‘Forças Armadas e Itamaraty se atolam na lama junto com Bolsonaro, o golpista’, diz editorial da Folha

Jornal também aponta a omissão e a cumplicidade de Lira nos ataques de Bolsonaro à democracia: “acomoda-se ao casamento de interesses com o Planalto” Após a reunião de Jair Bolsonaro (PL) com embaixadores na segunda-feira (18), no Palácio da Alvorada, para atacar e mentir sobre as urnas eletrônicas, o sistema eleitoral e a democracia brasileira, a Folha de S. Paulo publica nesta terça-feira (19) um editorial duro contra as investidas golpistas e autoritárias do chefe do Executivo. O texto aponta a cumplicidade de “Organizações de Estado que construíram reputação de profissionalismo ao longo das últimas décadas”. As Forças Armadas e o Itamaraty, por exemplo, argumenta o jornal, “se atolam na lama da marcha autoritária” e “se metem em conspiratas contra as urnas eletrônicas”. Ao convidar embaixadores de todo o mundo para que assistissem à sessão golpista de Bolsonaro, a chancelaria brasileira, afirma a Folha, ‘rebaixou-se às fossas da conivência golpista’.
Bolsonaro usa militares como “leões de chácara” – Por Fernando Brito*

Em todos os jornais, diz-se que os embaixadores, diante do show de Jair Bolsonaro sobre um delirante complô de ministros do TSE e do STF para fraudarem as eleições, viram no espetáculo um ensaio trumpista do presidente brasileiro para insurgir-se contra o resultado das urnas. Assim é, mas com uma e decisiva diferença: Donald Trump não tinha o apoio dos chefes militares dos EUA e, por isso, não surgiu uma quartelada para apoiar os selvagens do Capitólio, ainda que, como revelaram as investigações posteriores, tenha havido algum retardo no emprego da Guarda Nacional para deter a tentativa de golpe arruaceira que seus adeptos promoveram. Aqui, ao contrário, o que se vê é uma inadmissível subversão da ordem democrática promovida por eles, ao servirem-se de uma suposta “preocupação tecnológica” para, na prática, prestarem-se a serem exibidos como “leões de chácara” da ordem bolsonarista, não a republicana. E, agora, exibirem-se internacionalmente como tal, quando Bolsonaro se apresenta como sendo ele próprio sendo “as Forças Armadas”. O “nós”, repetido profusamente por Bolsonaro ao referir-se a elas, não deixa dúvidas a ninguém e, muito menos, aos altos oficiais das Armas. Se o alto comando das Forças Armadas entende que a chefia suprema das Forças Armadas leva os comandos militares a serem seus partidários político-eleitorais, são, por extensão, golpistas também. Nada, nos seus regulamentos e limitações legais, os impede de, institucionalmente, de pronunciarem a sua disposição a acatarem os resultados das urnas, apurados e proclamados pelas autoridades eleitorais competentes. Ao contrário, faz parte de seus deveres. Não cumprir com estes deveres, ainda mais quando são apresentadas ao mundo como um força golpista, isto sim é atacar as Forças Armadas, exibidas internacionalmente como cúmplice dos planos golpistas de um presidente que, do princípio ao fim, percorre todos os capítulos da lei de crimes de responsabilidade. E que se apresentam, silentes e perfiladas a crimes maiores, os crimes de sangue que advirão de uma insurreição de bandos armados que, de dentes à mostra, acorrerão ao uivo de Bolsonaro na derrota que se avizinha. * Editor do Tijolaço
Casos de violência política disparam no país em 2022, mostra pesquisa

Com aumento de 23%, foram contabilizados 174 episódios que incluem ameaças, agressões e atentados contra políticos e familiares Os números registrados pelo Observatório da Violência Política e Eleitoral, formado pelo Grupo de Investigação Eleitoral da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (GIEL/UNIRIO), que monitora a dinâmica e o impacto da violência na democracia brasileira desde janeiro de 2019, mostram que os casos de violência política e eleitoral registrados no Brasil em 2022 cresceram 23% em relação ao mesmo período de 2020. Naquele ano, em que foram realizadas as eleições municipais, foram contabilizados 174 episódios de janeiro a junho, que incluem ameaças, agressões e atentados contra políticos e seus familiares, assim como o que culminou na morte de guarda municipal petista, neste domingo, em Foz do Iguaçu (PR). Agora, em 2022, já são 214 casos nos primeiros seis meses. O relatório mais recente mostra que, de abril a junho deste ano, foram contabilizados 101 episódios, o que representa um aumento de 17,4% no número de casos em relação ao mesmo período em 2020. Ao todo, foram registradas 24 mortes em 14 estados ao redor do Brasil. A maioria dos homicídios aconteceu justamente no Paraná, que registrou quatro casos desse tipo, índice considerado incomum para o estado até então. Se considerados todos os tipos de violência política e eleitoral, no entanto, é São Paulo que lidera com 17 ocorrências, seguido por Bahia e Rio de Janeiro, com 10 cada um, Minas Gerais (8) e Paraná (7). Não foram identificados casos no Acre, Alagoas, Amapá e Roraima. As ameaças foram o tipo de violência mais frequente. Ao todo, 37 lideranças sofreram algum tipo de intimidação. Em seguida, aparecem as agressões, com 27 casos, os homicídios com 19 casos, nove atentados, cinco homicídios de familiares, dois sequestros, e também dois sequestros de familiares. E apesar de o Paraná ter registrado o maior número de assassinatos, a região que concentrou mais mortes desse tipo foi o Nordeste, com 10. O boletim mostra que, no último trimestre, 49 vereadores foram alvos de algum tipo de violência, o que representa 48,5% do total. Se somados também os 11 prefeitos, seis funcionários da administração pública, ex-prefeitos, ex-vereadores, um ex-vice-prefeito e ex-candidatos a vereador, essa parcela chega a 83,2% dos casos. Com a aproximação das eleições de 2022, e consequentemente das campanhas eleitorais, também foi notificado um número significativo de violência contra pré-candidatos, o que inclui o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Lula (PT).
Bolsonarista invade festa de guarda municipal de esquerda e o assassina

Assassinado, Marcelo Arruda era tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu (PR). O guarda municipal Marcelo Arruda morreu na madrugada deste domingo (10) em sua festa de 50 anos de idade, em Foz do Iguaçu (PR), após levar três tiros do bolsonarista Jorge José da Rocha Guaranho, da Polícia Penal Federal (PPH). Arruda havia sido candidato a vice-prefeito da cidade pelo PT em 2020. Era tesoureiro do partido em Foz. De acordo com a Revista Fórum, o bolsonarista parou seu carro próximo de onde acontecia a comemoração, aos gritos de “é Bolsonaro, seus filhos da puta”. Depois Arruda foi até seu carro e pegou seu revólver funcional, afirmando a uma pessoa da festa, “vai que esse maluco volta mesmo, eu não vou ficar desprevenido”. O bolsonarista assassino voltou e invadiu o local de arma em punho. “Uma tragédia fruto da intolerância dessa turma”, afirmou a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR).
Eleição 2022 – Saída de Ciro Gomes da corrida eleitoral evitará segundo turno

Com rejeição crescente, Ciro Gomes diz que o povo brasileiro pode tirá-lo da disputa presidencial Empatado tecnicamente com Bolsonaro no quesito rejeição, o presidenciável Ciro Gomes apontou uma hipótese para sair da disputa presidencial, num tweet publicado em sua rede. Ciro disse que não pretende desistir, mas que o povo pode tirá-lo da disputa. Sem aliados, ele tem tido dificuldades para construir palanques nos estados. Confira seu post: Minha pré-candidatura é sim pra valer. Não estou nessa porque é fácil, tenho experiência o suficiente pra saber o quão difícil é. Mas também tenho muita humildade pra apostar na inteligência da nossa gente. Então não tem nada que me tire dessa disputa a não ser o povo brasileiro. — Ciro Gomes (@cirogomes) July 6, 2022 Pesquisa presencial Quaest, contratada pelo banco Genial, divulgada nesta quarta-feira (6) mostra que o pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, se aproxima de Jair Bolsonaro (PL) no quesito rejeição. Bolsonaro lidera o ranking dos mais rejeitados, com 59%. Ciro Gomes aparece em seguida, com apenas quatro pontos de diferença: 55%. O ex-presidente Lula (PT), que lidera as intenções de voto, com 45%, aparece em terceiro lugar no quesito rejeição, com 41%.
Adeus ao cardeal dos operários, do ambiente e da democracia, dom Cláudio Hummes

Religioso, que é lembrado por sua atuação durante as greves dos metalúrgicos do ABC, também foi defensor dos povos indígenas. E alertava para a degradação ambiental Morreu na manhã desta segunda-feira (4), aos 87 anos, o cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo. Primeiro presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama), cargo ao qual renunciou em março, ele também é sempre lembrado por sua atuação durante as greves dos metalúrgicos na região do ABC paulista entre o final dos anos 1970 e início dos 1980. Em dezembro de 1975, havia tomado posse como bispo da Diocese de Santo André. Gaúcho de Montenegro, dom Cláudio Hummes completaria 88 anos em 8 de agosto. Em 1952, ingressou na ordem dos franciscanos. Ordenado padre seis anos depois, em Divinópolis (MG), tornou-se doutor em Filosofia após um período de estudos em Roma, e em maio de 1975, bispo em Porto Alegre, alguns meses de se transferir para o ABC. Também foi responsável pela Pastoral Operária. Pesar e esperança O anúncio da morte do religioso, que tinha câncer do pulmão, foi feito em nota de “pesar e esperança” pelo cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo. Seu corpo será velado na Catedral Metropolitana, na praça da Sé, região central da capital paulista. Dom Cláudio tinha “um grande coração pulsante – e não há retórica em dizer isso – pelos pobres”, escreveu o Vatican News. Nessa lista, estão os povos indígenas da Amazônia, missionários e leigos que atuam na região, “sedentos e famintos”, operários e vítimas das mudanças climáticas. “Ele os tinha em mente o tempo todo, mesmo nas últimas votações do Conclave de 2013 que elegeu o arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio. Ao amigo argentino, sentado ao seu lado, quando alcançou o número de votos necessários para ser eleito, sussurrou-lhe ao ouvido: ‘Não se esqueça dos pobres’.” Em 1996, foi nomeado arcebispo de Fortaleza, e dois anos depois, arcebispo metropolitano de São Paulo. Nomeado por João Paulo II, lá ficou até 2006. O mesmo papa nomeou-o cardeal em 21 de fevereiro de 2001. Em 2013, era um dos cardeais na praça de São Pedro ao lado de Mario Jorge Begoglio quando este foi eleito e passou a ser o papa Francisco. Foi presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) e um dos relatores da Assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, evento convocado pelo papa em 2019. Crise ambiental e futuro Dom Cláudio alertava para a “grave crise climática e ecológica” mundo. Que punha em risco “o futuro do planeta e, portanto, o futuro da humanidade”. Ele criticou o decreto presidencial que, em 2017, extinguiu a Reserva Nacional de Cobre e seus Associados (Renca), uma área que engloba nove áreas protegidas, uma ação que, segundo ele, “vilipendia” a democracia brasileira. O religioso também afirmou: “Aos povos indígenas devem ser restituídos e garantidos o direito de serem protagonistas de sua história. Sujeitos e não objetos do espírito e da ação do colonialismo de ninguém”.
Oposição protocola requerimento para criação da CPI do MEC, com 4 assinaturas a mais

Liderada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a oposição protocolou no início da tarde desta terça-feira (28) o requerimento para criação da CPI do MEC, que visa investigar o possível esquema de corrupção na pasta durante a gestão Milton Ribeiro, que contou com a ajuda dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos. Cabe ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), instalar a comissão. “No dia de hoje, a oposição protocola requerimento para instalação de CPI para averiguar o conjunto de irregularidades de que se tem notícia desde março no âmbito do Ministério da Educação. Este requerimento, que já contou com 29 assinaturas e, a partir de uma ação coordenada do governo ainda no mês de abril, tivemos a retirada de algumas dessas assinaturas, a partir dos últimos acontecimentos, em decorrência da prisão do senhor ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, conseguimos, finalmente, as assinaturas que restavam. Esse requerimento é protocolado no dia de hoje com 30 assinaturas”, contou Randolfe Rodrigues. O mínimo necessário para a instalação de uma CPI no Senado são 27 assinaturas. Segundo o parlamentar, assinaram o requerimento “ainda há pouco” os senadores Marcelo Castro (MDB-PI) e Confúcio Moura (MDB-RO). “Temos ainda a expectativa de contarmos com a assinatura de outros dois colegas senadores”, contou. Enquanto Randolfe Rodrigues ainda concedia entrevista coletiva, o senador Jarbas Vasconcelos (MDB-PE) também assinou o pedido de CPI, segundo a CNN Brasil. O requerimento, portanto, chegou a 31 assinaturas. “É um requerimento robusto, mostrando que há um desejo no Senado de que este esquema escandaloso que se instalou no Ministério da Educação tenha uma séria investigação”, afirmou Randolfe. O senador destacou que as investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público estão “sob forte ameaça” por parte do governo Jair Bolsonaro (PL) e que o objetivo da CPI é protegê-las. “É de conhecimento de todos, em áudio do próprio senhor Milton Ribeiro, de que o presidente da República interveio de forma clara para impedir que a investigação avançasse, em um claro crime, conforme o Código Penal, de obstrução às investigações e uso de informações privilegiadas. Além disso, outros elementos precisam ser investigados por essa CPI”.
A cada aborto legal, 11 meninas são internadas por sequelas de procedimentos clandestinos

A comparação sugere uma alta ocorrência de complicações nos abortos realizados fora do ambiente hospitalar Agenda do Poder – A cada aborto legal feito em meninas de 14 anos ou menos no Brasil, outras 11 precisaram ser hospitalizadas em decorrência de interrupções de gravidez provocadas ou espontâneas em 2021. O levantamento foi realizado pela Folha com dados de registros hospitalares do SUS (Sistema Único de Saúde). No ano passado, foram registradas 1.556 internações relacionadas a abortos na faixa etária dos 10 aos 14 anos. Apenas 131 delas (8%) ocorreram por causas autorizadas no Brasil: estupro, risco à vida da gestante e anencefalia do feto, esta última por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal). As outras 1.425 internações (92%) ocorreram em razão de abortos espontâneos ou induzidos fora dos hospitais. A frequência foi comparável à dos atendimentos por asma (1.565) ou anemia (1.397). As intervenções autorizadas são a minoria, apesar de a gravidez nessa idade apresentar risco à saude da gestante e de o aborto ser previsto em lei nos casos de estupro, o que automaticamente inclui meninas engravidadas antes de completar 14 anos. Também no ano passado, foram realizados 1.502 procedimentos de curetagem ou aspiração intrauterina, apenas em caráter de urgência, em pacientes da faixa etária dos 10 aos 14 anos. Utilizadas para a retirada de restos de abortamentos incompletos, as duas técnicas estão associadas mais frequentemente às tentativas malsucedidas de interrupção da gravidez do que aos casos naturais. A comparação com o número de internações sugere uma alta ocorrência de complicações nos abortos realizados fora do ambiente hospitalar. Menina que foi estuprada em SC consegue fazer aborto, informa MPF Caso ganhou repercussão nacional, após divulgação de um vídeo em que a juíza e promotora pedem para a criança seguir com a gravidez O Ministério Público Federal (MPF) informou, no começo da tarde desta quinta-feira (23), que o procedimento de interrupção de gestação foi realizado na menina de 11 anos impedida de fazer aborto após estupro em Santa Catarina. De acordo com a assessoria de imprensa, o aborto foi realizado na quarta-feira (22). O hospital havia recebido recomendação do MPF para realizar o procedimento nos casos autorizados por lei, independentemente de autorização judicial, idade gestacional ou tamanho do feto. Em comunicado, o MPF informou que o hospital “comunicou à Procuradoria da República, no prazo estabelecido, que foi procurado pela paciente e sua representante legal e adotou as providências para a interrupção da gestação da menor”. A criança descobriu a gestação quando tinha 22 semanas, foi impedida de realizar o procedimento e levada a um abrigo (entenda abaixo). O caso ganhou repercussão na segunda-feira (20), após uma reportagem do Portal Catarinas e The Intercept. Em nota, o hospital informou que não dá informações sobre os pacientes, em respeito à privacidade, e porque o caso está em segredo de justiça. A advogada da família também não quis se pronunciar. Relembre o caso A menina de 11 anos, que engravidou após estupro, estava sendo mantida pela Justiça em um abrigo em Santa Catarina, para evitar a realização de um aborto. A criança foi levada pela mãe a uma unidade de saúde em Florianópolis dois dias após ter descoberto a gestação. No entanto, como estava com 22 semanas, o Hospital Universitário se negou a realizar o procedimento — na instituição, é permitido aborto até 20 semanas. A situação veio à tona na última segunda-feira (20) após a divulgação de vídeos, pelo Intercepet e Portal Catarinas, que mostram a juíza e a promotora à frente do caso pedindo para que a criança siga com a gravidez. Em entrevista exclusiva ao Diário Catarinense, na terça-feira (21), a juíza Joana Ribeiro defendeu decisão que impediu a menina de fazer o aborto. Em despacho, ela afirmou que o encaminhamento da menina ao abrigo tinha como objetivo protegê-la do procedimento e de possíveis novas agressões. No Brasil, o aborto é permitido em três situações: quando a gravidez é decorrente de estupro, quando há risco à vida da gestante ou quando há um diagnóstico de anencefalia do feto.
Partidos afirmam que PEC de Bolsonaro é tardia e insuficiente para enfrentar a crise que ele criou

“Se temos hoje 33 milhões de brasileiros e brasileiras passando fome, na imensa maioria crianças, a culpa é de um governo que só despertou para a crise a 100 dias das eleições em que será julgado pelo povo”, afirma a nota Os sete partidos que integram a frente Vamos Juntos pelo Brasil divulgaram no início da noite de hoje (24) nota conjunta em que criticam o governo Bolsonaro por não tomar medidas para enfrentar a crise a tempo de impactar positivamente a vida da população. Diz a nota que “o povo brasileiro sabe que Bolsonaro é o responsável pela crise econômica, o desemprego, a inflação, o aumento do custo de vida e a volta da fome e da miséria ao nosso país”. Para os partidos que subscrevem a nota “com o envio dessa PEC ao Congresso, Bolsonaro volta a fugir de suas responsabilidades e transferi-las para outros, assim como ocorreu na pandemia da COVID-19, que ceifou a vida de quase 700 mil pessoas”. Acreditam que as medidas são eleitoreiras e que não terão o efeito desejado pelo governo. “Imaginar que um aumento no valor do Auxílio Brasil, do vale gás e um vale caminhoneiro a 100 dias da eleição vão comprar a consciência e o voto da população não é apenas oportunismo eleitoral: é preconceito e desrespeito à inteligência do povo brasileiro”. Confira a íntegra da nota: PEC DE BOLSONARO É TARDIA E INSUFICIENTE PARA ENFRENTAR A CRISE QUE ELE CRIOU As medidas anunciadas por Jair Bolsonaro em Proposta de Emenda à Constituição são tardias e insuficientes para enfrentar a gravíssima crise social que seu desgoverno aprofundou. O povo brasileiro sabe que Bolsonaro é o responsável pela crise econômica, o desemprego, a inflação, o aumento do custo de vida e a volta da fome e da miséria ao nosso país. Com o envio dessa PEC ao Congresso, Bolsonaro volta a fugir de suas responsabilidades e transferi-las para outros, assim como ocorreu na pandemia da COVID-19, que ceifou a vida de quase 700 mil pessoas. Todos se recordam que coube ao Congresso Nacional e ao Poder Judiciário tomar as medidas necessárias para proteger a população, porque o presidente da República nada fazia, ou fazia errado, como demonstrou a CPI da Pandemia. Se temos hoje 33 milhões de brasileiros e brasileiras passando fome, na imensa maioria crianças, a culpa é de um governo que só despertou para a crise a 100 dias das eleições em que será julgado pelo povo. Imaginar que um aumento no valor do Auxílio Brasil, do vale gás e um vale caminhoneiro a 100 dias da eleição vão comprar a consciência e o voto da população não é apenas oportunismo eleitoral: é preconceito e desrespeito à inteligência do povo brasileiro. Desde a instituição do Bolsa Família, no governo Lula, em 2003, o Estado passou a cumprir a obrigação constitucional de garantir renda à população mais necessitada. Ao longo desses quase 20 anos, o povo brasileiro compreendeu que este é um direito de cidadania e não um favor do governo, qualquer que seja. As pessoas sabem o que Bolsonaro deixou de fazer por elas e não fez no tempo certo. Não vão se iludir com medidas que vêm tarde demais para corrigir três anos e meio de sofrimento. A realidade é que o compromisso do atual Presidente da República é com os muitos ricos, especuladores e financistas, que se enriquecem às custas do sofrimento de um povo trabalhador, explorado por um modelo econômico que não oferece esperança nem dignidade. O Brasil espera de todos nós compromisso, e não irresponsabilidade. Espera solidariedade nas dificuldades. Planejamento em vez de atropelo. O Brasil espera mais de nós. O Brasil não pode continuar sendo governado por gente egoísta, desumana e medíocre. Brasília, 24 de junho de 2022. PT – Gleisi Hoffmann PCdoB – Luciana Santos PSB – Carlos Siqueira PSOL – Juliano Medeiros Solidariedade – Paulo Pereira da Silva PV – José Luiz Penna REDE – Wesley Diogenes
Milton Ribeiro confirma que Bolsonaro vazou operação sigilosa

Foram divulgados os áudios dos grampos telefônicos que mostram o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, admitindo que foi avisado pelo presidente Jair Bolsonaro de que uma operação da Polícia Federal seria desencadeada contra ele e que o apartamento onde mora, em Santos (SP), seria alvo de um mandado de busca e apreensão. O diálogo gravado é entre Milton Ribeiro, que é pastor da Igreja Presbiteriana, e sua filha. “Hoje o presidente me ligou. Ele tá com pressentimento novamente de que eles podem querer atingi-lo através de mim. É que eu tenho mandado versículos pra ele né”, diz Ribeiro. Sua filha então questiona se o presidente “quer que o pai pare de mandar mensagem?” A informação de Jair Bolsonaro vazou a operação da Polícia Federal e interferiu diretamente no caso que pesa contra um antigo integrante de seu governo caiu como uma bomba em Brasília. O Ministério Público Federal (MPF) entrou no caso e solicitou que o Supremo Tribunal Federal (STF) investigue o chefe do Executivo, já que ele tem direito a foro privilegiado. Ouça o trecho em que Milton afirma ter sido avisado por Bolsonaro sobre a operação: