Onde a crise nunca chega: maiores bancos do país lucraram R$ 26 bi só no 1º trimestre

Cena familiar para quem precisa ir a um banco: fila e tempo desperdiçado Apenas os três principais bancos privados tiveram crescimento de 47% sobre igual período do ano passado. Apesar do lucro, 8,6 mil empregos foram eliminados Por Vitor Nuzzi, da RBA O setor financeiro vem passando ileso por mais uma crise, palavra que se reflete apenas no fechamento de agências e postos de trabalho. Os cinco maiores bancos do país somaram R$ 26,4 bilhões de lucro líquido só no primeiro trimestre. No setor privado, Bradesco, Itaú e Santander acumularam R$ 16,9 bilhões, crescimento médio de 46,9% ante igual período de 2020. O lucro da Caixa cresceu 50,3% e o do Banco do Brasil, 44,7%. No caso do Bradesco, o lucro líquido teve salto de 73,6% na comparação com os três primeiros meses do ano passado e chegou a R$ 6,515 bilhões. Nesse mesmo intervalo, o banco eliminou 8.547 vagas, fechou 1.088 agências e abriu 700 unidades de negócios, lembra a subseção do Dieese na Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). Ao final de 2020, eram 89.575 empregados, número já 8% menor que o do ano anterior. “Forte retomada” Apesar de toda a crise, o Bradesco demonstrou otimismo ao divulgar seus resultados trimestrais, falando em “forte retomada” da atividade. “O agravamento da pandemia impactou negativamente o PIB entre março e abril deste ano. Antes disso, os dados mostravam forte retomada da economia, indicando o que devemos esperar quando as restrições diminuírem”, diz o banco. Ainda segundo a instituição, a vacinação – que segue em ritmo lento – “está ganhando tração” no país e deverá contribuir para esse processo nos próximos meses. Já o Itaú teve aumento um pouco menor, mas expressivo, de 63,6% sobre 2020, e registrou lucro de R$ 6,4 bilhões. Enquanto o Santander registrou crescimento de 4,1% sobre o primeiro trimestre do ano passado, e atingiu recorde de R$ 4,012 bilhões. Apesar de lucro, bancos cortam 8,6 mil vagas Ainda assim, lembra o Dieese, o setor continua demitindo. Apenas esses três bancos fecharam 8.625 vagas. “E a redução de postos poderia ser ainda maior, não fosse o Itaú apresentar seus números considerando os funcionários de uma empresa que comprou (Zup, da área de tecnologia, adquirida em 2019). Na verdade, não são novos empregos”, afirma o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT, Mario Raia. Com isso, o Itaú fechou o trimestre com 84.415 funcionários na holding, 2.308 a mais em 12 meses, com incorporação de pessoal da Zup a partir do segundo trimestre de 2020. O Santander tinha 44.806, 2.386 a menos, além do fechamento de 140 agências e 91 Postos de Atendimento Bancário. Serviços e tarifas A receita do Santander com prestação de serviços e tarifas cresceu 8,3%, enquanto os gastos com pessoal caíram 4,4%. No Itaú, que fechou 115 agências em 12 meses, essa mesma receita foi 59,8% maior que as despesas com funcionários. “É um resultado muito expressivo para um ano de pandemia e com um cenário econômico tão delicado no país”, diz a economista Vivian Machado, do Dieese, referindo-se aos resultados financeiros. “A verdade é que os bancos nunca pararam de lucrar alto. Os crescimentos divulgados para este primeiro trimestre são comparados a números rebaixados artificialmente pelos bancos com provisões estrondosas no ano passado”, acrescenta Raia. Baixa inadimplência Ele observa que, em 2020, os bancos, receando calote, fizeram provisões para dívidas duvidosas (PDD). “Os índices de inadimplência estavam e continuaram muito baixos. As provisões acabaram maquiando o grande lucro que eles tiveram no ano passado, assim como tiveram este ano, mostrando, mais uma vez, que os bancos, com crise, ou sem ela, lucram muito.” O Santander informou, no balanço, que os índices de inadimplência, tanto de pessoa física como jurídica , seguem em “níveis confortáveis”. Os dados do Bradesco mostram taxas próximas às do ano passado – e abaixo de 2019. Caixa e BB Na semana passada, a Caixa Econômica Federal, único banco a contratar neste ano, divulgou o balanço do primeiro trimestre, reportando lucro líquido de R$ 4,6 bilhões, crescimento de 50,3% sobre igual período do ano passado. Isso foi o suficiente para o presidente da República divulgar informação falsa, afirmando que “lá atrás” o banco dava prejuízo. “Em diversas ocasiões ele disse que não entende nada de economia. Por isso, não podemos nos espantar com esse erro grotesco”, afirma a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt, dirigente da Contraf-CUT. “Ainda mais que ele, com toda sua ignorância econômica, é influenciado por declarações do presidente da Caixa (Pedro Guimarães), que espalha informações incorretas para exaltar sua própria gestão”, acrescenta. “Ele compara os valores absolutos do lucro nominal, sem trazer os números a valor presente. Fazer a comparação desta forma é, no mínimo, má fé. ” Em entrevista, Guimarães destacou a importância da Caixa no pagamento de programas sociais. “Mas, se a Caixa consegue obter tamanho lucro e ainda dá tamanha contribuição ao país, por que o governo está fatiando para vendê-la a troco de bananas?”, questiona Fabiana, citando a recente abertura de capital (IPO) da Caixa Seguridade. “É uma área do banco altamente lucrativa e em crescimento. que está sendo dada de mão beijada à iniciativa privada.” Segundo levantamento feito pelo Dieese, a Caixa teve lucro nos últimos 18 anos. Segundo o instituto, foram R$ 39,7 bilhões durante o governo Lula (2003-2010), R$ 51 bilhões no governo Dilma (2011-2016) e R$ 25,4 bilhões no governo Temer (2017-2018). Em 2019 e 2020, o lucro acumulado foi de R$ 35,1 bilhões. Este montante, contudo, inclui valores decorrentes da venda de ativos, e as atividades fim da instituição tiveram baixo impacto nos resultados, conforme reportagem do site Reconta Aí. Acima do previsto Por fim, o Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado (que exclui itens extraordinários) de R$ 4,913 bilhões. Valor acima das estimativas de analistas e 44,7% maior que o de igual período de 2020. O retorno sobre o patrimônio líquido, indicador da lucratividade dos bancos, também cresceu. Em 12 meses, conforme aponta o Dieese, o número
Estudo aponta que carga de trabalho acima de 55 horas semanais pode levar à morte

OMS e a OIT estimam que 398 mil pessoas morreram de derrame cerebral e 347 mil de doenças cardíacas em 2016 por terem trabalhado pelo menos 55 horas por semana De acordo com estudo publicado nesta segunda-feira (17) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Internacional do Trabalho (OIT) longas jornadas de trabalho podem aumentar os riscos de morte por doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais (AVC) e que risco pode estar associado à pandemia de Covid-19, já que os novos hábitos impuseram uma nova rotina de trabalho, ainda mais intensa. Segundo reportagem do UOL, as autoridades de saúde alertam que trabalhar mais de 55 horas por semana pode levar a mortes prematuras. A pesquisa aponta que 55 horas ou mais de trabalho por semana pode levar a um aumento de 35% no risco de morte por AVC e um aumento de 17% no risco de morte por doença isquêmica do coração tanto para homem quanto para mulher. A maioria das mortes registradas se refere a pessoas de 60 a 79 anos. Segundo a OMS, esse risco pode aumentar com o teletrabalho, pois não há “fronteiras entre a casa e o trabalho”, não havendo uma desconexão dos trabalhadores.
Brasil chega ao pior 1º de Maio de sua história, com 7,8 milhões de empregos perdidos

Em um ano de pandemia, o Brasil perdeu quase 8 milhões de empregos e 17 bilhões de reais em renda Dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgados nesta sexta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revelam que o desemprego atingiu o patamar recorde de 14,4% no trimestre encerrado em fevereiro. Em um ano de pandemia, a massa de rendimentos do trabalho das pessoas ocupadas encolheu 7,4%, uma perda de R$ 16,8 bilhões, na comparação entre o trimestre encerrado em fevereiro de 2021 e o mesmo período do ano passado. Os dados do IBGE mostram que o Brasil perdeu 7,8 milhões de postos de trabalho em um ano, aponta reportagem da Folha de S.Paulo. A taxa de desemprego aberto no Brasil subiu a 14,4% no trimestre compreendido entre dezembro de 2020 a fevereiro de 2021, o que levou o número absoluto de brasileiros e brasileiras desocupados a bater um novo recorde e alcançar 14,4 milhões. O drama da desocupação involuntária na verdade é mais amplo. É preciso acrescentar nesta conta o exército de desalentados, também recordista. São 6 milhões de desempregados que simplesmente desistiram de procurar emprego e foram temporariamente excluídos do mercado. Temos ainda uma vasta multidão de subocupados. O nível de ocupação continua abaixo de 50%, o que significa que mais da metade da população brasileira em idade ativa não tem ocupação. 29,9% da população economicamente ativa (32,6 milhões) estão subutilizados. Trata-se de um desperdício imensurável de forças produtivas, o que traz perdas irreparáveis ao desenvolvimento nacional. O estado lastimável do mercado de trabalho brasileiro não reflete apenas a pandemia, mas sobretudo a política econômica desastrosa do governo Bolsonaro, comandada por um rentista incompetente e embriagado pelos interesses do mercado e o fundamentalismo neoliberal. A solução da crise passa por uma mudança radical na política econômica, destaca o site da CTB.
Lula é um homem de centro e sofre preconceito de empresários, diz Walfrido dos Mares Guia

Para o ex-ministro, setor produtivo não precisa ter medo de eventual novo governo do petista Um dos maiores empresários do País, Walfrido dos Mares Guia diz que o setor empresarial não deve temer o ex-presidente Lula, que já provou que governou com sucesso e fez o País crescer para todos. Walfrido dos Mares Guia ocupou durante o governo Lula as pastas do Turismo (2003-07) e das Relações Institucionais (2007). Ele estima que 80% dos empresários hoje sejam refratários ao ex-presidente. Atualmente, ele se dedica às duas empresas de que é acionista, a Kroton, do setor educacional, e a Biomm, de biotecnologia. Ele é aliado de Lula e conversa frequentemente com o ex-presidente. O PT alimenta a expectativa de que seu prestígio possa ajudar Lula a recuperar terreno perdido no meio empresarial. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Mares Guia diz que “os empresários não precisam ter medo”, pois, segundo ele, “Lula é um homem de centro, um homem equilibrado”. “Acho que os empresários não precisam ter medo, mesmo que tenham outro candidato, façam jantar fechado com candidato a, b, c ou d. Há um preconceito anti-petista, que está aí ainda, cada vez menos, mas ainda está. Então eu não tenho dúvida de que ele vai conversar, e ele conversa com qualquer um, com o mesmo respeito. O futuro presidente da República tem que unificar o país, pacificar. Não pode ser uma pessoa que entre para desunir mais ainda, senão nós vamos parar onde?” Leia aqui a íntegra da entrevista
Câmara aprova urgência para projeto de privatização dos Correios

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (20), por 280 votos a 165, o regime de urgência para o Projeto de Lei 591/21 que permite a privatização dos Correios. O regime de urgência acelera a análise do texto, mas ainda não foi definida a data de votação do mérito do projeto. Pela proposta, de autoria do governo Bolsonaro, a União manterá para si os serviços mais básicos, como encomendas simples, cartas e telegramas (o chamado “serviço postal universal”). Os demais serviços, os mais lucrativos, serão entregues à iniciativa privada. A presidenta nacional do PT e vice-líder da Bancada do partido na Câmara, deputada Gleisi Hoffmann (PR), criticou a maioria governista que votou favoravelmente à urgência do projeto e afirmou que a decisão pode acarretar a demissão de 99 mil trabalhadores da atual empresa pública. Além disso, a dirigente petista também argumentou que não existe justificativa alguma para a privatização da empresa, já que os Correios lucraram em 2020 cerca de R$ 1,5 bilhão. “Essa instituição beneficia o povo brasileiro porque leva cartas aonde não chega a Internet, em todos os municípios do Brasil, porque serve de banco postal, facilitando a vida dos mais pobres, porque as encomendas entregues pelos Correios são muito, muito mais baratas do que aquelas entregues pelo FedEx ou por qualquer outra empresa privada. Aliás, é cerca de 12 vezes mais barata a entrega de mercadoria”, explicou Gleisi. No final do mês de fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) entregou pessoalmente o projeto de privatização dos Correios ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP). Na semana passada, o governo publicou no Diário Oficial da União (DOU) um decreto incluindo a estatal no Programa Nacional de Desestatização (PND). Leia também: PG informa: a privatização dos Correios neste governo Bolsonaro é fava contada
Cinco anos após impeachment, direitos trabalhistas ruíram e o emprego não veio

Michel Temer, que sancionou a reforma trabalhista, transmite a faixa presidencial a Bolsonaro, responsável pela reforma da Previdência – Evaristo Sa/AFP Redução da proteção ao trabalhador não resolveu problema do desemprego e fez regredir a qualidade de vida no país Por Daniel Giovanaz – Brasil de Fato Terceirização irrestrita. Reformas trabalhista e da Previdência. Fim do Ministério do Trabalho. O impeachment de 2016, da então presidenta Dilma Rousseff (PT), abriu caminho para uma destruição em série dos direitos trabalhistas no Brasil. Passados cinco anos, a promessa de geração de vagas de trabalho não se cumpriu, e as condições de vida dos trabalhadores brasileiros só pioram. A situação já era dramática antes da pandemia, que agregou contornos de crueldade. Os trabalhadores sem carteira assinada e “por conta própria”, que se tornaram maioria em 2017, foram os mais atingidos, e hoje dependem de um auxílio emergencial que não banca nem metade da cesta básica. Relembre a lista de direitos perdidos Histórico A substituição de Dilma Rousseff pelo vice Michel Temer (PMDB) – “com o Supremo, com tudo” – deu condições para aplicação de uma agenda econômica que ficou latente por 20 anos. “As questões que aparecem na reforma trabalhista [de 2017] começaram a ser introduzidas nos anos 1990, no governo Fernando Henrique [PSDB]”, recorda José Dari Krein, doutor em Economia Social e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Na época, não foi alterada a legislação pré-existente, mas houve mudanças em elementos centrais da relação de emprego, sobre as formas de remuneração, contratações atípicas, precárias, e também sobre flexibilização da jornada de trabalho”, completa. No final daquela década, o setor empresarial já pressionava, por exemplo, pela prevalência do “negociado sobre o legislado”. A ideia era que os patrões pudessem estabelecer condições diretamente com o empregado, sem a obrigatoriedade da participação ou mediação de entidades sindicais. O argumento – que nunca foi comprovado na prática – era que essas condições encareciam a mão de obra, impediam a geração de empregos e limitavam a produtividade. O início dos governos PT, com um ciclo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e dos níveis de emprego e renda, esfriou essa demanda empresarial por quase uma década. Da mesma forma, quando a economia brasileira começou a sentir os primeiros efeitos da crise mundial, as pressões recomeçaram. Já no governo Dilma, ocorreram retrocessos trabalhistas, como cortes no valor do abono do PIS e do seguro-desemprego. Além da desoneração das folhas salariais, a agenda empresarial forçou a desvalorização da moeda e a diminuição da taxa de juros com o pretexto de estimular investimentos no país. A adoção de parte dessa cartilha por Dilma não surtiu efeitos positivos, e o PIB brasileiro encolheu 7,5% em dois anos. O mau desempenho econômico caiu como uma luva para setores da oposição, derrotados na eleição de 2014, que buscavam a todo custo um pretexto para substituir o governo. Ponte para o futuro abismo Segundo os entrevistados, o impeachment de 2016 foi resultado de insatisfações de parte da elite política – insatisfeita com o diálogo de Dilma com o Congresso – e econômica, que exigia cortes mais drásticos no gasto público e redução nos custos com mão de obra. O documento “Ponte para o Futuro”, do PMDB, materializava já em outubro de 2015 o pacto de Temer com esses interesses. A primeira medida, em dezembro de 2016, foi a aprovação da Emenda Constitucional (EC) 95, que congelou os investimentos em áreas como saúde e educação por 20 anos. “Essa aprovação marca uma mudança concreta de projeto de país, que abre caminho para todas as reformas que vêm a seguir”, afirma Patrícia Pelatieri, coordenadora de pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “Boa parte da tragédia que a gente vive hoje tem a ver com as escolhas políticas feitas a partir de 2014, e muito aprofundadas a partir do impeachment de 2016”, acrescenta a pesquisadora. Para Pelatieri, os retrocessos na legislação trabalhista devem ser lidos como parte de uma agenda que envolveu, além do “Teto de Gastos”, privatizações, mudanças na política de preços da Petrobras e desfinanciamento da agricultura familiar, elevando o preço dos alimentos e propiciando a volta da fome. Rasgando a CLT Se 2016 foi difícil para os trabalhadores brasileiros, as mudanças introduzidas no ano seguinte se mostraram ainda mais devastadoras. Em março, o Congresso aprovou a “terceirização irrestrita”, mesmo quando se trata da atividade-fim das empresas em questão. Todos os entrevistados ouvidos pela reportagem enfatizaram o agravamento da precarização a partir dessa medida. Era o prenúncio da reforma trabalhista, aprovada em julho. “Ela tramitou em tempo recorde. Em seis meses, foram introduzidas mais de 200 modificações na legislação”, ressalta a economista Marilane Teixeira, assessora sindical na área de trabalho e gênero e integrante do Fórum Permanente em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização. Só na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), foram 130 alterações. Nenhuma delas ampliou direitos dos empregados, frente aos empregadores. “A legislação deveria dar conta de proteger o elo mais frágil da relação capital-trabalho, que é o trabalhador. A reforma trabalhista faz uma inversão dessa lógica. Ela tem objetivo de cortar custos relacionados à contratação, remuneração, intervalos entre jornadas, deslocamento, saúde e segurança”, enfatiza Pelatieri. Tic-tac Para o professor José Dari Krein, um dos elementos mais importantes dessa reforma é a gestão do tempo. “O aspecto central da reforma é viabilizar o mercado de trabalho flexível, ampliar a liberdade do empregador de gerir a força de trabalho de acordo com o que é mais conveniente com o seu negócio, no tempo e no espaço”, analisa. “Aumentar a liberdade da empresa significa diminuir a possibilidade de o trabalhador organizar sua vida pessoal. Porque ele passa a estar muito mais tempo em função do trabalho do que antes da reforma”, acrescenta o especialista. O chamado “trabalho intermitente”, previsto na reforma, radicalizou essa situação. “Nessa modalidade, o trabalhador deve estar à disposição da empresa para o que ela precisar, do jeito que ela quiser. Chegando ao cúmulo de o trabalhador ter que pagar multa quando não
Bolsonaro oficializa inclusão de EBC e Eletrobras em programa de desestatização

Medida é um passo para a privatização das duas estatais. Decisão foi publicada no Diário Oficial O presidente Jair Bolsonaro incluiu oficialmente a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), responsável pela TV Brasil, e a Eletrobras no Programa Nacional de Desestatização. A medida, que ocorre no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI), foi publicada nesta sexta-feira (9) no Diário Oficial da União. A inclusão das duas estatais no programa era ameaçada pelo governo. As empresas antes estavam em fase de estudos e, agora incluídas no PND, há a possibilidade de ambas serem privatizadas. Em relação à EBC, a inclusão no programa foi confirmada em março, após reunião do Conselho de Parcerias de Investimentos. Na ocasião, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, defendeu a medida com o argumento de que a medida “otimizaria serviços”. “Temos um compromisso com o Governo e, junto com o @mincomunicacoes, vamos trabalhar para otimizar os serviços, reduzindo custos e aumentando receitas, com uma gestão mais dinâmica e alinhada às mudanças do mercado”, comentou Faria, em sua conta no Twitter. Sobre a inclusão de mais empresas no programa, o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord, afirmou que isso depende de uma avaliação que está sendo feita pelo governo. No fim do primeiro semestre, a equipe espera concluir “uma bateria de avaliações de estatais”, disse. A informação é do Valor Econômico.
Governo Bolsonaro autoriza aumento de 39% do preço do gás natural da Petrobras

O presidente Jair Bolsonaro, que recentemente nomeou um general para a Petrobras, anuiu novo aumento de 39% no preço do gás natural da estatal para as distribuidoras. O aumento será repassado aos consumidores finais. Em comunicado oficial, a Petrobras informou que, a partir de 01/05/2021, os preços de venda de gás natural para as distribuidoras terão aumento de 39% em R$/m³, com relação ao último trimestre. Medido em US$/MMBtu, o aumento será de 32%. A variação decorre da aplicação das fórmulas dos contratos de fornecimento, que vinculam o preço à cotação do petróleo e à taxa de câmbio. As atualizações dos preços dos contratos são trimestrais. Para os meses de maio, junho e julho, a referência são os preços dos meses de janeiro, fevereiro e março. Durante esse período, o petróleo teve alta de 38%, seguindo a tendência de alta das commodities globais. Além disso, os preços domésticos das commodities tiveram alta devido à desvalorização do real. O gás natural é insumo estratégicos para muitos setores industriais como químico, vidro, louças e metalurgia, além de conforto para as famílias em condomínios e residências. Os empresários e as famílias brasileiros “agradecem” ao presidente Bolsonaro por mais essa “ajudinha” em plena pandemia [ironia]. Os preços de gás natural da Petrobras também incluem o repasse dos custos incorridos pela companhia para o transporte do energético até o ponto de entrega às distribuidoras, que são definidos por tarifas reguladas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Esta parcela do preço é atualizada anualmente no mês de maio pelo IGP-M, que, para o período de aferição (março de 2020 a março de 2021), registrou alta de 31%. Ao longo de 2020, os preços do gás natural às distribuidoras chegaram a ter redução acumulada de 35% em reais e de 48% em dólares, devido ao efeito da queda dos preços do petróleo no início do ano. A Petrobras esclarece que o preço final do gás natural ao consumidor não é determinado apenas pelo preço de venda da companhia, mas também pelas margens das distribuidoras (e, no caso do GNV, dos postos de revenda) e pelos tributos federais e estaduais. Além disso, o processo de aprovação das tarifas é realizado pelas agências reguladoras estaduais, conforme legislação e regulação específicas. Os contratos de venda para as distribuidoras são públicos e estão disponíveis para consulta no site da ANP.
Elite empresarial dá ultimato a Bolsonaro, mas por que tão tarde?

Presidente está destruindo o futuro do Brasil, e de propósito. (Marcello Casal Jr/Agência Brasil) Pela primeira vez, investidores e empresários exigiram que Bolsonaro tomasse medidas efetivas contra pandemia A carta aberta da elite econômica do Brasil, publicada em 21 de março, provocou algum movimento. Com a conclamação “O país exige respeito; a vida necessita da ciência e do bom governo”, investidores financeiros, economistas e empresários reivindicaram pela primeira vez medidas efetivas contra a pandemia de covid-19, assim como apoio social. Parece que o apelo no Congresso provocou um despertar: pouco depois, os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados endureceram o tom de suas críticas a Jair Bolsonaro – o qual súbito se apresenta como partidário convicto das vacinas e desde então usa máscara. Daí para cá, contudo, muito mais não aconteceu. A formulação da carta é também antes inofensiva, não contendo uma só palavra de crítica direta à pessoa de Bolsonaro. As exigências são espantosamente óbvias: os signatários querem vacinação o mais rápido possível, incentivo público ao uso de máscaras, assim como medidas de distanciamento social. Além disso, a luta contra a pandemia deveria ser colocada sob coordenação nacional. A rigor, se poderia dizer que se trata do padrão mínimo de combate a um vírus, nada mais. Entretanto, após um ano em que o presidente negou o novo coronavírus e impediu medidas de gestão de crise, tais reivindicações são quase revolucionárias para o Brasil. Da dependência à conivência Ainda assim, cabe perguntar: por que essa carta só vem agora? Até poucas semanas ou meses atrás, os investidores empresários estavam convencidos de que o governo federal fazia um bom trabalho na pandemia? Parece que sim. Segundo uma enquete da Datafolha, em meados de março os empresários ainda contavam entre os principais apoiadores do presidente: 55% deles consideraram bons o governo Bolsonaro e suas medidas na pandemia – de um total de 30% da população. A até então ausência de crítica ao governo se explica, em parte, pelo fato de 40% da economia brasileira depender do Estado – um poder com que empresários e investidores preferem não se meter. Muitos deles são dependentes de financiamento, proteção de mercado e encomendas públicas. E o Brasil não é caso isolado, o mesmo se dá em outros países. Contudo, empresários e investidores bem sucedidos são, por definição, excelentes em prever o futuro, senão não teriam tanto êxito. Entre os atuais cerca de 1.500 signatários da carta aberta encontram-se numerosos ícones do empresariado brasileiro. Mas será que ainda há banqueiros e investidores financeiros que acham mesmo que Bolsonaro também está liderando muito bem a economia? Por que, até agora, foi tão raro representantes da elite econômica manifestarem desagrado com a radical política bolsonarista para o meio ambiente e a educação, ou com sua tática de terra queimada na ciência e pesquisa? Pois aí o presidente está destruindo o futuro do Brasil, e de propósito. Se crianças e jovens têm uma formação ruim, se o meio ambiente é destruído em nome de lucros efêmeros, isso prejudica de forma duradoura as condições de produção no país. O médico e autor Drauzio Varella diz achar certas e boas as exigências dos empresários, porém questiona: “Tem um problema de timing, um ano para fazer isso?” Por Alexander Busch Dom Total
Lava Jato destruiu 4,4 milhões de empregos e custou 3,6% do PIB, destaca estudo da CUT e do Dieese

Com a operação, o Brasil perdeu R$ 172,2 bilhões em investimentos, deixou de arrecadar R$ 47,4 bilhões de impostos e R$ 20,3 bilhões em contribuições sobre a folha A Lava Jato teve consequências dramáticas sob o ponto de visto político no Brasil. No entanto, a economia do país também sofreu estragos e imensos prejuízos em função da forma como a operação foi conduzida. Para se ter uma ideia, a Lava Jato custou 4,4 milhões de empregos e 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB); deixou de arrecadar R$ 47,4 bilhões de impostos e R$ 20,3 bilhões em contribuições sobre a folha, além de ter reduzido a massa salarial do país em R$ 85,8 bilhões. E mais: afetou os setores envolvidos diretamente (petróleo e gás e construção civil), mas também uma gama importante de outros segmentos (devido aos impactos indiretos e ao efeito renda); em resumo: a operação teve impacto político e também no desenvolvimento de setores econômicos estratégicos para o país. Essas são algumas conclusões do estudo “Implicações Econômicas Intersetoriais da Operação Lava Jato”, desenvolvido em parceria da Centra Única dos Trabalhadores (CUT) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O levantamento foi apresentado nesta terça-feira (16). “Nosso objetivo é garantir a criação de instrumentos e leis para impedir que a destruição causada pela Lava Jato se repita no Brasil”, diz o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre. O trabalho revela, também, que a Lava Jato fez o Brasil perder R$ 172,2 bilhões em investimentos, além da destruição dos 4,4 milhões de empregos. O setor mais afetado foi a construção civil, que perdeu 1,1 milhão de postos de trabalho. O estudo mostra, ainda, os investimentos totais e em exploração e produção da Petrobras, de 2002 a 2020; diferenças no PIB e volume de ocupações entre os dois: Economia real com Lava Jato e economia sem Lava Jato; valores de investimentos da Petrobras realizados de 2005 a 2017. Impactos negativos O levantamento destaca os impactos negativos na redução dos investimentos previstos em empregos, valores arrecadados, impostos e salários, além dos impactos setoriais negativos nos empregos e evolução do PIB na comparação com e sem Lava Jato. Nobre conta que o estudo foi realizado porque a maior central sindical do país, por defender o emprego, tinha de apurar o impacto da Lava Jato no mercado de trabalho e na economia. “Desde o início da operação, lá em 2014, alertamos que a Lava Jato tinha que se concentrar em investigar as denúncias e punir os culpados, sem, com isso, destruir as empresas e, consequentemente, os empregos e a economia”, acrescenta. Revista Fórum, com informações da CUT Veja o estudo completo