Delgatti e Zambelli participaram do plano para grampear Alexandre de Moraes

O hacker Delgatti Neto e a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). Foto: Reprodução O plano de grampear o ministro Alexandre de Mores, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelado pelo senador bolsonarista Marcos do Val (Podemos-ES), e classificado pelo magistrado como “golpe Tabajara”, teria sido iniciado em setembro de 2022. Além disso, teria, inclusive, a participação de Walter Delgatti Neto, o “hacker de Araraquara”, responsável por divulgar conversas de procuradores da Lava Jato, que deram origem à Vaza Jato, e ajudaram o presidente Lula (PT) a sair da prisão e ter seus direitos políticos restabelecidos De acordo com reportagem da coluna Maquiavel, na Veja, no dia 10 de agosto do ano passado, Delgatti se encontrou com a deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP). O objetivo dos aliados próximos a Jair Bolsonaro (PL) era cooptar o hacker para expor supostas vulnerabilidades das urnas eletrônicas e engrossar o discurso golpista contra o sistema eleitoral. No início de setembro, Zambelli teria chamado Delgatti para outra conversa, que seria, nessa oportunidade, com o próprio Bolsonaro, por telefone. “Eu encontrei a outra (Zambelli) e ela levou um celular, abriu o celular novo, colocou um chip, aí ela cadastrou o chip e ele (Bolsonaro) telefonou no chip. Foi por chamada normal”, declarou Delgatti. O ex-presidente, então, teria convidado o hacker a assumir a autoria da ação que visava grampear Alexandre de Moraes, conforme relatou o próprio Delgatti. “Eles precisam de alguém para apresentar (os grampos) e depois eles garantiram que limpam a barra. Ele (Bolsonaro) falou: ‘A sua missão é assumir isso daqui. Só, porque depois o resto é com nós’. Eu falei: beleza. Aí ele falou: ‘E depois disso você tem o céu’”, disse. Ainda de acordo com a Veja, na suposta conversa com o hacker, Bolsonaro teria dito que eles já tinham obtido mensagens internas trocadas entre Moraes e servidores da Justiça, nas quais o ministro abordava supostas vulnerabilidades das urnas e uma preferência por Lula. Esse ponto deveria ser explorado na imprensa para alegar a suspeição do ministro e tirá-lo do comando do processo eleitoral. O hacker aceitou a oferta e ficou no aguardo de novos contatos dos apoiadores de Bolsonaro. Hacker teria oferecido dinheiro pela ajuda de funcionário da TIM Delgatti, inclusive, segundo a Veja, chegou a procurar um funcionário da operadora de telefonia TIM. Ele teria oferecido dinheiro para que ele o ajudasse a grampear o ministro do STF. O funcionário teria de fornecer um chip com o mesmo número utilizado por Moraes, mas se recusou a participar do crime. A coluna Maquiavel diz, ainda, que a conversa telefônica entre o hacker e o funcionário da TIM foi gravada, sem o conhecimento de Delgatti. Com a divulgação do plano por Marcos do Val, Delgatti teria comentado com pessoas próximas que esta seria a continuação da trama iniciada em setembro de 2022.

Michelle teria pagado implante de silicone nos seios com cartão corporativo

Peituda – Michelle Bolsonaro pode ser investigada pela prática de supostos crimes.Créditos: Alan Santos/PR A partir de investigações que têm como alvo um auxiliar de Bolsonaro, o STF já descobriu que um cartão de crédito usado por Michelle era quitado pelo Palácio do Planalto ESCÂNDALO – Investigações sobre gastos no cartão corporativo da Presidência da República, na gestão de Jair Bolsonaro (PL), apontaram mais uma despesa “estranha”, digamos assim. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro teria utilizado os recursos para colocar novos implantes de silicone nos seios e realizar caros procedimentos estéticos, de acordo com informações da coluna Radar, na Veja. Segundo a reportagem, por meio de investigações que têm como alvo um auxiliar de Bolsonaro, o Supremo Tribunal Federal (STF) já descobriu que um cartão de crédito utilizado por Michelle era quitado pelo Palácio do Planalto. No caso do implante de silicone, em 2020, há um mistério: a conta foi paga a partir de um boleto. O senador Huberto Costa (PT-CE) anunciou, neste sábado (4), que vai acionar diferentes órgãos para que Michelle seja investigada pela prática de supostos crimes relatados em reportagem divulgada na sexta-feira (3) pelo portal Metrópoles. Entre as denúncias contra a ex-primeira-dama, estão a de que ela comandaria um esquema de corrupção conhecido como rachadinha, que assediaria moralmente servidores do Palácio da Alvorada e de que teria, ainda, “saqueado” lotes de carnes nobres, como picanha e contrafilé, além de caixas de camarão e bacalhau, entre outros alimentos refinados, da dispensa da residência oficial da presidente da República. “Após as graves denúncias apresentadas pelo – que ligam Michelle Bolsonaro a série de crimes como prática de ‘rachadinha’, assédio moral e corrupção – decidi entrar com uma série de representações nos órgãos competentes para a apuração dos fatos. Vou socilitar ao Ministério Público Federal e a Polícia Federal que apurem os possíveis crimes de apropriação indébita, corrupção e atos de improbidade administrativa cometidos pela ex-primeira-dama”, declarou Humberto Costa através das redes sociais. Rachadinha Depois das denúncias publicadas no dia 20 de janeiro apontando o presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua esposa, Michelle Bolsonaro, como suspeitos de praticar um esquema de ‘rachadinha’ dentro do Palácio do Planalto, o site Metrópoles publicou na noite desta sexta-feira (3) uma sequência de sua investigação sobre o caso. Na reportagem de agora, a ex-primeira-dama surge como protagonista de um esquema que os autores da matéria acreditam ser o de repasse de uma parte do salário de uma assessora parlamentar. Trata-se de Rosimary Cardoso Cordeiro, a melhor amiga de Michelle, que anteriormente já apareceu no noticiário como sendo a dona do cartão de crédito usado pela esposa do presidente da República. Rosimary teria conseguido um cargo no gabinete do senador bolsonarista Roberto Rocha (PTB-MA) logo no início do governo Bolsonaro, em 2019, com salário de pouco mais de R$ 6 mil. Tempos depois, diz a reportagem, a amiga foi “promovida” e chegou a um posto que lhe rendera excelentes vencimentos, na casa dos R$ 16 mil. Até aí, tudo bem. O problema é que a reportagem ouviu fontes que afirmaram que regularmente a escolta presidencial, composta por guarda-costas do GSI, iam até a casa de Rosimary recolher as “encomendas” que deveriam ser levadas até a então primeira-dama. Essas testemunhas disseram que o conteúdo dos envelopes “era facilmente identificável pelo tato” e que se tratava de dinheiro vivo. O Metrópoles chegou a divulgar um áudio em que Rosimary fala com um interlocutor sobre passar em sua casa para pegar a “encomenda” da ‘Mi’, em referência à ex-primeira-dama.

MPF pede prisão de Sikera Júnior e aplicação de multa por crime de racismo

Sikera Junior comemora morte de homem acusado de ser assaltante — Foto: Reprodução de ‘Cidade em Ação’ (2019) / TV Arapuan Em ação protocolada no dia 30 de janeiro, o Ministério Público Federal (MPF) pediu a prisão de Sikera Júnior, além da aplicação de uma multa, por crime de racismo. A denúncia é referente a uma declaração que o apresentador fez enquanto estava à frente do programa Cidade em Ação, na TV Arapuã, em 5 de junho de 2018. Os comentários racistas foram feitos contra uma mulher e, conforme consta no documento do MPF, em tom agressivo e com ofensas raciais, ao vivo, durante o programa. O apresentador se referiu a ela usando termos como “vagabunda”, “preguiçosa” e “venta de jumenta”, além de, em inúmeras vezes, a chamar de “sebosa”. Ainda na ação, é ressaltado que a conduta de Sikera “extrapola os limites da liberdade de expressão, pois incita, inflama e propaga dolosamente discurso de ódio com atos de discriminação por gênero, preconceito, exclusão e estigmatização da coletividade feminina, violentando acima de tudo a dignidade da pessoa humana”. O órgão entendeu que o comportamento do apresentador se enquadrada na Lei 7.716/89, artigo 20, alegando que ele praticou discriminação e preconceito racial de gênero por intermédio dos meios de comunicação social, cuja pena é de reclusão de dois a cinco anos e multa. Além da multa, o MPF pede a fixação de um valor mínimo para reparação dos danos à vítima, incluindo danos morais coletivos. Defesa Por meio do Instagram, Sikera apenas publicou prints da notícia, sem se manifestar. O advogado Rannieri Lopes disse em um postagem na rede social que “o suposto crime de racismo só existe no imaginário do Ministério Público. A falta de tipicidade impede a materialização da denúncia”, escreveu.

Do Val muda versão e tenta eximir Bolsonaro de culpa por trama golpista

Senador disse que a iniciativa foi do ex-deputado federal Daniel Silveira O senador Marcos do Val (Podemos-ES) mudou sua versão sobre a trama golpista para a qual teria sido convidado em dezembro passado. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (2) ele disse que a iniciativa foi do ex-deputado federal Daniel Silveira (PTB) e colocou o hoje ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na condição de vítima. Do Val recuou ainda do anúncio de que iria deixar o mandato. “O que ficou claro para mim foi o Daniel [Silveira] procurando uma forma de não ser preso de novo. Toda hora ele descumpria as ordens do ministro [Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal]. Ficou muito claro que ele estava num movimento de manipular e ter o [então] presidente [Jair Bolsonaro] comprando a ideia dele”, disse o senador, contradizendo seu próprio depoimento anterior. Mais cedo, a revista Veja publicou reportagem que contava a versão inicial da história dada por do Val, que citava papel ativo de Bolsonaro na conspiração. O texto da revista foi publicado horas depois que do Val antecipou, em live na internet, que a reportagem seria publicada na próxima sexta-feira (3). Segundo depoimento do senador citado pela reportagem, Bolsonaro teria dito que do Val iria “salvar o Brasil”, que havia acerto com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e que apenas cinco pessoas teriam conhecimento do plano golpista O recuo aconteceu junto de manifestações do clã Bolsonaro. O filho mais velho do ex-presidente, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta que as reuniões citadas na reportagem realmente ocorreram, mas tentou minimizar o caso. “Peço que todos os esclarecimentos sejam feitos, não digo nem abertura de inquérito, porque a situação narrada não configura nenhuma espécie de crime, mas que todos os esclarecimentos sejam feitos para que não fiquem narrativas em cima de narrativas”, disse. As últimas horas foram intensas para o senador capixaba. Antes da eleição para a presidência do Senado, que teve vitória de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ele foi pressionado por bolsonaristas nas redes sociais, acusado de “traição” contra o candidato apoiado pelo ex-presidente de extrema-direita, Rogério Marinho (PL-RN). Na madrugada de quinta, depois de escrever várias respostas a críticos, ele fez uma postagem em que afirmava estar saindo “definitivamente” da política. Eleito para o Senado em 2018 na esteira da “antipolítica” que teve Bolsonaro como maior representante, ele disse ainda estar se organizando para voltar aos Estados Unidos, onde trabalhou antes de ingressar na carreira parlamentar. Do Val terá de escolher entre uma das versões – ou uma nova – nas próximas horas, já que Moraes, responsável pelos inquéritos dos atos antidemocráticos no Supremo, atendeu a pedido da Polícia Federal (PF) e autorizou coleta de depoimento do senador.

Homem ateia fogo no próprio corpo em ato contra Moraes em Brasília

O ministro Alexandre de Moraes, do STF e do TSE. Foto: Fellipe Sampaio/STF Polícia Militar diz ter encontrado fotos do ministro do STF e de Adolf Hitler – A Polícia Militar do Distrito Federal informou que, em 31 de janeiro, um homem ateou fogo no próprio corpo como forma de protesto no gramado central da Esplanada dos Ministérios, em frente à Igreja Catedral Metropolitana, em Brasília. A corporação diz ter encontrado panfletos de cunho político com fotos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e do ditador nazista Adolf Hitler, com os dizeres “perdeu, mané”. Segundo a PMDF, testemunhas que passavam no local prestaram os primeiros socorros, apagaram as chamas e acionaram o serviço de emergência. Elas teriam relatado que o homem havia dito que atearia fogo em forma de protesto. A corporação diz ter sido acionada às 16h30. A vítima foi encaminhada pela ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o SAMU, até o hospital da Asa Norte. Não há confirmação sobre o estado de saúde do homem.

Morre Glória Maria, jornalista e apresentadora ícone da TV brasileira

Glória Maria deixa legado de pioneirismo na TV brasileira; jornalista morreu aos 73 anos e deixa duas filhas – Reprodução/Redes sociais Morreu na manhã desta quinta-feira (2) a jornalista Glória Maria, aos 73 anos, na cidade do Rio de Janeiro. Ela deixa duas filhas, Maria e Laura. A apresentadora estava afastada do Globo Repórter, da TV Globo, há mais de três meses por conta de uma internação parar tratar complicações de um câncer no pulmão diagnosticado em 2019. Em meados do ano passado, a jornalista iniciou uma nova fase do tratamento para combater metástases no cérebro causadas pelo câncer, que deixou de fazer efeito nos últimos dias antes de seu falecimento. A TV Globo lamentou a morte da profissional que é um ícone da TV brasileira. “Glória marcou a sua carreira como uma das mais talentosas profissionais do jornalismo brasileiro, deixando um legado de realizações, exemplos e pioneirismos para a Globo e seus profissionais”, afirmou em nota. Nascida em Vila Isabel, na zona norte do Rio, e filha de um alfaiate e uma dona de casa, Glória Maria se formou em jornalismo na PUC-Rio. Ela foi a primeira repórter a entrar ao vivo em cores no telejornal “Jornal Nacional”. Como repórter, viajou para mais de 100 países e realizou coberturas de momentos históricos como a Guerra das Malvinas (1982), os Jogos Olímpicos de Atlanta (1996) e a Copa do Mundo na França (1998). Ela também apresentou o Fantástico de 1988 a 2007. Glória Maria estava no Globo Repórter há 12 anos. Em entrevista ao programa Roda Viva, exibido ano passado, Glória Maria afirmou que “fez tudo que queria ter feito” na vida pessoal e profissional. “Fiz tudo que eu queria fazer e continuo fazendo. A maternidade entrou na minha vida por um acaso mas não me atrapalha e não me atrapalhou em nada. O que eu mais queria era percorrer o mundo. E percorri e percorro”, disse a jornalista. Assista o programa completo Fonte: Brasil de Fato

Pacheco é reeleito presidente do Senado e impõe nova derrota ao bolsonarismo

Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado.Foto: Pacheco se reúne o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu vice Geraldo Alckmin (PSB) e integrantes do gabinete de transição; 09/11/22Créditos: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) foi reeleito presidente do Senado nesta quarta-feira (1) com 49 votos em plenário contra 32 de Rogério Marinho (PL-RN). Eduardo Girão (Podemos-CE), o terceiro candidato, havia retirado sua candidatura e declarado voto em Marinho. Não houve faltas, abstenções ou votos em branco. “Gostaria em primeiro lugar de expressar minha sincera gratidão aos meus pares que me incumbiram novamente de dirigir o Senado Federal e o Congresso Nacional. Essa alta incumbência de presidir um dos poderes da República é um encargo que me honra e desafia. Novamente assumo a presidência com humildade, responsabilidade e comprometimento. Buscarei sempre desempenhar esse papel em obediência à Constituição Federal, às leis e ao regimento interno desta casa. Quero expressar igualmente minha gratidão e respeito ao PSD, partido que me acolheu e me indicou para presidir uma das mais tradicionais e longevas instituições da nossa República”, declarou o presidente reeleito em pronunciamento oficial. Em seguida Pacheco falou aos eleitores do seu Estado, Minas Gerais, prometendo não abandonar as demandas mineiras por conta do cargo e prestou homenagem a Rogério Marinho e Eduardo Girão, derrotados no pleito. “O Brasil precisa de pacificação, os poderes da República precisam trabalhar em harmonia buscando sempre o diálogo. Os entes federativos devem trabalhar com diálogo para que as políticas públicas possam chegar à população. Da mesma forma o Senado Federal precisa ser pacificado para bem desempenhar suas funções de legislar e fiscalizar. Os bens do país estão acima de questões partidárias e nós, legisladores e legisladoras, precisamos nos unir pelo Brasil. A realidade do momento nos impõe um alerta: pacificação não significa omissão ou leniência. Pacificação não é inflamar a população com narrativas inverídicas, tampouco com soluções aparentes que geram instabilidade institucional. Pacificação não significa se calar diante de atos antidemocráticos”, concluiu. Com a reeleição de Pacheco, a oposição ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que apostava na candidatura derrotada de Rogério Marinho para se fortalecer no Congresso, saiu derrotada. Rodrigo Pacheco ficará à frente do Senado Federal até o dia primeiro de fevereiro de 2025, quando uma nova votação deve ser convocada. A promessa é de trabalhar para o Brasil, não se alinhando nem ao governo e nem à oposição. Para o governo Lula, a decisão pode ser considerada uma vitória, uma vez que afasta o controle bolsonarista das principais mesas e comissões do Senado. Como transcorreram as eleições do Senado A sessão começou com o presidente Rodrigo Pacheco abrindo mão da presidência da Casa para colocar-se como candidato. Ele pediu a atenção dos senadores e passou a palavra, e a cadeira, para o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), o vice-presidente. Veneziano em seguida chamou os discursos dos candidatos. O primeiro a falar foi Eduardo Girão, que fez um discurso lembrando sua atividade política calcada na defesa de pautas ultra conservadoras e pediu que o voto fosse aberto – o que ao final não foi acatado. Girão ainda teceu críticas ao Supremo Tribunal Federal por conta das apurações dos atos antidemocráticos que desdobraram nos ataques de 8 de janeiro em Brasília. “Estou convencido que temos uma crise econômica, política e social, mas a mãe de todas as crises é a moral, que assola a nossa nação. Aquele que sentar-se na cadeira de presidente deve garantir a democracia no país. Não podemos mais observar jornalistas, influenciadores, artistas e militantes políticos sendo perseguidos sem o devido processo legal”, afirmou. Ao final, abriu mão da sua candidatura e declarou voto em Rogério Marinho. Revista Forum

Visibilidade Trans – Eleitas em 2022 enfrentam violência política

Além da preocupação com a integridade física, mesmo dentro do Parlamento, deputadas e vereadoras ainda enfrentam ataques dos próprios colegas parlamentares. Duda Salabert, Erika Hilton, Dani Balbi, Linda Brasil e Carolina Iara A visibilidade trans avançou nos últimos anos de forma inimaginável para o final do século XX, quando ocorriam as primeiras paradas do orgulho LGBT+ do país. Há cerca de vinte anos, esse cenário vem mudando drasticamente e pode influenciar o cenário de violência, conforme estas pessoas se empoderam, pautam a sociedade e exigem garantia de direitos. Nunca se elegeram tantas travestis e transexuais para cargos legislativos, muitas outras ocupando cargos de gestão. O primeiro impacto positivo da visibilidade trans crescente na sociedade brasileira é a força simbólica dos modelos positivos, de pessoas travestis, transexuais e não-binárias, que passam a ocupar espaços de poder e influência na sociedade. Pessoas que provam que é possível ser médica, psicóloga, advogada, engenheira, cantora, parlamentar, gestora pública, educadora, atriz, modelo, influenciadora digital, atleta, jornalista. Aos poucos, a atividade de profissional do sexo vai deixando de ser a única possibilidade para meninas expulsas de casa, sem formação educativa ou qualificação profissional. As travestis que conseguiam se destacar como maquiadoras e cabeleireiras no passado, e circulavam em ambientes da mídia, foram um primeiro avanço para sensibilização da sociedade. No Brasil, houve destaques também na indústria do Carnaval e no humor. Desse período “heróico” podemos citar personalidades que contribuíram para mudar a história e a percepção da sociedade sobre pessoas trans: a escritora Ruddy Pinho, as atrizes Claudia Celeste e Rogéria, modelos como Roberta Close e Sam Porto, a vereadora Kátia Tapety, primeira eleita em 1992 em Colônia do Piauí, e as ativistas Bianca Magro e João W. Nery, que ficaram conhecidos por sua luta para realizar cirurgias de redesignação sexual, quando o SUS ainda não estava preparado para isso. Violência política Neste século, essas possibilidades se ampliaram muito. Se ainda há preconceito com travestis e transexuais em algumas profissões, e isso ainda é um desafio de enfrentamento, em outras, elas se destacam e se tornam referência. Um dos enfrentamentos mais difíceis é feito pelas parlamentares, que além de toda a violência destinada as mulheres e homens trans anônimos, sofrem com a violência política. Travestis e transexuais também foram eleitas aos parlamentos, sendo que algumas foram as mais votadas em seus estados. É o caso de Erika Hilton (PSol-SP) e Duda Salabert (PDT-MG), ambas deixaram os parlamentos locais para brilharem em Brasília. No total são 27 eleitas em todo o país. Dani Balbi (PCdoB-RJ), Linda Brasil (PSol-SE) e Carolina Iara (PSol-SP) também foram eleitas para os legislativos estaduais. Segundo levantamento da Folha de S. Paulo, de 24 parlamentares trans entrevistadas, 17 relataram situações de violência política transfóbica e 11 sofreram ameaças. Elas reclamam que não têm as mesmas condições parlamentares de seus colegas, de frequentar livremente as Casas Legislativas, sentar em suas mesas e analisar Projetos de Lei. Em vez disso, precisam se preocupar com sua integridade física, evitando entrar pela porta da frente, usando carros blindados, ficando dias sem aparecer publicamente e tendo que manter segredo sobre agendas públicas. As entidades dizem que essas mulheres e homens trans chegam a um parlamento que não está nem um pouco preparado para recebê-los e protegê-los. Ex-vereadora em Piracicaba (SP), Madalena Leite (PSDB) foi imobilizada e morta a golpes de facão na cabeça –a polícia prendeu os suspeitos do crime. Além de ser mulher trans, Madalena era negra e moradora da periferia. Filipa Brunelli (PT), primeira vereadora travesti de Araraquara (interior de SP) eleita em 2020, pensou em abandonar a política logo nos primeiros meses de mandato. Se na campanha, as ameaças já eram difíceis de engolir, com a vitória, o ódio se torna maior. Filipa coleciona ataques transfóbicos e ameaças para documentar e levar à polícia. Em menos de dois anos de mandato, já são 36 pessoas denunciadas. Mas a situação é ainda mais intolerável quando vem dos próprios colegas de parlamento. Logo nos primeiros meses de mandato de Erica Malunguinho, em 2019, ouviu o deputado Douglas Garcia, hoje no Republicanos, dizer que tiraria a tapas do banheiro uma transexual que usasse o mesmo que sua mãe ou irmã. Muitas reclamam de serem tratadas no masculino, especialmente por colegas evangélicos. Duda Salabert já ouviu que deveria sair de uma mesa composta só por mulheres. Invisibilidade do homem trans Thammy Miranda (PL-SP) é o transexual masculino que ocupa uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo. Do mesmo partido de Jair Bolsonaro, ele é criticado por suas posturas conservadoras, mas é respeitado pelo impacto que sua presença física no espaço de poder exerce. Thammy ficou famoso por ser filho da cantora Gretchen e ter sua transição física acompanhada pelas mídias. Embora costume dizer que se sente respeitado no parlamento, nem o vereador conservador, no entanto, escapou de ataques por participar de uma publicidade do Dia dos Pais. Até seu colega de partido Eduardo Bolsonaro o agrediu nas redes sociais, naquela ocasião. A propósito, transexuais masculinos ainda enfrentam o desafio da invisibilidade. São poucos os destaques famosos, com pouca inserção até mesmo nos ambientes LGBT+. Mas, aos poucos, eles vão ocupando espaço nas redes sociais e se tornando celebridades e influenciadores importantes. O ator e modelo Tarso Brant, o multiartista Dante Olivier e o cantor Nick Cruz são alguns dos mais conhecidos. Mas também há influências crescentes nas mídias como o atleta Bernardo Gonsales, Cleyton Bittencourt, o chef Thales Alves, Alan Oliveira, Nathan Santos, Pedro Jorge, o jornalista Caê Vasconcelos. Todos contam muitos seguidores nas redes sociais. Mas sempre cabe mais um para acompanhar suas ideias e talento no Instagram, TikTok, Facebook, Twitter e Youtube.

Ministro das Comunicações beneficiou sua própria fazenda com orçamento secreto

Juscelino Filho (União Brasil), ministro das Comunicações do Governo Lula, direcionou R$ 5 milhões do orçamento secreto para asfaltar uma estrada que passa em frente à própria fazenda, localizada no Maranhão. A obra de 19 km, corta propriedades da família e as liga a uma pista de pouso privada e um heliponto. De acordo com o Estadão, Juscelino direcionou recursos do orçamento para a cidade de Vitorino Freire, onde sua irmã, Luanna Rezende (União Brasil) é prefeita. A empresa contratada para fazer a obra foi a Construservice, que pertencia a Eduardo Imperador, que já foi preso suspeito de pagar propina para conseguir obras na cidade. No total, a obra para asfaltar a estrada foi orçada em R$ 7,5 milhões. Apenas o trecho que passa em frente às fazendas da família do ministro, custou R$ 5 milhões. O restante atende 11 ruas em povoados da cidade. Segundo o jornal, o montante de R$ 1,5 milhão para finalizar a obra só foi liberado às vésperas da eleição de 2022. Ao Estadão, o ministro argumentou que as fazendas beneficiadas pela estrada são cercadas por “inúmeros povoados”. “Considerar que a estrada de 19 km de extensão, que recebeu, sim, recursos de emenda do parlamentar, via convênio com a Codevasf, beneficiou apenas sua propriedade é no mínimo leviano, uma vez que a estrada liga os povoados de Estirão e Jatobá”, diz um trecho da nota enviada pela assessoria de imprensa de Juscelino.

Congresso começa ano legislativo votando 27 MPs e 8 vetos

São medidas já do governo do presidente Lula que mantém, este ano, o pagamento do benefício de R$ 600 do Auxílio Brasil e 100% do Auxílio Gás Após novos parlamentares tomarem posse e a eleição da Mesa na Câmara e no Senado na próxima quarta-feira (1º), as duas casas têm uma pauta extensa com a votação de 27 medidas provisórias (MPs) e oito vetos. São medidas já do governo do presidente Lula que mantém, este ano, o pagamento do benefício de R$ 600 do Auxílio Brasil e 100% do Auxílio Gás. Além disso, estão na lista a que prorroga a desoneração de tributos federais sobre combustíveis e a que extingue a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Antes de seguir ao Senado, todas terão que ser votadas na Câmara a partir de quinta-feira (2). Antes, os parlamentares vão apreciar os vetos presidenciais que estão trancando a pauta. Outra matéria que será analisada pelos congressistas é a MP 1143/22, que fixa o valor do salário mínimo em R$ 1.302 este ano – o anterior era de R$ 1.212. O texto foi encaminhado pelo governo Bolsonaro, porém os parlamentares aprovaram, em dezembro de 2022, o Orçamento Geral da União de 2023 com a previsão do salário mínimo de R$ 1.320. A decisão acompanhou a orientação do novo governo. Mas para que o valor de R$ 1.320 passe a vigorar, o Congresso precisa aprovar a medida provisória com a alteração. Por enquanto está valendo o valor estabelecido originalmente (R$ 1.302). De acordo com o novo líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a MP que prorroga a desoneração de tributos federais sobre combustíveis, foi uma armadilha deixada pelo desgoverno Bolsonaro. “Isso foi uma cilada deixada pelo governo sainte. Como tantas outras ciladas por eles deixadas. Vamos enfrentá-la, manter a desoneração, para manter estabilizado o preço dos combustíveis e posteriormente discutir a política de preços da Petrobras. Não pode ter preço de combustível sacrificando os brasileiros”, observou o líder. Randolfe também defendeu a aprovação da MP 1.160, que retoma o voto qualificado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). “Segundo cálculos que nos foram passados pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, isso pode recuperar para os cofres da União quase R$ 1 trilhão. É uma medida muito importante e muito necessária do ponto de vista fiscal”, afirmou ele ao Valor. Perda de validade Levantamento da Rádio Senado aponta que, das 27 MPs pendentes de votação, 22 precisam passar pelas comissões mistas antes de serem apreciadas pelos plenários das duas Casas. “Três MPs devem ser analisadas até o dia 5 de fevereiro ou perdem a validade. Uma libera R$ 2 bilhões e meio reais para custear a locomoção de idosos em transporte público e caduca no dia 2 de fevereiro, quando serão iniciados os trabalhos legislativos”, diz reportagem da emissora. Outra MP  limita o uso de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), uma das principais fontes de financiamento para fomento à ciência, tecnologia e inovação no país. “A terceira medida já teve os efeitos suspensos pelo STF, mas continua tramitando no Congresso. Ela adia para 2024 o início do cumprimento das Lei Paulo Gustavo e Aldir Blanc, que destinam mais de 6 bilhões de reais aos setores da cultura e de eventos”, completou. Veja as medidas provisórias em tramitação no Congresso: MP 1134/22 – libera R$ 2,5 bilhões para custear a locomoção de idosos em transporte público; MP 1135/22 – permite ao governo adiar os repasses aos setores da cultura e de eventos previstos nas leis Paulo Gustavo, Aldir Blanc 2 e do Perse; MP 1136/22 – limita o uso de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT); MP 1137/22 – zera o Imposto de Renda para investidores estrangeiros que aplicam no Brasil; MP 1138/22 – reduz tributos sobre remessas ao exterior para cobrir gastos com viagens; MP 1140/22 – cria programa de prevenção ao assédio sexual nas escolas; MP 1141/22 – autoriza contratações sem processo seletivo para atuação no Censo Demográfico; MP 1142/22 – prorroga contratos de profissionais da saúde em hospitais federais no Rio de Janeiro; MP 1144/22 – abre crédito R$ 7,5 bilhões para o Ministério do Trabalho e Previdência para pagar benefícios previdenciários; MP 1145/22 – altera valor de taxa de fiscalização de bafômetros e tacógrafos; MP 1146/22 – altera tabela de cálculo de vencimento de servidores no exterior; MP 1148/22 – prorroga benefícios fiscais para as empresas brasileiras que atuam no exterior até o ano calendário de 2024; MP 1149/22 – autoriza Caixa a administrar o fundo do DPVAT (o seguro de trânsito) em 2023; MP 1150/22 – dá mais 180 dias para adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA); MP 1151/22 – estimula projetos de geração de créditos de carbono em concessões de unidades de conservação; MP 1152/22 – altera regras do preço de transferência (tributação das trocas entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico); MP 1153/22 – suspende até 2025 a aplicação de multa a motoristas sem exame toxicológico; MP 1159/23 – retira o ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins; MP 1160/23 – restabelece o voto de qualidade em favor da União no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), tribunal administrativo ligado ao Ministério da Fazenda que julga questões tributárias e aduaneiras. Com informações das agências Câmara e Senado