A mais terrível de nossas heranças, por Darcy Ribeiro
Este texto é para quem não percebe a importância das cotas, das políticas de ação afirmativa, para reparar uma injustiça histórica. Às vezes penso que muitas pessoas não têm noção do que significa para um ser humano ser escravizado. As marcas que isso deixou, os traumas, e inclusive a absurda desvantagem em termos de ocupar um lugar digno na sociedade. Darcy Ribeiro explica. “Apresado aos quinze anos em sua terra, como se fosse uma caça apanhada numa armadilha, ele era arrastado pelo pombeiro – mercador africano de escravos – para a praia, onde seria resgatado em troca de tabaco, aguardente e bugigangas. Dali partiam em comboios, pescoço atado a pescoço com outros negros, numa corda puxada até o corpo e o tumbeiro. Metido no navio, era deitado no meio de cem outros para ocupar, por meios e meio, o exíguo espaço do seu tamanho, mal comendo, mal cagando ali mesmo, no meio da fedentina mais hedionda. Escapando vivo à travessia, caía no outro mercado, no lado de cá, onde era examinado como um cavalo magro. Avaliado pelos dentes, pela grossura dos tornozelos e nos punhos, era arrematado. Outro comboio, agora de correntes, o levava à terra adentro, ao senhor das minas ou dos açúcares, para viver o destino que lhe havia prescrito a civilização: trabalhar dezoito horas por dia todos os dias do ano. No domingo, podia cultivar uma rocinha, devorar faminto a parca e porca ração de bicho com que restaurava sua capacidade de trabalhar, no dia seguinte, até à exaustão. Sem amor de ninguém, sem família, sem sexo que não fosse a masturbação, sem nenhuma identificação possível com ninguém – seu capataz podia ser um negro, seus companheiros de infortúnio, inimigos –, maltrapilho e sujo, feio e fedido, perebento e enfermo, sem qualquer gozo ou orgulho do corpo, vivia a sua rotina. Esta era sofrer todo o dia o castigo diário das chicotadas soltas para trabalhar atento e tenso. Semanalmente, vinha um castigo preventivo, pedagógico, para não pensar em fuga, e, quando chamava atenção, recaía sobre ele um castigo exemplar, na forma de mutilação de dedos, do furo de seio, de queimaduras com tição, de ter todos os dentes quebrados criteriosamente, ou dos açoites no pelourinho, sob 300 chicotadas de uma vez, para matar, ou 50 chicotadas diárias, para sobreviver. Se fugia e era apanhado, podia ser marcado com ferro em brasa, tendo um tendão cortado, viver peado com uma bola de ferro, ser queimado vivo, em dias de agonia, na boca da fornalha ou, de uma vez só, jogado nela para arder como um graveto oleoso. Nenhum povo que passasse por isso como sua rotina de vida através de séculos sairia dela sem ficar marcado indelevelmente. Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós, brasileiros, somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal que também somos. Descendentes de escravos e senhores de escravos seremos sempre servos da malignidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria. A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista. Ela é que incandesce, ainda hoje, em tanta autoridade brasileira predisposta a torturar, seviciar e machucar os pobres que lhes caem às mãos. Ela, porém, provocando crescente indignação nos dará forças, amanhã, para conter os possessos e criar aqui uma sociedade solidária.” (Do livro “O povo brasileiro”, editora Companhia das Letras, 1995)
Comissão de Direitos Humanos da Câmara é impedida de visitar Lula
“Há pessoas no Judiciário utilizando suas opiniões políticas para manter um inocente preso e que não respeitam a lei”, afirmou a deputada Maria do Rosário São Paulo – A Comissão de Direitos Humanos da Câmara foi impedida pela juíza substituta Carolina Lebbos, da Vara de Execuções Penais de Curitiba, de vistorias as condições do cárcere do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É a segunda vez que uma comissão que representa o Legislativo é barrada na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, onde Lula está preso há 31 dias. Também foram barrados governadores e até mesmo o ganhador do Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel. “Isso mostra que vivemos em um Estado de exceção”, disse o presidente da comissão, deputado Luiz Couto (PT-PB). “Nossa comissão aprovou dois requerimentos para essa visita e diligência. Infelizmente, a juíza, novamente, de forma insensível e autoritária, negou”, completou. Foram barrados, além de Couto, Patrus Ananias (PT-MG), Dionilso Marcon (PT-RS), Maria do Rosário (PT-RS) e Luzianne Lins (PT-CE). A deputada Maria do Rosário disse que a comissão deve ingressar com um pedido ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que a juíza explique sua sentença de impedimento, já que tal decisão “interfere no regimento interno da Câmara dos Deputados”. “Isso é autoritarismo mediado por opinião política. Há pessoas no Judiciário utilizando suas opiniões políticas para manter um inocente preso, para não respeitarem a lei. Também já acionamos a presidência da Câmara (Rodrigo Maia, do DEM-RJ).” Luzianne criticou a interferência da juíza em prerrogativa do Legislativo. “Sempre aprendemos que há divisão entre os poderes. A partir do momento em que há um documento aprovado na comissão do Parlamento, não é mais uma questão pessoal, é uma questão da Câmara. Temos a prerrogativa de fiscalizar, essa é nossa função. No momento que uma juíza nos impede de legislar, de fiscalizar, temos que denunciar esse desrespeito de poderes”, disse. “Uma juíza de primeiro grau que prestou um concurso acha que pode impedir uma comissão da Câmara de visitar um preso político.” O presidente da CDHM lembrou que visitas eram respeitadas mesmo durante a ditadura civil-militar (1964-1985). “Durante a ditadura, Lula visitou vários presos políticos. Agora que ele é um preso político, impedem a comissão de direitos humanos de verificar as condições dele. O velho mundo agoniza e o novo tarda a nascer. Neste claro escuro, irrompem-se os monstros. Os monstros estão aí”, disse, citando o filósofo italiano Antônio Gramsci. Barrados, os deputados aproveitaram para almoçar no acampamento, que foi levantado no primeiro dia de cárcere do ex-presidente e resiste. “O pessoal do acampamento é de muita luta. Eles nunca desistem porque eles têm uma causa que é mais do que justa. Lula é candidatíssimo. Ele representa o povo brasileiro e essa é a questão que nos trás aqui novamente para verificarmos como ele se encontra, seus direitos e para dizermos que essa prisão política não pode permanecer”, disse Maria do Rosário. Parlamentares foram barrados de vistoriar prisão de Lula e visitaram acampamento de resistência
Joaquim Barbosa desiste de concorrer a Presidência da República

– O ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa, filiado ao PSB, informou, por meio de sua conta pessoal no Twitter, na manhã desta terça-feira (8), que não será candidato à Presidência da República. “Está decidido. Após várias semanas de muita reflexão, finalmente cheguei a uma conclusão. Não pretendo ser candidato a Presidente da República. Decisão estritamente pessoal”, escreveu. Joaquim Barbosa vinha sendo apontado como um nome capaz de representar “o novo” na disputa, capaz de representar uma opção de direita ou centro-direita. Logo depois do anúncio de sua pré-candidatura, ele obter índices ao redor de 10% nas pesquisas eleitorais. Com decisão, muda todo o cenário eleitoral mais uma vez. Aparentemente, a candidatura de Ciro Gomes deve ser favorecida e Marina Silva perde sua única chance de composição na disputa. Está decidido. Após várias semanas de muita reflexão, finalmente cheguei a uma conclusão. Não pretendo ser candidato a Presidente da República. Decisão estritamente pessoal.
País inexistente – Por Felipe Gabrich
Está mais do que evidenciado o golpe de 2016. Tiraram na marra uma presidenta da República inocente, reeleita para um novo mandato que iria até dezembro de 2018 com mais de 54 milhões de votos.Criminalizaram o Partido dos Trabalhadores.Condenaram e prenderam um ex-presidente da República por uma acusação vergonhosa sem prova.Juntaram o PSDB, o Poder Judiciário, os pequenos partidos venais, a mídia falada, escrita e televisionada, lideradas pelas Organizações Globo, os grupos econômicos, a elite festiva e os medíocres e fanáticos fascistas, para – em nome de um suposto combate à corrupção – expulsar o vibrante partido dos trabalhadores do cenário político nacional.O povo e a opinião brasileira engoliram a fajuta versão.E não sabem o que fazer na atualidade, pois está tudo dominado.E o sistema golpista continua em andamento.Em nome de um estado mínimo de uma política neoliberal o governo espúrio e golpista está entregando praticamente a valores irrisórios o patrimônio nacional.Já leiloaram o pré-sal.Já aprovaram uma reforma trabalhista que escraviza o trabalhador.E vão entregar na bandeja a Embraer, a Eletrobras e a Petrobrás.Enquanto isso, o presidente interino, líder do MDB, acena uma possível aliança com o PSDB para concorrer à Presidência da República em outubro próximo.MDB e PSDB.Quem diria, mas em política tudo é possível acontecer. Sem Lula no caminho, fica mais fácil abiscoitar a vitória no próximo pleito eleitoral. E as denúncias de corrupção envolvendo o próprio chefe da nação, seus principais assessores, senadores e deputados de seu partido, além de conceituados políticos da ex-oposição, vão sendo engavetadas escandalosamente.A bandidagem de colarinho branco anda livre e solta nos corredores palacianos e nas altas cortes do judiciário brasileiro.O senador Romero Jucá foi flagrado numa conversa telefônica grampeada anunciando o golpe “com o Supremo e tudo”. O senador Aécio Neves, que perdeu as últimas eleições presidenciais e tem se dedicado desde o resultado em expulsar o PT da vida política nacional, foi pilhado em vídeo negociando uma propina e mandando matar.A Polícia Federal descobriu um apartamento do ex-Ministro e deputado Geddel Vieira Lima, em Salvador, contendo malas cheias de dinheiro de origem não explicada.O deputado federal Rodrigo Rocha Loures foi flagrado correndo numa avenida de uma cidade grande com uma mala cheia de dinheiro sujo.Além do envolvimento de outros nomes famosos no panorama político do país em aviltantes casos de corrupção ativa.Dinheiro, muito dinheiro dos cofres públicos, saindo pelos ralos da corrupção.E os verdadeiros corruptos debochando da impunidade nacional.Lula está condenado e preso. A famigerada operação Lava Jato de Curitiba cumpriu sua finalidade.Deteve a invencibilidade eleitoral do Partido dos Trabalhadores que já durava mais de uma dezena de anos.Aliás, varreu a agremiação egressa das minorias do cenário político brasileiro.Tudo em nome da moralidade política e do combate à corrupção.Mas as denúncias cada vez mais escandalosas de sangria dos cofres públicos pipocam todo dia.Com o silêncio conivente dos golpistas e da chamada mídia chapa branca.E os bandidos, travestidos de heróis da pátria, continuam livres e soltos.Recorrer a quem? À ONU? À Comissão Internacional de Direitos Humanos?Na verdade, o sentimento que fica entre os brasileiros patriotas é o de que o país não existe.Ou continua adormecido em berço esplêndido, como na letra do Hino Pátrio. Felipe Gabrich é jornalista e colaborador do EM CIMA DA NOTÍCIA
Correios vão fechar 513 agências e demitir 5,3 mil funcionários

Os Correios decidiram fechar nos próximos meses 513 agências próprias e demitir os funcionários que trabalham nelas, o que deve atingir 5.300 pessoas. A medida foi aprovada em reunião da diretoria em fevereiro e é mantida em sigilo pela empresa. Quem participou dela teve de assinar um termo de confidencialidade, o que não é usual. Na lista há agências com alto faturamento. Em Minas, das 20 mais rentáveis, 14 deixarão de funcionar. Os clientes serão atendidos por agências franqueadas que funcionam nas proximidades das que serão fechadas. Em São Paulo, serão fechadas 167 agências – 90 na capital e 77 no interior. A decisão causa polêmica dentro dos Correios. O assunto foi tratado como extra pauta na reunião da diretoria sem o anexo da relação de agências. A desconfiança é de que a medida foi tomada para beneficiar os franqueados. O ex-presidente dos Correios Guilherme Campos justificou que serão fechadas agências próprias que ficam muito próximas de outras operadas por agentes privados. Ele diz que o número de demissões pode ser até maior. Vai depender da capacidade financeira da empresa para indenizar os trabalhadores. A decisão exigiu sigilo, segundo o ex-presidente, porque envolve a demissão de muitos funcionários da empresa. A economia anual com o fechamento das agências somada às demissões é calculada em R$ 190 milhões. Correios: Sucatear e privatizar? Esta notícia do fechamento de 513 agências e demissão de mais de 5 mil funcionários dos Correios vem causando medo entre os trabalhadores e incerteza nos usuários. Seria esse mais um passo rumo à privatização dos serviços postais no País? Na realidade, os serviços prestados pelos Correios vêm sendo precarizados desde o golpe de 2016. Constantes atrasos e extravios de encomendas, irritam os usuários dos serviços. Os serviços de Banco Postal foram encerrados em quase 2 mil agências de 12 estados. Agora, com o fechamento de agências, o serviço deve piorar ainda mais, abrindo espaço para a quebra do monopólio e a privatização dos serviços da empresa.
Notas com nome de Lula Livre não perdem validade, informa o BC

Notas de dinheiro carimbadas com o desenho do rosto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a mensagem “Lula livre” não perdem a validade, informou o Banco Central, após circularem, nas redes sociais, um vídeo que mostra as cédulas sendo carimbadas e um boato segundo o qual, com as marcas, o dinheiro perdia a validade. A autoridade bancária acrescentou que, se a pessoa que receber uma dessas notas quiser trocá-la, pode ir a uma agência bancária. A polêmica começou depois de um vídeo divulgado na internet viralizar e ser compartilhado milhares de vezes. Nele, um apoiador de Lula carimba notas de 10, 20 e 50 reais com o rosto do ex-presidente. Encaminhadas para destruição Em nota, o Banco Central informou que as notas podem ser trocadas por outras de mesmo valor em agências bancárias. “Cédulas com rabiscos, símbolos ou quaisquer marcas estranhas continuam com valor e podem ser trocadas ou depositadas na rede bancária”, esclareceu a instituição. O banco afirmou ainda que as notas descaracterizadas são recolhidas para destruição. “O Banco Central incentiva que as cédulas sejam preservadas, afinal a fabricação de cédulas e moedas gera custos para o País, e sua reposição elevará ainda mais esse custo”, complementa. Fake news Na era das chamadas fake news, o Banco Central correu para desmentir a notícia falsa sobre as notas carimbadas com “Lula Livre”. Em nota, o BC avisou que rede bancária pode aceitar notas com carimbo “Lula Livre”. O PT também comunicou que não faz nenhum tipo de campanha para carimbar as notas. Um vídeo com as notas sendo carimbadas com o rosto de Lula circula nas redes sociais. Foto: Reprodução
As pesquisas continuam uma tragédia para a direita

Sondagem da Paraná Pesquisas divulgada nesta quinta (3) indica que a direita comerá o pão que o diabo amassou nas eleições deste ano. Segundo o levantamento, o ex-presidente Lula transfere para um “poste” 62% dos votos entre eleitores lulistas e 37,5% dos eleitorado brasileiro estaria disposto a votar num candidato indicado pelo petista. LEIA TAMBÉMO Datafolha foi uma tragédia para a direita, diz Reinaldo Azevedo Pelos números da Paraná Pesquisas, com ou sem Lula, o PT está no segundo turno das eleições 2018. Portanto, as pesquisas continuam sendo uma tragédia para a direita. A Paraná Pesquisas entrevistou 2.002 eleitores brasileiros entre os dias 27 de maio e 2 de abril, cuja margem de erro é de 2% para mais ou para menos. A sondagem está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o n.º BR- 02853/2018.
Duas imagens: o povo com Lula e Temer escorraçado

-Manhã de primeiro de maio, milhares de pessoas dão bom dia ao ex-presidente Lula, em Curitiba. “Bom dia, Presidente Lula!” Enquanto isso, em São Paulo, uma multidão vaia Temer, chamando-o de ladrão e vagabundo. “Vai embora, vagabundo… ladrão…” Por Lelê Teles E Temer sai correndo feito um Rocha Lourens, com o rabo entre as pernas. Eis o resultado final do golpe: desemprego, desamparo, desespero, desestruturação econômica, social e política. O que promoveu o caos tá solto, o que pode trazer a paz social de volta está preso. Um é perseguido, o outro protegido. um é presidente, o outro, ex. Eis aí a síntese do Brasil de hoje. Um líder polular preso para não ser eleito, e o eleitor esculhambando o impopular sem votos. Mas o que diabos Temer foi fazer na rua?, pergunta-me uma senhorinha na fila do pão. Ora, minha senhora, ele foi testar a sua impopularidade que, segundo Nizan Guanaes, é o seu maior trunfo. – O que o senhor fará hoje, meu presidente? – Irei às ruas ser vaiado pelo povo. – Sàbia decisão. diz um deputado, enquanto lhe afaga os ovos. As eleições se aproximam e, por isso mesmo, ninguém se aproxima de Temer, que virou um leproso. Enquanto isso há uma romaria em Curitiba, todo dia chega gente querendo visitar o preso político. Inclusive gente das estranjas. Cartas lhe são enviadas do Brasil inteiro. Lhe fazem visitas, vigílias, poemas, canções, cordéis, serenatas… Parlamentares e intelectuais mundo afora condenam a sua condenação. De um lado, solidariedade, do outro, demofobia. Cheios de ódio anti povo, os caipiras de Curitiba chicoteiam trabalhador e atiram pra matar. A mídia segue usando a tática do Ricupero, “o que é bom (pra nós) a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”. Ruiu um prédio ontem em São Paulo, ocupado por brasileiros sem teto. A turma do relho e do auxílio moradia está a culpar as vítimas. Há ainda uma outra síntese possível. Tivemos três feriados seguidos: para celebrar um carpinteiro crucificado, o outro em homenagem ao alferes esquartejado e este para comemorar o dia do trabalhador, que leva tiro de pistola 9 mm e chicotada no lombo. Deus tenha piedade de nós. Palavra da salvação. * Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista
A MENSAGEM HISTÓRICA DE LULA AOS TRABALHADORES

– Neste Primeiro de Maio histórico, em que o Brasil é governado por um golpe rejeitado por 94% da população, o que ficou evidente quando Michel Temer tentou sair à rua, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, maior líder da história do País, mandou uma mensagem aos trabalhadores. Lula disse que nem a propaganda massiva da Globo é capaz de esconder o fracasso do golpe e pediu confiança no futuro. “A esperança que retomamos neste 1.º de Maio unificado não é apenas um desejo, é algo que buscamos em nossa luta democrática em todos os dias. Ela nos fortalece para superarmos o triste momento presente e para construir um futuro de paz e prosperidade”, disse ele. Leia a íntegra abaixo: Mensagem ao Povo Brasileiro no Dia do Trabalhador Meus amigos, minhas amigas, o Brasil vive esse 1º de maio com tristeza mas esperança. É com tristeza que vivemos um momento onde a nossa democracia está incompleta, com um presidente que não foi eleito pelo povo no poder. O desemprego cresce e humilha o pai de família e a dona de casa. Em uma força de trabalho superior a 100 milhões de pessoas, apenas 33 milhões têm carteira assinada, o número mais baixo em 6 anos. Uma multidão de mais de 13 milhões está desempregada e outros tantos milhões em subempregos ou na informalidade. O país sofreu com a reforma do governo Temer o mais duro golpe nos direitos conquistados pelos trabalhadores ao longo do século XX. É com tristeza que vemos a economia patinar, conquistas democráticas serem revogadas e a maioria da população fazendo sacrifícios diariamente. O direito ao trabalho, a proteção da lei, ao estudo, ao lazer tem sido cada vez mais restritos. A mesa já não é farta, e até para cozinhar o pouco que tem muitas famílias catam lenha porque não podem mais pagar o bujão de gás. Crianças e jovens perdem o futuro que lhes garantimos e a porta de acesso ao ensino superior que tiveram nos governos nos quais servimos em benefício daqueles que mais precisavam. Vocês se lembram da prosperidade do Brasil naqueles tempos. Quando o Brasil ia bem e parte da imprensa reclamava o tempo inteiro. Agora o Brasil vai mal e os mesmos falam em “retomada da economia”. A sabedoria popular contra essa propaganda massiva, em especial das Organizações Globo, que controlam a maior parte das comunicações desse país, revela-se nas pesquisas, onde o povo mostra que sabe o caminho para voltar a ter um Brasil melhor, com mais inclusão social, democracia e felicidade. Um Brasil onde os trabalhadores tenham direito a ter direitos. Onde os trabalhadores possam ter uma vida digna. Onde as crianças possam ter uma boa educação. Onde nenhum menino ou menina passe fome ou fique pedindo esmola em um farol. Onde o filho do pedreiro possa fazer uma faculdade e virar doutor. Um país do qual possamos ter orgulho. Sabemos que esse Brasil é possível. Mais do que isso, já vivemos nesse Brasil há muito pouco tempo atrás. Por isso a esperança! A esperança que retomamos neste 1.º de Maio unificado não é apenas um desejo, é algo que buscamos em nossa luta democrática em todos os dias. Ela nos fortalece para superarmos o triste momento presente e para construir um futuro de paz e prosperidade. Viva o Dia dos Trabalhadores! Viva os trabalhadores brasileiros! Viva o Brasil! Luiz Inácio Lula da SilvaCuritiba, 1 de maio de 2018 A ESPERANÇA SE LEVANTA E PEDE LULA LIVRE
1º de Maio histórico de Curitiba é marcado por mensagem de esperança de Lula

– Lideranças das centrais sindicais e movimentos populares falaram sobre esse Dia do Trabalhador único na história, ressaltando que só Lula é capaz de unir todos numa mesma causa. #LulaLivre já pediram todos Escrito por: Tatiana Melim / Site Cut A luta em defesa da liberdade imediata do ex-presidente Lula, mantido há 25 dias como preso político na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, unificou a classe trabalhadora brasileira. E a maior expressão dessa unidade foi vivida na tarde desta terça-feira, no ato unificado de 1º de Maio, realizado na Praça Santos Andrade, região central da capital paranaense, onde mais de 40 mil trabalhadores e trabalhadoras se aglomeraram para pedir a liberdade de Lula. “É um dia histórico”, repetiam as lideranças sindicais e políticas que se revezavam no microfone durante o dia todo, ressaltando que na praça havia pessoas vindas dos mais diversos cantos do Brasil, além da participação de lideranças e trabalhadores do mundo todo. A liberdade de Lula e a retomada dos direitos da classe trabalhadora, que foram roubados pelo atual governo golpista e ilegítimo de Michel Temer (MDB-SP), são bandeiras de luta que unificam todos os trabalhadores e trabalhadoras de Norte a Sul, Leste a Oeste e Nordeste do país, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas. “Pela primeira vez temos um ato de 1º de Maio unitário desde o surgimento de todas as centrais sindicais. E é importante destacar isso porque somente Lula foi capaz de nos unificar. Estão todos aqui unidos em defesa de Lula, em defesa da classe trabalhadora”. Segundo Vagner, a única chance de retomar a democracia no país e resgatar os direitos trabalhistas é “garantir a liberdade de Lula para que ele se torne novamente o presidente do Brasil”. “Dizer Lula Livre, inocente e nosso presidente é o maior instrumento de luta que os trabalhadores têm para terem de volta os direitos retirados pelo governo golpista de Temer. Por isso só sairemos daqui de Curitiba com Lula em liberdade”. Carta de Lula aos trabalhadores A ilegitimidade de Temer, a maior perda de direitos sociais e trabalhistas do século XX e as escandalosas taxas de desemprego registradas no pós-golpe foram lembrados por Lula na carta lida pela presidenta do PT, Gleisi Hoffmann: “o desemprego cresce e humilha o pai de família e a dona de casa”, disse. Mas Lula é, antes de tudo, um nordestino forte que acredita em um amanhã melhor. E na carta ele, que está preso em uma solitária, falou em esperança, disse que “o Brasil é possível”, lembrou que já vivemos esse país que dá certo há pouco tempo e pediu para todos terem fé num futuro melhor. “A esperança que retomamos neste 1º de Maio unificado não é apenas um desejo, é algo que buscamos em nossa luta democrática em todos os dias. Ela nos fortalece para superarmos o triste momento presente e para construir um futuro de paz e prosperidade”, disse Lula na carta que encerrou dando vivas aos trabalhadores e ao Brasil. Solidariedade internacional O presidente da CUT também destacou em sua fala o apoio internacional. Segundo Vagner, “Lula livre”, a palavra de ordem do dia no Brasil, tomou proporções internacionais e esteve presente nos atos do Dia Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Argentina, do Uruguai, do México, de Cuba, da Espanha, Suíça, França e em diversos países do mundo. “Todos sabem que Lula é inocente e a defesa do ex-presidente é feita dentro e fora do país.” Os representantes sindicais da CTA da Argentina e do Sindicato UWA, dos Estados Unidos, presentes em Curitiba, mandaram um recado à classe trabalhadora brasileira: “o Lula hoje não é brasileiro, é de toda América, de todo o mundo, porque nós todos somos Lula hoje” Milhões de Lulas espalhados pelo Brasil Lula não pode estar presente, mas, como ele próprio havia sinalizado no dia 7 de abril, quando anunciou, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que cumpriria decisão judicial, não tinha mais jeito, suas ideias estavam espalhadas e começariam a ser difundidas diariamente pelos milhões de Lulas espalhados pelo Brasil. E assim foi neste 1º de Maio da resistência. As lembranças das conquistas históricas proporcionadas por seu governo foram reforçadas em diversas falas. Com Lula, lembravam as lideranças de movimentos ligados às frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, milhões de brasileiros historicamente excluídos puderam sair da condição de fome e miséria, passaram a sonhar com a casa própria, com o acesso à universidade e começaram a sentir o que é o direito de andar de cabeça erguida, com dignidade. Além de citar as conquistas vividas pelos brasileiros durante os governos democráticos e populares de Lula e Dilma, as lideranças políticas foram enfáticas ao expressar o entendimento comum dos movimentos e entidades que lutam pela defesa da democracia: Lula é o candidato do povo, tem o direito de se candidatar nas eleições deste ano e a luta por sua liberdade será levada até as últimas consequências. “Estamos aqui em defesa dos direitos dos trabalhadores, mas também em defesa da democracia. E não há democracia plena quando não temos democracia econômica e social. Não há democracia quando prendem Lula sem provas para tirá-lo das eleições. Mas as mentiras deles não vão parar nossa resistência”, disse Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e pré-candidato à presidência da república pelo PSol. A deputada e também pré-candidata à presidência pelo PC do B, Manuela D’Ávila, destacou que Curitiba tem sido a capital da resistência e da luta. “Aqui está presa a maior liderança política desse país e primeiro operário presidente da República. Isso não é pouca coisa. Precisamos continuar a ser as ideias e vozes de Lula espalhadas por este país”. O vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Antônio Carlos dos Reis (Salim), disse que neste ano os trabalhadores não têm o que comemorar com 13 milhões de desempregados e com o fim dos direitos trabalhistas. “Estamos aqui pela unidade da classe trabalhadora e pela liberdade de Lula, presidente que mais fez