Saciar a fome e combater suas causas. Por Gilvander Moreira

Em palavras de fogo, Carolina Maria de Jesus, no livro Quarto de Despejo, de 1960, denuncia a brutal injustiça social. Diz ela: “Hoje não temos nada para comer. Queria convidar os filhos para suicidar-nos. Desisti. Olhei meus filhos e fiquei com dó. Eles estão cheios de vida. Quem vive, precisa comer. Fiquei nervosa, pensando: será que Deus esqueceu-me? Será que ele ficou de mal comigo?”. Após o Brasil ter sido tirado do Mapa da Fome, durante o Governo Lula, agora o Brasil foi empurrado novamente para o Mapa da Fome. O enorme número de pessoas pedindo comida, e pesquisas recentes indicam que a fome voltou de forma brutal no Brasil. Mais de 19 milhões de pessoas estão na extrema pobreza (renda mensal abaixo de R$89,00 per capita) passando fome e 27,7% da população (58 milhões de pessoas) estão com insegurança alimentar, segundo pesquisa de Food for Justice. Cadê o respeito ao direito à alimentação prescrito na Constituição Federal? O número de pessoas em situação de rua cresce cotidianamente beirando a 500 mil. O desemprego bate recorde diariamente. As campanhas para arrecadação de alimentos se multiplicam. Os clamores são ensurdecedores, tais como: “Estou deixando de tomar café da manhã para que minhas irmãzinhas possam comer alguma coisa”. “Vários dias por semana vou tentar achar algo para comer no resto da feira ou dos sacolões”. “Dói demais ver e ouvir uma criança da gente, em prantos, pedindo pão e a gente não ter como alimentar nossos filhos”. Um poema profetiza: “Quem tem fome, tem pressa. Não pode esperar. Então corre irmão, vamos. Nesse momento tem gente morrendo de fome, no nosso Brasil. A fome é perversa. E quem alimenta esse monstro do mal é a desigualdade social. Tem barriga vazia fazendo chorar …”[2]. Por amor ao próximo todo povo precisa, urgentemente, se fazer solidário e acudir de forma solidária todos/as que estão passando fome. Campanhas para arrecadação de cestas básicas e todos os gestos de filantropia são necessários com urgência neste momento. Que todos/as doem o máximo possível. Entretanto, faz-se necessário atacar as causas que estão gerando a fome que implode as pessoas por dentro: a estrutura fundiária baseada no latifúndio há 521 anos; o agronegócio que, em latifúndios, com uso indiscriminado de agrotóxico, tecnologia de ponta e muitas vezes submetendo os/as trabalhadores/as a trabalho análogo à situação de escravidão; política econômica neocolonial que concentra cada vez mais riqueza nas mãos da elite; repasse de cerca de 40% do orçamento do país para pagar juros e amortização da dívida pública que já foi paga várias vezes; injustiça tributária (proporcionalmente os pobres pagam muito mais impostos do que os ricos); imposto irrisório sobre herança; falta de taxação justa das fortunas; desmonte do Estado brasileiro com privatizações que são tremendamente danosas ao povo e encarecem o custo de vida; asfixia do SUS e da agricultura familiar; falta de reforma agrária; invasão dos territórios dos Povos e Comunidades Tradicionais; a política genocida do inominável antipresidente que estica e aprofunda a pandemia matando de forma orquestrada mais de 520 mil irmãos e irmãs nossos/as, deixando milhões com sequelas graves e piorando de forma brutal a crise econômica que recai como um fardo insuportável, principalmente nas costas da classe trabalhadora; redução do valor real do salário mínimo e das aposentadorias; salário mínimo de apenas R$1100,00, enquanto o preço da cesta básica está em R$600,00, segundo o DIEESE[3]; Extinção do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), em fevereiro de 2019, por Bolsonaro, entre outros fatores. Tudo isso tece relações sociais que estão fazendo a fome se alastrar de forma vertiginosa, pois aumentam em progressão geométrica a injustiça social e reproduz cotidianamente uma das maiores desigualdades sociais do mundo. No meio do fogo do latifúndio, o capitalismo – atualmente mundializado e em crise estrutural desde a década de 1970 -, ao avançar sobre os territórios, expropriando os camponeses, tem transformado o Brasil em imensas pastagens e imensas monoculturas de cana, de eucalipto, de café, de capim etc. Agronegócio não produz alimento; produz, sim, commodities, que são mercadorias primárias para exportação, exportadas com isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM). Agronegócio produz, sim, desertificação de territórios, violência no campo, desmatamento, envenenamento da terra, dos cursos de água, do ar e epidemia de câncer, alzheimer e várias doenças que se multiplicam no meio do povo pelo exagero de agrotóxicos que aumentam a quantidade do que é produzido, mas com péssima qualidade sanitária. Muitos insistem em manter grande parte do povo brasileiro como rebanho a ser tocado como gado, conforme diz a música Vida de gado, de Zé Ramalho: “Eh, ôô, vida de gado / Povo marcado, ê”. Ainda em 1989, o sociólogo José de Souza Martins atestava: “Os pobres da terra, durante séculos excluídos, marginalizados e dominados, têm caminhado em silêncio e depressa no chão dessa longa noite de humilhação e proclamam, no gesto da luta, da resistência, da ruptura, da desobediência, sua nova condição, seu caminho sem volta, sua presença maltrapilha, mas digna, na cena da História” (MARTINS, 1989, p. 12-13). Ano a ano, no planeta Terra, nossa única Casa Comum, o ser humano e toda a biodiversidade estão em perigo crescente de um apocalipse provocado pelo capitalismo com seu atual modo de produção devastador socioambientalmente em progressão geométrica. Em sua etapa monopolista, o capitalismo no campo com seus complexos industriais de produção agropecuária tem colocado questões inéditas e desafiadoras para a luta pela terra, pois “esse processo contínuo de industrialização do campo traz na sua esteira transformações nas relações de produção na agricultura, e, consequentemente, redefine toda a estrutura socioeconômica e política no campo” (OLIVEIRA, 2007, p. 8). O futuro da humanidade e de todas as espécies vivas está ameaçado como nunca esteve. Como uma cruel máquina de destruir vidas humanas e ecológicas, nos 521 anos de colonização do nosso país, contando o período da acumulação primitiva, o capitalismo está se mostrando cada vez mais feroz e destruidor, atualmente em forma de imperialismo global hegemônico capitaneado pelos Estados Unidos e pelas empresas transnacionais. Convivendo com o
Acusado de roubo de salários e corrupção nas vacinas, Bolsonaro entrega 100% dos Correios

Jair Bolsonaro decide fazer a privatização a toque de caixa, no momento em que é atingido por novos escândalos – O escândalo de corrupção que apontou Jair Bolsonaro como o 01 que roubava até 90% dos salários de seus assessores deixou o governo nas cordas, mas serviu para acelerar o processo de privatização. “O Ministério da Economia fechou o modelo de privatização dos Correios. O governo pretende se desfazer de 100% do capital da empresa, disse o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord. O que se pretende fazer é vender o controle da companhia integralmente, no formato de um leilão tradicional, ou como resume Mac Cord, ‘com abertura de envelopes’. O comprador levará os ativos e passivos dos Correios”, informa o jornal O Globo, na reportagem de Manoel Ventura. Subserviente aos interesses do mercado, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) marcou a votação do projeto dos Correios para a próxima semana, antes do início do recesso parlamentar. Entre os interessados estão grandes empresas internacionais, como a Amazon, e bilionários locais, como Luiza Helena Trajano, do Magalu. A privatização deve fechar agências e desempregar entregadores, preservando o filé da empresa, que é a logística para o comércio eletrônico.
Endividamento de famílias brasileiras bate recorde e alcança maior patamar em 11 anos

Dívidas com cartão de crédito também bateram recorde (afp) Segundo CNC, orçamento das famílias na pandemia foi afetado por inflação alta e o valor baixo do auxílio O primeiro semestre deste ano encerrou com um percentual de 69,7% das famílias brasileiras com alguma dívida, em atraso ou não. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), esse é o maior patamar de endividamento familiar da série histórica de sua pesquisa, iniciada em 2010. De acordo com os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, em maio, a parcela de pessoas com dívida era de 68%. Em junho de 2020, o percentual havia ficado em 67,1%. As dívidas com cartão de crédito também bateram recorde, aparecendo como principal fonte de endividamento para 81,8% do total. O percentual de inadimplentes, ou seja, pessoas que têm contas ou dívidas em atraso, ficou em 25,1% em junho deste ano, acima dos 24,3% do mês anterior, mas abaixo dos 25,4% de junho do ano passado. As famílias que sem condições de pagar suas contas passaram de 10,5% em maio para 10,8% em junho deste ano. Em junho do ano passado, o percentual era de 11,6%. Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o orçamento das famílias na pandemia de Covid-19 tem sido afetado por questões como inflação mais alta e o valor reduzido do auxílio emergencial. “Ainda que os indicadores de inadimplência se encontrem mais baixos na comparação anual, os números mostram que as famílias têm se endividado mais ao longo do ano para conseguir manter algum nível de consumo, respaldadas por uma frágil segurança no mercado trabalho, e diante de preços mais altos dos itens de primeira necessidade”, afirmou Tadros. Agência Brasil
Aneel aprova reajuste de 52% em bandeira vermelha da conta de luz

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou por 4 votos favoráveis a 1, um reajuste de 52% na bandeira vermelha patamar dois. A partir de julho, a taxa adicional cobrada nas contas de luz passará de R$ 6,24 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) para R$ 9,49 kWh. Esse valor, no entanto, poderá ser ainda maior já em agosto e nos próximos meses, já que a agência irá rever os parâmetros para cálculo da bandeira. O reajuste deverá impactar na inflação, já em alta, e causar um efeito cascata nos preços de vários produtos. A consulta pública para a revisão pode ser aberta ainda nesta terça (29), em reunião extraordinária. Isso porque, mesmo com o reajuste aprovado nesta data, há 46% de chances de faltar recursos para cobrir os custos da contratação de térmicas para manter o abastecimento no país. Os técnicos calcularam que o novo patamar da bandeira vermelha nível dois deveria subir algo entre R$ 11,50 e R$ 12,00 a cada 100 kWh. Esse seria o valor necessário para cobrir todo o custo adicional com o acionamento de termelétricas ao longo do segundo semestre deste ano, diante da situação crítica dos reservatórios. Mas o relator do processo, diretor Sandoval Feitosa, afirmou que seria necessário alterar as regras da agência para aprovar um reajuste nesse patamar. Nesse sentido, o diretor apresentou um reajuste de 1,67%, que representaria uma cobrança adicional de R$ 6,49 a cada 100 kWh. Apesar de reconhecer o cenário excepcional, devido à pior crise hídrica dos últimos 91 anos, o diretor afirmou que é justo que uma mudança nas regras seja submetida a uma nova consulta pública, para que o processo tenha transparência e previsibilidade. O entendimento que prevaleceu na diretoria, no entanto, é que o cenário crítico exige um reajuste que comporte os custos e dê um sinal mais claro aos consumidores da situação já a partir do mês de julho, sob risco de um reajuste ainda maior no mês de agosto ou até mesmo no ano que vem, quando um possível déficit na conta bandeiras seria repassado aos consumidores por meio dos reajustes anuais de cada distribuidora. A proposta aprovada foi apresentada pelo diretor-geral da agência, André Pepitone, que sugeriu uma alteração no parâmetro dos cálculos, que passa a incorporar todos os cenários previstos para os próximos meses. Por conta da crise hídrica, as estimativas apontam para os piores cenários, o que resulta no aumento. “A gente não está promovendo aumento porque gosta ou porque quer é uma realidade. O custo está aqui, está presente, o que estamos decidindo é o que fazer com esse custo. Se apresento agora, se apresento depois. Se apresentar depois vou ter esse custo corrigido pela Selic”, afirmou o diretor. Outros reajustes de bandeiras A agência também aprovou reajuste nas bandeiras amarela e vermelha patamar 1. Pela proposta, a taxa cobrada quando a agência acionar a bandeira amarela irá aumentar 39,5%, de R$ 1 343 a cada 100 kWh para R$ 1,874. Já a bandeira vermelha 1 passará de R$ 4,169 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos para R$ 3,971 – redução de 4 75%. O sistema de bandeiras tarifárias foi criado em 2015. Na prática as cores e modalidades – verde, amarela ou vermelha – indicam se haverá ou não cobrança extra nas contas de luz. A bandeira verde, quando não há cobrança adicional, representa que o custo para produzir energia no país está baixo. Já o acionamento das bandeiras amarela e vermelha representa um aumento no custo da geração e a necessidade de acionamento de térmicas, o que está ligado principalmente ao volume dos reservatórios das usinas hidrelétricas e a previsão de chuvas. Considerando que o país entrou no período seco com nível crítico nos reservatórios, a projeção da área técnica da Aneel é que a bandeira vermelha em seu segundo patamar seja mantida, pelo menos, até novembro. Além de possibilitar aos consumidores adaptar seu consumo, o sistema de bandeiras também atenua os efeitos no orçamento das distribuidoras. Anteriormente, o custo da energia era repassado às tarifas uma vez por ano, no reajuste anual de cada empresa, com incidência de juros. Agora, esse custo é cobrado e repassado às empresas mensalmente.
Contra a fome, Guedes defende dar resto de comida aos pobres

A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, completou a receita neoliberal defendendo comprar alimentos fora da validade, em evento da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) O ministro Paulo Guedes elevou o cinismo neoliberal a um novo patamar nesta quinta-feira, 17, em evento promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). Durante o 1º Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento , defendeu dar restos de comida aos pobres – “pessoas fragilizadas, mendigos, pessoas desamparadas”, segundo ele. A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, fez coro defendendo comprar alimentos fora da validade. “O prato de ‘um classe média’ europeu é pequeno, no nosso, há uma sobra enorme. Precisamos pensar como utilizar esse excesso no dia a dia. Aquilo dá pra alimentar pessoas fragilizadas, mendigos, pessoas desamparadas. É muito melhor que deixar estragar”, disse o ministro como proposta de “combate à fome” no país. Segundo Paulo Guedes, os desperdícios da cadeia produtiva precisam ser mais bem aproveitados para acabar com a fome no país. Indo mais longe, Guedes “detalhou” a sua “política”, espezinhando a memória do país que saiu do Mapa da Fome nos governos do PT. “Como utilizar esses excessos que estão em restaurantes e esse encadeamento com as políticas sociais, isso tem que ser feito. Toda aquela alimentação que não for utilizada durante aquele dia no restaurante, aquilo dá para alimentar pessoas fragilizadas, mendigos, desamparados. É muito melhor do que deixar estragar essa comida toda”, completou. O ministro dos banqueiros também defendeu aprofundar o desmonte de qualquer política voltada para a segurança alimentar do povo brasileiro. “Precisamos de novos marcos regulatórios de ferrovias, cabotagem, para aumentar a exportação”, defendeu ele. “Na pandemia, nossas exportações caíram para o resto do mundo, mas subiram para a Ásia. Precisamos de logística para levar nossos alimentos para o resto do mundo“. Não basta impor a fome a milhões de brasileiros. Não basta subir o preço da carne, do gás de cozinha e liberar comida estragada. É preciso tripudiar da privação e humilhar com a intenção de suprir com restos de comida. Neoliberalismo é a barbárie eterna. pic.twitter.com/mS4q18Np1L — Tiago Barbosa (@tiagobarbosa_) June 17, 2021
Primeiro caminhão 100% elétrico do Brasil começa a ser fabricado no RJ

Em um dia histórico para a indústria nacional, a Volkswagen Caminhões e Ônibus iniciou a produção em série do e-Delivery. Caminhão 100% elétrico é o primeiro desenvolvido e testado totalmente no Brasil A Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) deu início à produção em série do caminhão elétrico e-Delivery, único 100% concebido, desenvolvido, testado e aprovado em território brasileiro. Com isso, a fábrica de Resende (RJ) torna-se a primeira linha de montagem larga escala de veículos com tecnologia zero emissões. O primeiro modelo, um e-Delivery 11 toneladas 4×2, vai compor a frota da própria montadora. Os caminhões podem chegar a uma autonomia de até 200 quilômetros, de acordo com a aplicação e a configuração do veículo. A VWCO investiu cerca de R$ 150 milhões no desenvolvimento e complexo produtivo do e-Delivery. A marca alemã construiu uma nova área dedicada exclusivamente à eletrificação: o e-Shop. O espaço também passa a abrigar a maior infraestrutura de carregadores de alta potência do Brasil, com diferentes modelos. “Criamos um processo sob medida para assegurar uma grande estrutura elétrica de forma eficiente. Vamos produzir os veículos aproveitando ao máximo os recursos já existentes, com um alto nível de sinergia, ao mesmo tempo que garantimos a inovação que o cliente espera e que o produto exige. Todo esse avanço é acompanhando por um amplo trabalho de preparação da cadeia com os envolvidos para viabilizar a mobilidade elétrica no país”, afirma Roberto Cortes, presidente e CEO da VW Caminhões e Ônibus. A fabricação do Volkswagen e-Delivery também se beneficia de todos os ganhos da indústria 4.0. Isso inclui um nível de automação de 60% na armação de sua cabine. Também predomina a tecnologia de reconhecimento automático do veículo, com um chip em cada veículo para programação dos robôs. Linha de montagem do e-Delivery Coração da montagem elétrica, o e-Shop é o novo espaço em que os veículos recebem as baterias e são energizados pela primeira vez para serem ligados, satisfazendo todos os mais rígidos protocolos de segurança. Antes de chegar lá, os modelos e-Delivery nascem na mesma linha de montagem dos veículos diesel. Pela primeira vez também, a suspensão pneumática é instalada dentro da própria fábrica. No fim de todas as montagens, a marca submete o veículo a novas aprovações específicas para caminhões com alta voltagem, além dos mesmos testes de qualidade que todos os outros produtos já passam antes de serem liberados para o cliente. Ambev: 100 unidades Em outubro de 2020, a Ambev e a VW Caminhões e Ônibus oficializaram acordo para entrega dos 100 primeiros caminhões elétricos e-Delivery. Os modelos deverão começar o trabalho no segundo semestre de 2021. A cervejeira pretende utilizar os limpa pelas ruas de São Paulo e Rio de Janeiro. O acordo faz parte do compromisso da companhia de ter 1.600 caminhões Volkswagen elétricos na sua frota parceira até 2023, um dos maiores anúncios do tipo no mundo Já no primeiro ano de atuação, esses 100 caminhões juntos deixarão de emitir, aproximadamente, 1.540 toneladas de CO² na atmosfera e 583 mil litros de diesel serão economizados. O plano é que os veículos sejam recarregados em uma das 48 usinas solares que a Ambev está implementando nos seus Centros de Distribuição (CDDs) espalhados pelo Brasil.
Quebradeira – Pedidos de recuperação judicial e falência crescem mais de 50% em maio

O Serasa Experian, empresa de análise de crédito e de proteção ao capitalismo, afirma que no mês de maio deste ano os pedidos de recuperação judicial e falência crescem mais de 50%. Uma temeridade, portanto, que o presidente Jair Bolsonaro não mostra nem a velha mídia corporativa faz questão de mostrar. Os números revelam a tragédia econômica em curso sob a égide do ministro Paulo Guedes, blindado pelos jornalões, que também sustentam e protegem o governo Bolsonaro. Em perspectiva, ao colecionar falências e fechamentos de empresas, o Brasil segue trocando empregos e empreendimentos qualificados –com altos valores agregados– por subempregos e pejotização da mão de obra. Seria como se o País trocasse Ferraris por carroças do início do século XX, qual seja, uma volta ao passado, ao pré-capitalismo, à pré-industrialização. No mês de maio foram registrados 92 pedidos de recuperação judicial, uma alta de 48,4% na comparação com abril, quando foram registradas 62 solicitações. Já os pedidos de falência tiveram um salto de 58,5% frente ao mês anterior. Foram 103 em abril, contra 65 em abril. A quebradeira atinge micro e pequena empresa do setor de serviços, diz o levantamento do Serasa. Isso tudo, Bolsonaro nem a Globo mostram.
População desempregada no Brasil alcança recorde de 14,805 milhões de pessoas

Fila de pessoas em busca de trabalho, em São Paulo: todos os índices tiveram piora (Mauro Pimentel/AFP) Taxa de informalidade chega a 39,6% e subutilização tem 1,171 milhões de pessoas a mais O país registrou um recorde de 14,805 milhões de pessoas desempregadas no trimestre encerrado em março, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “É o maior contingente de toda a nossa série histórica”, apontou Adriana Beringuy, gerente da Pnad Contínua. A taxa, também recorde, chegou a 14,7% no primeiro trimestre do ano, um aumento de 2,5 pontos percentuais (12,2%) em relação ao mesmo período de 2020, quando a pandemia do coronavírus atingiu o país. No trimestre terminado em março de 2021, faltou trabalho para um recorde de 33,202 milhões de pessoas no país, segundo o IBGE. Foram 14,8 milhões de pessoas procurando trabalho no Brasil em março, 1,9 milhão a mais que há um ano. O recorde anterior, de 14,6%, datava do período julho-setembro de 2020. Seguiram-se quatro quedas consecutivas, antes de a curva voltar a subir a partir de novembro, segundo o IBGE, que faz seus relatórios com base nos trimestres móveis. O IBGE também mostrou que a soma do contingente de desocupados com o de subempregados (com número insuficiente de horas trabalhadas) chega a 33,2 milhões, outro recorde preocupante, com aumento de 1,2 milhão em relação ao período janeiro-março de 2020, antes da pandemia. O total de desocupados cresceu 6,3% em relação a dezembro, 880 mil pessoas a mais em busca de uma vaga. O Brasil alcançou um recorde de 5,970 milhões de pessoas em situação de desalento no trimestre. A população desalentada é definida como aquela que estava fora da força de trabalho por uma das seguintes razões: não conseguia trabalho, ou não tinha experiência, ou era muito jovem ou idosa, ou não encontrou trabalho na localidade – e que, se tivesse conseguido trabalho, estaria disponível para assumir a vaga. Os desalentados fazem parte da força de trabalho potencial. O resultado significa 182 mil desalentados a mais em relação ao trimestre encerrado em dezembro, um aumento de 3,1%. Em um ano, 1,2 milhão de pessoas a mais caíram em situação de desalento, alta de 25,1%. A população ocupada somou 85,650 milhões de pessoas, 529 mil trabalhadores a menos em um trimestre. Em relação a um ano antes 6,573 milhões de pessoas perderam seus empregos. A população inativa somou 76,483 milhões de pessoas no trimestre encerrado em março, 225 mil a mais que no trimestre anterior. Em relação ao mesmo período de 2020, a população inativa aumentou em 9,202 milhões de pessoas. O nível da ocupação – porcentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar – caiu de 53,5% no trimestre encerrado em março de 2020 para 48,4% no trimestre até março de 2021. No trimestre terminado em dezembro de 2020, o nível da ocupação era de 48,9%. Informalidade e subutilização De acordo com a Pnad Contínua, do IBGE, o Brasil alcançou uma taxa de informalidade de 39,6% no mercado de trabalho no trimestre até março, com 34,029 milhões de trabalhadores atuando informalmente. Em um trimestre, 69 mil pessoas a menos atuavam como trabalhadores informais. A proporção de trabalhadores ocupados contribuindo para a previdência social ficou em 64,4% no trimestre até março. A taxa composta de subutilização da força de trabalho subiu de 28,7% no trimestre até dezembro para 29,7% no trimestre até março. O indicador inclui a taxa de desocupação, a taxa de subocupação por insuficiência de horas e a taxa da força de trabalho potencial, pessoas que não estão em busca de emprego, mas que estariam disponíveis para trabalhar. No trimestre até março de 2020, a taxa de subutilização da força de trabalho estava em 24,4%. A população subutilizada subiu 3,7% ante o trimestre até dezembro, 1,171 milhão de pessoas a mais. Em relação ao trimestre até março de 2020, houve um avanço de 20,2%, mais 5 582 milhões de pessoas. Em todo o Brasil, há 7,032 milhões de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas trabalhadas. O indicador inclui as pessoas ocupadas com uma jornada inferior a 40 horas semanais que gostariam de trabalhar por um período maior. Na passagem do trimestre até dezembro para o trimestre até março houve um aumento de 241 mil pessoas na população nessa condição. O país tem 565 mil pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas a mais em um ano. Fechamento de vagas O trimestre encerrado em março de 2021 mostrou um fechamento de 315 mil vagas com carteira assinada no setor privado em relação ao trimestre encerrado em dezembro. Na comparação com o trimestre até março de 2020, 3,526 milhões de vagas com carteira assinada foram perdidas no setor privado, segundo o IBGE. O total de pessoas trabalhando com carteira assinada no setor privado foi de 29,570 milhões no trimestre até março, enquanto outros 9,691 milhões atuavam sem carteira assinada, 294 mil a mais que no trimestre anterior. Em relação ao trimestre até março de 2020, foram extintas 1,333 milhão de vagas sem carteira no setor privado. O trabalho por conta própria ganhou 565 mil pessoas a mais em um trimestre, mas ainda tem 322 mil a menos que o patamar de um ano antes, totalizando 23,837 milhões de pessoas. O número de empregadores diminuiu em 153 mil pessoas em um trimestre. Em relação a março de 2020, o total de empregadores é 616 mil inferior. O país teve um aumento de 34 mil pessoas no trabalho doméstico em um trimestre, para 4,936 milhões de pessoas, mas esse contingente ainda é 1,035 milhão menor que no ano anterior. O setor público contratou 159 mil ocupados no trimestre terminado em março de 2021 ante o trimestre encerrado em março de 2020. Na comparação com o trimestre até dezembro de 2020, foram fechadas 351 mil vagas. Apenas a agricultura gerou empregos Na comparação anual, o único setor que registrou aumento de pessoal foi a agricultura (+ 4%, ou
CPI do Genocídio aprova convocação de nove governadores, Witzel, Queiroga e Pazuello

A CPI da Covid aprovou nesta quarta-feira (26) a convocação de nove governadores para depor à comissão, além do ex-chefe estadual do Rio Wilson Witzel, que foi cassado do cargo após um processo de impeachment. O aval da comissão para que esses gestores compareçam ao colegiado atende a pedido de governistas, que desde o início dos trabalhos tentam direcionar o foco da CPI na apuração do destino de recursos federais repassados a estados e municípios para combate à pandemia. Além disso, o senadores vão ouvir novamente o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o general Eduardo Pazuello, ex-titular da pasta. Na lista de governantes estaduais convocados estão Wilson Lima, do Amazonas; Helder Barbalho, do Pará; Wellington Dias, do Piauí; Ibaneis Rocha, do Distrito Federal; Mauro Carlesse, do Tocantins; Carlos Moisés, de Santa Catarina; Antônio Denarium, de Roraima; Waldez Góes, do Amapá; e Marcos Rocha, de Rondônia. Na sessão, os senadores também bateram boca sobre o pedido de convocação do presidente Jair Bolsonaro, apresentado pelo vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O fato de Randolfe ter protocolado o requerimento no dia que os senadores avaliam a convocação de gestores estaduais e municipais foi avaliado pelos governistas como uma manobra. A justificativa de Randolfe é de que, ao convocar governadores e prefeitos, a CPI estaria abrindo precedente que dá aval para o presidente da República também ser chamado. “Pedido de convocação de Bolsonaro se revelou estratégia para não convocarmos governadores. Esse requerimento (convocar Bolsonaro) vai em afronta total ao princípio de separação dos Poderes”, disse o senador aliado do governo Bolsonaro Marcos Rogério (DEM-RO). “Vedações da Constituição e regimento valem para presidente da República e governadores. Se abrimos precedente (ao convocar governadores), que seja para todos”, rebateu Randolfe, que alfinetou ainda a proximidade de Rogério com o governo. “Marcos Rogério deve estar morando no Alvorada já”, disse o senador, em referência à residência oficial do presidente da República. Randolfe pediu que a convocação de Bolsonaro fosse apreciada ainda nesta quinta pelos senadores, o que foi negado pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). “Não dá para entrar nessa pauta, depois a gente analisa (o que será feito)”, disse Aziz.
SIM, PODEMOS – LeftBank sugere à esquerda um banco para chamar de seu

Fintech criada há cinco meses, LeftBank conta com dois mil clientes e cresce 5% ao dia, informa seu diretor-geral, o ex-deputado petista Marco Maia “Por que temos de financiar um Bradesco, um Itaú, um Santander, uma Vivo etc… se podemos construir nossas próprias alternativas. Até mesmo os bancos públicos hoje são utilizados para sustentar um projeto que não nos representa.” O questionamento está na base do lançamento, em 18 de dezembro de 2020, do LeftBank, o banco da esquerda. A frase é do diretor-geral dessa fintech – empresa do setor financeiro totalmente digital –, o ex-deputado federal Marco Maia, do Partido dos Trabalhadores, o PT. Ele conta, em entrevista exclusiva à RBA, que o LeftBank já conta com 2 mil “parceiros”, ou clientes, entre pessoas físicas e jurídicas, nesses cinco meses de existência. “A ideia surgiu para romper com a dependência que aqueles que defendem os direitos humanos, a ciência, o meio ambiente e os direitos sociais e trabalhistas, por exemplo, têm em comprar serviços básicos de empresas comprometidas com valores que não são os nossos”, afirma Maia. “No Brasil somos mais de 50 milhões de cidadãos identificados com a esquerda. Estamos filiados a sindicatos, associações, cooperativas, organizações sociais etc…” O ex-deputado federal por três mandatos e ex-presidente da Câmara dos Deputados (2010/2013), com origem no movimento sindical metalúrgico de onde também veio o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considera que há algumas décadas a esquerda vem construindo alternativas ao modelo excludente do sistema capitalista. “No Brasil, com a vitória de Bolsonaro, podemos perceber e identificar o verdadeiro posicionamento de vários cases do mercado e do setor econômico. Havan, Madeiro e outros desnudaram um padrão de comportamento que não dialoga com nossas opiniões e posições. Por que continuar consumindo estes serviços? É nesta esteira que surge a proposta, de alguns companheiros e companheiras, de desenvolver um projeto voltado a dar a oportunidade a quem pensa com a esquerda de não mais contribuir com o capital tradicional.” Sem medo de ser feliz Sobre as reações dos “companheiros”, diante do projeto de “banco de esquerda”, Marco Maia comenta que a maioria das pessoas apoia, saudando a iniciativa e topando debater a ideia de oferecer produtos e serviços que dialoguem com a causa que defendem. “Quem nos questiona se não é uma contradição um banco de esquerda, digo que temos de ser cada vez mais objetivos e propositivos, vivemos numa sociedade capitalista e enquanto não a mudarmos não podemos fugir”, diz. “Como pessoas de esquerda, temos de disputar essa sociedade, com as armas que ela nos disponibiliza, criando alternativas para mitigar o grande estrago que o capital faz na concentração de renda e na vida das pessoas.” E exemplifica: “Não adianta eu questionar o capital e fazer uma TED no Bradesco pagando 12 reais. Onde esses 12 reais serão investidos? Todos os meses eu pago a conta do celular e não sei onde este recurso será gasto, com qual projeto ou a qual interesse ele estará a serviço. Precisamos criar uma rede de consumo e produção positiva.” Entre 2014 e 2019 o número de fintechs no Brasil saltou de 295 para 742, empregando mais de 40 mil pessoas, de acordo com Distrito FinTech Report 2020 Sobre eventuais críticas de acirrar a polarização ou ir contra a tendência de diversidade e inclusão, Maia é categórico. “Pelo contrário. Definir um segmento é absolutamente atual. Somos de esquerda e esquerda para nós são valores”, destaca. “Hoje temos mais de 40 milhões de brasileiros que não possuem uma conta bancária. E não possuem porque os bancos tradicionais não os querem. São pessoas à margem da sociedade. Nós os queremos!” Maia avisa que ninguém será discriminado ou impedido se quiser operar com o LeftBank. “Não há um questionário para saber sua posição política. A transparência baseia nossa operação. Quem discrimina os outros pela sua ideologia não somos nós. Agora, nós temos opinião e posição na defesa dos direitos humanos, da ciência, do meio ambiente, dos direitos sociais e trabalhistas.” Alternativa à concentração Além do LeftBank, o projeto do qual Maia participa conta também, desde 27 de abril, com o LeftFone. E serão lançados “em breve” um serviço de proteção veicular, um de seguros e outro na área de saúde. “Todos eles nas mesmas condições e em muitos casos muito melhores que os serviços praticados pelos operadores tradicionais. Por exemplo, no LeftBank os parceiros têm acesso à emissão de boletos de cobrança, transferência entre contas, via SMS, DOC/TED, PIX e cartão de crédito pré-pago”, descreve. “Hoje é 99% daquilo que oferece um banco tradicional. E em breve chegaremos a 100%. Tudo isso mais barato, sem cláusulas escondidas, de forma transparente e com compromisso social e de classe. Na verdade o que nos falta agora é só oferecer crédito. Mas é um processo. Logo ali já estaremos também com esta funcionalidade. O mesmo acontece com o LeftFone, onde temos atendimento de excelência, cobertura nacional, sem exigência de fidelidade e sem imposições de cadastro”, detalha Maia. Estranho são os cinco maiores bancos do Brasil com lucros absurdos, inclusive nesse momento de desemprego e desalento da classe trabalhadora e da população brasileira “O LeftBank e a LeftFone são inovações. Representam a modernidade e a ruptura com as estruturas tradicionais. Um banco posicionado que assume seu lado na sociedade. E que já no seu nascimento traz consigo aquilo que de mais moderno existe no mercado”, defende. “Estranho são os cinco maiores bancos do Brasil com lucros absurdos, inclusive nesse momento de desemprego e desalento da classe trabalhadora e da população brasileira. Além disso, inovação, para nós, é oferecer uma alternativa a todas as pessoas de esquerda para que elas não precisem concentrar suas operações nos bancos tradicionais que dizem que as apoiam e dividem lucros bilionários com alguns.” Contra o fascismo As conversas em torno da criação dessas empresas de esquerda, em setores onde a direita impera, vem desde 2018, conta o ex-deputado petista. “Conversávamos sobre a ideia de ‘muros de resistência’ a essa ‘onda fascista’ que estava querendo se implantar