O agro é pop; a fome é pobre – Por Fernando Brito, do Tijolaço

Hoje, na Folha de S. Paulo, há um destes retratos do Brasil de hoje que dói fundo na alma. Bruna Pereira vai conversar com moradores pobres de Cuiabá, capital do Mato Grosso, terra do próspero agronegócio, que se promove como “pop” na televisão, que fazem fila diante de um açougue piedoso que distribui o restos do desossamento de bois – ou outros o vendem – nos quais lascas de carne e gordura vão alimentar a eles e aos filhos. Nada perto da “Picanha do Mito”, carne de gado da raça wagyu, de origem japonesa, aquela dos 1.799,99 o quilo dos churrascos presidenciais, mas o que lhes podem dar, o osso na sopa. A repórter, aparentemente jovem, não vê o gancho da reportagem, que vem lá ao final do texto: Mato Grosso tem 10 bois para cada ser humano, mas muitos deles não têm direito sequer a um fiapo de carne. Mas conta que a carne só sobe de preço, por conta das exportações em alta. Criar cotas de exportação – como fazem outros países quando seus produtos disparam nos mercados de commodities, estabelecem cotas de exportação, garantindo produto para o mercado interno – nem pensar. É coisa de comunista, porque é o mercado que se regula, ainda que isso deixe gente disputando restos de ossos. Dez anos atrás, a exportação era o destino de 14,5% da carne produzida no Brasil; agora, este ano, de 24,5%. Traduzindo: um de cada sete quilos de carne bovina brasileira era exportado em 2011 e agora, um em cada quatro quilos vai para fora. E, claro, faz o preço da carne para consumo dos brasileiros sofra o duplo efeito do aumento de preços e da queda de renda, que lhe reduzem o consumo ao menor nível desde 1996, com 26 quilos por pessoa/ano: 72 gramas diárias para cada pessoa por dia. Tijolaço

Bolsonarista, dono da Riachuelo diz ser contra taxação de fortunas porque “empobrece ricos”

Dono da Riachuelo foi um dos empresários apoiadores da campanha presidencial de Bolsonaro em 2018  “Esse é um imposto que diminui a desigualdade, mas achatando a pirâmide, empobrecendo os ricos”, disse Flávio Rocha Um dos principais apoiadores da eleição de Jair Bolsonaro (Sem partido) no meio empresarial, Flávio Rocha, dono da rede de lojas Riachuelo, afirmou ser contra a taxação de grandes fortunas para diminuir a desigualdade porque “empobrece” os ricos. “Nós queremos lutar contra a desigualdade ou contra a pobreza? Esse imposto consegue reduzir a desigualdade, mas pela via não inteligente: expulsando ou empobrecendo os ricos. O que se quer é enriquecer o pobres. Esse é um imposto que diminui a desigualdade, mas achatando a pirâmide, ou seja, empobrecendo os ricos”, disse em entrevista a Joana Cunha, na edição deste sábado (17) da Folha de S.Paulo. Segundo Rocha, “a grande deformação de um sistema tributário é a sonegação” e não a concentração de renda no topo da pirâmide. Ele afirma que a redução de imposto de renda seria mais eficaz que taxar os afortunados. “A redução de imposto de renda gera mais investimento, aumento da demanda por mão de obra e, aí sim, resolve a desigualdade pela via inteligente, que é gerando renda para a base da pirâmide. Se desigualdade fosse o problema, tinha que dar um troféu para a Venezuela, que expulsou as fortunas para Miami ou quebrou quem insistiu em ficar”. Em sua declaração, Flávio Rocha sinaliza ainda que caso haja taxação de fortunas, ele se mudaria do Brasil. “O exemplo desastroso do François Hollande [ex-presidente da França] mostrou uma coisa que é cruel mas é a dura realidade. É a mobilidade das fortunas. É o maior exportador de fortunas. O potencial de arrecadação é pífio. Acelera o êxodo. Na França, todo mundo mudou para a Bélgica, para a Inglaterra. E o mundo está cada vez mais digital. Você pode exercer a mesma função remotamente. As pessoas estão com mais mobilidade”, disse.

Fome, pobreza e desigualdade aumentam em todo o mundo aponta ONU

DESIGUALDADE – Mais de 37 mil pessoas por dia podem perder a vida por falta de comida no mundo “Fica clara a necessidade de uma teia social estatal, seja para manutenção ou a criação de uma renda básica” – Em 18 de março de 1953 aconteceu na cidade de São Paulo a passeata das “Panelas Vazias”, marco central para a “greve dos 300.000”, organizada pelo Partido Comunista do Brasil durante o governo do Getúlio Vargas. A greve teve conquistas, como aumento de 32% dos salários. O que esse movimento desvelava era a fome em larga escala presente no Brasil e que persiste por décadas. Mesmo diante das imensas riquezas e terras no território nacional, sabemos que estas sempre estiveram concentradas nas mãos de poucos da elite, tornando o povo brasileiro submisso e dependente de políticas de Estado para não passar fome. Com o surgimento e reflexos da covid-19 sobre as atividades econômicas e sociais no mundo, a Oxfam estima que mais 12 mil pessoas por dia possam perder a vida por falta de comida. Se somadas às 25 mil que já morrem pelo mesmo motivo, de acordo com levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU), este número chega a 37 mil óbitos por dia, em todo o planeta, um aumento de 48% só neste ano. A realidade brasileira, neste sentido, também é dramática. O levantamento mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 10,3 milhões pessoas passam fome no país, com um desemprego que atinge cerca de dos 13 milhões de pessoas, além do elevado índice de informalidade no trabalho. Fica clara a necessidade de uma teia social estatal seja para manutenção ou criação de uma renda básica para cada brasileiro, seja para o incentivo à agricultura familiar, o que resolveria parte dos problemas. Num passado recente, de 2002 a 2013, o Brasil diminuiu a fome em mais de 80%, o que foi fruto da conjugação de medidas econômicas e sociais que foram interrompidas com o golpe de 2016. Em 2020, mesmo com a pandemia em curso, o governo Bolsonaro vetou integralmente Projetos de Lei de incentivo à agricultura familiar, ao mesmo tempo em que aprovou a “Lei do Agro”, criando facilidades de acesso a créditos e financiamento de dívidas de grandes produtores rurais. Resultado: tanto os pequenos agricultores, como a população urbana desempregada ficam desamparadas, quando sabemos que é a agricultura familiar que traz alimento para a mesa dos brasileiros e não o agronegócio de exportação. Em contraponto ao governo, a saída tem sido a solidariedade! Seja com arrecadação de cestas básicas na cidade, doação de produtos vindos de famílias camponesas, desenvolvimento de hortas comunitárias, seja com projetos de cozinhas solidárias, temos aqui um grande aprendizado: só o povo cuidando do povo, experimentando novas relações humanas, tem condições de construir uma saída popular para o Brasil. Fonte: Brasil de Fato

Saciar a fome e combater suas causas. Por Gilvander Moreira

Em palavras de fogo, Carolina Maria de Jesus, no livro Quarto de Despejo, de 1960, denuncia a brutal injustiça social. Diz ela: “Hoje não temos nada para comer. Queria convidar os filhos para suicidar-nos. Desisti. Olhei meus filhos e fiquei com dó. Eles estão cheios de vida. Quem vive, precisa comer. Fiquei nervosa, pensando: será que Deus esqueceu-me? Será que ele ficou de mal comigo?”. Após o Brasil ter sido tirado do Mapa da Fome, durante o Governo Lula, agora o Brasil foi empurrado novamente para o Mapa da Fome. O enorme número de pessoas pedindo comida, e pesquisas recentes indicam que a fome voltou de forma brutal no Brasil. Mais de 19 milhões de pessoas estão na extrema pobreza (renda mensal abaixo de R$89,00 per capita) passando fome e 27,7% da população (58 milhões de pessoas) estão com insegurança alimentar, segundo pesquisa de Food for Justice. Cadê o respeito ao direito à alimentação prescrito na Constituição Federal? O número de pessoas em situação de rua cresce cotidianamente beirando a 500 mil. O desemprego bate recorde diariamente. As campanhas para arrecadação de alimentos se multiplicam. Os clamores são ensurdecedores, tais como: “Estou deixando de tomar café da manhã para que minhas irmãzinhas possam comer alguma coisa”. “Vários dias por semana vou tentar achar algo para comer no resto da feira ou dos sacolões”. “Dói demais ver e ouvir uma criança da gente, em prantos, pedindo pão e a gente não ter como alimentar nossos filhos”. Um poema profetiza: “Quem tem fome, tem pressa. Não pode esperar. Então corre irmão, vamos. Nesse momento tem gente morrendo de fome, no nosso Brasil. A fome é perversa. E quem alimenta esse monstro do mal é a desigualdade social. Tem barriga vazia fazendo chorar …”[2]. Por amor ao próximo todo povo precisa, urgentemente, se fazer solidário e acudir de forma solidária todos/as que estão passando fome. Campanhas para arrecadação de cestas básicas e todos os gestos de filantropia são necessários com urgência neste momento. Que todos/as doem o máximo possível. Entretanto, faz-se necessário atacar as causas que estão gerando a fome que implode as pessoas por dentro: a estrutura fundiária baseada no latifúndio há 521 anos; o agronegócio que, em latifúndios, com uso indiscriminado de agrotóxico, tecnologia de ponta e muitas vezes submetendo os/as trabalhadores/as a trabalho análogo à situação de escravidão; política econômica neocolonial que concentra cada vez mais riqueza nas mãos da elite; repasse de cerca de 40% do orçamento do país para pagar juros e amortização da dívida pública que já foi paga várias vezes; injustiça tributária (proporcionalmente os pobres pagam muito mais impostos do que os ricos); imposto irrisório sobre herança; falta de taxação justa das fortunas; desmonte do Estado brasileiro com privatizações que são tremendamente danosas ao povo e encarecem o custo de vida; asfixia do SUS e da agricultura familiar; falta de reforma agrária; invasão dos territórios dos Povos e Comunidades Tradicionais; a política genocida do inominável antipresidente que estica e aprofunda a pandemia matando de forma orquestrada mais de 520 mil irmãos e irmãs nossos/as, deixando milhões com sequelas graves e piorando de forma brutal a crise econômica que recai como um fardo insuportável, principalmente nas costas da classe trabalhadora; redução do valor real do salário mínimo e das aposentadorias; salário mínimo de apenas R$1100,00, enquanto o preço da cesta básica está em R$600,00, segundo o DIEESE[3]; Extinção do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), em fevereiro de 2019, por Bolsonaro, entre outros fatores. Tudo isso tece relações sociais que estão fazendo a fome se alastrar de forma vertiginosa, pois aumentam em progressão geométrica a injustiça social e reproduz cotidianamente uma das maiores desigualdades sociais do mundo. No meio do fogo do latifúndio, o capitalismo – atualmente mundializado e em crise estrutural desde a década de 1970 -, ao avançar sobre os territórios, expropriando os camponeses, tem transformado o Brasil em imensas pastagens e imensas monoculturas de cana, de eucalipto, de café, de capim etc. Agronegócio não produz alimento; produz, sim, commodities, que são mercadorias primárias para exportação, exportadas com isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM). Agronegócio produz, sim, desertificação de territórios, violência no campo, desmatamento, envenenamento da terra, dos cursos de água, do ar e epidemia de câncer, alzheimer e várias doenças que se multiplicam no meio do povo pelo exagero de agrotóxicos que aumentam a quantidade do que é produzido, mas com péssima qualidade sanitária. Muitos insistem em manter grande parte do povo brasileiro como rebanho a ser tocado como gado, conforme diz a música Vida de gado, de Zé Ramalho: “Eh, ôô, vida de gado / Povo marcado, ê”. Ainda em 1989, o sociólogo José de Souza Martins atestava: “Os pobres da terra, durante séculos excluídos, marginalizados e dominados, têm caminhado em silêncio e depressa no chão dessa longa noite de humilhação e proclamam, no gesto da luta, da resistência, da ruptura, da desobediência, sua nova condição, seu caminho sem volta, sua presença maltrapilha, mas digna, na cena da História” (MARTINS, 1989, p. 12-13). Ano a ano, no planeta Terra, nossa única Casa Comum, o ser humano e toda a biodiversidade estão em perigo crescente de um apocalipse provocado pelo capitalismo com seu atual modo de produção devastador socioambientalmente em progressão geométrica. Em sua etapa monopolista, o capitalismo no campo com seus complexos industriais de produção agropecuária tem colocado questões inéditas e desafiadoras para a luta pela terra, pois “esse processo contínuo de industrialização do campo traz na sua esteira transformações nas relações de produção na agricultura, e, consequentemente, redefine toda a estrutura socioeconômica e política no campo” (OLIVEIRA, 2007, p. 8). O futuro da humanidade e de todas as espécies vivas está ameaçado como nunca esteve. Como uma cruel máquina de destruir vidas humanas e ecológicas, nos 521 anos de colonização do nosso país, contando o período da acumulação primitiva, o capitalismo está se mostrando cada vez mais feroz e destruidor, atualmente em forma de imperialismo global hegemônico capitaneado pelos Estados Unidos e pelas empresas transnacionais. Convivendo com o

Acusado de roubo de salários e corrupção nas vacinas, Bolsonaro entrega 100% dos Correios

Jair Bolsonaro decide fazer a privatização a toque de caixa, no momento em que é atingido por novos escândalos – O escândalo de corrupção que apontou Jair Bolsonaro como o 01 que roubava até 90% dos salários de seus assessores deixou o governo nas cordas, mas serviu para acelerar o processo de privatização. “O Ministério da Economia fechou o modelo de privatização dos Correios. O governo pretende se desfazer de 100% do capital da empresa, disse o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord. O que se pretende fazer é vender o controle da companhia integralmente, no formato de um leilão tradicional, ou como resume Mac Cord, ‘com abertura de envelopes’. O comprador levará os ativos e passivos dos Correios”, informa o jornal O Globo, na reportagem de Manoel Ventura. Subserviente aos interesses do mercado, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) marcou a votação do projeto dos Correios para a próxima semana, antes do início do recesso parlamentar. Entre os interessados estão grandes empresas internacionais, como a Amazon, e bilionários locais, como Luiza Helena Trajano, do Magalu. A privatização deve fechar agências e desempregar entregadores, preservando o filé da empresa, que é a logística para o comércio eletrônico.

Endividamento de famílias brasileiras bate recorde e alcança maior patamar em 11 anos

Dívidas com cartão de crédito também bateram recorde (afp) Segundo CNC, orçamento das famílias na pandemia foi afetado por inflação alta e o valor baixo do auxílio O primeiro semestre deste ano encerrou com um percentual de 69,7% das famílias brasileiras com alguma dívida, em atraso ou não. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), esse é o maior patamar de endividamento familiar da série histórica de sua pesquisa, iniciada em 2010. De acordo com os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, em maio, a parcela de pessoas com dívida era de 68%. Em junho de 2020, o percentual havia ficado em 67,1%. As dívidas com cartão de crédito também bateram recorde, aparecendo como principal fonte de endividamento para 81,8% do total. O percentual de inadimplentes, ou seja, pessoas que têm contas ou dívidas em atraso, ficou em 25,1% em junho deste ano, acima dos 24,3% do mês anterior, mas abaixo dos 25,4% de junho do ano passado. As famílias que sem condições de pagar suas contas passaram de 10,5% em maio para 10,8% em junho deste ano. Em junho do ano passado, o percentual era de 11,6%. Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o orçamento das famílias na pandemia de Covid-19 tem sido afetado por questões como inflação mais alta e o valor reduzido do auxílio emergencial. “Ainda que os indicadores de inadimplência se encontrem mais baixos na comparação anual, os números mostram que as famílias têm se endividado mais ao longo do ano para conseguir manter algum nível de consumo, respaldadas por uma frágil segurança no mercado trabalho, e diante de preços mais altos dos itens de primeira necessidade”, afirmou Tadros. Agência Brasil

Aneel aprova reajuste de 52% em bandeira vermelha da conta de luz

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou por 4 votos favoráveis a 1, um reajuste de 52% na bandeira vermelha patamar dois. A partir de julho, a taxa adicional cobrada nas contas de luz passará de R$ 6,24 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) para R$ 9,49 kWh. Esse valor, no entanto, poderá ser ainda maior já em agosto e nos próximos meses, já que a agência irá rever os parâmetros para cálculo da bandeira. O reajuste deverá impactar na inflação, já em alta, e causar um efeito cascata nos preços de vários produtos. A consulta pública para a revisão pode ser aberta ainda nesta terça (29), em reunião extraordinária. Isso porque, mesmo com o reajuste aprovado nesta data, há 46% de chances de faltar recursos para cobrir os custos da contratação de térmicas para manter o abastecimento no país. Os técnicos calcularam que o novo patamar da bandeira vermelha nível dois deveria subir algo entre R$ 11,50 e R$ 12,00 a cada 100 kWh. Esse seria o valor necessário para cobrir todo o custo adicional com o acionamento de termelétricas ao longo do segundo semestre deste ano, diante da situação crítica dos reservatórios. Mas o relator do processo, diretor Sandoval Feitosa, afirmou que seria necessário alterar as regras da agência para aprovar um reajuste nesse patamar. Nesse sentido, o diretor apresentou um reajuste de 1,67%, que representaria uma cobrança adicional de R$ 6,49 a cada 100 kWh. Apesar de reconhecer o cenário excepcional, devido à pior crise hídrica dos últimos 91 anos, o diretor afirmou que é justo que uma mudança nas regras seja submetida a uma nova consulta pública, para que o processo tenha transparência e previsibilidade. O entendimento que prevaleceu na diretoria, no entanto, é que o cenário crítico exige um reajuste que comporte os custos e dê um sinal mais claro aos consumidores da situação já a partir do mês de julho, sob risco de um reajuste ainda maior no mês de agosto ou até mesmo no ano que vem, quando um possível déficit na conta bandeiras seria repassado aos consumidores por meio dos reajustes anuais de cada distribuidora. A proposta aprovada foi apresentada pelo diretor-geral da agência, André Pepitone, que sugeriu uma alteração no parâmetro dos cálculos, que passa a incorporar todos os cenários previstos para os próximos meses. Por conta da crise hídrica, as estimativas apontam para os piores cenários, o que resulta no aumento. “A gente não está promovendo aumento porque gosta ou porque quer é uma realidade. O custo está aqui, está presente, o que estamos decidindo é o que fazer com esse custo. Se apresento agora, se apresento depois. Se apresentar depois vou ter esse custo corrigido pela Selic”, afirmou o diretor. Outros reajustes de bandeiras A agência também aprovou reajuste nas bandeiras amarela e vermelha patamar 1. Pela proposta, a taxa cobrada quando a agência acionar a bandeira amarela irá aumentar 39,5%, de R$ 1 343 a cada 100 kWh para R$ 1,874. Já a bandeira vermelha 1 passará de R$ 4,169 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos para R$ 3,971 – redução de 4 75%. O sistema de bandeiras tarifárias foi criado em 2015. Na prática as cores e modalidades – verde, amarela ou vermelha – indicam se haverá ou não cobrança extra nas contas de luz. A bandeira verde, quando não há cobrança adicional, representa que o custo para produzir energia no país está baixo. Já o acionamento das bandeiras amarela e vermelha representa um aumento no custo da geração e a necessidade de acionamento de térmicas, o que está ligado principalmente ao volume dos reservatórios das usinas hidrelétricas e a previsão de chuvas. Considerando que o país entrou no período seco com nível crítico nos reservatórios, a projeção da área técnica da Aneel é que a bandeira vermelha em seu segundo patamar seja mantida, pelo menos, até novembro. Além de possibilitar aos consumidores adaptar seu consumo, o sistema de bandeiras também atenua os efeitos no orçamento das distribuidoras. Anteriormente, o custo da energia era repassado às tarifas uma vez por ano, no reajuste anual de cada empresa, com incidência de juros. Agora, esse custo é cobrado e repassado às empresas mensalmente.

Contra a fome, Guedes defende dar resto de comida aos pobres

A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, completou a receita neoliberal defendendo comprar alimentos fora da validade, em evento da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) O ministro Paulo Guedes elevou o cinismo neoliberal a um novo patamar nesta quinta-feira, 17, em evento promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). Durante o 1º Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento , defendeu dar restos de comida aos pobres – “pessoas fragilizadas, mendigos, pessoas desamparadas”, segundo ele. A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, fez coro defendendo comprar alimentos fora da validade. “O prato de ‘um classe média’ europeu é pequeno, no nosso, há uma sobra enorme. Precisamos pensar como utilizar esse excesso no dia a dia. Aquilo dá pra alimentar pessoas fragilizadas, mendigos, pessoas desamparadas. É muito melhor que deixar estragar”, disse o ministro como proposta de “combate à fome” no país. Segundo Paulo Guedes, os desperdícios da cadeia produtiva precisam ser mais bem aproveitados para acabar com a fome no país. Indo mais longe, Guedes “detalhou” a sua “política”, espezinhando a memória do país que saiu do Mapa da Fome nos governos do PT. “Como utilizar esses excessos que estão em restaurantes e esse encadeamento com as políticas sociais, isso tem que ser feito. Toda aquela alimentação que não for utilizada durante aquele dia no restaurante, aquilo dá para alimentar pessoas fragilizadas, mendigos, desamparados. É muito melhor do que deixar estragar essa comida toda”, completou. O ministro dos banqueiros também defendeu aprofundar o desmonte de qualquer política voltada para a segurança alimentar do povo brasileiro. “Precisamos de novos marcos regulatórios de ferrovias, cabotagem, para aumentar a exportação”, defendeu ele. “Na pandemia, nossas exportações caíram para o resto do mundo, mas subiram para a Ásia. Precisamos de logística para levar nossos alimentos para o resto do mundo“. Não basta impor a fome a milhões de brasileiros. Não basta subir o preço da carne, do gás de cozinha e liberar comida estragada. É preciso tripudiar da privação e humilhar com a intenção de suprir com restos de comida. Neoliberalismo é a barbárie eterna. pic.twitter.com/mS4q18Np1L — Tiago Barbosa (@tiagobarbosa_) June 17, 2021

Primeiro caminhão 100% elétrico do Brasil começa a ser fabricado no RJ

Em um dia histórico para a indústria nacional, a Volkswagen Caminhões e Ônibus iniciou a produção em série do e-Delivery. Caminhão 100% elétrico é o primeiro desenvolvido e testado totalmente no Brasil A Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) deu início à produção em série do caminhão elétrico e-Delivery, único 100% concebido, desenvolvido, testado e aprovado em território brasileiro. Com isso, a fábrica de Resende (RJ) torna-se a primeira linha de montagem larga escala de veículos com tecnologia zero emissões. O primeiro modelo, um e-Delivery 11 toneladas 4×2, vai compor a frota da própria montadora. Os caminhões podem chegar a uma autonomia de até 200 quilômetros, de acordo com a aplicação e a configuração do veículo. A VWCO investiu cerca de R$ 150 milhões no desenvolvimento e complexo produtivo do e-Delivery. A marca alemã construiu uma nova área dedicada exclusivamente à eletrificação: o e-Shop. O espaço também passa a abrigar a maior infraestrutura de carregadores de alta potência do Brasil, com diferentes modelos. “Criamos um processo sob medida para assegurar uma grande estrutura elétrica de forma eficiente. Vamos produzir os veículos aproveitando ao máximo os recursos já existentes, com um alto nível de sinergia, ao mesmo tempo que garantimos a inovação que o cliente espera e que o produto exige. Todo esse avanço é acompanhando por um amplo trabalho de preparação da cadeia com os envolvidos para viabilizar a mobilidade elétrica no país”, afirma Roberto Cortes, presidente e CEO da VW Caminhões e Ônibus. A fabricação do Volkswagen e-Delivery também se beneficia de todos os ganhos da indústria 4.0. Isso inclui um nível de automação de 60% na armação de sua cabine. Também predomina a tecnologia de reconhecimento automático do veículo, com um chip em cada veículo para programação dos robôs. Linha de montagem do e-Delivery Coração da montagem elétrica, o e-Shop é o novo espaço em que os veículos recebem as baterias e são energizados pela primeira vez para serem ligados, satisfazendo todos os mais rígidos protocolos de segurança. Antes de chegar lá, os modelos e-Delivery nascem na mesma linha de montagem dos veículos diesel. Pela primeira vez também, a suspensão pneumática é instalada dentro da própria fábrica. No fim de todas as montagens, a marca submete o veículo a novas aprovações específicas para caminhões com alta voltagem, além dos mesmos testes de qualidade que todos os outros produtos já passam antes de serem liberados para o cliente. Ambev: 100 unidades Em outubro de 2020, a Ambev e a VW Caminhões e Ônibus oficializaram acordo para entrega dos 100 primeiros caminhões elétricos e-Delivery. Os modelos deverão começar o trabalho no segundo semestre de 2021. A cervejeira pretende utilizar os limpa pelas ruas de São Paulo e Rio de Janeiro. O acordo faz parte do compromisso da companhia de ter 1.600 caminhões Volkswagen elétricos na sua frota parceira até 2023, um dos maiores anúncios do tipo no mundo Já no primeiro ano de atuação, esses 100 caminhões juntos deixarão de emitir, aproximadamente, 1.540 toneladas de CO² na atmosfera e 583 mil litros de diesel serão economizados. O plano é que os veículos sejam recarregados em uma das 48 usinas solares que a Ambev está implementando nos seus Centros de Distribuição (CDDs) espalhados pelo Brasil.

Quebradeira – Pedidos de recuperação judicial e falência crescem mais de 50% em maio

O Serasa Experian, empresa de análise de crédito e de proteção ao capitalismo, afirma que no mês de maio deste ano os pedidos de recuperação judicial e falência crescem mais de 50%. Uma temeridade, portanto, que o presidente Jair Bolsonaro não mostra nem a velha mídia corporativa faz questão de mostrar. Os números revelam a tragédia econômica em curso sob a égide do ministro Paulo Guedes, blindado pelos jornalões, que também sustentam e protegem o governo Bolsonaro. Em perspectiva, ao colecionar falências e fechamentos de empresas, o Brasil segue trocando empregos e empreendimentos qualificados –com altos valores agregados– por subempregos e pejotização da mão de obra. Seria como se o País trocasse Ferraris por carroças do início do século XX, qual seja, uma volta ao passado, ao pré-capitalismo, à pré-industrialização. No mês de maio foram registrados 92 pedidos de recuperação judicial, uma alta de 48,4% na comparação com abril, quando foram registradas 62 solicitações. Já os pedidos de falência tiveram um salto de 58,5% frente ao mês anterior. Foram 103 em abril, contra 65 em abril. A quebradeira atinge micro e pequena empresa do setor de serviços, diz o levantamento do Serasa. Isso tudo, Bolsonaro nem a Globo mostram.