A culpa é do Exército, diz Ibaneis Rocha, sobre terrorismo em Brasília

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), deu depoimento à Polícia Federal (PF) sobre sua suposta participação na invasão e depredação das sedes dos três Poderes. Em sua declaração, ele afirmou que o Exército impediu a remoção do acampamento de manifestantes radicais que estavam em frente ao Quartel-General do Exército. Segundo Ibaneis, a retirada das barracas foi iniciada no dia 29 de dezembro, mas logo em seguida foi interrompida por ordem do Comando do Exército. Ibaneis Rocha foi afastado do cargo por 90 dias, por determinação do STF, enquanto a investigação sobre sua possível responsabilidade na invasão e depredação dos prédios públicos continua. Em síntese, Ibaneis disse à PF que o governo do DF manteve contato com os comandantes militares para organizar uma retirada pacífica dos acampados, e que a equipe de transição do governo Lula estava ciente da oposição do Exército. Por outro lado, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a abertura de um inquérito para apurar a suposta participação de Ibaneis Rocha no frustrado golpe de Estado, no domingo 8 de janeiro.
Deputados federais que defenderam ou minimizaram o terrorismo em Brasília

Conheça os nomes e os rostos dos 46 parlamentares favoráveis aos atos golpistas de domingo ou à impunidade dos terroristas (Ilustração: The Intercept Brasil) Por Nayara FelizardoNayara Felizardo – The Intercept Brasil UM LEVANTAMENTO feito pelo Intercept identificou 46 deputados federais eleitos em 2022 que defenderam, incentivaram ou ao menos tentaram justificar de alguma forma os ataques terroristas do último domingo. Dez deles apoiaram abertamente os golpistas, como se eles se manifestassem por causas legítimas; 24 procuraram disfarçar o apoio, minimizando os protestos, desviando o foco das acusações ou culpando “infiltrados de esquerda”; e outros 12 foram contrários às prisões dos terroristas, chegando a alegar a ocorrência de violações – não comprovadas – de direitos humanos. A lista poderia ser bem maior, pois vários parlamentares endossaram um tuíte de Jair Bolsonaro relativizando os atos. Destacamos, no entanto, apenas os casos mais expressivos, como os deputados que, mesmo tendo repudiado os atos oficialmente, divulgaram mensagens que colocam em dúvida se o repúdio foi genuíno. Independentemente da estratégia utilizada no momento de se pronunciarem publicamente sobre o terrorismo, todos os deputados citados deixaram de lado a defesa irrestrita da democracia. Boa parte dos parlamentares bolsonaristas que criticaram os atos de domingo só o fizeram por causa do vandalismo e da violência. No entanto, mesmo que o protesto tivesse sido pacífico, ainda seria antidemocrático, assim como eram os acampamentos na frente dos quartéis. Afinal, a motivação dos golpistas sempre foi contrariar o resultado de uma eleição e impor sua vontade contra a da maioria dos brasileiros. Entre os defensores do terrorismo, está o deputado Sargento Gonçalves, do PL do Rio Grande do Norte. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, ele mandou uma mensagem para os “policiais militares de todo o Brasil, em especial aos policiais integrantes das forças de segurança pública do Distrito Federal”, pedindo que eles tivessem “muita sabedoria e serenidade, muita cautela na hora de agir contra os cidadãos que invadiram o Congresso Nacional”. O deputado que incentiva os policiais a serem coniventes com a depredação dos prédios públicos dos Três Poderes defendeu que os invasores “não são bandidos”. O Sargento Gonçalves também postou um vídeo do momento em que a multidão invadia o Congresso Nacional e escreveu na legenda que “todo poder emana do povo”. Outro defensor dos atos golpistas foi o cearense André Fernandes, do PL. Pouco antes da meia-noite de sábado para domingo, ele postou no Twitter que ia acontecer, na Praça dos Três Poderes, “o primeiro ato contra o governo Lula” e avisou que estaria lá. Depois, publicou uma foto da porta do gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que foi arrancada pelos terroristas, e escreveu na legenda: “quem rir vai preso”. Após a má repercussão, o deputado negou que estivesse no protesto e excluiu as postagens. Quem também está no grupo dos defensores é a deputada bolsonarista Silvia Waiãpi, do PL do Amapá. Ela publicou ao menos três vídeos mostrando os golpistas em ação. Um deles é do momento em que um policial da cavalaria é derrubado e seu cavalo é ferido com barras de ferro. Outros deputados federais que defenderam abertamente o terrorismo de domingo foram o monarquista Luiz Philippe de Orleans e Bragança e o delegado Paulo Bilynskyj, ambos do PL de São Paulo. De Pernambuco, temos a deputada Clarissa Tércio, do PP, e o Coronel Meira, do PL. Bia Kicis e José Medeiros, respectivamente do PL do Distrito Federal e do Mato Grosso, também estão na lista, assim como Ricardo Barros, ex-ministro da Saúde de Michel Temer e ex-líder do governo Bolsonaro na Câmara, do PP do Paraná. Em uma entrevista para a CNN, Barros apoiou a ação dos terroristas. “As pessoas estão aí de cara limpa, não estão encapuzadas. Por que isso? Porque elas acham que a eleição foi roubada”, disse. Muitos deputados federais publicaram notas de repúdio contra os protestos violentos, mas várias de suas postagens nas redes sociais revelam que eles são, na verdade, simpatizantes disfarçados do terrorismo. Eduardo Bolsonaro, por exemplo, postou no Instagram o print de um tuíte do pai. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que fugiu para os Estados Unidos às vésperas da posse de Lula, criticou as “depredações e invasões de prédios públicos”, comparando manifestações legítimas da esquerda com os atos golpistas de domingo. A postagem também foi reproduzida por vários deputados bolsonaristas. Dos 24 simpatizantes disfarçados, 17 são do PL, partido que falhou em reeleger Bolsonaro em outubro. Um desses parlamentares é o mineiro Nikolas Ferreira, deputado mais votado do Brasil. Os demais são do PSDB, Novo, MDB, União Brasil, PP, Avante e Republicanos. Entre eles, estão os que culparam o Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes ou o próprio Congresso pelos atos violentos. Um exemplo é o deputado federal Vicentinho Júnior, do PP de Tocantins. Ele gravou um vídeo colocando em dúvida a já comprovada segurança das urnas eletrônicas e insistindo na falácia do voto impresso. O levantamento identificou também 12 deputados federais que defendem impunidade para terroristas e quem atenta contra a democracia, principalmente os que estavam acampados no Quartel-General do Exército em Brasília e foram levados para a Academia Nacional da Polícia Federal. Eles alegam que os direitos humanos dessas pessoas estão sendo desrespeitados e chegam ao cúmulo de comparar o local para onde elas foram conduzidas a “campos de concentração” nazistas. O deputado Osmar Terra, do MDB do Rio Grande do Sul, chegou a divulgar a falsa informação de que uma idosa havia morrido. Terra é ex-ministro do Desenvolvimento Social de Temer e ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro. Já o deputado Carlos Jordy, do PL do Rio de Janeiro, acusou o presidente Lula, o ministro da Justiça Flávio Dino e o “Xerife” – apelido que bolsonaristas deram a Alexandre de Moraes – de “abuso de autoridade”. A Polícia Militar do Distrito Federal conduziu mais de 1,5 mil pessoas suspeitas de envolvimento no terrorismo protagonizado por bolsonaristas no último domingo. De acordo com a Polícia Federal, todos os detidos receberam “alimentação regular (café da manhã, almoço, lanche e jantar), hidratação e atendimento médico quando necessário”. Várias entidades, como a Ordem dos Advogados do Brasil, acompanham os procedimentos. Após os trâmites realizados
Da Flórida, Bolsonaro compartilha vídeo com ataques ao STF, TSE e Lula

Canalha insufla golpistas em meio a alerta de novos ataques terroristas – Bolsonaro, Ibaneis e Anderson Torres/Foto:Divulgação Mentor dos ataques terroristas em Brasília ocorridos no domingo, dia 8, Jair Bolsonaro usou seu perfil no Facebook para atacar o resultado das urnas e insuflar o terrorismo. Na noite desta terça-feira, ele compartilhou vídeo do procurador de extrema-direita do Mato Grosso do Sul Felipe Gimenez alegando que Lula foi “escolhido pelo serviço eleitoral e pelos ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral”. A AGU alertou o STF sobre “nova tentativa de ameaça ao Estado democrático de Direito”. Em petição enviada ao ministro Alexandre de Moraes, o governo Lula pediu que as forças de segurança pública do todo o país sejam oficiadas a tomarem medidas preventivas contra possíveis invasões a prédios públicos e bloqueios de vias durante a “Mega Manifestação Nacional pela Retomada do Poder”. O evento deve ser realizado nesta quarta-feira, dia 11. O Estado deve “ser salvaguardado e protegido, evitando-se para tanto o abuso do direito de reunião, utilizado como ilegal e inconstitucional invólucro para verdadeiros atos atentatórios ao Estado democrático de Direito”, afirma a AGU. Nas imagens divulgadas pelo delinquente atualmente na Flórida, Gimenez aparece relatando que aponta erros no sistema eleitoral brasileiro desde 1996, mas nunca recebeu atenção. “Como é que você pode ter certeza de que uma imagem que um software mostra numa tela pra você é igual aquilo que saiu da sua consciência? A imagem que você vê é produzida pelo software, que não está sob seu controle, que não foi escrito por você, que não é verificado por você”, questiona. Lula, declara, “não foi eleito pelo povo brasileiro” e sim “foi escolhido pelo serviço eleitoral”. Também tenta estabelecer uma relação entre a laicidade do Estado para dizer que, dessa forma, “ninguém é obrigado a confiar em servidor público”. Bolsonaro precisa ser preso. Urgentemente. Fonte: DCM
Moraes determina prisão de Anderson Torres, ex-ministro de Bolsonaro

Retorno de Anderson Torres dos EUA estava previsto para o fim do mês. Polícia Federal deve cumprir a prisão no momento da chegada de Torres ao Brasil O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a prisão do ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL) Anderson Torres. Torres reassumiu o comando da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal no dia 2 de janeiro e viajou de férias para os EUA cinco dias depois. Ele não estava no Brasil no domingo (8) quando bolsonaristas atacaram os prédios do STF, Congresso e Palácio do Planalto. O ex-ministro ainda está nos EUA. O retorno estava previsto para o fim do mês. A Polícia Federal deve cumprir a prisão no momento da chegada de Torres ao Brasil. Ainda no domingo (8), ele foi exonerado pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). A decisão foi dada em resposta a pedido do advogado-geral da União, Jorge Messias, que pediu a detenção em flagrante de Torres e de demais agentes públicos que tiveram participação ou se omitiram para facilitar a invasão dos prédios dos Três Poderes. O pedido cita a violação ao Estado Democrático de Direito como base para solicitar a prisão. A AGU ainda solicitou a investigação e responsabilização civil e criminal dos responsáveis de atos ilícitos neste domingo, sendo “indispensável a determinação de apreensão de todos os veículos e demais bens utilizados para transporte e organização dos atos criminosos”. Os pedidos foram encaminhados a Moraes, que é relator das investigações sobre atos antidemocráticos no STF. Nesta terça (10), o interventor na Segurança Pública do Distrito Federal, Ricardo Capelli afirmou que a manifestação golpista promovida por militantes bolsonaristas foi possível por causa da “operação de sabotagem” nas forças de segurança locais, naquele momento comandadas Torres. A afirmação também foi feita pelo atual ministro da Justiça, Flávio Dino. Segundo ele, o efetivo da PM na Esplanada no dia dos ataques era menor do que o necessário para conter os golpistas. “Havia um efetivo planejado e um efetivo real, em um certo momento esse efetivo era 3 ou 4 vezes menor que o planejado. Por que aconteceu isso? Realmente a cadeia de comando da polícia do DF que vai responder”, disse Dino. Integrantes do governo federal relatam à reportagem que, no sábado (7), foi realizada uma reunião com representantes da segurança do DF. Nesse encontro, segundo essas pessoas, o governo de Ibaneis Rocha (MDB) garantiu a segurança da Esplanada dos Ministérios. À Folha de S.Paulo, no domingo (8), Torres se defendeu e afirmou que não foi leniente. “Não houve leniência, é a primeira vez que tiro férias em muito tempo. O planejamento foi feito”, disse. O ex-ministro também afirmou que há mentiras sendo contadas. “Não vim para os EUA para encontrar Bolsonaro. Não me encontrei com ele em nenhum momento. Estou de férias com a minha família. Não houve nenhuma trama para que isso [os atos golpistas] ocorresse”, declarou. No começo da madrugada de segunda (9), o ex-ministro divulgou um pronunciamento nas redes sociais no qual diz que os atos de vandalismo em Brasília foram “um dos pontos mais tristes dos últimos anos da nossa história”. Ele também negou que teria sido conivente com o que ocorreu. “Lamento profundamente que sejam levantadas hipóteses absurdas de qualquer tipo de conivência minha com as barbáries que assistimos”, afirmou em texto. Antes de ser exonerado, ele já estava na mira do governo Lula e integrantes do Supremo, que temiam pela atuação dele na secretaria. Na semana passada, o ministro Flávio Dino (Justiça) editou uma norma que abria espaço para que ele não permanecesse à frente do órgão do DF. Segundo a regra, qualquer servidor vinculado ao Ministério da Justiça que respondesse a inquéritos, ações penais e processos administrativos, entre outros, não poderia ser cedido a outro órgão. Torres, que é policial federal, também já estava na mira das investigações relatadas por Alexandre de Moraes (STF). Ele foi ouvido e apontado como um dos envolvidos na organização da live de 29 de julho de 2021 quando o então presidente Jair Bolsonaro levantou suspeita sobre a segurança das urnas sem apresentar provas.
Moraes manda prender ex-comandante da Polícia Militar do DF

Fabio Augusto Vieira. era o responsável pelo comando da corporação no domingo (8), quando bolsonaristas radicais destruíram os interiores dos prédios do Congresso — Foto: Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta terça-feira (10) a prisão do ex-comandante da Polícia Militar do Distrito Federal Fabio Augusto Vieira. O militar era o responsável pelo comando da corporação no domingo (8) quando apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) invadiram o Congresso Nacional, o STF e o Palácio do Planalto. Autoridades do Judiciário, do Legislativo, do Executivo e uma parte da sociedade civil têm acusado a polícia do Distrito Federal de omissão no dia dos atos de vandalismo. A decisão de Moraes pode ter consequência sobre o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que era secretário de Segurança do Distrito Federal, mas foi demitido após ser acusado de omissão nos ataques ao patrimônio público. A Advocacia-Geral da União pediu a prisão de Torres. O Supremo afastou Ibaneis Rocha (MDB) – o emedebista não comandará o GDF por 90 dias e disse que respeita a decisão do Supremo.
Congresso aprova intervenção federal na segurança pública do DF

Deputados e Senadores aprovaram o decreto de intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após as invasões aos prédios do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF), no domingo (8), com quebradeira e destruição do patrimônio público, o presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), determinou a suspensão do recesso parlamentar para analisar o decreto. A intervenção entra em vigor imediatamente e tem duração prevista até 31 de janeiro. O governo federal nomeou, como interventor, o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli. Com isso, a União assume as funções da segurança pública no Distrito Federal durante o período. A votação na Câmara dos Deputados aconteceu na manhã desta segunda-feira (09) e se deu de maneira simbólica, sem que os parlamentares registrem o voto no sistema. Apenas o PL e o partido Novo não orientaram voto favorável à matéria. Ambas as legendas liberaram as bancadas. Segundo a assessoria da Câmara, os equipamentos do plenário foram periciados e se encontram em perfeito estado. O espaço não chegou a ser invadido. Um grupo conseguiu entrar nas galerias e na tribuna de honra, chegando a quebrar um painel de vidro que caiu no plenário. Uma mesa de votação sofreu danos, mas já foi consertada. Já o Senado também aprovou de forma rápida e simbólica, a votação o decreto na manhã desta terça-feira (10) sobre a intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal (DF). O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que interrompeu as férias na França e ontem retornou a Brasília, comandou a sessão. Apesar de já estar em vigor desde domingo (8), a intervenção precisava ser confirmada pelo Congresso Nacional. O relator da matéria na Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), ressaltou a necessidade da medida, que classificou de “excepcional e dura, mas necessária, face aos atos gravíssimos de vandalismo ocorridos no domingo no Distrito Federal, que, infelizmente, todos presenciaram, permeados pela completa desordem, sim, desordem pública e insegurança para toda a população”, disse Alcolumbre. A medida, que será promulgada pelo Congresso Nacional, teve oito votos contrários dos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Carlos Viana (PL-MG), Carlos Portinho (PL-RJ), Luiz Carlos Heinze (PP-RS), Eduardo Girão (Podemos-CE), Plínio Valério (PSDB-AM), Styvenson Valentim (Podemos-RN) e Zequinha Marinho (PL-PA), todos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para preservar Pazuello, Múcio quer divulgar em ordem alfabética os sigilos de Bolsonaro

José Múcio (ao centro) com comandantes na cerimônia de posse nesta segunda-feira, 02/01. Foto: Ministério da Defesa/Divulgação Por Kennedy Alencar, no UOL O ministro da Defesa, José Múcio, pediu que o sigilo de dados impostos pelo governo Bolsonaro seja liberado em ordem alfabética. A solicitação, feita na reunião ministerial da sexta-feira passada, tem como objetivo adiar a divulgação de informações secretas sobre Eduardo Pazuello, que foi ministro da Saúde de Jair Bolsonaro durante a pandemia. Levando em conta o sobrenome do ex-ministro, os dados demorariam mais a vir a público do que caso prenomes fosses adotados como critério de divulgação. O pedido de Múcio foi uma tentativa de ceder aos militares da ativa e negociar relação moderada com as Forças Armadas. Um processo disciplinar que livrou Pazuello de punição por ter participado de um ato político ao lado de Bolsonaro teve o sigilo decretado por cem anos. A revelação exporia proteção do Exército a um membro da ativa que contrariou normas militares quando ministro de Estado. Ou seja, não seria só Pazuello que ficaria mal publicamente. Desde a transição, o ministro da Defesa conseguiu convencer Lula a seguir um caminho que evitasse contrariar militares da ativa que têm simpatia por Bolsonaro. A estratégia estava sendo adotada pelo presidente até os ataques do último domingo. De ontem para hoje, Lula mudou sua avaliação e entende que Múcio fracassou na condução de tentativas de acordo com as Forças Armadas. Nesta segunda-feira, Lula mudou o tom em relação aos militares durante reunião.
Lula lidera caminhada com governadores até o STF, destruído por terroristas

RESPOSTA AO TERRORISMO – Na caminhada, Lula deu as mãos a Rosa Weber, presidente do STF, mandando recado claro para golpistas – Créditos: André Góis/ Equipe Fatima Bazerra Após reunião com governadores, presidentes do Congresso Nacional e ministros do Supremo Tribunal Federal em que as respostas ao terrorismo bolsonarista foram a pauta, o presidente Lula (PT) liderou uma histórica e simbólica caminhada pelo prédio do STF, principal alvo dos ataques. Na caminhada, Lula deu as mãos a Rosa Weber, presidente do STF. “Muito simbólica a caminhada de Lula, Janja, Rosa Weber e os governadores saindo do Planalto em direção ao STF. É um recado aos golpistas. Não mais tolerado nenhum ato terrorista em nome do genocida”, repercutiu a deputada federal Talíria Petrone. À imprensa, o ministro Luis Roberto Barroso comentou os ataques e disse ser muito doloroso ver o Supremo na condição em que se encontra. “Nossa preocupação agora é reconstruir o Supremo e, para isso, devemos também punir os responsáveis pelo estrago”, afirmou. O ministro ainda disse que o episódio envergonhou o Brasil diante do mundo. Já o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou durante a caminhada que a crise está solucionada. “Temos evidentemente as marcar terríveis mas podemos afirmar que há uma normalidade institucional no país e essa reunião de hoje reafirma que há uma ampla união e que a paz institucional restabelecida será duradoura”, afirmou.
Ir para hospital não livrará Bolsonaro dos efeitos do 8 de janeiro

Tem toda a “pinta” de que a internação de Jair Bolsonaro num hospital de Orlando, na Flórida, seja mais uma das vezes em que os seus problemas de saúde servem como válvula de escape de situações políticas difíceis. Por Fernando Brito – Tijolaço Embora com poucas perspectivas jurídica de prosperarem, as duas ações impetradas hoje – pelo senador Renan Calheiros e pelo PDT – pedindo que ele seja incluído no inquérito dos atos antidemocráticos que corre no STF e que seja ordenado seu retorno dos Estados Unidos, para ficar à disposição da Justiça brasileira, dão forma à inevitável responsabilização política que vem a ele pelos atos praticados ontem contra os três poderes da República. O início da responsabilização judicial de seus agentes no ataque terrorista às instituições só agravará esta situação. Dos “bagrinhos” que, às centenas, caíram a rede dos inquéritos abertos em Brasília aos personagens “tubarão”, como o delegado Anderson Gomes e o governador Ibaneis Rocha, serão poucos os que negarão que o chamado de Bolsonaro foi quem os levou aos atos de ontem. E também os que financiaram a jornada do terror vão assumir que fizeram isso sem pedidos de gente graúda. Mesmo que, de início, possa haver certa cautela do STF em trazer, diretamente, o nome do ex-presidente para as ações, isso será inevitável com a ação da CPI que já tem número e condições políticas de ser instalada no Senado e que tem todos os ingredientes para ser um show de escândalos, como foi a da Covid. Há muita gente bem informada em Brasília que dá como questão de tempo que Jair Bolsonaro se torne inelegível, embora não um preso, para reduzir seu vitimismo. É cedo para dizer se ocorrera isso, mas nã para afirmar que sua capacidade de liderar a oposição, em grande parte, esvaiu-se. Setores do “Centrão” que, embora atraídos pelo governismo, tendiam a ser hostis a Lula pensando no eleitorado antipetista já falam abertamente que Bolsonaro escolheu ficar com a “seita” extremista. Lula ganhou, involuntariamente, um respiro nas pressões imensas que já se desenhavam. Precisa aproveitá-lo, sem precipitações.
Alexandre de Moraes afasta Ibaneis do governo do DF por 90 dias

Moraes determinou ainda a desocupação e dissolução total, em 24 horas, dos acampamentos bolsonaristas O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu na madrugada desta segunda-feira (9) afastar o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), do cargo por 90 dias. A decisão vem após as invasões de terroristas bolsonaristas às sedes do Supremo, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto, no domingo (8). Segundo Moraes, “o descaso e conivência” de Anderson Torres “com qualquer planejamento que garantisse a segurança e a ordem” no Distrito Federal “só não foi mais acintoso do que a conduta dolosamente omissiva do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha”. Ibaneis, escreveu Moraes, “não só deu declarações públicas defendendo uma falsa ‘livre manifestação política em Brasília’ —mesmo sabedor por todas as redes que ataques às instituições e seus membros seriam realizados— como também ignorou todos os apelos das autoridades para a realização de um plano de segurança semelhante aos realizados nos últimos dois anos em 7 de setembro, em especial, com a proibição de ingresso na esplanada dos Ministérios pelos criminosos terroristas; tendo liberado o amplo acesso”. Moraes determinou ainda: A desocupação e dissolução total, em 24 horas, dos acampamentos nas imediações dos quartéis-generais e outras unidades militares e prisão em flagrante de seus participantes; A apreensão e bloqueio de todos os ônibus identificados pela PF que trouxeram os terroristas para o Distrito Federal; A desocupação em até 24 horas de todas as vias e prédios públicos estaduais e federais de todo o país; A proibição imediata, até o dia 31 de janeiro, de ingresso de qualquer ônibus e caminhões com manifestantes no Distrito Federal; Manda a Agência Nacional de Transportes Terrestres manter e enviar os registros de todos os veículos, inclusive telemáticos, que entraram no Distrito Federal entre 5 a 8 de janeiro; Manda a PF obter todas as câmeras de segurança do Distrito Federal que possam auxiliar na identificação dos terroristas e obter, junto a hoteis e hospedarias, a lista e identificação de manifestantes que chegaram a Brasília desde quinta-feira passada (5); Requisita ao TSE que utilize o acesso a dados de identificação civil mantidos no tribunal para contribuir na identificação e localização dos envolvidos nos atos terroristas; Manda o Facebook, TikTok e Twitter bloquearem cerca de 18 perfis nas redes sociais. (Com informações do UOL).