantagens geográficas para se lutar contra o inimigo. Exércitos fazem uso estratégico da cartografia, da paisagem, da geografia. A importância da escolha geográfica é, portanto, decisiva para alcançar êxito numa guerra, ou, nas palavras do clássico Sun Tzu, “um prenúncio de vitória”. No lawfare, essa lógica se aplica na escolha do juiz ou dos tribunais mais propensos a aceitar a tese jurídica utilizada por seus praticantes. A segunda dimensão da guerra refere-se à arma com a qual se trava o combate – ao armamento que será mais eficaz para enfrentar determinado inimigo. No lawfare, esse armamento é representado pela escolha da lei ou das leis para atingir o alvo – com a retirada de seu patrimônio, de sua reputação ou até de sua liberdade. Não necessariamente, a lei usada é nacional. Uma realidade no Brasil, por exemplo, é a aplicação, em diversos casos, do “Foreign Corrupt Practices Act” (FCPA), uma lei norte-americana utilizada para ampliar o poder dos Estados Unidos de punir e de arrecadar valores. A terceira dimensão tanto da guerra quanto do lawfare diz respeito às externalidades, ou seja, ao ambiente que é criado para se usar as armas legais contra o inimigo escolhido. A mídia é um meio potente para criar um ambiente propício para a aceitação e legitimação da perseguição jurídica inerente ao lawfare. Ela estimula o clima da presunção de culpabilidade do inimigo eleito. As externalidades no lawfare, nessa perspectiva, também estão intrinsecamente ligadas ao fenômeno conhecido como “guerra da informação”, que consiste no tratamento estratégico de dados com o objetivo de obter uma vantagem competitiva sobre o adversário. Em regra, o lawfare é praticado por aqueles que detêm o poder do Estado, aqueles que podem definir o “lícito” e o “ilícito”. Mas não se pode descartar também que agentes privados que detêm poder, político e econômico, possam adotá-lo. A triste realidade atual do Brasil é o resultado de uma intensa prática de lawfare. * Cristiano Zanin e Valeska Martins são advogados especializados em litígios complexos e transnacionais e em crises jurídicas

Milícias ideológicas de Jair Bolsonaro ameaçam as instituições

O ex-capitão abriu mão da ideia de formar uma maioria para sustentar o governo. O que lhe resta é a defesa da antidemocracia – Por Marcos Coimbra / Carta Capital – O ex-capitão Bolsonaro não é um político normal. Não por ser “espontâneo” e “franco”, como alguns afirmam, comparando-o ao estereótipo do político tradicional e enxergando uma qualidade em sua anormalidade. Normais, ao longo de sua vida e na Presidência, foram José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique, Lula, Dilma e até Michel Temer, cada um à sua maneira e apesar de suas diferenças. Podemos não admirar nenhum deles e ter forte rejeição a vários, mas os sete foram normais e fizeram a carreira com base em princípios democráticos. Bolsonaro, não. Nem nas atitudes nem no comportamento o ex-capitão mostra ter apreço pelos valores ou respeito pelos códigos de conduta democráticos. Se quisermos encontrar um antecessor de hábitos semelhantes, vem à mente o ex-presidente que ameaçava prender e arrebentar e que preferia cheiro de cavalo àquele de povo. Bolsonaro consegue ser, porém, um João Figueiredo piorado, sem capacidade para se tornar general. Nas democracias, políticos normais, quando disputam cargos majoritários, buscam obter o máximo possível de votos. Ganhar é bom, mas melhor é ganhar por larga margem. Não por acaso, essas vitórias são chamadas de consagradoras. Depois da performance surpreendente de Donald Trump na última eleição nos Estados Unidos, tivemos de admitir a existência de outro modo de ganhar uma disputa nas urnas. Não foi pela busca do máximo possível de votos que o republicano venceu. Ele queria apenas o mínimo suficiente para superar a adversária. Deu-se bem, apesar de derrotado no voto popular do conjunto do país e de receber cerca de 70 mil votos a mais (equivalentes a 0,0005% do eleitorado) em três estados, nos quais a eleição se resolveu. Foi um caso excepcional. De um lado, só deu certo por causa das regras peculiares do sistema eleitoral norte-americano. De outro, inaugurou um tipo novo de trapaça para o qual ninguém estava preparado. O uso ilegal das redes sociais por Trump não se repetirá, no entanto, pois todos estarão preparados e atentos. O presidente dos EUA pode até se reeleger, mas por motivos convencionais, diferentes dos que explicam sua primeira vitória. Quando Bolsonaro se dirige ao núcleo que o apoia na sociedade, não faz como o ídolo. Trump age para manter seu eleitorado mobilizado e busca os temas potencialmente mais eficazes naquele ambiente institucional. Não é isso que o ex-capitão busca, pois tem, ao que parece, outra meta. O comportamento de Bolsonaro, sua capacidade de inventar impropriedades gratuitas, afugentar eleitores e assustar possíveis novos apoiadores não é normal. Para que desafiar o bom senso e os sentimentos de gente comum, que vive fora de bolhas ideológicas amalucadas e não compartilha sua violência verbal e a ilimitada disposição para agredir e humilhar? O ex-capitão abriu mão da ideia de formar uma maioria para sustentar o governo e disputar com chances a reeleição, por reconhecer que, para ele, é um sonho inalcançável. Ao que parece, desistiu também de executar uma estratégia à Trump, pois será muito difícil repetir as manobras imorais que usou em 2018. Seu cálculo é que a coalizão antiesquerda, formada por militares, banqueiros, Rede Globo, políticos, bispos empresários, a maioria do Judiciário, do Ministério Público e de outras corporações, permanecerá unida. Ele não é o candidato preferencial de nenhum de seus integrantes, mas pode obrigá-los a engoli-lo, impedindo que busquem opções melhores, desde já e em 2022. O que lhe resta é enveredar por um caminho que nada tem de democrático. Antes, é inteiramente antidemocrático (o que não o detém). O ex-capitão investe na formação de uma milícia ideológica, um núcleo largamente minoritário na sociedade, mas suficientemente grande para ameaçar as instituições e seus atores. Deve acreditar que serão poucos os políticos com coragem para enfrentá-lo no Congresso, os jornalistas dispostos a criticá-lo, os magistrados que ousarão decidir contra ele, os procuradores que o investigarão, as cidadãs e cidadãos que sairão às ruas para repudiá-lo, sabendo que terão de enfrentar os milicianos bolsonaristas e se expor à violência. Quem confia na democracia e sabe quão tosco é Bolsonaro aposta que isso não dará certo. O ex-capitão imagina que vencerá. Sua meta não é ter o apoio de 50% mais um dos votantes ou de 30% da sociedade. O que almeja é uma matilha pronta para morder, uma milícia que, ao seu comando, saia para bater nos outros. Marcos Coimbra – Sociólogo, é presidente do Instituto Vox Populi e também colunista do Correio Braziliense

Aparece ligação direta entre esquema Queiroz-clã e milícias

Aparecem primeiros documentos que indicam uma ligação entre o esquema Queiroz-clã Bolsonaro e a milícia de Rio das Pedras, uma das mais violentas do Rio. Restaurante de uma ex-funcionária do gabinete de Flávio Bolsonaro é o elo de ligação Aparecem primeiros documentos que indicam uma ligação entre o esquema Queiroz-clã Bolsonaro e a milícia de Rio das Pedras, uma das mais violentas do Rio. Restaurante de uma ex-funcionária do gabinete de Flávio Bolsonaro é o elo de ligação. A revelação é da revista “Crusoé“. Os vínculos do ex-PM Fabrício Queiroz e do clã Bolsonaro com as milícias do Rio são notórios. O ex-tenente da Polícia Militar Adriano Magalhães da Nóbrega, chefe do “Escritório do Crime”. como são conhecidas as milícias de Rio das Pedras, base eleitoral do bolsonarismo, teve sua mãe e esposa empregadas no gabinete de Flávio Bolsonaro. A mãe do ex-tenente participava do esquema de arredação de Queiroz. Em 9 de setembro de 2005, na cadeia, Adriano Nóbrega recebeu a Medalha Tiradentes, da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que lhe foi concedida por iniciativa de Flávio Bolsonaro, então deputado estadual. Cadê o Queiroz? Enquanto isso, prossegue o descaso para com o paradeiro de Fabrício Queiroz. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli , determinou em julho a suspensão de todos os processos judiciais em que dados bancários de investigados tenham sido compartilhados por órgãos de controle sem autorização prévia do Poder Judiciário. A decisão foi dada em resposta a um pedido de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) para beneficiá-lo em investigações que tramitam contra ele na Justiça do Rio de Janeiro.

Moro e Deltan viram alvos de campanhas contrárias em Curitiba

Quem te viu, quem te vê. O ministro da Justiça, Sérgio Moro, e seu parceiro de estripulias na Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol, são alvos de campanhas contrárias em Curitiba. – A Juventude do PT, por exemplo, começou a distribuir adesivos de lapela entre os estudantes denunciando que a Lava Jato é “fraude” e pedindo a liberdade imediata para o ex-presidente Lula. “Lava Jato é fraude! #LulaLivreJá”, diz o material de campanha da “Juventude Revolução” –um dos braços do PT no movimento de juventude. Outrora cantada em verso e prosa como “República de Curitiba”, se vê hoje uma virada em curso na capital paranaense. O Blog do Esmael fez um teste empírico nesta quinta-feira (15) deslocando-se do bairro Batel, na região central de Curitiba, até o Tribunal de Justiça (TJPR), no bairro do Ahú. No percurso de 6 km, não foi avistado nenhum veículo adesivado com os dizeres “Eu apoio a Lava Jato”. Em outros tempos, a cada quadra se contavam às dezenas. Também não foi visto nenhum outdoor com autoelogio para Moro e Deltan (haja vista que os movimentos que assinavam essas peças eram coordenados por eles próprios, como o Vem Pra Rua).

Marcha das Margaridas termina com demonstração de força e união de 100 mil camponesas

– Maior mobilização de trabalhadoras rurais da América Latina evidencia a força das mulheres contra os retrocessos Cristiane Sampaio Foi com brilho nos olhos que a agricultora Maria Anecy Martins, de 45 anos, chegou a Brasília (DF) esta semana para participar da Marcha das Margaridas 2019. A mobilização reuniu mais de 100 mil mulheres camponesas e foi encerrada nesta quarta-feira (14), com um grande ato que tomou as ruas da capital. Vinda do interior do Maranhão, Anecy ela viajou durante mais de dois dias, enfrentou problemas na estrada e o cansaço físico para participar do evento, que é um símbolo da luta popular no Brasil. Depois de décadas de trabalho na roça e na militância política, esta foi a primeira vez que a agricultora tem a oportunidade de conhecer a marcha. A ansiedade para chegar era tanta que não teve cansaço no mundo que fosse capaz de abalar a energia vibrante que a mobilizou para chegar até aqui. A mobilização teve a participação da Marcha das Mulheres Indígenas – Créditos: Andressa Zumpano/CPT “Sempre quis vir e não dava certo. Nem sei se tenho uma palavra pra descrever [isso]. Quando você vê tantas mulheres assim, unidas, em busca de melhorias, de melhores políticas, chega a arrepiar. Eu venho pra participar, pra unir forças com as mulheres. Se perguntarem se eu estou cansada, não estou. Quando a gente vê isso daqui, cada conversa, a gente se arrepia. É lindo”, se emociona. A maranhense foi uma das cerca de 30 mil pessoas que se aglutinaram na noite de terça (13) no Parque da Cidade para celebrar a abertura oficial do evento, que aconteceu sob o lema “Margaridas na Luta por um Brasil com Soberania Popular, Democracia, Justiça, Igualdade e Livre de Violência”. A comemoração reuniu caravanas de todas as regiões do país e representantes de cerca de 25 países de diferentes continentes, num verdadeiro mosaico de forças populares. Também se somaram à multidão artistas, deputados federais, senadores e outros parceiros políticos. O evento trouxe como debate político uma plataforma que reforça a luta por direitos, como a defesa dos serviços de saúde e educação públicas, o combate à violência contra a mulher, a preservação da Previdência social, entre outros. Nesse sentido, a marcha é também uma forma de compartilhar anseios comuns e reforçar o horizonte da luta popular. Na ocasião da abertura, diferentes vozes fizeram referência à importância da união das mulheres para combater as múltiplas formas de violência de gênero e o contexto de retirada de direitos. “O novo vem do povo, vem do poder popular, desse povo que é mulher. É por todas que vieram antes de nós, Luizas, Dandaras, Marielles, Margaridas, e por uma geração que será livre. Só pararemos de marchar quando todas forem livres”, bradou a deputada federal Talíria Petrone (Psol-RJ). A marcha, que ocorre a cada quatro anos, reúne, tradicionalmente, mulheres do campo, da floresta e das águas. Nesta edição, o evento contou com um reforço especial das participantes da 1ª Marcha das Mulheres Indígenas, como é o caso de Nena Funi-ô, que veio de Águas Belas, em Pernambuco. “Eu estou me sentindo muito satisfeita com a manifestação das mulheres.Temos que lutar pelos nossos direitos porque, se não fizermos isso, não vai ter como resolver. A gente está juntas nessa luta e não vai desistir nunca”, disse. E o mar de mulheres que tomou conta de Brasília esta semana surpreendeu também a ala masculina, que fica de espectadora diante da \articulação das integrantes da marcha. É o caso do professor de história Edson Cazuza, do Rio Grande do Norte. Participando do evento pela segunda vez, ele conta que se sente inspirado diante da mobilização massiva das trabalhadoras. “Mesmo a gente vivendo um momento tão difícil, como esse dos últimos tempos no Brasil, as mulheres fazem parte da trincheira nessa luta por democracia, por justiça social, por igualdade de direitos. Eu vejo com alegria imensa”, complementa. Empolgada com a primeira experiência na Marcha das Margaridas, a agricultura Maria Anecy conta que a vinda a Brasília serviu de aperitivo para as próximas edições do evento e também para dar oxigênio à articulação política popular nos estados. “Venho quantas vezes for possível e eu tiver oportunidade. Além da energia boa dessas mulheres, eu vou levar um pouco de cada estado, uma conversa, a garra dessas mulheres. A gente se fortalece pro enfrentamento na nossa base, pra vida pessoal e pro movimento sindical também”, destaca. Na mesma linha de raciocínio, Nena Funi-ô conta que o evento deixa “um saldo muito positivo”. “Eu faria tudo de novo. Estou cansada, cantei o dia todo, dancei. Mas, valeu a pena”. Marcha das Margaridas é maior marcha de mulheres da América Latina (Foto: Mídia Ninja/Cobertura Colaborativa)

Moro instruiu Lava Jato a não apreender celulares de Eduardo Cunha

– Novos diálogos da Vaza Jato, divulgados pelo Buzzfeed Brasil, mostram que um dia antes da prisão do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, Deltan Dallagnol e Sérgio Moro conversam e após instruções de Moro, a Lava Jato desiste de apreender celulares de Cunha; “[Conversamos] aqui e entendemos que não é caso de pedir os celulares, pelos riscos, com base em suas ponderações”, diz Deltan; e Moro respondeu: “Ok tb” – O então juiz Sérgio Moro convenceu os procuradores da Lava Jato a não pedir a apreensão de telefones celulares usados pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunhya, na véspera de sua prisão, em 2016. É o que mostram mensagens divulgadas nesta segunda-feira, 12, pelo site Buzzfeed Brasil, em parceria com The Intercept Brasil. Segundo a reportagem do Buzzfeed, os diálogos entre o então juiz e o chefe dos investigadores ocorreram no dia 18 de outubro de 2016. No dia 18 de outubro de 2016, um dia antes da prisão de Cunha, o chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol, mandou mensagens ao então juiz. • 11:45:25 Deltan: Um assunto mais urgente é sobre a prisão • 11:45:45 Deltan: Falaremos disso amanhã tarde • 11:46:44 Deltan: Mas amanhã não é a prisão? • 11:46:51 Deltan: Creio que PF está programando • 11:46:59 Deltan: Queríamos falar sobre apreensão dos celulares • 11:47:03 [Moro]: Parece que sim. • 11:47:07 Deltan: Consideramos importante • 11:47:13 Deltan: Teríamos que pedir hoje Após ouvir as ponderações do procurador, Moro responde o seguinte: • 11:47:15 [Moro:] Acho que não é uma boa Apesar da resposta, Deltan insiste e tenta agendar uma reunião com Moro para tratar do assunto: • 11:47:27 Deltan: Mas gostaríamos de explicar razões • 11:47:56 Deltan: Há alguns outros assuntos, mas este é o mais urgente • 11:48:02 [Moro]: bem eu fico aqui até 1230, depois volto às 1400. • 11:48:49 Deltan: Ok. Tentarei ir antes de 12.30, mas confirmo em seguida de consigo sair até 12h para chegar até 12.15 • 12:05:02 Deltan: Indo Não há, nos diálogos, registros do que foi discutido na reunião presencial entre eles. Porém, pouco depois, às 14h16, Deltan envia nova mensagem a Moro dizendo que, após conversar com procuradores e ao levar em consideração o que foi dito pelo então juiz, a força-tarefa desistiu de pedir a apreensão dos celulares. • 14:16:39 Deltan: Cnversamos [Conversamos] aqui e entendemos que não é caso de pedir os celulares, pelos riscos, com base em suas ponderações E Moro respondeu: • 14:21:29 [Moro]: Ok tb A reportagem do BuzzFeed destaca que a decisão de não apreender os celulares de Cunha destoa do padrão adotado pela Lava Jato. Conteúdo retirado de celulares de empreiteiros serviram como base para muitas das investigações da operação. Procurado pelo BuzzFeed, Moro defendeu-se afirmando não reconhecer a autenticidade das mensagens. Sobre o conteúdo, o ministro, porém, afirmou que “em relação aos aparelhos celulares do ex-Deputado Eduardo Cunha, como foi amplamente divulgado pela imprensa, eles foram apreendidos por ordem do STF na Ação cautelar 4044, antes da prisão preventiva.” De acordo com reportagem do Valor Econômico, o que foi aprendido na residência de Cunha pela operação Catilinárias (Ação cautelar 4044), realizada em 15 de dezembro de 2015, foi um aparelho celular em desuso. A perícia extraiu do equipamento diálogos entre o então presidente da Câmara e Geddel Vieira Lima, à época presidente da Caixa Econômica Federal, entre 2011 e 2013. Na prisão preventiva de Cunha, cerca de 10 meses depois, seus aparelhos celulares não foram apreendidos. Leia a reportagem do Buzzfeed na íntegra.

“Tenho que ficar na sombra”, disse Dallagnol em ordem para abaixo-assinado por prisão de Lula

– Procurador da Lava Jato colocou colega como “laranja” para dar ordem a ONG e criar ação contra decisão do STF que poderia garantir liberdade a Lula. Pouco mais de uma semana depois, ex-presidente foi preso. –  O ódio e o desejo de ver o ex-presidente Lula atrás da grade nutrido por Deltan Dallagnol foi muito além de um Power Point mal feito apresentado à imprensa. Novas conversas divulgadas nesta segunda-feira (12) pelo site The Intercept revelam que o procurador chefe da Lava Jato agia “nas sombras” para mobilizar grupos de direita, criando campanhas para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) em qualquer decisão que pudesse beneficiar o líder petista. Oito dias depois do STF conceder a Lula salvo-conduto para que ele, já condenado em segunda instância no caso do triplex do Guarujá, não fosse preso até o julgamento de seu habeas corpus preventivo, marcado para 4 de abril de 2018, Dallagnol acionou a procuradora Thaméa Danelon mandado que ela entrasse em contato com movimentos de direita para criar abaixo-assinado a favor da prisão em segunda instância. “Se Vc topar, vou te pedir pra ser laranja em outra coisa que estou articulando kkkk”, gracejou Dallagnol, em março de 2018, para a procuradora, antes de fazer o pedido. “Um abaixo assinado da população, mas isso tb nao pode sair de nós… o Observatório vai fazer. Mas não comenta com ng, mesmo depois. Tenho que ficar na sombra e aderir lá pelo segundo dia. No primeiro, ia pedir pra Vc divulgar nos grupos. Daí o pessoal automaticamente vai postar etc”, ordenou o procurador. O Observatório Social é uma organização de atuação nacional sediada em Curitiba que se diz “em favor da transparência e da qualidade na aplicação dos recursos públicos” Satisfeito com a repercussão, Dallagnol escreveu a Danelon: “Temos que cuidar pra não parecer pressão. Se não estivéssemos na LJ, o tom seria outro kkkkk. Ia chutar o pau da barraca rs. Depois chutava a barraca e eles todos tb kkk”. A procuradora subiu vários tons. “Eu colocava todos na barraca e metralhava kkkk”. O abaixo-assinado criado pela “Ong” foi divulgado por Dallagnol em suas redes sociais um dia depois. Pouco mais de uma semana depois, no dia 7 de abril de 2018, Lula foi preso pela Lava Jato, com direito a comemoração de Moro e de procuradores da força-tarefa.

Vaza Jato: Dallagnol municiou grupos de direita e Antagonista para pressionar STF

– Dallagnol usou grupos, como o Vem Pra Rua e Instituto Mude, e sites alinhados, para pressionar sobre substituto de Teori Zavascki na relatoria da Lava Jato no STF e no julgamento de ação sobre o ex-presidente Lula – Investido da fama obtida como chefe da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol se dividia entre a criação de Power Points para explicar as ações da força-tarefa e municiar grupos de direita e sites alinhados com informações para insuflar campanhas de ódio contra aqueles que considerava inimigo nas ruas e redes sociais. Em nova reportagem publicada na madrugada desta segunda-feira (12), o site The Intercept revela diálogos de Dallagnol com outros procuradores e assessores para criação de estratégias para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) e o legislativo para beneficiar pautas e ações da Lava Jato. Em uma das conversas, Dallagnol usa a procuradora Thaméa Danelon, ex-do braço paulista da Lava Jato, para fazer a ponte com integrantes do Movimento Vem Pra Rua – criado, entre outros, pela atual deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) – para pressionar o STF sobre o substituto de Teori Zavascki na relatoria dos processos da força-tarefa um dia após a morte do ministro, em janeiro de 2017. O Vem Pra Rua também foi usado recentemente por Jair Bolsonaro para pressionar sobre a reforma da Previdência e por Sergio Moro, com ato em apoio ao ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato. Dallagnol também usou o Instituto Mude, criado para levantar a bandeira das 10 Medidas contra a Corrupção e que seria dirigido “nas sombras” por ele, para se posicionar sobre a substituição no STF sem aparecer para “não se queimar”. “Falei que não posso posicionar a FT (força-tarefa) publicamente, mesmo em off, quanto a Ministros que seriam bons, pq podemos queimar em vez de ajudar. Falei os 4 que seriam ruins, que Toff, Lewa, Gilm e Marco Aur”, escreveu Dallagonol ao líder do Mude, Fabio Alex Oliveira, sobre conversa que teve com outro integrante de movimento político. Em 31 de janeiro, Dallagnol manifestou sua preocupação com os colegas da força-tarefa do Paraná no grupo Filhos do Januário 1. Ele sugeriu que dissessem a jornalistas, em off, que temiam “que Toff, Gilm ou Lew assumam” e que delegassem aos movimentos sociais a tarefa de pressionar o STF a não definir a questão por sorteio, o que seria uma “roleta russa”. Um dia depois, Edson Fachin pediu para migrar para a 2ª Turma do STF, na vaga de Teori. Apesar da Lava Jato apoiar Luís Roberto Barroso – com quem Dallagnol disse ter falado pessoalmente sobre a demanda da força-tarefa -, o nome de Fachin foi visto com bons olhos e comemorado pelo chefe da Lava Jato no dia 2 de fevereiro: “Fachin foi coisa de Deus” Antagonista Um ano depois, Dallagnol criou estratégias com sites alinhados e movimentos de direita de que o Supremo estudava permitir o cumprimento da pena do ex-presidente Lula só após a condenação ser ratificada Superior Tribunal de Justiça, a terceira instância. Três dias após a confirmação da sentença de Lula pelo o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em janeiro de 2018, Dallagnol acionou Thaméa Danelon para criar estratégias de ataque ao Supremo por movimentos como o “Vem pra Rua e Nas Ruas”. “Temos que reunir infos de que no passado apoiava a execução após julgamento de SEGUNDO grau e passar pros movimentos baterem nisso muito”, declarou Dallagnol. O procurador também pediu a um assessor de imprensa do Ministério Público Federal (MPF) para buscar material que pudesse constranger o ministro Alexandre de Moraes, alçado ao STF por Michel Temer, a votar a favor dos interesses da Lava Jato. “Sobre a estratégia sobre a 2a instância: acho que temos de ser muito cuidadosos. qualquer manifestação da FT sobre o assunto agora vai ser usada pelo PT e aliados (de verdade ou de ocasião, como boa parte do MDB) para repetir a ladainha de que a LJ persegue Lula. isso sem contar a provável reação negativa (mesmo que não tornada pública) da PGR. alimentar – discretamente – os movimentos sociais e até a imprensa (como esta informação para o Antagonista) me parece mais “seguro” do que se manifestar pessoalmente em entrevista, artigo ou mesmo post”, orientou o assessor, compartilhando um vídeo de entrevista de Moraes à Jovem Pan. “Concordo com Vc”, respondeu Dallagnol, pedindo um “vídeo bem claro, será top”. “Um vídeo viralizaria”, afirmou o procurador, orientando a estratégia de constrangimento ao ministro. Via Revista Fórum

Substituto de Moro continua escondendo de Lula os conchavos entre a Odebrecht e a Lava Jato

 – Defesa de Lula pede explicações no STF sobre retirada de nova ação do ex-presidente da pauta – Pela segunda vez, o juiz da 13ª vara de Curitiba, Luiz Antonio Bonat – substituto de Sergio Moro -, desrespeitou a decisão do ministro Edson Fachin e proibiu à defesa acesso ao acordo de leniência firmado entre a Odebrecht e a Lava Jato A defesa do ex-presidente Lula da Silva novamente recorreu ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), cobrando explicações do porquê a Segunda Turma da corte tirou de pauta a reclamação que pede acesso ao acordo de leniência firmado entre a Odebrecht e a Lava Jato. A previsão era de que o caso fosse debatido neste mês de agosto, no dia 27. Fachin havia autorizado o acesso dos advogados de Lula aos autos da leniência, mas o juiz da 13ª vara de Curitiba, Luiz Antonio Bonat – substituto de Sergio Moro -, desrespeitou a decisão do ministro e novamente impôs limites à checagem do material. As informações são da coluna Painel, da jornalista Daniela Lima, na edição desta segunda-feira (12) da Folha de S.Paulo. É a segunda vez que o juiz nega acesso do petista, através de sua defesa, ao acordo entre a Odebrecht no processo da Lava Jato, em que é acusado de receber um imóvel no valor de R$12,5 milhões em São Bernardo do Campo como forma de propina da empreiteira. De acordo com o MPF, o imóvel supostamente doado pela construtora seria utilizado como sede do Instituto Lula. O acordo de leniência entre a Odebrecht e o MPF, fechado em 2016, prevê um depósito bilionário em uma conta judicial homologada pela 13ª Vara Federal de Curutiba, responsável pela operação. O entendimento envolveu ainda autoridades dos EUA e da Suíça, em um total de R$ 8,5 bilhões. Desse valor, 80% ficará com os procuradores paranaenses, equivalente a R$ 6,8 bilhões.