Fascismo vence e o Brasil volta a enfrentar uma ditadura militar

Os eleitores brasileiros foram às urnas neste domingo, dia 28 de outubro de 2018, e fizeram uma opção pelo caminho da extrema-direita, votando no reacionário Jair Messias Bolsonaro para presidente da República Federativa do Brasil. Candidato ao Planalto pelo PSL, Bolsonaro venceu o segundo turno das eleições, contra Fernando Haddad, do PT. Jair Bolsonaro liderou as pesquisas de intenção de voto durante toda a campanha eleitoral. Na reta final, ele chegou a perder alguns pontos, mas mesmo assim venceu. Antes do primeiro turno, no dia 6 de setembro, ele sofreu um ataque a faca durante um ato em Juiz de Fora (MG) e teve de passar por dois procedimentos cirúrgicos. Com a saúde debilitada, o capitão reformado passou a fazer campanha junto aos eleitores somente nas redes sociais, além das propagandas gratuitas de rádio e TV. Bolsonaro também evitou os debates contra Haddad no segundo turno, mesmo tendo liberação médica para participar.
Fátima Bezerra vence no RN e será a única governadora do país

A Petista Fátima Bezerra disputava com o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo (PDT) A senadora Fátima Bezerra (PT) foi eleita governadora do Rio Grande do Norte. Ela disputava com o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo (PDT). Com 90% das urnas apuradas, Fatima tem 57,46%. A vitória de Fátima consolida a quarta vitória do PT no Nordeste, região onde o partido também vai governar Bahia, Ceará e Piauí nos próximos quatro anos. A senadora será a única mulher a governar um estado brasileiro na próxima legislatura. Sua eleição também faz do Rio Grande do Norte o estado que mais teve mulheres governadoras no país – Fátima será a terceira, sendo precedida por Wilma de Faria (1945-2017), eleita em 2002 e 2006, e Rosalba Ciarlini, eleita em 2010. Favorita desde o início da campanha, Fátima foi alçada pela popularidade do ex-presidente Lula para chegar ao segundo turno, mas consolidou sua vitória ao conseguir formar uma frente ampla nas últimas semanas. A petista recebeu o apoio do PSDB, que no primeiro turno havia apoiado a reeleição do governador Robinson Faria, e também atraiu para seu palanque Benes Leocadio (PTC), deputado federal mais votado do estado nestas eleições. Seu adversário, por outro lado, iniciou o segundo turno alinhando-se à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República – no primeiro turno, ele apoiou Ciro Gomes, presidenciável de seu partido. O apoio a Bolsonaro foi decidido após o bom desempenho do capitão reformado no Rio Grande do Norte no primeiro turno, onde chegou a 30% dos votos e venceu em Natal. Pedagoga e militante histórica do PT, partido ao qual é filiada desde 1981, Fátima Bezerra nasceu na Paraíba, mas mudou-se ainda jovem para o Rio Grande do Norte. Foi professora das redes municipal e estadual e ganhou projeção com sua militância no Sindicato dos Trabalhadores em Educação. Foi deputada estadual entre 1995 e 2003 e deputada federal entre 2003 e 2015. Em fevereiro de 2015, assumiu um mandato de senadora. Com uma trajetória ligada ao movimento sindical, Fátima colocou-se como contraponto a seu adversário, que faz parte de um dos clãs mas tradicionais da política potiguar, a família Alves. Carlos Eduardo é primo do senador Garibaldi Alves (MDB) -derrotado neste ano em sua tentativa de reeleição- e do ex-ministro Henrique Eduardo Alves (MDB), que responde por suspeitas de corrupção e estava preso até julho deste ano. A segurança pública também foi um dos temas predominantes na campanha eleitoral. O Rio Grande do Norte é proporcionalmente o estado mais violento do país, com 88 homicídios por cada 100 mil habitantes, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A senadora propôs medidas de combate à violência como fortalecimento da inteligência nas investigações policiais e a implantação de videomonitoramento nas principais cidades do estado. Já Carlos Eduardo defendeu aumento da capacidade de investigação das polícias Civil e Militar, mais investimentos em inteligência e tecnologia e o aumento do efetivo das forças policiais. Com a vitória de Fátima Bezerra, assume uma cadeira no Senado pelos próximos quatro anos o seu suplente, o economista e advogado Jean-Paul Prates (PT). Com informações da Folhapress.
Bolsonaro desabou porque eleitor descobriu nele um projeto de ditador

Os diretores do Datafolha Mauro Paulino e Alessandro Janoni afirmam que o presidenciável Jair Bolsonaro apresenta tendência de queda em quase todos os segmentos socioeconômicos e demográficos. Eles ressaltam que, apesar de cair em maior proporção entre os jovens, o deputado também desabou em estratos onde costumava ter desempenho positivo como no Sul, entre os homens, entre os mais escolarizados e, surpreendentemente, entre os mais ricos. Paulino e Janoni ainda destacam que o ‘viés ditatorial’ do candidato foi ‘descoberto’ pelo eleitor nessa reta final e que há chances consideráveis de a tendência de queda em sua candidatura se prolongar até o dia da votação. A análise dos diretores do instituto, publicada no jornal Folha de S. Paulo, destaca que “a diminuição da diferença de Jair Bolsonaro (PSL) para Fernando Haddad (PT), de 18 para 12 pontos percentuais em curto espaço de tempo (uma semana), é acentuada em função da dicotomia que caracteriza o cálculo dos votos válidos nas disputas em segundo turno. São apenas dois candidatos —quando um ganha, o outro perde na mesma proporção”. Janoni e Paulino acrescentam: “com isso, ganha importância o contingente de eleitores sem candidato, isto é, aqueles que pretendem votar em branco, anular o voto ou se mostram ainda indecisos. A taxa (14%) é recorde para este período da disputa —em segundos turnos de eleições anteriores chegou no máximo a 10%. Caso parcela pretenda praticar voto útil, resta saber em que direção a atitude se dará”. Eles ainda lembram o estrago feito na candidatura do ex-militar pela reportagem de Patrícia Campos Mello: “a suspeita de caixa dois na contratação de serviços de WhatsApp, revelada por esta Folha, por exemplo, chegou ao conhecimento da maioria dos brasileiros, mas especialmente junto aos que mais têm recursos para consumir informação –os mais escolarizados e mais ricos, nichos dominados pelo capitão reformado desde o início da corrida presidencial”. E, finalmente, os pesquisadores apontam o autoritarismo como um elemento erosivo na campanha de olsonaro: “o outro vetor, talvez o principal, refere-se às turbulências que atingiram “a velocidade de cruzeiro” da candidatura do PSL desde a última pesquisa há sete dias –episódios que sugerem intervenções autoritárias em instituições nacionais, protagonizados por Bolsonaro, por seu filho Eduardo e aliados acabaram por corroborar a campanha do PT, que o vinha classificando de antidemocrático e violento”.
Proposta de Bolsonaro ameaça aposentadoria de 51 milhões de trabalhadores

O candidato do PSL à Presidência Jair Bolsonaro propõe a criação para a Previdência de um modelo de capitalização com contas individuais para substituir o atual sistema; tal modelo já foi adotado em países como Chile e Argentina e os resultados foram catastróficos; em ambos os casos, os governos tiveram que voltar atrás e elaborar novas reformas; no Brasil, seriam 51 milhões de trabalhadores ameaçados Do Brasil de Fato – Os cerca de 51 milhões de trabalhadores que contribuem com o INSS correm o risco de ver o sonho de aposentadoria ir por água abaixo. A Reforma da Previdência proposta por Jair Bolsonaro defende a criação de um modelo de capitalização com contas individuais, que substituiria o atual sistema. O modelo de capitalização por contas individuais já foi adotado na Argentina e no Chile com resultados catastróficos. Nos dois casos, os governos tiveram que voltar atrás e fazer novas reformas. Marilane Teixeira, pesquisadora do Cesit, Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho, conta que, nos anos 90, a Argentina optou por um modelo de contribuição que migrava para um sistema privado. “A experiência com o regime de capitalização tem se demonstrado um verdadeiro fracasso, porque quando se contrata um sistema de capitalização, é como se estivesse contratando uma seguradora. E apenas dois terços do que você está contribuindo mensalmente vai para o fundo. Um terço paga as taxas da seguradora”, disse. Além disso, o valor do fundo é aplicado em títulos de dívidas públicas, outros fundos e ações, cuja rentabilidade a longo prazo pode não ser a esperada. “É uma das operações das mais arriscadas. Essas seguradoras não dão absolutamente nenhuma segurança sobre isso. A experiência da Argentina foi tão fracassada que, no ano passado, eles tiveram que propor uma outra reforma”, disse. No Chile, a experiência com o sistema de capitalização aconteceu na época da ditadura militar do general Pinochet e gerou uma grave crise na hora de pagar as aposentadorias. “Elas começaram a se aposentar com uma renda em torno de 20% a 30% do que elas recebiam na ativa. Então, o que aconteceu no Chile. O estado está tendo que complementar a renda dos mais pobres. Porque o que elas estão recebendo hoje de benefício não é suficiente para sobreviver”, disse. Se aplicada a proposta de Jair Bolsonaro para a previdência, a mudança será introduzida paulatinamente e os trabalhadores terão que escolher entre o sistema “novo” e o “velho”. Hoje, é aplicado o modelo de repartição, onde as contribuições das empresas, dos trabalhadores e dos recursos da Seguridade Social cobrem as despesas com o pagamento de benefícios e aposentadorias. No Brasil, o sistema de pagamento das aposentadorias foi fortalecido pelos governos petistas a partir de 2002, como explica o ex-ministro da Previdência Social, nos governos Lula e Dilma, Carlos Alberto Gabas. “Existia, após a Constituição [em 1988], um sistema de proteção social fundamentado no conceito de seguridade social, que é Previdência, Assistência e Saúde. E depois que o Lula foi eleito, em 2002, iniciou o governo em 2003, fortalecendo essas políticas ampliando a proteção social, garantindo mais recursos para que este sistema pudesse, de fato, alcançar as pessoas mais pobres”, disse. O plano de Bolsonaro fala em “criar um fundo de reforço da Previdência”, mas não diz de onde deverá vir este dinheiro. Isso porque, no modelo atual, o pagamento dos benefícios e aposentadorias em vigor depende das contribuições mensais e, por conta da transição, deixaria de existir.
Contra o fascismo, Marina Silva declara: agora é Fernando Haddad

– A ex-senadora Marina Silva, que concorreu na disputa presidencial deste ano, declarou na tarde desta segunda-feira 22 posicionamento de seu partido, Rede Sustentabilidade, ao candidato Fernando Haddad (PT) no segundo turno. Marina foi uma das maiores críticas à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha do primeiro turno. O partido já havia recomendado aos seus filiados o voto contra o capitão reformado, mas sem declarar oficialmente o voto em Haddad. “Sei que, com apenas 1% de votação no primeiro turno, a importância de minha manifestação, numa lógica eleitoral restrita, é puramente simbólica. Mas é meu dever ético e político fazê-la”, escreveu no comunicado, lembrando que será oposição em qualquer um dos dois governos. Fazendo críticas aos dois projetos, ela conclui: “Diante do pior risco iminente, de ações que, como diz Hannah Arendt, ‘destroem sempre que surgem’, ‘banalizando o mal’, propugnadas pela campanha do candidato Bolsonaro, darei um voto crítico e farei oposição democrática a uma pessoa que, ‘pelo menos’ e ainda bem, não prega a extinção dos direitos dos índios, a discriminação das minorias, a repressão aos movimentos, o aviltamento ainda maior das mulheres, negros e pobres, o fim da base legal e das estruturas da proteção ambiental, que é o professor Fernando Haddad”. Leia a íntegra: POSICIONAMENTO NO SEGUNDO TURNO Neste segundo turno a Rede Sustentabilidade já recomendou a seus filiados e simpatizantes que não votem em Bolsonaro, pelo perigo que sua campanha anuncia contra a democracia, o meio-ambiente, os direitos civis e o respeito à diversidade existente em nossa sociedade. Do outro lado, a frente política autointitulada democrática e progressista não se mostra capaz de inspirar uma aliança ou mesmo uma composição. Mantém o jogo do faz-de-conta do desespero eleitoral, segue firme no universo do marketing, sem que o candidato inspire-se na gravidade do momento para virar a própria mesa, fazer uma autocrítica corajosa e tentar ser o eixo de uma alternativa democrática verdadeira. Alianças vêm de propósitos comuns, de valores políticos e éticos, de programas e projetos compartilhados, que só são possíveis em um ambiente de confiança em que, diante de inaceitáveis e inegáveis erros, a crítica é livre e a autocrítica é sincera. Cada um de nós tem, em sua consciência, os valores que definem seu voto. Sei que, com apenas 1% de votação no primeiro turno, a importância de minha manifestação, numa lógica eleitoral restrita, é puramente simbólica. Mas é meu dever ético e político fazê-la. Importa destacar que, como já afirmei ao final do primeiro turno, serei oposição, independentemente de quem seja o próximo presidente do Brasil, e continuarei minha luta histórica por um país politicamente democrático, economicamente próspero, socialmente justo, culturalmente diverso, ambientalmente sustentável, livre da corrupção, e empenhado em se preparar para um futuro no qual os grandes equívocos do modelo de desenvolvimento sejam superados por uma nova concepção de qualidade de vida, de justiça, de objetivos pessoais e coletivos. O meu apoio à Operação Lava-jato, desde o início, faz parte dessa concepção, na qual o Estado não é um bunker de poder de grupos, mas um instrumento de procura do bem público. Vejo no projeto político defendido pelo candidato Bolsonaro, risco imediato para três princípios fundamentais da minha prática política: primeiro, promete desmontar a estrutura de proteção ambiental conquistada ao longo de décadas, por gerações de ambientalistas, fazendo uso de argumentos grotescos, tecnicamente insustentáveis e desinformados. Chega ao absurdo de anunciar a incorporação do Ministério do Meio Ambiente ao Ministério da Agricultura. Com isso, atenta contra o interesse da sociedade e o futuro do país. Ademais, desconsidera os direitos das comunidades indígenas e quilombolas, anunciando que não será demarcado mais um centímetro de suas terras, repetindo discursos que já estão desmoralizados e cabalmente rebatidos desde o início da segunda metade do século passado. Segundo, é um projeto que minimiza a importância de direitos e da diversidade existente na sociedade, promovendo a incitação sistemática ao ódio, à violência, à discriminação. Por fim, em terceiro lugar, é um projeto que mostra pouco apreço às regras democráticas, acumula manifestações irresponsáveis e levianas a respeito das instituições públicas e põe em cheque as conquistas históricas desde a Constituinte de 1988. Por sua vez, a campanha de Haddad, embora afirmando no discurso a democracia e os direitos sociais, evocando inclusive algumas boas ações e políticas públicas que, de fato, realizaram na área social em seus governos, escondem e não assumem os graves prejuízos causados pela sua prática política predatória, sustentada pela falta de ética e pela corrupção que a Operação Lava-Jato revelou, além de uma visão da economia que está na origem dessa grave crise econômica e social que o país enfrenta. Os dirigentes petistas construíram um projeto de poder pelo poder, pouco afeito à alternância democrática e sempre autocomplacente: as realizações são infladas, não há erros, não há o que mudar. Ao qualificar ambos os candidatos desta forma, não tenho a intenção de ofender seus eleitores, milhões de pessoas que acreditam sinceramente em um deles ou que recusam o outro, com muitas e justificadas razões. E creio que os xingamentos e acusações trocados nas redes sociais e nas ruas só trazem prejuízos à democracia, mas é visível que, na maioria das vezes, essas atitudes são estimuladas pelos discursos dos candidatos e de seus apoiadores. A política democrática deve estar fortemente aliançada no respeito à Constituição e às instituições, exercida em um ambiente de cultura de paz e não-violência. Outro motivo importante para a definição e declaração de meu voto é a minha consciência cristã, valor central em minha vida. Muitos parecem esquecer, mas Jesus foi severo em palavras e duro em atitudes com os que têm dificuldade de entender o mandamento máximo do amor. É um engano pensar que a invocação ao nome de Deus pela campanha de Bolsonaro tem o objetivo de fazer o sistema político retornar aos fundamentos éticos orientados pela fé cristã que são tão presentes em toda a cultura ocidental. A pregação de ódio contra as minorias frágeis, a opção por um sistema econômico que nega direitos e
Bolsonaro é conhecido como bunda-suja, pelos seus colegas militares

A coligação “O Brasil feliz de novo”, encabeçada pelo PT, usa reportagens antigas para atacar o capitão reformado Campanha de Haddad resgata apelido dado por militares a Bolsonaro O site oficial da coligação “O Brasil feliz de novo”, que tem Fernando Haddad (PT) como candidato à Presidência da República, resgatou uma reportagem que cita um antigo apelido de Jair Bolsonaro (PSL). A afirmação da coligação petista foi feita com base em uma matéria da revista Veja, publicada em outubro de 2017. De acordo com a publicação, o capitão reformado era chamado de “bunda suja” na corporação a qual serviu nas Forças Armadas. O termo em questão é usado pelos militares de alta patente para designar os que não galgaram posições na carreira. Além disso, o texto da coligação de Haddad resgata ainda um depoimento de 2011 do político e ex-ministro Jarbas Passarinho, morto em 2016. “Já tive com ele (Bolsonaro) aborrecimentos sérios. Ele é um radical e eu não suporto radicais, inclusive os radicais da direita. Eu não suportava os radicais da esquerda e não suporto os da direita. Pior ainda os da direita, porque só me lembram o livrinho da Simone de Beauvoir sobre “O pensamento de direita, hoje”: “O pensamento da direita é um só: o medo”. O medo de perder privilégios”, disse Passarinho em entrevista publicada em 2011 pelo site Terra.
Toda campanha de Bolsonaro foi montada por setores evangélicos dos EUA

Qual tem sido o papel dos grupos religiosos na promoção da candidatura de Jair Bolsonaro no Brasil? Frei Beto, famoso teólogo brasileiro entrevistado pela Sputnik acredita que tem sido muito grande. Em uma conversa com a Sputnik Mundo, o teólogo Frei Betto assegurou que um possível governo de Jair Bolsonaro terá um alinhamento estreito com Washington. Além disso, ele apontou para a atuação de grupos evangélicos estadunidenses e os do Instituto Millenium, um think tank ligado ao economista neoliberal Paulo Guedes e chefe da agenda econômica do capitão, na campanha do candidato do PSL, que aspira a tomar o poder no Brasil. “Há um interesse elevado de Trump para que Bolsonaro seja eleito. Porque, possivelmente, Jair Bolsonaro iria romper as relações com Cuba e Venezuela e mudaria a sede da embaixada brasileira de Israel para Jerusalém”, disse Frei Betto, um dos maiores representantes da corrente Teologia da Libertação, em relação ao hipotético governo do candidato de direita. Aliás, Frei Betto sublinhou que os Estados Unidos apostam fortemente em uma vitória de Bolsonaro no segundo turno, e na verdade já colaboraram com o candidato através de canais não oficiais. “Toda a campanha de Bolsonaro foi montada por setores evangélicos dos EUA. Há um grupo de extrema-direita de origem americana, o Instituto Millenium, representada pelo economista Paulo Guedes, que opera no Brasil para organizar e treinar uma geração de jovens de direita muito beligerante”, opinou. O autor do famoso livro “Fidel e a Religião: Conversas com Frei Betto” referiu-se às consequências que um eventual governo de Bolsonaro, famoso defensor da última ditadura militar no Brasil, poderia acarretar. “Esta onda fascista no Brasil se produz por não ter sido feito aquilo que fizeram na Argentina, no Chile e no Uruguai: condenar os militares responsáveis pela ditadura. Teremos o retorno das mesmas pessoas da ditadura, com a mesma ideia se segurança nacional. Isso vai ter um reflexo claro na política continental e internacional. Todas essas pessoas [apoiantes da ditadura] estão apoiando Bolsonaro”, advertiu Frei Betto.
Investigação sobre Bolsonaro muda reta final – Por Paulo Moreira Leite

A mais dramática campanha presidencial de nossa história política chega à última semana num ambiente político favorável ao crescimento de Fernando Haddad. As razões são fáceis de compreender. Investigado pela Polícia Federal e pelo TSE, Jair Bolsonaro já mudou de identidade política. Perdeu o papel cuidadosamente construído de inquisidor que assumiu ao longo da campanha para se colocar na defensiva, suspeito como um foragido da Justiça que teima em esconder a verdade. A grande massa de eleitores atraídos numa guerra de valores morais irá repensar suas escolhas e estará aberta a novos argumentos. Nessa situação, Bolsonaro tende a parar de crescer e começar a perder votos. Educado para desconfiar sistematicamente de todos os políticos, o eleitor presta muita atenção ao que ocorre nos dias finais da campanha e neste momento fará descobertas monstruosas sobre Bolsonaro: contribuições ilegais de empresas privadas, uso de caixa 2, e outros crimes eleitorais. Eleitores mais cuidadosos, que tentam agir de modo consciente na escolha do candidato, irão prestar atenção a nova revelação. A máquina da campanha está em pane. Embora tenha apoiadores, Bolsonaro não tem militantes e seu partido é uma sigla de fantasia. Sua força real era uma organização clandestina que atuava às escondidas na internet, que começa a ser desbaratada agora. O próprio Whatsapp promoveu 700 000 cancelamentos, conforme o El País. As quatro agencias responsáveis pelos disparos em massa também foram advertidas para deixar de prestar o serviço. Mesmo que tente reconstruir o esquema, reincidindo perigosamente numa prática criminosa quando já é investigado oficialmente, não é uma estrutura que se constrói do dia para a noite. A denúncia complica o esforço para fugir dos debates pela TV na última semana de campanha. Temendo futuras complicações éticas, a equipe médica que o atendeu após a facada de Juiz de Fora lavou as mãos. Anunciou, publicamente, que a saúde do candidato está em ordem e lhe cabe decidir se comparece ou não aos debates. Caso mantenha a decisão de não comparecer Bolsonaro arrisca-se a ganhar a fama de fujão, particularmente vergonhosa para quem insiste em fazer do passado militar sua verdadeira personalidade identidade — embora tenha passado apenas onze anos na caserna e seja político profissional há 28 anos. Se decidir comparecer, será inevitável enfrentar perguntas incomodas sobre sua máquina de mentiras, perdendo pontos mais uma vez. Sem o discurso fácil da moralidade, restará ao candidato enfrentar o debate político, nem um pouco favorável, pois ele encarna um projeto essencialmente impopular, contrário às necessidades da maioria dos brasileiros. Suas ideias econômicas são uma versão piorada das receitas desastrosas que Michel Temer vem aplicando ao país — com apoio de Bolsonaro e seu guru, Paulo Guedes. Num país no qual 69% da população reafirma os compromissos com a democracia, o comportamento autoritário — para dizer o mínimo — de Bolsonaro fez nascer entre muitos brasileiros o receio de que o país seja jogado numa ditadura, como mostra pesquisa recente do DataFolha. Comprometido com programas radicais de privatização e corte de investimentos públicos, inclusive com a Emenda Constitucional que reduz gastos por 20 anos, Bolsonaro nada tem a dizer sobre programas contra a miséria e a desigualdade — apenas esconder que o plano é cortar, cortar e cortar. Neste ambiente, quando chega à ultima semana a campanha apresenta uma brecha aberta para uma virada espetacular nos últimos dias. Há um novo ânimo na campanha de Haddad. * Paulo Moreira Leite é colunista do 247, ocupou postos executivos na VEJA e na Época, foi correspondente na França e nos EUA Alguma dúvida?
PSL e PRTB pagaram páginas de fake news com verba pública

PRTB, de General Mourão, pagou ao menos R$ 25 mil com recursos do fundo partidário no fim do ano passado. Em maio, deputado reeleito do PSL, de Bolsonaro, usou R$ 8 mil da cota parlamentar para pagamento da empresa. O PSL, partido do presidenciável Jair Bolsonaro, e o PRTB, que abriga o candidato a vice, General Hamilton Mourão, transferiram dinheiro público para a empresa sediada em São Paulo que administra ao menos 28 páginas e seis sites que distribuem fake news e materiais de apoio à candidatura dos militares. De propriedade de Thais Raposo Chaves e Ernani Fernandes, a empresa Raposo Fernandes Associados (RFA) – por meio da Novo Brasil Empreendimentos Digitais LTDA -, administra páginas de apoiadores de Jair Bolsonaro e também de supostos “movimentos sociais”, que disseminam fake news produzidas por sites que foram criados por eles com nomes parecidos aos de jornais tradicionais, como Correio do Poder, Crítica Política, Folha Política, Gazeta Social e Política na Rede. Segundo levantamento do jornal O Estado de S.Paulo, em parceria com a organização internacional de campanhas e mobilização social Avaaz, somente nos últimos 30 dias, os endereços administrados pela empresa para disseminação de fake news alcançaram 12,6 milhões de interações no Facebook – para se ter uma ideia, o jogador Neymar teve 1,1 milhão de interações e cantora Madonna, 442 mil. O maior puxador de interações da RFA é uma página chamada Movimento Contra Corrupção (MCC), de uma entidade criada por Ernani, Thais e outros membros em 2013, no auge dos protestos de rua. Reportagem do site The Intercept Brasil mostra que a empresa de Thais e Ernani receberam ao menos R$ 25 mil diretamente do PRTB, partido de Levy Fidélix e General Mourão, no final do ano passado. A Novo Brasil Empreendimentos Digitais também recebeu R$ 8 mil em maio deste ano da cota parlamentar do deputado reeleito Delegado Francischini, do PSL, partido de Bolsonaro, um dos mais ativos apoiadores do capitão da reserva nas redes sociais.
Nossa Senhora Aparecida é novamente chutada pelos aliados de Bolsonaro

Depois que um bispo de Edir Macedo, aliado de Bolsonaro, chutou a imagem de Nossa Senhora Aparecida, em protesto pelo feriado de 12 de outubro e pelo fato de Nossa Senhora Aparecida ser a padroeira do Brasil, agora é a vez de outro aliado de Bolsonaro, o professor Victorio Galli, de tentar chutar Nossa Senhora Aparecida, querendo retirar seu título de padroeira do Brasil. Projeto torna Nossa Senhora padroeira apenas dos católicosO Projeto de Lei 2623/07, do ex-deputado Professor Victorio Galli, retira de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. “O País, por ser um Estado laico, não deve ter este ou aquele padroeiro”, afirma Galli. Apesar da mudança, segundo o projeto, o feriado religioso será mantido. A proposta altera a Lei 6.802/80, que institui o feriado nacional de 12 de outubro em homenagem a Nossa Senhora Aparecida. O projeto substitui a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos” e a expressão “culto público e oficial” por “homenagem oficial”. Victorio Galli ressalta que o Estado está impedido de instituir qualquer tipo de culto, conforme o artigo 19 da Constituição de 1988. Segundo Galli, a alteração proposta “deve ser considerada democraticamente útil para a promoção da igualdade entre os cidadãos brasileiros, sem privilégios à maioria de orientação cristã”. Segundo ele, a proposta foi sugerida por cidadãos que não professam a fé católica. TramitaçãoO projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. A devoção à Nossa Senhora Aparecida vem aumentando nos últimos anos graças à profusão de canais de TV e espaços na internet e redes sociais dedicados a espalhar a fé católica Chute na santa No dia 12 de outubro de 1995, Sérgio von Helde, que era bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, proferiu insultos verbais e físicos contra uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida, à qual se dedicava o feriado do dia, durante o programa matutino O Despertar da Fé, transmitido pela Rede Record. Von Helde protestava contra o caráter do feriado nacional de 12 de outubro, e não aceitando o foto de Nossa Senhora Aparecida ser a padroeira do Brasil. O acontecimento provocou forte repercussão em grande parte da sociedade brasileira.