Nordeste: Presidentes das Assembleias Legislativas repudiam Bolsonaro

– Os presidentes das Assembleias Legislativas do Nordeste (ParlaNordeste) divulgaram uma nota neste fim de semana de repúdio às declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que em conversa com o ministro Onyx Lorenzoni se referiu aos governadores nordestinos pelo termo “paraíba”, e ainda deu orientações ao chefe da Casa Civil para não ajudar em nada o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). Themístocles Filho (MDB), presidente da Assembleia do Piauí, é um dos que assina a nota, junto com outros seis parlamentares dos estados do Maranhão, Paraíba, Ceará, Sergipe, Bahia e Alagoas. “O Colegiado de Presidentes de Assembleias Legislativas dos Estados do Nordeste recebeu, com repulsa, as declarações preconceituosas do presidente da República”, inicia a nota do ParlaNordeste, que tem a presidência do deputado maranhense Othelino Neto. O ParlaNordeste destaca a região como a terceira maior economia do país, morada de 53 milhões de brasileiros e ressalta “o importante trabalho desenvolvido pelos nove governadores eleitos e reeleitos democraticamente pelo povo nordestino, os quais não têm medido esforços para promoverem o desenvolvimento dos seus estados e proporcionarem uma vida digna à população”. A nota finaliza defendendo a luta contra retaliações em função de diferenças políticas e preconceito, exige respeito e o cumprimento dos deferes do governo federal com o Nordeste. Confira a íntegra da nota: NOTA DE REPÚDIO “O Colegiado de Presidentes de Assembleias Legislativas dos Estados do Nordeste (ParlaNordeste) recebeu, com repulsa, as declarações preconceituosas do presidente da República, Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira (19). A região, terceira maior economia do Brasil, é morada de 53 milhões de brasileiros que têm orgulho de viver não só na Paraíba, mas também, no Maranhão, em Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. O ParlaNordeste ressalta o importante trabalho desenvolvido pelos nove governadores eleitos e reeleitos democraticamente pelo povo nordestino, os quais não têm medido esforços para promoverem o desenvolvimento dos seus estados e proporcionarem uma vida digna à população. Por isso, lutaremos contra todo tipo retaliação em função de diferenças políticas ou preconceito. Exigimos respeito e não abriremos mão do cumprimento dos deveres do Governo Federal para com a nossa região. Othelino Neto – Presidente do Parlanordeste (MA) Themístocles Filho (PI) José Sarto (CE) Luciano Bispo (SE) Adriano Galdino (PB) Vice -Presidente Parlanordeste Nelson Leal (BA) Marcelo Vitor (AL)”
Vaza Jato: Deltan via Flávio Bolsonaro como corrupto e temia que Moro abafasse o caso

– Sai a nova bomba da Vaza Jato: Dallagnol disse que o senador pelo PSL Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República, “certamente” seria implicado no esquema de Fabrício Queiroz. O procurador, no entanto, demonstrou uma preocupação: ele temia que Moro não perseguisse a investigação, por ser parte do governo Bolsonaro – e Moro, de fato, não agiu – Da newsletter do Intercept – Em chats secretos, Deltan Dallagnol, coordenador da operação Lava Jato, concordou com a avaliação de procuradores do Ministério Público Federal de que Flávio Bolsonaro mantinha um esquema de corrupção em seu gabinete quando foi deputado estadual no Rio de Janeiro. Segundo os procuradores, o esquema, operado pelo assessor Fabrício Queiroz, seria similar a outros escândalos em que deputados estaduais foram acusados de empregar funcionários fantasmas e recolher parte do salário como contrapartida. Dallagnol disse que o hoje senador pelo PSL Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República, “certamente” seria implicado no esquema. O procurador, no entanto, demonstrou uma preocupação: ele temia que Moro não perseguisse a investigação por pressões políticas do então recém eleito presidente Jair Bolsonaro e pelo desejo do juiz de ser indicado para o Supremo Tribunal Federal, o STF. Até hoje, como presumia Dallagnol, não há indícios de que Moro, que na época das conversas já havia deixado a 13ª Vara Federal de Curitiba e aceitado o convite de Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça, tenha tomado qualquer medida para investigar o esquema de funcionários fantasmas que Flávio é acusado de manter e suas ligações com poderosas milícias do Rio de Janeiro. O escândalo envolvendo Flávio, que vinha dominando as manchetes, desapareceu da mídia nos últimos meses. A investigação, nas mãos do Ministério Público do Rio, parece ter entrado em um ritmo bem mais lento do que o esperado para um caso dessa gravidade. Moro tampouco dá sinais de que está interessado nas ramificações federais do caso – como o suposto empréstimo de Queiroz para a primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Nas poucas vezes em que respondeu a questionamentos sobre a situação do filho do presidente, ele repetiu que “não há nada conclusivo sobre o caso Queiroz” e que o governo não pretende interferir no trabalho dos promotores. Entretanto, o caso voltou aos noticiários na segunda-feira, 15 de julho, quando o presidente do STF, Dias Toffoli, atendeu ao pedido de Flávio Bolsonaro e suspendeu as investigações iniciadas sem aprovação judicial envolvendo o uso dos dados do Coaf, órgão do Ministério da Economia que monitora transações financeiras para prevenir crimes de lavagem de dinheiro. No dia 8 de dezembro de 2018, Dallagnol postou num grupo de chat no Telegram chamado Filhos do Januario 3, composto de procuradores da Lava Jato, o link para um reportagem no UOL sobre um depósito de R$ 24 mil feito por Queiroz numa conta em nome da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Segundo o texto, a “transação foi apontada como “atípica” pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e anexado a uma investigação do Ministério Público Federal, na Lava Jato”. “Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. A comunicação do Coaf não comprova irregularidades, mas indica que os valores movimentados são incompatíveis com o patrimônio e atividade econômica do ex-assessor”, escreve o UOL. A notícia levou Dallagnol a pedir a opinião dos colegas sobre os desdobramentos do caso, e sobre como seria a reação de Moro. A procuradora Jerusa Viecilli, crítica da aproximação de Moro com o governo Bolsonaro, respondeu “Falo nada … Só observo ”. Dallagnol manifestou sérias preocupações com a forma que o ministro da Justiça conduziria o caso, sugerindo que o ex-juiz poderia ser leniente com Flávio, seja por limites impostos pelo presidente ou pela intenção de Moro de não pôr em risco sua indicação ao Supremo: “É óbvio o q aconteceu… E agora, José?”, digitou o procurador. “Seja como for, presidente não vai afastar o filho. E se isso tudo acontecer antes de aparecer vaga no supremo?”, escreveu. Dallagnol completou, sobre o presidente: “Agora, o quanto ele vai bancar a pauta Moro Anticorrupcao se o filho dele vai sentir a pauta na pele?” 8 de dezembro de 2018 – grupo Filhos do Januario 3 Deltan Dallagnol – 00:56:50 – https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2018/12/07/bolsonaro-diz-que-ex-assessor-tinha-divida-com-ele-e-pagou-a-primeira-dama.htm Dallagnol – 00:58:15 – [imagem não encontrada] Dallagnol – 00:58:15 – [imagem não encontrada] Dallagnol – 00:58:38 – COAF com Moro Dallagnol – 00:58:40 – Aiaiai Julio Noronha – 00:59:34 – Dallagnol – 01:04:40 – [imagem não encontrada] Januário Paludo – 07:01:20 – Isso lembr Paludo – 07:01:48 – Lembra algo Deltan? Paludo – 07:03:08 – Aiaiai Jerusa Viecilli – 07:05:24 – Falo nada … Só observo Dallagnol – 08:47:52 – Kkk Dallagnol – 08:52:01 – É óbvio o q aconteceu… E agora, José? Dallagnol – 08:53:37 – Moro deve aguardar a apuração e ver quem será implicado. Filho certamente. O problema é: o pai vai deixar? Ou pior, e se o pai estiver implicado, o que pode indicar o rolo dos empréstimos? Dallagnol – 08:54:21 – Seja como for, presidente não vai afastar o filho. E se isso tudo acontecer antes de aparecer vaga no supremo? Dallagnol – 08:58:11 – Agora, Bolso terá algum interesse em aparelhar a PGR, embora o Flávio tenha foro no TJRJ. Última saída seria dar um ministério e blindar ele na PGR. Pra isso, teria que achar um colega bem trampa Athayde Ribeiro Costa – 08:59:41 – É so copiar e colar a ultima denuncia do Geddel Roberson Pozzobon – 09:02:52 – Acho que Moro já devia contar com a possibilidade de que algo do gênero acontecesse Pozzobon – 09:03:19 – A questão é quanto ele estará disposto a ficar no cargo com isso ou se mais disso vir Dallagnol – 09:04:38 – Em entrevistas, certamente vão me perguntar sobre isso. Não vejo como desviar da pergunta, mas posso ir até diferentes graus de profundidade. 1) é algo que precisa ser investigado; 2) tem toda a cara de esquema de devolução de parte dos salários como o da Aline Correa que denunciamos ou, pior até, de fantasmas. Dallagnol – 09:05:54 – Agora, o quanto ele
Ignorância de Bolsonaro sobre a fome causa revolta e indignação

A afirmação do presidente Bolsonaro de que “falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira” está causando uma forte onda de indignação e revolta em lideranças da oposição e internautas. Bolsonaro também falou que “passa-se mal, não come bem. Aí eu concordo. Agora, passar fome, não”. O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) foi um dos que reagiu à observação infeliz do presidente: “Ao dizer ninguém passa fome no Brasil, Bolsonaro agride o bom-senso e menospreza a dor dos que sofrem”. Leia a mensagem postada no Twitter: Ao dizer ninguém passa fome no Brasil, Bolsonaro agride o bom-senso e menospreza a dor dos que sofrem. O Brasil que esse senhor conhece se limita à Barra da Tijuca. Ignora o país real, os dramas que afligem o povo. É um pavão de redes sociais, um charlatão! — Orlando Silva (@orlandosilva) 19 de julho de 2019 Para o deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE), dizer que não há fome no Brasil é uma “crueldade” em um País “com cerca de 55 milhões de pobres e mais de 15 milhões vivendo abaixo da linha da extrema pobreza”. “Me pergunto até que ponto é falta de informação ou crueldade fazer afirmações como essas”, completou. Para o vice-líder do PCdoB, deputado Márcio Jerry (MA), no Brasil real, “que o Jair Bolsonaro não enxerga, infelizmente tem fome sim”. “E fome que aumenta com o desmonte de políticas públicas de proteção e assistência social”, pontuou. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), diz que Bolsonaro ridiculariza mais de cinco milhões de brasileiros que passam fome. “Para Bolsonaro, é tudo uma grande mentira. Só quem vive há mais de 30 anos na mamata, e criou os filhos nas mesmas tetas, pode ser tão indigno com a dor do povo e a realidade do país que governa”, criticou o senador. “Até onde veremos tanta imbecilidade? Será que esse cidadão não se cansa de dizer besteiras e mostrar que não conhece nosso país?”, indignou-se o deputado André Figueiredo (CE), líder do PDT na Câmara. A declaração de Bolsonaro foi dada em um café da manhã com jornalistas nesta sexta-feira. As informações são do Vermelho.
Polícia Federal paralisa investigações com dados do Coaf

A Polícia Federal suspendeu todas as investigações em curso que usem dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ou outros órgãos de fiscalização e controle, sem autorização judicial expressa. – LEITA TAMBÉM Toffoli vira tchutchuca nas mãos da turma do Bolsonaro A indicação, conforme circular da PF, é que as autoridades devem identificar todas as investigações que possam ser enquadradas na decisão e submetê-las ao Poder Judiciário. “Principalmente em razão de investigações policiais em que estejam sendo realizadas diligências cuja interrupção possa causar dano irreparável (interceptações telefônicas, ações controladas, dentre outras)”, afirma o delegado Bráulio Cézar Da Silva Galloni, que assina a circular. A notificação foi enviada a diretores, superintendentes regionais e chefes de delegacias. De acordo com o jornal Correio Braziliense, a determinação aconteceu antes de a instituição ser notificada pelo Supremo Tribunal Federal. O presidente do STF, Dias Toffoli, suspendeu todas as investigações atendendo a pedido da defesa de Flávio Bolsonaro. Ou seja, para suspender as investigações do escândalo Bolsonaro-Queiroz, Toffoli paralisou a Polícia Federal como um todo, sem falar na força-tarefa lava jato e similares. Com informações do Consultor Jurídico.
Marília Arraes: é preciso separar a esquerda da esquerda oportunista

A deputada federal Marília Arraes (PT-PE), comentou sobre os votos a favor da reforma da Previdência dos dissidentes de partidos como PDT e PSB e defendeu que é preciso diferenciar os oportunistas. A votação da reforma da Previdência ocorreu na última quarta-feira (10) na Câmara dos Deputados, em Brasília, e teve 379 votos favoráveis e 131 contrários ao texto da proposta. “A gente tem que fazer uma reflexão sobre quem é a esquerda de verdade e quem é a esquerda oportunista. Por exemplo, o PSB teve onze deputados que votaram a favor da reforma. O que eles vão fazer em relação a isso? Qual é o discurso agora? Na verdade o PSB teve, por um bom tempo, um posicionamento mais independente, para não dizer liberal, tinha posições totalmente diferentes das nossas. Quando ficou ameaçado de perder o poder em Pernambuco, que na verdade Pernambuco manda no PSB nacional, passou a ter esses posicionamentos mais de esquerda de volta”. Ela também comentou sobre a postura do PDT de expulsar seus integrantes que votassem a favor da reforma. “O PDT também, inclusive já anunciou que ia expulsar os deputados e agora já estão dizendo que não sabem se irão expulsar. Então a gente tem que dosar bem essa nossa noção de esquerda para ver quem é oportunista e quem não é”. A deputada federal falou ainda sobre a importância dessa mesma reflexão para os futuros governos de esquerda. “A gente tem que fazer uma reflexão para os próximos governos que a gente tiver, sejam municipais, estaduais, quando a gente tiver oportunidade de ocupar esses espaços que a gente priorize essa conscientização. Não é uma doutrinação, é deixar a população consciente, é desse jeito que a gente consegue”.
O discurso assassino de Bolsonaro faz a primeira vítima. Por Vinícius Segalla

Estava demorando para verter em sangue o discurso homicida do presidente Jair Bolsonaro e de seu governo de extrema-direita. Imagens reveladas no início da noite desta quinta-feira (18) mostram um caminhão passando por cima de pessoas do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que protestavam em uma rodovia, atrapalhando o tráfego. Um homem de 72 anos morreu. O irmão do suspeito aparece, em outro vídeo, na delegacia, dizendo que “tem que passar por cima mesmo”, porque estavam, os manifestantes, de fato atrapalhando o tráfego. E o Brasil, acima de tudo, não pode parar. Estava demorando para algo assim acontecer. Afinal, já disse o presidente (em sentido figurado, claro): “Vamos fuzilar a petralhada!”. Também já alertou o presidente: “Petralhada, vai tudo vocês pra Ponta da Praia!”. Ele se referia ao local de desova de cadáveres mortos pela Ditadura nos anos 70, no Rio de Janeiro. Depois, explicou que falava em sentido figurado, claro. Também já informou, Bolsonaro, que o MST vai ser tratado como grupo terrorista. E, “se resolver morrer, é problema dele“. Nessa vez, o presidente não disse que era em sentido figurado. Um dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro, com o seu jeito peculiar de (des)tratar a língua portuguesa, em outra oportunidade, disse que o “MST quer ‘filtrar’ Bolsonaro, impedindo defesa pessoal e de residências particulares e avanços do que a população pede”. Tá aí, o caminhão avançou, matou um homem de 72 anos, em defesa pessoal do seu direito de rodar pela estrada. Todo mundo sabe que este texto poderia seguir listando dezenas (centenas?) de declarações e posicionamentos com o mesmo teor de Jair Bolsonaro, de seus filhos, de membros de seu governo e de sua horda de seguidores. Vão dizer que a Esquerda já está fazendo uso político de uma morte, vão dizer que não podem responder por o que fez um caminhoneiro que agiu por conta própria, vão dizer que se o MST não estivesse bloqueando rodovia, isso não teria acontecido, vão dizer… Resta àqueles que se enojam com este discurso permissivo da violência, com este governo fascistoide, com este presidente irresponsável e infinitamente menor do que o cargo que ocupa, resta àqueles que se enojam com tudo isso, como este que escreve, esperar o que a História vai dizer disso tudo. E, até lá, que não morra tanta gente. Via DCM
Seis meses depois, o que sobrou da promessa de fazer ‘nova política’?

‘Não existe essa premissa de velha e nova política. A premissa é falsa. O que existe é política’, diz analista Muito antes de se tornar candidato a presidente, Jair Bolsonaro (PSL) já evocava sua estratégia discursiva sobre uma nova forma de fazer política. “Toda a imprensa pergunta para mim: como você vai governar sem o ‘toma lá, dá cá’? Eu devolvo a pergunta: existe outra forma de governar, ou é só essa? Se é só essa, eu tô fora”, anunciava, à TV Bandeirantes, em novembro de 2017. Nas eleições, seu exército de candidaturas ao Congresso Nacional deu o mesmo tom para angariar votos. Mas as negociações para aprovar a reforma da Previdência deixaram bem claro que a aclamada “nova política” não pegou entre os parlamentares – porque, de fato, nem política é. Foram intensas as articulações para se chegar aos 379 votos favoráveis à reforma, no primeiro turno de votações na Câmara. Segundo levantamento da ONG Contas Abertas, só nos primeiros dias do mês, o governo empenhou 2,5 bilhões de reais em emendas parlamentares. Mas não estamos falando só de dinheiro: cargos a aliados também continuam como moedas de troca. A necessidade de negociar levou o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM) a atrasar o início da votação, na terça-feira 9, dia em que deputados preencheram o tempo do Plenário para decidir regras sobre vaquejadas e rodeios. As conversas não passaram despercebidas por oposicionistas: nas redes, o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) se manifestou sobre a tentativa em convencer parlamentares para votar pela reforma. “A maior prova de que o governo não tem os votos necessários para aprovar a Reforma da Previdência é que estamos no Plenário votando um projeto de lei sobre vaquejadas. O governo está usando esse tempo para liberar emendas e tentar garantir os votos que faltam”, disse o líder da oposição. Para Maia, o sucesso das negociações não é motivo de desonra, mas sim, de celebração. Após o placar favorável, na quarta-feira 10, o presidente da Casa ostentou, em seu discurso, a habilidade do Centrão em articular. Logo o bloco da Casa que tanto sofreu desgaste por negociar, agora reivindica confetes. “O Centrão é essa coisa que ninguém sabe o que é, mas é do mal. Mas é o Centrão que está fazendo a reforma da Previdência”, exaltou o deputado. Se, nos primeiros seis meses da nova era presidencial, houve mudanças na prática política do Congresso, não foi porque pararam de negociar interesses em troca de emendas e cargos: estas conversas ainda se impõem em votações decisivas. Portanto, o que se pode chamar de novidade no fazer político dos congressistas nestes novos tempos? O descolamento do Planalto Se, por um lado, as negociações se impuseram como pedágio numa sessão decisória, por outro é possível dizer que a principal característica desta nova era no Congresso é o próprio isolamento em relação ao Palácio do Planalto. É certo que não se trata de um panorama inédito. O governo Dilma Rousseff (PT), em seu segundo mandato, viu sua base de congressistas desmoronar após a rachadura com o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ), em 2015. Porém, não se via tão cedo a ausência de coalizão num governo estreante. Nesta linha, opina a doutora em Ciência Política e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Andréa Freitas. Na visão dela, apesar de não se subordinar ao presidente, o Parlamento atuava de forma coordenada com o Palácio do Planalto. Agora, o Congresso vive um ciclo de descolamento com o Executivo. Isso não quer dizer que as agendas sejam necessariamente distintas, principalmente no que tange à economia, posto que ambos os poderes se manifestaram a favor da reforma da Previdência. No entanto, a chave que abriu as portas para a reforma esteve nas mãos dos líderes do Congresso, e não do governo. “A principal novidade é não ter se formado uma coalizão de governo. O presidente da Câmara assumiu protagonismo na organização do Legislativo, na primeira fase da reforma. Imagino que o presidente do Senado [Davi Alcolumbre] também deva aparecer mais, no momento em que a proposta seguir para o Senado”, pontua. A falta de coalizão é mais visível se lembrarmos dos momentos em que o Congresso cortou as asas do governo. Mesmo na reforma da Previdência, o ministro da Economia, Paulo Guedes, teve de engolir a seco a exclusão da capitalização. O decreto de flexibilização do porte e da posse de armas, carro-chefe do programa presidencial, também sofreu dura rejeição. Outra derrota doída ocorreu quando o Congresso tirou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça, de Sergio Moro, e o devolveu ao Ministério da Economia. Vale observar que o ex-juiz da Lava Jato chegou a chamar os deputados e senadores para conversar, mas o esforço não adiantou. A ministra Damares Alves, dos Direitos Humanos, também não teve seus anseios atendidos, no caso da Fundação Nacional do Índio (Funai). Apesar de pedir, em discursos, para ficar com a instituição, os parlamentares devolveram o órgão à pasta de Moro. A desorganização dos novatos Outra marca registrada nesta nova fase do Congresso é a desorganização da leva de parlamentares novatos que fazem parte, principalmente, da ala governista e de extrema-direita. Dos 513 deputados da Câmara, 244 são estreantes, número equivalente a 47,6%. É o recorde de principiantes no Parlamento. Segundo a Agência Câmara, foi a maior renovação desde a eleição da Assembleia Constituinte, em 1986. “Há certa desorganização por parte desta bancada. O que a gente tem visto é que eles brigam entre si, demonstram pouco conhecimento do regimento interno e têm causado alguma confusão. O Congresso atual é de deputados muito novos, pouco experientes e que foram eleitos porque já tinham algum tipo de comunicação feita via redes sociais com o público”, considera a pesquisadora. Um episódio que gerou gargalhadas na Câmara envolveu o “marinheiro de primeira viagem” Daniel Silveira (PSL-RJ). Em 12 de junho, após o primeiro vazamento do site The Intercept Brasil sobre os diálogos da Operação Lava Jato, o parlamentar apresentou um requerimento à
Novo capítulo da Vaza Jato revela que Moro interferiu em delações

Embora a lei proíba a participação de juízes em acordos de delação premiada, a nova leva de mensagens da Vaza Jato, divulgada pela Folha e pelo Intercept revela que Sergio Moro infuenciou o acordo de delação de dois executivos da Camargo Côrrea, no âmbito da Lava “Mensagens privadas trocadas por procuradores da Operação Lava Jato em 2015 mostram que o então juiz federal Sergio Moro interferiu nas negociações das delações de dois executivos da construtora Camargo Corrêa cruzando limites impostos pela legislação para manter juízes afastados de conversas com colaboradores”, aponta reportagem da Folha de S. Paulo e do Intercept, divulgada nesta quinta-feira 18. Assinada por Ricardo Balthazar e Paula Bianchi, a reportagem revela a partir de mensagens interceptadas que Moro avisou aos procuradores que só homologaria as delações se a pena proposta aos executivos incluísse pelo menos um ano de prisão em regime fechado. Segundo o texto dos jornalistas, a Lei das Organizações Criminosas, de 2013 diz que juízes devem se manter distantes das negociações e têm como obrigação apenas a verificação da legalidade dos acordos após sua assinatura. “As mensagens obtidas pelo Intercept mostram que Moro desprezou esses limites ao impor condições para aceitar as delações num estágio prematuro, em que seus advogados ainda estavam na mesa negociando com a Procuradoria”, aponta a reportagem. As mensagens “No dia 23 de fevereiro de 2015, o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa, escreveu a Carlos Fernando dos Santos Lima, que conduzia as negociações com a Camargo Corrêa, e sugeriu que aproveitasse uma reunião com Moro para consultá-lo sobre as penas a serem propostas aos delatores”, escrevem os jornalistas. – A título de sugestão, seria bom sondar Moro quanto aos patamares estabelecidos – disse Deltan. – O procedimento de delação virou um caos. O que vejo agora é um tipo de barganha onde se quer jogar para a platéia, dobrar demasiado o colaborador, submeter o advogado, sem realmente ir em frente. Não sei fazer negociação como se fosse um turco. Isso até é contrário à boa-fé que entendo um negociador deve ter. E é bom lembrar que bons resultados para os advogados são importantes para que sejam trazidos novos colaboradores – respondeu Carlos Fernando. – Vc quer fazer os acordos da Camargo mesmo com pena de que o Moro discorde? “Acho perigoso pro relacionamento fazer sem ir FALAR com ele, o que não significa que seguiremos – interferiu Deltan. A opinião de Moro foi parcialmente respeitada. Com a assinatura dos acordos, dois dias depois, ficou acertado que os dois executivos da Camargo Corrêa, Dalton Avancini e Eduardo Leite, ficariam mais um ano trancados em casa, mas não num presídio. Em nota, Moro negou ter participado dos acordos. “Enquanto juiz, não houve participação na negociação de qualquer acordo de colaboração”, diz nota enviada por sua assessoria.
Mais um ministro do STF cai na Vaza Jato: desta vez, é Barroso

O jornalista Reinaldo Azevedo divulgou na noite desta terça-feira, 16, novos diálogos entre o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. As novas mensagens envolvem mais um ministro do Supremo Tribunal Federal: Luis Roberto Barroso. No dia 3 de agosto de 2016, o procurador recebe uma mensagem do juiz (transcrição conforme o original): 06:39:57 Moro – Está confirmado o jantar no Barroso? 10:04:51 Deltan – Ele acabou de confirmar. Estou adiantando meu voo porque terça estarei na comissão especial. Boa reunião amanhã c eles!! 12:29:19 Moro – Obrigado. Preciso do endereço e horário do jantar 13:48:37 Deltan – Não tenho ainda tb… passo assim que ele indicar… 13:48:54 Deltan – Lembrando que ele é carioca… talvez tenha convidado e não passe o endereço mesmo kkkk 16:38:29 Moro – Boa Segundo Azevedo, a conversa é retomada à noite e neste momento se misturam o jantar na casa de Barroso e uma entrevista que Deltan concedeu a Jô Soares (conforme o original). 20:08:40 Deltan – Copiei Vc de modo oculto em email em que envio endereço, repassando o convite. 20:49:17 Deltan – informo que a arte do convite da Palestra – Democracia, corrupção e justiça: diálogos para um país melhor, que ocorrerá no dia 10 de agosto, já está pronta, conforme link que segue abaixo. Ademais, indico que na segunda-feira estarei em contato para informar sobre o roteiro de atividades (refeições, aeroporto, translado). https://www.uniceub.br/media/891615/moro_convite.pdf 22:26:27 Moro – Como foi no Jô? 22:29:11 Moro – Não recebi o email com endereço 22:43:39 Deltan – Ele quer que Vc vá, e seria bacana Vc ir… só não sei o timing rs. Da vez anterior que fui, eu fui mais no conteúdo. Nessa vez, tentei mesclar conteúdo com entretenimento e acho que o resultado foi bacana…. 22:45:14 Deltan – Vou checar por que não foi e reenvio 22:51:41 Deltan – Pra mim dá como enviado… deve chegar amanhã, mas adianto por aqui: No dia 3 de agosto de 2016, Dallagnol repassa a Moro mensagem que recebeu do próprio ministro Luis Roberto Barroso: “Caros Deltan, Moro, Oscar, Caio Mário e Susan: Tereza e eu teremos o imenso prazer em recebê-los para um pequeno coquetel/jantar em nossa casa, no dia 9 de agosto próximo, 3ª feira, às 20:30, em honra dos participantes do evento “,Democracua, Corrupção e Justiça: Diálogos para um País Melhor”. Será uma reunião em traje casual, com a presença limitada aos organizadores do evento, o que inclui membros da minha assessoria e poucos dirigentes do UniCEUB. Com máxima discrição. Na medida do possível, desejamos manter como um evento reservado e privado. Estamos muito felizes de tê-los aqui. Nosso endereço é [TRECHO OMITIDO POR ESTE ESCRIBA]. Nosso telefone é [TRECHO OMITIDO]. Deltan tem meu telefone e pode ligar em qualquer necessidade. Abraços a todos. Luís Roberto Barroso.” Leia a matéria de Reinaldo Azevedo.
Toffoli vira tchutchuca nas mãos da turma do Bolsonaro

– Presidente do STF acata pedido de Flávio Bolsonaro e suspende inquéritos com dados do Coaf – Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli atendeu a um pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL) e determinou, na última segunda-feira (15), a suspensão de todos os processos judiciais em que dados bancários tenham sido compartilhados por órgãos de controle durante investigações criminais sem autorização prévia do Poder Judiciário. A decisão pode beneficiar o filho do presidente da República em uma investigação no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), em que ele é acusado de desvio de dinheiro em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Flávio Bolsonaro nega envolvimento no caso, que se baseia em relatórios do Conselho de Administração de Atividades Financeiras (Coaf). A defesa de Flávio alega que a investigação conduzida pelo MPRJ é irregular porque o repasse de dados do Coaf ao MPRJ não teria sido intermediado pela Justiça. Os relatórios do Coaf que embasam a investigação contra Flávio Bolsonaro apontam hora e data de cada depósito de R$ 2.000,00, feitos entre junho e julho de 2017. Foram, no total, 48 depósitos, somando R$ 96 mil. Em relação ao ex-assessor dele, Fabrício Queiroz, o órgão federal também detalhou hora e data de saques e depósitos feitos em 2016 – foi com base nesse relatório que se originou a investigação contra o filho do presidente.