O que vale para o Aécio não vale para o Picciani

 TRF determina que Picciani, Albertassi e Melo voltem para a prisão  Picciani é o homem do Aezão: um voto no Aécio, outro no Pezão do Jornal do Brasil O Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região determinou nesta terça-feira (21), em sessão extraordinária, que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, e os deputados Edson Albertassi e Paulo Melo voltem para a prisão. O relator Abel Gomes criticou a decisão da Alerj de revogar a prisão dos três, determinada pelo TRF, e votou pelo restabelecimento da prisão das prisões. Abel Gomes considerou que Alerj extrapolou suas atribuições constitucionais, ao ordenar a libertação dos três parlamentares após votação na última sexta-feira (17), sem sequer comunicar o TRF2 da decisão. Abel Gomes também defendeu que se oficie ao presidente do TRF2, desembargador André Fontes, caso a ordem não seja cumprida, um requerimento de encaminhamento ao Supremo Tribunal Federal (STF) de pedido de intervenção federal no estado do Rio de Janeiro. Outro ponto criticado pelos magistrados foi o impedimento de entrada na Alerj, durante a votação, de uma oficial de Justiça que trazia liminar obrigando a abertura das galerias da Casa a manifestantes. Todos os desembargadores acompanharam o voto do relator. Messod Azulay Neto, Paulo Espírito Santo, Simone Schreiber e Marcello Granado fizeram duras críticas à decisão da Alerj de revogar as prisões. O presidente da 1ª Seção, desembargador Ivan Athié, não votou. O próximo passo é a expedição de novo mandado de prisão dos parlamentares. Último a votar, Marcello Granato defendeu que a Alerj “jamais” poderia ter revogado a decisão judicial. Simone Schreiber, que não estava presente à votação anterior, foi curta e antecipou seu parecer. Paulo Espírito Santo afirmou que a soltura dos parlamentares, por decisão da Alerj foi “grandiosamente absurda”. Messod Azulay Neto defendeu eventual pedido por intervenção federal, caso a Casa Legislativa volte a desobedecer ordem judicial. Outro lado O advogado Nélio Machado, que defende Picciani, considerou a decisão do TRF2 “ilegal, inconstitucional e infeliz”. Ele disse que irá recorrer à instância superior. As demais defesas saíram da sessão do TRF2 sem falar com a imprensa. Picciani, Albertassi e Melo haviam sido presos, na última quinta-feira (16), por determinação do TRF, mas foram soltos no dia seguinte, após a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovar a revogação da prisão. MP quer anular sessão da Alerj O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) já entrou com uma ação na Justiça para anular a sessão de sexta-feira da Alerj, que determinou a soltura dos três. O mandado de segurança do MP argumenta que, mesmo com liminar concedida pela Justiça determinando a abertura da sessão para o público, o presidente em exercício da Alerj durante a sessão, deputado Wagner Montes, e a mesa diretora mantiveram os portões fechados, inclusive com a proteção policial. Na sexta-feira, a juíza Ana Cecilia Argueso Gomes de Almeida, da 6ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), determinou a liberação das galerias para o público. Uma oficial de Justiça foi à Alerj com a liminar em mãos, mas foi impedida de entrar pela polícia.

Golpe fez desemprego bater o recorde entre os jovens

 – COM TEMER, DESEMPREGO DE JOVENS NO BRASIL É O MAIOR EM 27 ANOS –  O desemprego entre os jovens no Brasil atinge sua maior taxa em 27 anos. Dados apresentados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que, ao final de 2017, praticamente 30% dos jovens brasileiros estariam sem trabalho. Trata-se da maior taxa desde 1991, aponta a entidade, com sede em Genebra. A estimativa sobre o índice brasileiro é mais de duas vezes superior à média internacional. Segundo a OIT, o desemprego entre jovens no mundo é de cerca de 13,1%. A situação brasileira só é equivalente às taxas registradas nos países árabes, que viram o desemprego desencadear uma importante crise política e social a partir de 2011. Hoje, entre as mais de 190 economias avaliadas pela OIT, apenas 36 delas tem uma situação pior que a do Brasil para os jovens. Na Síria, por exemplo, a taxa de desemprego entre os jovens é de 30,6%, contra 34% no Haiti. A queda do crescimento da economia brasileira, informalidade e as incertezas de investimentos teriam gerado o salto no desemprego dessa camada nos últimos anos, ainda que o pico possa já ter sido atingido. “Houve uma enorme desaceleração de alguns países, entre eles o Brasil”, disse a diretora de Política de Desenvolvimento e Emprego da OIT, Azita Awad. Em 1991, a taxa brasileira de desemprego entre os jovens era de 14,3% e, em 1995, chegou a cair para 11,4%. Mas a segunda metade da década de 90 registrou um aumento, com um pico em 2003. Naquele ano, o desemprego de jovens era de 26,1%. Entre 2004 e 2014, a taxa sofreu uma queda substancial, chegando a 16,1%. As informações são de reportagem de Jamil Chade no Estado de S.Paulo.

DARCY RIBEIRO: BRANCOS VERSUS NEGROS

 “A nação brasileira nunca fez nada pela massa negra que a construiu”: Darcy Ribeiro e o negro  Para Darcy Ribeiro, a possibilidade de existência de uma democracia racial está vinculada com a prática de uma democracia social, onde negros e brancos partilhem das mesmas oportunidades sem qualquer forma de desigualdade. Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, leia abaixo trechos do livro “O Povo Brasileiro”, de Darcy Ribeiro, uma das obras mais relevantes da história do Brasil. CLASSE E RAÇA A distância social mais espantosa no Brasil é a que separa e opõe os pobres dos ricos. A ela se soma, porém, a discriminação que pesa sobre negros, mulatos e índios, sobretudo os primeiros. Entretanto, a rebeldia negra é muito menor e menos agressiva do que deveria ser. Não foi assim no passado. As lutas mais longas e cruentas que se travaram no Brasil foram a resistência indígena secular e a luta dos negros contra a escravidão, que duraram os séculos do escravismo. Tendo início quando começou o tráfico, só se encerrou com a abolição. Sua forma era principalmente a da fuga, para a resistência e para a reconstituição de sua vida em liberdade nas comunidades solidárias dos quilombos, que se multiplicaram aos milhares. Eram formações protobrasileiras, porque o quilombola era um negro já aculturado, sabendo sobreviver na natureza brasileira, e, também, porque lhe seria impossível reconstituir as formas de vida da África. Seu drama era a situação paradoxal de quem pode ganhar mil batalhas sem vencer a guerra, mas não pode perder nenhuma. Isso foi o que sucedeu com todos os quilombos, inclusive com o principal deles, Palmares, que resistiu por mais de um século, mas afinal caiu, arrasado, e teve o seu povo vendido, aos lotes, para o sul e para o Caribe. Mas a luta mais árdua do negro africano e de seus descendentes brasileiros foi, ainda é, a conquista de um lugar e de um papel de participante legítimo na sociedade nacional. Nela se viu incorporado à força. Ajudou a construí-la e, nesse esforço, se desfez, mas, ao fim, só nela sabia viver, em função de sua total desafricanização. A primeira tarefa do negro brasileiro foi a de aprender a falar o português que ouvia nos berros do capataz. Teve de fazê-lo para poder comunicar-se com seus companheiros de desterro, oriundos de diferentes povos. Fazendo-o, se reumanizou, começando a sair da condição de bem semovente, mero animal ou força energética para o trabalho. Conseguindo miraculosamente dominar a nova língua, não só a refez, emprestando singularidade ao português do Brasil, mas também possibilitou sua difusão por todo o território, uma vez que nas outras áreas se falava principalmente a língua dos índios, o tupi-guarani. Calculo que o Brasil, no seu fazimento, gastou cerca de 12 milhões de negros, desgastados como a principal força de trabalho de tudo o que se produziu aqui e de tudo que aqui se edificou. Ao fim do período colonial, constituía uma das maiores massas negras do mundo moderno. Sua abolição, a mais tardia da história, foi a causa principal da queda do Império e da proclamação da República. Mas as classes dominantes reestruturaram eficazmente seu sistema de recrutamento da força de trabalho, substituindo a mão de obra escrava por imigrantes importados da Europa, cuja população se tornara excedente e exportável a baixo preço. O negro, sentindo-se aliviado da brutalidade que o mantinha trabalhando no eito, sob a mais dura repressão –inclusive as punições preventivas, que não castigavam culpas ou preguiças, mas só visavam dissuadir o negro de fugir– só queria a liberdade. Em consequência, os ex-escravos abandonam as fazendas em que labutavam, ganham as estradas à procura de terrenos baldios em que pudessem acampar, para viverem livres como se estivessem nos quilombos, plantando milho e mandioca para comer. Caíram, então, em tal condição de miserabilidade que a população negra reduziu-se substancialmente. Menos pela supressão da importação anual de novas massas de escravos para repor o estoque, porque essas já vinham diminuindo há décadas. muito mais pela terrível miséria a que foram atirados. não podiam estar em lugar algum, porque cada vez que acampavam, os fazendeiros vizinhos se organizavam e convocavam forças policiais para expulsá-los, uma vez que toda a terra estava possuída e, saindo de uma fazenda, se caía fatalmente em outra. As atuais classes dominantes brasileiras, feitas de filhos e netos de antigos senhores de escravos, guardam, diante do negro, a mesma atitude de desprezo vil. Para seus pais, o negro escravo, o forro, bem como o mulato, eram mera força energética, como um saco de carvão, que desgastado era facilmente substituído por outro que se comprava. Para seus descendentes, o negro livre, o mulato e o branco pobre são também o que há de mais reles, pela preguiça, pela ignorância, pela criminalidade inatas e inelutáveis. Todos eles são tidos consensualmente como culpados de suas próprias desgraças, explicadas como características da raça e não como resultado da escravidão e da opressão. Essa visão deformada é assimilada também pelos mulatos e até pelos negros que conseguem ascender socialmente, os quais se somam ao contingente branco para discriminar o negro-massa. A nação brasileira, comandada por gente dessa mentalidade, nunca fez nada pela massa negra que a construíra. Negou-lhe a posse de qualquer pedaço de terra para viver e cultivar, de escolas em que pudesse educar seus filhos, de qualquer ordem de assistência. Só lhes deu, sobejamente, discriminação e repressão. Grande parte desses negros dirigiu-se às cidades, onde encontraram, originalmente, os chamados bairros africanos, que deram lugar às favelas. Desde então, elas vêm se multiplicando, como a solução que o pobre encontra para morar e conviver. Sempre debaixo da permanente ameaça de serem erradicados e expulsos.   BRANCOS VERSUS NEGROS Examinando a carreira do negro no Brasil, se verifica que, introduzido como escravo, ele foi desde o primeiro momento chamado à execução das tarefas mais duras, como mão-de-obra fundamental de todos os setores produtivos. Tratado como besta de carga exaurida no trabalho, na qualidade de mero investimento destinado a produzir o máximo

Imprensa safada abafa o escândalo da Shell

 – DOCUMENTO COMPROVA COMO TEMER TRABALHA PARA A SHELL –   Um documento oficial da chancelaria britânica, obtido pelo Greenpeace revela como o governo de Michel Temer, que assumiu o poder após o golpe de 2016, trai interesses nacionais e atua em benefício de multinacionais do petróleo. Nele, o ministro de Comércio Greg Hands relata como o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, estaria fazendo lobby no governo brasileiro para servir à Shell, que teve todos os seus pedidos atendidos: menos impostos, menos conteúdo nacional e menos exigências ambientais. A Shell foi a principal vencedora do primeiro leilão do pré-sal, mas a operação pode ser anulada. De acordo com o senador Roberto Requião (PMDB-PR), a empresa será tratada como “receptadora de mercadoria roubada”, especialmente agora que já se sabe que o governo brasileiro cedeu ao lobby da multinacional. “Fizeram o negócio do século, porque no Brasil de hoje negociar com o governo é melhor do que vender cocaína. Mas essa negociata vai cair e nós vamos começar a trabalhar no Senado para reverter o que foi feito”, disse Requião . O Greenpeace obteve os documentos do governo britânico de acordo com uma legislação semelhante à Lei de Acesso à Informação. Ao pressionar o governo brasileiro para quebrar exigências ambientais para perfurar petróleo, o governo conservador de Theresa May viola os compromissos britânicos de combate ao aquecimento global. Procurada pelo 247, a assessoria de imprensa do Ministério de Minas e Energia informou que deverá se manifestar ainda nesta segunda-feira se o secretário Paulo Pedrosa será ou não demitido. Pedrosa também atua na venda da Eletrobrás No Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa foi colocado por grandes grupos empresariais e tem conexões com o bilionário Jorge Paulo Lemann, que tem interesse na privatização da Eletrobrás – outro negócio extremamente suspeito que vem sendo conduzido por Temer. Embora o ministro seja Fernando Coelho, filho do senador Fernando Bezerra (PMDB-PE), um dos principais alvos da Lava Jato, é Pedrosa quem dá as cartas e define todos os negócios bilionários que vêm sendo feitos. Nos próximos dias, ele deve ser convocado pelo parlamento para explicar porque atuou em defesa dos interesses da Shell – e não do Brasil. A tendência é que diga que os interesses da Shell se confundem com os do povo brasileiro. Com a vitória do lobby britânico no Brasil, a isenção fiscal das petrolíferas soma mais de R$ 1 trilhão durante o tempo de exploração. Além disso, o fim das exigências de conteúdo nacional também prejudica fortemente a indústria nacional e deve motivar reações de entidades como a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). Antes mesmo de ser afastada, a presidente Dilma Rousseff dizia que o motivo principal do golpe era a entrega do pré-sal – o que se confirma, agora, com os documentos da chancelaria britânica.   “Imprensa safada abafa o escândalo da Shell”, afirma RequiãoO senador Roberto Requião (PMDB-PR) postou novo vídeo e também um artigo, nesta segunda-feira (20), em que detalha como o lobby da Shell mudou regras do pré-sal no Brasil, garantindo isenção fiscal, flexibilização ambiental e fim da política de conteúdo nacional. “O governo inglês fez lobby, com sucesso, junto ao governo golpista de Temer, apelidado de Misshell, para mudar as regras de exploração do pré-sal em favor das inglesas Shell, BP e Premier Oil. O operador externo do lobby foi o ministro do Comércio inglês, Greg Hands, que veio ao Rio de Janeiro, onde se reuniu com o operador interno, Paulo Pedrosa, secretário do Ministério de Minas e Energia”, diz ele. “As estimativas de isenção tributária para os contratos do pré-sal já negociados se elevam a cerca de 1 trilhão de dólares. Abrir mão desses recursos é um crime contra as gerações atuais e futuras. Eliminar exigências de conteúdo local é abrir mão da geração de emprego nos setores industriais de maior salário e maior geração de tecnologia. Por fim, a redução das regras ambientais significa simplesmente permitir que as grandes petroleiras poluam descaradamente o nosso mar e nosso território enquanto levam para suas matrizes os produtos limpos”, diz ainda o senador. No vídeo, ele afirma que a “imprensa safada” brasileira esconde da população esse escândalo, que foi denunciado no The Guardian e no 247.

Neste governo golpista desgraça pouca é bobagem

 – Temer quer tirar os remédios gratuitos dos pobres –  Após esculhambar com nosso País e entregar toda nossa riqueza para outros nações, principalmente para os Estados Unidos, além de tirar nossos direitos, o canalha Temer quer agora tirar os remédios gratuitos da população mais miserável do Brasil, acabando com o programa que garante medicamentos gratuitamente ou com até 90% de desconto. Coisa de gente máPor Fernando Brito – Tijolaço Um amigo escreve no Facebook, diante da manchete de hoje da Folha, que “esses monstros passam dia e noite inventando artimanhas para desgraçar o povo”. Não é o caso, evidentemente, de entrar nas questões técnicas de avaliação do preço pago pelos medicamentos distribuídos pelo programa “Farmácia Popular”: nem os laboratórios são santos, nem os custos envolvidos – distribuição e comercialização – são zero. Isso deve ser, claro, objeto de negociação e até de troca de fornecedores. O caso é que o “Farmácia Popular” tornou-se uma realidade prática na vida de pessoas que dependem de medicação de uso continuado. Eu mesmo, por não ser caro pagar R$ 15 por mês pela metmorfina que os diabéticos para mim, prefiro deixar que o medicamento subsidiado sirva a quem precisa mais, mas é provável que tivesse falhas em sua continuidade se dependesse de ir a um posto do SUS a cada vez que tivesse de renovar a medicação. Mas eu, como pago, posso comprar em qualquer esquina; sem o “Aqui tem Farmácia Popular” (A menos que usasse a tal água de quiabo, irresponsavelmente propagandeada no Caldeirão do Huck e que, se mal não faz em si, leva gente a deixar a medicação de eficácia comprovada para adotar práticas que, como alerta a Sociedade Brasileira de Diabetes, não tem, embora possa estar cheia de boas intenções) Quem depende do remédio fornecido, porém, tem de ir ao posto de saúde – nem sempre próximo de casa – , enfrentar fila e ficar sujeito “tá em falta”, “já pedimos, mas ainda não chegou”, “o senhor volta quinta-feira, porque está para chegar”. Já basta terem eliminado, como mostra a reportagem, em quase 20% o número de estabelecimentos credenciados, acabar com eles não é “ideia de jerico”. É maldade, mesmo.

COISA DE PRETO – Por Bernardo Mello Franco

 Hoje, 20 de novembro, é comemorado o Dia da Consciência Negra. A data foi criada para lembrar a luta contra a escravidão e a desigualdade que ainda separa brancos e negros no Brasil. Quem pensa que este debate é desnecessário deveria dedicar alguns minutos do feriado à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada pelo IBGE. A nova versão do levantamento informa que pretos e pardos somam 63,7% dos desempregados. Isso equivale a um exército de 8,3 milhões entre os 13 milhões de brasileiros que procuram trabalho. Apesar da leve melhora da economia, a taxa de desemprego de pretos e pardos ainda alcança 14,6%. É um índice muito superior ao registrado entre trabalhadores brancos: 9,9%. A média nacional está em 12,4%. As diferenças também persistem entre a população ocupada. De acordo com os números da PNAD Contínua, pretos e pardos ganham menos, ocupam vagas piores e têm menos estabilidade no emprego. O rendimento médio desses brasileiros é de R$ 1.531, enquanto o dos brancos chega a R$ 2.757. Pretos e pardos somam 66% dos trabalhadores domésticos e 66,7% dos vendedores ambulantes, mas representam apenas 33% dos empregadores. Em setembro, a Oxfam Brasil informou que o país ainda levaria sete décadas para equiparar o rendimento dos negros ao dos brancos. Segundo o estudo, os dois grupos só devem se igualar em 2089 -mais de dois séculos depois da Lei Áurea. Agora a projeção parece ter sido muito otimista. De acordo com a PNAD, a desigualdade voltou a crescer nos últimos 12 meses. Na semana passada, o Brasil debateu o caso do apresentador de TV que foi afastado após se referir a um buzinaço como “coisa de preto”. O episódio mostrou que discutir o racismo ainda é importante e necessário. A pesquisa do IBGE nos lembra que também precisamos cobrar políticas públicas para combater a discriminação e tornar o país menos desigual. Confira lista de municípios que aderiram ao feriado de 20/11O Dia da Consciência Negra é comemorado na data da morte de Zumbi dos Palmares, em 20 de novembro. Ele foi o último líder do maior dos quilombos do período colonial, o Quilombo dos Palmares. A data foi incluída no calendário escolar nacional em 2003 e em 2011 a Lei 12.519 instituiu oficialmente a data como o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.A data é feriado em mais de mil cidades brasileiras. A lei que regulamenta a data pode ser conferida no levantamento da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) . Acre Não é feriado em nenhuma cidade do Acre o dia 20 de novembro. Alagoas De acordo com a Lei Estadual n° 5.724 de 1995, todos os municípios do estado de Alagoas têm feriado no Dia da Consciência Negra. Amazonas Lei estadual de 2010 institui o dia 20 de novembro como feriado em todos os municípios do Amazonas . A capital Manaus também tem uma lei municipal que decreta o feriado do Dia da Consciência Negra. Amapá Desde 2007 o Estado do Amapá determinou, via lei, que a data é feriado em todas as cidades do Estado. Bahia Só três cidades têm lei municipal que termina a data como feriado: – Alagoinhas – Camaçari – Serrinha Ceará O Dia da Consciência Negra não é feriado em nenhuma cidade. Distrito Federal Não há feriado no DF para o Dia da Consciência Negra. Espírito Santo Apenas duas cidades têm feriado oficial no dia 20 de novembro: – Cariacica – Guarapari Goiás Quatro cidades goianas celebram o Dia da Consciência Negra: – Goiânia – Aparecida de Goiânia – Flores de Goiás – Santa Rita do Araguaia. Maranhão Só o município de Pedreiras tem lei municipal que determina 20 de novembro feriado. Minas Gerais É feriado Dia da Consciência Negra em 11 municípios mineiros , incluindo a capital, Belo Horizonte. – Além de Paraiba – Belo Horizonte – Betim – Guarani – Ibiá – Jacutinga – Juiz De Fora – Montes Claros – Santos Dumont – Sapucai-Mirim – Uberaba Mato Grosso do Sul Somente em uma cidade, Corumbá , é feriado oficial. Mato Grosso Todas as cidades do Estado , inclusive a capital Cuiabá, têm feriado em 20 de novembro. Paraíba Só João Pessoa , capital do Estado, tem o 20 de novembro como feriado. Pará Nenhuma cidade do Pará tem feriado na data. Paraná Só duas cidades paranenses têm feriado oficial no 20 de novembro: – Guarapuava – Londrina Pernambuco Nenhuma cidade de Pernambuco tem feriado na data Piauí Não é feriado em nenhuma cidade do Estado. Rio de Janeiro Uma lei estadual de 2002 determina que o Dia da Consciência Negra seja feriado em todos os 92 municípios fluminenses , inclusive na capital a cidade do Rio de Janeiro . Rio Grande do Norte Não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do Estado. Rio Grande do Sul Não é feriado em nenhum município do Estado. Rondônia Não é feriado, em 20 de novembro, em nenhuma cidade do estado. Roraima Em nenhuma cidade do estado será feriado no dia 20 de novembro. Santa Catarina Florianópolis São PauloA data está no calendário oficial de 102 municípios, incluindo a capital São Paulo . Veja a lista de cidades: – Aguai – Águas Da Prata – Águas De São Pedro – Altinópolis – Americana – Americo Brasiliense – Amparo – Aparecida – Araçatuba – Aracoiaba da Serra – Araraquara – Araras – Bananal – Barretos – Barueri – Bofete – Borborema – Buritama – Cabreuva – Cajeira – Cajobi – Campinas – Campos do Jordão – Canas – Capivari – Caraguatatuba – Carapicuíba – Charqueada – Chavantes – Cordeirópolis – Cruz das Almas – Diadema – Embu – Embu Das Artes – Estância De Atibaia – Florida Paulista – Franca – Franco Da Rocha – Francisco Morato – Franco da Rocha – Getulina – Guaira – Guarujá – Guarulhos – Hortolândia – Ilhabela – Itanhaem – Itapecerica da Serra – Itapeva – Itapevi – Itararé – Itatiba – Itu – Ituverava – Jaguariuna – Jambeiro – Jandira

Não existe o Lula raivoso, existe o Lula indignado

  – Lula: O mesmo MP que invadiu minha casa não se manifestou sobre a acusação de corrupção contra a Globo –  Em entrevista exclusiva a Fernando Morais, Lula faz um balanço das caravanas pelo Nordeste e por Minas Gerais, e conta o que espera de 2018: “que a gente tenha eleições livres e democráticas”. A entrevista feita com Lula por Fernando Morais em seu blog Nocaute. Imperdível. Fernando Morais: Boa tarde, presidente Lula. É uma alegria estar aqui com o senhor. O presidente Lula nos deu a honra de ser o primeiro entrevistado aqui do estúdio, o nosso modesto estúdio do Nocaute. Vamos conversar um pouco sobre ele e sobre o Brasil. Antes, porém, eu queria que ele fizesse a gentileza de grudar ali do lado do Cassius Clay a nossa plaquinha. Lula: Está inaugurado. Um pouco torto, mas está inaugurado. Fernando Morais: Presidente, primeiro eu queria começar com as coisas mais suaves: caravana. O senhor tinha feito antes uma caravana para o Nordeste, mais demorada, que eu não pude ir. Mas eu fui na segunda, a de Minas Gerais e eu fiquei muito bem impressionado. Eu queria saber a sua impressão. Qual é o saldo que fica para o senhor dessas duas caravanas, que vão continuar semana que vem. Lula: Primeiro eu pensei que você ia começar no dia dezesseis de novembro me perguntando da vitória do Corinthians ontem. Porque ontem o Corinthians antecipadamente se tornou pela sétima vez consecutiva campeão brasileiro, que não é pouca coisa. E como no Brasil nós temos duas coisas: um partido político é o PT e o resto é antipetista. E no futebol você tem o time de futebol que é o Corinthians, o resto é anticorintiano. Então, eu só posso estar feliz porque eu trabalho com muito palmeirense. Fernando Morais: Você assustou na hora que o Fluminense fez o gol? Lula: Me assustei. Te confesso que me assustei. Pensei: não é possível que vai dar urucubaca. Mas depois a gente mostrou que a gente estava em primeiro lugar porque o time tinha estabilidade emocional, tinha autocontrole. Porque o nosso time não é dos melhores. O Corinthians já teve time melhor, mas na draga que está o futebol brasileiro, o Corinthians mereceu esse título. Vamos pensar agora no terceiro título mundial. Fernando Morais: Beleza! Deus te ouça. Lula: A caravana. Fernando Morais: A caravana. Primeiro a do Nordeste. Lula: Fernando, a caravana teve como objetivo. Eu tinha duas coisas na cabeça quando pensei a caravana. Primeiro, fazer um reencontro com o Brasil. O Brasil é muito grande, muito heterogêneo, é uma diversidade cultural, econômica e social muito grande. E eu tinha noção do que nós tínhamos feito no período que governamos o Brasil e queria ver, nesse momento de desmonte do Brasil, o que estava acontecendo com os setores da sociedade que tinham sido os setores mais beneficiados com os programas de inclusão social. Então, resolvi fazer esse reencontro com o Brasil e uma tentativa de fazer com que o PT recuperasse a sua imagem diante da sociedade brasileira, porque os meninos do Ministério Público resolveram criar a ideia de criminalizar o PT. A ponto de tentarem dizer que o PT é uma organização criminosa. Era preciso recuperar a moral da tropa, recuperar o PT, fazer o PT ir pra rua. E mostrar para o PT que ninguém vai defender o PT, a não ser o próprio PT. Ou seja, ou o PT se conscientiza que a acusação que se faz ao PT na perspectiva de criminalizá-lo e tirá-lo da legalidade política, como já fizeram com o Partido Comunista no auge do PC no Brasil, inventaram essa mentira do Power Point para tentar no fundo acabar com essa coisa que começou a ser conhecida pela sociedade que são as políticas de inclusão social. Fazer com que as pessoas possam subir um degrau na escala social. Que as pessoas possam comer melhor, trabalhar melhor, ganhar melhor. Sabe? Que as pessoas possam conquistar a cidadania. Então, era esse o objetivo. E o sucesso foi extraordinário. A do Nordeste, eu sou suspeito porque eu sou nordestino, então o pessoal fala que eu gosto muito do nordeste e o nordeste gosta muito de mim. Eu tenho orgulho de ser nordestino e tentei fazer para o Nordeste, não uma política de privilégio, tentei fazer com que aquela distorção que vinha existindo desde que D. João VI chegou ao Brasil e foi para o Rio de Janeiro. Porque até então, Pernambuco era o estado rico do Brasil e começou a fazer com que os investimentos saíssem do Nordeste e viessem para o Sul e para o Sudeste. Nós queríamos fazer que o Nordeste tivesse um pouco mais de ajuda do estado brasileiro para que o Brasil se tornasse mais igual, mais equânime. Para que o desenvolvimento ficasse espraiado por todo o território nacional e não apenas no eixo Rio-São Paulo-Minas Gerais. E isto eu fiz com muito gosto. Tanto no campo da saúde, da educação, da ciência e tecnologia e no campo da geração de oportunidade. Então, foi extraordinária essa caravana. Eu acho que o resultado foi extraordinário. Aí eu queria fazer uma no Sudeste. Eu resolvi fazer numa região que eu tenho verdadeira paixão que é aquela parte mais empobrecida da região, não que seja pobre, mas um pouco mais empobrecida de Minas Gerais que é o Vale do Jequitinhonha. Eu tenho uma admiração pela capacidade cultural daquele povo. Mesmo vivendo em adversidade social é um povo muito criativo. Resolvi estar perto e para mim foi uma surpresa agradável, foi uma emoção o companheirismo, a presença das pessoas. Terminei Minas Gerais, eu agora vou fazer uma outra pelo Espírito Santo e pelo Rio de Janeiro e deixar para depois do carnaval fazer os estados do Sudeste e do Sul, começar pelos estados do Sul. E depois fazer a caravana do Norte, a caravana do centro-oeste. Aí eu termino e vamos ver o que vai acontecer no Brasil. Fernando Morais: Dez entre dez brasileiros gostariam de saber o

O DIA EM QUE O LEBLON VIROU PALMARES

  – SEM-TETO TOMAM UMA DAS PRAIAS MAIS ELITIZADAS DO PAÍS –  Praia do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, foi deles: dos sem-tetos e moradores de comunidade; ato “O Leblon vai virar Palmares” marca a véspera do Dia da Consciência Negra, que rememora a luta de Zumbi dos Palmares e de todos os negros e negras que sofrem até os dias de hoje os efeitos da escravidão; local escolhido para o manifestação foi estratégico: uma das praias mais “nobres” do país e a região com o metro quadrado mais caro do Rio de Janeiro Revista Fórum – Neste domingo (19), a Praia do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, foi deles: dos sem-tetos e moradores de comunidade. O ato “O Leblon vai virar Palmares” marca a véspera do Dia da Consciência Negra, que rememora a luta de Zumbi dos Palmares e de todos os negros e negras que sofrem até os dias de hoje os efeitos da escravidão. O local escolhido para o ato, organizado pelo MTST, foi estratégico: uma das praias mais “nobres” do país e a região com o metro quadrado mais caro do Rio de Janeiro. Música, resistência e diversão marcaram o ato dos marginalizados em uma região historicamente ocupada pelas elites. Confira, abaixo, algumas fotos da Mídia Ninja.

Planalto faz chantagem e deixa os Marinhos no curé

 – BASE DE TEMER COGITA CPI SOBRE PROPINA DA GLOBO –  Depois que o empresário argentino Alejandro Burzaco delatou as propinas de US$ 15 milhões – o equivalente a R$ 50 milhões – pagas pela Globo e outros grupos de mídia para adquirir direitos exclusivos de transmissão das Copas do Mundo (leia aqui), a base parlamentar de Michel Temer passou a estudar uma espécie de vingança: trazer o caso para o Brasil e eventualmente abrir até uma CPI no Congresso sobre o caso. Seria uma oportunidade para encabrestar a Globo e mantê-la sob rédea curta até o fim do governo Temer, que reúne uma constelação de políticos acusados de corrupção. Nesse arranjo mafioso, Temer teria mais tranquilidade para chegar até o fim do mandato que usurpou da presidente Dilma Rousseff. As informações sobre a possível CPI foram publicadas pelo jornalista Maurício Lima, na coluna Radar: A delação de Alejandro Burzaco em Nova York sobre o caso Fifa repercutiu no Planalto. O governo ficou muito interessado na acusação de que a Globo pagou propina pelos direitos de transmissão de jogos – o que a empresa nega com veemência. Há quem defenda importar o caso, talvez com uma CPI.

Fernando Brito: a mandioca e os idiotas

   Primeiro foram os coxinhas juvenis. Agora, as múmias temeristas que resolveram, como bons idiotas que são, usar como deboche o elogio da ex-presidente Dilma Rouseff aos produtores de mandioca . Claro, não acham ruim falar do agronegócio da soja, que os porcos comem, na forma de farelo, mas acham um horror o prato tão comum e principal fonte de amido – é o que tem a batata, para quem não sabe – da mesa do pobre em muitas regiões do país, embora aquela amarelinha, com consistência cremosa ainda arranque suspiros da memória de um diabético (amido se transforma em açúcar, como se sabe). Não é só na memória afetiva dos brasileiros que a mandioca é importante – dela, Jorge Amado escreveu em seu Navegação de Cabotagem: “onde quer que esteja levo o Brasil comigo mas, ai de mim, não levo farinha de mandioca e sinto falta todos os dias, ao almoço e ao jantar”. É em nossa história. Certamente, no alto de sua estupidez – aliás, o sr. Temer diz-se um constitucionalista, deveria saber – que mandioca já foi medida de riqueza no Brasil. Aquela que deveria ser a primeira Constituição Brasileira, em 1.823, abortada pela intervenção de Pedro I, ganhou o apelido de “Constituição da Mandioca”, porque o direito de voto, que era censitário, só seria dado a quem tivesse no mínimo de 150 alqueires de plantação de mandioca. que elegeriam um colégio eleitoral, provincial, delegados que precisavam ter no mínimo de 250 alqueires da raiz e que, por sua vez, elegeriam deputados e senadores, dos quais eram exigidos, 500 e 1000 alqueires, respectivamente, para se candidatarem. A mandioca era quase um símbolo nacional, como o chá que – fortemente taxado pelos ingleses – esteve nas origens da formação dos EUA, tanto que os ultra conservadores de lá se organizam do Tea Party. Em 1817, na “Revolução dos Padres”, em Pernambuco, eles deixaram de fazer hóstias de trigo para fazê-las com tapioca. Mandioca, portanto. Ao presente. Até 1991, o Brasil era o maior produtor mundial de mandioca. Hoje é o quarto, atrás da Nigéria, Tailândia e Indonésia. E a passos largos para ficar mais para trás: a produção brasileira, que já foi de 27 milhões de toneladas, este ano deve ficar abaixo de 21 milhões. Com uma produtividade menor que a da república africana de Gana. Ainda assim é a quinta maior cultura agrícola do país, atrás apenas da soja, de cana de açúcar, do milho e do arroz. Aos preços registrados, em média, pelas pesquisas da Companhia Nacional de Abastecimento – fresquinhos, já do Governo Temer – uma bagatela de R$ 38 bilhões. Mas os “coxinhas” e , agora, a turma da pirâmide peemedebista debocham, usando o pobre vegetal com um duplo sentido escandalosamente fálico. Talvez seja o único que venham a conhecer com este tipo de apelação imbecil. Deviam aprender com João Doria e sua “farinata” no que dá debochar da comida dos pobres. ViaTijolaço