STF forma maioria para tornar réus mais 250 acusados pelo 8 de Janeiro

Com a decisão prestes a ser confirmada, já chega a 800 o número de pessoas investigadas pela depredação da sede dos Três Poderes. O Supremo Tribunal Federal formou maioria para tornar réus mais 250 envolvidos nos atos golpistas de 8 de Janeiro, em Brasília. O julgamento será finalizado ainda nesta segunda-feira 15. A Corte votou em plenário virtual sobre o quarto grupo de investigados. Ao todo, cinco ministros acompanharam o voto de Alexandre de Moraes, relator do caso. São eles: Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Edson Fachin, Rosa Weber e Gilmar Mendes. Kassio Nunes Marques e André Mendonça divergiram parcialmente da decisão. Novamente, eles argumentam que a competência para julgar os golpistas não é do Supremo, mas sim da Justiça Federal. Com o apoio da maioria dos ministros, portanto, os 250 se juntaram aos 550 que já se tornaram réus em outros 3 julgamentos no STF. Ao todo, 1.390 foram denunciados pela Procuradoria Geral da República. Com a decisão que será confirmada ao fim desta segunda-feira, os acusados serão investigados e devem responder pelos crimes de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de estado, dano qualificado e incitação ao crime.

SUS pode ser esperança para mulheres que sonham ser mães

No país, dez centros de reprodução assistida atendem na rede pública “É um sonho, a gente vive a realidade, mas daquilo que a gente sonhou um dia!”, afirma a advogada Renata Wenceslau Monteiro, sobre ser mãe da pequena Alice Catarina, de quase três anos. Depois de dois abortos, que resultaram na retirada das duas trompas, ela disse que perdeu o chão, já que não conseguiria engravidar de forma natural. Ela chegou a falar para o marido procurar outra pessoa que pudesse dar filhos a ele. Mas, o marido Rafael Ramos disse que queria ter filhos com ela. No entanto, o casal não tinha condições financeiras para pagar uma fertilização in vitro (FIV), única técnica que ela poderia tentar, já que o embrião é feito no laboratório e não precisa das trompas. Assim, foram pesquisar para descobrir o caminho para engravidar por meio da saúde pública. “Sabíamos que o SUS [Sistema Único de Saúde] fazia o tratamento, mas a gente tinha pouquíssima informação. No último aborto, meu médico tinha me encaminhado para o hospital referência, o Pérola Byington, para poder fazer essa fertilização, mas descobrimos que não bastava a carta dele”, contou Renata Foi então que se informaram, entraram em grupos nas redes sociais e descobriram o caminho. “Tem que passar pelo sistema interno, que chama o sistema Cross, [a Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde]. Ali começou a efetivação do nosso sonho.” Até dar tudo certo, ela não quis contar para muitas pessoas, para não criar expectativas. “Mas quando eu consegui engravidar, comecei a falar para poder levar informação para as pessoas, não à toa muita gente me procura para querer saber como é o ingresso”. Ela resume: “Você vai na central de regulação da AMA [Atendimento Médico Ambulatorial), vão te inserir no cadastro do sistema Cross [Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde] e ali fica na fila”. No caso dela, o ingresso foi rápido. “Não fiquei dias na fila, fiz todo o procedimento na mesma semana, a resposta veio diretamente do hospital, recebi um e-mail para ir na consulta dia 30 de abril de 2019. Não esqueço essa data.” Doadora de óvulos Na primeira consulta, Renata foi informada da possibilidade de ser doadora de óvulos, já que com uma idade jovem – na época tinha 24 anos – poderia ajudar outras mulheres a engravidar, como pacientes oncológicas e com idades superiores. “Nesse dia eu aceitei ser doadora. E quando o médico soube que meu fator sanguíneo é B negativo, ele disse que tinha receptora B negativo e não tinha doadora no hospital. Fiquei bem feliz em poder ajudar alguém, além de receber ajuda.” De maio a outubro de 2019, ela fez exames e cuidou de uma infecção. Assim que terminou essa fase, estava apta a iniciar a estimulação ovariana [tratamento farmacológico para desenvolver os folículos ovarianos até torná-los maduros]. O que resultou em hiperestímulo e foram coletados 26 óvulos de Renata. Destes, 15 óvulos estavam maduros. “Fiquei com oito e doei sete, que ficaram com a receptora. Espero que ela tenha conseguido engravidar tanto quanto eu”. Renata esperou dois ciclos de menstruação para poder fazer a transferência embrionária e deu certo na primeira tentativa. “Fiz o primeiro ultrassom com seis semanas. Estava lá um embriãozinho no lugar dele certinho dele, com o coração já batendo”, relembra. A gravidez foi tranquila, diz Renata. “Tive dois sangramentos no começo, mas fora isso foi tranquila. Em 16 de julho de 2020 a Catarina nasceu, linda, perfeita, maravilhosa. Aí começou a nossa jornada na maternidade!”. Opção Além de ser uma opção para casais como Renata e Rafael, a reprodução assistida pode ser o meio para pessoas que optam pela produção independente, pessoas com doenças que causaram (ou poderão causar) infertilidade, como em doenças oncológicas, para casais homoafetivos ou para casais inférteis. Segundo a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRH), a infertilidade conjugal acomete cerca de 15% dos casais brasileiros em idade reprodutiva, o que representa cerca de 20 milhões de indivíduos ou 10 milhões de casais. Atualmente, cerca de 10% dos ciclos de reprodução assistida são feitos por casais homoafetivos, informou a SBRH. Cada tentativa de engravidar pelas técnicas de reprodução assistida, custa entre R$ 5 mil e R$ 30 mil, explica o presidente da associação, Paulo Gallo de Sá, ginecologista e especialista em reprodução humana. “O custo do tratamento particular vai depender o tipo de tratamento de reprodução assistida e da qualidade do centro de reprodução.” A inseminação intrauterina (IIU) custa em média R$ 5 mil, incluindo a medicação. A técnica consiste na inseminação e introdução no interior do útero de sêmen preparado no laboratório, com objetivo de obter a gestação. Desse modo, a inseminação aproxima o(s) óvulo(s) dos espermatozoides para que a fertilização ocorra naturalmente na tuba uterina. Fertilização A fertilização in vitro (FIV) privada pode custar em média R$ 30 mil, incluindo a medicação. A FIV é um tratamento que consiste em realizar a fecundação do óvulo com o espermatozoide em ambiente laboratorial, formando embriões que serão cultivados, selecionados e transferidos para o útero. Alguns serviços oferecem uma variante do processo, apelidada de mini-FIV, que custa em média menos da metade: R$ 14 mil, com a medicação. “São tratamentos de baixo custo, com menor dose de medicação, buscando menor número de óvulos e evitando o congelamento de embriões excedentes”, afirma o ginecologista. Quem não tem condições financeiras de pagar esses valores pode tentar por meio da saúde pública em um dos centros de atendimento credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 2012, uma portaria do Ministério da Saúde destina recursos financeiros aos estabelecimentos de saúde que realizam procedimentos de atenção à reprodução humana assistida, no âmbito do SUS, incluindo fertilização in vitro e/ou injeção intracitoplasmática de espermatozoides. “O Brasil possui pouquíssimos centros de reprodução humana assistida que realizam as técnicas de alta complexidade (fertilização in vitro)”, segundo Paulo Gallo de Sá, que aprova os serviços. “Todos os dez centros são considerados de referência e atendem às condições de segurança e qualidade exigidos pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], disse. A embriologista Vanessa Rodrigues Alves concorda com

Acusações contra Bolsonaro serão julgadas no plenário físico do STF

Supremo vai analisar recurso apresentado por senadores contra arquivamento realizado pelo ministro Dias Toffoli A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu que ações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado do cometimento de diversos crimes durante a pandemia da covid-19, sejam julgadas presencialmente pelos magistrados da corte. As acusações fazem parte do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou as irregularidades do governo federal durante o período. As ações estavam para julgamento no plenário virtual — espaço on-line onde os magistrados podem analisar processos. No entanto, Cármen Lúcia pediu destaque, ou seja, que o tema seja levado ao plenário físico, onde será analisado em sessão presencial e poderá ser transmitido ao vivo para todo o país. Os ministros vão analisar uma decisão do relator, Dias Toffoli, que arquivou uma acusação da CPI da Covid contra Bolsonaro. O ex-presidente é acusado de violação de medida sanitária, por não usar máscaras durante a disseminação do vírus e por gerar aglomeração de pessoas nas ruas de Brasília em um momento em que estava em validade medidas de distanciamento social. Toffoli acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) recomendando o arquivamentoda ação. Um recurso apresentado pelos senadores que integraram a comissão estava sendo analisado no plenário virtual. Estava 3 votos a 0 para confirmar a decisão de Toffoli, mas, com o pedido da ministra Cármen, o julgamento será retomado no plenário físico, do zero.

PF deflagra 11ª fase da Operação Lesa Pátria, que mira financiadores dos golpistas

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira 11, a 11ª fase da Operação Lesa Pátria, que tem como objetivo identificar os financiadores e incentivadores dos ataques golpistas contra as sedes dos Três Poderes, no 8 de Janeiro. A PF informou que cumpre 22 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. Até o momento, foram revelados os nomes de duas pessoas que foram alvos da operação de hoje: o empresário Adoilto Fernandes Coronel, do Mato Grosso do Sul, e o também empresário Geraldo Cesar Killer, de São Paulo. A PF apreendeu um arsenal de armas na casa de Adoilto Coronel, localizada no município de Maracaju (MS), a cerca de 160 quilômetros de Campo Grande, a capital do estado. Suspeito de financiar os atos golpistas de 8 de Janeiro, Adoilto é secretário da Associação Empresarial de Maracaju. Ainda em janeiro, o nome do empresário já constava na lista da Advocacia-Geral da União (AGU), como suspeito de financiar os atos. À época, ele negou relação com o ocorrido. “Esclareço que não participei e tampouco financiei o acontecido em Brasília no dia 08/01 e que, por ocasião do contraditório e do devido processo legal, caso seja instaurado qualquer investigação e ação, tudo será devidamente comprovado e esclarecido”, declarou, naquela oportunidade. Já no caso de Geraldo Cesar Killer, a PF informou que apreendeu dinheiro vivo na casa do empresário, em Bauru (SP), embora o valor ainda não tenha sido revelado. Sócio da GKON Participações, Cesar Killer trabalha no ramo imobiliário. Ele consta como doador para as campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e do então candidato ao Senado por São Paulo, Marcos Pontes (PL-SP), nas eleições de 2022, no valor de 10 mil reais para cada campanha. Até o momento, as defesas de Adoilto Fernandes Coronel e Geraldo Cesar Killer não se manifestaram sobre a Operação de hoje.

Morre aos 75 anos Rita Lee, rainha do rock nacional, vítima de câncer de pulmão

A cantora e compositora Rita Lee morreu aos 75 anos no final da noite desta segunda-feira (8) em sua casa, São Paulo após enfrentar um câncer de pulmão, diagnosticado em 2021. Considerada a “rainha do rock brasileiro”, a artista, escritora e ativista havia sido homenageada no “Altas Horas” no mês passado. Na ocasião, foi filmada pelo marido, Roberto de Carvalho, acompanhando a atração pela TV. Em fevereiro, Rita Lee foi internada em hospital de São Paulo durante tratamento contra a doença. Em abril de 2022, a artista revelou ter ficado curado do tumor pulmonar, a quem deu um apelido curioso. O velório da cantora e compositora será no Planetário do Parque do Ibirapuera e aberto aos fãs. Em seguida, o corpo da artista nascida no último dia de 1947 e que vendeu mais de 55 milhões de discos será cremado. Essa é mais uma grande perda para o meio artístico em 2023. A família da compositora compartilhou uma nota em rede social. “Comunicamos o falecimento de Rita Lee, em sua residência, em São Paulo, capital, no fim da noite de ontem, cercada de todo o amor de sua família, como sempre desejou”   RECORDE A CARREIRA DA CANTORA, COMPOSITORA E ESCRITORA RITA LEE Uma das maiores artistas da música popular brasileira, Rita Lee Jones foi incentivada desde cedo pela mãe, a italiana Romilda Padula, a estudar piano e a cantar ao lado das irmãs. A carreira começaria aos 16 anos em um trio feminino, batizado de Teenage Singers, e não demoraria para ser descoberta por Tony Campello. Em seguida, Rita passou pelo grupo de rock Six Seded Rockers.

Lula recria o Brasil Sorridente, programa que foi desmontado pelo golpe

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta segunda-feira (8) o Projeto de Lei que inclui a Política Nacional de Saúde Bucal na Lei Orgânica da Saúde. Na prática, a medida recria o programa Brasil Sorridente, lançado pelo próprio Lula em 2004 e desidratado nos últimos anos, especialmente durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). A legislação, aprovada pelo Congresso em novembro de 2022, garante acesso universal aos serviços de saúde bucal por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). A partir de agora, governos municipais e estaduais, além do Governo Federal, devem manter orçamento para esse tipo de atendimento. A nova versão do Brasil Sorridente prevê investimentos públicos de cerca de R$ 136,9 milhões para contratação de 3.685 novas equipes de saúde bucal, que atuarão em todos os estados do país e no Distrito Federal, com foco em locais onde há vazios assistenciais. Com isso, serão mais de 33 mil equipes ativas. Segundo a ministra da Saúde, Nísia Trindade, a meta é chegar a 100 mil ainda neste mandato presidencial. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 10 milhões de pessoas que não tinham acesso a serviços públicos de saúde bucal passarão a ser atendidas, totalizando 111,6 milhões de pessoas cobertas. Pelo menos 85 municípios terão equipes da área pela primeira vez. Os serviços são oferecidos em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Saúde da Família (USF), Unidades Odontológicas Móveis (UOM), Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) e hospitais. O programa tem ainda os Laboratórios Regionais de Prótese Dentária (LRPD). “Estamos empenhados na reconstrução de programas fundamentais que vêm desde o primeiro governo do presidente Lula”, destacou a ministra da Saúde, que apontou, ainda, que um dos principais objetivos é garantir o combate ao câncer bucal, que atinge cerca de 12 mil pessoas no Brasil todos os anos, causando cerca de 6 mil mortes. Além dos atendimentos das equipes, o programa prevê atenção a questões como qualidade dos alimentos e da água, que têm influência direta na saúde bucal. Além disso, Lula disse que fez questão de garantir que haja visitas de dentistas a instituições de ensino para orientar crianças em idade escolar. “O Brasil Sorridente é uma coisa extraordinária, porque recupera não o sorriso, recupera a dignidade, o orgulho do ser humano”, disse o presidente, sendo fortemente aplaudido.”Tudo isso, para mim, é investimento. Não me fale em gasto, porque tratar da saúde do povo é investimento. Um cidadão com saúde é muito produtivo que um cidadão doente, sem força, sem qualidade para prestar um serviço que ele gostaria de prestar”, prosseguiu.

Michelle Bolsonaro defende fim de cota para mulheres para cargos no Legislativo

Após atacar a política que prevê igualdade de gêneros nas Casas, ex-primeira-dama afirma que sua sigla cuida das mulheres A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro defendeu, em um evento do PL Mulher, realizado neste sábado 6, o fim da obrigatoriedade da destinação de 30% das vagas nos partidos para mulheres. Ainda não cumpridas em sua totalidade, as cotas para mulheres foram instituídas na tentativa de equilibrar a participação política feminina. “Queremos erradicar a cota dos 30%, queremos a mulher na política pelo seu potencial”, disse Michelle. Após a fala, ela foi ovacionada pelos presentes na Assembleia Legislativa de São Paulo. Após atacar a política afirmativa para igualdade de gênero, Michelle disse lutar para que “mais mulheres venham pra vida partidária”. Ela ainda afirmou que o “PL é um partido que cuida das mulheres”. A ex-primeira-dama também disse que “a mulher não vai entrar na política pelo poder, a mulher entra na política por uma causa”. No evento, a sigla empossou a deputada Rosana Valle no diretório paulista do PL Mulher. Michelle é a representante nacional da aba. Carta Capital

Marina Silva é alvo de deboche de grupo de médicos negacionistas do Acre

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, internada no sábado 6 no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (InCor), em São Paulo, após testar positivo para Covid-19, foi alvo de deboche de um grupo de médicos do Acre. As mensagens vazaram De um grupo de Whatsapp chamado Médicos Unidos. Pelo menos três profissionais estão envolvidos no caso. Na troca de mensagens, um médico chega a questionar: “Ué, não era vacinada?”, ao que outro profissional responde: “Coisas da vida, é da vacinação!”. Um terceiro autor ainda escreve “Tomara que os vírus da covid estejam bem”. As informações foram divulgadas pelo portal de notícias local ContilNet. No domingo 7, um boletim médico divulgado pelo Incor atestava que a ministra seguia com quadro clínico estável e com boa evolução. “A paciente permanece em acompanhamento pelo cardiologista Prof. Dr. Sérgio Timerman, pela infectologista Profa. Dra. Tania Mara Varejão Strabelli, e pelo Diretor de Divisão de Pneumologia do Incor, Prof. Dr. Carlos Roberto Ribeiro de Carvalho”, prosseguia o documento. Boletim médico divulgado neste domingo (7/5) informa que a ministra Marina Silva segue sob cuidados médicos no InCor (HCFM-USP), após infecção por covid-19 sem complicações. "Sua condição clínica mantém-se estável, com boa evolução." pic.twitter.com/0eZSe8A37n — Marina Silva (@MarinaSilva) May 7, 2023 Após o vazamento do caso, o Sindicato dos Médicos do Estado do Acre (Sindmed-AC) divulgou uma nota afirmando que o grupo “Médicos Unidos” não é administrado pela entidade. A diretoria do sindicato ainda prestou solidariedade à ministra Marina da Silva

Zeca Baleiro expulsa bolsonarista que questionava a Lei Rouanet

Venha aqui falar sobre a Lei Rouanet. Sabe porra nenhuma, bicho”, desafiou Zeca Baleiro após ser interrompido durante show em Alagoas. O cantor Zeca Baleiro teve de parar um show que fazia neste fim de semana na Festa Literária de Penedo (FliPenedo), em Alagoas, para, enfurecido, dar uma bronca em um bolsonarista que questionou a Lei Rouanet. Criada em 1991, a Lei de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet, prevê que produtores culturais busquem investimento privado para financiar projetos. Em troca, as empresas podem abater parcela do valor investido no Imposto de Renda. Zeca Baleiro foi interrompido enquanto falava sobre seu apoio ao presidente Lula nas últimas eleições. “E a Lei Rouanet?”, questionou um bolsonarista na plateia. “Tu sabe o que é Lei Rouanet? Fala aqui (sic.)”, retrucou o artista, que, com ânimos exaltados, desceu do palco em direção ao bolsonarista. O bolsonarista foi convidado a se retirar do show pelo próprio Zeca Baleiro após receber uma lição de moral do cantor. “Venha aqui falar sobre a Lei Rouanet. Sabe porra nenhuma, bicho. Cala sua boca ai. Não sabe o que falar, não fala. Não sabe o que é Lei Rouanet. Tem parente seu que foi beneficiado pela Lei Rouanet, porque isso gera trabalho para uma cadeia imensa de trabalhadores. Isso é ignorância sua. Não saia falando isso por ai, não. Pode se retirar do meu show se quiser”, disse o cantor, após retornar ao palco. A altercação se deu sob aplausos dos fãs de Zeca Baleiro. A Lei Rouanet foi amplamente atacada nos últimos anos, durante os governos ultraneoliberais de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Já o presidente Lula, através da ministra da Cultura, Margareth Menezes, estabeleceu novos valores do cachê por apresentação de artista, subindo para até R$ 25 mil, de R$ 3 mil na gestão anterior. Veja: ZECA BALEIRO pic.twitter.com/kJAV4gUdg4 — Renan Brites Peixoto (@RenanPeixoto_) May 7, 2023 Com informações do G1).

Por trás do golpe: todos os generais da República – *Por Francisco Carlos Teixeira

Ação rápida do governo e do STF paralisou o golpe e não permitiu uma GLO, que daria mais poderes aos militares – “Doutrina do Gradualismo” fez com que quadros bolsonaristas se mantivessem na estrutura da inteligência do governo Lula – Marcelo Camargo/Agência Brasil  A compreensão plena, transparente, do golpe de Estado fracassado de 8 de janeiro de 2023 torna-se cada vez mais complexa com as novas revelações advindas do episódio dos vídeos revelados pela CNN, em 19 de abril, a fragilidade das instituições de garantia estratégica como o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e a partir de agora – 3 de maio – com as ações em torno do “círculo interno” de poder, altamente militarizado, durante a presidência Bolsonaro. Tornou-se claro que a ação do novo governo Lula da Silva foi, na área de segurança institucional, logo nos primeiros dias do mandato, lenta e, no mínimo, parcial. A confiança depositada no general Gonçalves Dias para criar um ambiente de convivência cívica, e também no ministro da Defesa José Múcio Monteiro, mostrou-se por demais otimista. Tanto o general Dias, como José Mucio – com apoio excedente do ministro do Exterior Mauro Vieira, preocupado com a “imagem” de fragilidade das instituições brasileiras no Exterior – buscaram, desde confirmada a eleição de Lula, defender um diagnóstico que apontava no pós-eleições, já em 30 de outubro de 2022, uma volta “gradual” e “sem traumas” à normalidade, sem a necessidade de um enfrentamento direto com o bolsonarismo. Consideraram que o “perigo” bolsonarista, depois do segundo turno e, em especial, depois da apoteótica cerimônia da posse presidencial, começava a desmilinguir-se por si mesmo, como aquele “leite em pó que dissolve sem bater”. Falharam, entretanto, em identificar a clara tentativa de golpe articulado pelo então ministro da Justiça no segundo turno eleitoral como uma ameaça direta de intervenção indevida no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) visando anular os resultados da eleição presidencial. Tratava-se, claramente, de passar à continuidade real, concreta, as falsas argumentações sobre as urnas eletrônicas e bem como todo o sistema eleitoral brasileiro, explicitando o ânimo golpista do “circulo íntimo” do presidente, tratado na mídia como “Gabinete do Ódio”. O próprio Lula – que surge como aquele que mais entendeu a extensão, e as dimensões, do oito de janeiro – reafirmou que havia um “complô”, uma inteligência geral do golpe, que se exigia punições para todos os envolvidos, denunciando uma completa “falha de segurança” no dia oito. No entanto, no GSI, na Abin e nas Forças Armadas, em especial no comando do Exército, a “Doutrina do Gradualismo” imperou até o oito de janeiro e, mesmo depois, só sendo questionada seriamente a partir de 19 de abril, quando da revelação da presença do ministro-chefe do GSI, e vários dos seus funcionários, não só presentes no Palácio do Planalto, como ainda interagindo com os depredadores invasores e que, mesmo em face das ilegalidades cometidas, não acionaram, em momento algum, o “Plano Escudo” de defesa integrada – Polícia Militar, Forças Armadas, PF e PRF – da capital federal e nem mesmo o “Plano Scooby”, de defesa do Palácio do Planalto. Lembramos que o Batalhão Duque de Caxias possui cinco companhias de pronta ação para defesa do palácio presidencial, cada uma delas com 200 homens e duas delas de choque, que, entretanto, permaneceram acontonadas, e inativas, na garagem do anexo do palácio. Na verdade, o “Plano Scooby” é um desdobramento do próprio “Plano Escudo”, que abrange a proteção do conjunto da Praça dos Três Poderes, que não foi ativado por pedido seja do coronel Fernandes da Hora, comandante da Guarda Presidencial, seja pelo general Dutra, então chefe do Comando Militar do Planalto e, tampouco, pelo também então comandante do Exército, general Arruda. Mas os órgãos federais cuja a função precípua é a proteção e a prevenção de crises, como o GSI, não avaliaram as dimensões e os riscos da imensa aglomeração de populares com ânimo golpista desde sexta-feira (6/1) em Brasília. Já era, no sábado (7/1) calculada a multidão em cerca de 20 mil pessoas, das quais 4 mil se dirigiram ao Palácio do Planalto. Nesta marcha, foram “escoltados” pela própria PM do DF, então sob comando de Anderson Torres, ex-Ministro da Justiça de Bolsonaro. Houve a revelação da existência de 160 de vídeos não relatada – nos quais aparecem os funcionários do GSI em atitudes não adequadas junto aos depredadores – e que não foram apresentados ao próprio governo e à sociedade. A justificativa de que os vídeos estavam “sub judice” não parece convincente, em especial quando o próprio STF ordenou a total publicização do material. Assim, a “falha de segurança” apontada corretamente por Lula da Silva, confirmada pela ação posterior do ministro da Justiça, pelo interventor federal Ricardo Capelli e a AGU com o ministro Jorge Messias, mostrou-se mais profunda e larga que o imaginado. Das três bases de sustentação do golpe de oito de Janeiro – (i) a multidão de depredadores financiados por empresários e transportados para Brasília, além da multidão concentrada no acampamento da Praça dos Cristais em frente ao quartel general do Exército; (ii) a ação e a inação no âmbito do governo do Distrito Federal, incluindo a PM e (iii), no entanto, foi na “terceira base”, com os órgãos federais de prevenção de crises e de aconselhamento estratégico como o GSI e a Abin, mas também os serviços de inteligência das Forças Armadas, em especial do Exército, no caso do Centro de Inteligência do Exército/CIE (criado por meio do decreto nº 60.664, de 2 de maio de 1967, como “Centro de Informações do Exército”, foi parte importante do aparato repressivo do Estado brasileiro, durante o regime militar), que se deram as “falhas de segurança” mais graves e vastas, como vemos agora nos vídeos liberados, e que acabaram por derrubar um ministro-chefe, e da “cota pessoal”, do presidente Lula da Silva. Devemos ter claro em mente que a “falha de segurança” apontada por Lula da Silva não se deu no vazio. Há causas e estas devem ser analisadas e corrigidas. Já sabemos que houve lentidão na substituição do quadro do GSI comprometido com o bolsonarismo. No entanto, tal “lentidão” – que segue em outros âmbitos do Estado