TSE derruba fake news bolsonarista que relaciona Lula a irmão de Adélio

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Maria Claudia Bucchianeri, determinou a remoção imediata de publicações que relacionam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a um falso irmão de Adélio Bispo, autor da facada contra o presidente Jair Bolsonaro (PL). As fake news, publicadas no Facebook, Kwai, Twitter e Gettr, mostram a foto de um homem ao lado de Lula, afirmando ser o irmão do agressor de Bolsonaro. No entanto, o homem em questão não é nenhum familiar de Adélio, trata-se do médico Marcos Heridijanio, candidato ao cargo de deputado federal pelo PT em 2018. A liminar foi concedida no ultimo domingo (28) em representação apresentada pela campanha petista. “A disseminação de tal desinformação faz parte de um braço de uma campanha de propagação de fake news que visa violar o processo eleitoral e distorcer a percepção e a opinião do eleitor quanto ao candidato Lula”, afirmam os advogados Marcelo Winch Schmidt e Cristiano Zanin, na representação. As plataformas têm o prazo de 24 horas para remover as publicações. Também foi determinado pela ministra que as redes forneçam os dados de acesso e registro, além do endereço de IP para identificar os responsáveis pelas páginas em que foram publicadas as postagens.
Sem aumento na aprovação do governo, chance de reeleição de Bolsonaro cai a 23%,

Estudo do economista Maurício Moura, presidente empresa de pesquisas Ideia, aponta que as chances de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) estão diretamente vinculadas a duas variáveis fora do tradicional índice de intenção de votos: a aprovação e reprovação do governo. De acordo com o estudo a partir do histórico de reeleição e aprovação de governos estaduais e federais, um índice de apoio acima de 50% daria ao presidente ou governador uma probabilidade de reeleição de 86%. Mas a média atual de eleitores que consideram o governo Bolsonaro ótimo ou bom de 34% na pesquisa Exame/Ideia divulgada nesta quinta-feira limita suas chances 23%. A boa notícia para Bolsonaro na curvas das últimas pesquisas é que a aprovação ao governo tende a subir, mais pela redução no preço dos combustíveis do que pelo reajuste no Auxílio Brasil. A má notícia é que a desaprovação ao governo segue alta demais, 46% — compara Moura. Entre os mais pobres, 54% consideram o governo Bolsonaro ruim ou péssimo. Histórico de pesquisas levantadas por Moura mostra que hoje o governo Bolsonaro tem uma avaliação positiva levemente maior que o de Dilma Rousseff em agosto de 2014, mas a desaprovação é muito maior. — O saldo do governo é deficitário. O obstáculo de Bolsonaro será transformar a desaprovação em avaliação regular, depois para positiva e, finalmente, convencer este eleitor a votar pela reeleição. Tudo isso em pouco mais de um mês de campanha — analisa Moura Correlação entre rejeição a Bolsonaro e voto em Lula no segundo turno Na pesquisa Exame/Ideia, o ex-presidente Lula (PT) lidera com 44% das intenções de voto, mesmo número de julho. Já Bolsonaro saiu de 33% para 36%. O aumento de julho para agosto está na margem de erro da pesquisa e três pontos percentuais para mais ou para menos e é o mesmo que o presidente ostentava em junho. A análise da simulação para o segundo turno aponta outro obstáculo para Bolsonaro, sua rejeição. Metade dos eleitores entrevistados pela Exame/Ideia diz que Bolsonaro não merece ser reeleito, índice similar aos 49% obtidos por Lula contra o presidente na simulação de segundo turno. — Existe uma correlação entre a rejeição ao presidente a votação de Lula no segundo turno. Comparando com eleições anteriores no Brasil e outros países, esse índice coloca o presidente em uma situação delicada — Moura. Fonte: O Globo
Celulares de empresários bolsonaristas mostram troca de mensagens com Aras

O procurador-geral da República, Augusto Aras. também exerce a função de procurador-geral-eleitoral, responsável por fiscalizar a lisura do pleito Os celulares apreendidos pela Polícia Federal na operação desta terça (23) com empresários bolsonaristas mostram que houve troca de mensagens entre eles e o procurador-geral da República, Augusto Aras. A informação foi publicada pelo site Jota. De acordo com a reportagem, a informação foi confirmada por fontes da PF, do Ministério Público Federal (MPF) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Além de PGR, Aras é procurador-geral-eleitoral. O Ministério Público Eleitoral é o órgão que atua na fiscalização da regularidade e da lisura das eleições, sendo responsável pela aplicação das leis eleitorais. Nessas mensagens, ainda segundo a reportagem, haveria críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes – que ordenou a operção da PF – e também comentários sobre a candidatura de Jair Bolsonaro. As mensagens estão sob sigilo. Assessores informaram à reportagem que Aras tem conhecidos e amigos no mundo empresarial e, portanto, há conversas entre eles. Eles reiteram que Aras soube somente nesta terça-feira (23/8) da operação e, portanto, não trocou informações sobre as diligências policiais. Além disso, afirmaram que as mensagens enviadas por Aras a um dos empresários, agora alvo da investigação, são comentários apenas “superficiais”. Empresários defenderam golpe de Estado A Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira (23) oito mandados de busca e apreensão em endereços ligados a empresários bolsonaristas que defenderam, em conversas em um grupo de WhatsApp, um golpe de Estado caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja eleito presidente neste ano. As buscas foram determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Elas foram realizadas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. Os alvos da PF são Luciano Hang, dono da rede de lojas de departamentos Havan; Afrânio Barreira, da rede de restaurantes Coco Bambu; José Isaac Peres, dono da gigante de shoppings Multiplan; José Koury, dono do Barra World Shopping, no Rio de Janeiro; André Tissot, do Grupo Serra; Meyer Nigri, da Tecnisa; Ivan Wrobel, da construtora W3 Engenharia; Marco Aurélio Raymundo, o Morongo, dono da marca de surfwear Mormaii. Eles fazem parte de um grupo de Whatsapp onde circulam as mensagens golpistas. Nele, José Koury disse preferir uma ruptura institucional à volta do PT ao governo. Disse também que, se o Brasil voltasse a viver sob ditadura, isso não o impediria de receber investimentos estrangeiros. Ele também sugeriu o pagamento de bônus a empregados durante o período eleitoral, o que poderia configurar compra de votos. Morongo apoiou em mensagens o ato militar convocado pelo presidente Bolsonaro para o feriado do dia 7 de setembro, em Copacabana, no Rio; disse que foi um golpe terem soltado “o presidiário” e que o “supremo” age contra a Constituição. Já Ivan Wrobel falou sobre uma suposta fraude na eleição deste ano. “Quero ver se o STF tem coragem de fraudar as eleições após um desfile militar na Av. Atlântica com as tropas aplaudidas pelo público”, citando o ato programado para o dia 7.
Xandão determina buscas em endereços do Véio da Hang e outros golpistas

O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal cumpra mandados de busca e apreensão em endereços de oito empresários que compartilharam mensagens golpistas em um grupo de WhatsApp. Os mandados estão sendo cumpridos na manhã desta terça-feira (23/08) em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Ceará. Eles aparecem defendendo um golpe de Estado caso Lula vença as eleições de outubro. O furo foi de Guilherme Amado no Metrópoles. São todos, evidentemente, bolsonaristas. Os nomes: Afrânio Barreira Filho, Ivan Wrobel, José Isaac Peres, José Koury, Luciano Hang, Luiz André Tissot, Marco Aurélio Raymundo, Meyer Joseph Nigri. Moraes decretou bloqueio das contas bancárias dos empresários, bloqueio das contas dos empresários nas redes sociais, tomada de depoimentos e quebra de sigilo bancário. Na última quinta-feira (18), advogados e entidades jurídicas entraram com uma notícia-crime no TSE contra eles. Colegas de Moraes na corte acreditavam que ele seria “implacável” com os golpistas a fim de impedir que cometessem algum crime durante as eleições. Ele não prendeu empresários que financiaram manifestações antidemocráticas em 2019. Agora, dificilmente deixaria que ações golpistas passassem impunemente. A suspeita é de que eles estejam financiando grupos radicais como o do bolsonarista que ameaçou pendurar os ministros do Supremo “de cabeça para baixo”. Os empresários que estavam no grupo afirmam que é tudo em âmbito privado, mas Alexandre de Moraes tem provas de que as ações têm como objetivo a sustentação política de Bolsonaro.
Bolsonaro mente durante 40 minutos no Jornal Nacional; veja como foi

Mesmo com promessas de moderação ao longo do dia, presidente repetiu narrativas, mentiras e teorias conspiratórias em entrevista que explorou todos os temas que lhe tiram o sono O presidente Jair Bolsonaro (PL) esteve na noite desta segunda-feira (22) no Jornal Nacional, da TV Globo, onde foi entrevistado pelos apresentadores William Bonner e Renata Vasconcelos por 40 minutos. O JN receberá ao longo dessa semana os quatro melhores colocados nas pesquisas divulgadas em 28 de julho. Nesta terça-feira o jornal recebe Ciro Gomes (PDT). O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder das pesquisas, falará na próxima na quinta e Simone Tebet (MDB) na sexta. O presidente levou uma cola na mão para a entrevista que, em paralelo à transmissão, registrou centenas de panelaços nas principais cidades do país. Ao longo da entrevista, Bolsonaro foi colocado contra a parede por diversas vezes, desde as críticas que recebe por se apoiar no Centrão no Congresso, até pelo uso eleitoral do Auxílio Emergencial de R$600 aprovado às pressas antes da campanha, passando pelas teorias conspiratórias sobre o sistema eleitoral e as declarações golpistas enterradas pelo ministro Alexandre de Moraes na última semana. O ponto alto foi quando William Bonner cobrou de Bolsonaro uma declaração afirmando que aceitaria qualquer resultado nas eleições. A contragosto, o presidente disse que respeitará o resultado, “caso as eleições sejam limpas”. Entre muitas mentiras e tergiversações ao longo dos quarenta minutos de conversa, Bolsonaro viralizou nas redes sociais e ganhou manchetes na imprensa quando negou ter imitado vítimas da Covid-19 com falta de ar e, sobre elas ter dito: “e dai, eu não sou coveiro”. Veja a seguir como foi a entrevista Bonner abriu a entrevista citando que Bolsonaro faz “ataques sem provas ao sistema eleitoral” e xinga ministros de cortes superiores. O âncora, então, perguntou: “Com franqueza, o que o senhor pretende com isso? Criar um ambiente que permita um golpe?” Em sua resposta, Bolsonaro afirmou que Bonner pratica fake news ao falar que ele xinga ministros. O presidente disse, ainda, que quer transparência nas eleições, citando inquérito da Polícia Federal que faria menção a hackers que teriam invadido o sistema do TSE. “Quero evitar que pairem dúvidas com relação às eleições deste ano”, declarou. Bonner, por sua vez, se defendeu da acusação de ter incorrido em fake news e desmascarou o presidente. “É curioso que o senhor cite esse episódio até porque o senhor se tornou alvo de investigação por divulgar informações sigilosas. Inúmeras entidades já atestaram a segurança das urnas. E vou além. A transparência e segurança das urnas têm sido motivo de orgulho da maioria da população”, afirmou. “Em nome da verdade, o senhor xingou o presidente do TSE de canalha”, prosseguiu Bonner, em referência um discurso de Bolsonaro, feito durante ato político no dia 7 de setembro de 2021, quando Bolsonaro xingou o ministro Alexandre de Moraes e disse que não respeitaria nenhuma decisão do STF. Bonner obriga Bolsonaro a dizer que respeitará resultados das eleições Na segunda pergunta, Bonner “enquadrou” o postulante à reeleição e o questionou sobre acatar o resultado das eleições, lembrando que faz reiteradas ameaças de golpe e desacredita o sistema eleitoral brasileiro. O presidente não respondeu se respeitaria o resultado. Bonner insistiu que o sistema é auditável, confiável e seguro, desmentiu ter “feito fake news”, mostrando que o entrevistado chamou o ministro Alexandre de Moraes de “canalha”, e novamente repetiu na cara do presidente: “O senhor respeitará o resultado das eleições?”. Contrariado e tentando colocar novamente a suposta fragilidade do sistema de votação, ainda assim Bolsonaro admitiu que aceitará a vontade popular, mas sempre colocando cacos e ressalvas. “Vou aceitar o resultado das eleições, se elas forem limpas”, falou o candidato à reeleição. William Bonner e Renata Vasconcelos ainda questionaram suas participações em atos claramente antidemocráticos, com seguidores pedindo AI-5 e fechamento do Congresso, ao que o presidente fez mais rodeios e respondeu minimizando: “Se tem um outro que pede artigo 142, que eu discordo, se tem faixinha com AI-5, acho que isso é liberdade de expressão, é da democracia”. “Tá me estimulando a ser ditador” Na sequência, o âncora do telejornal relembrou que, em 2018, quando era candidato, Bolsonaro se colocava em uma postura de “antipolítica” e contra o centrão. Bonner citou, ainda, o episódio registrado na última semana em que o presidente chegou a agredir um youtuber após ser xingado de “tchutchuca do centrão”. “Por que eleitores como aquele acreditariam nas suas promessas de agora?”, questionou o jornalista, fazendo referência à mudança de postura de Bolsonaro com relação ao centrão no Congresso. O presidente, então, respondeu contrariado: “Você está me estimulando a ser ditador! Se eu não dialogar… São mais de 500 deputados. 300 são dos partidos de centro, chamados pejorativamente de centrão. Então, os partidos de centro fazem parte da base do governo para que possamos avançar em reformas. Através do centrão conseguimos o Auxílio Brasil de 600 reais”. Mais mentiras sobre a pandemia e a imitação de falta de ar Na sequência, Renata Vasconcelos fez o Brasil reviver todo o horror, a tristeza e o desespero dos longos meses do auge da pandemia, relembrando aos milhões de telespectadores de todo o país o sadismo desumano do presidente que fez de tudo para aumentar o número de mortos pela doença. “O assunto é pandemia, candidato. Nos momentos mais dramáticos, o senhor imitou pacientes de Covid com falta de ar… Sobre as mortes, o senhor disse: “e daí, eu não sou coveiro”… O senhor estimulou, e usou dinheiro público, pra comprar medicamento comprovadamente ineficaz contra a Covid… O senhor desestimulou a vacinação, o senhor não teme ser responsabilizado, se não pelos eleitores, mas pela história?”, perguntou Renata, emocionada e indignada. A pergunta foi, para muitos espectadores, o ponto mais dramático e sufocante dos 40 minutos de entrevistas. Nas redes, as pessoas dizem que foi como se passasse um filme de novo pela mente, retomando todo o desespero do isolamento, das mortes, do medo e, sobretudo, do desprezo ultrajante e obsceno com que o presidente
É hora de o povo entrar em cena para garantir o processo eleitoral livre

As eleições são fundamentais e as esquerdas apostam nelas, mas a consolidação da atual democracia e seu aprofundamento com vistas à justiça social não são, nem jamais foram em toda a nossa história, mera decorrência da ordem institucional. * Por Roberto Amaral “Falta o rugido do povo” – Manuel Domingos Neto Finalmente, “liberais” dos mais variados sotaques saíram de sua bolha e vieram à tona com a nova “Carta aos Brasileiros”, bem-vinda e aplaudida; foram acompanhados de manifestos de empresários, de banqueiros e dos locatários da Avenida Paulista. A única ausência notável deve-se ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Na contramão o manifesto protofascista dos grileiros da Confederação Nacional da Agricultura. A recente pulsão democrática, cujo epicentro foi a vetusta faculdade de direito da USP, teve continuidade na simbologia da posse do novo presidente do TSE, procedimento burocrático, protocolar, transformado em ato político. Registro, confiando que não cairá no vazio, o discurso do ministro Alexandre Moraes: direto, claro, sem as tergiversações parnasianas de seu antecessor. A reação democrática foi calorosamente bem recebida pela grande imprensa. Falou o andar de cima, e desta vez em defesa da soberania do voto, pela qual tanto se batem, hoje mais do que nunca, as esquerdas e as forças progressistas de um modo geral. O que se costuma chamar de “sociedade brasileira” diz aos buliçosos ministro da defesa e comandante do exército que não será admitida a anunciada tentativa de questionamento do processo eleitoral. E o candidato do projeto militar-empresarial protofascista, deslocado e constrangido, foi advertido de que a justiça eleitoral, tão comprometida com as irregularidades do processo de 2018, desta feita estará vigilante quanto às ameaças de conturbar a campanha eleitoral. Esperamos que sim. Falou, enfim, o andar de cima. A novidade é benfazeja, eis que o histórico de intervenções do baronato na vida política brasileira despreza o viés legalista. Não será demais lembrar o 1º de abril de 1964. A viabilidade do golpe militar decorreu da participação ativa dos liberais das arcadas do Largo de São Francisco, do empresariado e da grande imprensa, ademais da notória e fartamente documentada intervenção do Departamento de Estado dos EUA e de sua execrável CIA. Como é sabido, o Estado de São Paulo, líder da “imprensa liberal”, funcionou (através de Júlio de Mesquita) como centro arrecadador de recursos junto ao empresariado, que, já na ditadura, financiou a famigerada “Operação Bandeirantes”, centro militar-policial de tortura e assassinatos. Ao lado dos Mesquitas atuava o notório Adhemar de Barros. Está registrado nas memórias do General Cordeiro de Farias (Camargo-Góes. Diálogo com Cordeiro de Farias. Nova Fronteira, 1981, pp 552-3). No primeiro dia da fratura do regime, o golpe foi recepcionado pelo presidente do STF, ministro Ribeiro da Costa, depois do ato arbitrário do presidente do Congresso, senador Auro de Moura Andrade, declaratório da vacância da presidência, quando era notório que Jango estava no Rio Grande do Sul, onde seria instado por Leonel Brizola a uma resistência que pela segunda vez refugou. Ou seja, todas as instâncias do poder participaram do golpe. É assim, e só assim, que os golpes têm sucesso e se consolidam. Nos idos preparatórios de 2016 (e, a partir do impeachment, da tragédia programada de 2018), tendo como pano de fundo o silêncio dos liberais, a omissão dos “democratas” e o apoio dos autodenominados “socialdemocratas” (o “centro” que tem sido, sempre, na política brasileira, uma variante da direita), a articulação golpista não foi diversa, nem outros seus agentes. Em suas lamentáveis memórias, o general Villas Bôas narra seus entendimentos com o vice-presidente perjuro, ainda como comandante do exército no governo Dilma, nas articulações golpistas. A sabotagem do Departamento de Estado chegou ao cúmulo de intervir na Petrobras e grampear o telefone da presidente da república! Agia o grande capital, temeroso do que supunha ser a emergência dos humilhados e ofendidos, dos deserdados da terra e da cidadania. Quem operou o golpe? Os herdeiros da colônia latifundiária e escravocrata, o passado que ainda nos molda, decantado por Gilberto Freyre como idilicamente patrimonial, ibérico e católico: os capitães da grande imprensa (cuja guinada hoje saudamos); a FIESP, chefiada por um lobista desprezível; o conluio peçonhento de juiz inescrupuloso e procuradores desonestos (sobre os quais pesa denúncia de corrupção ditada pelo plenário do TCU) com a grande imprensa e o poder judiciário em suas diversas instâncias. Para asfaltar o caminho que levaria à eleição do genocida – impune graças à solidariedade de um congresso pusilânime, auxiliado por um procurador-geral da república sem compromissos com a ordem constitucional –, foi decisiva a atuação do STF (na preparação do golpe e na decretação da inelegibilidade de Lula). A justiça, genuflexa, não carecia mais de admoestações, mas o comandante do exército cuidou de dizer como o STF deveria votar no habeas corpus impetrado pela defesa do petista. Como se sabe, foi atendido. Ao papel do exército, lastimosamente reincidente, deve-se, aliás, o único registro de gesto digno que se pode atribuir ao capitão: logo após a posse na presidência, agradeceu de público ao general Villas Bôas pelos serviços prestados à sua eleição. Imprensa, grande empresariado, ministério público, poder judiciário não mediram mãos, pois chegaram à ignomínia da prisão ilegal de Lula, da qual são cúmplices. Essas observações visam a pôr de manifesto uma obviedade que, todavia, precisa ser lembrada às forças populares: se, passados esses duros últimos anos, temos o que comemorar na abertura da campanha eleitoral, é preciso ter em conta que ainda não atravessamos o Rubicão. Há, ainda, pelo menos duas tarefas inconclusas: a garantia do processo eleitoral livre e a eleição de Lula. Por uma e por outra é preciso lutar todo dia até a última hora. Para só então, podermos superar os desafios que perseguirão o novo governo, que enfrentará a resistência, a sabotagem e a insurgência protofascista permanente, a radicalização reacionária das forças armadas, das instituições policiais e das milícias, além da composição conservadora e reacionária do próximo Congresso, decerto ainda mais conservador e reacionário do que o atual, deformado pela corrupção de origem: a
Leonardo usa cachê de prostituta para falar sobre inflação e é detonado na web

O cantor Leonardo foi alvo de críticas nas redes sociais por usar de exemplo o cachê de prostitutas, às quais ele se refere como “raparigas”, para falar de inflação. Um trecho da entrevista do cantor ao Programa do Ratinho viralizou nas redes e ele foi detonado na web. Na conversa com o apresentador, ele tentou justificar o aumento de seu cachê durante a pandemia quando usou o exemplo. “Nessa pandemia tudo ficou mais caro. Uma rapariga que valia R$ 1 mil reais, hoje está pedindo R$ 3 mil. O meu show o valia R$ 100 mil reais e agora eu estou pedindo R$ 300 mil, e o povo está pagando. Eu não sei onde o povo tá achando dinheiro nessa pandemia. Acho que é o povo rico que esconde dinheiro no banco com medo de morrer e agora está gastando”, disse ele. A entrevista foi feita em julho, mas o trecho só ganhou repercussão em agosto. Veja: Leonardo ao responder sobre inflação e aumento do cachê de seu show: “Tudo ficou mais caro. Uma r4p4riga que valia mil, tá pedindo 3 mil” pic.twitter.com/OatyZMEwHA — Fofoquei (@FOFOQUEl) August 18, 2022 No Twitter, internautas criticaram o cantor. Alguns deles consideram a fala desrespeitosa com mulheres. Veja a repercussão: Eus aí o referencial destes sertanojos bolsonaristas para reclamar de que as coisas estão caras. Ser Lazarento.https://t.co/sbylREKAac — Roberto (@rbernardo64) August 17, 2022 Que colocação mais ridícula . Por isso esse meio artístico sertanejo gosta tanto do Bolsonaro . Se identificam no modo de se expressar . — Mila Metri (@MetriMila) August 18, 2022 Eita Brasilsilsillll ???? Mais de 40 mil pessoas sem teto nas ruas de Sampa, milhões abaixo da linha da pobreza, e o cara falando em preço da putaria. E ainda há quem idolatre pessoas assim. — D.Mello (@dmello10) August 17, 2022 Rárárá, que cara engraçado, igual ao outro que usava o auxilio moradia pra comer gente. Esse pessoal não se toca que o mundo muda,ainda estão na vibe’ se arrume que vou lhe usar’. Ser, presidir e cantar pra corno, é o que lhes resta. — Peninha10 (@peninha10) August 17, 2022 E o tanto de idiotas que acha isso engraçado? — Bruna (@bruna_buchdid) August 17, 2022 Via DCM
Carta em defesa da democracia foi um gesto coletivo de resistência

Por Wagner Rocha * A leitura da Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito realizada no último dia 11 foi, na minha opinião, um gesto coletivo de resistência. As recentes ameaças à nossa democracia não são peças de ficção ou meras retóricas de esquerdistas. São fatos lamentavelmente reais, oriundos de um homem que declarou ser a favor de torturas e que tem o autoritarismo como marca indelével da sua personalidade. Um homem incitador da discórdia. O evento de leitura da Carta, ocorrido na USP, reuniu inúmeras pessoas, repetindo o mesmo ato de 1977 contra a ditadura. O povo brasileiro não pode ficar inerte às tentativas de retorno ao estado de exceção. * Professor
Bolsonaro agride influenciador em frente ao Palácio da Alvorada

Irritado com as perguntas feitas pelo youtuber Wilker Leão, Bolsonaro chegou a tentar arrancar à força o celular que ele carregava Jair Bolsonaro reagiu com violência aos questionamentos feitos pelo youtuber Wilker Leão, nesta quinta-feira (18), em frente ao Palácio da Alvorada. Irritado com a presença do influenciador digital, Bolsonaro chegou a agarrá-lo e tentou tomar o celular que ele carregava. Após começar a dirigir perguntas a Bolsonaro, o blogueiro foi empurrado por alguém da segurança de Bolsonaro. Irritado, ele passou a xingar o presidente de “vagabundo”, “safado”, “covarde” e “tchutchuca do Centrão”. Leão ainda foi perseguido por seguranças. https://twitter.com/lucasrohan/status/1560277662869860357?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1560277662869860357%7Ctwgr%5E0d951b32fc72279e7b6d881f88780baed9ac9c79%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fd-11532542051143923146.ampproject.net%2F2208051912001%2Fframe.html
Lula sobe quatro pontos em uma semana e pode vencer eleição no 1º turno

Crescimento do petista reverte tendência de aproximação do atual presidente após início do “Pacote de Bondades” Uma nova pesquisa da FSB Pesquisa, sob encomenda do Banco BTG Pactual e publicada nesta segunda-feira (15), mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da corrida eleitoral pela Presidência da República, com 45% das intenções de votos. Na sequência, aparece o presidente Jair Bolsonaro (PL), com 34%. Em relação ao estudo da mesma empresa de pesquisa divulgado na semana passada, Lula teve crescimento de quatro pontos percentuais. Bolsonaro, por sua vez, ficou estacionado. A diferença entre os dois principais candidatos ao Palácio do Planalto, portanto, subiu de 7 para 11 pontos percentuais em 7 dias. Lula empatou, na margem de erro, com a soma de todos os outros candidatos (45% a 46%), o que poderia garantir sua vitória no primeiro turno. O resultado surpreende, pois inverte a tendência de aproximação de Bolsonaro, que vinha apresentando crescimento após o início do “Pacote de Bondades”, com o pagamento do Auxílio Brasil de R$ 600 e outros benefícios sociais. No levantamento, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) ficou em terceiro, com 8% das intenções de votos, seguido pela senadora Simone Tebet (MDB), com 2%. Os demais candidatos não pontuaram. Intenções de voto no 1º turno da eleições presidenciais de 2022, segundo pesquisa FSB/BTG / Reprodução Segundo turno Em um eventual segundo turno das eleições, Lula venceria todos os outros candidatos. O ex-presidente aparece com 53%, enquanto Bolsonaro fica com 38%. Se a disputa for com Ciro Gomes, Lula tem 50% contra 29% e com Simone Tebet, Lula teria 54% contra 26% respectivamente. O instituto ouviu 2 mil eleitores por telefone entre 12 e 14de agosto de 2022. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o índice de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-00603/2022.