A destruição do Brasil e o corno da rua

Se, como dizia Von Clausewitz, a guerra é a continuação da política por outros meios, na encarniçada guerra em que se transformou a política, nos dias de hoje, a missão do jornalismo deveria ser a de escrever a história enquanto ela ocorre e acontece, se a mídia não estivesse, na maioria das vezes, a serviço de seus próprios interesses e de projetos de poder mendazes, hipócritas e manipuladores. Por Mauro Santayana, em seu blog Só os ingênuos acreditam em imprensa isenta em uma sociedade capitalista – na qual ela defende o interesse de seus donos e anunciantes – e mais ainda em um país como o Brasil, em que praticamente inexistem meios de comunicação públicos, quanto mais democráticos e de qualidade, como em outros lugares do mundo. A “história oficial” que tenta contar, ou corrobora, enquanto discurso quase único, a mídia brasileira hoje, é a de que vivemos em um país subitamente assaltado, em termos históricos, nos últimos 15 anos, por “quadrilhas” e organizações criminosas, infiltradas em governos populistas e incompetentes que, acossado pela corrupção, tenta, por meio de uma justiça corajosa e impoluta, livrar-se desse flagelo “limpando” a ferro e fogo a Nação, enquanto um governo que, coitado, não é perfeito, mas foi alçado ao poder pelas “circunstâncias”, tenta “modernizar” o Brasil, por meio de reformas tão inadiáveis quanto necessárias, para tirá-lo de uma terrível bancarrota em que o governo anterior o enfiou. Mas a história real que ficará registrada nos livros do futuro – queira ou não quem está a serviço dessa gigantesca mistificação – falará de um Brasil que, no início do Século XXI, chegou a sair da décima-quarta economia do mundo para o sexto posto nos últimos 15 anos – e que ainda ocupa o nono lugar entre as nações mais importantes do mundo. De uma nação que mais que triplicou seu PIB de 504 bilhões em 2002, para quase 2 trilhões de dólares no ano passado – que pagou – sem aumentar a sua dívida pública com relação a 2002 – seus débitos com seus principais credores internacionais – entre eles o FMI – e quadruplicou sua renda per capita em dólares, além de economizar mais de 340 bilhões de dólares em reservas internacionais, nesse período, transformando-se no que ainda é, hoje, em 2017, o quarto maior credor individual externo dos EUA. Um país que cortou, segundo números do IBGE, o número de pobres pela metade, duplicou o número de escolas técnicas federais, construiu quase 2 milhões de casas populares, com qualidade suficiente para atrair até mesmo o interesse de altos funcionários do Estado, como procuradores da República. . Um país que tinha voltado a construir refinarias, navios, grandes usinas hidreléctricas, gigantescas plataformas de petróleo e descoberto, com tecnologia própria, abaixo do fundo do mar, a maior província petrolífera, em termos mundiais, dos últimos 50 anos. Que expandiu o crédito e o consumo, duplicou sua safra agrícola, projetou-se internacionalmente em seu próprio continente e até o continente africano – como fazem outros países de sua dimensão e importância – e forjou uma aliança geopolítica com potências espaciais e atômicas, como Índia, China e Rússia – o BRICS – montando um banco que foi criado com a missão de transformar-se no embrião de uma alternativa ao sistema financeiro internacional. Que estava construindo submersíveis – entre eles o seu primeiro submarino atômico – tanques, navios de patrulha, cargueiros aéreos, caças-bombardeiros, radares, novos mísseis ar-ar, sistemas de mísseis de saturação, uma nova família de rifles de assalto, para suas forças armadas, por meio de forte apoio governamental a grandes empresas de engenharia de capital majoritariamente nacional, integrando esses esforços com outros países, também do próprio continente, para fortalecer a defesa e a soberania regional contra eventuais agressões externas. Um Brasil que, por estar fazendo isso, sofreu, nos últimos quatro anos, um ataque coordenado, ideológico e canalha, de inimigos internos e externos. Primeiro, com a revelação do escândalo de espionagem do país e do governo, e empresas que depois seriam, coincidentemente acusadas de corrupção, como a Petrobras, por parte de governos estrangeiros., Depois, por meio de um golpe iniciado com manifestações financiadas de fora do país, desde a época da Copa do Mundo, e de uma ampla campanha de sabotagem midiática e de operações de contra-informação permanentes, financiadas e coordenadas em muitos casos de fora do país, com o deslocamento para cá de embaixadores que estavam presentes quando do desfecho de golpes semelhantes e recentes em outros países sul-americanos, como o Paraguai, por exemplo. Um golpe que, iniciado no ano de 2013, foi finalmente desfechado, politicamente, em 2016 – baseado em uma tese juridicamente insustentável – para gáudio do que existe de pior na política brasileira e de nossos concorrentes internacionais. Concorrentes que, como vimos, pretendiam e desejam não apenas parar o Brasil no caminho que estava seguindo, de seu fortalecimento econômico, social e geopolítico, mas destruir a economia brasileira, para se apossar, por meio de uma segunda onda de destruição e de desnacionalização de nossas empresas, de nosso mercado interno e de nossos mais importantes ativos públicos e privados a preço de banana, colocando no poder “governos” de ocasião, entreguistas e dóceis às suas determinações e desejos. Para fazer isso, os inimigos do Brasil agiram – e continuam agindo – na frente política e na econômica, sustentados por paradigmas tão falsos quanto mendazes, que muitas vezes podem se apresentar como aparentemente contraditórios aos olhos de certos observadores. O principal deles, é o que reza que a corrupção é o maior problema brasileiro, e que trata-se, ela, de um fenômeno recente em nossa história, ou que alcançou supostamente “gigantescas” proporções, somente a partir de chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder em janeiro de 2003. Na economia, por outro lado, era e é preciso vender o peixe de que o país está quebrado, quando no grupo das 10 principais economias do mundo, em que nos incluímos depois de 2002, pelo menos 7 países – EUA, Japão, Reino Unido, França, Itália, Canadá – têm uma dívida pública maior que
Histeria tornou suicida a direita brasileira

Por Fernando Brito – Tijolaço Na Folha, o Painel diz que “quem conhece” do Tribunal Federal da 4ª Região, onde será julgado o recurso de Lula diante da insana sentença de Sérgio Moro no caso do apartamento do Guarujá, “está convencido” de que a decisão será ainda no primeiro semestre de 2018. No Diário Catarinense, da RBS gaúcha, a futrica é mais precisa: “O julgamento do recurso do ex-presidente Lula pelo Tribunal Regional Federal de Porto Alegre vai ocorrer em fevereiro do próximo ano. A informação circulou durante o Congresso Estadual dos Magistrados, que teve o relator do recurso de Lula, desembargador João Pedro Gebran, como um dos painelistas.” Ai que tudo indica, são “balões de ensaio” lançados pelo próprio Gebran, amigo e colega de mestrado de Sérgio Moro e invariavelmente alinhado às sentenças do juiz da Lava Jato. Três juízes, neste caso, têm uma decisão que vai muito além da sentença “supositória” que prolatou Moro, sobre um apartamento que não é e nunca foi, de fato ou de direito do ex-presidente e sobre o qual, para liga-lo ao dinheiro desviado da Petrobras, tem apenas a palavra de um delator. Três homens apenas vão tomar a si o direito de sentenciar o Brasil a ter – ou não – eleições viciadas por uma exclusão marcadamente ideológica de um candidato. Ninguém, por exemplo, fala em Aécio Neves poder estar inelegível, mesmo com a prova flagrante de um telefonema gravado e uma mala de dinheiro apreendida. Três homens que podem fazer o Brasil cumprir pena de quatro anos, em regime fechado, com a eleição de um protofacista como Jair Bolsonaro à Presidência. Ou será que alguém acha que a eleição será “ideológica” e colocará um freio “natural” em Bolsonaro? Quem, sem Lula, pode encarnar com mais facilidade o “contra tudo e contra todos”? A interdição de Lula criaria o imponderável em um segundo turno onde o “novo” seria o trêfego ex-capitão. Não se vê, sem Lula na disputa, quem possa enfrentá-lo num quadro de insatisfação popular, exceto, talvez, Ciro Gomes, que deve abandonar, por isso,seus arroubos verbais que lhe criam ressentimentos desnecessários entre os “lulistas” e, portanto, dificultam-lhe a condição de eventual “plano B” de uma frente progressista. Como não o fez, até agora, não é maior seu crescimento nas hipóteses pesquisadas sem a presença do ex-presidente.
Até o Ibope confirma: ninguém segura o Lula

LULA CONSOLIDA VANTAGEM E PODE LEVAR ELEIÇÃO NO PRIMEIRO TURNO – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva avançou no Datafolha e pode vencer a próxima eleição até no primeiro turno. É o que mostra pesquisa que acaba de ser divulgada pelo instituto do grupo Folha. No principal cenário, Lula tem 34%, o dobro do segundo colocado, que é Jair Bolsonaro, com 17%. Em seguida, aparecem Marina Silva, com 9%, Geraldo Alckmin, com 6%, e Ciro Gomes também com 6%,. O instituto fez 2.765 entrevistas entre 29 e 30 de novembro, em 192 cidades. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos. “Quando a intenção de voto é questionada sem apresentação de nomes, Lula surge com 17% das citações e Bolsonaro, com 11%. Todos os outros pontuam de 1% para baixo”, aponta ainda o jornalista Igor Gielow. “Lula ganha em todos os cenários de segundo turno. Ele ampliou em quatro pontos percentuais sua vantagem, em relação à pesquisa feita no fim de setembro, no confronto com Alckmin (52% a 30%), Marina (48% a 35%) e Bolsonaro (51% a 33%). O tucano empata tecnicamente com Ciro (35% a 33%) e Marina ganharia de Bolsonaro (46% a 32%)”, diz a reportagem. Leia, abaixo, reportagem da Reuters sobre a pesquisa: RIO DE JANEIRO (Reuters) – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fortaleceu sua liderança e o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) está isolado em segundo lugar da corrida presidencial, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado. Em um cenário da pesquisa que considera os dois nomes concorrendo contra Marina Silva (Rede), Joaquim Barbosa, Michel Temer (PMDB) e Henrique Meirelles (PSD), Lula lidera com 34 por cento dos votos, Jair Bolsonaro fica em segundo com 17 por cento e Marina Silva com 9 por cento. O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) ficam empatados na quarta posição, com 6 por cento. Nesse cenário, Joaquim Barbosa tem 5 por cento das intenções de voto, Alvaro Dias (Podemos) tem 3 por cento, Manuela D’Ávila (PCdoB) 1 por cento, Temer 1 por cento, Meirelles 1 por cento, Paulo Rabello de Castro (PSC) 1 por cento, branco/nulo/nenhum 12 por cento e não sabe, 2 por cento. O instituto pesquisou outros cenários em que nem todos os possíveis candidatos aparecem na disputa. O ex-presidente Lula, condenado em primeira instância pelo juiz federal Sérgio Moro, lidera em todos os cenários nos quais foi incluído, com intenções de voto que variam de 34 por cento a 37 por cento. Lula foi condenado em um julgamento por corrupção, em julho. Se esta condenação for confirmada, ele não poderá competir. Nos cenários em que Lula foi excluído da disputa, a pesquisa apontou na liderança Bolsonaro, com intenções de voto que variam de 21 por cento a 22 por cento. Alckmin aparece nos cenários da pesquisa sempre entre a terceira e a quarta posição. No segundo turno, Lula também lidera todos os cenários nos quais foi incluído. No cenário de segundo turno que considerou Marina e Bolsonaro, Marina vence o possível adversário com 46 por cento das intenções de voto, contra 32 por cento de Bolsonaro. A pesquisa considerou ainda, em alguns cenários, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que o apontaram com um desempenho fraco. Na pesquisa espontânea, em que o pesquisador não apresenta ao entrevistado uma lista de candidatos, Lula lidera com 17 por cento, seguido de Bolsonaro com 11 por cento. Todos os demais nomes pontuam 1 por cento ou menos. Nesta modalidade, de acordo com o Datafolha, 19 por cento afirmaram que não votariam em ninguém e 46 por cento disseram não saber em quem votaria. O instituto fez 2.765 entrevistas entre 29 e 30 de novembro, em 192 cidades. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.
Para os canalhas, velhinho bom é velhinho morto

Os ‘valentes’ Bolsonaro escondem o voto na Previdência Um detalhe curioso – ou revelador – do levantamento da Folha sobre a posição dos deputados federais diante da reforma previdenciária que Michel Temer tenta impor é o voto da”família Bolsonaro”, Jair e Eduardo. Ambos se recusaram a responder à pergunta do jornal. O que, claro, dá uma pista de que ou vão votar a favor ou estão, para não desagradar o seu novo amor, “o mercado”, com medo de dizer que votarão contra. Aliás, um como ex-militar e outro como policial federal, ambos ficam no grupo dos que não terão prejuízo e, portanto, prontos à aderir – em relação aos outros – a tese de que “velhinho bom é velhinho morto”. Os “valentões”, na “hora H”, nem sequer ficaram em cima do muro. Preferiram ficar atrás do muro.
Até quando Aécio Neves continuará impune?

– AÉCIO USAVA CELULARES DE LARANJAS PARA FAZER LIGAÇÕES SIGILOSAS – Para diminuir o risco de vazamento em conversas sigilosas, o senador Aécio Neves usava celulares em nome de laranjas, diz relatório da Polícia Federal feito com base em material encontrado na casa do tucano em operação de busca e apreensão após o escândalo da JBS – Um relatório elaborado pela Polícia Federal (PF) após a análise de objetos e documentos que foram apreendidos no apartamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG), no Rio de Janeiro, em 18 de maio, aponta indícios de que o tucano usava dois celulares com linhas telefônicas supostamente registradas em nome de laranjas para fazer ligações sigilosas. Segundo a perícia da Polícia Federal, “aparelhos celulares simples” foram encontrados pelos agentes na sala de TV e no closet do apartamento de Aécio localizado no bairro de Ipanema. No início do ano, o delator Joesley Batista, da JBS, gravou Aécio pedindo a ele R$ 2 milhões para, supostamente, pagar os honorários do advogado que o defendia nos processos da Lava Jato. “Pelas descrições dos itens 20 e 25 acima, tratam-se de aparelhos telefônicos simples/descartáveis normalmente utilizados para conversas ponto-aponto (análogo a uma rede fechada) com pessoas determinadas/restritas de modo a evitar eventuais vazamentos do número utilizado na ligação, visando a maximização do sigilo das ligações.” Os telefones pré-pagos estavam registrados em nome de duas pessoas diferentes: Laércio de Oliveira, agricultor que trabalha no cultivo de café em fazendas do interior de Minas e Mitil Ilchaer Silva Durao, montador de andaimes com endereço registrado no Espírito Santo. As informações são de reportagem de Fabiano Costa no G1.
FÉ NA LUTA: TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

– Padres criticam ‘inércia pastoral’ e querem igreja engajada em lutas sociais – Inspiradas na Teologia da Libertação e na orientação do papa Francisco, paróquias da zona leste de São Paulo incentivam participação popular em temas como moradia, educação e mobilidade por Luciano Velleda, da RBA Padres de São Paulo acreditam que o papa Francisco aponta o caminho para a Igreja estar novamente ao lado dos pobresSão Paulo – Inquietos com o comportamento de uma igreja reduzida ao clericalismo e de olhos fechados para a realidade social na Diocese de São Miguel Paulista, zona leste da cidade de São Paulo, seis padres iniciaram, em 2010, um movimento para sacudir os colegas de batina. Nascia assim o coletivo Igreja – Povo de Deus – em Movimento. O objetivo é reavivar o compromisso das paróquias da região, como em Itaquera, São Mateus, Ermelino Matarazzo e Guaianases, com o engajamento nos movimentos por transformação social, inserindo em suas rotinas religiosas a luta por educação, moradia e trabalho. O movimento ganhou mais força a partir de 2013, com a eleição do papa Francisco e sua postura progressista diante do conservadorismo da Igreja Católica. “O coletivo continua sendo a chave para saídas possíveis diante da longa noite que atravessamos. Nesta caminhada, portanto, com lampião aceso, dizemos que outra Igreja é urgente e necessária para construir o compromisso com os mais pobres”, afirma a cartilha de formação Por Uma Igreja em Saída e para o Povo, que será lançada neste sábado (25), às 8h, no Centro Social Marista Itaquera. Os padres Ticão Marchioni, Dimas Carvalho, Devair Poletto, Cyzo Lima, Émerson Andrade e Paulo Bezerra são os homens à frente da Igreja – Povo de Deus – em Movimento (IPDM), que retoma na zona leste de São Paulo a tradição iniciada nos anos de 1980 com a Teologia da Libertação e as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). “Quase submersos em uma crise planetária econômico-socioambiental, cultural e religiosa, o IPDM, no entanto, provoca a inércia pastoral, a indiferença social, o cinismo e a ditadura político-econômica midiática, e o descaso pela casa comum, para enfrentar a crise não como limite, mas como profecia de transformação”, explica outro trecho da cartilha, afirmando que a provocação maior, todavia, deve ser feita na retomada do trabalho de base, nas comunidades, paróquias e coletivos para que priorizem “o estudo e as reflexões sobre as questões candentes da conjuntura da Igreja e da sociedade”. Segundo Eduardo Brasileiro, professor de sociologia e coordenador pastor da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Itaquera, a expressão “igreja em saída” quer justamente incentivar a postura de uma igreja que saí das paredes seguras do templo e encara as lutas sociais da atualidade. “É um desafio colocar a igreja em movimento, é uma dificuldade sair desse modelo voltado para dentro e conseguir ir para a rua. Com a eleição do papa Francisco se ganhou mais força para dizer que a igreja deve estar perto dos pobres, lutando contra a desigualdade social”, afirmou. Política e religiãoA cartilha de formação Por Uma Igreja em Saída e para o Povo inclui artigo da urbanista Ermínia Maricato, professora aposentada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), e ex-secretária-executiva do Ministério das Cidades (2003- 2005). Traz ainda um tópico intitulado “Discutindo Tabus”, sobre participação política num contexto de corrupção, e a relação entre espiritualidade e os desafios políticos e econômicos da atualidade. “Um velho e santo bispo, dom Hélder Câmara, já nos dizia: não fazer política é o melhor jeito de ser dominado pela política dos outros. A política é o único caminho para as mudanças do país. Sem a participação da política, as mudanças não acontecem”, diz o padre Ticão Marchioni. “São milhares as formas de se fazer política para melhorar o nosso país. A mais descreditada atualmente é o político de partido, onde você encontra um lamaçal de corrupção, arrogância, desprezo com a miséria brasileira. Repito: eles estão lá porque nós estamos aqui, calados, tímidos e imóveis. É hora de nos unirmos aos movimentos sociais que lutam por mais direitos aos mais pobres.” Para padre Ticão, é necessário ocupar os partidos, analisar quais deles buscam a igualdade social, a taxação dos mais ricos, a distribuição de riquezas, a criação de empregos (com direitos) nas periferias, educação e saúde integrais. “A cartilha tem o objetivo de trabalhar na base, mostrar como os cristãos podem se inserir nas lutas por moradia, educação, mobilidade urbana, entre outras”, diz Eduardo Brasileiro, que espera bom público para o lançamento da publicação, seguido de debate.
A exploração do trabalho na era Temer

Os escravos do final de semana. Viva o trabalho escravo! O anúncio está aí, no jornal, bem nítido, incontestável. Falta mostrar a conta da reforma trabalhista de Michel Temer. Cinco horas, aos sábados e domingos – em geral, 9 dias por mês- a R$ 4,45 a hora, cinco horas por dia. Salário mensal de R$ 200,25. Menos de um quarto do salário mínimo que se ganha com 22,5 dias úteis do mês corrido. R$ 184, líquidos, porque desconta previdência, um desconto que de nada vale se o empregado não tirar mais uns R$ 75, todo mês, para complementar a contribuição sobre o mínimo. Neste caso, sobram-lhe R$ 110, arredondando. Mas quem disse que o patrão vai dar vale-transporte? É obrigatório, mas será, para o “trabalhador intermitente”? Não sendo, tome aí uns sete reais pela passagem de ida e volta, nove dias: R$ 63 Sobram R$ 47. Mas o patrão é bom e deu o vale, descontando os 6% de praxe. O que dá 12 reais, e sobram R$ 98 Se não der, fica menos menos de R$ 5 por dia, pois são nove dias. Se der, R$ 10,90 diários. Para manter um escravo, na senzala, gasta-se mais. Dá para comprar perto quatro litros de leite por dia trabalhado, para beber nos sete dias da semana. Um litro por dia! Viram como estes “vagabundos” vão “mamar” nas tetas do patrão? Um litro por dia, para ele a mulher e os filhos, que devem ser dois ou três, porque eles só pensam em se reproduzir. Mas sabe como é esse pessoal pobre, é capaz de roubar um hamburguer do Bobs, ou um espagueti do Spolleto. Da escravidão, a única coisa que se aproveita é o chicote. Não para o lombo do escravo, não. Mas para fazer o que Cristo fez com os fariseus. Via Fernando Brito – Tijolaço _______________________________________________________________________________________________________________________________ Veja se seu deputado faz parte dos canalhas que votaram a favor desta reforma trabalhista: VOTARAM SIM – A FAVOR DA REFORMA TRABALHISTA – Aelton Freitas – PR– Bilac Pinto – PR– Brunny – PR– Caio Narcio – PSDB– Carlos Melles – DEM– Delegado Edson Moreira – PR– Domingos Sávio – PSDB– Eduardo Barbosa – PSDB– Fábio Ramalho – PMDB– Franklin Lima – PP– Jaime Martins – PSD– Leonardo Quintão – PMDB– Luis Tibé – PTdoB– Luiz Fernando Faria – PP– Luzia Ferreira – PPS– Marcelo Aro – PHS– Marcos Montes – PSD– Marcus Pestana – PSDB– Mauro Lopes – PMDB– Misael Varella – DEM– Newton Cardoso Jr – PMDB– Paulo Abi-Ackel – PSDB– Raquel Muniz – PSD– Renzo Braz – PP– Rodrigo de Castro – PSDB– Rodrigo Pacheco – PMDB– Saraiva Felipe – PMDB– Tenente Lúcio – PSB– Toninho Pinheiro – PP
PMDB expulsa Kátia e assume seu lado bandido

– O mesmo partido que não tomou qualquer providência contra Eduardo Cunha, que governa o Brasil da cadeia, Geddel Vieira Lima, do bunker de R$ 51 milhões, e Henrique Alves, todos presos, decidiu expulsar a senadora Kátia Abreu (TO). O conselho de ética do PMDB se reuniu nesta quinta-feira (23) e aprovou, por unanimidade, o cancelamento da filiação de Kátia Abreu ao partido. O processo no conselho foi encerrado e caberá à senadora decidir se apela à Executiva Nacional da sigla. O motivo: crítica a Michel Temer, apontado como chefe de quadrilha pela Procuradoria Geral da República (PGR). A ex-ministra da Agricultura de Dilma Rousseff foi acusada também de ter violado o Código de Ética e Fidelidade Partidária e o Estatuto da sigla, por apresentar posições contrárias às orientações do PMDB. A senadora recebeu sondagens de outros partidos que gostariam de filiá-la caso sua expulsão seja concretizada. O PSD e o PDT já conversaram com Kátia e estudam lançá-la ao governo de Tocantins em 2018. Kátia votou contra a reforma trabalhista, que retira direitos dos trabalhadores, e se manifestou contra a reforma da Previdência.
Nova fase da Educação Mercadoria

Elite troca a tradição e excelência por “serviços educacionais”, vendidos como resortes ou bancos “prime”. Neste tipo de educação, não se busca formar seres humanos, mas patrões. Foi-se o tempo em que pais de classe média e alta escolhiam escolas particulares baseados apenas na tradição. A educação básica privada transforma-se progressivamente em um mercado de serviços como outro qualquer, e a oferta de “experiências perfeitas” (?!) às crianças pouco se distinguem das estratégias de propaganda de hotéis de luxo ou resortes à beira-mar. O mercado de serviços educacionais (é disso que se trata) de grandes cidades brasileiras vem sendo sacudido pela inserção de novos “players” (assim se denominam) e atraindo investimentos de grupos nacionais e estrangeiros de “private equity” ou mesmo de “venture capital”. Sim, a educação básica imita o ensino superior e entra na bolsa de valores (stock market, melhor dizendo), com todas as regras de “compliance” e promessas de ganhos de “market share”. Anglicismos adentro, os nomes de algumas novas escolas a serem inauguradas em São Paulo e no Rio de Janeiro reiteram a tendência: New York Avenues, Concept, International School…e por aí vai. Mas há uma importante diferença no “target” entre o ensino superior privado e as novas escolas particulares. Enquanto os centros universitários – eufemismo para uma reunião pouco consistente de faculdades técnicas – miraram o consumidor de baixa renda (“lower income”, para não destoar) e os subsídios governamentais do Prouni, as escolas de educação básica tentam seduzir o segmento “premium”, a “upper class”. Os projetos pedagógicos das escolas butiques, ou colégios de charme, embalam em papel dourado e salas de aula projetadas por famosos designers tendências de metodologia ativa presentes no horizonte educacional desde pelo menos os anos 1960. O aluno como protagonista, a interação como princípio da aprendizagem, a construção de conhecimento por meio de projetos de investigação. Nada de novo aqui, e nem é isso mesmo o que essas escolas querem vender. Sede da Avenues, em São Paulo: lá, segue-se o calendário do Hemisfério Norte e comemoram-se os feriados norte-americanos Suas estratégias de marketing mobilizam sem maior receio – ou vergonha – o conceito de exclusividade, como os bancos prime ou algumas pousadas em Trancoso. Esse é o verdadeiro objeto de desejo dos potenciais clientes das escolas butique. Afinal, para formar cidadãos de um mundo globalizado, os futuros líderes do século XXI (a quem a plebe rude e ignara está fadada a obedecer), é necessário cobrar mensalidades na faixa de oito mil reais por mês, fora uma taxa de matrícula (ou de adesão) de outros tantos mil reais. Assim estão a se formar verdadeiros clubes privados de ensino, escolas de empreendedorismo e criatividade (leia-se, negócios), jardins da infância financeirizada e higienizada, cujo acesso é, certamente, exclusivo: longe de gente esquisita que não circula no Clube Pinheiros ou no Jockey Club, nem vai esquiar em Aspen no carnaval. Não, essas escolas não se destinam a formar líderes, mas patrões. Não pretendem formar cidadãos globais, mas elites que mandam a partir de espaços delimitados e cercados, muito distantes da realidade diversa e multifacetada do mundo dito globalizado. Esses estabelecimentos de “educação” não se destinam a uma integração com a realidade contemporânea, mas com uma pequena parcela desta realidade, a que vive nos melhores bairros, tem acesso ao maior número de recursos, seja em Manhattan, seja nos Jardins ou na Barra da Tijuca. Escolas de alienação, isso sim, compradas a peso de ouro. Fonte: Revista Diálogo do Sul
Guerrilha da desinformação – Por Felipe Gabrich

Se não tem acesso à informação, seja por falta de tempo ou de dinheiro, o cidadão brasileiro tem que exercitar a percepção e a observação. Aprender a ver o que se passa ao seu redor.Por exemplo: não causa espécie, ou não é estranho, à opinião pública que as classes dominantes e a grande mídia convencional se utilizem com força de lei as opiniões emitidas pelo Banco Mundial em assuntos de seu interesse?Foi assim ao longo do rumoroso processo de impeachment da presidenta da República Dilma Rousseff, período em que os meios de comunicação, principalmente as televisões, usaram e abusaram das análises da referida instituição financeira para emoldurar a suposta crise financeira na qual se debatia o país.Alguns jornais eletrônicos chegaram até mesmo a abusar da avaliação do BM, como se as palavras de seus técnicos fossem a verdade única e absoluta sobre a realidade econômica do país. Praticaram maquiavelicamente a guerrilha desarmada da desinformação para manipular a ingênua massa popular.O mesmo fenômeno pode ser observado no período atual, quando o governo federal tenta emplacar uma reforma previdenciária antipopular e estuda a introdução do sistema de pagamento do ensino superior, ou seja, o fim das universidades públicas gratuitas.Estudo técnico do Banco Mundial critica a situação financeira do país e diz em letras garrafais que o governo federal gasta muito e mal.Mas não informa que ele malversa o dinheiro público e aponta algumas medidas que poderiam concorrer para o saneamento das finanças públicas, dentre as quais a reforma previdenciária e o fim do ensino superior gratuito.O BM não comenta o congelamento de investimentos públicos por vinte anos em áreas de responsabilidade social do governo da União, como a Saúde e a Educação, mas indica que a geração de novas rendas estaria na reforma da Previdência e na erradicação do ensino superior gratuito.O documento está em todos os jornais de circulação nacional e a população teve conhecimento de pelo menos dessas duas propostas nos jornais falados das emissoras de rádios e nos telejornais de todas as televisões comerciais dos últimos dias.Esses meios de comunicação agem, infelizmente, como se o Banco Mundial falou está falado.Aliás, o grande mal do Brasil na atualidade são as suas televisões comerciais, infelizmente, que acham que o que transmitem é palavra do rei.As televisões se acham Deus.Uma delas parece ter certeza disso. (*) Felipe Gabrich é jornalista e articulista do EM CIMA DA NOTÍCIA