Corrupção: a primeira crise de proporções do governo Bolsonaro

 Nem assumiu ainda e o governo Bolsonaro já vive sua primeira crise. As denúncias de que um assessor de seu filho Flávio Bolsonaro teria feito movimentações suspeitas em dinheiro vivo a partir da sua conta bancária, incluindo o pagamento de um cheque de 24 mil para a primeira dama, coloca Bolsonaro em uma situação delicada. Ao mesmo tempo, as tratativas para montar uma base de apoio sólida no Congresso também estão questionadas por uma crise no seu próprio partido. Fabricio José de Queiroz, policial militar reformado, amigo de Bolsonaro desde a década de 1980, assessor e do círculo de confiança de Flávio Bolsonaro, foi pego pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) efetuando transações suspeitas. Suspeitas por que efetuadas em espécie e geralmente abaixo do valor de 10 mil reais, uma forma de fugir do controle da fiscalização. Em um ano teria movimentado mais de um milhão de reais (R$1,2 milhão) em dinheiro vivo. O paladino da moral e da denúncia da corrupção petista começa a mostrar que tem o telhado de vidro. Suas explicações e de seus filhos não convencem. Sobre o cheque destinado a sua esposa, afirmou que foi o pagamento de parte de uma “dívida de 40 mil reais” que teria emprestado ao seu amigo. Mas os valores não batem, novas explicações são exigidas de todos os lados. Além disso, seu filho Flávio afirma que Queiroz era da sua mais “estrita confiança” e que “não conhece nada que o desabone”: como diz Nassif, Al Capone também tinha colaboradores “de sua mais estreita confiança”. Pelo caráter defensivo das primeiras declarações do clã Bolsonaro – e o cancelamento da agenda dessa sexta-feira pelo novo presidente, um movimento que revela ter sentido o baque – podemos esperar novas declarações corrigindo versões comprometedoras, como a de Flávio Bolsonaro, que defendeu em público seu ex-assessor e suas “razões plausíveis” (ainda sem ter revelado do que se tratavam). Trata-se da primeira crise importante do governo, e que pode ganhar novas proporções. O que estaria por trás destas primeiras denúncias contra Bolsonaro, no momento em que ele está em uma situação delicada, da montagem da sua base de apoio no congresso? É difícil ainda vislumbrar o conjunto do movimento que esta por trás destas denúncias, mas vale como um lembrete ao clã Bolsonaro: “pau que dá em Chico, dá em Francisco”. Ou seja, os mesmo métodos da Operação Lava Jato que foram utilizados contra Dilma, Lula e o PT, podem também se voltar contra Bolsonaro, para condicionar os atos de seu governo. O bonapartismo judiciário, apesar das declarações de “recolhimento” de Dias Toffoli, segue fazendo política, e política pró-ajustes e pró-imperialistas, diga-se de passagem. Lembremos que recentemente o presidente do supremo deu declarações, ao lado de Bolsonaro, sobre a importância da reforma da previdência, se pronunciando sobre tema que deveria estar fora da atuação do Supremo Tribunal Federal. Recentemente, em visita aos EUA, Eduardo Bolsonaro afirmou que o governo terá dificuldades de aprovar a reforma da previdência. Eis que agora seu outro filho, Flávio, é o pivô do potencial do primeiro escândalo do novo governo. No front parlamentar do novo governo, as coisas não vão melhor. Como têm apontado vários analistas, a negociação com as bancadas temáticas não seria suficiente para montar uma base consistente, e deixar as cúpulas partidárias de fora das negociações poderia paralisar as pautas de interesse do governo no Congresso. Ao mesmo tempo, apesar de todo o discurso moralista, Bolsonaro já está se curvando ao fisiologismo do Congresso. A montagem de um bloco de partidos tendo o DEM de Rodrigo Maia como principal articulador, visa isolar o PSL, partido do futuro presidente. E já existe insatisfação dentro do PSL, que está sendo preterido pelos partidos do Centrão na montagem dos ministérios. Essa insatisfação escalou na última semana em uma disputa aberta, com direito a troca de ofensas entre Eduardo Bolsonaro e Joice Hasselmann, deputada por São Paulo. Com tantas dificuldades, a capacidade de articulação politica de Bolsonaro já esta sendo colocada à prova. E isso que os momentos mais difíceis, como a aprovação da reforma da previdência, ainda estão por vir. Ainda é cedo para saber quem vai sair fortalecido dessas disputas dentro dos pólos de interesse que competem pela influência dentro do governo. De um lado, os métodos bonapartistas da Lava Jato se fortalecem, dando mais relevo ao papel de Moro (que agora controla o mesmo Coaf que sinalizou a movimentação financeira atípica), que pode se lançar a tentar ser mais que um super-ministro, mas um quase primeiro ministro de um governo acossado pela justiça. De outro lado, ainda que os generais mais próximos de Bolsonaro possam também sair chamuscados se o escândalo avança, podem também se fortalecer no interior do governo, ao representarem um bloco mais coeso que os demais. No entanto, as disputas também existem entre os militares. Lembremos como Villas Boas se pronunciou sobre Bolsonaro, o acusando de messiânico em entrevista à Folha de São Paulo. É digno de nota que Moro buscou um general aliado de Villas Boas para comandar a Secretaria de Segurança Pública, da mesma forma que Toffoli. A primeira crise de proporções do governo é a primeira investida séria do bonapartismo judiciário para disciplinar o governo de extrema direita a organizar de imediato a aplicação da reforma da previdência para o início de 2019. As alegações de “dificuldade” pelo clã Bolsonaro já recebem sua primeira resposta ameaçadora do capital financeiro e do judiciário pró-imperialista, que através de Dias Toffoli faz campanha pela reforma. Em meio a essas disputas, se visualizam as brechas por onde pode voltar a emergir o movimento de massas, quando um governo tão pouco coeso, ainda com rachaduras em todo lado, tente aprovar medidas impopulares no Congresso, em primeiro lugar a reforma da previdência. Frente a essas crises, ou o movimento de massas se coloca como um fator independente na cena politica, ou quem vão sair fortalecidos serão os pólos de poder mais autoritários do governo Bolsonaro. Flavio Bolsonaro ✔@FlavioBolsonaro     Fabricio Queiroz trabalhou comigo por

Dodge protege Onix para sair do lamaçal da República das bananas

Não se trata de marca de carro, e sim, do silêncio da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, sobre a corrupção do futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni  – A procuradora-geral da República, que deveria ser chamada de procuradora-geral dos Coxinhas, porque protege os bandidos Aécio, Temer, Jucá & Cia, e persegue apenas Lula e o PT, continua também calada com os escândalos de corrupção da gangue de Bolsonaro. Até agora, a procuradora da extrema-direita não pronunciou nada sobre o ladrão Onyx Lorenzoni – futuro ministro chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro, que é um criminoso confesso. Na última sexta-feira (07), durante entrevista Onyx afirmou, após evento do grupo Lide, em um hotel de luxo em São Paulo, que não teme as investigações no STF (Supremo Tribunal Federal) contra ele pela prática de caixa dois, talvez seja por causa da cumplicidade do STF e da PGR. E chegou a ser irônico, dizendo que já se resolveu com Deus. Mas o ladrão Lorenzoni se irritou muito, foi quando um repórter questionou a respeito de operações suspeitas de R$ 1,2 milhão apontadas pelo Coaf, envolvendo o motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro. O futuro ministro chegou a dizer que não sabe a origem do dinheiro, pois não é investigador e ainda rebateu ao repórter: “Quanto você recebeu esse mês?”. O repórter, por sua vez, respondeu: “Eu sou jornalista. Mas foi muito menos que R$1 milhão”. Irritado, Lorenzoni abandonou a coletiva.Outro que também colocou o rabo entre as pernas sobre a corrupção da gangue de Bolsonaro foi o ex-juiz Sergio Moro. Diante deste silêncio, o deputado federal pelo PSOL, do Rio de Janeiro, Jean Wyllys, pede explicações contundentes por parte dos futuros ministros em relação ao registro de movimentações financeiras suspeitas de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro e fez duas questões importantes para Moro e Onyx:“Sérgio Moro – futuro ministro da Justiça do governo Bolsonaro, juiz que conduziu a Lava Jato e que prendeu Lula mesmo sem as provas dos crimes que o acusa, tirando forçosamente o ex-presidente das eleições, apesar de este ser o líder absoluto nas pesquisas de intenção de voto – já se pronunciou na imprensa ou em suas redes sociais sobre o suspeitíssimo caso de movimentação de mais de um milhão de reais na conta do funcionário de Flávio Bolsonaro, com direito à transferência de grana para a mulher do presidente eleito?Aguardo seu pronunciamento, Sérgio Moro.2) Onyx Lorenzoni – futuro ministro chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro, criminoso confesso (ele confessou que praticou caixa 2, crime que Sergio Moro considerava o pior quando conduzia a perseguição ao PT), mas supreendentemente perdoado pelo juiz de Curitiba pelo fato de Lorenzoni ter pedido desculpas – abandonou uma coletiva e pediu uma trégua à imprensa… Ora, Lorenzoni, você já está arregando diante de perguntinhas fáceis que essa imprensa tão simpática a vocês não pode mesmo deixar de fazer? Pense, Lorenzoni, no que essa imprensa fez à presidenta democraticamente eleita, Dilma Rousseff, mulher honesta, e se dê conta do quão covarde você e seus pares são; além de ignorantes, claro (espertalhões, porém, ignorantes)”, postou o parlamentar do PSOL, em sua página no Facebook.

Globo parte para o ataque e faz longa matéria sobre Bolsogate

 Telejornal divulgou ampla reportagem sobre o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que registrou movimentações financeiras atípicas de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro Ao que tudo indica, a Globo resolveu partir para o ataque contra Jair Bolsonaro. A edição desta sexta-feira (7) do Jornal Nacional dedicou sete minutos para divulgar uma ampla reportagem sobre o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que registrou movimentações financeiras atípicas de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro. O caso está sendo chamado de “Bolsogate”. William Bonner faz a introdução da matéria relatando a descoberta do Conselho. Em seguida, o repórter Paulo Renato Soares conta que o relatório do Coaf faz parte da investigação que prendeu dez deputados estaduais do Rio de Janeiro no mês passado e traz informações sobre 75 servidores da Assembleia Legislativa (Alerj), que apresentaram movimentação financeira suspeita. Entre eles está Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito pelo PSL, Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente eleito Jair Bolsonaro. Segundo o Coaf, em apenas um ano, Fabrício de Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em uma conta. O relatório aponta que Fabrício ganhava R$ 23 mil por mês. Ele cumpria a função de motorista de Flávio Bolsonaro e também tinha vínculo com a PM. O jornal O Estado de S.Paulo revelou o caso ontem (quinta) e a TV Globo também teve acesso ao relatório. O documento lista várias operações bancárias suspeitas e menciona a possibilidade de que isso tenha sido feito para ocultar a origem ou o destino do dinheiro. Primeira-dama Uma das movimentações de Fabrício tem como favorecida a futura primeira-dama Michelle Bolsonaro. O relatório cita que a ex-secretária parlamentar e atual esposa de Jair Bolsonaro recebeu R$ 24 mil. Hoje (sexta), Bolsonaro explicou o depósito na conta da mulher. Ele falou com o site O Antagonista. Disse que o valor se refere a uma dívida do ex-assessor com ele próprio. O presidente eleito afirmou que eles eram amigos e emprestou o dinheiro a Fabrício porque o ex-assessor do filho estava com problemas financeiros. Bolsonaro contou que não foram só R$ 24 mil e sim R$ 40 mil. Afirmou que se o Coaf pegar dados anteriores vai chegar a esse valor. O presidente eleito disse que Fabrício de Queiroz fez dez cheques de R$ 4 mil. Bolsonaro diz que poderia ter botado na conta dele, mas foi para a conta da esposa porque ele não tem tempo de sair. Sobre a movimentação de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz, Bolsonaro falou que se surpreendeu com a identificação do Coaf e que cortou contato com o amigo até que ele se explique para o Ministério Público. Na conta de Fabrício de Queiroz, o Coaf também encontrou saques em dinheiro, que somam R$ 324 mil ao longo de um ano; R$ 159 mil sacados de uma agência bancária do prédio da Assembleia Legislativa. Família Fabrício foi exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro no dia 15 de outubro. A mulher de Fabrício, Márcia de Oliveira Aguiar, e duas filhas, Natália e Evelyn Mello de Queiroz, também trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro, como revelou o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Márcia aparece na folha de pagamento da Alerj de agosto de 2017 como consultora parlamentar e salário de R$ 9.200. Natália trabalhou com Flávio Bolsonaro na Alerj entre 2007 e 2016. Menos de uma semana depois de ser exonerada, Natália foi nomeada para exercer, no gabinete do deputado federal Jair Bolsonaro, o cargo de secretária parlamentar. Natália deixou o cargo na Câmara Federal no mesmo dia em que o pai saiu do gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, 15 de outubro deste ano. Natália é citada em dois trechos do relatório do Coaf. O documento não deixa claro os valores individuais das transferências entre ela e seu pai. Mas junto ao nome de Natália está o valor total de R$ 84 mil. A outra filha de Fabrício, Evelyn Mello de Queiroz foi nomeada em dezembro de 2016 como assessora parlamentar de Flávio Bolsonaro, na vaga da irmã Natália. O nome de Evelyn está na última folha de pagamento que aparece no site da Alerj, em setembro, com salário líquido de R$ 7.500. MPF O Ministério Público Federal, responsável pelas investigações, diz que nem todos os nomes citados no relatório foram incluídos nas apurações, porque nem todas as movimentações atípicas são necessariamente ilícitas. E não divulgou se deputados da Alerj que não foram alvo das operações estão sendo investigados ou podem vir a ser. Hoje (sexta), jornalistas questionaram dois futuros ministros do governo Bolsonaro sobre as informações do relatório do Coaf. Onyx Lorenzoni, que vai ser o ministro chefe da Casa Civil, se irritou, e Sérgio Moro, que vai assumir o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, preferiu não responder. No fim da tarde, Flávio Bolsonaro disse que conversou com o ex-assessor sobre a informações do Coaf e que recebeu explicações “plausíveis”. Ao final da reportagem, Bonner disse que não conseguiu contato com o ex-assessor Fabrício de Queiroz, a mulher e as filhas dele.

Mais Médicos: governo Temer vestiu um santo para desvestir outro

 Médicos trocam postos do SUS pelo Mais Médicos e ameaçam desorganização do sistemaNos estados contatados, 58% das vagas preenchidas foram ocupadas por médicos que já atuavam na atenção básica do SUS Levantamento feito em sete estados junto a conselhos de secretarias municipais de saúde (Cosems) do País concluiu que mais da metade dos profissionais que preencheram as vagas dos cubanos no Mais Médicos já trabalhava em Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Com as inscrições, os profissionais apenas migraram de um posto de saúde onde já eram servidores municipais para outro onde passam a ser integrantes do programa federal. Dez dos 13 conselhos contatados disseram ter registrado em seus municípios a migração de profissionais. Nesses estados, 58% das vagas preenchidas foram ocupadas por médicos que já atuavam na atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS). Os sete Cosems analisaram os vínculos de trabalho anteriores de 1.489 médicos que aderiram ao Mais Médicos e verificaram que 863 deles trabalhavam em postos de saúde de outras cidades ou Estados. A situação fez o presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Junqueira, se reunir nesta quarta-feira, 28, com membros do Ministério da Saúde para apresentar o problema. A pasta solicitou ao conselho um levantamento nacional dos números de profissionais que migraram de uma UBS para outra. O conselho pretende apresentar amanhã os números completos ao ministério. “Estamos muito preocupados. Talvez seja preciso fazer mudanças no edital para evitar que a chegada dos médicos desorganize todo o sistema de saúde”, declarou Diego Espindola de Ávila, diretor do Conasems. Leia o texto completo no Estadão – e o vídeo no Bom Dia Brasil, da Globo

Um em cada dois negros está no mercado informal. E vai piorar

Quase metade (46,9%) da população preta ou parda está na informalidade, enquanto o percentual entre brancos é 33,7% A crise no mercado de trabalho, exposta pelo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que os arrochos feitos ao trabalhador nos últimos anos pioraram especialmente a vida de segmentos da sociedade que na última década haviam conquistado mais espaço. Quase metade (46,9%) da população preta ou parda está na informalidade. O percentual entre brancos é 33,7%. Um trabalhador branco recebeu, em média, 72,5% a mais do que um profissional preto ou pardo em 2017. Enquanto uma pessoa branca teve rendimento médio de R$ 2.615 no ano passado, um negro (soma da população preta e parda) recebeu R$ 1.516. “Ao longo da década tivemos uma melhora para a população negra e para as mulheres de forma geral. De 2012 a 2014 eles tiveram conquistas importantes, e agora eles se reposicionam ao lugar onde estavam antes, e que é feito da estrutura histórica das condições de trabalho e de vida no Brasil, calcado no racismo e no machismo”, explica a pesquisadora do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Lucia Garcia. No total, O Brasil perdeu mais de 2,3 milhões de postos de trabalho formal em dois anos. Os dados analisados fazem referência até dezembro de 2017. De acordo com o levantamento, o País encerrou 2017 com 54,2 milhões de trabalhadores formais. Em 2015, eram 56,5 milhões. Já o trabalho informal aumentou em 1,2 milhão. Em 2015, havia no Brasil 36,1 milhões de trabalhadores informais. Esse número chegou a 37,3 milhões em 2017 O IBGE considera como trabalho formal aquele com carteira de trabalho assinada, inclusive do empregado doméstico, assim como o trabalhador por conta própria e o empregador que sejam contribuintes da previdência social. Já o trabalho informal engloba os trabalhadores, incluindo os domésticos, que não possuem carteira assinada, bem como trabalhador por conta própria e empregador que não contribuem com a previdência, além do trabalhador familiar auxiliar, composto majoritariamente por mulheres. Conforme o levantamento, em 2015, 61% dos trabalhadores ocupados no País estavam em postos formais. Em 2017, esse percentual caiu para 59,2%. Já o trabalho informal saltou de 39% para 40,8% no mesmo período, o que representa 2 em cada 5 trabalhadores do País. Na análise por sexo, o IBGE destacou que “a proporção de homens e mulheres em trabalhos formais e informais é semelhante”, embora varie de acordo com a categoria de ocupação. Entre os trabalhadores informais os homens são maioria quando considerados somente os empregados sem carteira assinada e os trabalhadores por conta própria. Já as mulheres são maioria entre os trabalhadores familiares auxiliares “e compõem quase que integralmente o trabalho doméstico sem carteira”. “A crise elimina empregos no centro econômico industrial e puxa toda a diminuição de postos de trabalho, e que se manifesta através da renda, na queda da massa salarial, e por consequência afeta o setor de serviços e comércio. O homem branco é o primeiro a ser afetado, porque ela já está em melhores condições, e ele puxa todo o resto para baixo”, afirma a especialista. Regiões Regionalmente, a informalidade estava mais presente nas Regiões Norte e Nordeste, onde os trabalhadores informais representavam, respectivamente, 59,5% e 56,2% da população ocupada. Sudeste e Sul tinham a menor proporção de informalidade, 33,8% e 29,1%, respectivamente. No Centro-Oeste, os informais representavam 39,1% dos trabalhadores informais. Ainda de acordo com o IBGE, as atividades que mais concentram o trabalho informal são as de serviços domésticos e agropecuária. Nestas duas atividades, mais de 2/3 do pessoal ocupado era informal. Salários O IBGE mostrou que a diferença entre os salários pagos ao trabalhador com carteira assinada é, na média nacional, 76% maior que daquele que não tem registro formal. O rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro em 2017 foi de R$ 2.039. Para o empregado com carteira assinada, o salário médio era de R$ 2.038, enquanto para o sem carteira foi de R$ 1.158 A pesquisadora afirma que os dados do IBGE demonstram uma acentuada deterioração das condições de trabalho em relação a 2014 – momento em que a crise se abate sobre as estruturas de trabalho e rendimento -, mas que não capta como a perda de direitos está afetando a vida do trabalhador. “De 2012 a 2014 nós tivemos uma melhoria do mercado de trabalho e do quadro social nacional, e a partir 2014 uma piora bastante considerável. A tendencia dos dados futuros do instituto é de piora ainda mais acentuada, pois os efeitos da Reforma Trabalhista e da terceirização irrestrita estarão neles”, assegura Lucia. Reportagem da Carta Capital

FERNANDO BRITO: A DOR DOS POBRES NÃO SAI NOS JORNAIS

 – O editor do site Tijolaço, Fernando Brito, em artigo, comenta os números apontando queda nos indicadores sociais; “Os números oficiais do IBGE, dando conta do aumento da pobreza e da pobreza extrema no país não mereceram neles, sequer, uma chamada de capa. Ou, para ser rigoroso, apenas uma linha – ‘somada à alta da pobreza extrema’ – que orna uma pequena nota da Folha, destacando a carência nos serviços básicos”. “Nem mesmo com o relatório da Síntese de Indicadores Sociais, oficial, produzida pelo IBGE, revelando dados dramáticos – ou, como se dizia no jargão jornalístico importado dos EUA, ‘histórias de interesse humano’ – como o fato de metade das crianças e adolescentes brasileiros sobreviverem com renda inferior a R$ 400 mensais foi capaz de comover os editores, certamente porque não comoveriam seus leitores”. Brito afirma que “a invisibilidade dos pobres na mídia e no olhar das elites dirigentes – exceto quando viram índices de violência ou mulambos dormindo nas calçadas ricas, buscando esmolas e restos – acaba, por isso, sendo mais expressiva que as tabelas e números do IBGE” “Acaba sendo um retrato mais aterrorizante de um país que é ensinado a ver a pobreza como um inimigo e não um potencial que é desperdiçado e a uma indignidade a que submetemos seres humanos”. “E onde a indiferença passa a ser o estado natural: o médico que não se importa com os desvalidos, o economista que se lixa para o trabalhador, o engenheiro e arquiteto que nos raros projetos de habitação projeta cubículos, o jornalismo que considera ‘celebridades’ e ‘fait divers’ mais importantes que a realidade com que tropeça nas ruas”, conclui.

Giro Gomes deixa seu papel de estadista para ser um mero idiota

CIRO QUER ESQUECER O GOLPE QUE ELE PRÓPRIO DENUNCIOU  – O candidato derrotado do PDT às eleições presidenciais, Ciro Gomes, está convicto que o Brasil vive uma democracia. Em uma live que fez nas redes sociais nesta terça-feira (4), ele pediu para “encerrar esse crônica petista de chamar todo mundo de ‘golpista’ e jogar o jogo democrático”. No entanto, em maio, seu discurso era completamente diferente. “Nós estamos sob um golpe de Estado, não há a menor dúvida disso. Não é mais uma sargentada como foi muitas vezes no passado no mundo e no Brasil também. Agora é um golpe que eles chamam soft, por dentro da institucionalidade formal”, afirmou Ciro. Apenas sete meses separam uma fala da outra. Durante o processo do impeachment, Ciro deixou claro que a ex-presidente Dilma Rousseff sofreu um golpe de Estado e se vangloriou dessa postura em várias entrevistas. Em live no Facebook, Ciro optou por blindar Bolsonaro. Para o candidato derrotado, o problema do Brasil é o PT, sobrando até para os movimentos sociais, esses que serão criminalizados com a lei antiterrorista de Moro. “Neste momento como houve um enorme terror feita pela cúpula do PT de que há um risco a democracia, temos que estimular o Jair Bolsonaro a jogar o jogo democrático. Temos que cercá-lo com as instituições. Mas na medida que o PT cooptou as instituições da sociedade civil, nossas instituições estão muito fracas. Deixa eu dar um exemplo para vocês, cadê o exercito do Stédile? Cadê o exército do MST? Cadê a greve de fome? Isso ninguém aguenta mais. É preciso virar essa página e jogar o jogo da democracia. E até o presente momento ela está preservada”, disse Ciro.

A miséria voltou galopante, após o golpe que derrubou Dilma Rousseff

EXTREMA POBREZA AUMENTA E CHEGA A 15,2 MILHÕES DE PESSOAS EM 2017 Agência Brasil – O número de pessoas na faixa de extrema pobreza no Brasil aumentou de 6,6% da população em 2016 para 7,4% em 2017, ao passar de 13,5 milhões para 15,2 milhões. De acordo com definição do Banco Mundial, são pessoas com renda inferior a US$ 1,90 por dia ou R$ 140 por mês. Segundo o IBGE, o crescimento do percentual nessa faixa subiu em todo o país, com exceção da Região Norte onde ficou estável. Os dados fazem parte da Síntese dos Indicadores Sociais 2018, divulgada hoje (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que entende o estudo como “um conjunto de informações sobre a realidade social do país”. O trabalho elaborado por pesquisadores da instituição tem como principal fonte de dados para a construção dos indicadores a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de 2012 a 2017. O estudo mostra ainda que também aumentou a proporção de pessoas abaixo da linha de rendimentos. Em 2017, era de 26,5%, enquanto no ano anterior ficou em 25,7%. Os percentuais significam a variação de 52,8 milhões de pessoas para 54,8 milhões. De acordo com definição do Banco Mundial, são pessoas com rendimento até US$ 5,5 por dia ou R$ 406 por mês. A maior parte dessas pessoas, mais de 25 milhões, estava na Região Nordeste. Houve elevação ainda na proporção de crianças e adolescentes (de 0 a 14 anos) que viviam com rendimentos até US$ 5,5 por dia. Saiu de 42,9% para 43,4%, no período. Condições de vida A pesquisa identificou que em 2017 cerca de 27 milhões de pessoas, ou seja, 13% da população, viviam em domicílios com ao menos uma das quatro inadequações analisadas: características físicas, condição de ocupação, acesso a serviços e presença de bens no domicílio. A inadequação domiciliar foi a que atingiu o maior número de pessoas: 12,2 milhões, ou 5,9% da população do país. Isso significa adensamento excessivo, quando há residência com mais de três moradores por dormitório. No Amapá o nível atingiu 18,5%, enquanto em Santa Catarina ficou em 1,6%. No mesmo ano, 10% da população do país viviam em domicílios sem coleta direta ou indireta de lixo e 15,1% moravam em residências sem abastecimento de água por rede geral. O Maranhão foi o estado que registrou a maior falta de coleta de lixo: 32,7% da população não tinha acesso ao serviço. Ainda na ausência de melhores condições, o estado do Acre é o que registrou maior percentual (18,3%) de pessoas residentes em domicílios sem banheiro de uso exclusivo. Já o Piauí, tinha a maior proporção da população sem acesso a esgotamento sanitário por rede coletora ou pluvial (91,7%). Esses resultados mostram uma diferença grande para o estado de São Paulo, onde houve a maior cobertura para cada um dos serviços. A proporção da população sem coleta de lixo ficou em 1,2%, sem acesso a abastecimento de água por rede alcançou 3,6% e sem esgotamento sanitário por rede foi 7,0%.

Gilmar Mendes pede vistas, e habeas corpus de Lula é adiado

 A liberdade do ex-presidente Lula (PT) não será decidida nesta terça-feira (4) pela 2ªTurma do Supremo Tribunal Federal (STF). O julgamento do habeas corpus que questiona a atuação política de Sérgio Moro na operação Lava Jato foi adiado após pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes. O juiz alegou que precisaria de mais tempo para analisar o pedido. A defesa entende que Moro agiu de forma parcial no julgamento do petista, por isso pediu a declaração de suspeição do magistrado. Antes do pedido de vistas, dois ministros do Supremo votaram contra o habeas corpus e contra a anulação dos processos relacionados a Lula nos quais Sérgio Moro atuou como juiz: o relator Luiz Edson Fachin e Cármen Lúcia. Além do posicionamento de Gilmar Mendes, faltam os votos de Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Não há data para a continuação do julgamento.

Primeiro ato de Bolsonaro é acabar com o Ministério do Trabalho

 – O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), futuro ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro (PSL), anunciou que o Ministério do Trabalho será desmembrado e suas atribuições irão para as pastas de Economia, Justiça e Cidadania. “Na verdade, o atual ministério do Trabalho como é conhecido ficará uma parte no ministério do doutor Sérgio Moro (Justiça), outra parte com Osmar Terra (Cidadania) e outra parte com o Paulo Guedes, lá no ministério da Economia, para poder tanto a parte do trabalhador e do empresário dentro do mesmo organograma”, disse Lorenzoni durante entrevista à Rádio Gaúcha nesta segunda-feira (3). “Uma parte vai ficar com o ministro Moro, que é aquela parte da concessão de carta sindical, a face mais visível e que a imprensa brasileira registrou por inúmeras vezes os problemas que ocorriam naquela pasta, de desvios, problemas graves de corrupção. Então, aquele departamento ou secretaria do ministério do Trabalho que cuida disso vai lá pro doutor Moro”, completou. O anúncio do fim do Ministério do Trabalho é mais um recuou de Bolsonaro na montagem do primeiro escalão da futura gestão. Em novembro, depois da polêmica criada pela possibilidade de extinção da pasta, Bolsonaro afirmou que o ministério seria mantido. “O Ministério do Trabalho vai continuar com status de ministério, não vai ser secretaria. Vai ser Ministério ‘Disso, Disso e do Trabalho’, como o Ministério da Indústria e Comércio”, disse na ocasião. Questionado sobre a competência de fiscalizar o trabalho escravo no país, Lorenzoni disse “achar” que esta atribuição ficarão sob responsabilidade do Ministério da Justiça. Ainda segundo o futuro ministro, o governo Bolsonaro deverá ser formado por 22 ministérios, contra os 15 anunciados durante a campanha eleitoral. Os dois últimos ministérios, de acordo com o parlamentar, seriam “eventuais’ e poderiam ser extintos a qualquer momento. Um deste ministérios temporários seria o do Banco Central, que perderia o status com a aprovação do projeto de automia da instituição. O outro seria a Advocacia-Geral da União (AGU), que perderia o status ministerial por meio de uma mudança constitucional que ainda deverá ser apresentada.