Discurso contra golpista e usurpador viraliza nas redes

 – O universitário Fernando Lewer fez um discurso contundente contra Michel Temer, durante colação de grau de uma turma da Universidade Federal da Fronteira do Sul; o texto foi postado no Facebook de Lewe e viralizou, com milhares de curtidas e compartilhamentos; “Precisamos gritar Fora Temer para que se tenha mais negros e negras, mais indígenas, mais camponeses e camponesas, para que as Transexuais tenham a universidade como um espaço de possibilidade e respeito. Precisamos gritar Fora Temer para que a universidade do povo seja possível!”, disse Lewer, no encerramento do discurso  – O universitário Fernando Lewer fez um discurso contundente contra Michel Temer, durante colação de grau de uma turma da Universidade Federal da Fronteira do Sul. O texto foi postado no Facebook de Lewe e viralizou, com milhares de curtidas e compartilhamentos. Leia abaixo a íntegra: Boa noite a todas e a todos! Primeiramente é preciso dizer: FORA TEMER!Por que dizer Fora Temer neste dia é tão importante? E por que, possivelmente, algumas pessoas se sentem incomodadas mesmo conhecendo o contexto histórico dos que hoje se formam? Para entendermos a importância de gritarmos FORA TEMER hoje e sempre que tivermos a oportunidade, é preciso conhecermos a história de nosso país e de nossa América Latina em seu âmbito social, econômico, cultural e político abrangendo os contextos local, nacional e internacional de forma dinâmica, pois tudo isso resultou no dia de hoje. Como todos e todas sabemos, já se passou meio milênio desde que nossos antepassados invadiram este território, saquearam e assassinaram populações inteiras, e o pior disso tudo é que essa ainda é a nossa realidade, porém maquiada. Mudaram-se apenas os métodos e os disfarces legais. Povos esses considerados sem alma pelos soberanos cristãos. Considerados selvagens pelos ditos civilizados europeus, povos indígenas espalhados por toda a América, que de seus milhões restaram apenas alguns milhares sob proteção do Estado, vivem hoje em condição de miserabilidade e em contínua resistência e luta para poder viver e manter seus costumes. Hoje eles não são mais vistos como selvagens. O cidadão de bem, trabalhador, branco, os reconhecem apenas como vagabundos sustentados pelo Estado. E não para por aí, vai mais além. O cidadão de bem, trabalhador, branco, do sul, que xenofobicamente diz sustentar o Brasil, ainda com a sua ignorância forjada pelas matérias da mídia burguesa golpista, diz que lugar de índio é no mato, preferencialmente na Amazônia, pelados, caçando, pescando. Entretanto, se não bastasse assassinar os povos nativos, roubar suas terras, e, autoritariamente catequiza-los como única forma de permitir que vivessem reconhecidos como gentes, os invasores deste território tiveram a audácia de escravizar outros povos de outro continente em prol do enriquecimento de certos reis e imperadores. Em prol do enriquecimento desses que se consideraram raças superiores, indígenas e negros tiveram suas vidas e suas liberdades roubadas, seus corpos corrompidos pelo trabalho escravo e por genitálias invasoras que geraram filhos bastardos, fruto de estupro, que a Globo sempre romantiza em suas novelas mostrando o branco apadrinhando. O sistema escravocrata brasileiro ainda faz parte de nossa história recente. As feridas permanecem abertas e doem, muitas vezes sangram, especialmente nas favelas e periferias onde toda essa “pretaiada”, como pejorativamente são chamados aqui no sul, já sem serventia após abolição da escravatura, foram jogados para dar lugar a novos povos a serem explorados pelo sistema capitalista que se introduzia no Brasil. E com isso temos um novo marco de exploração no país, através das populações famintas e sem terras de alguns países da Europa, como italianos, alemães, poloneses, e tantos outros povos miseráveis que chutados por suas nações migraram para cá em busca de melhores condições de vida, o que não nos permite compreender como seus descendentes, com exceções, é claro, conseguem tratar tão mal, e com tanto preconceito e racismo nossos irmãos haitianos e senegaleses que também encontraram aqui uma alternativa de vida melhor, mesmo que as condições de trabalho sejam muito precárias. Ao final do século XIX e início do XX, quando as terras do RS não foram mais suficientes, famílias inteiras migraram para esta região onde a UFFS Chapecó se encontra. O governo concedeu estas terras a colonizadoras que a venderam como terras vazias, contratando outros bandidos para limpar essa região dos indígenas restantes. O governo nunca reconheceu as populações que aqui viviam. Taparam os olhos e financiaram o massacre de milhares de caboclos e indígenas para que esta região pudesse ser colonizada por “gente de bem” e “trabalhadora”. Palco de uma das batalhas mais sangrentas de nossa história, a Guerra do Contestado condicionou famílias caboclas à miséria, ao mesmo tempo em que o governo trazia famílias pobres descentes de europeus para desenvolver a agricultura local, escravizando-as através dos processos de integração com as grandes agroindústrias que aqui se instalaram. Aos caboclos, remanescentes do massacre, refugiados e sem alternativa, restaram os piores trabalhos erguendo essas cidades, sem poderem usufruí-las. A partir do processo de industrialização no Brasil as cidades cresceram e incharam a partir do alto êxodo rural, e hoje podemos medir o nível de desenvolvimento através do tamanho de suas favelas. O capitalismo brasileiro se fortaleceu e se consolidou. Direitos foram criados e monopolizados por elites, e as instituições militares sempre sendo utilizadas para defender a propriedade privada dos ricos. Desde o Regime Militar, ditadura sangrenta que perseguiu e assassinou milhares de pessoas pelo Brasil e por toda a América Latina em favor dos interesses do capital, nosso país passou a ser vendido para multinacionais. Depois de séculos saqueando nossas riquezas, o que sobrou começou a ser vendido durante esse período. Os militares matavam o povo, e davam de comer à burguesia, o que não é diferente de hoje quando fazem limpeza étnica nos centros urbanos e favelas. Com toda essa história nosso Brasil ficou conhecido como um país rico, pois todo nosso minério foi desenterrado e saqueado, nossas florestas, após derrubadas e queimadas, se tornaram férteis para grandes lavouras de monoculturas e criação de gado até se transformarem em grandes desertos. Formamos um povo brasileiro que nos

Juíza coxinha veta manifestação pró Lula

 – Diele Zydek, é militante, nas redes sociais, contra o PT. Ela tem compartilhamentos de diversas matérias elogiosas a Moro e o MPF e algumas do site de extrema direita O Antagonista  – A juíza Diele Zydek, que vetou manifestações em Curitiba no dia 10, quando mais de 30 mil pessoas deverão emprestar seu apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é também militante, nas redes sociais, contra o PT. No dia 4 de março de 2016, data da condução coercitiva do ex-presidente Lula, ela afirmou que “a casa caiu para Lula”. Dias depois, ela também se manifestou contra a nomeação de Lula para a Casa Civil, um ato legal da presidente deposta Dilma Rousseff, que foi derrubado por uma liminar do ministro Gilmar Mendes. “O direito de manifestação não se confunde com a possibilidade de ocupação de bens públicos ou particulares”, escreveu a magistrada em sua decisão, assinada na última sexta-feira. Abaixo, reportagem do Conjur: A Justiça do Paraná proibiu manifestações públicas na região da sede da Justiça Federal em Curitiba. Por causa do depoimento do ex-presidente Lula ao juiz federal Sergio Moro, a juíza Diele Denardin Zydek proibiu a montagem de estruturas nos arredores do fórum e determinou que apenas pessoas autorizadas adentrem o perímetro feito pela Secretaria de Segurança do Paraná. As manifestações estão restritas das 23h desta segunda-feira (8/5) até as 23h sexta-feira (10/5), dia do depoimento. “O direito de manifestação não se confunde com a possibilidade de ocupação de bens públicos ou particulares”, escreveu a magistrada em sua decisão, assinada na sexta-feira (5/5). “Diante do elevado número de pessoas envolvidas, muito embora seja obstada a ocupação de ruas e praças públicas, é salutar que o requerente, juntamente com os movimentos indicados na peça inaugural, negocie soluções a fim de garantir o direito de manifestação, com a limitações ora deferidas.” Lula deporá a Moro como réu em uma ação penal na qual é acusado de receber R$ 75 milhões da construtora Odebrecht para ajudá-la a conseguir oito contratos com a Petrobras. A ação corre desde setembro, e manifestações são esperadas desde que a audiência foi marcada. Inicialmente, o depoimento havia sido marcado para o dia 3 de maio. Diante das convocações para manifestações e da expectativa de participação de 50 mil pessoas, a Secretaria de Segurança do Paraná e a Polícia Federal pediram adiamento da audiência. Queriam mais tempo para se organizar, e Moro deferiu. Na quinta-feira (4/5), a Justiça Federal no Paraná publicou portaria suspendendo o atendimento ao público e a entrada de pessoas não autorizadas nas dependências da Justiça Federal no dia da audiência de Lula. A decisão foi tomada a pedido da Procuradoria Municipal de Curitiba. Na sexta, a juíza Diele Zydek escreveu que são esperadas milhares de pessoas, o que vai atrapalhar o direito de livre circulação das pessoas que moram e trabalham na região. A “análise da situação concreta”, afirmou a juíza, faz “necessária a limitação parcial do acesso às imediações do Justiça Federa”. Caso pedestres e veículos não autorizados adentrem a área mais próxima do fórum, estarão sujeitos a multas diárias de R$ 100 mil. Na área secundária demarcada pela Polícia Militar do Paraná, a entrada não autorizada acarreta multa de R$ 50 mil. Já a “montagem de estruturas e acampamentos” será punida com multa diária de R$ 50 mil. A juíza se baseou em decisão de 2002 do Tribunal Regional Federal da 4ª Região segundo a qual “a garantia constitucional do direito à manifestação não se estende à ocupação, ainda que provisória, do bem público”.

Curitiba, capital democrática do Brasil

 – No cenário de uma Curitiba democrática, popular, defensora do Estado de Direito.  Se disputa muito no encontro entre a democracia e seus detratores. Antes de tudo, o que é melhor para o Brasil: a violação da democracia supostamente para salvar o Brasil ou a reafirmação da democracia para salvar o Brasil. Seus detratores nem se preocupam em dizer que lutam pelo resgate da democracia, até porque teorizam que viveríamos uma situação excepcional, que demandaria e autorizaria métodos excepcionais, que se chocam com o Estado de direito e com a democracia. Quem defende que a democracia e’ o caminho certo da historia, não transige com o Estado de Direito e com os direitos de todos. Os resultados de quem apela para métodos excepcionais estão à vista: instalado por um golpe, o governo mais corrupto da historia do Brasil desmonta os direitos de todos, o patrimônio nacional e a soberania externa. Tudo aos olhos de quem deveria defender o Estado de Direito. As pesquisas confirmam que a população sabe que a corrupção só aumentou com o golpe e o governo que surgiu dele, descrê na democracia e na política como ação pelo bem de todos, quer a recuperação do direito de eleições diretas para definir o destino do pais. Quem é democrata hoje no Brasil? Fica claro que é quem confia na decisão do povo mediante o voto direto. Quem é quem convoca o povo para as ruas e não quem o reprime. Quem é quem respeita o direito de todos os acusados. Quem é quem reivindica que os juízes só’ falem nos autos. Quem ninguém seja execrado e julgado na mídia, no lugar de um julgamento isento. Esta’ evidente que quem defende a democracia está, intransigentemente, contra o golpe e briga pelas eleições diretas. Quem é corrupto no Brasil? Os membros do governo e do PSDB, com contas no exterior e acusações de recebimento de polpudas cifras? Ou o Lula, que não tem conta nenhuma, que não foi acusado de manejar recursos recebidos ilicitamente, que continua vivendo, depois de ter sido o presidente de maior sucesso na historia do Brasil, no mesmo apartamento em que vivia, em Sao Bernardo, antes de ser eleito? A Dilma, sobre quem não pairam nem suspeitas de qualquer tipo de irregularidade. Quem tem o apoio do povo, o que diz a voz das ruas? A direita invocou a voz das ruas para legitimar o golpe. Juizes que violam a democracia alegam que teriam apoio das ruas. Hoje as ruas tem um grito uníssono contra o governo surgido do golpe, contra o pacote antipopular de medidas que o Congresso trata de aprovar, pelas eleições diretas para presidente da republica. Curitiba foi apropriada indevidamente por um conjunto de juízes, que pretendiam ter uma jurisdição própria – uma espécie de Guantánamo brasileira –, para levar a cabo seu projeto de passar a limpo a história do Brasil, que já não teria sido a da luta contra as injustiças sociais, mas uma farsa encoberta pela corrupção, segundo eles. Para isso precisavam ter um espaço em que se legitimassem suas formas antidemocráticas de ação. E tentaram e apropriar de Curitiba, estado que tem longa trajetória de lutas populares e de defesa da democracia. A farsa demorou um tempo, mas logo se esgotou. 15 pessoas se manifestando a favor do Moro expressou ao que tinha ficado reduzido o suposto feudo que ele pretendia comandar. Por outro lado, manifestações cada vez maiores foram ocupando as ruas e as praças de Curitiba, revelando uma forca popular que tinha ficado limitada pelo marketing dos juízes. Agora o próprio juiz que apela à mídia, vem pedir que sua gente não venha, para não haver comparação evidente entre quantos estão de um lado e do outro. Apela como chefe de gangue, para que não façam badernas, que se desmobilizem, como se fosse necessário, para um grupo que foi minguando cada vez mais. Eles escolheram o lugar da disputa e o povo topou. Vai ocupar as praças e ruas de Curitiba, de forma pacifica, alegre, combativa, com gente vinda de todo o Brasil, para fazer de Curitiba, no dia 10 de maio, o que ela merece ser – a capital democrática do Brasil, para abraçar o Lula, para fazer, como se diz: estar junto com ele, que nunca deixou de estar com o povo. No cenário de uma Curitiba democrática, popular, defensora do Estado de Direito. Via 247

GLOBO APELA PARA BAIXARIA CONTRA LULA

 – Grupo de comunicação Globo, da família Marinho, parece tratar como uma questão de vida ou morte sua guerra particular contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva  – A revista Época, dos Marinho, inventa propinas de R$ 80 milhões de Lula; lista inclui as palestras que ele realizou (inclusive para a Globo), o triplex que ele não comprou, a sede que o Instituto Lula não ganhou e outras bobagens; o que ninguém sabe é que mal tão grande Lula fez à Globo, além de salvar a empresa, que enfrentava sérias dificuldades financeiras no fim do governo FHC, e trazer a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos para o Rio de Janeiro, dois eventos em que os Marinho ganharam rios de dinheiro – Excluindo os generais da ditadura militar, nenhum presidente fez tão bem à Globo quanto Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu primeiro governo, Lula salvou o grupo da família Marinho, que enfrentava sérias dificuldades financeiras decorrentes de sua dívida cambial contraída na era FHC. No segundo, Lula conquistou para o Brasil o direito de sediar a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, dois eventos em que a Globo ganhou rios de dinheiro. Deve ser por isso que os Marinho jamais perdoaram Lula. E são eles os principais responsáveis por uma guerra que já destruiu a economia brasileira, quebrou várias empresas nacionais e feriu de morte a democracia, com o golpe mandrake executado em 2016. O plano original previa a extinção do Partido dos Trabalhadores e a eventual prisão de Lula – dois objetivos ainda não alcançados. Mas a Globo não desiste. Neste fim de semana, a revista Época, dos Marinho, inventa propinas de R$ 80 milhões de Lula. A lista inclui as palestras que ele realizou (inclusive para a Globo), o triplex que ele não comprou, a sede que o Instituto Lula não ganhou e outras bobagens. Além disso, os principais colunistas do jornal O Globo, Merval Pereira e Miriam Leitão, foram orientados a descascar a lenha em Lula. Os dois tratam como verdade absoluta a delação de Renato Duque – que, depois de três anos preso, esperou justamente a semana que antecede o depoimento de Lula em Curitiba para tentar criminalizá-lo. O esforço da Globo para destruir Lula foi resumido pelo senador Roberto Requião numa palavra: canalhice. No entanto, embora seja o maior monopólio de comunicação do mundo, a Globo não conseguiu destruir Lula, que lidera todas as pesquisas sobre sucessão presidencial e seria eleito mais uma vez, se as eleições fossem hoje.

Alimentação Saudável: um Direito de Todos e Todas

 – Artistas e políticos defendem reforma agrária e agroecologia em feira do MST –  José Mujica, Letícia Sabatella, Alexandre Padilha, Bela Gil e João Pedro Stedile participaram de conferência Brasil de Fato  – A Conferência “Alimentação Saudável: um Direito de Todos e Todas”, que ocorreu neste sábado (6), se transformou em ato político em defesa da reforma agrária e da agroecologia. Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), cerca de 10 mil pessoas acompanharam, presencialmente, a atividade — que é parte da programação da 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária. O ex-presidente do Uruguai José Mujica; a atriz Letícia Sabatella; o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha; a apresentadora Bela Gil e; o dirigente nacional do MST João Pedro Stedile, participaram do evento. Na abertura da conferência, Stedile destacou a importância do MST e do evento para a soberania alimentar no país. O movimento é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, com mais de 600 mil sacas produzidas pelo movimento. “A reforma agrária e o apoio à população camponesa são fundamentais para a política da soberania alimentar”, pontuou o dirigente. Bela Gil falou sobre importância da agricultura familiar para a base alimentar do país. Segundo dados do extinto Ministério do Desenvolvimento Agrário, em 2015, a agricultura familiar respondia por cerca de 70% dos alimentos consumidos em todo o país. Ainda assim, por causa da presença extensiva do agronegócio e o uso de venenos na produção, a apresentadora avalia que o Brasil está atrasado no tema. “A gente precisa do apoio da sociedade civil porque, se depender do apoio do governo e do Estado, a gente fica totalmente dependente do agronegócio. O brasileiro precisa enxergar a importância do trabalho do MST e da importância de uma reforma agrária urgente”, declarou a apresentadora. Para a ativista, as alternativas ao agronegócio passam pelo cuidado com a terra, a agricultura familiar e o menor consumo de produtos ultraprocessados. E, para driblar grandes empresas e diminuir os agrotóxicos nos alimentos, Gil aposta na criação de uma taxação para compra e uso de venenos no país. Na mesma linha, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha defendeu uma aliança entre a saúde pública e a agricultura familiar. Para ele, a questão essencial do direito à alimentação, atualmente, é a proteção da cultura e diversidades locais. Entre os dez países do mundo que têm menor taxa de obesidade, a explicação é o menor consumo de produtos padronizados, analisou o ex-ministro, . “Ou seja, onde a comida afeta menos a saúde das pessoas é exatamente aqueles países com pratos tradicionais, uma comida diversificada, onde as pessoas não caíram na fantasia do fast food e dos produtos ultraprocessados”, disse o ex-ministro. Já a atriz Letícia Sabatella se posicionou pelo empoderamento dos pequenos agricultores. “São muito bacana iniciativas como essa [a Feira da Reforma Agrária], que nos lembra que somos uma comunidade, que nos colocam em sintonia com a sustentabilidade”, disse a atriz. O ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica também participou da conferência. Mujica afirmou que a crise ecológica é uma consequência de uma crise política e cultural. “A civilização baseada na ganância produz o consumidor que trabalha permanentemente; ele não tem tempo para os afetos e para o amor”, disse. No evento, o ex-presidente do Uruguai elogiou o MST: “Lutam por uma causa justa em um país feudal”. Antes da conferência, o político havia participado de uma entrevista coletiva com jornalistas de veículos independentes. A Feira Nacional da Reforma Agrária ocorre até este domingo (7) no Parque da Água Branca, São Paulo (SP).

PROTESTO ETÍLICO: Puro malte e sem transgênico

 – Cerveja Fora Temer é sucesso na feira do MST  Criado logo após a posse de Michel Temer, o selo especial da cervejaria artesanal Latinoamericana, de um assentamento no Paraná, tem puro malte e leva 20 dias para ficar prontapor Cida de Oliveira, da RBA São Paulo – Água, malte e lúpulo. Nada de cereais não-maltados, como o milho, que geralmente entra na composição das cervejas mais consumidas no país. Assim é a composição da cerveja artesanal Fora Temer. “É puro malte, como toda cerveja que se preza tem de ser”, atesta Viviane Leal Dantas, que produz a bebida na cervejaria artesanal Latinoamericana, no assentamento Maria Lara, em Centenário do Sul, norte do Paraná. Viviane, que entrou no ramo há dois anos, conta que começou a produzir a Fora Temer logo que o atual presidente assumiu o governo, em 12 de maio do ano passado, resultado do golpe parlamentar que levou à deposição da presidenta Dilma Rousseff. “O protesto bem humorado contra o novo governo foi bem recebido pelos amigos, que postaram nas redes sociais, muitos compartilhamentos. E a marca foi se espalhando”, conta. Segundo ela, a produção da Fora Temer, limitada a 40 litros por semana, atende à freguesia em busca de um presente diferente, divertido e ao mesmo tempo engajado para amigos e parentes. Ou mesmo para “protesto próprio”. “Há amigos que compraram para levar de presente em viagens a outros estados. Podemos dizer que Fora Temer já chegou a São Paulo, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe.” A cerveja é sucesso na 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária do MST, que começou nesta quinta (4) e termina no próximo domingo (7), no parque da Água Branca, na zona oeste da capital paulista. Desde a abertura, já foram vendidas mais de 100 garrafas. A marca passará a ser vendida no Armazém do Campo, em São Paulo, ponto de vende de produtos do MST. DemocráticaHá quatro versões da bebida. Para bebedores iniciantes, que preferem algo mais suave, com menor graduação alcoólica, a mais indicada é a versão Weiss, feita à base de trigo. Com maior concentração de lúpulo e mais amarga, a American Ipa tem 7% de teor alcoólico e combina aromas cítricos aos amadeirados. Quem prefere cerveja preta vai gostar da Stout. Segundo Viviane, é mais encorpada e seu amargor é moderado. Há ainda a American Pale Ale (Apa). Parecida com a Ipa, com aromas cítricos, é um pouco menos amarga e de menor teor alcoólico. “Mulher entende de cerveja, bebe cerveja e sabe fazer cerveja”, enfatiza a sergipana Viviane, que garante que até agora não viu ninguém cair depois de beber a Fora Temer. “A gente espera é que ele caia.” À sua afirmação, um grupo de compradores logo emenda, em protesto bem humorado: “Que a gente beba e ele caia”. Questionada sobre o impacto de um eventual fim do governo Temer sobre a produção, ela afirma tratar-se da produção limitada de um selo especial. E sorri, concordando com um visitante que sugere, para esse caso, a criação do um selo comemorativo: Foi-se Temer. Leia também: Maioria das cervejas mais consumidas no país é feita com milho transgênico

O Brasil é um país onde o errado é que é o certo

 – “O ódio é a vingança do covarde” (George Bernard Shaw)  A política e o ódio (*) Felipe Gabrich Historicamente, a chamada grande mídia nacional só divulga aquilo que vai ao encontro de seus interesses. Pessoais ou econômicos. A versão histórica nem sempre retrata a verdade dos fatos tal como ocorreram. Deve-se ressaltar que o Brasil é um país onde o errado é que é o certo, já dizia o mestre Kafunga no século passado. Desde ontem. Ou anteontem. Ou desde o dia em que Cabral comprou o território do que viria a ser Brasil dos seus proprietários originais – indígenas-aborígenes – por 30 espelhinhos. Tudo começou com a apuração de votos para o cargo de Presidente da República do Brasil, no segundo turno, no fatídico dia 26 de novembro de 2014. A contagem de votos, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), teve início às 19h10m, logo após a chegada das urnas eletrônicas dos estados não afetados pelo famigerado horário de verão. À medida que os votos iam sendo contabilizados, das diversas partes do país, acirravam-se, nas principais capitais, principalmente, as manifestações dos dois maiores partidos políticos envolvidos: de um lado o Partido dos Trabalhadores; do outro, o PSDB. Até as 20h30m, a candidata Dilma Rousseff, do PT, que tentava a reeleição, estava à frente da apuração, quando, de repente, o candidato Aécio Neves, do PSDB, naquela mesma hora passou à dianteira da contagem oficial e disparou à frente da apuração, tudo indicando àquela altura da contabilização dos votos pelo TSE que ele seria o vencedor do acirrado pleito. Por isso mesmo, o apartamento da irmã do candidato Aécio Neves, que acompanhava pela televisão os números anunciados pelo TSE, juntamente com o candidato a vice-presidente, Aluízio 30, em Belo Horizonte, encheu-se de partidários e puxa-sacos tradicionais, todos já comemorando eventual vitória da chapa peessedebista. Até o apresentador Luciano Huck, da toda poderosa Rede Globo de Televisão, podia ser visto na telinha vibrando com os números divulgados, dentre outras figuras proeminentes do cenário político, social e econômico do país. O mais emocionante estava ainda por vir: quando o relógio marcava 22h30m, o TSE passou a contabilizar os votos das urnas eletrônicas do “mandiocal” da candidata petista, momento em que esta reassumiu a ponteira da apuração eletrônica. E abriu novamente vantagem de votos apurados sobre o adversário. E o resultado final da apuração anunciado pelo TSE foi, apesar das emoções da contabilização voto a voto, surpreendente para parte da população brasileira. Vitória da candidata Dilma Rousseff, que obteve 51,6% dos votos apurados – 54.501.118. Aécio Neves conseguiu 48,3% dos votos válidos (51.041.155). “Vamos unir o país”, disse entre abatido e tristonho o candidato derrotado logo após o resultado final e oficial, querendo se mostrar para o povo brasileiro como “um bom perdedor” em sua entrevista televisiva. Mas na verdade não era essa a mensagem que ele gostaria de passar para a população, pois no dia seguinte o seu partido, do qual é o atual presidente nacional, pedia recontagem de votos junto ao TSE. Também para os holofotes da grande mídia, momentos após o anúncio do encerramento dos trabalhos pelo TSE, o candidato a vice-presidente, o raivoso Aluízio 30, dava o tom do verdadeiro discurso oposicionista a partir daquele momento: “ela (referindo-se à presidenta reeleita Dilma Rousseff) não vai conseguir administrar o país. Ela ganhou, mas vai sangrar”, afirmou nervosamente. Um jornalista mineiro, fanático por Aécio Neves, chegou a sugerir no jornal para o qual trabalhava, no dia seguinte, um novo mapa geográfico para o país, com a exclusão dos territórios abrangidos pelos estados do Norte e do Nordeste. Nascia assim e ali, o ódio dos peessedebistas ao PT. Como chamas de incêndio avassalador, esse amargo rancor se alastrou pelos quatro cantos do país, contaminando alguns setores da vida nacional. E alguns simpatizantes do PSDB. Também pudera e até é compreensível: o leitor já imaginou a dor lancinante de um torcedor apaixonado do Flamengo deixando o Maracanã superlotado após a derrota de seu time de coração com um gol de mão aos 47 minutos do segundo tempo de jogo, dois minutos da prorrogação de três? É. São esses sentimentos baixos e ranzinzas – lamentáveis e condenáveis – que alimentam a política nacional nos tenebrosos dias de hoje de um governo golpista. Esse mesmo governo usurpador que, usando os deputados federais e senadores acumpliciados, dirige na atualidade a sua metralhadora de maldades não apenas contra ocasionais petistas, mas contra o próprio país e o seu pacato e ordeiro povo. Tudo o mais que aconteceu no cenário político nacional em seguida é jogo para a arquibancada. Inclusive, o famigerado golpe de estado parlamentar, apoiado pelas altas cortes do judiciário e pela chamada grande mídia nacional e que ameaça gravemente a combalida soberania nacional. Como diria em sua ingênua filosofia o capiau norte-mineiro: será preciso desenhar? (*) Felipe Gabrich é jornalista e parceiro do EM CIMA DA NOTÍCIA

Tucano garante apoio as reformasTemerosas

 Aécio Neves deve levar PSDB a morrer abraçado com o golpe. Ele exige fidelidade integral ao governo peemedebista  Apesar do recorde de impopularidade de Michel Temer, aprovado por apenas 4% dos brasileiros, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) segue garantindo o apoio dos tucanos ao governo; em jantar com o peemedebista ontem, ficou decidido que o mineiro trabalhará para convencer os parlamentares do PSDB a apoiar as reformas propostas pelo governo: além da Previdência, também a das mudanças na legislação trabalhista, que agora tramita no Senado; a bancada tucana está bastante dividida quanto à questão, mas Aécio tem pressionado pela fidelidade integral ao governo peemedebista  – Com a bancada do PSDB na Câmara dos Deputados rachada sobre a proposta de reforma da Previdência, governadores do partido, ministros e o presidente de honra Fernando Henrique Cardoso delegaram ao presidente da sigla, senador Aécio Neves (MG) a missão de convencer os parlamentares a apoiar as reformas propostas pelo governo: além da Previdência, também a das mudanças na legislação trabalhista, que agora tramita no Senado. A depender da evolução das conversas, Aécio foi autorizado pelos tucanos a convocar a executiva do partido para fechar questão em favor das medidas. As informações são de reportagem do Valor. “A estratégia foi posta à mesa em jantar da cúpula do PSDB, ontem com o Michel Temer e o presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR). Os tucanos deixaram claro que o apoio às reformas é um compromisso do PSDB. Por mais impopulares que sejam, o próprio partido, quando do impeachment de Dilma Rousseff, atrelou seu apoio a Temer à proposição de reformas. Portanto, alegaram, seria incoerente ter contribuído na deposição de Dilma e, agora, abandonar Temer com as reformas em curso. Os caciques da sigla, contudo, fizeram cobranças a Temer. Uma pesquisa encomendada pelo partido mostrou que a imagem do PSDB está sendo mais vinculada às reformas – e por consequência, sofrendo mais desgaste – que a do próprio PMDB do presidente. Isso foi colocado a Temer. Jucá então relatou que tem feito esforços para que os deputados do PMDB fechem questão em prol da reforma da previdência na Câmara. No Senado, a situação é mais delicada: PMDB e Planalto ainda avaliam como resolver o impasse com Renan Calheiros (AL), líder da bancada e radicalmente contra as reformas. A dissidência de Renan incomoda o PSDB.”

Igreja católica vê democracia ameaçada sob Temer

 – A CNBB também fez um alerta contra o neofascismo brasileiro. “Desconsiderar os partidos e desinteressar-se da política favorece a ascensão de ‘salvadores da pátria’ e o surgimento de regimes autocráticos”  “O Estado democrático de direito, reconquistado com intensa participação popular após o regime de exceção, corre riscos na medida em que crescem o descrédito e o desencanto com a política e com os Poderes da República cuja prática tem demonstrado enorme distanciamento das aspirações de grande parte da população”, diz texto lidopelo secretário-geral da CNBB, Leonardo Ulrich Steiner, durante encerramento da 55.ª Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida (SP); pesquisas recentes demonstram que Michel Temer e sua agenda são rejeitados pela quase totalidade dos brasileiros  – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota na quarta-feira, 3, em que manda um recado direto para Michel Temer, que chegou ao poder por meio de um golpe parlamentar, arquitetado por políticos corruptos, e que conduz uma agenda rejeita pela quase totalidade da população brasileira. “O Estado democrático de direito, reconquistado com intensa participação popular após o regime de exceção, corre riscos na medida em que crescem o descrédito e o desencanto com a política e com os Poderes da República cuja prática tem demonstrado enorme distanciamento das aspirações de grande parte da população”, diz texto lido nesta quinta-feira, 4, pelo secretário-geral da CNBB, Leonardo Ulrich Steiner, durante encerramento da 55.ª Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida (SP).   A CNBB também fez um alerta contra o neofascismo brasileiro. “Desconsiderar os partidos e desinteressar-se da política favorece a ascensão de ‘salvadores da pátria’ e o surgimento de regimes autocráticos”, diz o texto.

Supremo Tribunal Federal liberta Zé Dirceu

 – STF libertou o ex-ministro José Dirceu da prisão preventiva, decretada pelo juiz Sérgio Moro em 2015  247 – Por 3 votos a 2, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira, 2, libertar o ex-ministro José Dirceu da prisão preventiva, decretada pelo juiz Sérgio Moro em 2015. O caso marca uma derrota inegável para o juiz da operação Lava Jato e para os procuradores da força-tarefa, que, na esperança de manter o ex-ministro preso, chegaram a apresentar nesta terça uma nova denúncia contra Dirceu. O relator do caso, ministro Edson Fachin votou pela manutenção da prisão preventiva. O ministro Dias Toffoli abriu divergência e votou pela soltura de Dirceu. O ministro Ricardo Lewandowski também votou pela soltura do ex-ministro. O decano do STF, Celso de Mello, votou por manter prisão de Dirceu, empatando o julgamento em 2 a 2 na segunda Turma, que é formada por 5 ministros. O caso foi decidido pelo ministro Gilmar Mendes, presidente da Turma e que tem criticando as longas prisões preventivas. Ele votou pela soltura de José Dirceu. Leia a cobertura do 247 do julgamento: Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou na tarde de hoje (2) o julgamento de habeas corpus que pode libertar o ex-ministro José Dirceu, que está preso desde 2015. O relator do caso, ministro Edson Fachin, votou pela manutenção da prisão de Dirceu. O ministro disse que o entendimento do STF é no sentido de que prisão preventiva pode ser usada para interromper ou diminuir atuação de uma organização criminosa. Ele cita decisão do colega Ricardo Lewandowski, que assim como outros ministros da Segunda Turma já alongou prisões preventivas em razão da gravidade dos fatos e diz que o juiz Sérgio Moro apontou indícios concretos de reiteração delituosa por Dirceu – como pagamentos depois de 2013. O ministro Fachin disse ainda em seu voto que não vê constrangimento ilegal na prisão preventiva de Dirceu e que a complexidade dos casos permite alongamento das prisões. Assim, o relator da Lava Jato, Edson Fachin votou pela manutenção da prisão do ex-ministro José Dirceu. Toffoli abre divergência O ministro Dias Toffoli abriu a divergência e votou pela soltura de José Dirceu. Para Toffoli, a prisão preventiva deve ser a última que o juiz deve recorrer, só quando não for possível usar medidas alternativas. “Estamos aqui a julgar se há necessidade da manutenção da prisão preventiva”, diz Toffoli sobre gravidade das acusações contra Dirceu. Dias Toffoli disse também em seu voto que outras medidas alternativas podem substituir a prisão preventiva do ex-ministro da Casa Civil do governo Lula. Ao divergir de Edson Fachin sobre a manutenção da prisão preventiva de Dirceu, o ministro Dias Toffoli afirmou: “Se fosse assim, poderíamos estabelecer prisão perpétua a todo mundo que cometer crime.” Toffoli votou para tirar José Dirceu da prisão e deixar para o juiz Sergio Moro analisar medidas alternativas, como domiciliar e tornozeleira. Lewandowski acompanha O ministro Ricardo Lewandowski votou e seguiu a divergência do relator, aberta por Dias Toffoli. Lewandowski diz que cabem medidas alternativas no caso e defende que Dirceu não pode aguardar preso preventivamente indefinidamente, sinalizando que deverá acompanhar a divergência aberta por Dias Toffoli. “Está havendo prisões a partir de prisão de 1º grau. Isso é vedado por nosso ordenamento jurídico e de qualquer país civilizado”, disse Lewandowski. Em defesa de seu voto para soltar José Dirceu, o ministro Lewandowski afirmou: “Que se reforme o direito processual”. Celso de Mello empata o jogo Em seu voto, o ministro Celso de Mello citou o clássico Alice no País das Maravilhas, referindo-se que primeiro há a condenação e depois a defesa fala. Em um voto que já mais de 30 minutos, Celso de Mello já enalteceu a Lava Jato e agora defende a legalidade da prisão preventiva de José Dirceu, com elogios a Edson Fachin. Celso de Mello diz que não cabem medidas alternativas para substituir prisão de Dirceu pela gravidade dos fatos. “Os graves crimes reclamam atuação firme do judiciário para evitar reiteração das práticas criminosas”, afirmou. “Não fosse a ação rigorosa, mas necessária, é provável que os crimes estivessem perdurando.” “Momento triste” Com o placar de 2 votos pela soltura e dois pela manutenção da prisão de José Dirceu, o ministro Gilmar Mendes, que tem criticado o excesso de prisões preventivas pela Lava Jato, vota no momento e decidirá a questão. O ministro Gilmar Mendes começa seu voto dizendo que o Brasil vive um momento triste. O ministro questionou a demora dos órgãos de controle em agir. “Considerando a gravidade desses fatos todos aqui narrados, é de se perguntar. De um lado, é de se comemorar termos logrado esses fatos graves. Mas de outro é de se perguntar também, considerando a plenitude, a autonomia, o poder dessas instituições, por que se demorou tanto? É uma pergunta que não tem sido feita. Por que todos esses órgãos de controle demoraram tanto para funcionar?”, questionou. Gilmar Mendes lembrou do julgamento da Ação Penal 470, o chamado “Mensalão”. “STF julgou e não decretou uma prisão sequer e era um julgamento complexo”, afirmou. “Tribunal não decretou uma prisão sequer e julgamento foi efetivo. Seguindo entendimento da excepcionalidade da prisão provisória”, acrescentou o magistrado. Em seu voto, Gilmar Mendes disse que a Justiça muitas vezes tem que proteger o cidadão contra seus próprios instintos. Ele disse missão de um tribunal como o Supremo é aplicar a Constituição, ainda que contra a opinião majoritária. “Não podemos nos ater, portanto, à aparente vilania dos envolvidos para decidir acerca da prisão processual”, afirmou. Com isso, Gilmar Mendes decidiu acompanhar os votos de Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, decidindo pela libertação do ex-ministro José Dirceu. Defesa aponta excessos Antes do voto dos ministros, em sustentação oral, o advogado de Dirceu, Roberto Podval questionou o tempo da prisão preventiva; “Prisão preventiva de 2 anos?”, também criticou o fato do MP ter apresentado nova denúncia. “Hoje é um homem com mais de 70 anos absolutamente fora de qualquer tipo de nível de poder com relação ao