GOLPE MISÓGINO REBAIXOU A MULHER BRASILEIRA

O golpe parlamentar de 2016, uma conspiração de políticos corruptos contra uma presidente honesta, fez como vítima a apresentadora Rachel Sheherazade, do SBT, que foi humilhada pelo patrão Silvio Santos em rede nacional de TV; num vídeo chocante para o século 21, Silvio Santos disse que Rachel, que fez fama destilando ódio contra o PT, foi contratada apenas por sua beleza e para ler notícias no teleprompter, e não para dar suas opiniões; ele questionou ainda se o noivo a deixava trabalhar e também disse que, a partir de agora, a ordem no SBT é só falar bem dos políticos; ou seja, o papel das mulheres é ser “bela, recatada e do lar”, seguindo o modelo Marcela Temer; como o golpe também foi misógino, na mesma Globo que decidiu ensaiar uma onda de indignação contra o ator José Mayer, um integrante de seu BBB, Marcos, agrediu outra participante, Emily, de dedo em riste; com o golpe, as mulheres foram rebaixadas. 247 – É possível que, dentro de algumas décadas, quando estiver superada a cultura do ódio, haja um consenso na sociedade brasileira sobre o período mais vergonhoso da história nacional, que é o atual, decorrente do golpe parlamentar de 2016. Afinal, que país do mundo permitiria que uma presidente reconhecidamente honesta, até pelos adversários, fosse afastada do cargo por uma conspiração de políticos corruptos, atolados até o pescoço em escândalos de corrupção? E que este grupo, no poder, se dedicasse a eliminar garantias trabalhistas e a matar o sistema de seguridade social, além de vender riquezas como o pré-sal e o próprio território nacional? Este período infame da história brasileira foi construído metodicamente. Nasceu com os protestos de 2013, inflados por grupos de comunicação interessados na reconquista do poder, e, em plena Copa do Mundo de 2014, teve seu clímax. Na abertura do Mundial, a presidente Dilma Rousseff foi saudada, pela ala vip dos torcedores, por um estrondoso “Ei Dilma, vai tomar no cu”, também amplificado pela mídia. Na construção do golpe misógino, grupos fascistas chegaram até a distribuir adesivos com uma Dilma de pernas abertas para serem colados nos tanques dos automóveis. Quando ela foi finalmente deposta, Brasília estava repleta de adesivos com a inscrição “Tchau, querida”. Os machões do poder não suportavam mais receber ordens de uma mulher corajosa e com passado de guerrilheira. O novo papel da mulher brasileira foi revelado rapidamente pela revista Veja num perfil de Marcela Temer, a “bela, recatada e do lar”. E o Brasil, um país de programas sociais mundialmente reconhecidos, voltou a concentrar renda para que Marcela pudesse retomar o velho papel assistencialista das primeiras-damas do século passado com seu “criança feliz”, que ninguém sabe ao certo a que veio. Um ano depois do golpe, Dilma dá palestras na Europa e nos Estados Unidos, enquanto Michel Temer mal consegue sair do seu palácio, mas a mulher brasileira foi rebaixada. A nova vítima foi a apresentadora Rachel Sheherazade, do SBT, que foi humilhada pelo patrão Silvio Santos em rede nacional de TV. Num vídeo chocante para o século 21, Silvio Santos disse que Rachel, que fez fama destilando ódio contra o PT, foi contratada apenas por sua beleza e para ler notícias no teleprompter, e não para dar suas opiniões. Ele questionou ainda se o marido a deixava trabalhar e também disse que, a partir de agora, a ordem no SBT é só falar bem dos políticos – talvez porque, com Temer, a publicidade governamental tenha voltado aos padrões anteriores. O machismo, no entanto, não é exclusividade do SBT. Como o golpe também foi misógino, na mesma Globo que decidiu ensaiar uma onda de indignação contra o ator José Mayer – com o slogan “mexeu com uma, mexeu com todas” – um integrante de seu BBB, Marcos, agrediu outra participante, Emily, de dedo em riste. Se o Brasil foi capaz de agredir a primeira mulher a chegar à presidência da República, com um impeachment sem crime de responsabilidade, por que outras não seriam também agredidas? Confira, aqui, o vídeo em que Sheherazade é humilhada
AÉCIO TAMBÉM FOI DELATADO PELA OAS

Megadelatado pelos ex-executivos da Odebrecht e abandonado até pela revista “Veja”, que sempre o blindou das acusações, Aécio Neves também deve ser atingido pela delação premiada da OAS; mais próximos do fechamento de acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), executivos da OAS relataram aos investigadores detalhes da suposta atuação de Oswaldo Borges da Costa Filho como arrecadador informal do senador; Costa Filho foi presidente da estatal mineira Codemig no governo de Aécio; senador tucano teria recebido, a título de propina, até 3% sobre valores dos contratos firmados pela OAS com o governo de Minas para a construção da Cidade Administrativa, sede do Executivo; novas acusações devem ser a pá de cal para enterrar definitivamente as chances do “Mineirinho” concorrer ao Planalto em 2018 247 – Executivos da OAS estão mais próximos de fechar um acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria Geral da República). Eles relataram aos investigadores detalhes da suposta atuação de Oswaldo Borges da Costa Filho como arrecadador informal do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Costa Filho foi presidente da estatal mineira Codemig no governo de Aécio. As informações são de reportagem do Valor. “Sócio majoritário da OAS e detentor de cerca de 80% das ações da empresa, o empresário Cesar Mata Pires deverá ser um dos delatores do grupo, caso a PGR aceite as propostas de colaborações premiadas que estão em discussão. A informação foi confirmada ao Valor por fontes informadas sobre as rodadas de negociações de advogados com procuradores de Curitiba e Brasília, retomadas somente em meados de fevereiro deste ano. Ao menos 12 executivos da empresa buscam acordo de delação premiada com a Operação Lava-Jato, incluindo o também sócio José Adelmário Pinheiro Filho, o ‘Léo Pinheiro’. Ele já foi condenado a 26 anos de prisão em segunda instância, por dois votos a um, pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Durante as negociações para sua delação, o empreiteiro Léo Pinheiro se referiu a Oswaldo Borges como o “gerente de contas das empresas de Aécio”. Aécio teria recebido, a suposto título de propina, percentuais de até 3% sobre valores dos contratos firmados pela OAS com o governo de Minas para a construção da Cidade Administrativa, sede do Executivo. As suspeitas de irregularidades nas obras foram reveladas pelo Valor em maio do ano passado. Aécio governou o Estado de 2003 a 2010, e fez seu sucessor, o atual senador Antonio Anastasia (PSDB), que deixou o governo em 2014. Oswaldo Borges também teria intermediado o recebimento de valores, supostamente destinados a Aécio, por meio de pagamentos viabilizados por caixa dois, de acordo com as informações do candidatos a delatores da OAS. Borges foi nomeado por Aécio para presidir a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) em 2003, no primeiro ano de seu mandato como governador de Minas. A estatal atua nas áreas de Mineração, Energia e Infraestrutura. Delatores da Odebrecht com acordos já homologados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), também afirmaram que Aécio recebeu dinheiro pela via do caixa dois. Parte das informações dessas delações, ainda mantidas em sigilo pelo relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, vieram à tona nos depoimentos dos delatores prestados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na ação que pode cassar a chapa Dilma Roussef-Michel Temer por abuso de poder político-econômico na eleição presidencial de 2014.
CONTRA DILMA, MÍDIA FOI PIOR DO QUE MAYER

“O Brasil machista pegou pesado com a presidente Dilma, a chamava de vaca na varanda gourmet, e as redes de TV incentivavam. A mídia brasileira foi pior ou igual que Zé Mayer em relação a Dilma”, comparou o jornalista Xico Sá, pelo Twitter, onde lembrou de “todas as emissoras de TV aberta do Brasil filmar e apoiar cartazes com ‘Dilma vaca’ e abrir o microfone para gritos machistas” durante as manifestações que defendiam o impeachment; “Aqueles machões ridículos com camisas da CBF corrupta berravam ‘Dilma vaca’ para felicidade das redes de tvs. E os âncoras riam felizes”, lamenta o jornalista, que aponta “erro histórico” 247 – A mídia brasileira foi pior do que José Mayer no tratamento com a ex-presidente Dilma Rousseff, compara o jornalista Xico Sá, que lembra da época das manifestações durante a Copa do Mundo e contra o impeachment em 2016. “O Brasil machista pegou pesado com a presidente Dilma, a chamava de vaca na varanda gourmet, e as redes de TV incentivavam. A mídia brasileira foi pior ou igual que Zé Mayer em relação a Dilma”, escreveu ele no Twitter. “Todas as emissoras de TV aberta do Brasil filmar e apoiar cartazes com ‘Dilma vaca’ e abrir o microfone para gritos machistas”, destacou. “Aqueles machões ridículos com camisas da CBF corrupta berravam ‘Dilma vaca’ para felicidade das redes de tvs. E os âncoras riam felizes”, lamentou ainda. Segundo ele, “o machismo fdp contra Dilma foi relevado por toda gente e imprensa brasileira que agora se diz moderninha”. No caso José Mayer, acusado de assédio por uma figurinista, a emissora afastou o ator e divulgou nota repudiando o episódio. “Não vi nenhum cuidado do jornalismo brasileiro contra o Porco-chauvinismo contra Dilma. Zero, que erro histórico”, destacou o jornalista.
Tucano de toca: julgamento sem credibilidade

Quem leva a sério um julgamento de Temer presidido por Gilmar? – Por Tereza Cruvinel – Embora tenha começado hoje no TSE – mas já adiado por conceder mais prazo à defesa e realizar novas oitivas – um julgamento que teoricamente pode levar ao afastamento de Michel Temer da presidência, no mundo do poder ninguém teme que isso aconteça. E uma das razões para o ceticismo vem do fato de que o julgamento de Temer será conduzido por quem não esconde a amizade que os une “há mais de 30 anos”, o ministro Gilmar Mendes. Em qualquer lugar do mundo, um juiz na posição de Gilmar estaria se declarando impedido para levar o julgamento adiante. Como isso não ocorrerá, o que se espera é uma arrastada encenação para salvar Temer no final. Para quê, ninguém sabe, pois o desastre já produzido por seu governo consolidou a certeza de que ele não sabe o que fazer com o Brasil. Segundo a pesquisa Ipsos mais recente, 90% dos entrevistados acham que o país está no rumo errado. Gilmar e Temer, segundo levantamento da BBC Brasil, tiveram nada menos que oito encontros privados desde maio passado. Sempre dizem que se encontraram para tratar de temas de interesse público, como a reforma eleitoral, por exemplo. Quando questionado, mais de uma vez, entretanto, Gilmar disse ser notório que ele e o presidente têm relações de “companheirismo e diálogo” há mais de 30 anos. Em outras ocasiões falou de amizade, e em outras de convivência acadêmica ao longo de décadas. Mas, como cobrou o jurista Marcelo Neves, professor da UnB: se eles conversaram sobre assuntos de interesse publico, os encontros deviam estar em suas agendas, seguindo o preceito da transparência. Se foram ditados pela amizade, justificam a suspeição de Gilmar como juiz do amigo. Foi Gilmar, aliás, como escrevi aqui, que forneceu o argumento central da defesa de Temer, quando o julgamento começou a entrar na agenda pública. Em entrevista, afirmou que a jurisprudência do tribunal sustenta a indivisibilidade da chapa, responsabilizando seus dois integrantes por eventuais irregularidades. Mas citou uma exceção: o caso do ex-governador de Roraima Ottomar Pinto, que morreu durante o julgamento de ação pela cassação da chapa que o elegeu governador. O tribunal o condenou mas isentou o vice de responsabilidade e garantiu seu mandato. A defesa de Temer agora se agarra justamente ao caso de Ottomar Pinto para pedir a cisão da chapa, alegando que Dilma e Temer tinham estruturas financeiras separadas. A defesa de Dilma já provou que ele teve funcionários, passagens aéreas e outros gastos bancados pelo comitê financeiro da campanha. Mas no Brasil esta questão de provas há muito deixou de ser determinante. Se o TSE quiser, cindirá a chapa e pronto. O julgamento presidido por Gilmar não está sendo levado a sério pela classe política e muito menos pela população. Gilmar é o protagonista principal mas conta com atores coadjuvantes. Logo após o início dos trabalhos, nesta segunda-feira, o ministro Napoleão Nunes pedirá vistas do processo para conhecer melhor o assunto. Coitado, não teve tempo, embora a ação tenha sido impetrada pelo PSDB logo depois da vitória da chapa Dilma-Temer na eleição presidencial de 2014. “Não há pedido de vistas a perder de vista”, disse ontem Gilmar. Mas, para a estratégia palaciana, qualquer semana perdida será preciosa. O Planalto espera concluir a nomeação de dois novos ministros antes do julgamento final, assegurando maioria para salvar o mandato de Temer. Três são os desfechos possíveis para a peça que entra em cartaz agora. 1) Num cenário de absoluta indiferença pelo julgamento, o tribunal de Gilmar esticacará o julgamento ao máximo para, no final, absolver Temer e condenar Dilma à inelegibilidade. 2) Havendo um desconforto social notável com a farsa do julgamento, poderá formar-se uma maioria mais briosa, disposta a cassar a chapa, preservando porém os direitos políticos de Temer. O grupo político que deu o golpe e sustenta Temer poderá então seguir a sugestão de Gilmar e, suprema humilhação para a cidadania, eleger Temer indiretamente como presidente pelo Congresso. 3) Se a indignação com a esculhambação produzir um levante das ruas e um forte movimento por eleições diretas, o TSE poderá fazer a sua parte, cassando a chapa e os direitos políticos de ambos, deixando o resto com o Congresso. Gilmar declarou nesta segunda-feira que, havendo a cassação de Temer, a única saída será pelas eleições indiretas. Mas duração de mandato não é cláusula pétrea, e o Congresso, que se gabou tanto de ter ouvido as ruas para fazer o impeachment, poderá ouvi-la novamente e aprovar uma emenda constitucional antecipando o pleito de 2018 para este ano. Ou seja, só as ruas podem mudar o rumo da farsa que o TSE vem ensaiando e começará a representar hoje. Abril começou com manifestações robustas. Vai depender muito delas. *Jornalistas
COIMBRA DESMONTA A TESE DE MORTE DO PT
O sociólogo Marcos Coimbra, presidente do instituto Vox Populi, desmonta a tese da oposição e da grande mídia de que o PT “já acabou”; ele afirma que as várias pesquisas realizadas apontam que cerca de 15% dos brasileiros ainda mantêm identificação com o PT, mesmo com a campanha de guerra contra o partido; “Os 15% que as pesquisas estimam significam uma coisa simples: que algo com 22 milhões de pessoas identificam-se co o partido. Que há milhões de petistas distribuídos em todas as faixas e regiões brasileiras, apesar da campanha arrasadora e cotidiana que o partido sofre. (…) Quer dizer que é todo decretar o ‘fim do PT’ enquanto ele permanece como referência para tantas pessoas, em tantos lugares do Brasil”, diz Marcos Coimbra em artigo na Carta Capital deste fim de semana. 247 – Em artigo na edição deste fim de semana da revista Carta Capital, o sociólogo Marcos Coimbra, presidente do instituto Vox Populi, desmonta a tese da oposição e da grande mídia de que o PT está morto. “Há quem ache que o PT ‘está acabando’ e quem suponha que ‘já acabou’. São muito os que desprezam sua força atual, com base em leituras apressadas dos resultados das recentes eleições municipais. Alguns imaginam que o PT vai desaparecer no Congresso Nacional no curto prazo, em razão da ‘debandada de senadores e deputados’, que, na verdade, nunca aconteceu”, diz Coimbra. “Existem diversas pesquisas e todas dizem a mesma coisa. Na última pesquisa CUT/Vox Populi em que o assunto foi tratado, em dezembro de 2016, 15% dos entrevistados, quando perguntados qual partido tinham simpatia ou se sentiam identificados, responderam que pelo Partido dos Trabalhadores. Em segundo lugar, apareceu o PSDB, com 5%, e em terceiro o PMDB, com 2% das respostas. A imensa maioria dos entrevistados, 74% do total, disse ‘nenhum’. Como se vê, o PT, depois de passar anos sendo alvejado, permanece com cerca de 60% do total das identificações partidárias e tem o dobro da soma de seus concorrentes próximos. É possível olhar esses números e deduzir que o PT está em queda, por já ter tido um nível de identificações superior. Seria verdade, pois, no auge, em 2010, chegou a ultrapassar 30%, mas vai errar quem tirar muitas conclusões daí”, escreve. Segundo Marco Coimbra, os 15% que o PT possui atualmente devem ser comparados ao tamanho do partido até 2002 e após 2012, antes e depois dos dez anos de “lulismo”. “Os 15% que as pesquisas estimam significam uma coisa simples: que algo com 22 milhões de pessoas identificam-se com o partido. Que há milhões de petistas distribuídos em todas as faixas e regiões brasileiras, apesar da campanha arrasadora e cotidiana que o partido sofre. (…) Quer dizer que é todo decretar o ‘fim do PT’ enquanto ele permanece como referência para tantas pessoas, em tantos lugares do Brasil. Elas têm o mais legítimo direito democrático de simpatizar com o partido em que acreditam”, diz Marcos Coimbra
TRAIÇÃO: TEMER COLHE O QUE PLANTOU
O dado mais sintomático da pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta sexta-feira, é assustador: nada menos que 79% dos brasileiros não confiam em Michel Temer; o dado, no entanto, não chega a surpreender; Temer traiu a presidente eleita Dilma Rousseff, ao conspirar para derrubá-la; traiu os eleitores ao, no poder, adotar o programa do candidato derrotado Aécio Neves (PSDB-MG), que nomeou vários ministros em seu governo; traiu também todos os brasileiros, ao extinguir direitos trabalhistas e lançar uma proposta de reforma da Previdência que deixará milhões de pessoas sem nenhum tipo de proteção social; tudo isso já era previsível desde 17 de abril do ano passado, quando Temer mandou que sua assessoria distribuísse aos jornais a foto acima, em que ele aparece sorrindo, com aliados, no dia em que Eduardo Cunha conduziu a sessão que acolheu o pedido de impeachment contra Dilma; brasileiro não confia em quem trai compulsivamente. 247 – Em 17 de abril do ano passado, o então vice-presidente Michel Temer pediu que sua assessoria divulgasse uma imagem em que ele, sorrindo como uma criança, acompanhava a votação da sessão do impeachment na Câmara dos Deputados – aquela, conduzida por Eduardo Cunha e que entrou para a história como “a assembleia de bandidos presidida por um bandido”. Antes mesmo do resultado, sem nenhum recato, Temer já posava para a posteridade como um traidor. Um conspirador que agiu nas sombras para derrubar os votos de 54 milhões de brasileiros e também sua companheira de chapa, Dilma Rousseff. Pouco tempo depois, no dia 13 de maio, Temer tomou posse ladeado pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado na eleição de 2014, mas que conseguiu conquistar o poder na mão grande, aliando-se a Temer. Depois do golpe parlamentar, Aécio conseguiu nomear nada menos que cinco ministros, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, e até promover uma troca de comando na Vale. Mais do que simplesmente entregar cargos a Aécio, Temer adotou o programa de governo do candidato derrotado, promovendo o atual desmonte do Estado. O resultado é o que está aí: uma economia em queda livre, com tombo de 3,99% nos últimos doze meses, e 13,5 milhões de desempregados. Ou seja: Temer também traiu o programa vitorioso nas urnas. Além disso, ao avaliar que o fato de ter conquistado o poder sem votos lhe daria carta branca para fazer o que bem entendesse, Temer liquidou com os direitos trabalhistas, ao promover uma terceirização radical, e também propor uma reforma da Previdência que deixará milhões de brasileiros sem nenhum tipo de proteção social. Nesta sexta-feira, depois de tantas traições, Temer colheu o que plantou. Uma pesquisa CNI/Ibope revelou que nada menos que 79% dos brasileiros não confiam em Temer (leia aqui), cujo processo de cassação terá início na próxima terça-feira. Portanto, se os ministros do Tribunal Superior Eleitoral decidirem se sintonizar com a sociedade brasileira, agirão para que o Brasil se livre de um dos maiores vexames de sua história.
PF ADMITE QUE GRAVOU CONDUÇÃO DE LULA SEM AUTORIZAÇÃO DE MORO
O delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula reconheceu que um oficial gravou ilegalmente as imagens da condução coercitiva do ex-presidente Lula, em março de 2016; na ocasião, o juiz Sergio Moro havia determinado expressamente que seria proibido qualquer registro da ação; a PF, contudo, não só gravou como reproduziu as imagens para atores globais na sede da PF e ainda entregou uma cópia à revista Veja; reportagem do Jornal GGN. Jornal GGN – O delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula reconheceu, na segunda (27), que um oficial gravou ilegalmente as imagens da condução coercitiva do ex-presidente Lula, realizada em 4 de março de 2016. Na ocasião, o juiz Sergio Moro havia determinado expressamente que seria proibido qualquer registro do ex-presidente. A PF, contudo, não só gravou como reproduziu as imagens para atores globais na sede da PF e ainda entregou uma cópia à revista Veja. Na semana passada, diante da notícia de que as imagens existem e foram repassadas à imprensa, a defesa de Lula entrou com um requerimento solicitando a Moro que impedisse, de ofício, a divulgação do material. Moro, contudo, foi irônico e duvidou da notícia. Disse que se alguém tivesse gravado, as imagens já teriam vindo a público há muito tempo. E que se for o caso, nada pode fazer porque não compete a ele “impor censura” aos meios de comunicação. Nesta segunda, a defesa de Lula voltou a peticionar”para que os envolvidos se abstenham de qualquer divulgação das imagens gravadas, preservando o sigilo do material. Reitera igualmente que seja apurada a prática de eventuais crimes decorrentes da violação de deveres funcionais pelos agentes públicos, que tinham o dever de preservar o sigilo do material e eventual participação de pessoas relacionadas ao filme, cujos investidores são mantidos em sigilo.” Igor Romário de Paula é o mesmo delegado que surgiu na imprensa dizendo que o “timing para prender Lula” poderia surgir em 30 ou 60 dias, dependendo da conclusão do inquérito do sítio de Atibaia. Ele é processado pelo ex-presidente. Abaixo, a nota completa da defesa: “Na última sexta-feira, apresentamos ao Juízo da 13ª. Vara Federal de Curitiba, na condição de advogados do ex-Presidente Luiz Inacio Lula da Silva, sólidos indícios da ocorrência de atos ilícitos em virtude da gravação da sua condução coercitiva no dia 04/03/2016 e, ainda, da disponibilização dessas gravações a terceiros, estranhos às investigações. O delegado federal Igor Romário de Paula reconheceu, nesta data (27/03), ter havido gravações durante a execução da condução coercitiva de Lula, mas nega que tais imagens tenham sido cedidas a terceiros. A existência das gravações, reconhecidas pela Polícia Federal, já é o suficiente, em princípio, para evidenciar que a decisão do Juízo foi desconsiderada, levando em conta a determinação de não haver gravação “em qualquer hipótese”. Nossa manifestação também demonstra que houve ampla confissão (ainda que eventualmente involuntária) por parte de pessoas estranhas às investigações que tiveram acesso às gravações realizadas pela PF. Registrou-se que o jornalista Ulisses Campbell publicou o seguinte: “VEJA teve acesso à íntegra da gravação, efetuada por meio de uma câmera digital acoplada ao uniforme de um agente da PF que participou da ação”(edição 8/2/2017). Na mesma linha foram os registros de Gustavo Foster (Zero Hora), Marcelo Antunez (diretor do filme “A lei é para todos”), Tomislav Blazic (produtor do filme), Ary Fontoura (ator escalado para o filme) a diversas publicações. Perguntado pela revista Veja o que tinha ido fazer na Polícia Federal de Curitiba o ator Ary Fontoura declarou: “Vim sentir o clima da Lava-Jato e assistir às gravações que a PF fez da condução coercitiva do Lula”. A petição atual reitera os pedidos formulados anteriormente, para que os envolvidos se abstenham de qualquer divulgação das imagens gravadas, preservando o sigilo do material. Reitera igualmente que seja apurada a prática de eventuais crimes decorrentes da violação de deveres funcionais pelos agentes públicos, que tinham o dever de preservar o sigilo do material e eventual participação de pessoas relacionadas ao filme, cujos investidores são mantidos em sigilo. Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins”
DEPOIS DO GOLPE, DIREITA PERDEU A RUA, MAS AINDA NÃO PERDEU O PODER
– O contrate entre as duas imagens acima é marcante; no dia 15 de março, quando mais de 1 milhão de brasileiros foram às ruas para garantir direitos básicos como a Previdência, uma Paulista lotada; neste 26 de março, a mesma avenida vazia, comprovando que movimentos como MBL e Vem pra Rua, instrumentos do golpe de 2016, perderam a capacidade de mobilização depois que seu governo – o de Michel Temer – produziu a maior depressão econômica de todos os tempos, rasgou a CLT, tenta acabar com as aposentadorias e ainda se prepara para aumentar impostos na próxima terça-feira, sem contar o fato de que tem nada menos que nove ministros investigados por corrupção; ou seja: quem aderiu a essa histeria ou agiu de má-fé ou foi iludido e manipulado; o fiasco deste domingo abre espaço para que a esquerda reconquiste as ruas e devolva a democracia ao Brasil. 247 – No dia 15 de março, mais de 1 milhão de brasileiros foram às ruas em defesa de um direito básico, que é a possibilidade de se aposentar. No ponto alto, numa Avenida Paulista lotada, o ex-presidente Lula discursou contra um governo golpista instalado no poder para tirar direitos dos trabalhadores. “O golpe foi para colocar um cidadão sem nenhuma legitimidade para acabar com as conquistas sociais do povo”, disse Lula, Onze dias depois, neste 26 de março, a mesma Paulista ficou às moscas, depois de um protesto convocado por movimentos como MBL e Vem pra Rua, que foram instrumentos do golpe parlamentar de 2016. Tais movimentos perderam a capacidade de mobilização depois que seu governo – o de Michel Temer – produziu a maior depressão econômica de todos os tempos, rasgou a CLT, tenta acabar com as aposentadorias e ainda se prepara para aumentar impostos na próxima terça-feira, sem contar o fato de que tem nada menos que nove ministros investigados por corrupção. Ou seja, muitos brasileiros que saíram às ruas antes do golpe foram iludidos ou manipulados. Agora, o fiasco deste domingo abre espaço para que a esquerda reconquiste as ruas e devolva a democracia ao Brasil.
Desmonte continua
Com demissões do governo Temer-PSDB, serviço dos Correios ficarão prejudicados – Os serviços prestados à população pelos Correios podem ficar prejudicados, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos do Rio de Janeiro (Sintect-RJ), caso a estatal adote o Programa de Dispensa Motivada que demitirá servidores concursados. Conforme a Coluna Esplanada informou ontem, o presidente da empresa, Guilherme Campos, deve anunciar o programa em breve. Para a diretora do sindicato Rosemeri de Farias Leodoro, haverá mais atraso na entrega de encomendas em todo o estado com as demissões propostas pela empresa. Ela explica que no Rio há defasagem no quadro de funcionários.“Hoje já atuamos com número menor de trabalhadores. Se houver demissões vai impactar ainda mais. Com isso, teremos problema de demora da entrega das encomendas ”, afirmou. Além disso, a diretora questiona a falta de segurança também diminuiu o quadro de empregados.Sobre o programa de Dispensa Motivada da estatal, que deverá demitir servidores da empresa, os Correios informaram que ainda está em estudos e não há informações concretas sobre o assunto no momento. Via O Dia
Útil e necessário
De onde vêm e para que servem os esquerdopatas? – Por Fernando Horta Quando você tiver sido molestada ou estuprada e ninguém estiver ao seu lado, sabe quem vai lutar ao teu lado? As feministas, aquelas esquerdopatas. Quando você for demitido sem direitos e sem receber absolutamente nada para que possa sustentar sua família, sabe quem vai te defender? Os trabalhistas, aqueles esquerdopatas. Quando você sofrer violência policial, for agredido intimidado, sequestrado… Sabe quem vai te ouvir, acolher e ajudar nesta luta? Os defensores dos direitos humanos, aqueles esquerdopatas. Quando tirarem de você as escolas públicas ou a oportunidade de um ensino superior gratuito e de qualidade, sabe quem vai estar lá fazendo greve e apanhando da PM pelos teus direitos? Os professores, aqueles esquerdopatas. Quando passarem a te servir comida transgênica sem pesquisas suficientes e inundadas de agrotóxicos, sabem quem está lá para te defender e lutar pela tua saúde alimentar? O MST, aqueles esquerdopatas. Quando os juros forem tão altos e os salários tão baixos que você tenha perdido a dignidade social, sabe quem estará lá em greves, piquetes, estudos contrapondo os absurdos? Os partidos de esquerda, obviamente esquerdopatas… Quando você estiver sendo agredido ou prejudicado em função do Deus que você ora, sabe quem estará lá ao seu lado encarando os fundamentalistas? Os ateus e defensores do estado laico, aqueles esquerdopatas. Quando você estiver sem forças para negociar aumento de salário ou melhorias necessárias para o teu trabalho, sabe quem estará lá na linha de frente tomando bomba e gás na cara? O sindicalistas, aqueles esquerdopatas. Quando você não acreditar que o governo, o judiciário o legislativo estejam retirando teus direitos, tua aposentadoria e vendendo as riquezas do teu país, sabe quem estará lá votando contra, xingando, travando votação e etc.? Os partidos de esquerda, cheios de esquerdopatas. Enquanto isto sabe onde estão o teu deputado defensor da “família”, o teu pastor defensor de “Cristo”, o teu senador defensor da “liberdade” ou o teu ídolo defensor do “livre mercado”? Estão em casa descansando, aproveitando o dinheiro que ganharam defendendo os que eram contra ti e prometendo continuar te entregando em troca de mais dinheiro e poder. ” Esquerdopatas” são como as mãos, os pés ou qualquer outro membro que você só sente falta quando perde. E este é o momento em que todos estamos perdendo. Pense.