“A dama pediu saques” era o código pra Mauro Cid dar dinheiro para Michelle

Relatório parcial da Polícia Federal indica códigos usados por ajudante de ordens de Bolsonaro para saques Um relatório parcial da Polícia Federal obtido pelo UOL mostra como o ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, indicava os saques realizados para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. As investigações da PF mostram que Cid utilizou dinheiro público para pagar despesas da esposa de Bolsonaro e, agora, indicam o uso de códigos para operações financeiras para a ex-primeira-dama. “O conjunto probatório colhido durante o estudo do material apreendido (inclusive o contido em nuvem) permite identificar uma possível articulação para que dinheiro público oriundo de suprimento de fundos do governo federal fosse desviado para atendimento de interesse de terceiros, estranhos à administração pública, a pedido da primeira-dama Michelle Bolsonaro, por meio de sua assessoria, sob coordenação de Mauro Cid”, diz o documento da Polícia Federal. Nas conversas, Mauro Cid indicava aos subordinados que Michelle precisaria de dinheiro a partir dos códigos “A dama pediu saques” e “PD”. Leia também Mauro Cid abriu o bico sobre escândalo das joias que Bolsonaro tentou “roubar” Entre os pagamentos, estão movimentações para serviços de costureiras, podólogas e veterinários. As solicitações de saque em dinheiro vivo eram articuladas pelas assessoras de Michelle e Mauro Cid. Foram pelo menos 23 operações do tipo em 2021. Além disso, existem depósitos para Rosimary Carneiro, que cedia seu nome para um cartão de crédito usado pela primeira-dama e por familiares de Michelle. O próprio Mauro Cid manifestou, em conversas, uma preocupação com o esquema, afirmando ser similar com o caso de “rachadinha” envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Investigações reveladas anteriormente mostraram que o dinheiro vinha de uma empresa que tinha contrato com o governo federal, a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba). As investigações começaram a partir da Operação Venire, em que Mauro Cid é suspeito de falsificar diversos cartões de vacina no sistema do Ministério da Saúde, incluindo o do próprio presidente Jair Bolsonaro e de sua filha, Laura Bolsonaro.
PF prende major da Polícia Militar do DF suspeito de facilitar invasão ao STF

Em mais uma fase da Operação Lesa Pátria realizada na manhã desta terça-feira (22) policiais federais prenderam o major Flávio Silvestre de Alencar, suspeito de ordenar o recuo das tropas para facilitar a invasão do prédio do Supremo Tribunal Federal no dia 8 de janeiro. O major era o comandante provisório do 6° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, responsável pela segurança da Praça dos Três Poderes e Esplanada dos Ministérios. Está é a 12ª fase da Operação Lesa Pátria que tem com o objetivo de identificar pessoas que participaram, financiaram, omitiram-se ou fomentaram os fatos ocorridos em 8 de janeiro. O major Flávio já tinha sido preso no dia 7 de fevereiro, durante a 5ª fase da mesma operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, mas foi solto em seguida. De acordo com a Polícia Federal, os fatos investigados pela operação em tese constituem diversos crimes como: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido. A PF destaca que as investigações em curso se constituem a partir de mandados judiciais expedidos. CPI O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Chico Vigilante (PT), informou que o major Flávio deve ser convocado para prestar depoimento em agosto. “Essa operação de hoje reforça a importância de se descobrir efetivamente a verdade sobre a ação da segurança do DF nessa tentativa de golpe”, analisou o presidente da CPI. O Brasil de Fato DF entrou em contato com a Polícia Militar, por meio da Assessoria de Imprensa para comentar a prisão do Major Fábio e informar sobre possíveis procedimentos de apuração dos fatos dentro do próprio órgão. No entanto, a PMDF informou apenas que “não comenta decisões judiciais e nem processos em andamento”. Fonte: BdF Distrito Federal
Documentário “De herói a bandido” sobre vida e obra de Geraldo Vandré

Produzido pelo ARTetetura e HUMANismo, o trabalho é dirigido pelo artista multimídia Fred Le Blue – “O filme procura entender em que sentido é concebível um caráter antiterapêutico da música e terapêutico do silêncio”, destaca cineasta – Foto: Alberi Pontes Brasil de Fato – Com o objetivo de retratar a vida e obra do compositor Geraldo Vandré, estreia nesta quinta-feira (25), pelo YouTube, o filme “O Processo de metamorfose de Geraldo V – cura trauma silêncio e silenciamento na obra viva do artista”. Com produção do ARTetetura e HUMANismo, o trabalho dirigido pelo artista multimídia Fred Le Blue teve como proposta criar um quadro geral de escuta dos conflitos ideológicos prático-discursivos entre a esquerda e o militarismo no Brasil em torno da apropriação política da figura lendária de Vandré. A obra também tem como objetivo tentar propor uma interface entre ciências políticas, direitos humanos e o campo da musicoterapia, como a Censura como forma de Silenciamento, a Escuta como trauma de música (Musicofobia), o Silêncio como música de cura (Silencioterapia) e a Musicalidade como terapia da loucura. “O filme procura entender em que sentido é concebível um caráter antiterapêutico da música e terapêutico do silêncio. Mais especificamente entender, como uma obra tão meteórica (anos 60) e tão potente, em termos dramáticos para a consciência de classe, de geração e de nação, tornou-se traumática no psiquismo do compositor, por meio dos instrumentos de reforço negativo empregados pelo autoritarismo estatal dos militares como: a demissão laboral (cargo público), a censura poética, a tortura psicológica (físico) e o exílio político”, destaca Fred. Geraldo Vandré, de herói a bandido Nascido na Paraíba e radicado no Rio, Geraldo Vandré foi um dos mais enigmáticos personagens da música brasileira. De herói a bandido – ou vice-versa, conforme o ponto de vista – foi amado e odiado pela esquerda num intervalo de uma década. Colaborador do Centro Popular de Cultura da UNE (CPC) desde 1961, conheceu ali o também compositor Carlos Lyra, que se afastava da bossa nova em direção a uma música mais engajada. Logo fizeram juntos as primeiras canções, como Aruanda. Mas foi em 1966 que Vandré ganhou repercussão nacional. Naquele ano, inscreveu no Festival da TV Record a música Disparada, composta com Théo de Barros e defendida por Jair Rodrigues. Dividiu o primeiro lugar com Chico Buarque, que concorria com A Banda, na voz de Nara Leão. A consagração veio dois anos depois, quando Para Não Dizer Que Não Falei das Flores, também conhecida como Caminhando, ficou em segundo lugar no 3º Festival Internacional da Canção, atrás de Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque, o mesmo adversário de 1966. A derrota enfureceu a plateia. Caminhando, afinal, era um tapa na cara da ditadura como ninguém jamais tinha ouvido. E Vandré, àquela altura, era ovacionado como o mais valente dos compositores. Especula-se que a euforia causada pela canção tenha apressado o Ato Institucional Nº 5 (AI-5), dali a um mês e meio. Vandré se exilou no Chile e de lá viajou para Alemanha e França. Quando voltou, em 1973, já não era o mesmo. Decidiu que só faria “canções de amor” e, para espanto de seus fãs, compôs Fabiana, em homenagem à FAB, a Força Aérea Brasileira. Para muitos de seus contemporâneos, ele teria enlouquecido em decorrência das sessões de tortura. Em 2010, Vandré ressurgiu numa entrevista exibida pela GloboNews. Negou que tenha sido torturado e repudiou o rótulo de autor de músicas de protesto. “Eu não faço canção de protesto. Eu faço, fazia, música brasileira, canções brasileiras”, disse. Confira abaixo a entrevista com Fred Le Blue Brasil de Fato RS: Qual é a principal questão que te motivou a fazer o filme? Fred le Blue: O filme procura entender em que sentido é concebível um caráter antiterapêutico da música e terapêutico do silêncio. Mais especificamente entender, como uma obra tão meteórica (anos 60) e tão potente, em termos dramáticos para a consciência de classe, de geração e de nação, tornou-se traumática no psiquismo do compositor, por meio dos instrumentos de reforço negativo empregados pelo autoritarismo estatal dos militares como: a demissão laboral (cargo público), a censura poética, a tortura psicológica (físico) e o exílio político. A mesma música que cura e liberta pode ser também, mesmo que, nesse caso, no que tange mais aos efeitos colaterais de sua repercussão social, a que adoece o espírito. A internalização da opressão geraria, assim, um opressor de si, que opera por meio da autocensura e recalcamento em Geraldo V. (ao ponto de ele mesmo pedir para não chamarem por seu nome artístico Vandré) é uma tentativa de compensação psíquica dos prejuízos sociais causados pelos traumas decorrentes da retaliação política a uma poesia didática, combatente e comburente. O excesso de exposição também advindo de sua clarividência retórica teve também como efeito no compositor, a necessidade de se tornar recluso e impor um ostracismo, que apesar de tudo, denúncia em silêncio e laconismo o arbítrio da regra que tem sido o estado de exceção. É claro que a mudez de Vandré só é ecoante porque tem como fiador uma discografia musical armada, pois que denunciativa das mazelas sociais e regionais brasileiras. Qual a premência de trazer à baila Geraldo Vandré no atual contexto de autoritarismo aflorados no cotidiano presencial e digital? A metamorfose kafkiana de Vandré em seu processo de despersonalização psíquica, que representa a decadência e polarização política do país, é pejorativamente chamada de “vandrelização” pela esquerda. O mais preciso não seria desvandrelização? Apesar da estigmatização da ambiguidade de Vandré, a obra do compositor permanece intacta e atual, ainda sendo trilha sonora afetiva da resistência aos muitos golpes e minigolpes contra a Democracia e, anos depois, na Aeronáutica, à afirmação do próprio golpe (“revolução”). O que prova que para além do uso político da arte, que pode transformá-la em uma arma de guerra, ela, na verdade, tem seu sentido mais primordial na capacidade de ser uma tecnologia de paz, que aponte para uma “ecologia da mente”. Talvez, a única terceira via viável seja mesmo “a “terceira margem do rio”. Na verdade, toda obra artística nos olha enquanto testemunho ocular autêntico
Mauro Cid abriu o bico sobre escândalo das joias que Bolsonaro tentou “roubar”

Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que está preso, respondeu a todas as perguntas em depoimento para delegado da Polícia Federal O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro que está preso desde 3 de maio sob a acusação de liderar um esquema de fraudes em cartões de vacina, prestou nesta segunda-feira (22) depoimento à Polícia Federal no âmbito da investigação sobre as joias dadas pela ditadura da Arábia Saudita ao governo brasileiro e que Bolsonaro tentou se apropriar ilegalmente. Cid, auxiliar mais próximo de Bolsonaro, teve envolvimento direto na tentativa do ex-presidente de se apossar do conjunto de joias avaliado em R$ 16,5 milhões que foi retido pela Receita Federal no Aeroporto de Guarulhos (SP) em outubro de 2021. Pelo alto valor, o presente deveria ser incorporado ao patrimônio do Estado, mas a equipe do ex-mandatário tentou fazê-lo entrar sem declaração no Brasil para que, assim, os objetos fossem direto para o seu “acervo privado” No final de dezembro de 2022, Cid providenciou os documentos exigidos junto à Receita Federal, prática necessária no caso de bens com destinação pública. O objetivo era retirar as joias da Alfândega. Porém, ao mesmo tempo, o braço direito de Bolsonaro atuou internamente para que, após a saída das joias da Receita, os objetos fossem para o acervo privado do ex-presidente. Apesar do esforço do tenente-coronel, a manobra não deu certo. Durante os dias 28 e 29 de dezembro, o corpo técnico da Receita analisou o ofício assinado por Mauro Cid e chegou à conclusão que seria impossível atendê-lo, porque a Ajudância de Ordens, órgão chefiado por ele, não era a instância competente para realizar o pedido de incorporação das joias. Então, na noite do dia 29 de dezembro, o 2º tenente do Exército, Cleiton Hozschuck, assessor na Ajudância de Ordens e abaixo de Cid, determinou a outra funcionária que ela apagasse o documento preparado mais cedo, no qual constava a informação de que o presente era “pessoal” que já “estava com o Presidente da República” Em depoimento à PF, cujo conteúdo ainda não foi revelado, Mauro Cid respondeu a todas as perguntas feitas pelo delegado Adalto Machado, que conduz o inquérito sobre o caso. O tenente-coronel já havia prestado depoimento no âmbito da mesma investigação em abril e, na ocasião, havia dito que Bolsonaro o pediu para retirar as joias retidas no aeroporto e checar se seria possível “regularizar os itens”. Outros depoimentos Na última semana, Cid ficou calado em depoimento à PF sobre o caso das fraudes nos cartões de vacina. Sua esposa Gabriela Cid, entretanto, também participou de oitiva com os investigadores e, diferente de seu marido, respondeu às perguntas, confirmou que usou comprovante de vacinação falsificado e culpou o marido pelo crime.
O tiro no pé da extrema-direita – Por Rogério Correia*

A CPMI do Golpe apontará Bolsonaro como o grande idealizador das ações de 8 de janeiro Havia passado uma semana da mais bela e significativa posse presidencial, a de Lula. Era 8 de janeiro, e assistimos estarrecidos cenas que dariam inveja aos roteiristas de The Walking Dead. Chegava ao ápice os atos golpistas. A insanidade e a barbárie em seu sentido mais estrito tomaram conta da Praça dos Três Poderes. Às 15h, apoiadores do derrotado Bolsonaro iniciavam a invasão. Bastou poucas horas para que o patrimônio do Planalto, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) fosse vandalizado e destruído. Nem mesmo as obras de arte de Di Cavalcanti, de Victor Brecheret e de Athos Bulcão foram poupadas. Um dia depois, propus a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar e apurar aqueles que lideraram e financiaram o que já classificávamos como uma tentativa de golpe nos moldes do Capitólio. Todavia, o governo federal e a base governista avaliaram que as investigações sob comando do STF, da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e das demais instituições de Justiça seriam suficientes para esclarecer as responsabilidades. Havia outras prioridades naquele momento, como a aprovação do Bolsa Família, já que a gestão anterior havia deixado 33 milhões de cidadãos em situação de insegurança alimentar. Vamos ao embate Com a insistência da oposição em instalar esta CPMI, sobretudo após a veiculação das imagens do general Gonçalves Dias, resolvemos ir ao embate, pois não poderíamos deixar que se criassem mais narrativas absurdas sobre o acontecido. Sabemos bem que o 8 de janeiro foi um processo que culminou numa data fatídica. De nada adiantará a extrema-direita querer culpabilizar a principal vítima, que é o governo Lula. Se fizermos uma sequência cronológica desse processo veremos que há anos Bolsonaro e influenciadores extremistas têm incutido na cabeça de parte da população ameaças imaginárias, como a “comunista” e a tal “globalista”. Já faz tempo que, por meio das fake news, a exemplo do kit gay e da mamadeira de piroca, se espalham o terror moral. Nem é de hoje que Bolsonaro flerta com o golpe e insufla seus seguidores contra as instituições democráticas, como em 24 de julho de 2022, durante convenção do Partido Liberal, que ele conclamou seus apoiadores a “irem às ruas pela última vez”, com o coro repetido “juro dar minha vida pela minha liberdade”. Minha comparação, nas primeiras linhas, aos zumbis de The Walking Dead, se deve, sobretudo, a essa “lobotomização” radical que já se iniciou no golpe contra Dilma. Durante a CPMI do golpe, vamos rememorar a reunião do então chefe do Executivo com os embaixadores para colocar em cheque o TSE e as urnas eletrônicas, dizendo que não acataria um resultado diferente da sua vitória. Analisaremos as concentrações em frente aos quartéis sem uma palavra do ainda presidente para o restabelecimento da ordem pública. O envolvimento da trupe bolsonarista, que ocupava cargos no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) também será escrutinado. Certamente, teremos acesso aos sigilos quebrados de Bolsonaro e vamos descobrir pelos e-mails, mensagens e telefonemas, as tramas com o detentor da minuta do golpe Anderson Torres e seu ajudante de ordens Mauro Cid. Não tenhamos dúvida: a extrema-direita, que tanto insistiu para criar a comissão, deu um tiro no próprio pé. Haverá uma ampla investigação sobre os crimes que eles próprios cometeram. Nem adianta tentar inverter os fatos. Assim como a Terra é redonda, a história já evidencia e sempre mostrará que Bolsonaro é o mentor/idealizador dos atos golpistas. A CPMI do Golpe terá um desfecho em que a grande vencedora será a democracia. Rogério Correia é deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores e vice-líder do governo Lula na Câmara de Deputados
Collor de Mello receberá visita de Bolsonaro na cadeia? Por Altamiro Borges

Nesta quinta-feira (18), o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para condenar o ex-presidente e ex-senador Fernando Collor de Mello a 33 anos de prisão por desvio de grana da BR Distribuidora. Votaram pela condenação do “caçador de marajás” da mídia udenista os ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Os dois juízes bolsonaristas se dividiram no caso: André Mendonça seguiu a maioria e Nunes Marques votou pela absolvição do ativo cabo eleitoral do fascista no ano passado. O relator Edson Fachin também propôs a interdição para exercício do cargo ou função pública e multa de R$ 20 milhões por danos morais. Como a pena supera oito anos de cadeia, Collor de Mello terá que iniciar a execução da punição em regime fechado. A denúncia contra o falso moralista pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa foi apresentada em 2015 pelo Ministério Público Federal. O ex-senador do PTB foi acusado de receber propina de um esquema de corrupção na BR Distribuidora, empresa subsidiária da Petrobras. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, Collor de Mello teria recebido nesse esquema ao menos R$ 29 milhões entre 2010 e 2014. “De acordo com a PGR, ele solicitou e aceitou promessa para viabilizar irregularmente um contrato de troca de bandeira de postos de combustível celebrado entre a BR Distribuidora e a empresa DVBR (Derivados do Brasil), com ajuda de outros réus”, descreve matéria da Folha. A defesa do “caçador de marajás” foi comandada pelo advogado Marcelo Bessa – que também defende a famiglia Bolsonaro. Caso a pena seja de fato executada, será que o ex-presidente visitará o amigo no xilindró?
Presidente Lula se reunirá com nove países durante cúpula do G7

“Bom dia, Brasil! Em breve no Japão, sobrevoando o Pacífico, para várias reuniões bilaterais e o encontro do G7”, registrou Lula no Twitter Por André Cintra A agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Japão tem como foco sua participação na reunião da Cúpula do G7, em Hiroshima, de sexta-feira (19) a domingo (21). Mas Lula vai aproveitar a viagem para fazer reuniões bilaterais com líderes de ao menos nove países. “Bom dia, Brasil! Em breve no Japão, sobrevoando o Pacífico, para várias reuniões bilaterais e o encontro do G7”, registrou Lula no Twitter. “Sim, a terra é redonda, e estamos chegando do outro lado do globo”, ironizou. Embora nem todas as reuniões estejam oficialmente confirmadas, a assessoria do Planalto deu detalhes da agenda em construção. Lula deve chegar a Hiroshima na madrugada desta quinta (18) para sexta-feira. Além dos membros do G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), a cúpula terá oito países convidados (Austrália, Brasil, Comores, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Ilhas Cook e Vietnã). No sábado (20), Lula se reunirá com os primeiros-ministros do Japão, Fumio Kishida, e da Índia, Narendra Modi; com os presidentes da Indonésia, Joko Widodo, e da França, Emmanuel Macron; e com o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz. No mesmo dia, acontece uma das sessões centrais da cúpula – que, segundo a Agência Brasil, “discutirá os principais desafios contemporâneos, como segurança alimentar, saúde, gênero e democracia.”. Já para o domingo, estão previstas reuniões de Lula com o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e com o presidente do Vietnã, Vo Van Thuong, além de um encontro com empresários. Os líderes presentes farão a última sessão da cúpula e visitarão o Parque Memorial da Paz de Hiroshima. Jornalista
A ignorância, a Lava-Jato e o bolsonarismo – Por Jair de Souza

No passado dia 09/05/2023, o atual Ministro da Justiça, Flávio Dino, compareceu à Comissão de Segurança Pública do Senado para ser interpelado por seus integrantes. Desse episódio, o que mais nos chamou a atenção foram os altercados entre o ministro e três dos mais notórios representantes do bolsonarismo naquela casa, nomeadamente, os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Sérgio Moro (União-PR) e Marcos do Val (Podemos-ES). Para alguém pouco familiarizado com os meandros de nossa política, seria difícil entender como é possível que as mais destacadas figuras da principal força de oposição no Senado na atualidade (o bolsonarismo) sejam seres tão marcadamente patéticos, carentes de cultura e de traquejo, como evidenciam os nomes recém citados. Todos os que tiveram a oportunidade de assistir aos debates não puderam conter um certo sentimento de pena e vergonha alheia ao ver como esses bolsonaristas se viam inteiramente desnorteados à medida que Flávio Dino ia expressando seus argumentos. Dava vontade de interceder e implorar para que o Ministro não seguisse adiante com aquela crueldade. Era uma sensação semelhante à que teríamos ao presenciar cenas de um espancamento violento de uma criança de cinco anos por um marmanjão bem formado. Infelizmente, com base nesta constatação totalmente fundamentada na realidade, tendemos a ser impelidos a concluir que o grande capital não dispõe de quadros em condições de travar satisfatoriamente as batalhas políticas exigidas para a sustentação de seus interesses de classe. Este é um grande equívoco que não deveríamos repetir. Digo isto porque já o cometemos no passado. Embora muitas vezes ocorra que os escolhidos pelas classes dominantes para atuar em sua defesa sejam pessoas realmente patéticas, toscas e até repulsivas, isto não significa que elas não estejam à altura de cumprir com as incumbências que lhes foram dadas. Os critérios utilizados pelas classes dominantes para definir aqueles políticos que serão merecedores de seu apoio ou alvo de sua condenação estão alinhados com princípios vinculados com a luta de classes, tendo pouco a ver com peculiaridades relacionadas com a estética, os bons modos ou a fluência de oratória. Não é certo que uma atuação política eficiente dependa necessariamente da capacidade intelectual do ativista. O que reflete a eficácia de um agente político são os resultados que ele produz para a classe que ele objetiva beneficiar e não seu grau de sofisticação pessoal. Tendo isto em mente, nos será mais fácil entender por que o mesmo Sérgio Moro que agora está se revelando um sujeito extremamente limitado e nada confiável, até pouco tempo atrás era pintado pelos meios de comunicação corporativos como um modelo a seguir, um paladino da luta contra a corrupção. Não podemos nos esquecer que ele chegou a ser elevado por nossa mídia à categoria de grande herói nacional. O que ocorreu para que se desse esta mudança tão acentuada de percepção em tão curto prazo? Teria Sérgio Moro se submetido a um curso intensivo de bestialização que, em pouco menos de cinco anos, o teria transformado de protótipo de correção e infalibilidade ética em um desprezível energúmeno? Na verdade, por mais que façamos elucubrações hipotéticas a respeito deste assunto, Sérgio Moro não mudou quase nada em termos de caráter no transcorrer da última década. Ele continua sendo essencialmente o mesmo de antes. As características pessoais com as quais ele é visto e sentido por quase todos na atualidade já estavam presentes bem antes. Só que havia setores muito poderosos de nossa sociedade que, mesmo em plena ciência deste fato, não desejavam que essa imagem negativa chegasse ao conhecimento público. Então, em decorrência desta constatação, seria correto concluir que Sérgio Moro sempre foi um imprestável e que foi um grande erro de nossa “elite” socioeconômica ter dedicado a ele tanto apoio e feito seu endeusamento? Nada disso. Para as classes dominantes, ele prestou serviços inestimáveis, que poucos outros antes tinham conseguido oferecer com igual êxito. Foi por meio da decidida atuação de Sérgio Moro e seus pupilos da Operação Lava-Jato que a engenharia civil brasileira (uma das mais expressivas do mundo até recentemente) e nossa indústria naval foram completamente arrasadas. Como resultado, as grandes multinacionais estrangeiras que disputavam espaços em concorrência com as construtoras brasileiras estão agora se regozijando com a aniquilação de suas congêneres tupiniquins. Hoje em dia, até mesmo para a realização de obras no território de nosso próprio país, as empreiteiras nacionais estão sendo desbancadas por outras sediadas fora de nossas fronteiras. Em relação com nossa indústria naval, sabemos que ela foi completamente destruída. As embarcações que eram fabricadas ou reparadas por aqui por nossos técnicos e trabalhadores, agora precisam ser importadas ou enviadas a estaleiros de outros países para sanar suas avarias. A numerosa mão de obra brasileira que era empregada localmente para a consecução dessas atividades foi deixada ao deus-dará. Neste ponto, convém fazer referência ao caso da Petrobrás. Apesar de ter sido combatida desde o momento de sua criação, a Petrobrás pôde resistir aos ataques sofridos e veio a se constituir numa das empresas mais dinâmicas do mundo no ramo petrolífero. Além disso, passou a configurar-se como o mais importante pólo de desenvolvimento econômico da nação. Tanto assim que, mesmo enfrentando forte objeção de poderosos grupos econômicos, os pesquisadores da Petrobrás foram capazes de descobrir as jazidas do pré-sal e desenvolver uma tecnologia de ponta que possibilita sua prospecção em condições muito vantajosas para o Brasil. Claro que isto serviu para aguçar o descontentamento daqueles que desejavam impedir o avanço de nosso país no rumo de nossa soberania no cenário internacional. E foi com o propósito de eliminar as barreiras que a fortaleza da Petrobrás antepunha à expansão do domínio imperialista sobre nossa nação que Sérgio Moro e a Lava-Jato foram novamente convocados para entrar em cena. Com os golpes demolidores desfechados por Moro e sua equipe, a Petrobrás foi sendo maniatada e desmantelada; suas refinarias foram sendo entregues a grupos estrangeiros, e o pré-sal foi também desnacionalizado. As dificuldades enfrentadas na atualidade por essa empresa símbolo do orgulho nacional são imensas, e o risco de que percamos de
Costa Neto: ‘Bolsonaro não é uma pessoa como nós, ele não é normal’

Presidente do PL afirmou que o ex-presidente errou ao não se comunicar com os apoiadores após as eleições O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, em entrevista à GloboNews, nesta terça-feira (16/5), comentou sobre os erros do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante os ataques às sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro, em Brasília. Para ele, houve uma falha de comunicação com os apoiadores do ex-presidente. Segundo Costa Neto, Bolsonaro devia ter pedido para os militantes desmobilizarem os diversos acampamentos pelo país que foram instalados após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Bolsonaro ficou muito abatido após o segundo turno, aí ele teve esse problema. Ele não conseguiu se dirigir a essa gente (apoiadores). Deixou eles tristes, mas Bolsonaro não queria que eles continuassem lá (nos acampamentos)”, disse. O líder do PL então destacou que Bolsonaro não é uma pessoa comum. “Bolsonaro não é uma pessoa como nós, ele não é normal. Não to dizendo que ele é errado, ou certo. Já começa pelo carisma que ele tem”, disse Costa Neto, que ainda ressaltou a popularidade de Bolsonaro, mas afirmou que o seu problema é erro de comunicação Em outro momento, Costa Neto, afirmou que os atos de 8 de janeiro não foram uma tentativa de golpe. “Ninguém dá golpe com pedaço de Pau. Golpe a gente dá com metralhadora, tanque de guerra. Aquilo nunca foi um golpe”, afirmou O político também atribuiu os atos antidemocráticos ao governo do presidente Lula, reforçando a narrativa da oposição para a CPMI do 8/1. “Aquilo foi uma condução errada do governo que já era do PT”, disse.
Por unanimidade, TSE cassa o deputado federal Deltan Dallagnol

O relatório do ministro Benedito Gonçalves, apresentado no plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), recomendou a cassação do mandato do deputado federal Deltan Dallagnol, do partido Podemos, representante do estado do Paraná. O ministro acolheu os recursos apresentados pela Federação Brasil Esperança, que é composta pelos partidos PT, PCdoB e PV. A decisão do relator foi apoiada por unanimidade pelos demais membros do plenário. Os votos 345 mil votos de Deltan continuarão com a legenda, o Podemos. Porém, segundo o advogado Guilherme Gonçalves, o suplente Luiz Carlos Hauly, de Londrina, NÃO deve assumir a cadeira na Câmara Federal com 11.925 votos. A vaga ficará com Pastor Itamar (PL). O causídico, especialista em Direito Eleitora, explicou o caso neste áudio: Em um consistente voto, Gonçalves listou os 15 procedimentos administrativos contrários ao ex-procurador da Lava Jato em Curitiba O magistrado do TSE invocou a Constituição, a Lei da Ficha Limpa e da Lei Complementar 64/90, que regula e disciplina a realização das eleições. De acordo com o relator, Deltan Dallagnol pediu exoneração do cargo no Ministério Público Federal (MPF) a onze meses para burlar a investigação, quando o ex-procurador poderia deixar o cargo seis meses antes do prazo fatal para desincompatibilização. Para o ministro do TSE, ao renunciar ao cargo, Deltan frustrou a aplicação da lei eleitoral com fraude. Ele considerou “abuso de direito” do ex-procurador com objetivo de fraude à lei. Benedito Gonçalves também elencou condenação no TCU do deputado do Podemos no caso das diárias. O presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, ao proclamar o resultado, disse que o cumprimento da decisão é imediata e já comunicou o TRE-PR. A Federação Brasil Esperança, seção Paraná, foi representada no TSE pelo advogado Luiz Eduardo Peccinin enquanto o PMN pelo advogado Michel Saliba. Aqui você assiste a íntegra da sessão do TSE: