Intervenção militar: caminhoneiros pediram e Temer chamou o Exército

 Governo colocou as Forças Armadas contra os caminhoneiros e recebeu o apoio do STF e de Moro   Michel Temer, que tomou o poder por meio de um golpe, entregou as reservas do pré-sal e implantou uma política de preços na Petrobras, com Pedro Parente, que instalou o caos no Brasil, decidiu colocar as Forças Armadas contra os caminhoneiros. “O acordo está assinado e cumpri-lo é a melhor alternativa. Mas o governo saberá exercer sua autoridade”, disse Temer. Tropas estão sendo mobilizadas e o Brasil pode estar a um passo do caos generalizadoar as Forças Armadas contra os caminhoneiros. “Comunico que acionei as Forças Federais de segurança para desbloquear as estradas e estou solicitando aos senhores governadores que façam o mesmo”, disse ele. “O acordo está assinado e cumpri-lo é a melhor alternativa. Mas o governo saberá exercer sua autoridade”, afirmou. Ministro do STF autoriza uso de força e impõe multa para desbloqueio de rodovias O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes concedeu uma liminar (decisão provisória) em que autorizou o uso das forças de segurança pública para o desbloqueio de rodovias ocupadas por caminhoneiros grevistas. A liminar de Moraes atende a um pedido do governo federal. A pedido do governo, Moraes impôs multa de R$ 100 mil por hora às entidades que atuarem nas interdições de vias, além de multa de R$ 10 mil por dia para motorista que esteja obstuindo a pista. Caminhoneiros entraram nesta sexta-feira (25) no quinto dia consecutivo de paralisações em todo o país. Eles reivindicam, entre outros itens, a retirada de impostos que incidem sobre o óleo diesel. O movimento grevista continuou mesmo após, na noite de quinta (24), o governo ter anunciado um acordo com a categoria, que previa uma “trégua” de 15 dias. Moro critica greve dos caminhoneiros em despacho e pede “bom senso” Por conta da greve, Sergio Moro suspendeu uma audiência prevista para a próxima segunda-feira 28 em que o ex-presidente FHC seria ouvido como testemunha do ex-presidente Lula no caso do sítio de Atibaia; Moro, que já tirou foto com Pedro Parente, presidente da Petrobras, aproveitou o despacho para fazer novas considerações políticas e criticou a greve dos caminhoneiros; Moro diz ser “excessivo” o bloqueio de estradas e pede “bom senso” aos manifestantes, sem citar a alta abusiva constante dos combustíveis

Forças Armadas são convocadas para frear os caminhoneiros

O golpista Michel Temer autorizou o uso das Forças Armadas para desobstruir vias bloqueadas devido aos protesto, além de mandar seu ministro Alexandre de Moraes, do STF, legitimar sua decisão Temer chama Exército e pede carta branca ao STF para usar a força Por Fernando Brito – Tijolaço O Governo Federal acaba de pedir ao Supremo Tribunal Federal- e não há dúvidas de que será atendido – a decretação da ilegalidade do movimento dos caminhoneiros e a liberação para o uso de força, inclusive militar, para o que diz ser a “desobstrução das estradas”, mais especificamente a circulação de cargas. Claro que, com o grau de acirramento dos ânimos dos manifestantes, há quatro dias “donos” do país, tudo é muito arriscado e, se o governo não garantir, ele próprio, que haja veículos de transporte de combustíveis para formar comboios escoltados, o risco é imenso. A demora é critica e perdeu-se a surpresa que deveria ser um fator a mais de segurança contra os que queira, eventualmente, provocar conflitos com as Forças Armadas. É isso o que acontece num país onde se destroem as lideranças e se promove a radicalização sem limites. Vamos para uma aventura, a olhos vistos. Por tropa na rua é sempre ruim. Por tropa na rua, com atraso, sem planos e sem autoridade, ou não dá em nada ou dá em desastre. É a segunda “jogada de mestre” do Sr. Temer usando o Exército. A primeira, todos percebem, deu em nada com a intervenção na segurança do Rio de Janeiro. Que a segunda não dê em desastre

Governo fecha acordo com parte das entidades, mas fim da greve é incerta

 Nove das 11 entidades presentes aceitaram as propostas Após sete horas de reunião entre governo e representantes dos caminhoneiros, o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) anunciou na noite desta quinta-feira, 24, que houve acordo pela suspensão da greve por 15 dias. Nove das 11 entidades presentes aceitaram a proposta do Executivo, que prevê prazo de 30 dias para reajustes no preço do diesel. Esta era uma das principais demandas dos caminhoneiros, que queriam mais previsibilidade nos reajustes. Reunião com caminhoneiros desloca impostos para o rombo do déficit Na imagem, aqueles que fizeram os canalhas reféns: os abutres (de NY) – Reprodução/Sul21 Representantes de caminhoneiros e do Governo se reuniram por quatro horas no Palácio do Planalto e chegaram a um acordo que mantivesse a hegemonia do Pedro Malan Parente e da Míriam Lúcia sobre a República Federativa da Cloaca. O acordo, em resumo, é assim: -a greve ou lockout é suspensa enquanto o Governo e o Congresso retiram impostos federais do preço do diesel (e só do diesel); – assim, espera-se que o preço do diesel para o caminhoneiro fique mais barato; – como o Governo não vai recolher esses impostos, terá que ser recompensado – com o lombo do povo – e, no que não for recompensado, vai abrir mais o rombo do orçamento, aquele buraco do Meirelles (que fugiu…); – com menos dinheiro, já que o rombo aumentou, o Governo vai investir menos e prestar menos serviços, o que prejudicará, sobretudo, povo; – tudo isso porque os canalhas e canalhas se tornaram reféns dos acionistas minoritários da Petrobras, os abutres da Bolsa de Nova York (porque os majoritários são o povo brasileiro); – e tudo isso, porque o Governo tira dinheiro de tudo, sobretudo do povo, mas não deixa de pagar os juros dos rentistas, financistas e banqueiros! Veja o que decidiram os canalhas, com os caminhoneiros: Governo e entidades anunciam acordo para suspender paralisação por 15 dias Representante de uma associação, contudo, disse que manterá o movimento. Após sete horas de reunião, o governo e um grupo de caminhoneiros anunciaram a suspensão, por 15 dias, da paralisação que afetava estradas de 22 estados e do Distrito Federal. *** No G1: Eliseu Padilha [ministro-chefe da Casa Civil,] diz que foi celebrado um termo de acordo com representantes dos líderes do movimento. Ele faz a ressalva de que apenas um dos participantes da rodada de negociações, ao fim do processo, optou por não assinar o termo. “Nós vamos reduzir a zero a Cide para o ano de 2018. Recebemos com grande satisfação a notícia do ministro Pedro Parente dizendo que a Petrobras estava reduzindo o preço do diesel nas refinarias em 10% e assumimos essa redação do preço”, disse Padilha. (…) [ O ministro da Fazenda, Eduardo] Guardia anunciou que o governo vai criar um programa de subvenção econômica para que a gente possa passar esse custo que é a diferença entre o preço que está fixado e o preço que seria praticado pela política da Petrobras. Segundo o ministro da Fazenda, durante 15 dias a Petrobras vai assumir os custos com a redução de R$ 0,23 centavos no valor do litro do diesel. “A partir do 15º dias vamos assumir o restante dos 15 dias para completar o mês. Completado o mês, você vai fazer um reajuste dos preços com base na política da Petrobras e fixa o preço nos próximos 30 dias.” “Do ponto de vista fiscal, é uma despesa fiscal que vai requerer dotação orçamentária específica. Vamos abrir um crédito extraordinário. Por ser uma despesa nova, ela vai ter que ser compensada nas despesas do Orçamento da União para manter a meta fiscal. Do ponto de vista fiscal, vai ser compatível com a nossa meta”, disse o ministro da Fazenda. (…) Via Conversa Afiada

Gasolina chega a R$ 10 em Brasília e vira motivo de brincadeiras

 A ameaça de faltar combustível fez postos aumentarem o preço da gasolina para até R$ 9,99 no Distrito Federal. Com isso, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) determinou que o Procon fosse às ruas para fiscalizar aumentos abusivos. Via Conversa Afiada O órgão fez uma série de autuações nesta quinta-feira – um balanço do número de postos autuados será divulgado no fim da tarde. De acordo com a assessoria de imprensa do Procon, o entendimento é que não há justificativa para aumentos, uma vez que os custos dos revendedores não aumentaram. Falta de gasolina vira meme nas redes sociaisCaminhoneiros param o Brasil e internet faz piada com falta e alta dos combustíveis  

Em queda livre, Temer sofrerá impeachment

SENADO ABRE ESPAÇO PARA ELEIÇÃO INDIRETA SE TEMER VIER A SER AFASTADO  – Em meio a uma profunda crise política que paralisa o governo Temer, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou ontem (23) a regulamentação da eleição indireta para presidente e vice-presidente da República em caso de vacância de ambos os cargos nos dois últimos anos do mandato presidencial. O autor do projeto é o o senador Ronaldo Caiado (DEM), que o havia apresentado em meio à crise política do golpe contra Dilma. Arovado agora, cabe como uma luva à pretensão do DEM e de segmentos da direita parlamentar e empresarial de alçar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também do DEM, à Presidência da República. Se não houver recurso para análise em Plenário, o projeto segue para a Câmara dos Deputados. O projeto de lei (PLS 725/2015), do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), regulamenta o parágrafo 1º do artigo 81 da Constituição, onde já está previsto que essa eleição será indireta, ou seja, ficará a cargo do Congresso Nacional, e será realizada 30 dias após a vacância dos cargos.— O projeto vem normatizar a situação, os partidos poderão apresentar candidatos, sejam deputados e senadores ou qualquer outra pessoa, desde que seja do entendimento. Que se coloque como pré-candidato e seja eleito à votação de deputados e senadores — explicou Caiado. Regras Os sucessores escolhidos nesse processo deverão exercer suas funções pelo tempo que falta para o término do mandato presidencial. Nos 15 dias seguintes à vacância, os partidos ou coligações poderão registrar seus candidatos junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os candidatos a presidente e a vice-presidente da República vão ser registrados em chapa única. De acordo com o PLS 725/2015, os deputados federais e senadores que estejam exercendo seu mandato, reunidos em sessão unicameral convocada exclusivamente para essa finalidade, serão os habilitados a votar nessa eleição indireta. O voto será secreto e registrado em cédulas. Concluída a votação, a Mesa do Congresso Nacional vai apurar os votos e, se nenhuma chapa alcançar a maioria absoluta, um segundo turno será realizado com as duas chapas mais votadas. Depois de proclamado o resultado, o presidente e o vice-presidente da República eleitos tomarão posse e prestarão compromisso na mesma sessão em que ocorrer a eleição. Impeachment e lacuna constitucional Caiado apresentou o PLS 725/2015 em meio à crise instaurada no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), quando se cogitava um processo de impeachment para afastá-la da Presidência da República. O parlamentar aproveitou o momento político do país, em que se questionava o mandato de Dilma, para encaminhar a regulamentação dos dispositivos da Constituição Federal que tratam da vacância dos cargos de presidente e vice-presidente da República. “Torna-se imperiosa a colmatação dessa lacuna no ordenamento jurídico, mediante a edição de lei que regule o processo de eleição do Presidente da República pelo Congresso Nacional”, defendeu Caiado na justificação do projeto. Linha de argumentação similar foi adotada pelo relator, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), ao recomendar a aprovação do PLS 725/2015. “No mérito, o PLS é absolutamente louvável, não só por buscar suprir uma inolvidável lacuna normativa, mas também por fazê-lo de forma técnica e constitucionalmente impecável, inclusive com a necessária obediência às regras de eleição por maioria absoluta; de possibilidade de segundo turno; e de realização de sessão unicameral”, destacou Anastasia no parecer. Voto secreto e emendas Ao analisar a eleição indireta proposta, Anastasia admitiu a possibilidade de se questionar a constitucionalidade da adoção do voto secreto. Mas, para afastar esse risco, o relator invocou decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) — relativa às constituições estaduais — afirmando que a definição do tema cabe à “discricionariedade do legislador”. E reforçou a tese ao considerar que “a opção pelo voto secreto é bastante plausível, já que os parlamentares estão, no caso, atuando como eleitores, a quem se assegura o sigilo do voto”. Anastasia corrigiu o que considerou duas omissões no texto. Estabeleceu, nesta eleição presidencial suplementar, que as candidaturas devem obedecer a todas as condições de elegibilidade e hipóteses de inelegibilidade previstas na Constituição e na legislação eleitoral. Também deixou claro que, enquanto os cargos de presidente e vice-presidente da República estiverem vagos e os eleitos ainda não tiverem tomado posse, serão chamados a exercer a Presidência da República, sucessivamente, o presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do STF. Determinou, ainda, que a eleição indireta será descartada se a última vacância ocorrer a menos de 30 dias do fim do mandato presidencial.

Greve de caminhoneiros e seus efeitos são problemas de governo

 Janio:  “pararam um país parado” Janio de Freitas, hoje, detalha a evidência que, ontem, já era possível perceber: o governo nacional entrou em profundo colapso de autoridade e, pior, colapso de perspectivas. Como o processo eleitoral foi amputado de Lula, todos os diminutos neoprotagonistas de uma eleição sem tendências brigam pelos fiapos de poder que bailam ao vento, diante de um governismo sem chefe e um oposicionismo sem feição. Janio, com maestria, já resume tido na primeira frase: “Os caminhoneiros param um país parado”. O que não significa que não irá se mexer. Mais para baixo, ainda. Greve de caminhoneiros e seus   efeitos são problemas de governo                                                                                                                                                      Janio de Freitas, na Folha Os caminhoneiros param um país parado. Sua greve atinge o que ainda respira, aos estertores, no dia a dia do país. A lenga-lenga da retomada de crescimento, propagada por uma articulação entre temerosos das eleições e economistas do bolsão neoliberal, já ruíra sob o jorro dos números mais ou menos reais. Como o do desemprego crescente e o da produção industrial em coma. Greve de caminhoneiros e seus efeitos são problemas de governo. Este, por sua vez, dotado de todos os meios para encaminhar soluções. Eis o que de fato aconteceu: não o governo, mas os presidentes da Câmara e do Senado tomaram a iniciativa de pensar em resoluções que, se capazes de dissolver a greve, ambos fariam aprovar nas respectivas Casas. Presidência, ministérios, Petrobras, trocavam mensagens, marcavam reuniões para o dia seguinte, contrapunham-se em hipóteses e rejeições. O governo que não chegou a governar proclamou sua inexistência. Temer, o perplexo, fez renúncia branca, com a admitida passagem da responsabilidade do Executivo para o Legislativo. Não foi melhor nem pior para o país, porque, embora melhor que a omissão, foi mais um avanço na bagunça institucional. Como os anteriores, prenúncio de outros. Mas o passo de Rodrigo Maia e Eunício Oliveira pede cautela na apreciação. Mesmo como resposta devida, e não dada pelo governo, à situação de emergência, é duvidoso que não o inspirasse (também) outra motivação: o proveito eleitoral. Um, imaginado candidato à Presidência; o outro, já concorrendo ao governo do Ceará. As TVs deram-lhes o ganho, entre grevistas e em mais partes do eleitorado, por sua atitude. São desnecessárias sondagens para saber-se o que Temer recebeu. Nada muito diferente do que, se lembrado, coube a Henrique Meirelles, agora candidato oficioso do desistente Temer e, até prova contrária, futuro candidato do MDB. O que dá certa força a tal possibilidade é a disposição de Meirelles de pagar sua campanha, deixando a parte que a ela caberia, no Fundo Eleitoral e no MDB, aos candidatos em geral do partido. A cenoura pendente diante do burrico. Mas não só. A doação da dinheirama ameaça Meirelles de ser mais candidato à cristianização do que à Presidência. Cristianizado, no jargão político, é o candidato que, como Cristiano Machado, se vê sucumbido pela adesão dos correligionários, com a bênção do partido, a outro candidato. No caso original, o apoio eficaz e indeclarado foi dos políticos do então PSD, de Cristiano, ao favorito e vencedor Getúlio. Engordar os bolsos da campanha e os próprios com a parte alheia não exige acompanhar o doador para o fundo. E, se ele for bem, é só desarmar a traição e viver o pequeno constrangimento de passar por leal. Via Fernando Brito – Tijolaço

170 mil jovens saem da Faculdade, após queda da presidenta Dilma

 O aumento expressivo do desemprego entre os jovens durante os anos de crise não preocupa apenas pela queda na renda das famílias. Ele se reflete na formação. Mais de 170 mil brasileiros, com idades de 19 a 25 anos, abandonaram a graduação só no ano passado e tiveram de adiar o sonho de ascender socialmente pelos estudos. Estadão Na fila do seguro-desemprego, Miguel Júnior, de 23 anos, admitia que a faculdade de Engenharia ficaria para depois. Filho de uma empregada doméstica, ele dependia do emprego em um centro de distribuição de medicamentos para pagar os estudos, mas o corte de funcionários começou há dois meses. “Já escolhi a faculdade, mas preciso fazer uma poupança antes de começar o curso. O que mais tenho são amigos que tiveram de parar a faculdade na metade, quando a crise apertou.” A desistência não cresce apenas em anos de crise, mas esse movimento havia sido bem menor em anos anteriores, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, compilados pela consultoria LCA. A média do aumento do estoque de estudantes que tiveram de abandonar seus cursos de graduação era de cerca de 5% ao ano, entre 2013 e 2016. Essa evasão aumentou 47,8% entre 2016 e o ano passado, acompanhando o movimento de fechamento dos postos de trabalho e a redução da oferta de financiamento estudantil. “Isso também tem a ver com o aumento da oferta do ensino superior e com o maior acesso às universidades nos anos anteriores à crise. A evasão é naturalmente grande, mas em 2017 foi pior pelas restrições de emprego e de renda”, avalia o economista Cosmo Donato, da LCA. “O aumento da evasão faz todo o sentido, também pela redução da oferta do Fies (programa de financiamento estudantil) nesse período. O que a gente chama de restrição de crédito para os estudantes foi muito grande nos anos de crise, sem financiamento e, vendo a renda da família diminuir, o jovem acaba não tendo uma outra saída.” Com a erosão das contas públicas, o governo também restringiu o acesso ao Fies. Em 2017, foram 98,9 mil contratos. Esse número tem caído desde 2014, quando foram 732,7 mil. (…)

Não os vejo, nem os escuto – Por Tiago Muniz Cavalcanti

“Agora observo as ruas vazias Não há músicas, danças, alegoriasCoreografiasDe repente, tão de repente, um silêncio devolutoJá não os vejo, nem os escuto Onde estão as detenções, as conduções, as coerções, as manifestações?Subitamente, restaram apenas convicçõesE oraçõesPresunções, suposições, delações, powerpoint e jejum absolutoEu não os vejo, nem os escuto Por que se escondem? Por que se calam?Íntegros, moralistas e legalistas nesta hora apenas paramE já não falamTodos sumiram, não há ninguém, nenhuma sombra, tampouco um vultoNão, eu não os vejo, nem os escuto Andavam informados, indignados, revoltados, inconformadosEstão quietos, mudos, fechados, caladosAmuadosNão ouço fogos, não ouço gritos, está tudo muito confusoJá não os vejo, nem os escuto Desfilavam de verde, de amarelo, hasteavam a bandeira nacionalSímbolo do amor à pátria, de um nacionalismo sem igualIncondicionalHoje vendem a terra, a água e o óleo, entregam tudoEu não os vejo, nem os escuto Se diziam apartidários, imparciais, desapaixonadosNovos heróis, festa no prostíbulo, na parede seus retratosCaricatosMudam a lei, cortam direitos, transformam o que é justo em injustoJá não os vejo, nem os escuto Havia panelas, bandeiras, cartazes contra corrupçãoBradavam pela moral, pela ética, clamavam por saúde e educaçãoMera ilusãoJá não há vigília, zelo e desvelo,o país está em lutoÓ, meu Deus, eu não os vejo, nem os escuto Onde ficaram a razão, a emoção, a compaixão, a determinação?Livraram os ratos, as quadrilhas, os bandidos que comandam a naçãoTosca armaçãoOnde estão as pessoas, os patos, os bonecos? Não há nada, não há ninguémNão os vejo nem os escuto, mas os conheço muito bem.” Poesia de Tiago Cavalcanti, Procurador do Trabalho.  * Tiago Muniz Cavalcanti é Procurador do Trabalho  

Zé Dirceu: Subestimamos a direita e politizamos pouco a sociedade

 O EM CIMA DA NOTÍCIA reproduz a entrevista que o ex-Ministro José Dirceu concedeu a Rafael Tatemoto, do Brasil de Fato, na segunda-feira 14/V – 4 dias antes de se entregar à Polícia Federal para cumprir prisão perpétua: ENTREVISTA Brasil de Fato | Ex-ministro Zé Dirceu analisa conjuntura brasileira e avalia deficiências de governos petistas Dirceu participa de encontro do PT em porto Alegre em 2013 / Foto: PT Apesar da convicção de que seria preso em breve, José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil no governo Lula e um dos principais formuladores políticos do Partido dos Trabalhadores (PT), se mantinha calmo quando recebeu o Brasil de Fato, na segunda-feira (14), para a última entrevista formal que daria antes de ter sua prisão determinada pela segunda vez. Dirceu se apresentou à Polícia Federal (PF) na tarde desta sexta (18) para cumprir a pena de 30 anos e nove meses de prisão confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) na última quinta (17). Quatro dias antes do prazo para, mais uma vez, ser encarcerado, o petista expressou apenas preocupações pessoais em relação à sua família. A grave situação não o impediu de realizar uma autocrítica em relação aos governos de que participou. Para ele, as questões centrais foram “subestimar a direita” e a “pouca politização e pouca disputa política” por parte do PT. De outro lado, um diagnóstico otimista: “Não é impossível derrotar os golpistas nesta eleição”. Para isso, é necessário ter “um candidato único no segundo turno”. A conversa abordou também temas como junho de 2013, a relação do PT com a mídia e as opções políticas tomadas nos últimos anos. Confira a íntegra abaixo. Dirceu é empossado ministro da Casa Civil pelo presidente Lula, em 2003 Brasil de Fato: A conjuntura atual é marcada pela queda de Dilma Rousseff. Quais deficiências da esquerda permitiram que isso acontecesse? Zé Dirceu: O golpe tem razões estruturais. Se você olhar a História do Brasil, vai verificar que de tempo em tempo –conforme o nível de organização, politização e, principalmente, ocupação de espaços institucionais, no sentido eleitoral, de governo e parlamentar, como também de auto-organização das classes populares— sempre há uma interrupção do processo. Foi assim em 1964 e se repetiu em 2016. Em outros momentos houve tentativa de golpe, como em 1955, tentativa de impedir a posse de Juscelino. Em 1945, Getúlio foi deposto por um golpe da cúpula das Forças Armadas, elegeu Dutra, voltou nos braços do povo e foi “suicidado” em 54. O golpe foi dado pelo que representavam histórica e estruturalmente a médio prazo as transformações que estávamos fazendo e o empoderamento político. As classes trabalhadoras criaram muitas vezes partidos, entidades, movimentos, mas foram abortadas pela repressão. Se você olhar a questão do pré-sal, dos bancos públicos, a política externa. A capacidade que o Brasil estava adquirindo, de ter autonomia, soberania e crescimento. As bases que estavam sendo criadas para um mercado interno, através da distribuição de renda. Participação nos Brics. Aqui a Unasul. O processo de crescimento de governos progressistas. Tudo isso pesou no golpe. Nós estamos em uma situação muito diferente de outros momentos. Nós temos um candidato que ganharia as eleições, temos partidos políticos, movimento social, seja rural, urbano ou sindical. Tem um nível de organização. A correlação de forças é desfavorável a nós, mas temos uma base social e política, um legado. Há um nível de conscientização razoável para travar a luta, até mesmo a luta institucional. Tanto é que eles, para fazer a eleição, têm que inabilitar o Lula. Já fizeram outras vezes. Os militares cassaram Jango, Juscelino, Jânio, Lacerda, Magalhães Pinto, Adhemar de Barros. Eles perderam as eleições em 66 e perderem de novo em 74, para o MDB. E perderiam no Colégio Eleitoral em 78. Liderança do movimento estudantil, Dirceu integrou a resistência armada à ditadura No caso particular, nós estivemos no governo um período maior: 13 anos e meio. Um processo bem longo de hegemonia política. Ganhar quatro eleições em um país como o Brasil não é para amador. Nossa debilidade talvez tenha sido não ter o nível de organização e mobilização para se contrapor ao tipo de golpe que tem sido dado agora em vários países, que é a mobilização de classes médias, às vezes de classes populares, muito apoio da mídia, a partir de razões muitas delas reais, muita intervenção externa e uso do Parlamento e do Judiciário. Foi o caso de Honduras, Paraguai e depois Brasil. O golpe foi a saída que tiveram para abortar a volta do Lula em 2018, que seria natural. Em 2014, ele deveria ter sido o candidato, mas optou por não ser. Elegeu a Dilma, mas poderia ter sido candidato. Mas o nível de conscientização, mobilização e capacidade de luta das classes populares foi de grande fragilidade, e continua sendo até hoje. Nós subestimamos muito a questão da luta contra a corrupção. A história do Brasil é a luta contra a corrupção. O Jânio foi isso. O Collor foi isso. O Golpe de 64 era contra a corrupção. Nós não nos preparamos para a possibilidade de ter um golpe. Desde 2005, no chamado Mensalão, nós erramos na avaliação do que estava acontecendo. Fomos recuando, fomos perdendo terreno. Por fim, eles puseram a cara para fora. Agora eles estão aí, querendo institucionalizar o golpe. Daqui a pouco criam um sistema político-eleitoral de mentira. Tirando o Parlamento, em que é difícil fazer maioria –por isso falam em semi-presidencialismo toda hora, porque a Presidência da República a gente pode chegar, se não for agora, daqui quatro anos. Eles não têm como impedir que a gente ganhe uma eleição presidencial. Ganhar quatro eleições em um país como o Brasil não é para amador. Nossa debilidade talvez tenha sido não ter o nível de organização e mobilização para se contrapor ao tipo de golpe que tem sido dado agora em vários paísesRepito: a prova disso é o banimento do Lula. Por que só ele está banido? Por que nenhum outro acusado “de corrupção”? Os processos contra os

Desalento – 27,7 milhões de pessoas sem emprego no Brasil

 PESQUISA do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), publicada na quinta (17), mostra que o desemprego é ainda pior do que vem se anunciando.  Falta trabalho para 27,7 milhões de pessoas. Destes, 13,7 milhões procuraram emprego mas não encontraram.A situação é ainda pior no Nordeste, a taxa chega a 15,9%. Esse é o maior contingente desde o início da série histórica, em 2012. A taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui os desempregados, pessoas que gostariam de trabalhar mais e aqueles que desistiram de buscar emprego, bateu recorde no primeiro trimestre, chegando a 24,7%.O IBGE aponta recorde para a taxa de desalento da força de trabalho, que indica as pessoas que desistiram de procurar trabalho.No primeiro trimestre esse índice atingiu 4,1% – são 4,6 milhões de pessoas nessa condição, 60,6% deles na região Nordeste. Pesquisa revela descrença da sociedadeO avanço brutal do desemprego e arrocho da renda, sociedade sinaliza descrédito em relação às reformas de Michel Temer.Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostra que 31,5% dos entrevistados a geração de emprego no país vai piorar. Em março, o percentual era 31%. Houve queda para aqueles que acham que a geração de emprego vai melhorar (21,7%), em março esse índice era de 28,9%. No quesito renda, 20,6% avaliaram que a renda pode aumentar nos próximos 6 meses, mas esse quantitativo também caiu. Em março essa expectativa era de 23,3%. O país do “se vira”Por Fernando Brito – Tijolaço Dias atrás, o senhor Michel Temer inovou na ciência econômica ao proclamar que os números que davam conta do aumento da desocupação de milhões de brasileiros eram fruto do “desemprego psicológico”. Na estranha e cínica deformação da mente temerina, o resultado se devia ao fato de que, com a “retomada” da economia, as pessoas que estava desalentadas, desistindo de procurar uma colocação, teriam “se animado” a procurar uma vaga, tamanha a nova pujança econômica. Aí vem o IBGE e prova que aquilo que parecia uma idiotice, afinal, uma idiotice mesmo. Porque aconteceu, sim, mas o contrário: desde o golpe, quase dois milhões de brasileiros desistiram de procurar um emprego e, como não podem desistir de viver e de dar comida para as crianças, foram “se virar”. Do comércio de rua, aos bicos – que rareiam – até o inimaginável. Diz a chamada de capa de O Globo, cruamente, que a taxa de desemprego só cedeu alguns décimos porque 500 mil pessoas saíram no mercado de trabalho para a inatividade em apenas um trimestre. Dá para imaginar o que nos aguarda logo adiante, agora que o que era ruim piorou e até a mídia oficialista aceita que estamos à beira de uma novo espasmo de crise? Segunda-feira, assisti uma destas operações de retirada da “casa” de moradores de rua, um amontoado de tapumes de obra feito para proteger um casa e seus dois fihos do frio da noite. Ontem, estavam lá outra vez, mas sem os tapumes e, claro, com o frio e a chuva. O que vi, qualquer um pode ver nas ruas de nossas cidades maiores, onde a solidariedade diminui à medida em que os prédios crescem. Vai piorar e piorar. O “Super-Homem Moro” e seus coleguinhas da Liga da Justiça, que transformaram o Brasil no paraíso da honestidade deveriam, ao menos, entender que o único auxílio-moradia que esta gente sem esperança está recebendo são os restos de tapume para abrigar sua miséria. Mas não vão, vão usar o mesmo conceito canalha do “desistiu de buscar emprego” como prova de indolência, como se os miseráveis deste país tivessem resolvido “viver de renda”.