EMPRESÁRIOS SE SENTEM PERDIDOS NO PÓS-GOLPE
– O golpe parlamentar de 2016, que prometia resgatar a confiança empresarial, não foi apenas uma fraude política; foi também um grande engodo econômico; no entanto, os empresários que apoiaram a ruptura da democracia brasileira hoje enfrentam o dilema de contestar os erros de Temer, sem admitir que erraram; os sinais de frustração já aparecem em vários setores, como no BNDES, onde Maria Sílvia Bastos Marques travou os empréstimos, na carne, onde o governo é incapaz de reagir em razão das conexões de Osmar Serraglio com a máfia dos fiscais, no petróleo, onde Pedro Parente decidiu matar a indústria nacional de fornecedores, e até na macroeconomia, onde Henrique Meirelles se prepara para aumentar impostos. 247 – Os empresários brasileiros estão num mato sem cachorro. Apoiaram o golpe parlamentar de 2016, que produziu a maior depressão econômica de todos os tempos, e agora têm que aturar um governo que destrói a burguesia nacional. O dilema do setor produtivo é encontrar uma forma de contestar o desastre da era Temer, sem dar o braço a torcer. Os sinais de insatisfação, no entanto, se espalham por vários setores. O mais recente foi o pedido de vários empresários para que Michel Temer demita a presidente do BNDES, Maria Silva Bastos Marques (leia aqui). O motivo: ela travou os empréstimos e transformou o que antes era um banco de fomento num escritório de assessoria a privatizações. Antes disso, empresários do setor industrial se reuniram num grupo chamado Produz Brasil, e divulgaram manifestos contra a decisão de Pedro Parente, presidente da Petrobras, de exterminar a cadeia de fornecedores brasileiros no setor de óleo e gás. Parente quer matar a política de conteúdo nacional, atendendo a uma demanda que, na realidade, é das empresas internacionais de petróleo. No desastre mais recente, o da carne, os empresários do setor agropecuário são obrigados a lidar com um governo sem credibilidade para enfrentar a crise, uma vez que o ministro Osmar Serraglio – não demitido por Temer – é ligado à máfia dos fiscais agropecuários, que, segundo a Polícia Federal, arrecadavam propina para o PMDB (leia mais aqui). Se isso não bastasse, Henrique Meirelles, antes o queridinho dos mercados, deve anunciar na próxima semana aumentos de impostos, uma vez que a sua própria depressão econômica derrubou a atividade empresarial e, por consequência, a arrecadação de impostos. Ao apoiar o golpe, os empresários fizeram um péssimo negócio. A questão, agora, é como sair dessa encalacrada.
PSDB cara de pau
ULTRAFARMA NÃO JUSTIFICA PAGAMENTO DE PUBLICIDADE DE DORIA EM JOGO DA SELEÇÃO – O que, afinal, a Ultrafarma ganha com isso? Os remédios que eram distribuídos em postos de saúde agora serão distribuídos em farmácias. Provavelmente estas farmácias vão ganhar muito. Há, com esta ação de marketing, mais uma conexão direta do benefício de uma empresa privada com o poder público, diz texto da Revista Fórum Da Revista Fórum – De acordo com nota da secretaria de comunicação da prefeitura de São Paulo, a empresa farmacêutica Ultrafarma pagou publicidade da campanha “Cidade Linda”, veiculada nesta quinta-feira (23), durante o jogo da seleção brasileira contra o Uruguai, válido para as eliminatórias da Copa da Rússia, em 2018. Perguntada sobre qual a justificativa para a empresa ter feito tal pagamento, a assessoria da prefeitura pediu que perguntássemos à própria Ultrafarma. Procurada, a empresa alegou que não iria se manifestar sobre o assunto. A relação promíscua entre o prefeito João Doria e a empresa Ultrafarma não é novidade. Em fevereiro deste ano, o prefeito postou vídeo nas redes sociais onde posou de garoto propaganda da Ultrafarma, empresa de Sidney Oliveira que, de acordo com a coluna Radar, da Veja, doou R$ 600 mil à sua campanha. O que, afinal, a Ultrafarma ganha com isso? Os remédios que eram distribuídos em postos de saúde agora serão distribuídos em farmácias. Provavelmente estas farmácias vão ganhar muito. Há, com esta ação de marketing, mais uma conexão direta do benefício de uma empresa privada com o poder público. Nota da Prefeitura de São Paulo: A publicidade de 3 minutos do programa SP Cidade Linda feita ontem, durante o jogo Uruguai x Brasil, não teve custos aos cofres públicos. Trata-se de uma doação feita pela empresa Ultrafarma sem contrapartida. O termo de doação será publicado no Diário Oficial da Cidade de São Paulo. PSDB cara de pau Comentário do jornalista Felipe Gabrich “Sobre a propaganda do Dória que foi afixada no Estádio Centenário, durante o jogo Uruguai x Brasil, que a Globo transmitiu para todo o país, na última quinta-feira (23), a prefeitura de São Paulo teve a desfaçatez de dizer que foi um empresário do ramo farmacêutico que pagou a publicidade, sem custo para o município. Trocando em miúdos: para o PSDB paulista um empresário pagar uma publicidade do prefeito não é crime de corrupção. Ah, meu Deus, que país é este? O mais grave de tudo é que senadores e deputados federais dos partidos de esquerda, entre os quais o PT e o PCdoB, fingem nacionalmente não terem visto a publicidade. Eta que quá cinco vezes para esses partidecos”.
Agora? Dona Igreja!
Depois do leite derramado, CNBB acorda e declara guerra à Reforma da Previdência – A proposta de reforma da Previdência de Michel Temer e Henrique Meirelles, que deixa milhões de brasileiros sem aposentadoria e sem nenhum tipo de proteção social, mesmo tardiamente foi criticada pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que assumiu sua posição contrária à reforma que, além da idade mínima de 65 anos, exige 49 anos de contribuição para o benefício integral, num país que, ontem, decidiu matar a CLT e precarizar de vez as relações de trabalho (leia aqui).Esta posição da “santa madre igreja” deveria ter acontecido na ocasião do Golpe, mas lamentavelmente, ela preferiu omitir e deixar os bandidos tomarem nosso País, apoiados por um bando de padres coxinhas e por quase totalidade dos canalhas pastores evangélicos. Mas ainda há tempo para amenizar os estragos.Na nota, os bispos lembram que a previdência “não é uma concessão governamental ou um privilégio”, mas sim um direito assegurado na Constituição de 1988.No mesmo documento, o cardeal Sergio da Rocha, o arcebispo Murilo Krieger e o bispo Leonardo Steiner convocam os “cristãos e pessoas de boa vontade” a se mobilizarem.“Deus nos abençoe”, diz ainda o documento.No último dia 15, mais de 1 milhão de brasileiros foram às ruas contra o fim das aposentadorias.
GLOBO ACUSA TEMER DE ARTICULAR ESTELIONATO ELEITORAL

O jornal O Globo critica, em editorial publicado nesta sexta, a proposta de reforma política capitaneada por Michel Temer e seus aliados. Para o periódico da família Marinho, trata-se de uma reação aos efeitos da Lava Jato. “Ao instituir a eleição por lista fechada de candidatos, o Legislativo não exporá nomes sob investigação no Supremo e mesmo já denunciados pela Procuradoria-Geral da República. Será um estrondoso estelionato eleitoral, cometido por vias legais”, diz o texto Confira a íntegra do editorial: Não se discute a necessidade imperiosa de uma reforma política, urgente há mais de década. Mas não esta que acaba de ser tirada do baú de políticos que se apressam a blindar-se diante da segunda lista de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, enviada ao relator da Lava-Jato no Supremo, ministro Edson Fachin, na terça-feira. Trata-se de óbvia proposta de ocasião, feita sob encomenda. Inexiste coincidência fortuita entre o encaminhamento ao Supremo de 83 pedidos de abertura de inquérito sobre deputados, senadores e ministros de Estado — é a segunda vez, durante a Lava-Jato, que Janot encaminha nomes à Corte com este objetivo — e o surgimento de um conjunto de medidas para alterar regras eleitorais, com a sugestiva ressurreição do sistema de voto em lista fechada. Pela qual ao eleitor cabe apenas avalizar uma relação de candidatos a deputado e a vereador montada autocraticamente pelas direções partidárias. Sistema já rejeitado no Congresso, o método da lista fechada volta agora de carona com a percepção, surgida no decorrer da Lava-Jato, de que seria impossível financiar campanhas pela via legal. Ato contínuo, voltou-se a defender a estatização total das finanças político-eleitorais — já não fosse o bastante a pesada carga tributária no país —, depois de já terem elevado o Fundo Partidário de pouco menos de R$ 300 milhões para R$ 800 milhões. Será mais um abuso contra o contribuinte a criação de uma despesa adicional bilionária para gastos em campanhas, em que é seguro que o caixa 2 continuará em ação. Mesmo que haja alguma retração agora, na esteira da repercussão dos inquéritos abertos a partir das delações da Odebrecht. Reuniram-se anteontem, no Planalto, com o presidente da República, Michel Temer, o ministro do STF, Gilmar Mendes, atual presidente do TSE, e os presidente da Câmara e do Senado, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), dois listados por Janot. Na agenda, o tema óbvio. Há enorme pressa, porque, para as mudanças valerem já no ano que vem, precisam ser avalizadas pelo Congresso até setembro. Justifica-se a lista fechada como para viabilizar o financiamento público total de campanha. Mas há um motivo forte, oculto: ao instituir a eleição por lista fechada de candidatos, o Legislativo não exporá nomes sob investigação no Supremo e mesmo já denunciados pela Procuradoria-Geral da República. Será um estrondoso estelionato eleitoral, cometido por vias legais. Com a suprema distorção de que, em muitos partidos, os caciques que escolherão os candidatos também farão parte da lista de Janot. A ousada manobra em curso ajuda a ressaltar a necessidade de uma reforma mínima, que toque em poucos pontos-chave, como a instituição de cláusula de desempenho, para que apenas partidos que tenham uma determinada quantidade de votos consiga acesso ao Fundo Partidário, ao horário dito gratuito de propaganda política e a outras facilidades. Nada mais democrático. Nem é preciso começar do zero, porque já tramita no Senado, aprovada no primeiro de dois turnos exigidos por lei, emenda à Constituição que institui a cláusula, comum em muitos países. Reforma de sistema eleitoral não pode se prestar a truques.
Erros do PT
Nunca existiu governo do Partido dos Trabalhadores O ex-presidente Lula e o presidente Michel Temer (Foto: Arte sobre foto de André Coelho/ Agência O Globo) *Por Cláudio Oliveira A maioria dos chamados “erros do PT” são erros de uma coalizão entre partidos de esquerda e de direita que governaram o país nos últimos treze anos Tenho evitado escrever sobre a situação brasileira aqui na coluna. A ideia original era que eu escreveria sobre Paris, sobre o que vejo e sobre o que encontro ou nas viagens que faço por aqui. Além do mais, como estou distante, fica mais difícil acompanhar tudo o que está acontecendo, mesmo que a primeira coisa que eu faça, todos os dias, ao acordar, seja ler os jornais brasileiros. Também tento me informar através dos blogs de jornalistas independentes (chamados pela direita brasileira de blogs sujos) e também um pouco através do que as pessoas postam no Facebook e das conversas por áudio e câmera com amigos e familiares. Mas isso é diferente de estar no Brasil, vivendo no dia-a-dia a coisa mesma. A situação brasileira é tão complexa que é difícil decidir por onde começar uma vez que decidimos falar sobre ela. Talvez um começo seja lembrar que ela não é desconectada da situação internacional. Nem nunca foi. Assim como o golpe de 1964 não pode ser entendido fora de um contexto internacional – a Guerra Fria, a luta dos Estados Unidos e dos seus aliados contra a emergência de países comunistas -, o mesmo deve ser dito da situação que vivemos agora e do golpe de Estado que sofremos no ano passado. Só que essa situação internacional não é mais a mesma, mesmo que a luta de algum modo permaneça a mesma. Os lados da luta se mantêm inalterados, ainda que hoje seus instrumentos sejam diferentes. Os contextos mudaram. Não há mais o fantasma do comunismo. A morte de Fidel veio sacramentar esse fato. O que existe hoje não é mais a ideia de revolução, de constituição de um Estado socialista. Ninguém mais pensa nisso como uma real possibilidade, a não ser alguns poucos autores. Mesmo a China representa hoje outra coisa, um outro tipo de ameça. A China não é hoje a ameça comunista, mas apenas a ameaça chinesa. Não vejo, por exemplo, a China muito concernida pelo que acontece nos outros países, não é muito clara para mim a atuação internacional chinesa, enquanto uma atuação política. O fantasma hoje é outro. O perigo agora para a direita é, a meu ver, a chegada ao poder, via voto popular, de lideranças de esquerda. O fato de muitas dessas lideranças terem chegado ao poder, via voto popular, foi o fato que marcou a década passada, a primeira década do século 21. Essas lideranças de esquerda não só chegaram ao poder, mas implementaram políticas sociais que modificaram a vida de milhões de pessoas. Acendeu-se uma nova luz vermelha. O que implicou um novo modo de combater esse novo tipo de ameaça. Podemos dizer que já era essa a tendência na América do Sul quando ocorreram os golpes militares das décadas de 1960 e 1970. A eleição de Allende, no Chile, e a de Jango, no Brasil, mostravam que a esquerda já estava buscando uma chegada ao poder através das eleições. E ela estava sendo vitoriosa. Mas a resposta da direita, todos nós a conhecemos, foram os golpes militares no Chile e no Brasil. Ou seja, é uma tradição da direita, pelo menos na América Latina: ela só respeita a democracia quando vence. Quando perde, ela produz golpes de Estado. Essa história se repetiu no Brasil em 2016, mesmo sem que os militares tenham tido participação no golpe dessa vez. Ela já tinha acontecido, do mesmo modo, no Paraguai, em 2013, com o impeachment de Fernando Lugo. Mas em Honduras, em 2009, a deportação de Manuel Zelaya, considerada por uma resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas como um golpe militar, não aconteceu sem a atuação das forças armadas daquele país. Após a queda das ditaduras militares que se impuseram na segunda metade do século passado na América do Sul, houve um fortalecimento, nós acreditávamos, das instituições democráticas. Achávamos que um golpe nunca mais aconteceria. E mais uma vez, a esquerda buscou o caminho democrático das urnas para chegar ao poder. O que não é fácil num país em que todas as instâncias de poder, dentre as quais a do poder midiático, são dominadas pela direita. A esquerda foi vitoriosa na maioria dos países da América do Sul e em alguns da América Central no início do século 21. Essa vitória não implicou, no entanto, em nenhuma quebra ou modificação da economia de mercado, mas introduziu mudanças significativas nas ações sociais dos governos eleitos. Em outras palavras, ninguém tentou implantar nesses países uma sociedade de tipo comunista ou socialista. Os governos implantados estavam mais para a clássica receita da social-democracia: economia de mercado com justiça social. No Brasil há coisas estranhas: o Partido dos Trabalhadores, em tese socialista, buscou exercer, de fato, um governo social-democrata, enquanto o Partido da Social Democracia Brasileira, apesar do nome, não tem nada de social-democrata, tendo praticado um governo totalmente neoliberal. A lição que tiramos, no Brasil, dos anos de governo do PT é a de que a social-democracia, aquela praticada pelo PT, já é suficientemente perigosa e insuportável para a classe dominante brasileira, mesmo que esse “ensaio” de social-democracia estivesse ainda muito distante do que seria uma social-democracia de fato. A única social-democracia que a classe dominante brasileira pode suportar é aquela do PSDB, ou seja, um neo-liberalismo que tem a social-democracia apenas no nome. Podemos tirar a mesma conclusão do países da América Latina em geral (a exceção, até agora, é o Uruguai). De fato, o que vivemos hoje é uma derrota generalizada das esquerdas no mundo, em especial na América Latina. O caso Canadá é uma incógnita. E eu não tenho informações suficientes para comentar o caso (lembremos apenas que o Canadá vinha de um longo período
O sertão virou mar
ÁGUA DA TRANSPOSIÇÃO FEITA POR LULA E DILMA EMOCIONA NORDESTINOS – Ribeirinhos do Velho Chico, aproveitam ás águas para curtir o carnaval O Nordeste está em festa. O Velho Chico finalmente chegou ao sertão para melhorar as milhões de pessoas que antes estavam condenadas a ter vidas secas. – As águas do rio São Francisco que estão chegando ao sertão da região Nordeste por meio das obras de transposição feitas nos governos de Lula e Dilma estão provocando uma onda de emoção e alegria entre a população dos municípios atendidos. Mesmo com placas alertando para os riscos de afogamento, os moradores de Sertânia, na divisa entre Pernambuco e Paraíba, fizeram a festa com a chegada da água do Velho Chico. A água está enchendo o reservatório de Campos, no Eixo Leste.Ao todo, as obras de transposição, realizadas pelos governos Lula e Dilma, vão beneficiar 12 milhões de pessoas em 390 localidades em PE, PB, CE e RN, além de 294 comunidades rurais às margens dos canais. Veja o vídeo aqui Em seguida, a água do Rio São Francisco passará pelo reservatório Barro Branco, pelo Túnel Engenheiro Giancarlo e pela Adutora Monteiro. Depois de completar os 217 quilômetros de extensão no Eixo Leste, que termina no açude de Poções, o projeto beneficiará o município de Monteiro (PB) este mês. Em fase de conclusão, o Eixo Leste possui seis estações de bombeamento, que são responsáveis por elevar a água de um terreno baixo para outro mais elevado. A estrutura também contém cinco aquedutos, um túnel, uma adutora e 12 reservatórios, que captam a água no reservatório de Itaparica, em Floresta (PE). O ex-presidente Lula comemorou a conquista dos nordestinos. “O Nordeste está em festa. O Velho Chico finalmente chegou ao sertão para melhorar as milhões de pessoas que antes estavam condenadas a ter vidas secas”, diz texto publicado na página do ex-presidente Lula no Facebook. Lula compartilhou em sua rede social vários vídeos de pessoas comemorando a chegada da água na região. “SE não fosse Lula e Dilma, não teria isso aqui não”, diz um morador de Sertânia, ao mostrar a água chegando no reservatório da cidade. Enquanto isso, os golpistas estão dizendo que esta transposição do Rio São Francisco é obra de Temer e do PSDB. Bando de canalhas!
Por que Lula?
Manifesto de intelectuais pede a candidatura Lula Numa iniciativa que responde à escolha que milhões de brasileiros manifestam com clareza sempre que lhe perguntam quem deve governar o país, o lançamento da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República começa a tomar forma e conteúdo. A partir desta segunda-feira, 6 de março, todo cidadão brasileiro será convidado a colocar seu nome, através de uma plataforma aberta na internet, a um abaixo assinado que solicita a Lula considerar “a possibilidade de, desde já, lançar sua candidatura a Presidência da República como forma de garantir ao povo brasileiro a dignidade, o orgulho e a autonomia que perderam.” “O Brasil precisa de Lula,” diz o documento, lembrando que ele assegurou ” significado substantivo e autêntico à democracia brasileira. Descobrimos, então, que não há democracia na fome, na ausência de participação política efetiva, sem educação e saúde de qualidade, sem habitação digna, enfim, sem inclusão social.” (Leia a íntegra do documento abaixo). Na fase inicial, o abaixo assinado já recebeu a adesão inicial de cinco centenas de cidadãos engajados na luta pela democracia, intelectuais e lideranças da sociedade civil.” Leonardo Boff é a assinatura número 1, o jornalista e escritor Fernando de Morais comparece com a número 2, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão é a número 6, Chico Buarque é a 9. O líder do MST, João Pedro Stédile é a número 10 e o jurista Fábio Konder Comparato a 11. O documento, que deve ser anunciado e debatido em eventos com a presença do próprio Lula marcados que para as próximas semanas, é uma iniciativa de intelectuais e personalidades reconhecidos por seu engajamento na luta pela democracia, a começar por Leonardo Boff. Também participaram o jornalista Eric Nepomuceno, dois juristas da PUC do Rio de Janeiro, Gisele Cittadino e João Ricardo Dornelles, e também Carol Proner, da UFRJ.
José Yunes
TEMER SABIA DE TUDO E PROPINA DA ODEBRECHT PAGOU 140 DEPUTADOS – O empresário José Yunes decidiu disparar um tiro no peito de Michel Temer, seu parceiro e melhor amigo há várias décadas. Mais do que simplesmente delatar Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil que acaba de pedir licença do cargo, ele afirmou que Temer sabia de tudo. Em entrevista ao jornalista Lauro Jardim, Yunes afirmou que Temer, seu melhor amigo, tem conhecimento de que ele foi usado como “mula” por Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil – “mula” é um termo do tráfico de drogas que designa a pessoa usada para transportar drogas para terceiros. Na entrevista, Yunes disse ter recebido Lúcio Funaro em seu escritório, a pedido de Padilha. No encontro, Funaro lhe contou que estava financiando 140 deputados para garantir a eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara dos Deputados. “Contei tudo ao presidente em 2014. O meu amigo Temer sabe que é verdade isso. Ele não foi falar com o Padilha. O meu amigo reagiu com aquela serenidade de sempre. Eu decidi contar tudo a ele porque, em 2014, quando aconteceu o episódio e eu entrei no Google e vi quem era o Funaro, fiquei espantado com o ‘currículo’ dele. Nunca havia conhecido o Funaro”, disse Yunes a Jardim. Segundo Yunes, Funaro afirmou que estava em curso uma estratégia para eleger uma bancada fiel a Cunha, para conduzi-lo à presidência da Câmara. “Ele me disse: ‘A gente está fazendo uma bancada de 140 deputados, para o Eduardo ser presidente’. Perguntei: ‘Que Eduardo?’. Ele respondeu: ‘Eduardo Cunha’”. Yunes decidiu falar depois que apareceu nas delações da Odebrecht. De acordo com o delator Cláudio Melo Filho, da propina de R$ 11 milhões acertada com Temer, R$ 4 milhões foram entregues no escritório de Yunes. Por isso mesmo, ele se antecipou e procurou também o Ministério Público para dar sua versão dos fatos. Tais recursos foram acertados num jantar entre Michel Temer e Marcelo Odebrecht, no Palácio do Jaburu, em 2014, com a presença de Padilha. O dinheiro saiu do departamento de propinas da empreiteira e ajudou a bancar a eleição de Cunha para a Câmara. Uma vez eleito presidente, Cunha passou a sabotar o governo da presidente eleita Dilma Rousseff e aceitou um pedido de impeachment sem crime de responsabilidade, abrindo espaço para que Temer chegasse ao poder.
Vende-se deputados
Para aprovar o golpe parlamentar, no mínimo 140 deputados foram comprados – Dos 53 parlamentares que compõem a bancada mineira, 41 votaram a favor do impedimento da presidente, e 12 contrários. (leia a lista completa abaixo) Vários deputados foram comprados para aprovar o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, mesmo ela não tendo cometido nenhum crime. Esta informação é de José Yunes, maior amigo do governo usurpador Michel Temer. Segundo ele, pelo menos 140 deputados foram comprados. Seu depoimento à Procuradoria Geral da República no dia 14 último e sua entrevista à “Veja”, que traz a chamada “Fui mula de Padilha”, é o mais contundente e isento testemunho não só de que Padilha recebeu 4 milhões de reais da Odebrecht em forma de propina, mas que ao menos 140 dos 367 votos do impeachment foram comprados. A favor do gope Em Minas, dos 53 deputados federais, 41 votaram a favor do golpe. Além da deputada Raquel Muniz (PSD), os deputados: Bilac Pinto (PR) – Bonifácio de Andrada (PSDB) – Caio Narcio (PSDB) – Carlos Melles (DEM) – Dâmina Pereira (PSL) – Delegado Edson Moreira (PR) – Diego Andrade (PSD) – Dimas Fabiano (PP) – Domingos Sávio (PSDB) – Eduardo Barbosa (PSDB) – Eros Biondini (PROS) – Fábio Ramalho (PMDB) – Franklin Lima (PP) – Jaime Martins (PSD) – Júlio Delgado (PSB) – Laudivio Carvalho (SD) – Leonardo Quintão (PMDB) – Lincoln Portela (PRB) – Luis Tibé (PTdoB) – Luiz Fernando Faria (PP) – Marcelo Álvaro (PR) – Marcelo Aro (PHS) – Marcos Montes (PSD) – Marcus Pestana (PSDB) – Mário Heringer (PDT) – Mauro Lopes (PMDB) – Misael Varella (DEM) – Newton Cardoso Jr (PMDB) – Odelmo Leão (PP) – Paulo Abi-Ackel (PSDB) – Renzo Braz (PP) – Rodrigo de Castro (PSDB) – Rodrigo Pacheco (PMDB) – Saraiva Felipe (PMDB) – Stefano Aguiar (PSD) – Subtenente Gonzaga (PDT) – Tenente Lúcio (PSB) – Toninho Pinheiro (PP) – Weliton Prado (PMB) e Zé Silva (SD), votaram a favor da saída da presidente honesta Dilma Rousseff para colocar em seu lugar um governo corrupto. Contra o golpe Apenas os deputados: Adelmo Carneiro Leão (PT); Aelton Freitas (PR); Brunny (PR); Gabriel Guimarães (PT); George Hilton (PROS); Jô Moraes (PCdoB); Leonardo Monteiro (PT); Margarida Salomão (PT); Miguel Corrêa (PT); Padre João (PT); Patrus Ananias (PT) e Reginaldo Lopes (PT), votaram contra o golpe
A máscara caiu

O impeachment comprado A deputada do PSD de Minas Gerais fez parte da categoria de voto performático do impeachment, usando gritos e balançando a bandeira. Ela disse que ‘o Brasil tem jeito e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão’. No dia seguinte, Ruy Muniz, ex-prefeito e marido da deputada, foi preso. Segundo a denúncia, ela esvaziava o hospital público para que os pacientes fossem a um hospital de sua propriedade e nos anos 1980 já tinha aplicado um golpe envolvendo o Banco do Brasil. O depoimento de José Yunes à Procuradoria Geral da República no dia 14 último e sua entrevista à “Veja”, que traz a chamada “Fui mula de Padilha”, é o mais contundente e isento testemunho não só de que Padilha recebeu 4 milhões de reais da Odebrecht em forma de propina, mas que ao menos 140 dos 367 votos do impeachment foram comprados. A palavra não é de nenhum oposicionista, mas de um homem que fez até há pouco parte do governo Temer, ao lado de Padilha. Segundo Yunes, Padilha lhe telefonou, em 2014, perguntando se ele poderia receber um pacote com documentos em seu escritório; depois uma outra pessoa passaria lá para pegá-lo. Yunes concordou. Eis o que aconteceu depois, segundo a “Veja”: “Pouco tempo depois, Yunes estava em seu escritório de advocacia em São Paulo quando, diz ele, a secretária informou que um tal de Lúcio estava ali para deixar um documento. “A pessoa se identificou como Lúcio Funaro. Era um sujeito falante e tal. Ele me disse: ‘Estamos trabalhando com os deputados. Estamos financiando 140 deputados’. Fiquei até assustado. Aí ele continuou: ‘Porque vamos fazer o Eduardo presidente da Casa’. Em seguida, perguntei a ele: ‘Que Eduardo?’. Ele me respondeu: ‘Eduardo Cunha’. Temer já confirmou ter tido conhecimento do encontro de Funaro com Yunes em São Paulo. A denúncia ajuda a entender que o impeachment foi resultado de uma conspiração; que a conspiração começou ainda na eleição de Cunha à presidência da Câmara e que os 140 deputados financiados para eleger Cunha também votaram a favor do impeachment. As questões que se colocam são: 1) se esses 140 votos precisaram ser comprados é porque os deputados não estavam convencidos de que o impeachment se sustentava; 2) sem esses 140 votos não teria havido impeachment; 3) comprovando-se a existência dessa compra não seria o caso de anular o impeachment? Aliada de Eduardo Cunha, Raquel Muniz, vive inferno astral após o impeachment Aliada de Eduardo Cunha, Raquel Muniz – que não compareceu à sessão que cassou o mandato do ex-presidente da Câmara – ganhou projeção nacional após gritar ‘sim, contra a corrupção’ no impeachment de Dilma e, no dia seguinte, ver o marido ser preso pela PF por corrupção, pode ter sido beneficiada pelo impeachment Depois do sim, sim, sim… a golpista deputada Raquel Muniz não teve mais sossego na sua vida. Cada dia aparece um empecilho. Quando não é com o exemplar marido, é com o filho. Ambos foram foragidos da justiça. Para piorar, seu exemplar marido perdeu a eleição para Prefeito e corre risco de perder o controle de suas empresas, sem falar que própria deputada vem sendo investigada pelo STF. Prisão de Cunha preocupa deputados Por Girleno Alencar – Jornal Gazeta: 21 Outubro 2016 A prisão do ex-deputado federal Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, estremeceu a política nacional, causando intranquilidade em Brasília e, ainda, o alerta em Montes Claros. Até recentemente ele era o principal ícone político para o casal Ruy e Raquel Muniz. Por sinal, o último ato oficial praticado por Eduardo Cunha como presidente da Câmara dos Deputados foi assinar o ato de criação da CPI do DPVAT, proposto pela deputada Raquel Muniz (PSD), que pretendia utilizar isso para incomodar os seus adversários políticos em Montes Claros. A forte ligação entre Raquel Muniz e Eduardo Cunha se evidenciou no dia da votação da cassação dele. Raquel se ausentou da sessão e declarou que se tivesse comparecido, teria votado a favor de Eduardo Cunha. No ano de 2014, depois da eleição como deputada federal, Raquel Muniz viajou pelo Brasil em prol da eleição de Eduardo Cunha como presidente da Câmara dos Deputados. Na hora da prisão de Eduardo Cunha, Raquel Muniz estava em Montes Claros e não se manifestou sobre o assunto.