Folha detona Moro em editorial e fala em ataque à autonomia da PF

– “Ao buscar informações sobre uma investigação sigilosa e usá-las para difundir conclusões prematuras e confundir o público, o ministro da Justiça desrespeita essa autonomia, prejudica o trabalho policial e compromete aquele que deveria ser seu único objetivo —o esclarecimento dos fatos”, aponta o texto – Editorial da Folha de S. Paulo deste sábado mostra perplexidade com os movimentos recentes do ministro Sergio Moro, que obteve acesso privilegiado a informação sigilosa da Polícia Federal e ainda falou em destruir provas. “Causam espanto os movimentos do ministro da Justiça, Sergio Moro, em meio às investigações dos ataques de hackers ao seu telefone celular e aos de outras autoridades”, diz o texto. “As ações de Moro podem parecer compreensíveis para muitos, considerando os danos causados pela divulgação das mensagens à sua reputação e os indícios de que o ataque teve de fato grande alcance. Entretanto elas representam intromissão injustificável no andamento das investigações”, aponta ainda o editorial. “Embora seja subordinada ao Ministério da Justiça, a PF tem autonomia para conduzir seus inquéritos, segue protocolos rigorosos e está sujeita a mecanismos de controle externo previstos em lei. Ao buscar informações sobre uma investigação sigilosa e usá-las para difundir conclusões prematuras e confundir o público, o ministro da Justiça desrespeita essa autonomia, prejudica o trabalho policial e compromete aquele que deveria ser seu único objetivo —o esclarecimento dos fatos.

Dallagnol e Fux não têm limites: em conluio com banqueiros falam de Lava Jato e eleições

O procurador do Ministério Público Federal Deltan Dallagnol e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux participaram de reuniões privadas com banqueiros. A revelação foi feita há pouco pelo jornalista Reinaldo Azevedo, no programa O É da Coisa, na BandNews FM, em parceria com o Intercept. Em diálogo travado com a assessora de investimentos da XP Débora Santos, Dallagnol combina a realização de reunião e recebe dicas sobre as características dessas reuniões, em que participaram para falar sobre a “Lava Jato e as eleições”. A transcrição é feita conforme o original. “Os encontros devem ser chamados, sem exagero, de clandestinos”, destacou o jornalista em seu blog. Veja um dos diálogos divulgados: 17 de maio de 2018 16:57:38 Débora Olá Deltan, tudo bem? Aqui é Debora Santos. Já nos vimos algumas vezes no ANPR, sou esposa do Pelella. Peguei seu contato com ele para te fazer um convite 16:58:59 Débora Trabalho como consultora/ analista de política e Judiciário da XP Investimentos. Queria te convidar para um bate papo com investidores brasileiros e estrangeiros aqui em SP 17:00:45 Débora Vi que você tem um evento aqui em SP no final do mês e queria ver se conseguimos encaixar um encontro 17:43:11 Deltan Oi Debora tudo bem? Que honra seu contato!! 17:43:24 Deltan Então, já tenho uma palestra agendada na XP pro fim do ano 17:43:35 Deltan Seria um público diferente? 17:43:53 Deltan Neste mês quase impossível pela agenda, julho mais fácil. 17:44:05 Deltan Vc falaria com Graziella que cuida das palestras? 17:55:02 Débora Claro, claro. Seria um público mais seleto. CEOs e tesoureiros dos grandes bancos brasileiros e internacionais 17:57:02 Débora Falo com a Graziella. Obrigada. Abs 17:59:19 Deltan Me passa uma lista de quem são? 17:59:22 Deltan Quando seria? 18:01:41 Débora Quando você puder. Antes do final do semestre 18:04:57 Débora JP Morgan Morgan Stanley Barclays Nomura Goldman Sacha Merrill Lynch Cresit Suisse Deutsche Bank Citibank BNP Paribas Natixis Societe Generale Standard Chartered State Street Macquarie Capital UBS Toronto Dominion Bank Royal Bank of Scotland Itaú Bradesco Verde Santander 18:06:17 Débora Esses seriam os convidados. Nem todos comparecem. 18:06:36 Débora Você deve estar agendado para o Expert, uma conferência grande que realizamos em setembro. 18:07:42 Débora Esse bate-papo é privado, com compromisso de confidencialidade, onde o convidado fica à vontade para fazer análises e emitir pareceres sobre os temas em um ambiente mais controlado. 18:08:17 Débora Semana passada recebemos o presidente do TSE, ministro Fux, por exemplo e não saiu nenhuma nota na imprensa. 18:09:25 Débora Nem sobre a presença dele na XP. 18:09:43 Débora Assim, já aconteceu com vários personagens importantes do cenário nacional, como você. 18:22:33 Deltan Quais as datas possíveis de junho? 18:22:51 Deltan Tome em conta os jogos da copa 18:23:10 Débora Primeira semana 18:23:21 Débora Qualquer dia, seria ótimo. 19:31:19 Deltan Primeira semana não consigo. 19:31:19 Deltan A partir do dia 18 conseguiria 19:31:19 Deltan Agenda antes está impraticável 21:08:39 Débora Podemos acertar então. Na semana do dia 18, só tem jogo do Brasil na sexta. Veja qual dia é melhor pra você 23:06:04 Deltan Mas me esclarece melhor: Vcs têm encontros regulares sem data definida? Ou querem fazer um encontro específico com alguma pauta? O ideal seria eu participar de um encontro que já exista… 18 de maio de 2018 10:33:53 Débora Fazemos econtros regulares com atores do mercado para fazer análises conjunturis sobre temas da atualidade. Estamos na fase de ciclo de encontros sobre Lava Jato e Eleições, por isso estivemos com o ministro Fux, na semana passada, e estamos negociando data com os ministros Barroso e Alexandre de Morais tb. 10:34:49 Débora Além de integrantes do Judiciário, estivemos nas últimas semanas com algumas lideranças políticas e cientistas políticos. 10:35:33 Débora A reunião com vc se coloca nesse contexto do ciclo de debates sobre eleições, lava jato e conjuntura política em 2018. 11:24:14 Débora A principal diferença entre a conferencia que vc fará em setembro e dessa reunião privada é o tipo de público. Na conferencia ampliada, é um público heteregeneo que compreende o cenário mais amplo, sem aprofundamentos, meio que o que já está nos jornais. O público dessas reuniões privadas é mais qualificado, se aprofunda em conceitos de debates. 22 de Maio de 2018 23:08:33 Deltan Débora, a ida dos Ministros é remunerada como palestra? 23:09:01 Deltan Os encontros são convocados então tendo em vista um convidado especifico, certo? 23:42:49 Débora Sim, fazem parte de um projeto que vem sendo desenvolvido ao longo do ano, mas são convocadas rodadas para cada convidado 23:44:40 Débora Temos como hábito respeitar a privacidade dos nossos convidados 23:55:23 Deltan Opa entendo perfeitamente. 23:55:44 Deltan Debora vou pedir para a Fernanda que me ajuda com essas palestras para falar com Vc. Confira o conteúdo completo da reportagem.

ABI aponta ‘abuso de poder’ de Moro e diz que irá à Justiça defender Greenwald

– A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) divulgou nesta sexta-feira, 26, uma nota de repúdio à Portaria 666 do Ministério da Justiça que na prática pode deportar o jornalista Glenn Greenwald, que tem revelado as ilegalidades da operação Lava Jato. “A ABI considera inconstitucional e um abuso de poder a edição de medidas governamentais direcionadas a intimidarquem quer que seja, principalmente, na conjuntura atual, o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, radicado no Brasil há 13 anos e diretor da publicação (Intercept)”, diz a ABI na nota assinada pelo presidente da entidade, Paulo Jerônimo. A associação cita trecho da portaria que menciona deportação sumária de “pessoa perigosa ou que tenha praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal”. Na nota, a ABI diz ainda que está acompanhando o caso “e tomará medidas, no campo judicial, caso a portaria seja usada para atingir Greenwald, em mais um caso de arbítrio e de atentado à liberdade de imprensa”. Leia, abaixo, a nota da ABI na íntegra:

Moro publica portaria com o número do capeta para expulsar Glenn Greenwald

Hoje Sergio Moro decidiu publicar aleatoriamente uma lei sobre como os estrangeiros podem ser sumariamente deportados ou expulsos do Brasil “que tenha praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal.” Isso é terrorismo. Glenn Greenwald, no tweeter, sobre a portaria 666, o número do capeta DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO Publicado em: 26/07/2019 | Edição: 143 | Seção: 1 | Página: 166 Órgão: Ministério da Justiça e Segurança Pública/Gabinete do Ministro PORTARIA Nº 666, DE 25 DE JULHO DE 2019 Dispõe sobre o impedimento de ingresso, a repatriação e a deportação sumária de pessoa perigosa ou que tenha praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal. O MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA, no uso de suas atribuições que lhe conferem inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição, e o inciso V do art. 37 da Lei nº 13.844, de 18 de junho de 2019, e com base no § 2º do art. 7º da Lei nº 9.474, de 22 de julho de 1997, no inciso IX do art. 45 e § 6º do art. 50 da Lei nº 13.445, de 24 de maio de 2017; e no parágrafo único do art. 191 e art. 207 do Decreto nº 9.199, de 20 de novembro de 2017, resolve: Art. 1º Esta Portaria regula o impedimento de ingresso, a repatriação, a deportação sumária, a redução ou cancelamento do prazo de estada de pessoa perigosa para a segurança do Brasil ou de pessoa que tenha praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal, para aplicação do § 2º do art. 7º, da Lei nº 9.474, de 22 de julho de 1997, do inciso IX do art. 45 e do § 6º do art. 50 da Lei nº 13.445, de 24 de maio de 2017, do parágrafo único do art. 191 e do art. 207, ambos do Decreto nº 9.199, de 20 de novembro de 2017. Art. 2º Para os efeitos desta Portaria, são consideradas pessoas perigosas ou que tenham praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal aqueles suspeitos de envolvimento em: I – terrorismo, nos termos da Lei nº 13.260, de 16 de março de 2016; II – grupo criminoso organizado ou associação criminosa armada ou que tenha armas à disposição, nos termos da Lei nº 12.850, de 2 de agosto de 2013; III – tráfico de drogas, pessoas ou armas de fogo; IV – pornografia ou exploração sexual infantojuvenil; e V – torcida com histórico de violência em estádios. § 1º As hipóteses mencionadas nos incisos deste artigo poderão ser conhecidas e avaliadas pela autoridade migratória por meio de: I – difusão ou informação oficial em ação de cooperação internacional; II – lista de restrições exaradas por ordem judicial ou por compromisso assumido pela República Federativa do Brasil perante organismo internacional ou Estado estrangeiro; III – informação de inteligência proveniente de autoridade brasileira ou estrangeira; IV – investigação criminal em curso; e V – sentença penal condenatória. § 2º O inciso V do caput aplica-se somente durante a realização de evento esportivo que possa ser colocado em risco. § 3º A pessoa incursa neste artigo não poderá ingressar no País e fica sujeita à repatriação e à deportação sumária. § 4º Para fins de aplicação do disposto no § 2º do art. 7º da Lei nº 9.474, de 1997, considera-se perigosa para a segurança do Brasil a pessoa que se enquadre no rol do caput deste artigo. § 5º A publicidade dos motivos da imposição das medidas previstas neste artigo está sujeita às restrições da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 – Lei de Acesso de Informação, à necessidade de preservar investigações criminais nacionais ou estrangeiras ou à preservação de informações sigilosas providenciadas por autoridade estrangeira. § 6º Ninguém será impedido de ingressar no País, repatriado ou deportado sumariamente por motivo de raça, religião, nacionalidade, pertinência a grupo social ou opinião política. § 7º Não será impedido o ingresso no País ou não será submetida à repatriação ou à deportação sumária a pessoa perseguida no exterior por crime puramente político ou de opinião. Art. 3º A pessoa sobre quem recai a medida de deportação de que trata esta Portaria será pessoalmente notificada para que apresente defesa ou deixe o País voluntariamente, no prazo de até quarenta e oito horas, contado da notificação. § 1º Na ausência de defensor constituído, a Defensoria Pública deverá ser notificada, preferencialmente por meio eletrônico, para manifestação no prazo mencionado no caput. § 2º Findo o prazo para apresentação de defesa, a ausência de manifestação do deportando ou de seu defensor não impedirá a efetivação da medida de deportação. Art. 4º Da decisão de deportação caberá recurso, com efeito suspensivo, no prazo de até vinte e quatro horas, contado da notificação do deportando ou de seu defensor. Parágrafo único. A decisão em grau recursal não será passível de novo recurso administrativo. Art. 5º A autoridade policial federal poderá representar perante o juízo federal pela prisão ou por outra medida cautelar, em qualquer fase do processo de deportação disciplinado nesta Portaria, observado, no que couber, o disposto no Título IX do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 – Código de Processo Penal. Parágrafo único. A autoridade policial deverá comunicar a prisão do deportando à missão diplomática de seu País de nacionalidade ou, na sua falta, ao Ministério das Relações Exteriores, no prazo máximo de quarenta e oito horas. Art. 6º As medidas disciplinadas nesta Portaria não serão efetivadas de forma coletiva. Art. 7º O prazo de estada do visitante que se enquadre no disposto do art. 2º desta Portaria poderá ser reduzido ou cancelado. Parágrafo único. Na hipótese de cancelamento de prazo previsto no caput, será instaurado, de imediato, o procedimento de deportação descrito no art. 3º desta Portaria. Art. 8º Os procedimentos de que esta Portaria trata serão instaurados e decididos pelo chefe da respectiva unidade da Polícia Federal, mediante ato fundamentado. Art. 9º

O hacker de Araraquara foi uma invenção de Moro para tentar sair curé

Tudo indica que o tal hacker de Araraquara foi uma criação do ex-juiz Sérgio Moro para tentar sair do “curé” (expressão “estar no curé” significa estar sem saída. E, no jogo de damas, que se está esticado no carreirão), que ele mesmo entrou. Hoje, jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil desmontou a farsa de Moro e provou que sua fonte não é o “hacker de Araraquara”. Segundo Greenwald, o primeiro contato com a fonte ocorreu no início de maio, ou seja, um mês antes da denúncia feita por Moro, que apareceu em cena, coincidentemente, o tal hacker logo após do ex-juiz dizer que tinha sido hackeado. A fonte que entregou os diálogos da Operação Lava Jato ao jornalista negou em conversa no dia 5 de junho que também tenha sido responsável pela invasão ao Telegram do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. O diálogo foi repassado à Veja pelo próprio Greenwald. Na mensagem, o editor do The Intercept Brasil pergunta à fonte se ela havia lido uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo sobre a invasão ao celular do ex-juiz. O título da matéria dizia que o hacker usou aplicativos do aparelho e trocou mensagens por seis horas. “Posso garantir que não fomos nós”, responde a fonte, em mensagem transcrita de forma literal. “Nunca trocamos mensagens, só puxamos. Se fizéssemos isso ia ficar muito na cara”, acrescenta a fonte em outra mensagem, antes de criticar o método de ação empregado contra o ministro. “Nós não somos ‘hackers newbies’ [amadores], a notícia não condiz com nosso modo de operar, nós acessamos telegrama com a finalidade de extrair conversas e fazer justiça, trazendo a verdade para o povo.” Segundo Greenwald, o primeiro dos contatos com a fonte ocorreu no início de maio. Ou seja, um mês antes da denúncia feita por Moro. O jornalista disse ter sido apresentado à fonte por um intermediário e destacou que todos os contatos foram feitos virtualmente. Greenwald também afirmou desconhecer a identidade do hacker, que teria extraído todo material do Telegram de Dallagnol. “A fonte me disse que não pagou por esses dados e não me pediu dinheiro algum em troca desse conteúdo”, disse o jornalista. O material divulgado pelo Intercept foi compartilhado com VEJA e a Folha de S.Paulo, que também publicaram reportagens sobre irregularidades da Lava Jato.

Gleisi Hoffmann manda Sérgio Moro tomar vergonha na cara

A reação da parlamentar ocorreu após o ex-juiz afirmar no Twitter que “Elas [as 4 pessoas presas], a fonte de confiança daqueles que divulgaram as supostas mensagens obtidas por crime” e à informação de que um dos supostos ‘hackers’ queria vender mensagens de Moro para o PT. – “Tenha vergonha Moro, você não pode comandar investigação na qual está envolvido”, disparou a dirigente petista ao lembrar que o ex-juiz é alvo de constantes vazamentos em reportagens do site The Intercept Brasil. – A tentativa do ministro Sergio Moro e da Polícia Federal de vincular o suposto “hacker” de Araraquara ao Partido dos Trabalhadores foi duramente rebatida pela legenda. “Acuado, o ex-juiz repete seus conhecidos métodos: prisões espetaculares e vazamentos direcionados contra seus adversários. É criminosa a tentativa de envolver o PT num caso em que é Moro que tem de se explicar e em que o maior implicado é filiado ao DEM”, diz a legenda, em nota. Confira abaixo: Nota do Partido dos Trabalhadores – O ministro Sergio Moro, responsável pela farsa judicial contra o ex-presidente Lula, comanda agora um inquérito da Polícia Federal com o claro objetivo de produzir mais uma armação contra o PT. As investigações da PF sobre as pessoas presas em São Paulo confirmam a autenticidade das conversas ilegais e escandalosas que Moro tentou desqualificar nas últimas semanas. Acuado, o ex-juiz repete seus conhecidos métodos: prisões espetaculares e vazamentos direcionados contra seus adversários. É criminosa a tentativa de envolver o PT num caso em que é Moro que tem de se explicar e em que o maior implicado é filiado ao DEM. O PT sempre foi alvo desse tipo de farsa, como ocorreu na véspera da eleição presidencial de 1989, quando a polícia vestiu camisetas do partido nos sequestradores do empresário Abílio Diniz antes de apresentá-los à imprensa. O PT tomará as medidas judiciais cabíveis contra os agentes e os responsáveis por mais esta farsa. Quem deve explicações ao país e à Justiça é Sergio Moro, não quem denuncia seus crimes. Brasília, 24 de julho de 2019 Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara dos Deputados Humberto Costa, líder do PT no Senado Federal

O tal ‘Hacker’ de Araraquara diz ser a fonte do Intercept, mas não prova acusação

Walter Delgatti Neto, apelidado de “Vermelho”, preso nesta terça-feira (23) por suspeita de “hackear” autoridades, afirmou a investigadores da chamada Operação Spoofing ter dado ao jornalista Glenn Greenwald acesso a informações capturadas do aplicativo Telegram, mas não apresentou nenhuma prova. Por outro lado, a defesa do fundador do site The Intercept Brasil, disse, em nota, que “não comenta assuntos relacionados à identidade de suas fontes anônimas”. A informação é do jornal O Estado de S.Paulo, segundo o qual a Polícia Federal tem indícios de que os quatro suspeitos presos são os mesmos que acessaram conversas trocadas pelo Telegram do ex-juiz Sergio Moro e procuradores da Operação Lava Jato. Desde 9 de junho último, o The Intercept Brasil tem divulgado mensagens trocadas entre Moro e procuradores da Lava Jato. Essas conversas demonstram as manipulações e ilegalidades cometidas por Moro e procuradores da operação. O site mantém a informação de que recebeu o conteúdo de fonte anônima. A prisão dos supostos hackers na última terça-feira está sendo utilizada por Moro e seus aliados para se isentar das acusações de que cometeram ilegalidades e para acusar o site The Intercept Brasil de ter obtido o conteúdo das conversas entre o ex-juiz e os procuradores por meio desses supostos hackers.

Após uma década de queda na desigualdade, milhões retornam à miséria

O Brasil cava, de novo, o fosso social que o caracterizou. Em dois anos, quase 2 milhões de indivíduos rumaram para a pobreza extrema Faz pouco mais de um ano que o pernambucano José Maílson Pereira deixou o sertão para tentar uma vida melhor em São Paulo. Não demorou para conseguir uma vaga como ajudante de pedreiro, o mesmo ofício que exercia na terra natal. Ganhava o bastante para pagar um quarto modesto em uma pensão. Há quatro meses, foi demitido após um desentendimento com a chefia. Sem conseguir voltar ao mercado formal de trabalho desde então, passou a fazer bicos como catador de papelão. Cada quilo lhe rende 30 centavos. Sem a renda garantida todo mês, José Maílson perdeu quase que imediatamente a capacidade de pagar por um teto. Tornou-se mais um entre milhões de brasileiros que, nos últimos anos, foram lançados de volta à pobreza extrema. Desde o dia em que deixou o canteiro de obras, divide o vão escuro e úmido de um viaduto com outros companheiros de desventuras, habitantes da mais rica cidade brasileira que não podem contar com chuveiro quente, comida na mesa ou uma cama para dormir. Um “vizinho” que acompanhava a conversa pergunta: “Como pode ser um problema da pessoa se a cada dia tem mais e mais gente na rua?” Após uma década de uma redução jamais vista na desigualdade, o Brasil cava, de novo, o fosso social que sempre caracterizou a sua história. Em dois anos, quase 2 milhões de indivíduos passaram a enfrentar o mesmo drama de José Maílson. Segundo dados do IBGE, aqueles que vivem abaixo da linha de pobreza extrema, cujos ganhos não passam do equivalente a 7 reais diários, saltaram de 13,5 milhões em 2016 para 15,2 milhões no ano seguinte. Se consideradas as famílias que vivem com menos de 406 reais por mês, o total subiu de 53,7 milhões para 55,4 milhões. Este é o contigente de miseráveis lançados à própria sorte em um país que optou por desmantelar as tênues redes de proteção social desde o impeachment de Dilma Rousseff. Melhor para a porção abastada do Brasil. Um estudo publicado em junho pelo Instituto Brasileiro de Economia, ligado à Fundação Getulio Vargas, mostra que nos últimos três anos o desemprego arrasou os ganhos dos mais pobres e ampliou a desigualdade no mercado de trabalho. De lá para cá, a renda dos 10% mais ricos cresceu 3,3%. Já a fatia mais vulnerável da população amarga uma perda acumulada de mais de 20%. José Maílson Pereira tem apenas 32 anos, mas o rosto marcado pela rotina dura o faz aparentar pelo menos dez a mais. Para ultrapassar a média internacional do Banco Mundial, que considera miserável quem sobrevive com menos de 1,90 dólar por dia, os tais 7 reais, o pernambucano teria de recolher todos os dias ao menos 30 quilos de lixo reciclável. Sem falhar sábado, domingo ou feriado. “Nunca trabalhei com carteira assinada”, lamenta. Um retrato perverso da miséria que corrói especialmente as grandes e médias cidades no Brasil. Só em São Paulo, o número de indivíduos em situação de rua abordados pelos assistentes sociais da prefeitura cresceu 66%. Ao longo de todo o ano passado, segundo esses dados, ganharam as ruas mais de 105 mil pessoas. Esses são os indicadores mais recentes da explosão nas ruas da capital paulista. Em 2015, o Censo calculava 16 mil moradores de rua. Naquele mesmo ano, os abordados foram 56,1 mil. Hoje, as projeções mais recentes estimam que esse total ultrapasse os 25 mil. Quase mil seriam crianças. O fenômeno repete-se em outras capitais. Embora não haja uma metodologia unificada, é consenso entre assistentes sociais, ativistas e representantes do poder público que explodiu o número daqueles que enfrentam a face mais extrema da miséria urbana. Em Porto Alegre, a gestão municipal estima em 4 mil os moradores nas ruas, o dobro do registrado em 2016. Em Curitiba, os indigentes são pouco mais de 2 mil, 50% a mais do que havia há três anos. No Recife, o levantamento mais recente contou 1,2 mil. O Ministério Público de Pernambuco diz, porém, que eles passam de 3 mil. Em São Paulo, o desemprego supera as brigas familiares como razão para se morar nas ruas No Rio de Janeiro, a prefeitura contabilizava em 2016 cerca de 15 mil moradores de rua, três vezes mais do que em relação a 2014. A gestão Marcelo Crivella optou, porém, por uma contabilidade criativa. A prefeitura mudou a metodologia e contou no ano passado cerca de 4,5 mil sem-teto. Quem acompanha de perto o drama da indigência duvida da precisão desses dados. “Eles mentem para justificar o corte nos abrigos”, contesta Rafael Barros Costa, ativista do projeto Ruas, que faz rondas noturnas em bairros da Zona Sul da capital fluminense. “Impossível não notar o aumento. Atendemos cada vez mais gente com certo nível de escolaridade que veio parar nas calçadas.” Um relatório do banco americano Goldman Sachs, divulgado em maio do ano passado, indica que a América Latina deve viver uma “segunda década perdida”. O PIB per capita brasileiro, diz o banco, caiu 0,3% entre 2011 e 2018. No decênio começado em 1981, esse recuo havia sido de 0,5%. A tal retomada bravateada por alguns economistas e comentaristas é a mais lenta da história. O banco aponta que, nas nove recessões que o País viveu desde 1981, “o ciclo de expansão que se sucedeu foi significativamente mais vigoroso que a recuperação atual”. Passada a esperança vazia do mercado com a vitória de Jair Bolsonaro, analistas de todas as matizes agora indicam que o PIB crescerá abaixo de 1% neste ano. Um cenário nada alentador para os mais de 13 milhões de desempregados que engrossam as estatísticas de desocupação do IBGE. Se considerados aqueles que estão subempregados ou desistiram de procurar trabalho, o total de afetados chega a 28,4 milhões, 1 em cada 10 brasileiros economicamente ativos está sem trabalho. Pela primeira vez, a gestão municipal de São Paulo constatou que o desemprego se tornou

Bolsonaro já mentiu mais de 200 vezes neste ano, para desviar a atenção dos filho

 ELE NOS DISTRAIU E NOS ENGANOU DE NOVO: O QUE O GOVERNO APRONTOU ENQUANTO BOLSONARO MENTIA PARA PROTEGER OS FILHOS – Por Leandro Demori – Intercept Brasil BOLSONARO SOLTOU SUA METRALHADORA de mentiras e impropérios durante a semana. O presidente que já mentiu em público mais de 200 vezes desde janeiro resolveu usar mais uma vez a estratégia para desviar a atenção dos filhos: um fritador de frango que sonha virar embaixador, outro enrolado com seu próprio laranjal miliciano. A cortina de fumaça serviu muito bem. Enquanto Bolsonaro inventava histórias sobre Miriam Leitão, o Brasil Real Oficial, uma newsletter escrita pelo jornalista Breno Costa, monitorou o estrago que o governo fez no país em poucos dias. Abaixo, alguns tópicos para que vocês repassem adiante. São essas as coisas que merecem nossa atenção. Uma portaria (assinada pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub) tirou das mãos dos reitores da universidades federais o direito de nomeação dos pró-reitores. As nomeações serão feitas agora pela Casa Civil e passarão pela aprovação da Secretaria de Governo. Ou seja: o governo concentra mais poder em Brasília e poderá, eventualmente, nomear pró-reitores para sabotar projetos ou tumultuar gestões. A destruição do conhecimento é, como se sabe, uma das etapas dos regimes autoritários. Bolsonaro criou um grupo de apenas três pessoas, todas do governo federal, e deu prazo de somente 30 dias para concluir um “estudo” (use aspas, por favor) para a “simplificação do regime de outorga” da lavra garimpeira. Ou seja: em pouco tempo, deverá ser ainda mais fácil ter autorização para garimpar, sobretudo, ouro e diamante, no país que já sofre uma epidemia de garimpo e que sente a pressão de fundos bilionários ameaçando cortar ajuda à Amazônia pelo evidente compromisso do governo – e de Ricardo “Yale” Salles – com a destruição da floresta. As Juntas Comerciais não são mais obrigadas, como eram desde 2014, a comunicar ao COAF quando detectam sérios indícios de crimes registrados em documentos produzidos em suas dependências. O objetivo era ajudar os órgãos de controle a combater a lavagem de dinheiro. Agora, caberá a cada estado criar suas próprias regras. Por enquanto, não há regras. Os corruptos agradecem. O governo decidiu levar o Conselho Superior do Cinema para a Casa Civil. O órgão estava no Ministério da Cultura. Isso concentra, mais uma vez, poder no núcleo de Brasília. Além de jogar o órgão no colo de Onyx Lorenzoni, o decreto ainda reduziu de nove para cinco o número de representantes da indústria do audiovisual e da sociedade civil no grupo. O governo também tinha nove cadeiras. Agora, tem sete. O governo virou maioria. Em apenas uma semana, distraindo a opinião pública com mentiras e insanidades, Bolsonaro amassou ainda mais as universidades federais (responsáveis por 90% da pesquisa no país), apontou para mais destruição do meio ambiente por meio de uma farra do garimpo, afrouxou o combate à corrupção e se pôs em guerra com a indústria do audiovisual – que movimenta bilhões. Bolsonaro é um trator em movimento. Cabe prestar menos atenção no ronco do motor e mais nas implacáveis esteiras.

Marcelo Zero: Brasil se tornou vira-lata burro, e Bolsonaro, jumento supremo

– por Marcelo Zero* – Para o governo Bolsonaro, não basta ser o patético vira-lata que abana o rabo para Trump. Tem de ser idiota, também. É o que se deduz da atitude da Petrobras, que se recusa a abastecer dois navios iranianos que vieram comprar milho brasileiro no porto de Paranaguá. De fato, os navios Bavand e Termeh chegaram ao porto no sul do país no início de junho trazendo ureia, que é usada para fazer fertilizantes. Eles deveriam retornar ao Irã com milho brasileiro. Juntos, transportariam 116 mil toneladas do cereal. Ou seja, vieram trazer ureia para fabricarmos fertilizantes e voltariam com essa carga toda de milho brasileiro. Estão aqui para nos beneficiar. Para quem não sabe, o Irã é o quinto maior mercado para os produtos agrícolas do Brasil e o principal comprador de milho brasileiro, mesmo com o embargo comercial imposto pelos EUA. O nosso país é o principal fornecedor para o Irã de complexo de soja, milho, açúcar, carne bovina, papel e celulose. Merece ainda destaque a exportação de produtos de confeitaria, resíduos das indústrias alimentares, alimentos para animais e, por fim, veículos aéreos, automóveis, tratores e ciclos. Nos últimos 10 anos (2009-2018), o Brasil exportou para o Irã, ainda que com crise e embargo, US$ 19, 611 bilhões, com um superávit de incríveis US$ 19, 234 bilhões. Para Israel exportamos, no mesmo período, US$ 3, 941 bilhões, com um déficit de US$ 5,485 bilhões. Ou seja, exportamos para o Irã cerca de 5 vezes mais que para Israel, com enorme superávit a nosso favor, ao contrário do que acontece com esse último país. O mais importante, contudo, é que o potencial das relações bilaterais entre Brasil e o Irã é muito maior do que deixam entrever esses números. O Irã tem apenas 11% de seu território de terras agricultáveis. Assim, as nossas exportações para lá poderiam aumentar muito, caso não houvesse o embargo imposto pelos EUA. Quando Ahmadinejad esteve no Brasil, em 2010, foram feitos planos para quintuplicar nossa corrente de comércio em 5 anos. Também foram realizadas parcerias na área de energia, cooperação tecnológica, agricultura, educação, etc. Dada à complementaridade das duas economias, o potencial é, de fato, imenso. Mas o glorioso governo Bolsonaro, que não tem pensamento estratégico ou mesmo pensamento algum, quer agradar os psicopatas de Trump, os quais sonham em destruir o Irã e jogar o Oriente Médio numa guerra de consequências imprevisíveis. Duvidamos que a decisão de não abastecer os navios que vieram comprar produtos do Brasil tenha sido da Petrobras, isoladamente. Deve ter sido ordem da presidência acéfala ou do MRE olavista. A bem da verdade, deve ter sido uma instrução do Departamento de Estado dos EUA, que o governo do capitão se apressou em cumprir Acontece que tal decisão parva e beócia contraria a tradição diplomática brasileira, que, até a tragédia bolsonarista, só observava sanções, quando elas eram devidamente emanadas do Conselho de Segurança da ONU, o único organismo internacional que tem legitimidade para tanto. O Brasil nunca cumpriu sanções unilaterais decretadas por qualquer país. Ademais, tal decisão oligofrênica contraria também a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, a qual, em seu artigo 17, prevê o direito da “passagem inocente” às embarcações de qualquer país nos mares territoriais, inclusive com a perspectiva de atracar e reabastecer. Por outro lado, a Petrobras, cuja gestão foi entregue, na prática, à supervisão do governo dos EUA pela Lava Jato, tem medo que seus novos controladores ianques adotem represálias, caso ela abasteça navios que vieram aqui em paz para beneficiar nossa economia. É só isso que pode explicar tal atitude. Afinal, produtores agrícolas brasileiros continuam a vender centenas de milhares de seus bens aos iranianos sem problema algum. Esse episódio demonstra que chegamos ao fundo do poço em subserviência estratégica e estupidez geopolítica. Vira-latas costumam ser espertos, ao menos. Mas o Brasil se converteu no vira-lata burro. Espécie única no mundo. Certamente fadada à extinção. *Marcelo Zero é sociólogo e especialista em Relações Internacionais.