Economia em frangalhos em tempos de Bolsonaro; indústria tem pior desempenho desde 1977

Se o presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, fossem à julgamento por crimes contra a economia popular, com certeza, eles pegariam prisão perpétua. Por Esmael Morais, no seu blog Antes de prosseguirmos, um esclarecimento: não existe prisão perpétua no Brasil; o termo só foi usado aqui como metáfora. Além da face mais cruel de seu desgoverno, que elevou o desemprego ao patamar mais alto do planeta, ou seja 50% da População Economicamente Ativa (PEA), Bolsonaro e Guedes pisaram o acelerador da desindustrialização. Segundo relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgou nesta quinta-feira (4), os produtos industrializados representaram 43% das exportações brasileiras em 2020 — o pior resultado em 44 anos. Em 1977, os produtos industrializados representaram 41% das exportações –garante a bolsonarista CNI. Ao todo, conforme a entidade, a exportação de produtos industrializados somou US$ 90,1 bilhões em 2020, menor valor desde 2009, quando as vendas somaram US$ 87,8 bilhões. No levantamento, a CNI considera como industrializados os produtos manufaturados e semimanufaturados. Ainda apaixonada por Bolsonaro e Guedes, a CNI atribuiu o péssimo resultado de 2020 apenas à crise desencadeada pela pandemia do novo coronavírus. No entanto, a depressão econômica já vinha desde 2019 com as medidas fiscalistas e redução de investimentos públicos –o diabólico desinvestimento. O deputado Carlos Zarattini (PT-SP), recentemente, disse que essas entidades do sistema S viraram especuladoras no mercado financeiro –por isso elas relutam defender os interesses dos industriais; os dirigentes da Fiesp e da CNI vivem de renda –dos juros em cima da contribuição compulsória de 2,5% sobre a folha de pagamento das empresas brasileiras. Bolsonaro e Guedes são culpados por gerar desesperança, fome, dor e mortes no país. Logo, eles são suscetíveis à pena capital para um político: a deseleição e o veto popular. O Brasil necessita de um novo governo desenvolvimentista para recuperar-se da situação de frangalho deixada por esse desgoverno; levantar a economia de novo, reconstruir a nação por meio da industrialização, do emprego e do consumo interno. Bolsonaro e Guedes nunca mais.
Janeiro fecha com inflação de 0,6%, mas índice é menor em relação ao final do ano passado

Óleo de soja, arroz, leite longa vida e frango tiveram a redução de preço entre dezembro e janeiro; já o preço do feijão estabilizou na maioria dos comércios da cidade (Fotos: Christiano Jilvan | Ascom Unimontes) Justificativa está na queda de preço dos alimentos mais populares como arroz, óleo e leite, além da estabilidade para a carne e feijão O montes-clarense começou o ano com certo alívio no bolso. No primeiro mês de 2021, a maior cidade do Norte de Minas registrou a inflação de 0,6%, dado oficial divulgado nesta semana pelo Índice de Preços ao Consumidor, projeto de extensão do Departamento de Economia da Unimontes. O percentual traz, em linhas gerais, uma redução no custo de vida porque, em relação ao último mês de 2020, houve queda de mais de 0,4%. A inflação em dezembro anterior foi de 1,05%. A desvalorização no preço de produtos entre os mais populares na mesa do montes-clarense, caso do leite longa vida (- 4,4%), frango (- 2,76%), óleo de soja (- 1,98%) e do arroz (- 1%), por exemplo, ajudaram na redução do índice. Além disso, o preço da carne bovina se manteve estável, assim como do leite tipo C. Para efeito de comparação com o mesmo período do ano passado, a queda foi ainda maior. A inflação em janeiro/2020 foi de 1,71%. SEQUÊNCIA E para este mês, a coordenadora do IPC/Unimontes, professora Vânia Vilas Bôas Vieira Lopes, prevê uma posição otimista de estabilização de preços, especialmente dos alimentos. “Embora tenhamos que conviver com o reajuste de alguns serviços públicos que têm efeito direto na inflação, a partir do primeiro trimestre espera-se um maior controle dos preços, especialmente dos alimentos. Isso porque em fevereiro começa a colheita das safras. Há uma projeção de safra recorde, com reflexo direto na maior oferta ao mercado consumidor”, destaca a pesquisadora. No entanto, a coordenadora do IPC/Unimontes mostra cautela para a previsão acima se o cenário da pandemia do Novo Coronavírus continuar severo. “Já se identificou uma nova onda da Covid-19 em diversos países, o que torna o abastecimento um problema global, com reflexo direto nas exportações e importações e, consequentemente, na alta dos preços dos alimentos de maior procura no mercado”. Entre as vilãs na inflação acumulada de 2020, a carne bovina começou o ano com o preço “estacionado” CESTA BÁSICA – JANEIRO O curioso é que, se for analisada somente a cesta básica, o cenário da inflação em Montes Claros fica invertido. O custo na aquisição dos chamados 13 itens essenciais aumentou na virada de ano de 0,69% (dezembro) para 0,95% em janeiro. Embora a carne bovina, farinha, pão de sal e café tenham se estabilizado, além da queda no preço do arroz, houve os “vilões” da vez: banana (25,85%), batata (2,72%), feijão (2,65%) e açúcar (2,08%). 2020 A professora Vânia Vilas Bôas faz uma leitura geral sobre a inflação registrada em Montes Claros em 2020. O índice acumulado foi de 8,41%, quase o dobro acima da média nacional de 4,52%, medida pelo IPCA, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao percentual entre janeiro/dezembro de 2019, de 5,37%, a alta também foi considerável no ano passado. A explicação tem relação direta com os efeitos da pandemia do Novo Coronavírus, que mudou o hábito de compra dos montes-clarenses e interferiu na relação oferta/procura, reajustando em pouco espaço de tempo o preço dos alimentos essenciais. “O peso da comida na renda familiar gira em torno de 35% do orçamento mensal e como são estes itens que oscilam mais, quem tem o salário baixo sofreu mais com os impactos da inflação de 2020. Além do que o reajuste do salário-mínimo ficou aquém ao índice inflacionário”, resgata a pesquisadora. No ano passado, a carne bovina acumulou um aumento 32,7% ao longo do ano, mas os mais impactantes foram o óleo de soja (96,38%), arroz (79,9%) e o feijão (45,49%) com frequentes oscilações, assim como o leite tipo C (44,63%) e a batata (39,36%). Outra observação que justifica a diferença considerável entre a inflação local acumulada e a média nacional no ano passado está na logística de distribuição, uma vez que o Norte de Minas não está tão próximo de grandes centros de abastecimento. Via Unimontes
Pelo 2º ano, Bolsonaro deixa salário mínimo sem repor inflação por um mês

Piso nacional tem que ser reajustado de acordo com o INPC; no ano passado e neste, valor de janeiro ficou abaixo do que seria o previsto por essa norma No ano passado e neste ano, o salário mínimo passou o mês de janeiro com um reajuste que não chegou a repor a inflação. Os reajustes concedidos pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao piso nacional no final de 2019 e 2020 não alcançaram o INPC, que é uma medida de inflação apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para famílias com renda de até 20 mínimos. No ano passado, por uma MP, ele atualizou o valor, mas ela valeu apenas a partir de fevereiro. Neste ano, ainda não houve atualização. Em janeiro de 2020, o salário mínimo ficou em R$ 1.039, um reajuste de 4,1%. Era a expectativa do governo para o INPC de 2019. O resultado final do índice só foi divulgado pelo IBGE em meados de janeiro, e ficou em 4,48%. Uma MP assinada por Bolsonaro no final daquele mês elevou o piso para R$ 1.045, só que a partir de fevereiro. Quem ganhava salário ou benefício previdenciário de um salário mínimo ficou um mês com reposição menor do que a inflação. No final do ano passado, Bolsonaro anunciou que o salário mínimo seria elevado para R$ 1.100, reajuste de 5,26%. No dia 12 de janeiro, o IBGE divulgou que o INPC de 2021 tinha sido 5,45%. A diferença, neste ano, seria bem menor. Para repor a inflação integralmente, o piso nacional deveria ser R$ 1.101,95. Até o momento, ele segue nos R$ 1.100. O ponto não é apenas o valor – nos dois anos, ele somou quase R$ 8 a menos para quem recebe o mínimo. Previsões de inflação podem não se concretizar, mas os resultados finais do índice tanto no ano passado quanto neste ano foram divulgados a tempo de elevar o valor ainda com validade para janeiro. Não houve preocupação do governo Bolsonaro, em seus dois primeiros anos de governo, em manter o poder de compra de quem ganha o salário mínimo pelo ano todo. Curioso é que quem recebe benefícios do INSS maiores do que o salário mínimo ganhou a reposição integral da inflação neste ano já em janeiro, porque o governo editou portaria com o reajuste no dia em que o INPC foi divulgado. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou à Fórum, em nota, o ajuste foi aplicado nas aposentadorias e demais benefícios e já está sendo pago. “Os benefícios no valor de um salário mínimo seguem a correção do piso nacional e também já tiveram o reajuste aplicado”, escreveu o órgão. Atualmente, de acordo com o INSS, há 23,3 milhões de benefícios no valor de um salário mínimo pagos pelo instituto. A Fórum entrou em contato com o Ministério da Economia por três vezes para saber se haveria a correção do valor do salário mínimo de 2021, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Análise Para José Silvestre Prado de Oliveira, diretor adjunto do Dieese (Departamento Inter-Sindical de Estudos Socioeconômicos), individualmente o valor menor pode até não fazer diferença em um mês, mas no cômputo geral pode fazer. “Se você considerar R$ 2 em um contingente de cerca de 50 milhões de pessoas que têm rendimentos referenciados em salário mínimo, poderíamos considerar que seriam R$ 100 milhões a mais injetados na economia”, afirmou. Oliveira destacou que o valor atual do salário mínimo é o que tem o menor poder de compra em 17 anos, quando considerado o valor da cesta básica apurado pelo Dieese. Com R$ 1.100, o trabalhador conseguia comprar o equivalente a 1,58 do valor da cesta estimada pela entidade para São Paulo em novembro do ano passado, que é de R$ 696,71. A proporção é igual à registrada em 2020, quando vigorou o primeiro salário mínimo definido pelo governo Bolsonaro. “O que está acontecendo é o empobrecimento das pessoas e das famílias que estão nessa faixa de renda”, afirmou Oliveira, do Dieese. “Houve uma interrupção da política de valorização do salário mínimo que estava em vigor desde 2007”, afirmou. O diretor do Dieese afirmou que essa política possibilitou um ganho real no piso nacional superior a 70% entre 2003 e 2018.
Governo Bolsonaro gasta R$ 15 milhões só com leite condensado em 2020

O carrinho do governo federal tem de sagu a chicletes. O valor representa aumento de 20% em relação a 2019. Só em goma de mascar, a conta custou R$ 2.203.681, 89 aos cofres públicos O governo de Jair Bolsonaro gastou mais de R$ 1,8 bilhão em alimentos em 2020. Um dos itens que mais chamou a atenção foi o gasto de mais de R$ 15 milhões com leite condensado. Um dos pratos preferidos do presidente é comer o produto com pão. As informações são do (M) Dados, do portal Metrópoles. O Executivo federal também gastou mais de R$ 2,2 milhões com chicletes, R$ 32,7 milhões com pizza e refrigerante e R$ 6 milhões com frutos do mar. O órgão que teve mais gastos foi o Ministério da Defesa, que gastou R$ 632 milhões com alimentos, incluindo mais de R$ 2 milhões só com vinhos. O Ministério da Economia disse ao Metrópoles que o ministério lidera os gastos porque alimenta “tropas das forças armadas em serviço”, mas disse que as despesas estão “dentro do orçamento”. Na polêmica disputa “com ou sem uva-passa“, o Executivo federal, ao que parece, tem um lado bem definido. Em 2020, os órgãos sob comando do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) gastaram pouco mais de R$ 5 milhões na compra da fruta desidratada. O gasto (e o gosto) com o produto, questionável para alguns, não é nem 1% do valor total pago na compra de supermercado do governo. Levantamento do (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, com base do Painel de Compras atualizado pelo Ministério da Economia, mostra que, no último ano, todos os órgãos do executivo pagaram, juntos, mais de R$ 1,8 bilhão em alimentos – um aumento de 20% em relação a 2019. Para a reportagem, foram considerados apenas os itens que somaram mais de R$ 1 milhão pagos. Além do tradicional arroz, feijão, carne, batata frita e salada, no “carrinho” estiveram incluídos biscoitos, sorvete, massa de pastel, leite condensado – que associado ao pão forma uma das comidas favoritas do presidente – , geleia de mocotó, picolé, pão de queijo, pizza, vinho, bombom, chantilly, sagu e até chiclete. Os valores chamam a atenção. Só em goma de mascar, foram R$ 2.203.681, 89 aos cofres públicos. Sem contar a compra de molho shoyo, molho inglês e molho de pimenta que, juntos, somam mais de R$ 14 milhões do montante pago. Pizza e refrigerante também fizeram parte do cardápio do ano. Débito de R$ 32,7 milhões dos cofres da União.
Brasil fecha 17 indústrias por dia desde o golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff

O País ganhou 127 mil novas fábricas nos governos do PT e já perdeu 36 mil desde o golpe. Processo se acentuou nos últimos anos e foi marcado pela decisão da Ford, no desgoverno Guedes-Bolsonaro Entre 2003 e 2014, nos governos Lula e Dilma, marcados pela expansão do mercado interno e da renda do trabalhador, o Brasil ganhou 127 mil novas unidades industriais, saltando de 257,7 mil para 384,7 mil fábricas. A partir de 2015, quando PSDB e MDB se uniram para sabotar o governo federal e golpear a democracia, para assim retomar o governo, a indústria brasileira entrou em colapso. Desde aquele ano, o Brasil perdeu 17 fábricas por dia e o número atual é de apenas 348,1 mil unidades industriais. O levantamento foi feito pela CNC e publicado pelo jornal Estado de S. Paulo. “Entre 2015 e 2020, Brasil perdeu 36,6 mil estabelecimentos industriais, mostra levantamento da CNC; segundo especialistas, números comprovam processo de desindustrialização, evidenciado pelo anúncio da saída da Ford. O Brasil passa por uma desindustrialização prematura e rápida, o que dificulta ainda mais a inovação de empresas e a requalificação de empregos, diz Glauco Arbix, coordenador do Observatório da Inovação da Universidade de São Paulo (USP)”, aponta reportagem publicada no jornal Estado de S. Paulo.
Trabalho intermitente paga abaixo do mínimo. E 22% dos contratos não pagam nada

Apresentado como um dos modelos da “modernização” trabalhista, modo de os defensores se referirem à reforma de 2017, o contrato intermitente abre poucas vagas e paga mal. Quando paga. Estudo do Dieese mostra que, em 2019, a remuneração mensal média dessa modalidade de contratação foi de R$ 637 – 64% do salário mínimo do ano passado, menos ainda do que em 2018 (80%). E perto de um quarto dos contratos (22%, o dobro do ano anterior) não resultaram em trabalho. Ou seja, renda zero. “Os dados disponíveis indicam que, na prática, o trabalho intermitente se converte em pouco tempo de trabalho efetivo e em baixas rendas”, diz o Dieese. “Um em cada cinco vínculos do tipo não chegou a sair do papel em 2019. Mesmo em dezembro, mês em que o mercado de trabalho está mais aquecido, metade dos vínculos intermitentes não gerou nenhuma renda.” O instituto lembra que o trabalho intermitente está em discussão no Supremo Tribunal Federal. O STF analisa três ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs). Por enquanto, 2 a 1 a favor da modalidade. “Restam ainda muitas dúvidas e inseguranças, tanto por parte das empresas quanto dos trabalhadores. Mesmo assim, o número de contratos desse tipo continua crescendo, ainda que não representem nem 0,5% do estoque de vínculos formais no mercado de trabalho brasileiro.” O contrato intermitente faz parte da “reforma” trabalhista (Lei 13.467), em vigor há pouco mais de três anos. “Nessa modalidade, o trabalhador fica à disposição para trabalhar, aguardando, sem remuneração, ser chamado pelo empregador. Enquanto não for convocado, não recebe. E, quando chamado para executar algum serviço, a renda é proporcional às horas efetivamente trabalhadas”, define o Dieese. Leia também: REFORMA TRABALHISTA SÓ AGRAVOU EMPREGO E RENDA Na gaveta Ao final do ano passado, havia 147 mil vínculos intermitentes, 0,33% do estoque total de contratos formais ativos. Neste ano, de janeiro a outubro, são 210 mil (0,44%). A duração média em 2019 foi de pouco mais de seis meses, sendo três e meio de espera e três de trabalho efetivo. O comércio varejista concentrou 37% (22.609 vínculos). O Dieese observa que, assim como em 2018, no ano passado “muitos dos contratos passaram boa parte do ano engavetados, quer dizer, geraram pouco ou nenhum trabalho e renda”. Quando houve trabalho, a remuneração foi baixa. Por RBA
Bolsonaro acha pouco a demissão de 1 milhão durante pandemia: “esperávamos 10 milhões”

Jair Bolsonaro também destacou a necessidade de reforçar a abertura da economia e pediu o fim do isolamento social, apesar da taxa de mortes e casos aumentando nos últimos dias Em live transmitida nas redes sociais nesta quinta-feira, 10, Jair Bolsonaro afirmou que o país teve apenas 1 milhão de desempregados, e achou o número positivo uma vez que “esperávamos 10 milhões de demitidos”. “O Brasil foi um dos países que melhor saíram no combate ao coronavírus na questão econômica. Esperávamos 10 milhões de demitidos, mas chegou na casa de 1 milhão graças à medida do governo. Contratos com empresários, que uma parte dos salários foi paga, além do auxílio emergencial a 67 milhões. Foi pouco, mas é uma ajuda. O governo se endividou. Gastamos até agora R$ 700 bilhões”, afirmou. Ele ainda destacou novamente a necessidade de reforçar a abertura da economia e pediu o fim do isolamento social, apesar da taxa de mortes e casos aumentando nos últimos dias. “Quero que os governos tomem medidas que beneficiem o comércio. Saúde e economia têm de andar juntos. Não adianta fechar tudo de novo. O governo faz o impossível para socorrer estados e municípios. A incidência de óbitos é muito grande para quem tem idade elevada ou comorbidades”, disse. “Economia está indo bem. O dólar hoje quase baixou de R$ 5, chegou a bater R$ 5,05 no fim do dia. O preço chegou a bater 5,74 em novembro. Tem reflexo positivo em algumas coisas e negativo em outras”,afirmou Bolsonaro.
Efeito Bolsonaro: Produção industrial acumula queda de 6,3% no ano, segundo o IBGE

A produção industrial brasileira acumula no ano queda de 6,3%, sendo que nos últimos 12 meses foi registrada queda de 5,6%. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quarta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho negativo de 6,3%, é bom frisar, também captou momentos da depressão econômica anteriores à pandemia. Ou seja, não dá para colocar só na conta do vírus a crise atual. No mês de outubro último, a produção industrial cresceu apenas 1,1% –um horror para os padrões, exigências e tamanho do Brasil. Em relação a outubro de 2019, a produção subiu minguado 0,3%. Na comparação com o nível recorde de produção, alcançado em maio de 2011, a indústria ainda se encontra extraordinariamente 14,9% abaixo do pico. Os principais impactos negativos entre as atividades foram em produtos alimentícios (-2,8%), que vinha de três meses de altas seguidas com acumulado de 4,3%. Também contribuíram negativamente o setor de indústrias extrativas (-2,4%), que teve o segundo mês de queda seguido e perda acumulada de 7,0%. Conforme a pesquisa do IBGE, houve recuos relevantes em coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,2%), Produtos do fumo (-18,7%) e Outros produtos químicos (-2,3%). O Efeito Bolsonaro, caro leitor, será mais sentido no ano de 2021, véspera da eleição para presidente da República. Via Blog do Esmael
Auxílio emergencial termina este mês e pode deixar 67 milhões sem renda

O governo Bolsonaro estima em 67 milhões de pessoas beneficiadas pelo auxílio emergencial durante a pandemia. Essa ajuda foi criada em abril para socorrer trabalhadores informais, que, por causa das restrições, não podiam sair de casa para buscar o pão, ou aqueles que perderam o emprego durante a quarentena. O auxílio emergencial criado em abril pelo governo federal, pago em cinco parcelas de R$ 600 ou R$ 1,2 mil, foi estendido até 31 de dezembro próximo, por meio da Medida Provisória (MP) 1000. O auxílio emergencial extensão está sendo pago em até quatro parcelas de R$ 300,00 cada; no caso das mães chefes de família monoparental, o valor é de R$ 600,00. Pois é. Em janeiro de 2021, daqui a menos de um mês, haverá 67 milhões de pessoas sem nenhuma renda ou emprego. O presidente Jair Bolsonaro disse [equivocadamente] que a prorrogação do auxílio emergencial seria o caminho certo para o insucesso. “Temos que ter a coragem de tomar decisões. Pior que uma decisão até mesmo mal tomada é uma indecisão. Temos que decidir, temos que operar pelo nosso povo, pelo nosso país”, afirmou. O fim do auxílio emergencial pode desencadear saques e convulsões nas maiores cidades brasileiras. Com o fim do auxílio emergencial, no dia 31 de dezembro, R$ 321,8 bilhões deixarão de circular na economia e isso ainda poderá ampliar a recessão, ou seja, retardar qualquer possibilidade de retomada do desenvolvimento. No governo Bolsonaro, além do desemprego, também ressurgiu a carestia, a miséria e a fome. Sem o auxílio emergencial, o governo Bolsonaro fica por um fio. Via Blog do Esmael
Boicotar o Carrefour é o mesmo que trocar de capataz ou só mirar no rabo do jacaré

A defesa do patrimônio é que organiza milicianos vinculados às estruturas de segurança pública no Brasil inteiro. São esses esquemas que perseguem as pessoas pela cor. Por Renato Rovai O Carrefour é culpado pela morte de João Alberto Silveira Freitas na sua unidade em Porto Alegre. O Carrefour é culpado porque não é a primeira vez que pessoas são agredidas de maneira violenta nas suas unidades. O Carrefour é culpado porque em 14 de agosto deste ano um promotor de vendas morreu enquanto trabalhava numa de suas unidades em Recife. E o corpo deste trabalhador foi coberto com guarda-sóis e cercado por caixas de papelão pra que a loja não fechasse. O Carrefour é culpado porque em outubro de 2018 Luís Carlos Gomes, um negro, foi agredido na unidade de São Bernardo porque abriu uma lata de cerveja dentro da loja. Gomes disse que pagaria pelo item, mesmo assim foi espancado pelo gerente da unidade e por um segurança. Deficiente físico, Gomes teve múltiplas fraturas e, como sequela de uma cirurgia, ficou com uma perna mais curta que a outra. O Carrefour é culpado porque, em dezembro de 2018, um cão que estava no estacionamento de uma das lojas da empresa, em Osasco, morreu após ser espancado por um funcionário. O Carrefour é culpado porque a segurança de suas unidades é violenta há tempos e ele mantém empresas terceirizadas que contratam policiais milicianos. O Carrefour é culpado porque seus acionistas viram tudo isso acontecer em um plano sequência e não mudaram a forma de contratação das empresas terceirizadas para realizar a segurança de seus estabelecimentos. E sequer realizaram um trabalho de mudança de comportamento de seus funcionários em situações limites. O Carrefour é culpado porque tentou mudar a versão do assassinato de João Alberto com a mídia-amiga. Tentou culpá-lo pelo fato de ter sido assassinado dizendo que havia agredido uma mulher antes. O Carrefour merece todos os boicotes. E eu nunca mais vou pisar numa de suas unidades. Mas é preciso ir além do boicote a uma empresa. É preciso a partir deste episódio boicotar todas as lojas do país que trabalhem com empresas terceirizadas de segurança. Exigir que elas contratem, treinem e sejam responsáveis pela segurança de seus estabelecimentos. Exigir que tenham cursos de direitos humanos e racismo oferecido a seus funcionários e que passem a ter certificados desses cursos em locais visíveis de seus estabelecimentos. É preciso forçá-los a ter campanha contra o racismo, a homofobia, a misoginia etc. dentro de suas lojas. Usando espaços visíveis para que essas campanhas sejam realizadas. É também é preciso buscar que assumam o compromisso de ajudar na mudança da legislação para que o combate a essas práticas contrárias aos direitos humanos sejam mais rígidas. É preciso forçar que as associações de comércio aceitem ter cotas para contratação de negros em suas empresas. Se a gente quer mudar a cultura do país é muito pouco apenas boicotar o Carrefour. Isso só fará mudar o capataz. Outros tomarão o lugar da empresa francesa. Evidente que as medidas sugeridas não vão mudar o racismo estrutural no Brasil, mas podem ser um grande passo no sentido de levar o debate do tema a um outro patamar. O Carrefour é o rabo do jacaré. O corpo deste problema é muito maior. A cultura empresarial é absolutamente racista e essa é uma das pontas que mais contribui para que negros e negras sejam vítimas da violência. Porque a defesa do patrimônio é que organiza milicianos vinculados às estruturas de segurança pública no Brasil inteiro. São esses esquemas que perseguem as pessoas pela cor. É preciso mirar neles. Renato Rovai é jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.