COMIDA OU COMMODITY – Por que milhões de brasileiros passam fome se o país colhe safras recorde?

China compra 80% da soja produzida no Brasil. A maior parte vai para a produção de ração para bovinos, suinos e aves – Arquivo EBC/Danielle Pereira  Ministério da Agricultura comemora a “supersafra” de mais de 272 milhões de toneladas de grãos. E a fome cresce no país O Ministério da Agricultura está exultante com a safra de mais de 272 milhões de toneladas de grãos anunciada esta semana. Isso porque o resultado recorde representa 15,4 milhões de toneladas a mais que na safra 2019/2020. Um feito e tanto em tempos de pandemia de covid-19, que esfriou a economia ao afetar negócios e empregos e levar o país a um tombo de 4,1% em seu PIB, que já estava encolhido. E mais grave ainda: empurrou milhões de brasileiros para situação de pobreza extrema e de fome. O milho teve uma produção recorde, de 108 milhões de toneladas, e com isso deve superar em 5,4% a safra anterior, diz o Ministério. No caso da soja, segue a tendência de crescimento na área cultivada, e ainda pode crescer 4,1%, com 135,1 milhões de toneladas. Já o arroz e o feijão de cada dia, que são base da dieta dos brasileiros, não alcançam tais patamares. Foram apenas 3,3 milhões de toneladas de feijão e 11 milhões de toneladas de arroz. “Salvação da lavoura” Há anos a agropecuária é considerada a “salvação da lavoura” quando o assunto é produção, exportações e balança comercial. Beneficiado por subsídios, como descontos e isenção de ICMS e de imposto de importação, fora o perdão de PIS e Cofins, o setor se acha. Tanto puxa brasa para a sua sardinha que se autointitulou “pop, tech e tudo”. E com tudo isso, a fome aumenta no país das supersafras e volta a assombrar milhões de brasileiros. Como isso é possível? Dois anos antes da pandemia, entre junho de 2017 e julho de 2018, mais de 10 milhões de pessoas já não tinham o que comer conforme Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse total, perto de 8 milhões moravam na zona urbana e pouco mais de 2 milhões na zona rural, onde a rigor se produzem alimentos. Entre 2017 e 2018, 10 milhões de pessoas já não tinham o que comer. Inação do governo na pandemia agravou a situação da fome no país. (Arquivo/Agência Brasil) De acordo com a pesquisa, a insegurança alimentar grave – quando a pessoa relata passar fome – atingiu em cheio 4,6% das famílias brasileiras, o equivalente a 3,1 milhões de lares. E ainda segundo o IBGE, o quadro vem piorando. Aumentou 43,7% em cinco anos. Mais desigualdade A tendência é que tenha se agravado com a pandemia, pois esta ao chegar já encontrou um Brasil marcado pelo aprofundamento da desigualdade social a partir do golpe de 2016. “Parte significativa dos trabalhadores está sem a proteção social do trabalho formal devido à crise estrutural do capitalismo”, destaca a socióloga Sirlândia Schappo. Professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Sirlândia observa que essa crise de dimensões globais assola o país mais intensamente a partir de 2014. Em seu artigo “Fome e insegurança alimentar em tempos de pandemia da covid-19“, ela assinala: “O reflexo imediato foi a ampliação do trabalho informal, que passou de 39,1% da população ocupada em 2014 para para 41,5% em 2018, segundo o IBGE”. Ainda segundo Sirlânia, a pandemia pode ter ampliado em 56% a pobreza em países como o Brasil, como prevê a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Trabalhadores domésticos perderam o emprego. E, sem o apoio de políticas sociais, se viram diante da subnutrição e da falta de serviços básicos, como saneamento básico e saúde. A necropolítica do governo negacionista de Jair Bolsonaro não poupa as famílias de agricultores, que em suas pequenas propriedades produzem comida de verdade. Plano safra Logo que assumiu, o governo Bolsonaro apresentou um Plano Safra para 2019/2020 que já sinalizava as dificuldades que viriam pela frente. Dos R$ 225,59 bilhões destinados à agropecuária, o crédito rural ficou com R$ 222,74 bilhões. O problema é que desse montante, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) recebeu apenas R$ 31,22 bilhões. Como custear a produção e a comercialização? “A partir de 2016, com o golpe e a Emenda 95, do teto de gastos, as políticas sociais e programas de transferência de renda foram sendo esvaziadas. Equipamentos de segurança alimentar, como banco de alimentos, foram fechados. Assim que tomou posse, Bolsonaro extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) não foi extinto, mas tem orçamento ridículo. Isto é, de R$ 500 milhões”, disse à RBA a assessora de Direitos Humanos da Fian Brasil, Nayara Côrtes. Pequenos agricultores têm sido atacados. Aletrantiva econômica de geração de trabalho e renda e combate à fome não está na agenda do governo de Bolsonaro (Itesp) Mais golpes Para piorar, Jair Bolsonaro escolheu a agricultura familiar como inimiga. Além de ter excluído esses trabalhadores do auxilio emergencial de R$ 600, vetou quase que integralmente o Projeto de Lei (PL) 735/20. Apresentado em abri e só aprovado em agosto, foi quase que integralmente vetado, pois, de 20 itens, 17 foram derrubados. Entre os pontos vetados estão o auxílio emergencial no valor de R$ 600 pagos em cinco parcelas, como aos trabalhadores urbanos, recursos para compras públicas pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), renegociação e adiamento de dívidas e linhas de crédito emergenciais. Tudo o que era considerado essencial pelos agricultores. Até hoje é aguardada apreciação dos vetos, que depende de muita pressão para ser pautada. Para Bolsonaro, não há previsão financeira para essas ações. No entanto, o governo concedeu benefícios ao agronegócio, facilitando o acesso a crédito e a financiamento de dívidas de grandes produtores e desoneração do segmento em contribuições à Seguridade Social. Segundo levantamento da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e pelo Fórum Brasileiro pela Soberania e Segurança Alimentar (FBSSAN), em 2019 o rendimento total da agricultura familiar foi de aproximadamente R$ 27 milhões. O

Câmara aprova “jabuti” em 2º turno junto com PEC Emergencial

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (11), em segundo turno, por 366 votos a favor, 127 contra e três abstenções, o “jabuti” no texto base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 186/19, a PEC Emergencial. Agora os parlamentares analisam destaques que podem retirar trechos da proposta. A PEC cria mecanismos de contenção fiscal, controle de despesas com pessoal e redução de incentivos tributários, além de liberar R$ 44 bilhões, fora do teto de gastos, para o pagamento do auxílio emergencial às pessoas afetadas pela pandemia da covid-19. No entanto, a proposta não detalha os valores, duração ou condições para o novo auxílio emergencial. Todas essas definições deverão constar de outro texto. O primeiro turno da proposta foi aprovado na madrugada desta quinta-feira, após sucessivas tentativas da oposição em obstruir as votações e adiar a apreciação da proposta. Sobre o jabuti Em política, a expressão “jabuti” significa proposta fake haja vista que o bicho jabuti não sobe em poste. Portanto, depreende-se, alguém [os bancos] o colocou ali em cima [na PEC 186/19]. Valores do auxílio emergencial O governo sinalizou que o auxílio emergencial de R$ 175 será o menor valor pago na nova rodada de pagamentos e estará disponível para as famílias compostas por apenas um único membro. Logo, os mesmos receberão quatro parcelas de R$ 175. O valor relativo aos R$ 250, será destinado para a grande maioria dos cidadãos que recebem o auxílio emergencial, o critério utilizado para concessão dos R$ 250 é pela família composta por duas ou mais pessoas, o que é reflete a grande maioria dos beneficiários. O valor de R$ 375 será o valor mais alto pago nas novas parcelas do auxílio emergencial. Os R$ 375 serão destinados para as famílias compostas com as mães sendo chefes do lar. Diferente do ano passado em que as mães recebiam o valor dobrado, este ano a liberação dará 50% a mais do valor médio de R$ 250 para as mães. Acordo e destaques Para viabilizar a aprovação da PEC em primeiro turno, o governo acatou um acordo, envolvendo a maior parte dos partidos da base aliada, para apresentar no segundo turno de votação um destaque ao texto, retirando a proibição de promoção funcional ou progressão de carreira de qualquer servidor ou empregado público. Esse foi um dos pontos mais criticados da PEC. A proposta surgiu durante a votação de um destaque do PT, que retirava do texto as restrições relacionadas às despesas de pessoal. O acordo entre base aliada e governo deve viabilizar a aprovação de dois destaques do bloco PSL-PL-PP para suprimir as restrições à proibição de promoção funcional ou progressão de carreira de qualquer servidor ou empregado público, um dos pontos da PEC criticados pela bancada de militares e policiais. Caso sejam aprovados os destaques, a mudança inclui servidores da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios na retirada das restrições, inclusive no caso de se decretar estado de calamidade pública de âmbito nacional. Dívidas Os demais oito destaques foram apresentados pela oposição e retomam alguns pontos já tratados no 1º turno: a retirada das medidas de contenção de gastos com pessoal e o fim do limite de R$ 44 bilhões para o auxílio emergencial. Outros temas também aparecem, como a retirada da permissão para o Executivo utilizar saldo de seus fundos, até o fim de 2023, para pagar a dívida pública; a elaboração de plano de venda de estatais por meio de lei complementar para pagar a dívida; e o plano de redução de incentivos tributários até 2% do Produto Interno Bruto (PIB).​ Fonte: Agência Câmara de Notícias

Efeito Lula: dólar cai; bolsa sobe; e Bolsonaro defende a vacina

 As redes sociais estão chamando o ex-presidente Lula de “santo” e dizem que o petista operou um verdadeiro milagre nesta quarta (10/3), após pronunciamento à imprensa. O “Efeito Lula” derrubou o dólar, subiu a bolsa e obrigou o presidente Jair Bolsonaro defender em público a vacina –além de usar a máscara pela 1ª vez numa cerimônia no Palácio do Planalto. De acordo com os dados do mercado financeiro, a moeda americana caiu 2,50% e bolsa subiu 1,30% após discurso de Lula. O site “Sensacionalista” não perdeu a piada ao cravar que o efeito Lula fez Bolsonaro defender a vacina, usar a máscara, telefonar para Biden e abraçar uma árvore. Lula é um santo. Via Blog do Esmael

Na madrugada, Câmara aprova PEC Emergencial, que beneficia bancos em troca de auxílio emergencial

 A PEC limita gastos com auxílio emergencial e impõe arrocho nas contas de prefeituras e estados enquanto desvincula dinheiro de fundos para pagamento de bancos. PT, PSOL e PCdoB votaram contra No meio à madrugada desta quarta-feira (10), a Câmara aprovou por 341 a 121 votos o texto base da Proposta de Emenda à Constituição 186/19, a PEC Emergencial, que impõe um grande arrocho nas contas públicas e beneficia diretamente as instituições bancárias em troca de um auxílio emergencial que varia entre R$ 175 e R$ 375 pelos próximos quatro meses – para a família monoparental dirigida por mulher, o valor será de R$ 375; para um casal, R$ 250; e para o homem sozinho, de R$ 175. Líder da Minoria, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que “o Congresso brasileiro está apenas atendendo a decisão do governo e do ministro Paulo Guedes e impondo ao País, em nome de um auxílio de R$ 250, um profundo arrocho fiscal e a constitucionalização de tudo de ruim que esse ministro da Economia patrocinou desde a reforma da Previdência até hoje”. A proposta limita a um teto de R$ 44 bilhões os gastos com o auxílio emergencial no momento mais crítico da pandemia. Por outro lado, a PEC autoriza a desvinculação do dinheiro de fundos públicos e permite que o superávit financeiro dos fundos seja usado para pagamento de bancos para amortizar dívida pública da União, dos estados e dos municípios. Na semana passada, a aprovação da PEC no Senado puxou as ações dos bancos para cima. “É sempre difícil aprovar as medidas quando elas beneficiam o povo, os trabalhadores, os mais pobres. Agora quando é para beneficiar banqueiro é uma facilidade danada”, tuitou o deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE) antes da votação da PEC. Além do benefício aos banqueiros, a PEC ainda impõe um duríssimo arrocho nas contas de municípios e estados e congela salário de servidores, o que motivou protestos de policiais contra Jair Bolsonaro. “Ela muda a Constituição, retirando direitos da educação, da saúde, da assistência social, da segurança pública, não apenas dos servidores. São recursos que serviriam para ampliar o serviço para a população, especialmente a que precisa do nosso serviço público. É isso o que está sendo feito. E o mais grave, não há nada de concreto em relação ao auxílio emergencial, a não ser um teto para um valor muito pequeno, que seria de, no máximo, R$ 250”, afirmou Rogério Correia (PT-MG). “A maioria dos deputados não tem preocupação com os milhares de brasileiros que vão ficar sem auxílio emergencial, nem os servidores que ficarão sem reajuste real. A preocupação é aprovar políticas neoliberais, passando o trator e atacando direitos historicamente conquistados”, disse a líder do PSOL, Talíria Petrone (PSOL-MG). Revista Fórum

“Bolsocaro”: Ativistas espalham cartazes contra aumento de preços dos alimentos

Diversos pontos de São Paulo amanheceram com mensagens cobrando o presidente pela alta em itens como arroz e carne; segundo o Dieese, o patamar dos preços mudou e cesta básica não deve voltar ao que era Cerca de 20 pontos da cidade de São Paulo amanheceram neste domingo (28) com lambe-lambes criticando o aumento dos preços dos alimentos no governo do presidente Jair Bolsonaro. O jornalista Bruno Torturra, editor-chefe do programa Greg News, usou as redes sociais para compartilhar uma das colagens que foram feitas na capital, na Avenida Paulista. Os cartazes se assemelham a anúncios de preço de supermercado e destacam a alta do preço de itens como arroz, carne, gás de cozinha, cesta básica e gasolina. “Tá muito caro. Tá na conta do Bolsonaro. Essa conta não é nossa. O Brasil não merece isso”, diz uma das mensagens da campanha “Bolsocaro”. O usuário Michel @canhotins divulgou ainda uma foto de outro ponto. “Rua Vergueiro perto do Metrô Liberdade temos o BOLSOCARO. Tá tudo caro, e a culpa é de Bolsonaro”, tuitou. O registro foi feito pelo fotógrafo Rudá Melo. Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a cesta básica subiu até 33% no ano passado e consome maior fatia do salário mínimo em 12 anos. “Houve uma mudança de patamar de preços, não tem volta”, disse a economista Patrícia Lino Costa, supervisora de pesquisas do Dieese, à jornalista Fabíola Salani, na Fórum. Fonte Revista Fórum  

Após intervenção de Bolsonaro, Petrobras tem 2ª maior perda de valor de mercado em um dia

 Estatal desvalorizou R$ 74,2 bi somente nesta segunda-feira e quase R$ 100 bi desde sexta-feira; ações da companhia caíram 20% Maior companhia do Brasil, a Petrobras sofreu nesta segunda-feira (22) a segunda maior perda de valor de mercado em um único dia nas negociações da Bolsa desde o Plano Real. A queda foi de R$ 74,2 bilhões. E acontece depois da intervenção de Jair Bolsonaro (sem partido) na empresa. Na última sexta-feira (19), ele anunciou que o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, seria substituído pelo general da reserva Joaquim Silva e Luna, que era diretor-geral da Itaipu. As ações preferenciais da companhia, que são as mais negociadas, desabaram 21,51%. As ordinárias, com direito a voto, caíram 19,96%. A estimativa de R$ 74,2 bilhões foi elaborada pela XP Investimentos. Desde sexta-feira, a estatal já acumula quase R$ 100 milhões de perda de valor de mercado com a desvalorização de seus papeis na Bolsa brasileira. A troca no comando da estatal foi anunciada depois de Bolsonaro criticar o aumento sucessivo nos combustíveis, em política comandada pela Petrobras. O titular do Planalto estava incomodado com a pressão popular por causa dessas altas. Neste ano, já foram anunciados quatro aumentos, o último na quinta-feira (18). Em conversas com apoiadores no último sábado (20), ele chegou a dizer que acreditava que havia uma tentativa de derrubá-lo com os aumentos de combustíveis feitos na Petrobras e no setor de energia em geral. Com informações da Fórum e Metrópoles

Petrobras anuncia novo reajuste; gasolina já aumentou 22% em 2021

 Estatal também reajustou os preços do diesel e gás. Novos preços passam a valer nesta terça-feira (9). A Petrobras anunciou, nesta segunda-feira (8), mais um reajuste de seus produtos. A alta está em linha com a nova política de preços da estatal, de acompanhar os preços do petróleo no mercado internacional. A política foi instituída pelo governo Michel Temer e mantida por Paulo Guedes e Jair Bolsonaro. O reajuste será de 8,2% para a gasolina; 6,2% para o diesel e 5,1% para o gás. Desde o início do ano, a Petrobras já reajustou a gasolina em 22%. O diesel, que também sofrerá reajuste, acumula alta de 10,9%. Já o gás de cozinha acumula alta de 16,1%. Os novos preços valem a partir de amanhã (9) nas refinarias. O governo de Jair Bolsonaro tenta tornar a discussão das sucessivas altas dos combustíveis e gás de cozinha um debate sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), um tributo estadual. O presidente apresentou uma proposta de ICMS fixo que supostamente resolveria o problema. A Petrobras também tem divulgado em seus canais que o preço que o consumidor final paga não é o mesmo das refinarias e que os impostos no meio do caminho contribuiriam para a alta. Nada disso, no entanto, apaga o fato de que é o terceiro reajuste em 2021 sobre itens que fazem parte da cesta de despesas básicas dos brasileiros, em meio a uma pandemia que empobreceu e desempregou as pessoas. Além da valorização do petróleo – o barril do tipo Brent chegou a US$ 60 nesta segunda – o real foi a moeda que mais se desvalorizou em 2020. A cotação do dólar ultrapassa diariamente o patamar dos R$ 5, o que torna a política de seguir os preços em moeda estrangeira ainda mais cruel em um país cujo salário mínimo está cada vez mais defasado.

Economia em frangalhos em tempos de Bolsonaro; indústria tem pior desempenho desde 1977

 Se o presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, fossem à julgamento por crimes contra a economia popular, com certeza, eles pegariam prisão perpétua. Por Esmael Morais, no seu blog Antes de prosseguirmos, um esclarecimento: não existe prisão perpétua no Brasil; o termo só foi usado aqui como metáfora. Além da face mais cruel de seu desgoverno, que elevou o desemprego ao patamar mais alto do planeta, ou seja 50% da População Economicamente Ativa (PEA), Bolsonaro e Guedes pisaram o acelerador da desindustrialização. Segundo relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgou nesta quinta-feira (4), os produtos industrializados representaram 43% das exportações brasileiras em 2020 — o pior resultado em 44 anos. Em 1977, os produtos industrializados representaram 41% das exportações –garante a bolsonarista CNI. Ao todo, conforme a entidade, a exportação de produtos industrializados somou US$ 90,1 bilhões em 2020, menor valor desde 2009, quando as vendas somaram US$ 87,8 bilhões. No levantamento, a CNI considera como industrializados os produtos manufaturados e semimanufaturados. Ainda apaixonada por Bolsonaro e Guedes, a CNI atribuiu o péssimo resultado de 2020 apenas à crise desencadeada pela pandemia do novo coronavírus. No entanto, a depressão econômica já vinha desde 2019 com as medidas fiscalistas e redução de investimentos públicos –o diabólico desinvestimento. O deputado Carlos Zarattini (PT-SP), recentemente, disse que essas entidades do sistema S viraram especuladoras no mercado financeiro –por isso elas relutam defender os interesses dos industriais; os dirigentes da Fiesp e da CNI vivem de renda –dos juros em cima da contribuição compulsória de 2,5% sobre a folha de pagamento das empresas brasileiras. Bolsonaro e Guedes são culpados por gerar desesperança, fome, dor e mortes no país. Logo, eles são suscetíveis à pena capital para um político: a deseleição e o veto popular. O Brasil necessita de um novo governo desenvolvimentista para recuperar-se da situação de frangalho deixada por esse desgoverno; levantar a economia de novo, reconstruir a nação por meio da industrialização, do emprego e do consumo interno. Bolsonaro e Guedes nunca mais.

Janeiro fecha com inflação de 0,6%, mas índice é menor em relação ao final do ano passado

 Óleo de soja, arroz, leite longa vida e frango tiveram a redução de preço entre dezembro e janeiro; já o preço do feijão estabilizou na maioria dos comércios da cidade (Fotos: Christiano Jilvan | Ascom Unimontes)    Justificativa está na queda de preço dos alimentos mais populares como arroz, óleo e leite, além da estabilidade para a carne e feijão O montes-clarense começou o ano com certo alívio no bolso. No primeiro mês de 2021, a maior cidade do Norte de Minas registrou a inflação de 0,6%, dado oficial divulgado nesta semana pelo Índice de Preços ao Consumidor, projeto de extensão do Departamento de Economia da Unimontes. O percentual traz, em linhas gerais, uma redução no custo de vida porque, em relação ao último mês de 2020, houve queda de mais de 0,4%. A inflação em dezembro anterior foi de 1,05%. A desvalorização no preço de produtos entre os mais populares na mesa do montes-clarense, caso do leite longa vida (- 4,4%), frango (- 2,76%), óleo de soja (- 1,98%) e do arroz (- 1%), por exemplo, ajudaram na redução do índice. Além disso, o preço da carne bovina se manteve estável, assim como do leite tipo C. Para efeito de comparação com o mesmo período do ano passado, a queda foi ainda maior. A inflação em janeiro/2020 foi de 1,71%. SEQUÊNCIA E para este mês, a coordenadora do IPC/Unimontes, professora Vânia Vilas Bôas Vieira Lopes, prevê uma posição otimista de estabilização de preços, especialmente dos alimentos. “Embora tenhamos que conviver com o reajuste de alguns serviços públicos que têm efeito direto na inflação, a partir do primeiro trimestre espera-se um maior controle dos preços, especialmente dos alimentos. Isso porque em fevereiro começa a colheita das safras. Há uma projeção de safra recorde, com reflexo direto na maior oferta ao mercado consumidor”, destaca a pesquisadora. No entanto, a coordenadora do IPC/Unimontes mostra cautela para a previsão acima se o cenário da pandemia do Novo Coronavírus continuar severo. “Já se identificou uma nova onda da Covid-19 em diversos países, o que torna o abastecimento um problema global, com reflexo direto nas exportações e importações e, consequentemente, na alta dos preços dos alimentos de maior procura no mercado”. Entre as vilãs na inflação acumulada de 2020, a carne bovina começou o ano com o preço “estacionado” CESTA BÁSICA – JANEIRO O curioso é que, se for analisada somente a cesta básica, o cenário da inflação em Montes Claros fica invertido. O custo na aquisição dos chamados 13 itens essenciais aumentou na virada de ano de 0,69% (dezembro) para 0,95% em janeiro. Embora a carne bovina, farinha, pão de sal e café tenham se estabilizado, além da queda no preço do arroz, houve os “vilões” da vez: banana (25,85%), batata (2,72%), feijão (2,65%) e açúcar (2,08%). 2020 A professora Vânia Vilas Bôas faz uma leitura geral sobre a inflação registrada em Montes Claros em 2020. O índice acumulado foi de 8,41%, quase o dobro acima da média nacional de 4,52%, medida pelo IPCA, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao percentual entre janeiro/dezembro de 2019, de 5,37%, a alta também foi considerável no ano passado. A explicação tem relação direta com os efeitos da pandemia do Novo Coronavírus, que mudou o hábito de compra dos montes-clarenses e interferiu na relação oferta/procura, reajustando em pouco espaço de tempo o preço dos alimentos essenciais. “O peso da comida na renda familiar gira em torno de 35% do orçamento mensal e como são estes itens que oscilam mais, quem tem o salário baixo sofreu mais com os impactos da inflação de 2020. Além do que o reajuste do salário-mínimo ficou aquém ao índice inflacionário”, resgata a pesquisadora. No ano passado, a carne bovina acumulou um aumento 32,7% ao longo do ano, mas os mais impactantes foram o óleo de soja (96,38%), arroz (79,9%) e o feijão (45,49%) com frequentes oscilações, assim como o leite tipo C (44,63%) e a batata (39,36%). Outra observação que justifica a diferença considerável entre a inflação local acumulada e a média nacional no ano passado está na logística de distribuição, uma vez que o Norte de Minas não está tão próximo de grandes centros de abastecimento. Via Unimontes

Pelo 2º ano, Bolsonaro deixa salário mínimo sem repor inflação por um mês

 Piso nacional tem que ser reajustado de acordo com o INPC; no ano passado e neste, valor de janeiro ficou abaixo do que seria o previsto por essa norma No ano passado e neste ano, o salário mínimo passou o mês de janeiro com um reajuste que não chegou a repor a inflação. Os reajustes concedidos pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao piso nacional no final de 2019 e 2020 não alcançaram o INPC, que é uma medida de inflação apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para famílias com renda de até 20 mínimos. No ano passado, por uma MP, ele atualizou o valor, mas ela valeu apenas a partir de fevereiro. Neste ano, ainda não houve atualização. Em janeiro de 2020, o salário mínimo ficou em R$ 1.039, um reajuste de 4,1%. Era a expectativa do governo para o INPC de 2019. O resultado final do índice só foi divulgado pelo IBGE em meados de janeiro, e ficou em 4,48%. Uma MP assinada por Bolsonaro no final daquele mês elevou o piso para R$ 1.045, só que a partir de fevereiro. Quem ganhava salário ou benefício previdenciário de um salário mínimo ficou um mês com reposição menor do que a inflação. No final do ano passado, Bolsonaro anunciou que o salário mínimo seria elevado para R$ 1.100, reajuste de 5,26%. No dia 12 de janeiro, o IBGE divulgou que o INPC de 2021 tinha sido 5,45%. A diferença, neste ano, seria bem menor. Para repor a inflação integralmente, o piso nacional deveria ser R$ 1.101,95. Até o momento, ele segue nos R$ 1.100. O ponto não é apenas o valor – nos dois anos, ele somou quase R$ 8 a menos para quem recebe o mínimo. Previsões de inflação podem não se concretizar, mas os resultados finais do índice tanto no ano passado quanto neste ano foram divulgados a tempo de elevar o valor ainda com validade para janeiro. Não houve preocupação do governo Bolsonaro, em seus dois primeiros anos de governo, em manter o poder de compra de quem ganha o salário mínimo pelo ano todo. Curioso é que quem recebe benefícios do INSS maiores do que o salário mínimo ganhou a reposição integral da inflação neste ano já em janeiro, porque o governo editou portaria com o reajuste no dia em que o INPC foi divulgado. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou à Fórum, em nota, o ajuste foi aplicado nas aposentadorias e demais benefícios e já está sendo pago. “Os benefícios no valor de um salário mínimo seguem a correção do piso nacional e também já tiveram o reajuste aplicado”, escreveu o órgão. Atualmente, de acordo com o INSS, há 23,3 milhões de benefícios no valor de um salário mínimo pagos pelo instituto. A Fórum entrou em contato com o Ministério da Economia por três vezes para saber se haveria a correção do valor do salário mínimo de 2021, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Análise Para José Silvestre Prado de Oliveira, diretor adjunto do Dieese (Departamento Inter-Sindical de Estudos Socioeconômicos), individualmente o valor menor pode até não fazer diferença em um mês, mas no cômputo geral pode fazer. “Se você considerar R$ 2 em um contingente de cerca de 50 milhões de pessoas que têm rendimentos referenciados em salário mínimo, poderíamos considerar que seriam R$ 100 milhões a mais injetados na economia”, afirmou. Oliveira destacou que o valor atual do salário mínimo é o que tem o menor poder de compra em 17 anos, quando considerado o valor da cesta básica apurado pelo Dieese. Com R$ 1.100, o trabalhador conseguia comprar o equivalente a 1,58 do valor da cesta estimada pela entidade para São Paulo em novembro do ano passado, que é de R$ 696,71. A proporção é igual à registrada em 2020, quando vigorou o primeiro salário mínimo definido pelo governo Bolsonaro. “O que está acontecendo é o empobrecimento das pessoas e das famílias que estão nessa faixa de renda”, afirmou Oliveira, do Dieese. “Houve uma interrupção da política de valorização do salário mínimo que estava em vigor desde 2007”, afirmou. O diretor do Dieese afirmou que essa política possibilitou um ganho real no piso nacional superior a 70% entre 2003 e 2018.