Mataram a nossa democracia e os abutres estão assanhados

 A democracia está morta. É preciso providenciar com urgência suas exéquias, antes que os urubus a devorem! Por Mauro Santayana Um caixão de pinho está barato. Custa pouco mais de 500 reais, embora o Campo da Esperança – nunca um nome foi tão apropriado – informe que houve reajuste na tabela e o preço do jazigo de uma gaveta tenha saltado de R$ 638,50 para R$ 668,89 e que a locação de uma capela para velório padrão 1 – o que quer que queira dizer isso – passará a custar R$ 253,34 e não mais R$ 241,83. Considerando-se a condição física e de saúde da falecida, podem também servir, à moda nordestina e graciliana, apenas alguns sacos – que poderão ser costurados por quem a isso se habilite – desses que se encontram, todas as manhãs, nas caçambas de lixo, desde que não tenham sido furados pelos ratos e pelos pombos que ali comparecem para tomar a sua primeira refeição ao amanhecer. Ou se pode, quem sabe, fazer uma vaquinha, se alguém se habilitar a comparecer e enfiar a mão no bolso. Ou lançar na internet uma campanha de financiamento coletivo, dessas de modestíssimo orçamento e prazo mais curto ainda, limitado pela premência do objetivo e das circunstâncias, de não mais de meia hora, por favor. O importante, da parte de quem com ela conviveu; de quem um dia a defendeu; de quem a ajudou na sua volta; depois da prisão e do exílio, ao Brasil; de quem vibrou a cada passo que ela dava, enquanto crescia, mais uma vez, no coração do povo, depois de pisoteada e conspurcada nos anos de chumbo; de quem tentou avisar, pregando no deserto, que ela iria novamente para o saco, devido à irresponsabilidade golpista e às hesitações, equívocos e à inação estratégica da esquerda, principalmente na internet e no campo da comunicação; é que ela não fique sem enterro, ou jogada em uma vala comum, como indigente, embora, usando certa licença poética, fosse, digamos, mais democrático ou mais justo com tantos que morrem anonimamente, neste país, que seu cadáver fosse apenas desovado, na calada da noite, no meio do mato, nos muitos cemitérios clandestinos que cercam as metrópoles brasileiras. Usando o Whats App, que é mais barato, é preciso que se comunique ao mundo, e à família, incluídos aqueles primos distantes que por canalhice ou covardia não irão aparecer no enterro, que a Democracia morreu ontem, pouco depois da meia noite, depois de vários atentados e longa perseguição e sabotagem que durou mais de 10 anos, no plenário do Supremo Tribunal Federal, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Não foi por falta de aviso. O julgamento do mensalão, com a importação e adaptação calhorda da Teoria do Domínio do Fato, para dar vida a uma denúncia feita por ladrões apanhados roubando nos Correios, para implementar a transmutação mentirosa de um esquema até então legal de financiamento de campanha no “maior escândalo da História do Brasil” foi o primeiro deles. As famigeradas Jornadas de Junho, ao estilo Primavera Árabe, imediatamente infiltradas por golpistas e defensores dos assassinatos e torturas da ditadura, e de uma intervenção militar, foram o segundo. Houve também o Golpe no Paraguai, contra Lugo. A primeira votação do impeachment de Dilma e a segunda. O primeiro julgamento de Lula e o segundo. E agora o terceiro, promovido por um esquema jurídico que aceitou distorcer, de fato, a interpretação de suas leis e a essência da Constituição, para impedir a qualquer custo a candidatura de um cidadão que está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto e a sobrevivência política de sua agremiação partidária. O republicanismo pueril e a adoção, por um governo de esquerda, de novas leis fascistas, depois de cair no conto do vigário do combate à corrupção, também deveriam ter servido de alerta de que estávamos encampando a arbitrariedade e a hipocrisia e nos encaminhando para um regime cada vez mais nefasto, perigoso e infame. Na ânsia de acalmar a cadela de Brecht – o monstro insaciável do fascismo – fomos levando, qual Abraão para o holocausto, filho por filho, cedendo, como a Chapeuzinho Vermelho indo para a anunciada e inexorável cena na casa da Vovó, a cada vez que era abordada pelo lobo no caminho. Sempre acreditando, com uma ingenuidade – ou arrogância, o que não deixa de ser a mesma coisa – dignas de piedade, que o caçador e a salvação iriam aparecer depois da próxima curva. Now Ines is dead. A partir do Lulaço de ontem – como deverá ficar conhecido na história brasileira – fica decretado e totalmente estabelecido e sancionado pela maioria dos Ministros da Suprema Corte que qualquer cidadão pode ser condenado sem provas a mais de 12 anos de prisão em regime fechado, com base na mera delação de desafetos ou de investigados presos prévia e “provisoriamente” por semanas ou meses. Pelo testemunho, sem provas tangíveis, de quem a isso foi obrigado pela pressão dos acusadores e a imperiosa motivação de recuperar – ainda que de tornozeleira – sua liberdade. Que não poderá um cidadão – ou melhor, sua mulher – desistir, no meio do caminho, da compra de um apartamento, que apesar disso ele será considerado – apesar de não ter nenhuma escritura em seu nome – seu proprietário. Mesmo que esse bem tenha sido publicamente usado e indicado como garantia em negócios, dívidas e contratos, pela construtora que ergueu o empreendimento. Que bastará, sem fundamento, a confirmação automática de uma injustiça em segunda instância, para que, no lugar de ser corrigida, ela seja reiterada e o cidadão vá para a prisão, inapelavelmente. Em um país em que há cem milhões de processos em andamento e 40% dos cidadãos que se encontram atrás das grades são presos provisórios, na maioria das vezes sem acesso a qualquer tipo de assistência jurídica. Fica, ainda, complementar e paralalemente estabelecida, a prevalência de uma tal de “jurisprudência democrática”, a Lei Pilatos, o iudex vulgus. Bastando para a prisão do cidadão, ainda

Juizeco canalha e serviçal da Globo manda prender, sem provas, o ex-presidente Lula

O canalha juizeco Sérgio Moro determinou nesta quinta-feira 5 a prisão do maior presidente da história do Brasil, condenado em segunda instância no caso do triplex do Guarujá, menos de 24 horas depois da decisão do Supremo Tribunal Federal que negou o habeas corpus a Lula, na noite desta quarta.   A ordem foi determinada pelo canalha do Moro mesmo com a possibilidade ainda dos embargos dos embargos pela defesa no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). O Tribunal de Porto Alegre emitiu um ofício dando a Moro autorização para a execução da pena. A militância foi convocada pelo PT de São Bernardo para uma manifestação nesta sexta-feira 5 em São Bernardo do Campo, região do ABC Paulista. Na convocação, a presença do ex-presidente estava confirmada. Moro ordenou que Lula se apresente até 17h desta sexta. Juizeco canalha e serviçal da Globo manda prender, sem provas, o maior presidente da história do Brasil   O canalha juizeco Sérgio Moro determinou nesta quinta-feira 5 a prisão do ex-presidente Lula, condenado em segunda instância no caso do triplex do Guarujá, menos de 24 horas depois da decisão do Supremo Tribunal Federal que negou o habeas corpus a Lula, na noite desta quarta.    A ordem foi determinada por Moro mesmo com a possibilidade ainda dos embargos dos embargos pela defesa no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). O Tribunal de Porto Alegre emitiu um ofício dando a Moro autorização para a execução da pena.   A militância foi convocada pelo PT de São Bernardo para uma manifestação nesta sexta-feira 5 em São Bernardo do Campo, região do ABC Paulista. Na convocação, a presença do ex-presidente estava confirmada. Moro ordenou que Lula se apresente até 17h desta sexta.   Confira aqui o despacho de Moro.   Confira aqui o ofício do TRF4.

Cármen Lúcia que salvou Aécio com voto decisivo, manda Lula para prisão

A tucana vampira norte mineira atendeu a Globo e decidiu a favor dos reacionáriosLewandowski: o STF decidiu que o direito de propriedade está acima do direito à liberdade!  A serviçal Carmén Lúcia que deu o voto decisivo para livrar Aécio da prisão, agora deu o voto decisivo para prender Lula, no mesmo placar similar a que chegou até ela quando votou para livrar Aécio (5×5) e agora votou para prender Lula, relembre como foi o voto decisivo dela para salvar Aécio: A presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, transformou a decisão que questiona a aplicação de medidas restritivas de liberdade contra deputados e senadores pela Corte numa imensa lambança. O Supremo já teve sessões ridículas, mas essa foi historicamente ridícula. Porque depois de 12 horas de discussão e votações a presidenta do STF tentou fazer de conta que não estava votando de forma seletiva. Mas o seu voto num primeiro momento foi absolutamente claro: “salvo afastamento do mandato ou em caso de constrangimento”. Ou seja, exatamente como no caso específico de Aécio Neves. Depois do questionamento do relator Edson Facchin, deu-se quase mais 1 hora de debate, com Aécio contando com Alexandre Morais mais como um advogado de defesa, do que como um juiz. Ao final, ficou decidido que pra que um parlamentar seja afastado do mandato, sua casa legislativa precisa concordar. O único objetivo disso era preservar o senador Aécio Neves, atual presidente afastado do PSDB. Como se sabe, o pai do golpe contra Dilma. E que conta com ampla maioria no Senado para se livrar do constrangimento de ter que continuar dormindo na sua casa. O relator, ministro Edson Fachin, votou para que decisão não fosse submetida ao aval da Câmara e do Senado. Votaram com Fachin: o decano Celso de Mello, Rosa Weber, Luis Fux e Luis Barroso. Votaram contra o encaminhamento de Fachin: os ministros Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes, Lewandovski, Dias Toffoli, Alexandre de Morais e Carmem Lúcia. O blogueiro tem muitas dúvidas sobre se este tipo de decisão do Supremo é ou não um desiquilíbrio dos poderes. Mas o que ficou claro nesta votação é que parte do STF não estava preocupado com isso, mas com a situação do presidente do PSDB, homem forte do Senado. Ou seja, a votação foi uma vergonha. A decisão de Carmem Lúcia e sua condução no julgamento foi muito mais vergonhosa ainda. E a ação de Alexandre Morais como advogado de defesa de Aécio. Bem, neste caso a vergonha se torna algo mais sério. Algo absolutamente asqueroso.

PROTESTOS PELA PRISÃO DE LULA FRACASSAM NO PAÍS INTEIRO

 – Com o golpe desmoralizado, assim como os movimentos que vinham convocando mobilizações, as manifestações desta terça-feira, 3, para pressionar o Supremo Tribunal Federal a negar o habeas corpus do ex-presidente Lula tiveram baixa adesão pelo país. Em Brasília, o ato em frente ao Congresso Nacional foi um fiasco, reunindo poucas pessoas.  Manifestantes se concentram em frente ao Congresso Nacional, em um ato convocado pelo @MBLivre e o @VemPraRua_BR, na véspera do julgamento no STF do habeas corpus preventivo pedido pela defesa de @lulapelobrasil. Eles pedem a prisão do ex-presidente, já condenado em 2ª instância. pic.twitter.com/DNxV5uSqB0 Os grupos antipetistas criticaram diversas vezes as manifestações de esquerda em dia de semana. Contrariando o que pregavam, os atos que pedem a condenação do ex-presidente @lulapelobrasil acontecem em plena terça-feira, antes do fim do expediente. pic.twitter.com/VjeVeM355l No Rio, o grupo Vem Pra Rua não conseguiu juntar mais que algumas centenas de manifestantes em frente ao hotel Rio Othon Palace. Mais atrás, em frente ao Posto Cinco, algumas dezenas de pessoas se reúnem em torno do trio elétrico do Movimento Brasil Livre (MBL). Já na Avenida Paulista, manifestantes se reuniram perto do Masp para pedir a prisão do ex-presidente. Nem de longe lembra os atos pelo golpe contra a presidente legítima Dilma Rousseff, que receberam apoio total da mídia e chegaram a lotar a Paulista. Em São Paulo, apoiadores de Lula fizeram vigília na Praça da República, no Centro da capital e em frente ao prédio onde ele mora, em São Bernardo do Campo. Os atos convocados na véspera do julgamento do STF ocorreram em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Fortaleza, Recife e Aracaju. Até o jornalista Ricardo Noblat reconheceu o fracasso das manifestações: Até a esta hora, são mixurucas as manifestações país a fora contra a concessão pelo STF de habeas corpus para manter Lula solto.

A mídia, em fúria, pressiona o STF – Por Fernando Brito, do Tijolaço

Nos sites da grande imprensa, hoje, sucedem-se as manifestações prometendo o caos e o fim do mundo no caso de ser concdedido o habeas corpus em favor de Lula. Ainda bem que a estação chinesa já caiu no Oceano Pacífico, senão até a sua queda ia ser atribuída à concessão da ordem para que o ex-presidente recorra em liberdade. Dallagnol, Carlos Fernando, Raquel Dodge, todos e qulaquer um que se disponha a fazer terrorismo dizendo que uma decisão favorável a Lula vai libertar pedófilos, estupradores, homicidas. Em coro, Leitão, Merval, Cantanhede e outros uivam. Exceto por São Paulo, onde a extrema-direita segue forte – aguardem para ver como a dobradinha Dória-Bolsonaro virá forte de lá – no resto do país foram “minifestações” as dos fascistas. Vale tudo para criar um clima de histeria, como se os juízes fossem proibidos de decretar prisões para quem ofereça risco ou possa usar de poder para obstaculizar a Justiça. Se fosse assim, como é que Moro manteve presos, por meses a fio e até mais de um ano, empresários acusados na Lava Jato antes mesmo de condenados em primeira, muito menos segunda, instância? O que eles temem é que o Supremo, mesmo com imenso atraso e ínfima minoria, ponha um freio simbólico à escalada autoritária do Judiciário. E ao acanalhamento que faz com que oportunistas togados, como o aspirante a Sérgio Moro do STF, Luís Roberto Barroso, possam fazer da corte um palanque político.

Quem paga os anúncios da “manifestação espontânea”? Por Fernando Brito

 Anúncio colorido na primeira página do Estadão e da Folha custa uma fortuna, algo perto de meio milhão de reais, nos dois jornais. E de onde veio a fortuna que bancou os anúncios do tal “Vem Pra Rua” na capa das edições de hoje, de ambos? Da venda de canequinhas? Quem é o financiador das “manifestações espontâneas”? Isso não é notícia, não tem interesse público? Aguarda-se que a “imprensa livre” procure saber. A começar pelo CNPJ do Vem Pra Rua, que não aparece em suas páginas e nem das doações pelo PayPal, que o próprio site diz serem administradas por uma ONG de nome Abraça. A única organização que foi possível localizar com este nome é uma associação de apoio às crianças autistas de Fortaleza, que não posso crer que esteja sendo usada para isso. É dever jornalístico saber de onde vem essa “bolada”. Ou, se entrou dinheiro no departamento comercial, isso “não vem ao caso”. Por que, se tanto se interessaram pelos “blogs sujos”, como este, que nunca recebeu um anúnciozinho sequer de governos petistas? A pressão movida a dinheiro a senhora aceita, Dra. Cármen Lúcia? Via Tijolaço

Pesquisa da CNI comprova o desmonte da Educação depois do golpe

COM TEMER, PERCEPÇÃO DO BRASILEIRO SOBRE QUALIDADE DO ENSINO PIOROU, DIZ CNI – Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada em parceria com o movimento Todos Pela Educação, aponta que 26% dos entrevistados consideram o ensino no nível médio do país como ruim ou péssimo. Em 2013, quando levantamento semelhante foi feito, o percentual era de 15%. No nível fundamental, o percentual passou de 18% para 27%. O percentual dos que consideram o ensino médio como ótimo ou bom caiu de 48% para 31% e no ensino fundamental o percentual passou de 50% para 34%. Segundo a pesquisa, 12% dos brasileiros acreditam que o aluno do ensino médio das escolas públicas está bem preparado para se inserir no mercado profissional e 23% dizem que está despreparado. A pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira – Educação Básica foi realizada pelo Ibope Inteligência e ouviu 2 mil pessoas entre 15 e 20 de setembro do ano passado em 126 municípios. De acordo com os dados, aumentou de 61% para 74% o percentual dos que concordam totalmente que um ensino de baixa qualidade é prejudicial para o desenvolvimento do país. A pesquisa aponta também que 81% das pessoas concordam que o problema da educação no país podem ser atribuídos à má utilização das verbas destinadas ao setor. Notas Os entrevistados deram notas para as condições gerais das escolas públicas de ensino fundamental e médio. Entre 10 fatores avaliados, em uma escala de 0 a 10, as notas médias variam de 3,7 a 6,3. A segurança nas escolas obteve a pior média na avaliação da população sobre as condições gerais das escolas públicas (3,7). O material didático digital, o acesso a computador com internet e as atividades extracurriculares também estão entre os itens com notas mais baixas. Soluções Entre as principais ações apontadas para melhorar o desempenho dos alunos do ensino básico público foram apontadas as seguintes iniciativas: equipar melhor as escolas, ações para estimular a participação dos pais na cobrança por uma boa escola, ações para aumentar a segurança nas escolas e para melhorar o sistema de ensino. Também foram citadas a necessidade de aumentar o salário dos professores e elevar o número de docentes, além de ações para melhorar a formação docente. Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Educação informou que não costuma se posicionar sobre estudo que não seja oficial. Via Sabrina Craide, repórter da Agência Brasil  A golpista Raquel Muniz, aliada de Temer e Cunha, foi uma das culpadas pela derrubada de uma presidenta honesta para colocar uma quadrilha de bandidos em seu lugar para acabar com os direitos trabalhistas e previdenciários. Nestas eleições, vamos dar o troco.

E a pressão dos juízes e do MP, Dra. Cármen, a senhora aceita?

 Mil promotores e juízes fazem um “abaixo assinado”, piedosamente batizado de “Nota Técnica” para exigir do Supremo Tribunal Federal que autorize Sérgio Moro a prender Lula imediatamente. Por Fernando Brito – Tijolaço Chegam a admitir no texto, que a prova é um aspecto secundário, bem abaixo da convicção, neste trecho, onde grifo: A interpretação do princípio da presunção de inocência deve-se operar em harmonia com os demais dispositivos constitucionais, em especial, os que se relacionam à justiça repressiva. O caráter relativo do princípio da presunção de inocência remete ao campo da prova e à sua capacidade de afastar a permanência da presunção. Há, assim, distinção entre a relativização da presunção de inocência, sem prova, que é inconstitucional, e, com prova, constitucional, baseada em dedução de fatos suportados ainda que por mínima atividade probatória.Disso decorre que não é necessária a reunião de uma determinada quantidade de provas para mitigar os efeitos da presunção de inocência frente aos bens jurídicos superiores da sociedade, a fim de persuadir o julgador acerca de decreto de medidas cautelares, por exemplo; bastando, nesse caso, somente indícios, pois o direito à presunção de inocência não permite calibrar a maior ou menor abundância das provas. É de causar arrepios a quem pensa na Justiça como ferramenta da aplicação do direito e no velho – e ao que parece, aposentado – conceito de prova, agora substituído por qualquer “dedução de fatos” e pelo “em dúvida” não mais pro reu, mas pelo que achem que seja “pro societas“, em seu exclusivo conceito. Aliás, “flexibilização de princípios” é argumento que, pela sua contradição, só pode ser próprio de canalhas, porque é o mesmo que não ter princípios. Numa descarada usurpação de funções, não apenas violam a Lei Orgânica da Magistratura – que proíbe a juízes de se manifestarem “por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem” – como atuam como advogados: …os membros do Ministério Público e do Poder Judiciário abaixo assinados manifestam-se pela constitucionalidade de prisão após a condenação em 2ª instância. Como cidadãos, têm todo o direito de expressar opinião. Mas quando se qualificam e se agrupam como “membros do Ministério Público e do Poder Judiciário”, não podem. A não ser como foras da lei, algo que parece já não vir ao caso, diante de seus ódios políticos. Sabem que essa “pressão” a Ministra Cármen Lucia aceita. O Supremo, talvez não.

Depois do golpe, o Brasil cresceu pouco e a vida dos mais pobres piorou

Crescimento, precarização e desigualdade no fechamento de 2017Foram fechados no ano passado mais de 680 mil ocupações com carteira assinada no setor privado O índice de Gini, que mede a desigualdade, aumentou e sumiram milhares de empregos formais por Fabrício Pitombo Leite — via Carta Capital Na recente divulgação das Contas Nacionais Trimestrais, chama a atenção o desempenho da atividade econômica no Brasil, que deu sinais de vitalidade, com uma taxa de crescimento do PIB de 2,1% no último trimestre de 2017, na comparação com igual período de 2016. Esta taxa pode ser decomposta em contribuições positivas, nesta ordem de importância, do consumo das famílias, que cresceu 2,6%, das exportações, com taxa de crescimento de 9,1%, e mesmo da formação bruta de capital fixo, cujo crescimento de 3,8% denota reversão de uma trajetória de queda iniciada no segundo trimestre de 2014. Se tomássemos o ano como um todo, a pintura não seria tão positiva, mas, ainda assim, poder-se-ia apontar um crescimento de 1%, tanto para o PIB quanto para o consumo das famílias. Quanto ao mercado de trabalho, a julgar-se pela taxa de desocupação, estaríamos, de acordo com o IBGE, numa situação de estabilidade, com 11,8% neste quarto trimestre de 2017, ante 12% no fechamento de 2016. A partir dos mesmos dados utilizados para o cálculo da taxa de desocupação, oriundos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), igual crescimento de 2,1% poderia ser observado no total de ocupados, sempre na comparação entre os últimos trimestres dos dois últimos anos, o que significa a entrada de 1,8 milhão de indivíduos no universo dos ocupados. Enganosa, contudo, é a impressão causada por tal crescimento, ao constatarmos uma queda de mais de 680 mil ocupações entre os empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada, concomitantemente ao crescimento de quase 600 mil ocupações para empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada. Difícil não recorrermos de imediato a um termo para resumir esse comportamento: precarização. Quando se soma a isso o aumento de mais de um milhão de ocupações para trabalhadores por conta própria, o retrato fica ainda mais nítido – nunca é demais lembrar que a categoria conta própria no Brasil ganha sistematicamente menos que os trabalhadores empregados no setor privado, aproximadamente 25% a menos que a média para o conjunto dos empregados no setor privado neste último trimestre de 2017. Completam o quadro o aumento das ocupações para trabalhadores familiares auxiliares (116 mil) e para trabalhadores domésticos sem carteira assinada (332 mil), sendo que esse último grupamento, apesar do saldo positivo, também apresenta queda (–70 mil) nas ocupações com carteira. Observa-se ainda um aumento de ocupações para o setor público em geral (222 mil), já incluindo militares e estatutários, para os quais há tendência de queda nas ocupações. Finalmente, aumento de mais de 263 mil ocupações entre os empregadores. Assim, poderia ser encarada com menos surpresa a elevação da desigualdade de rendimentos neste fechamento de ano, para a qual nos voltaremos a partir de agora. Como apontavam os resultados já adiantados em análise realizada com dados até o primeiro semestre de 2017, utilizando a própria PNADC, a desigualdade passou a crescer desde o fim de 2015, sem sinais de reversão até o fechamento de 2017. O índice de Gini calculado para a Renda Domiciliar Per Capita (RDPC), a exemplo do observado em todos os outros trimestres do ano, foi o maior para iguais trimestres desde o início da divulgação da pesquisa, passando de 0,5659 no quarto trimestre de 2016 para 0,5697 neste último trimestre de 2017. O crescimento da atividade econômica parece, portanto, ter sido suficiente para um crescimento mais expressivo da renda dos relativamente pobres (3,1%), mas não o bastante para suplantar o crescimento da renda dos mais ricos (3,9%). O ritmo do crescimento da desigualdade foi, no entanto, inferior ao observado nos três primeiros trimestres do ano, possivelmente refletindo tal incremento no nível de atividade. Para acumulados em quatro trimestres, entretanto, 2017 apresentou um aumento da desigualdade superior ao observado no ano anterior: 1,64% de crescimento do índice de Gini contra 0,99% observado em 2016 (o crescimento acumulado para o fechamento de cada ano está destacado em vermelho no gráfico abaixo). Se levarmos em conta que os dados trimestrais da PNADC nos permitem tratar somente da desigualdade de mercado (metodologia utilizada e tabelas completas podem ser acessadas aqui) – do rendimento mensal efetivo de todos os trabalhos, na terminologia do IBGE, abrangendo empregados, trabalhadores por conta própria e empregadores –, em oposição à desigualdade sobre os rendimentos disponíveis pós-transferências, não é ocioso notar que tal trajetória observada de aumento da desigualdade seria ainda mais acentuada caso estivéssemos captando uma redução nas transferências de assistência e previdência social para as camadas mais vulneráveis da população. * Fabrício Pitombo Leite é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Guiados por notícias falsas e pelo ódio, cristãos matariam Jesus de novo

– Por Leonardo Sakamoto – No blog do Sakamoto  Linchamento ocorrido no Brasil em 2015 que vitimou Cleidenilson Pereira Silva, no Maranhão. Foto: Biné Morais  A tradição ibérica da Malhação do Judas no Sábado de Aleluia consiste em fazer um boneco de pano, papel, serragem, jornal, o que seja, para representar Judas Iscariotes – o delator de Jesus – e humilhá-lo, xingá-lo, surrá-lo, queimá-lo, alfinetá-lo, explodi-lo. Hoje é Sábado de Aleluia, dia anterior à Páscoa, e alguns Judas serão transformados em pó em ruas e praças de todo o país. A bem da verdade, o costume vai caindo em desuso. Para além do desinteresse de parte das novas gerações em manter vivo esse linchamento simbólico, há o fato de que, diariamente, milhares de autointitulados cristãos já escolhem seus Judas para serem malhados, sem dó ou piedade, nas redes sociais. O que me leva a crer que esse pessoal não entendeu a sabedoria presente nas palavras escritas nos evangelhos, baseadas na ideia de compaixão e de diálogo. Mais uma vez, repito: falta amor no mundo, mas também falta interpretação de texto. A começar por certos padres e pastores, políticos e comunicadores que podem até não trucidar com as próprias mãos os opositores de suas ideias, mas despejam tanto ódio a certos grupos sociais que seus fiéis e seguidores acabam fazendo o trabalho sujo, achando que estão operando a ”vontade de Deus”. Se houver algum Deus, ele deve se arrepender de ter enviado o meteoro que destituiu os dinossauros como espécie dominante do planeta. A Malhação do Judas não é um treino para linchamentos de rua que acontecem aqui e ali – provando que nós somos umas bestas quadradas. Mas a alegria de trucidar o boneco e, através desse ato, descarregar as iniquidades e injustiças que enfrentamos no dia a dia, tem um paralelo com a sensação de (falso) reequilíbrio obtido através de um linchamento, que promete ”justiça” quando a massa considera que a Justiça convencional não foi o bastante ou não funcionou. O discurso de ódio, que transforma a massa em turba, nas ruas ou nas redes, provoca distorções profundas no entendimento da realidade. As pessoas perdem a capacidade de refletir sobre suas palavras e ações. Foi o que aconteceu com Jesus, em 2014, no Guarujá, litoral de São Paulo. Fabiane Maria de Jesus não usava crianças em rituais de ”magia”, como foi acusada. Mas, mesmo assim, ela foi perseguida, espancada e morta por uma turba enlouquecida de moradores. Eram guiados por uma notícia falsa sobre sacrifício humano e um retrato falado que os agressores juravam ser ela. Nas últimas semanas, o ódio gestado na redes sociais se transformou em paus, pedras, ovos, quebrando e machucando, integrantes da caravana do ex-presidente Lula pela região Sul. Até que o ódio se converteu em tiros contra os ônibus. Estudei em escola adventista por nove anos e, ao mesmo tempo, participei bastante da vida na igreja católica perto de casa. Hoje, como todos sabem, vou para o inferno (o que não é de todo o mal porque, dizem, que lá é um lugar quentinho e tem gente legal para conversar, como Karl Marx e Stephen Hawking). Mas por conta do meu passado, sei razoavelmente o que está escrito nos evangelhos. O discurso de intolerância que grassa na boca de muita gente que se acha ”o povo de deus”, de católicos a neopentecostais, não está nos quatro livros do Evangelho cristão. Pessoas que acham um absurdo não comer peixe na Sexta-Feira Santa ou não ir à missa/culto no Domingo de Páscoa, mas enchem a boca para falar que a solução para a criminalidade é ”bandido bom é bandido morto”. E, diante das críticas ao atendimento por vezes violento a uma pessoa em situação de rua, grita ”Tá com dó? leva para casa”. Não dá para dizer para um desconhecido ”você não entendeu nada do que o tal de Jesus de Nazaré disse”. Seria muito arrogante e ofensivo à liberdade de que ele dispõe. Mas que dá vontade, ah, dá, principalmente porque liberdade não é algo absoluto, acaba quando você a usa para causar dor a alguém. Liberdade também não admite censura prévia, mas demanda responsabilidade e prevê responsabilização. O fato é que se tivessem interpretado por uma forma mais humana o que significa amar o seu semelhante como a si mesmo, dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, e todo o restante, entenderíamos que professar homofobia, racismo e machismo não faz sentido algum. Como já disse aqui várias vezes, tenho a certeza de que se Jesus, o personagem histórico, vivesse hoje, defendendo a mesma ideia presente nas escrituras sagradas do cristianismo, mas atualizando-a para os novos tempos, seria humilhado, xingado, surrado, queimado, alfinetado e explodido não só num Sábado de Aleluia, mas também em dias menos santos. Seria chamado de defensor de bicha, mendigo e sem-terra vagabundo. Olhado como subversivo, acusado de ”heterofóbico” e ”cristofóbico”. Alcunhado como agressor da família e dos bons costumes. Finalizado como comunista. Daí, a passagem mais legal dos Evangelhos: Lucas, capítulo 23, versículo 34: ”Pai, perdoai. Eles não sabem o que fazem”.