Por deliberação da Globo, a Beija-flor foi imposta campeã do carnaval carioca

A Paraíso do Tuiuti, que denunciou o golpe ao mundo em seu desfile na Sapucaí, ficou atrás da campeã, Beija-Flor, que fez o discurso da Lava Jato e da Globo, mas a verdadeira campeã do povo e que liderou uma hashtag que já está entre os assuntos mais comentados no Twitter mundial logo após a divulgação do resultado, foi justamente a Tuiuti.  A verdadeira campeã da história foi a Tuiuti, que se destacou pela irreverência e pelo enredo de protesto, ao denunciar o golpe ao mundo e mostrar Michel Temer como um vampirão neoliberalista. Enquanto isso, a escola de samba Beija-Flor levou seu 14º título, por causa do demagógico discurso de exaltação da Lava Jato, dando ênfase de que o principal problema do Brasil é a corrupção. Já a Paraíso do Tuiuti, que se destacou pela irreverência e pelo enredo de protesto, ao denunciar o golpe ao mundo e mostrar Michel Temer como um vampirão neoliberalista, foi vice, mesmo ela se tornar o assunto mais comentado na internet do carnaval e foi eleita em vários prêmios de público, como a verdadeira campeã. O desempenho da Paraíso do Tuiuti e os gritos de “Fora Temer”, até na apuração dos resultados do carnaval do Rio de Janeiro de 2018, decretam o fim do governo golpista de Michel Temer. Durante sua transmissão ao vivo, longe das ilhas de edição, a Globo não conseguiu abafar o clamor popular pela saída do presidente ilegítimo e, ainda que tenha ficado na segunda colocação da classificação oficial, certamente, no placar da história, a Tuiuti é a grande campeã do carnaval deste ano.No carnaval de 2018, o desfile da agremiação de São Cristóvão foi um destaque à parte. Denunciou a manipulação dos meios de comunicação e da própria Globo em rede nacional, pela frequência da própria emissora. As críticas ao presidente vampiro do neoliberalismo foram destaque até na imprensa internacional. Foi uma verdadeira goleada. A Tuiuti jogou como time grande na casa do adversárioA Globo até tentou nos convencer de que o desfile da Tuiuti não foi nada demais, cerceando o tempo dedicado à escola no Jornal Nacional. Mas, diante da grande repercussão que foi o desfile, a emissora teve de se render aos fatos e, ainda que tardiamente, apenas no dia seguinte, se viu obrigada a voltar ao assunto no Jornal Nacional.Em um sentido mais amplo, este carnaval representou uma verdadeira catarse do povo. Um grito de indignação, que nem mesmo os grandes meios de comunicação de massa, aliados históricos da elite nacional, foram capazes de silenciar. Aos poucos, o povo parece acordar de um estado de letargia, provocado pelo golpe de 2016. É como se a população começasse, agora, a despertar de uma ressaca, daquelas que nos deixa com muita dor de cabeça.Dor de cabeça, não só em razão da reforma trabalhista, da lei da terceirização irrestrita, do congelamento do orçamento público para educação e saúde pelos próximos 20 anos, da reforma da Previdência, da entrega da Petrobras, ou da privatização da Eletrobras, mas, também, pela volta do desemprego, da pobreza e da violência, que avançam brutalmente no cotidiano das pessoas nas grandes cidades. Esse é o espectro e o legado do governo Temer e não há como qualquer candidato que se identifique com esse golpe tentar se desassociar de tal realidade.Outro ponto que parece ter ficado ainda mais evidente, neste carnaval, é a força do presidente Lula como única liderança realmente capaz de aglutinar a esperança do nosso povo. Os gritos de “Volta Lula” deixaram claro: não há pacificação sem Lula e eleições sem Lula é fraude. No carnaval de 2018, o povo demonstrou já entender que eleições sem Lula serão o golpe dentro do golpe.Este carnaval evidencia que o Brasil, retratado diariamente pelos meios de comunicação de massa como excludente e em que a riqueza só pode ser para um pequeno grupo de privilegiados, fracassou. Os governos de Lula e de Dilma provaram que é possível fazer diferente e que é possível, sim, incluir e distribuir renda, sem deixar de lado o crescimento econômico.Os exemplos de resistência são inúmeros. Os mais pobres não estão dispostos a voltar para as favelas, os beneficiários do Minha Casa, Minha Vida não abrem mãos do sonho da casa própria, os negros e as negras não querem sair dos bancos das universidades, milhões de brasileiros que passaram a ter acesso à luz elétrica, por meio do programa Luz para Todos, não querem regressar para a escuridão, entre tantos outros brasileiros e brasileiras, que conheceram o que é ter mais cidadania, a partir dos governos Lula e Dilma.Por isso, está cada vez mais claro que a superação da crise política, econômica e de representatividade, em que o golpe de 2016 mergulhou o país, exige, necessariamente, um processo eleitoral livre e democrático, em que Lula tenha o direito de ser candidato. Que o carnaval deste ano sirva de exemplo para as eleições que se aproximam. Pois, a legitimidade da nossa democracia e de um novo governo eleito necessita, assim como foi o carnaval de 2018 e o desfile da Tuiuti, de um verdadeiro banho de povo.

DW: BRASIL FAZ UM DE SEUS CARNAVAIS MAIS POLITIZADOS

 – A agência alemã de notícias Deutsche Welle Brasil (DW Brasil) destacou as manifestações políticas no carnaval brasileiro deste ano. Segundo a DW Brasil, celebrações em todo o país ridicularizaram líderes políticos locais e mundiais, se voltaram contra violência, corrupção e intolerância – e desafiaram limites. Leia alguns trechos da reportagem: “Um dos maiores destaques da festa politizada deste ano no Sambódromo do Rio de Janeiro foi o desfile da Paraíso do Tuiuti, cuja comissão de frente recebeu o Estandarte de Ouro do jornal O Globo, considerado a segunda premiação mais importante do Carnaval carioca. A escola da zona central do Rio, que questionou se a escravidão realmente acabou no Brasil, satirizou o presidente Michel Temer e suas reformas neoliberais, especialmente a reforma trabalhista e sugestões de redefinição do trabalho escravo, com um destaque chamado de ‘Vampiro do Neoliberalismo’, no carro alegórico que representava um navio negreiro dos dias atuais. O enredo “Meu deus, meu deus, está extinta a escravidão?”, lembrou os 130 anos da Lei Áurea e falou do trabalho precário. (…) A Marquês de Sapucaí serviu de palco para a Beija-Flor retratar um ‘Brasil monstruoso’, inspirado no romance Frankenstein, e apresentar as cenas de violência vividas por milhões de pessoas nas favelas do Rio. (…) A Portela, campeã do ano passado, criticou a intolerância falando de um grupo de judeus perseguidos na Europa e refugiados no Brasil, onde passaram a enfrentar discriminação de colonizadores portugueses. O Salgueiro encheu a Sapucaí de cor numa denúncia contra o racismo e uma homenagem às mulheres negras do Brasil, inspirada num tributo carnavalesco a Xica da Silva, há 55 anos. Apesar de também apresentar enredos mais suaves, observadores apontam a edição de 2018 do carnaval do Rio como o ‘Carnaval do protesto’ porque a estreia, na noite de domingo, também foi dominada pela crítica política. Além das alusões da Paraíso do Tuiuti, a Mangueira atacou o prefeito do Rio, o evangélico Marcelo Crivella (PRB), que não esconde que considera o Carnaval uma “celebração pecaminosa” e viajou para a Alemanha depois de ser criticado durante a maior festa brasileira.” Leia a reportagem na íntegra na DW Brasil.

Farra aérea: Dória pegou R$ 44 mi no BNDES para comprar jatinho

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POR FERNANDO BRITO Para quem achava que são uma vergonha  os R$ 17,7 milhões que Luciano Huck pegou no BNDES com juros subsidiados para comprar um jato Phenom para seus deslocamentos, lamento informar que o escândalo é ainda maior. João Dória Júnior, que se orgulha de dizer que viaja pelo país e ao exterior com seu próprio avião, esqueceu de contar que o comprou com dinheiro do BNDES, a juros subsidiados, da mesma forma que o apresentador da Globo. Mas em valor muito maior: R$ 44 milhões, embora pagando um pouco mais de juros (4,5% ao ano), bem menos do que nós, mortais, podemos pagar. Tecnicamente, o jatinho não é mais de Dória: assim que se elegeu, “passou” a empresa para o filho, que nunca teve renda alguma, exceto a mesada paterna. Transferência, claro, de fachada, como o próprio Dória declarou em setembro do ano passado, ao divulgar  um vídeo dizendo que não usa dinheiro público em suas viagens, como você pode assistir aqui: “Não uso dinheiro público, viajo no meu próprio avião. Hoje felizmente tenho condição de bancar minhas viagens. Vim para a vida pública para fazer diferente, para fazer melhor, com inovação, dedicação e transparência. “ Faltou, no quesito transparência, informar que foi pegar o dinheiro, em pleno Governo Lula, no banco público. Foi comprado por sua empresa, depois da eleição transferida a seu filho, em meados de 2010, embora só em junho de 2011 tenha registrado na Junta Comercial a mudança de atividades para “locação de aeronaves sem tripulação”. De novo, como  no caso da empresa de Huck, duvido que haja “locações” que não sejam de fachada. Desta vez, para a nossa imprensa “slow motion” não dizer que o Tijolaço “antecipou” – estava marcada para quando? – a informação, já vão os documentos reproduzidos abaixo, para não dar trabalho. E, para evitar que a tropa de advogados de Doria queira me arrancar o que não tenho e que não tirei nunca do BNDES ou de qualquer banco público, repito que a questão não é de legalidade: é de hipocrisia com o discurso de destruição do Estado  e da ficção de que o privado é “muito mais eficiente e honesto”. Financiado com dinheiro público, não é?  

Empresa de Huck pegou R$ 17,7 mi no BNDES para comprar seu jatinho

POR FERNANDO BRITO O empresário e apresentador de TV Luciano Huck recebeu, do BNDES, um empréstimo de R$ 17, 71 milhões para comprar o jatinho Phenom 505, , prefixo PP-HUC,  que usa em seus deslocamentos. O crédito, tomado pela Brisair Servicos Técnicos Aeronáuticos Ltda, empresa pertencente a ele e à mulher, Angélica, foi obtido pela linha do Finame (financiamentos a máquinas e equipamentos), a juros de 3% ao ano, 5 meses de carência e outros 114 meses para pagamento, funcionando o Itaú como operador do financiamento. O documento do BNDES está aqui e pode ser obtido por qualquer um na página de consultas do Banco. A Brisair, que funciona em parte de uma sala na Barra da Tijuca, no seu registro na Receita Federal, consta como tendo atividades de“ consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica” e, secundariamente, “administração de caixas escolares” e “atividades de apoio à educação, exceto caixas escolares “. Seus sócios, como também está nos dados da Receita, são Luciano Huck e Angélica Kysivikis Huck. A imagem do avião, aí de cima, foi tomada pelo fotógrafo e entusiasta de aviação Bruno Ramm, logo após pousar, em 15 de junho de 2016, no Aeroporto de Canela (RS), vindo do Rio de Janeiro. O documento que lhe atesta a propriedade está no Registro Aeronáutico Brasileiro. Espero que Luciano não reaja como fez em 2005, quando mandou uma carta agressiva para a Revista Contigo, de fofocas de “celebridades” desmentindo o que ela publicara: que ele havia comprado um helicóptero de R$ 1 milhão de reais, na época, e escolhido prefixo PR-KIM para homenagear o filho. Queixou-se em termos duros da revista, a quem acusou de publicar “informação infundada, sem critérios jornalísticos de apuração e publicada de forma não responsável e que pode, de alguma forma, prejudicar a paz e tranqüilidade que eu e minha esposa esperamos poder construir e proporcionar para nosso filho. Nós esperamos que ele tenha uma infância normal e feliz. Ele mesmo admitia, porém,  que o helicóptero era da Brisair e que era um dos sócios da empresa. A informação, portanto, não tinha nada de infundado. E tanto era assim que, partindo dela, resolvi procurar aeronaves com prefixo HUC e…bingo! Pega pela vaidade pueril, a compra com financiamento subsidiado, desmonta o discurso do “é meu porque comprei com o meu dinheiro”. Não, foi com o nosso, a juros subsidiados. Se eu quiser comprar um carro popular, vou pagar 25% ao ano. Huck, nos mesmos 12 meses, paga 3% com sua empresa que nem mesmo tem a atividade de táxi aéreo no registro. Se ele a aluga, deve ter as notas fiscais, pois não? Duvido. Alguém que “estuda” ser Presidente da República tem de dizer o que acha disso. Não vale, como os juízes fizeram com o  auxílio-moradia, apenas dizer que ‘é legal” e se “estão dando, eu pego”. Não se está chamando de ilegal, mas de imoral. E, por favor: nada de alegar “informações infundadas’, ok? Os documentos estão linkados, são públicos e oficiais.

O dilema existencial (e comercial) de Luciano Huck

O Painel da Folha traz hoje uma história que dá medida do grau de oportunismo e ridicularia a que chegou a política para as elites dominantes deste país: Fernando Henrique Cardoso não foi o único político procurado por Luciano Huck. Após consultar o cardeal tucano, o apresentador reativou pontes com as cúpulas de partidos que, em algum momento, acenaram à sua candidatura ao Planalto, como o DEM. A todos, externou dúvida profunda. Pediu conselhos e ouviu que as decisões mais difíceis são aquelas que se tomam na solidão. Disse ter medo de se lançar e depois ser traído. Se quiser disputar, avisaram, terá que abraçar o risco”.A amigos, Huck tem dito que muda de opinião sobre se candidatar à Presidência “pelo menos umas cinco vezes por dia”.O apresentador confessa ter medo de “entrar numa aventura” e, depois de já ter saído da Globo, “puxarem seu tapete”, acabando sem contrato com a emissora e sem a eleição. Reparem como até mesmo para uma negociação que fosse meramente comercial já seria um processo de “leilão” grosseiro. Em se tratando de uma questão cívica, pública, relativa ao futuro de uma nação de 208 milhões de habitantes, uma das maiores economias do mundo, é algo mais que ridículo, repugnante. Imagine a cara das raposas da política depois que o rapaz se retira, a estupefação com um “líder vitorioso” que não sabe para que lado vai. “Muda de opinião pelo menos cinco vezes por dia”… O medo da “aventura”, como se lê, é comercial. “Acabar sem contrato com a emissora”… O Hamlet huckiano põe um saco de dinheiro no lugar do famoso crânio da peça… Talvez lhe fossem úteis as palavras do terceiro ato, como advertência: “Tal como alguém que empreende dois negócios ao mesmo tempo, mostro-me indeciso sobre qual inicie, acontecendo vir ambos a perder.” PS. Luciano, talvez você não saiba, mas em Hamlet, o crânio é de Yorick, um falecido bobo da corte, do qual, reduzido a ossos, não há do que mais rir. POR FERNANDO BRITO

PF acha contas em paraísos fiscais da família de Rocha Loures, que Fachin soltou

A Polícia Federal entregou ao Supremo Tribunal Federal os contratos de constituição de uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas em nome do pai, da mãe e da irmã de Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). Os papéis foram apreendidos no dia 6 de junho, na sede da empresa Nutrimental, conhecida pela produção de barras de cereal, em São Paulo. O endereço foi alvo de buscas e apreensões no âmbito da Operação Patmos, que prendeu preventivamente o ex-assessor do presidente Michel Temer (PMDB), flagrado em ação controlada correndo com uma mala de R$ 500 mil entregue pelo diretor de Relações Institucionais da J&F, Ricardo Saud. As Ilhas Virgens Britânicas são consideradas um ‘paraíso fiscal’ porque sua legislação permite que fiquem em segredo os nomes dos reais donos das empresas lá constituídas, além de oferecer alíquotas de tributação baixíssimas. Segundo a Transparência Internacional, empresa offshore é uma ‘sociedade limitada que não tem presença física na jurisdição, não tem funcionários e não tem atividade comercial’. “Em geral, é constituída em um paraíso fiscal ou jurisdição secreta, e seu objetivo principal ou exclusivo é isolar o real beneficiário final de impostos, divulgação ou ambos”. (…) No local, foram encontrados documentos de constituição da empresa Belix Ventures Limited, aberta no dia 21 de julho de 2015, nas Ilhas Virgens Britânicas. A sociedade está em nome de Rodrigo Costa, pai do peemedebista, da mãe Vera Lilia, e da filha, Izabela Santos. A representante da Belix nas Ilhas Virgens é outra offshore: a Global Corporation Consultant, situada na capital do país, Road Town, que fica na ilha de Tortola. O agente responsável pela Global é o advogado panamenho Gilberto Arosemena, especialista em fundação de offshores. Nos documentos de constituição da Belix, a família Rocha Loures preencheu um campo que se refere ao ‘detalhamento da natureza da empresa’ com uma palavra: ‘investimentos’. Segundo o contrato, os recursos da sociedade são de origem ‘pessoal’. Do Estadão

Lewandowski manda a golpista Cármen Lúcia fechar a matraca

 PRISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA FERE A PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA – O ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski publicou um artigo nesta sexta-feira em que se manifestou enfaticamente contra a prisão em segunda instância, afirmando que ela fere o princípio fundamental da presunção de inocência. Manifestação pode ser considerada um movimento em favor do ex-presidente Lula em um momento que a corte voltará a discutir o entendimento sobre a questão. Confira abaixo alguns a íntegra do texto: “As constituições modernas surgiram na esteira das revoluções liberais do século 18 como expressão da vontade do povo soberano, veiculada por seus representantes nos parlamentos. Desde então, revestiram-se da forma escrita para conferir rigidez aos seus comandos eis que foram concebidas como instrumentos para conter o poder absoluto dos governantes, inclusive dos magistrados. Apesar de sua rigidez, logo se percebeu que as constituições não poderiam permanecer estáticas, pois tinham de adaptar-se à dinâmica das sociedades que pretendiam ordenar, sujeitas a permanente transformação. Se assim não fosse, seus dispositivos perderiam a eficácia, no todo ou em parte, ainda que vigorassem no papel. Por esse motivo, passou-se a cogitar do fenômeno da mutação constitucional, que corresponde aos modos pelos quais as constituições podem sofrer alterações. Resumem-se basicamente a dois: um formal, em que determinado preceito é modificado pelo legislador ou mediante interpretação judicial, e outro informal, no qual ele cai em desuso por não corresponder mais à realidade dos fatos. Seja qual for a maneira como se dá a mutação do texto constitucional, este jamais poderá vulnerar os valores fundamentais que lhe dão sustentação. A Constituição Federal de 1988 definiu tais barreiras, em seu art. 60, 4º, denominadas de cláusulas pétreas, a saber: a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes; e os direitos e garantias individuais. A presunção de inocência integra a última dessas cláusulas, representando talvez a mais importante das salvaguardas do cidadão, considerado o congestionadíssimo e disfuncional sistema judiciário brasileiro, no bojo do qual tramitam atualmente cerca de 100 milhões de processos a cargo de pouco mais de 16 mil juízes, obrigados a cumprir metas de produtividade pelo Conselho Nacional de Justiça. Salta aos olhos que em tal sistema o qual, de resto, convive com a intolerável existência de aproximadamente 700 mil presos, encarcerados em condições sub-humanas, dos quais 40% são provisórios multiplica-se exponencialmente a possibilidade do cometimento de erros judiciais por magistrados de primeira e segunda instâncias. Daí a relevância da presunção de inocência, concebida pelos constituintes originários no art. 5º, LVII, da Constituição em vigor, com a seguinte dicção: ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença criminal condenatória, o que subentende decisão final dos tribunais superiores. Afigura-se até compreensível que alguns magistrados queiram flexibilizar essa tradicional garantia para combater a corrupção endêmica que assola o país. Nem sempre emprestam, todavia, a mesma ênfase a outros problemas igualmente graves, como o inadmissível crescimento da exclusão social, o lamentável avanço do desemprego, o inaceitável sucateamento da saúde pública e o deplorável esfacelamento da educação estatal, para citar apenas alguns exemplos. Mesmo aos deputados e senadores é vedado, ainda que no exercício do poder constituinte derivado do qual são investidos, extinguir ou minimizar a presunção de inocência. Com maior razão não é dado aos juízes fazê-lo por meio da estreita via da interpretação, pois esbarrariam nos intransponíveis obstáculos das cláusulas pétreas, verdadeiros pilares de nossas instituições democráticas.

Lula solto, mas inelegível. É a fórmula de Gilmar Mendes e do consórcio golpista

Evidentemente que essa solução resolveria o problema do consórcio golpista jurídico-midiático-financeiro, mas aprofundaria a escravização do povo brasileiro. Resta saber se o PT topará ou não essa putaria armada.   Via Blog do Esmael O Blog do Esmael registrou ao menos oito horas antes do anúncio oficial, nesta sexta (2), que a defesa de Lula iria ingressar com um habeas corpus no STF. Também folgou antecipar o placar de 3 votos a 2 favoráveis a Lula, no caso da prisão antecipada na condenação em segunda instância. No entanto, o petista não encontrará refresco em relação ao TSE, que tende a enquadrá-lo na Lei da Ficha Limpa, isto é, torná-lo inelegível. Se o leitor puxar pela memória ou clicar aqui recordará que a decisão do ministro Humberto Martins, do STJ, ao decidir outro habeas corpus, afirmou que “O fundado receio de ilegal constrangimento e a possibilidade de imediata prisão não parecem presentes.” Na prática, descartou a prisão imediata do ex-presidente e deixou a “decisão política” da candidatura para o TSE. O habeas corpus impetrado ontem por Lula no STF tem o condão de forçar a revisão da prisão em segunda instância. Embora o ex-presidente tenha sido condenado no TRF4, tribunal de 2º grau, a mudança jurisprudencial atende mais aos “anseios” de tucanos e golpista (os Cunha da vida) do que o petista. A mídia tentará pendurar essa fatura no pescoço do PT. O ministro Gilmar Mendes do STF, ao deixar a presidência do TSE, deu a manchete do que vai acontecer em entrevista à Globo: “… o Supremo já consagrou a ideia de que a decisão em relação a Lei da Ficha Limpa é de que ela é constitucional”, voltando atrás do que ele entendia há menos de dois anos. Afinal, o “paciente” é Lula. O STF e STJ trabalham sincronizados com o golpe de Estado em curso. Eles são cartesianos, matematicamente previsíveis no “toma-lá-dá-cá” que desenvolveram em conluio com a mídia. A pancadaria do auxílio-moradia, por exemplo, não é mais do que uma sacudida para ajeitar as melancias na carroça. Ambos, mídia e judiciário, continuam juntos no objetivo estratégico de tirar Lula da disputa presidencial de outubro. O Instituto Millenium, que coordena a sacanagem dos barões da mídia, apenas quer deixar claro quem manda na relação. O establishment pretende um “acordão” já relatado aqui no Blog do Esmael e também percebido dois dias depois pelo jornal espanhol El País, que concordou com a fórmula trabalhada “Lula solto, mas inelegível.” Evidentemente que essa solução resolveria o problema do consórcio golpista jurídico-midiático-financeiro, mas aprofundaria a escravização do povo brasileiro. Resta saber se o PT topará ou não essa putaria armada.

PPS bate continência para FHC: rifa Buarque para abraçar Huck.

 – O deputado federal Roberto Freire (PPS-SP) e presidente nacional do PPS, declarou que “a porta está aberta” para Luciano Huck , depois que rifou o nome do senador Cristovam Buarque (DF) como candidato à presidência da República pelo partido.  Em entrevista ao portal UOL, Freire afirmou que o partido vai definir no congresso nacional da sigla, de 23 e 25 de março, sua posição nas eleições deste ano; em conversa com Luciano Huck desde o ano passado, o PPS aguarda um posicionamento do apresentador da Globo. “Isso não quer dizer que há algo definido no PPS. Existe a possibilidade de ele estar em outro partido, por exemplo. Mas a porta está aberta”, disse FREIRE RIFA CRISTOVAM BUARQUE NO PPS O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, rifou o nome do senador Cristovam Buarque (DF) como candidato à presidência da República pelo partido. “Vamos insistir em uma candidatura que não pontua? O processo eleitoral não é banca acadêmica”, ironizou, em referência ao antigo posto de Cristovam, que foi reitor da UnB, segundo a Coluna do Estadão. Para Freire, o parlamentar seria um ótimo candidato ao governo do Distrito Federal. Para o Planalto, o partido ainda considera a opção de Luciano Huck, e pode ingressar na sigla, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, hoje no PSDB.

Caravana de Lula percorrerá sul do país a partir do dia 27

Roteiro incluirá RS, PR e SC A caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que vai percorrer os três estados da região Sul do Brasil começa no próximo dia 27 em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul.“Vamos começar com uma conversa entre o presidente Lula e o presidente Pepe Mujica sobre o desenvolvimento da América do Sul na divisa entre o Brasil e o Uruguai”, comentou o coordenador das Caravanas, Márcio Macedo. “As caravanas do presidente Lula vão continuar acontecendo por todo país”, disse ainda.O projeto “Lula pelo Brasil”, que já percorreu o nordeste e o sudeste do país, chega agora a sua quarta etapa passando pelo Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina durante nove dias. O percurso, que será todo feito de ônibus por Lula, passará por pelo menos 14 cidades e se encerra no dia 7 de março em Curitiba.