Geraldo Azevedo condena apoio de Elba a Bolsonaro e se ressente de Gal e Bethânia

Músico é um dos homenageados no Carnaval do Recife e fez show no Marco Zero junto de Elba Ramalho e Alceu Valença Não a aridez do sertão, mas o horizonte que se desperdiça, cimentado. Não o mar que arrebenta na praia, mas São Paulo, cidade armada pelo concreto. “Olho passeio perdido/ a golpes de pedra e cal/ o horizonte ferido”, diz a letra de Carlos Fernando para a canção “Domingo de Pedra e Cal”, de 1977, incluída no primeiro disco de Geraldo Azevedo, artista homenageado no Carnaval do Recife neste ano. Na noite desta sexta-feira, Azevedo, agora com 78 anos, subiu ao palco do Marco Zero no centro da capital pernambucana, onde fez um show de mais de duas horas, cantando sucessos e recebendo convidados, como os amigos Elba Ramalho e Alceu Valença. Durante a apresentação, ele ainda lançou uma nova música, “Frevo Encarnado”, em parceria com Fausto Nilo. Cantor e compositor pernambucano Geraldo Azevedo, homenageado do Carnaval do Recife, em 2023 – Virgínia Ramos “A canção tem tudo a ver com o momento em que estamos vivendo, essa volta à felicidade, e também pude retomar os trabalhos com Fausto como fazia antes, eu faço a música e ele põe a letra”, diz ele. Com a amiga Elba Ramalho, a relação anda estremecida por causa da política. Azevedo sente dificuldades de entender os acenos de Ramalho ao bolsonarismo, o que criou rusgas. “Ficamos chateados com ela, desde a época que ela fez campanha para o Fernando Collor, eu não discuto mais, eu faço show com ela, mas a gente não fala em política, porque teve momentos em que discutimos, e ela teve atitudes mais grosseiras”, diz Azevedo. “Às vezes Alceu se exalta, eu não diria que isso afeta a amizade, mas afeta a convivência, nunca vou deixar de ter carinho pela Elba, mas não tenho mais a mesma disponibilidade que tive com ela, porque fica muito desagradável em determinadas situações.” Se é possível ferir o horizonte Recife é também obra da imaginação. Uma cidade inapreensível, como sugere o seu conjunto de ilhas. Resta sendo um enigma o Recife real, se tudo o que há na história é toda uma produção discursiva na literatura, na música e nas artes plásticas sobre a capital pernambucana. Para a invenção do Recife, Azevedo é reconhecido como um dos compositores que revolucionaram o discurso sobre o Nordeste desde os anos 1970, quando toda uma geração de artistas da região apareceu na paisagem da moderna música popular brasileira. O cantor, porém, se ressente de Gal Costa ter morrido sem gravar uma música sua. Em sua carreira, Azevedo não guarda mágoas de nada, mas ele se lembra de Gal ter se negado a participar de seu disco “Bossa Tropical”, de 1997. E não só. Cinco anos depois, Gal gravou um álbum com o mesmo nome e não incluiu no repertório a canção homônima do compositor pernambucano. Mas a novidade trazida na discografia do cantor falou por si. A seca e a migração, temas a que Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro se dedicaram, ainda aparecem nos discos do compositor, mas com o tom intimista, próprio da bossa nova. Em sua poética, o autor de “Bicho de Sete Cabeças”, “Dona da Minha Cabeça” e “Caravana” preferiu rimar o amor, o sorriso e a flor. “Essa coisa da pedra e da cal, por exemplo, tem a ver com a sensação que tive quando visitei São Paulo, quando já morava no Rio de Janeiro”, afirma. “Eu me deparei com muitas construções, senti uma dureza para os nordestinos, chegando àquela terra cheia de esperança para todos nós.” Mas ele nunca abandonou a sua identidade. Por isso, as duas maiores festas populares do Nordeste, a festa junina e o Carnaval, são onipresentes em sua discografia. Delas, saem ritmos estruturantes para a sua música, como o frevo, o maracatu e o maxixe. Em Petrolina, a cidade pernambucana onde nasceu, ele ficava na porta dos clubes, esperando que algum conhecido o pusesse para dentro do baile de Carnaval. Aos 15 anos, zanzava pelo salão até cair sentado, em meio a confetes e serpentinas. Gostava tanto da música, que, um ano depois, passou a integrar as bandas de frevo dos clubes. Atualmente, acha estranho a chegada de outros ritmos às festas populares. “Teve uma época aí que a Prefeitura do Recife decidiu que o carnaval seria multicultural, então tinha um dia só de rock, eu não gosto muito. Assim como festa junina com música sertaneja, pode ser um preconceito meu, mas eu acho que são festas tradicionais de cada lugar. E eu não vou mudar, porque estão aparecendo outras coisas, vou continuar sendo Geraldo Azevedo.” Se, em seus discos, o compositor não se limita aos temas do regionalismo, sua música é também híbrida, se aproximando da sigla MPB. Nessa Babel rítmica, que vai de Johann Sebastian Bach ao canto árabe, Azevedo se impõe como um virtuose do violão. Em suas apresentações, o instrumento não serve apenas ao acompanhamento das canções, obtendo valor expressivo autônomo em longos solos. Ou, nas palavras do próprio violonista, o instrumento “é um contraponto de mim mesmo”. Nesse sentido, sua maneira de tocar violão se distancia da bossa nova ou da tropicália, atingindo um estilo todo particular. Nascido no bairro Jatobá, às margens do rio São Francisco, Azevedo conviveu com a música desde cedo. Sua mãe, Nenzinha, promovia eventos na escola que funcionava em sua própria casa. Aos cinco anos, o menino, aguçado pela música, recebeu do pai o primeiro violão. Na juventude, Azevedo se mudou para o Recife, onde prestou vestibular para arquitetura. Durante certo tempo, chegou a trabalhar como desenhista e projetista. A música, porém, se impôs em sua vida. Em 1967, chega ao Rio de Janeiro, passando a acompanhar Geraldo Vandré, com quem compôs “Canção da Despedida”. Com os poetas Fausto Nilo, Capinan e Carlos Fernando, lançou seus principais discos —”Inclinações Musicais”, de 1981, “Tempo Tempero”, de 1984, e “De Outra Maneira”, lançado dois anos depois. Com Elba Ramalho e Alceu Valença, formou grupo “O Grande Encontro”, excursionando Brasil afora há mais de 20 anos. À primeira vista, os ritmos carnavalescos parecem vocacionados à felicidade.

Metade dos presos pelos ataques golpistas em Brasília recebeu auxílio emergencial

Um grupo técnico do Ministério Público Federal (MPF) mostrou que das cerca de mil pessoas presas pelos ataques golpistas de 8 de janeiro, metade recebeu o Auxílio Emergencial. A informação foi publicada nesta sexta-feira (17) pelo portal G1. Em 8 de janeiro, apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) invadiram o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional no início de janeiro. De acordo com os números, aproximadamente 60% dos presos são homens, a maioria dos detidos possui idade entre 36 e 55 anos e cerca de um quinto é filiado a algum partido. A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou pelo menos 835 pessoas por envolvimento nos atos golpistas.  

Bolsonaro foi vacinado contra COVID-19 em julho de 2021

O ex-presidente decretou sigilo sob seu cartão de vacinação, mas será revogado em breve; CGU adiantou os detalhes Um dos sigilos de 100 anos decretados por Jair Bolsonaro (PL) foi de seu próprio cartão de vacinação. O ex-presidente, inclusive, disse inúmeras vezes que não seria imunizado contra a COVID-19, o que teria incentivado apoiadores a fazerem o mesmo. Mas o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU) Vinícius de Carvalho confirmou que o capitão reformado recebeu a dose de vacina Janssen no dia 19 de julho de 2021. À CNN, ele confirmou que Bolsonaro recebeu a vacina: “Esse registro (Bolsonaro vacinado) existe. Pelo menos, pelo que a gente sabe das informações. Se isso está em um ofício da CGU, a CGU não faz uma pergunta à toa. Se esse registro está em um ofício da CGU, eu não tenho como negar”. Desde o dia 3 de fevereiro, quando foi divulgado o resultado do trabalho de revisão dos atos que impuseram sigilo indevido a documentos de acesso público na administração federal, a equipe técnica da CGU tem se dedicado a analisar os 234 casos, e as decisões serão divulgadas ao longo das próximas semanas. No caso específico relacionado ao cartão de vacina do ex-presidente Jair Bolsonaro, o prazo legal para julgamento do recurso é 13 de março .Na nota, a CGU ainda informou que há, de fato, uma investigação preliminar sumária iniciada nos últimos dias do governo anterior, envolvendo denúncia de adulteração do cartão de vacinação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Considerando que a investigação é sigilosa e não está concluída, a CGU submeteu a matéria à avaliação de sua Consultoria Jurídica para emitir parecer quanto à viabilidade de divulgação da decisão sobre o sigilo relacionado a esse tema, por estar em curso a apuração correcional. Bolsonaro Bolsonaro decretou sigilo ao próprio cartão de vacinação e qualquer informação sobre as doses de vacinas que ele possa ter recebido. A justificativa é que se trata de informação privada do ex-presidente. Ao assumir a presidência, Lula determinou à CGU que analise todos os sigilos impostos pelo governo Bolsonaro. A intenção é que aqueles que estiverem em desacordo com a legislação sejam derrubados.

Com dinheiro do povo brasileiro, Bolsonaro já torrou, nos Estados Unidos, R$ 950 mil

Ex-presidente viajou dois dias antes do fim de seu mandato; assessores seguem ganhando diárias por estarem no exterior. A viagem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos nos últimos dias de seu mandato já custou ao menos R$ 950 mil aos cofres públicos. O valor inclui dados repassados pelo Ministério das Relações Exteriores após pedido de LAI (Lei de Acesso à Informação) e informações do Portal da Transparência. Do total, R$ 667,5 mil envolvem diárias, hospedagens, aluguel de veículos e intérpretes, entre outras despesas, de quando Bolsonaro ainda era presidente. Ou seja, do dia 28 de dezembro, quando os primeiros servidores foram em missão precursora até os EUA, até 31 de dezembro. Outros R$ 271 mil foram pagos em diárias para os assessores que ficaram com Bolsonaro após ele deixar a Presidência. A lei permite que ex-mandatários do Executivo mantenham seis assessores remunerados pelo Orçamento, além de dois carros com motorista. Dessa forma, a permanência de Bolsonaro nos Estados Unidos, mesmo na condição de ex-presidente, ainda envolve gastos ao erário. Como os servidores não moram em Orlando, onde Bolsonaro está desde o fim do mandato, eles recebem diárias além dos respectivos salários. Quem mais recebeu em diárias foi Sergio Cordeiro, que já embolsou R$ 73,6 mil. Em seguida vem Marcelo Câmara, com R$ 69 mil, e Max Guilherme, com R$ 64,5 mil em diárias. Ricardo Dias e Osmar Crivelatti receberam cada um R$ 32,1 mil. A conta não contempla gastos com o voo para os EUA, no avião da FAB (Força Aérea Brasileira). Procurados, o ex-presidente e o Itamaraty não quiseram comentar. A Aeronáutica também não informou o custo do voo. Nos Estados Unidos Bolsonaro viajou para os Estados Unidos em 30 de dezembro, dois dias antes do fim de seu mandato presidencial, para não ter de passar a faixa para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Dessa forma, o ex-presidente ignorou o rito democrático de transferir simbolicamente o poder a seu sucessor. Como ainda era presidente da República, Bolsonaro se beneficiou até 1º de janeiro de todas as prerrogativas do cargo para realizar a viagem aos Estados Unidos. No primeiro dia do ano, ele deixou de ser presidente e foi substituído por Lula, que tomou posse em Brasília. Além de viajar em avião da FAB, Bolsonaro teve direito a aluguel de veículos custeados pelo governo federal. Foram US$ 65,3 mil -ou R$ 338 mil- para esse fim. As viagens presidenciais envolvem o deslocamento de uma comitiva. As hospedagens e as diárias para essas pessoas totalizaram US$ 57,8 mil (R$ 299 mil). O Itamaraty também custeou intérpretes por US$ 7,6 mil (R$ 39,4 mil). Na Flórida, Bolsonaro se hospedou em uma casa pertencente ao lutador de MMA José Aldo. A sua entrada como presidente permitia uma estadia nos EUA de 30 dias, período que se encerrou em 30 de janeiro. Perto do fim do prazo, diante da decisão de continuar no país estrangeiro, Bolsonaro pediu conversão para um visto de turista, o que permite que ele fique no país por até seis meses – mas autorizar atividades remuneradas. Isso impede, por exemplo, que o ex-presidente receba por palestras, o que foi cogitado pelo seu entorno para financiar sua estadia. Depois dos atos golpisas de 8 de janeiro, deputados democratas nos EUA chegaram a pedir a expulsão de Bolsonaro, mas o presidente Lula descartou qualquer chance de fazer um pedido com esse fim. Quando Bolsonaro retorna ao Brasil? A data de retorno de Bolsonaro para o Brasil ainda é incerta. Em entrevista ao Wall Street Journal, o ex-presidente disse que voltará ao país em março para liderar a oposição a Lula. Ele mencionou ainda ao jornal que o movimento de direita no Brasil está vivo e vai continuar. Sua esposa, Michelle Bolsonaro, também viajou para os EUA, mas já voltou para o Brasil. Seu nome foi mencionado para concorrer a algum cargo eletivo em 2026, mas ela descartou qualquer pretensão eleitoral em seu perfil no Instagram. “Oposição, fiquem tranquilos. Eu não tenho nenhuma intenção de vir candidata a nenhum cargo eletivo”, escreveu De acordo com o ex-presidente, a missão de Michelle será comandar o PL Mulher. Bolsonaro também negociou para si um cargo no PL, com direito a remuneração e uma casa custeadas pelo partido. O plano, entretanto, está em compasso de espera enquanto o ex-presidente permanece nos Estados Unidos.

Bolsonaro gastou quase R$ 100 mil no casamento do filho Eduardo

Farra do cartão corporativo: Foram bancados com o cartão da Presidência da República quase R$ 100 mil no casamento do filho Eduardo, com hospedagem de convidados e lanchinhos para militares que fizeram a segurança  – Créditos: Instagram O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) gastou R$ 98.975 do cartão corporativo da Presidência da República para bancar viagem ao Rio de Janeiro para o casamento de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em maio de 2019. Levantamento feito pelo site Metrópoles revela que o cartão corporativo foi utilizado para custear a hospedagem e alimentação da comitiva. Os maiores gastos foram realizados com alimentação de militares que trabalharam na segurança da área onde Bolsonaro se hospedou. Ao todo foram 1.850 lanches, no valor de R$ 55.500. Os itens comprados para os miliares foram: 1.850 maçãs (R$ 2,99 a unidade); 1.850 refrigerantes (R$ 5,99 a unidade); 3.700 mistos frios (R$ 7,80 a unidade); 1.850 águas sem gás (R$ 3,90 a unidade); e 1.850 barras de cereais (R$ 1,61 a unidade). Além disso, o cartão foi usado para bancar a hospedagem de 49 pessoas no Hotel Mercure de Copacabana, no valor de R$ 32.775, e de outras 28 pessoas no Hotel Laghetto Stilo Barra, por R$ 10.150. Integraram a comitiva: o ex-presidente Bolsonaro; a então primeira-dama Michelle Bolsonaro; a filha mais velha de Michelle, Letícia Firmo; a filha do casal, Laura; o filho de Bolsonaro, Jair Renan; o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ); e a intérprete de libras, Elizângela Ramos. Bolsonaro usou cartão corporativo para bancar motociata durante campanha eleitoral Levantamento feito pelo UOL revela que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usou o cartão corporativo para bancar despesas da campanha política. A partir da identificação de notas fiscais pagas com o cartão corporativo do ex-presidente, é revelado que Jair Bolsonaro gastou R$ 697 mil com o cartão corporativo para bancar atividades da campanha eleitoral. Ainda de acordo com reportagem do UOL, os valores dos gastos podem ser ainda maiores, pois, até este momento nem todas as notas fiscais foram tornadas públicas. O uso do cartão corporativo para bancar despesas de campanha eleitoral é controverso, pois, a lei prevê que o partido ou a coligação deve ressarcir a União em gastos de transporte pessoal do candidato e sua comitiva durante o período eleitoral no prazo de dez dias. No entanto, não especifica os demais gastos. As planilhas dos gastos foram tornadas públicas por meio da agência Fiquem Sabendo por meio da Lei de Acesso à Informação. As notas estão em relatórios classificados como “atividade eleitoral”. Motociata Entre os gastos identificados e que foram pagos com o cartão corporativo, está uma motociata realizada na Bahia, em Vitória da Conquista. Na motociata o cartão corporativo foi usado para bancar 1.024 lanches e 512 barras de cereal, num total de R$ 50 mil. Além disso, o cartão corporativo foi usado para custear a hospedagem de cerca de 50 pessoas. Segundo a justificativa, esse pessoal era para garantir a segurança presidencial, totalizando um gasto de R$ 44,7 mil. Também foi registrado que, a quatro dias do segundo turno, Bolsonaro subiu em um palanque eleitoral em Teófilo Otoni (MG). Nesta passagem, o cartão corporativo bancou R$ 63 mil em hospedagem, lanches e um cercadinho. Já no dia 12 de outubro, quando o ex-presidente foi à Aparecida (SP), foram gastos R$ 64 mil com o cartão corporativo. No dia 15 de outubro, em Fortaleza (CE), o cartão custeou a compra de 566 kits lanches por R$ 20,3 em evento classificado com o “atividade eleitoral”. Também consta como pagamento com o cartão corporativo, no dia 24 agosto, um pedido de R$ 8.650 no iFood. Bolsonaro e o PL não se manifestaram sobre os gastos durante a campanha eleitoral com o cartão corporativo.

Lewandowski vota para que militares sejam julgados pela Justiça comum

 Ricardo Lewandowski, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) votou para derrubar o foro privilegiado dos militares no Judiciário.  Ele foi o quinto a votar na ação retomou o julgamento da ação que questiona a lei que prevê que integrantes das Forças Armadas devem ser julgados exclusivamente pela Justiça Militar quando são acusados de crimes contra civis em ações consideradas militares. Entre as ações estão a atuação na defesa civil, na segurança das eleições ou em operações de garantia da Lei e da Ordem. Em seu voto, Lewandowski disse que “a norma questionada cria uma espécie de hipótese de foro por prerrogativa de função [o foro privilegiado]” e que esse privilégio não deve abranger os militares que cometem crimes fora de ações estabelecidas na Constituição como atribuições das Forças Armadas. “Esta Suprema Corte já decidiu que só o texto constitucional pode elencar os agentes públicos que gozam de tal privilégio”, justifica o ministro. Os casos, então, só iriam para a Justiça Militar se os crimes fossem cometidos na “defesa da Pátria, na garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Atualmente, o placar está 3 a 2 para os militares. Os ministros Marco Aurélio Mello, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes votaram à favor dos integrantes das FA. Edson Fachin e Ricardo Lewandowski votaram contra. A expectativa é de que a decisão seja finalizada durante votação no plenário virtual na sexta-feira (17).

GRANDEZA RESTAURADA – Dilma vai presidir banco dos BRICS

Indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve o aval dos outros países membros para a entrada da petista no bloco, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) vai presidir o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira dos Brics, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Lula e Dilma Rousseff – Créditos: Ricardo Stuckert Enquanto cumpre agenda intensa nos EUA, onde se reúne com o presidente Joe Biden, Lula já se prepara para embarcar para a China em março com a futura presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), nome da instituição financeira dos BRICS, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que teve início em 2006, ainda no primeiro mandato do presidente brasileiro. A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) já obteve o aval dos países membros e será anunciada nas próximas semanas para comandar o banco. Além da concordância dos parceiros no bloco, o economista Marcos Troyjo, que atuamente representa o Brasil no banco, já concordou em deixar o cargo em favor de Dilma. Os Brics são um bloco econômico e geopolítico importante, sobretudo para o Brasil que até uma década atrás tinha papel de destaque nas relações internacionais. Para Lula é vital que o protagonismo brasileiro retorne e para isso os Brics são uma peça fundamental. Tal importância pode ser aferida pela própria indicação de Dilma para controlar o banco que reúne esses cinco países. Dilma, que tem 75 anos, inicialmente teria hesitado em relação à oferta, mas segundo interlocutores, em decorrência da delicada situação do Brasil no cenário internacional, por conta da desastrosa gestão de Bolsonaro, a ex-presidenta teria aceitado o cargo.

Remédios do SUS contra malária entre yanomamis são vendidos por garimpeiros na internet

Crianças em estado de desnutrição sendo atendidas pela missão de saúde – Foto: Reprodução  Enquanto indígenas Yanomami sofrem com a falta de medicamentos fornecidos pelo SUS para tratamento de malária e verminoses, sobra oferta desses remédios nos garimpos ilegais instalados dentro da própria Terra Indígena Yanomami. A InfoAmazonia e o Vocativo identificaram em redes sociais o comércio de Artesunato+Mefloquina e Cloroquina, produzidos pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) e pelo Ministério da Saúde, e que deveriam ser distribuídos gratuitamente pela rede pública para o tratamento da malária. A reportagem teve acesso a mensagens em grupos de WhatsApp utilizados por garimpeiros da região, onde esses medicamentos são livremente comercializados por preços entre R$ 150 e R$ 200. A falta desses medicamentos, segundo especialistas, contribuiu para o agravamento da crise humanitária que os Yanomami enfrentam. Só em 2022, foram registrados 11.530 casos confirmados de malária no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, mas, segundo constataram as autoridades, não havia medicamentos o suficiente para atender a demanda de indígenas acometidos pela doença. Os dados foram divulgados na última semana pelo Ministério da Saúde após uma missão especial constatar a situação de emergência sanitária no território. Os índices de infecção e de mortalidade infantil na TI vão na contramão do aumento de investimentos feitos pelo governo federal na saúde dos Yanomami. Entre 2020 e 2022, o DSEI Yanomami foi o que mais recebeu verbas em todo o Brasil, tendo acesso a mais de R$ 200 milhões em recursos, segundo aponta inquérito do Ministério Público Federal (MPF) instaurado para apurar desvio de recursos públicos na compra de medicamentos. O inquérito do MPF identificou que apenas uma parte muito pequena dos remédios foi efetivamente distribuída aos indígenas Yanomami.

Punir Bolsonaro por golpismo pode frear o Brasil miliciano que ele criou

Suas orientações e a de seus aliados empurraram os idiotas a cometer crimes em seu nome Moraes parece focar primeiro nos bolsonaristas, em vez do chefe, para mostrar à sociedade o que o golpismo produziu Leonardo Sakamoto UOL  A punição a Jair Bolsonaro pelo golpismo que ele organizou e incitou não é vingança, mas uma Justiça tardia. Caso o Brasil não seja capaz de processar e condenar o seu ex-presidente por atentar contra a democracia, a República Miliciana que ele instalou vai continuar crescendo. Até devorar o próprio país. Bolsonaro é a peça-chave do núcleo político golpista da extrema direita. Como consequência de suas ações tivemos desabastecimento de comida e remédios por bloqueios em estradas, queima de caminhões, ônibus e carros, tentativa de explosão do Aeroporto de Brasília, depredação do Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o STF. Basta perguntar a qualquer um dos presos na Papuda ou na Colmeia por que invadiram as sedes dos Três Poderes para, em pouco tempo, chegarmos a ele, seus discursos e postagens. Ele diz que não foi sua mão que cometeu os crimes, mas foram suas orientações e a de seus aliados que empurraram os idiotas para cometê-los em seu nome. Não se sabe quais informações detém o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, responsável pelos inquéritos que tratam dos atos antidemocráticos. Mas, certamente, fornecem a ele uma visão muito maior que o cenário publicamente conhecido. Ao que tudo indica, Moraes preferiu não chegar a Bolsonaro logo de cara, mas avançar sobre o bolsonarismo em círculos concêntricos de forma a mostrar à sociedade o que esse golpismo produziu, justificando uma ação mais incisiva sobre o líder. Primeiro foram os peixes pequenos, depois pequenos financiadores, chegando a assessores políticos e oficiais da polícia militar. O preso mais famoso até agora, o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Torres, pode ser o tiro de aviso de que mais como ele virão. No centro desse círculo, autoexilado na Flórida, está Jair. Bolsonaro autoriza as ações golpistas chamadas por ele de “movimentos espontâneos” sob a justificativa de que “a liberdade individual seja a máxima”. Por trás da mensagem, está um dos pilares de sua filosofia: a adoção de uma sociedade miliciana, com cada um por si e Jair acima de todos. De acordo com a Constituição, nossos direitos individuais são limitados pelos direitos de terceiros e da sociedade, em um delicado equilíbrio. Sabemos que a liberdade de expressão não é direito absoluto porque não há direitos absolutos – nem a vida é, caso contrário, não haveria a legítima defesa. E que todos nós podemos ser responsabilizados quando abusamos desses direitos, atropelando a lei. Bolsonaro veio subverter esse processo. Desde que assumiu o poder, ele trabalhou para propagar a ideia de que o interesse dos indivíduos é sempre mais importante do que o bem-estar da coletividade. Isso não vale para todo indivíduo, apenas para o “povo escolhido” de Jair Messias, ou seja, os grupos radicais que o apoiam, que fazem parte dos 15% da população que acreditam em tudo o que ele diz. Entre eles, estão garimpeiros, madeireiros, agropecuaristas que agem de forma ilegal, líderes religiosos ultraconservadores, empresários que desejam fazer o que quiserem sem ser importunados pela CLT, políticos e servidores públicos interessados em levar vantagem, milicianos e parte da banda podre das Forças Armadas e das polícias, entre outros. No culto bolsonarista, a liberdade de garimpar na terra yanomami é maior do que a vida de centenas de crianças com menos de cinco anos, mortas de fome e de doenças; o “direito” de não usar máscara é mais importante que salvar vidas na pandemia; a de lucrar a qualquer custo é mais relevante do que a de garantir um mínimo de dignidade aos trabalhadores e evitar a ocorrência de escravidão, tráfico de pessoas e trabalho infantil; a de correr nas rodovias está acima da integridade física de outros motoristas e da vida de suas famílias. Bolsonaro tentou implementar uma República em que as regras e normas que balizam a vida em sociedade fossem deixadas de lado em nome da lei do mais forte, ou melhor, do mais armado. E, ao invés do Poder Judiciário ser o responsável por julgar eventuais embates, ele assumiria essa função. Não à toa, sequestrou ou domesticou instituições de monitoramento e controle nos últimos dois anos, atingindo áreas do Coaf, da Receita Federal, do Ibama, do ICMBio, do Incra, da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e do Congresso Nacional. Como não conseguiu o mesmo com o STF e o TSE, foi para cima. Dissemina, dessa forma, um projeto de sociedade miliciana, onde a Justiça é trocada pelo justiçamento. Na qual a mediação dos conflitos naturais em toda a sociedade é atacada em nome da possibilidade de cada um resolver da forma como melhor entender os seus problemas sem o “incômodo” de fiscais trabalhistas e ambientais, agentes da Polícia Federal e da Polícia Civil, juízes, desembargadores e ministros, deputados e senadores. Da Constituição. Um projeto em que as instituições atestam o que o “líder supremo” diz diretamente para o povo ou precisam ser emparedadas. Essa sociedade miliciana invadiu as sedes dos Três Poderes, em Brasília, em uma tentativa tosca e violenta de golpe de Estado porque havia sido devidamente autorizada por Jair para tanto, porque essas instituições foram contra o que decretou o tal líder supremo. Não queriam Justiça para o que achavam correto, queriam justiçamento, reequilibrando o universo com a força de suas próprias mãos. Punir o golpismo levando o “líder supremo” à cadeia é garantir que as instituições brasileiras tenham um futuro. A impunidade, por outro lado, levará a afirmar que os crimes cometidos por seguidores da extrema direita são realmente manifestações justas de “movimentos espontâneos”. O que porá um fim, mais cedo ou mais tarde, e espontaneamente, à democracia.

Um mês após ataques à democracia, instituições brasileira encurralam terroristas

Os atos golpistas de 8 de janeiro, que completam um mês nesta quarta-feira, agravaram a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cercado por investigações sobre suspeitas de elos com a intentona. Bolsonaro está seriamente ameaçado de perder seus direitos políticos e mesmo de ser preso. Reportagem publicada nesta quarta-feira na Folha de S.Paulo destaca que “o ataque às sedes dos três Poderes, em Brasília, reforçou a avaliação petista de infiltração bolsonarista nas Forças Armadas e em outros órgãos do aparato de segurança nacional” Nesta terça-feira (7), Lula disse que “lamentavelmente o Exército de Caxias foi transformado no Exército de Bolsonaro”. Depois da intentona golpista de 8 de janeiro, Lula demitiu o comandante do Exército, general Júlio Cesar de Arruda, que foi substituído pelo general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, que dias antes de ser anunciado fez um discurso incisivo de defesa da institucionalidade, pedindo o respeito ao resultado das eleições e reafirmando o Exército como ente apolítico e apartidário. Lula tem intensificado seu discurso contra a politização das Forças Armadas e disse que carreiras de Estado não podem se transformar em “partido político” e responsabilizou Bolsonaro diretamente pelos movimentos golpistas. “Esse cidadão preparou o golpe”, disse o presidente em entrevista na semana passada. “Eu tenho certeza que o Bolsonaro participou ativamente disso e ainda está tentando participar.”