As palestras de Dallagnol e os voos de Temer

– Há algo em comum entre Michel Temer e Deltan Dallagnoll. – Por Luis Nassif Divulgada a informação de que viajou para um encontro da LIDE em um avião da JBS, inicialmente Michel Temer admitiu a viagem – já que era para evento público -, mas negou o transporte. Disse que viajara em avião da FAB. Informado de que a FAB desmentiria, admitiu o voo em aeronave privada. Mas informou não saber o nome do proprietário. Quando o proprietário deu inúmeros detalhes demonstrando que Temer sabia, nada mais disse. Divulgada a informação de que havia um site de eventos vendendo suas palestras a um custo entre R$ 30 mil a R$ 40 mil, o procurador Deltan Dallagnoll negou ter autorizado a venda. O site publicou uma nota se desculpando. Mas não negou receber pelas palestras, porque eventos públicos, nem desmentiu os valores apregoados no site. No seu perfil, no Facebook, a título de defesa, informou a destinação dos recursos: (…) Em 2017, após descontado o valor de 10% para despesas pessoais e os tributos, os valores estão sendo destinados a um fundo que será empregado em despesas ou custos decorrentes da atuação de servidores públicos em operações de combate à corrupção, tal como a Operação Lava Jato, para o custeio de iniciativas contra a corrupção e a impunidade, ou ainda para iniciativas que objetivam promover, em geral, a cidadania e a ética. Nunca divulguei isso antes para evitar que tal atitude fosse entendida como ato de promoção pessoal. Contudo, diante de ataques maldosos e mentirosos, reputo conveniente deixar isso claro para evitar qualquer dúvida de que o que me motiva é o senso de dever, como procurador e como cidadão. Há alguns problemas nessa explicação. Onde ele jogaria os recursos advindos das palestras? Certamente Deltan não terá a menor dificuldade em explicar o caminho que os recursos de palestras percorreram para chegar ao setor público. Qualquer doação para o serviço público, “tal como a Operação Lava Jato”, só pode ser feita por pessoa jurídica de direito privado. Assim como as delações da Lava Jato, sua confissão só terá valor se acompanhada de provas. No caso, o CNPJ da ONG criada para esse fim. Se disser que os recursos estão em sua conta corrente, porque ainda não abriu a ONG, não terá cometido nenhum ilícito penal, porque o dinheiro é seu e fruto do largo investimento em autopromoção. Mas terá faltado com a verdade. E um super-herói não pode se permitir essa mácula da mentira em sua biografia.
Temer confirmou seu crime de responsabilidade

– O líder da maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil deu um tiro no pé e confirmou crimes de responsabilidade apontados em seus 14 pedidos de impeachment – – A nota oficial divulgada por Michel Temer para se defender da entrevista em que o empresário Joesley Batista o acusa de ser o chefe da “maior e mais perigosa organização criminosa do País” foi um verdadeiro tiro no pé. Num dos trechos, ele confirmou os diálogos com Joesley no Jaburu e os crimes de responsabilidade apontados em seus 14 pedidos de impeachment – um deles apresentado pela Ordem dos Advogados do Brasil. “Ao delatar o presidente, em gravação que confessa alguns de seus pequenos delitos, alcançou o perdão por todos seus crimes”, diz a nota palaciana. Temer não só confirma os diálogos, como também admite nada ter feito e classifica como “pequenos delitos” saber que Joesley estava segurando juízes e procuradores, assim como comprando o silêncio do presidiário Eduardo Cunha. “Mesmo que o áudio tivesse alguma edição, as duas declarações públicas de Temer confirmam o teor do diálogo. E isso que é indiscutível. A decisão da OAB levou mais em consideração o fato de o presidente ter escutado tudo que escutou e não ter feito nada em relação a isso”, diz Claudio Lamachia, presidente da OAB. Abaixo, a nota de Temer: “Em 2005, o Grupo JBS obteve seu primeiro financiamento no BNDES. Dois anos depois, alcançou um faturamento de R$ 4 bilhões. Em 2016, o faturamento das empresas da família Batista chegou a R$ 183 bilhões. Relação construída com governos do passado, muito antes que o presidente Michel Temer chegasse ao Palácio do Planalto. Toda essa história de “sucesso” é preservada nos depoimentos e nas entrevistas do senhor Joesley Batista. Os reais parceiros de sua trajetória de pilhagens, os verdadeiros contatos de seu submundo, as conversas realmente comprometedoras com os sicários que o acompanhavam, os grandes tentáculos da organização criminosa que ele ajudou a forjar ficam em segundo plano, estrategicamente protegidos. Ao bater às portas do Palácio do Jaburu depois de 10 meses do governo Michel Temer, o senhor Joesley Batista disse que não se encontrava havia mais de 10 meses com o presidente. Reclamou do Ministério da Fazenda, do Cade, da Receita Federal, da Comissão de Valores Mobiliários, do Banco Central e do BNDES. Tinha, segundo seu próprio relato, as portas fechadas na administração federal para seus intentos. Qualquer pessoa pode ouvir a gravação da conversa na internet para comprová-lo. Em relação ao BNDES, é preciso lembrar que o banco impediu, em outubro de 2016, a transferência de domicílio fiscal do grupo para a Irlanda, um excelente negócio para ele, mas péssimo para o contribuinte brasileiro. Por causa dessa decisão, a família Batista teve substanciais perdas acionárias na Bolsa de Valores e continuava ao alcance das autoridades brasileiras. Havia milhões de razões para terem ódio do presidente e de seu governo. Este fim de semana, em entrevista à revista “Época”, esse senhor desfia mentiras em série. A maior prova das inverdades desse é a própria gravação que ele apresentou como documento para conseguir o perdão da Justiça e do Ministério Público Federal por crimes que somariam mais de 2000 mil anos de detenção. Em entrevista, ele diz que o presidente sempre pede algo a ele nas conversas que tiveram. Não é do feitio do presidente tal comportamento mendicante. Quando se encontraram, não se ouve ou se registra nenhum pedido do presidente a ele. E, sim, o contrário. Era Joesley quem queria resolver seus problemas no governo, e pede seguidamente. Não foi atendido antes, muito menos depois. Ao delatar o presidente, em gravação que confessa alguns de seus pequenos delitos, alcançou o perdão por todos seus crimes. Em seguida, cometeu ilegalidades em série no mercado de câmbio brasileiro comprando US$ 1 bilhão e jogando contra o real, moeda que financiou seu enriquecimento. Vendeu ações em alta, dando prejuízo aos acionistas que acreditaram nas suas empresas. Proporcionou ao país um prejuízo estimado em quase R$ 300 bilhões logo após vazar o conteúdo de sua delação para obter ganhos milionários com suas especulações. Os fatos elencados demonstram que o senhor Joesley Batista é o bandido notório de maior sucesso na história brasileira. Conseguiu enriquecer com práticas pelas quais não responderá e mantém hoje seu patrimônio no exterior com o aval da Justiça. Imputa a outros os seus próprios crimes e preserva seus reais sócios. Obtém perdão pelos seus delitos e ganha prazo de 300 meses para devolver o dinheiro da corrupção que o tornou bilionário, e com juros subsidiados. Pagará, anualmente, menos de um dia do faturamento de seu grupo para se livrar da cadeia. O cidadão que renegociar os impostos com a Receita Federal, em situação legítima e legal, não conseguirá metade desse prazo e pagará juros muito maiores. O presidente tomará todas medidas cabíveis contra esse senhor. Na segunda-feira, serão protocoladas ações civil e penal contra ele. Suas mentiras serão comprovadas e será buscada a devida reparação financeira pelos danos que causou, não somente à instituição Presidência da República, mas ao Brasil. O governo não será impedido de apurar e responsabilizar o senhor Joesley Batista por todos os crimes que praticou, antes e após a delação. Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República”
PF derruba esquema de fraudes no INSS de Moc

– Operação Constrição está cumprindo mandados de prisão, condução coercitiva e busca e apreensão na manhã desta segunda-feira contra os fraudadores – A Polícia Federal, juntamente com a Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda, deflagrou na manhã desta segunda-feira, uma operação para desmontar um esquema de fraudes na Previdência Social no Norte de Minas. Segundo a Policia Federal, o valor do prejuízo acumulado até março de 2017 foi de mais de R$ 486 mil referentes aos benefícios fraudados e R$ 416 mil por conta de empréstimos consignados totalizando mais de R$ 902 mil. Esse número diz respeito às análises de apenas 49 entre cerca de 100 casos suspeitos. A PF estima um prejuízo de mais de R$ 13 milhões com o esquema. Os investigados estão sendo indiciados por estelionato, falsidade ideológica, organização criminosa e inserção de dados falsos em sistemas de informações. Somadas, as penas máximas ultrapassam os 30 anos. A operação conta com a participação de 61 policiais federais e seis servidores da inteligência previdenciária da Secretaria de Previdência. Por Luiz Ribeiro – Estado de Minas Polícia Federal apresenta novo chefe da delegacia Os delegados Marcelo Eduardo e Almir Clementino, além do gerente executivo do INSS, Wilson Rocha da Silva (Foto: Girleno Alencar) Por Girleno Alencar – Gazeta A Operação “Constrição” serviu para apresentação do delegado Almir Clementino Soares como novo chefe da Delegacia da Polícia Federal em Montes Claros. Ele participou da entrevista coletiva realizada no auditório do Hotel La Defense, ontem de manhã, quando explicou que desde o dia 11 de abril foi nomeado para responder pela Polícia Federal no Norte de Minas e sua posse oficial ocorreu no dia 2 de maio, mas como teve de entrar de férias, retornou agora. Almir informou que essa mudança na chefia é comum ocorrer a cada três ou quatro anos, como no seu caso, onde estava em Palmas, no Tocantins. Os opositores ao delegado Marcelo Eduardo Freitas tinham divulgado pelas redes sociais que Almir e ele não tinha qualquer tipo de relação de amizade. Almir afirma que já trabalhou com Marcelo Eduardo e sabe da sua competência. Afirma que sua posse como chefe da Delegacia da Polícia Federal não muda nada na estrutura, pois o delegado Marcelo Eduardo Freitas continuará presidindo os inquéritos sob sua responsabilidade. Ele afirma que entrou na Polícia Federal com escrivão e depois foi a delegado. Atuou em Chuí, que é o último ponto do território nacional e depois em Uberlândia e Palmas, até chegar a Montes Claros.
Covemg resgata história de Saluzinho

– Ditadura Militar no Norte de Minas: memórias de lutas e resistências camponesas (1964-1988) – No destaque, Jader de Paula, ou Saluzinho, que 50 anos atrás enfrentou a perseguição da Polícia Militar na questão da reforma agrária As Comissões da Verdade de Minas Gerais e de Memória Grande Sertão realizam hoje, a partir das 13h, sua primeira audiência pública desde quando foi criada em 20 de agosto de 2015, quando discutirá a ditadura militar no Norte de Minas e, especificamente, a história de Jader de Paula, ou Saluzinho, que 50 anos atrás enfrentou a perseguição da Polícia Militar na questão da reforma agrária. Ele morreu em 2007 e virou mito na luta agrária no Norte de Minas. O secretário estadual de Direitos Humanos e Cidadania, Nilmário Miranda, participará da solenidade, quando anunciará a criação do Centro de Referência dos Direitos Humanos, que funcionará em parceria com a Caritas Diocesana. A Comissão da Verdade de Minas Gerais (Covemg) realiza nesta quarta-feira (07), em Montes Claros, no Território Norte, audiência pública com o tema “Ditadura Militar no Norte de Minas: memórias de lutas e resistências camponesas (1964-1988)”, às 13h, na Câmara Municipal. A reunião contará com a participação Secretário de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania, Nilmário Miranda, do coordenador-geral da Covemg, Robson Sávio Reis Souza, e de pessoas da região que foram perseguidas pelo regime autoritário. A reunião será realizada no auditório da Câmara Municipal. A saga de Saluzinho foi contada em livro lançado em janeiro deste ano, pelo jornalista Leonardo Campos. O secretario Nilmário Miranda explicou que a abertura do Centro Regional de Direitos Humanos foi definida através de edital, quando em Montes Claros teve a Cáritas como vitoriosa. Ele lembra que existe unidade em Belo Horizonte e serão criadas em Alfenas, Montes Claros e Teófilo Otoni. A instituição contará com R$500 mil por ano para formar equipe multidisciplinar na arbitragem, mediação e pacificação de conflitos, observando os aspectos sociais e de política públicas. Deverá começar a funcionar a partir de agosto desse ano. A escolha de Montes Claros, segundo Nilmário Miranda, tem justificativa, pois existem indicadores de trabalhadores, quilombolas, vazanteiros, indígenas e comunidades tradicionais, além de situações provocadas pela Lei Maria da Penha. Desde o dia 20 de agosto de 2015 que o Norte de Minas criou sua Comissão da Verdade para investigar os casos de torturas e violação aos direitos humanos praticados durante a ditadura militar. Porém, até então os trabalhos estavam sendo de pesquisas. Agora é realizada nova reunião, com foco nos 50 anos do ataque a Saluzinho. via Jornal Gazeta
Não tenho provas, mas literatura me permite

– Para condenar Lula, Dallagnol apela para argumento de Rosa Weber no mensalão – Por Miguel do Rosário Agora que o documento completo da turma de Curitiba, contendo as alegações finais dos procuradores pedindo a condenação de Lula, já está disponível na internet, a gente pode observar que se trata da mais desonesta e ilegal peça jurídica já escrita na história mundial dos processos penais. Em primeiro lugar, as alegações finais copiam totalmente a denúncia inicial. Ou seja, o MPF ignorou completamente todo o longo processo de defesa, que contou com dezenas de testemunhas e provas que inocentam cabalmente o ex-presidente de todas as acusações. Em segundo lugar, o MPF não conseguiu reunir uma mísera prova contra Lula. Para compensar, transformou o relatório num ensaio, com perdão da expressão, sociológico vagabundo, de quinta-categoria, cheio de adjetivos e ilações de botequim. É tanta besteira que não sabemos nem por onde começar. Para não cansar o leitor, fiquemos somente nesse trecho: Olha só! Os dallagnois de Curitiba, em seu linguajar empolado, admitem que não tem prova: é isso o que significa expressões como “crimes de difícil prova”, “dificuldade probatória”, etc. Em seguida, eles copiam aquela decisão de Rosa Weber que chocou o mundo jurídico (que inclusive teria sido escrita pelo próprio Sergio Moro, que era assistente dela à época) e já se tornou legendária da literatura da jurisdição de exceção, na qual ela diz que “não tem provas para condenar José Dirceu, mas a literatura me permite fazê-lo”. A tese do último livro de Wanderley Guilherme fica, assim, comprovada: o golpe de hoje começou no julgamento do mensalão, quando a jurisdição de exceção foi instituída, sem que se notasse uma reação à altura. O triste é saber que um documento desse, modelo de tudo que não deve ser uma denúncia, será analisado pelo juiz mais cafajeste e cretino que já pisou os tribunais do Brasil: Sergio Moro. Para registro histórico, eis o link da íntegra do documento do MPF, contando as alegações finais contra Lula. Miguel do Rosário é editor do Cafezinho
Maconha reúne dez mil pessoas em BH

– Manifestantes defendem que a erva não serve apenas para uso recreativo, “tem uso industrial e medicinal importantes”, argumenta um dos organizadores.- – Vestidos de verde e com um cigarro na mão, milhares de belo-horizontinos participaram, na tarde de ontem, de mais uma edição da Marcha da Maconha. Realizada todos os anos em diversas cidades do Brasil e do mundo, a mobilização tem o objetivo de chamar a atenção para a luta pela legalização da droga. Segundo os organizadores, cerca de 10 mil pessoas participaram do evento. Polícia Militar, Guarda Municipal e BHTrans não contabilizaram o número de participantes.“Maconha não é só uso recreativo, tem usos industrial e medicinal importantes”, defendeu um dos organizadores do ato, identificado apenas como Leleo. “O Brasil é um país continental, tem terra e clima para o plantio, mas fica de costas para a América Latina inteira. É uma vergonha essa falta de posição. Uruguai, Chile e Argentina já estão muito mais avançados nesse debate”, disse.A concentração da marcha teve início na praça da Estação, no centro, de onde, às 16h20 – horário de referência para o consumo da erva –, o grupo saiu em caminhada pelo centro de Belo Horizonte. O destino final era a praça da Liberdade, onde uma enorme réplica de um cigarro de maconha seria acendida no começo da noite.“Nossa luta é pela legalização e pela regulamentação. A maconha hoje é o bode expiatório, o principal foco de preconceito para as pessoas na guerra às drogas”, completou Bernardo Fogli, membro do coletivo que organiza o ato na capital. Objetivo é quebrar preconceito Em Belo Horizonte, a Marcha da Maconha é realizada desde 2008. “Para quem não fuma, a marcha mostra que a gente existe e somos iguais a qualquer outra pessoa, ajudando a quebrar o preconceito. Já para o maconheiro, a marcha dá força para conversar com o outro na micropolítica”, afirmou Bernardo Fogli, um dos organizadores do evento.Ele explica que uma das bandeiras do movimento é a regulamentação do cultivo caseiro da planta, inclusive como forma de quebrar o argumento de que o uso da maconha financia o tráfico de drogas. Com o lema “Contra a crise, legalize”, o grupo também defende o uso para fins industriais, como fabricação de tecidos, papel, cosméticos, entre outros.A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, no início de maio, medida que tornou a Cannabis sativa – nome científico da maconha – oficialmente planta medicinal.
Governo golpista implanta o AI-Temer

– Investigado pelo Ministério Público Federal por corrupção, organização criminosa e obstrução judicial, Michel Temer assinou decreto em que coloca tropas federais nas ruas do Distrito Federal por uma semana – A informação foi dada pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, em coletiva de imprensa durante confusão em Brasília após repressão da Polícia Militar contra manifestantes que protestavam contra as reformas do governo, pela saída de Temer e por eleições diretas. “O senhor presidente da República decretou, por solicitação do presidente da Câmara, uma ação de garantia da lei e da ordem”, anunciou Jungmann, que disse que Temer não irá aceitar baderna. “O senhor presidente da República faz questão de ressaltar que é inaceitável baderna, inaceitável o descontrole e que ele não permitirá que atos como esse venham a turbar o processo que se desenvolve de foram democrática e com respeito às instituições”, afirmou. “Atendendo à solicitação do senhor presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, mas também levando em conta fundamentalmente uma manifestação que estava prevista como pacífica. Ela degringolou à violência, vandalismo, desrespeito, agressão ao patrimônio público e na ameaça às pessoas, muitas delas servidores que se encontram aterrorizados”, acrescentou o ministro, em seu pronunciamento. A decisão praticamente coloca o Brasil em estado de sítio, no momento em que mais de 85% dos brasileiros desejam a saída de Temer e eleições diretas para presidente. Brasília entrou em chamas com os protestos contra as reformas de um governo ilegítimo, que chegou ao poder por meio de um golpe parlamentar. Temer cometeu novo crime de responsabilidade ao acionar o Exército, apontam juristas“Medida autoritária, inconstitucional e ilegal. Uma afronta às liberdades públicas, claro crime de responsabilidade”. Assim definiu a coordenadora do curso de Direito da Fundação Getúlio Vargas Eloísa Machado sobre o decreto de Garantia de Lei e da Ordem (GLO) acionado por Michel Temer para repressão do protesto na Esplanada dos Ministérios, em Brasília; para o Professor de Constitucional da Fundação Getúlio Vargas, Rubens Glezer, no caso específico do decreto para reprimir manifestação popular não era cabível tal atitude sequer em tese Marco Aurélio interrompe sessão do STF ao saber da ditadura Temer “Espero que seja mentira”, disse o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, ao saber que Michel Temer convocou as Forças Armadas por uma semana, praticamente decretando estado de sítio na capital federal; primeiro “presidente” da história do Brasil a ser investigado por corrupção, organização criminosa e obstrução judicial, Temer chamou o Exército depois que 100 mil pessoas ocuparam a Esplanada dos Ministérios para protestar contra as reformas de seu governo ilegítimo, que chegou ao poder por meio de um golpe; no decreto assinado por Temer, rejeitado por 92% dos brasileiros, e pelo general Sergio Etchegoyen, o Exército foi chamado para garantir a lei e a ordem; no entanto, a Ordem dos Advogados do Brasil considera Temer criminoso e pede seu impeachment – iniciativa que tem o apoio da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil Centrais: Violência não vai intimidar luta contra reformas Os trabalhadores dos quatro cantos do país que protestavam em Brasília contra as reformas da Previdência e Trabalhista foram atacados pela Polícia Militar do Distrito Federal com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo na tarde desta quarta-feira (24). A marcha seguia pacífica e se encaminhava ao Congresso Nacional. Dirigentes das centrais de trabalhadores condenaram as agressões.
Delegados aecistas nada sabiam sobre o seu herói?

– Aécio, o queridinho dos operadores da Lava Jato – Auler relembra os elogios ao “homem sério e de respeito” Do Tijolaço, de Fernando Brito: Marcelo Auler, em seu blog, relembra detalhes do comportamento dos delegados da Operação Lava Jato – e também do juiz Sérgio Moro – diante de Aécio Neves, agora desmascarado e com um pedido de prisão pendente contra ele no STF. O policiais, tão capazes de saber de tudo e mais um pouco que pudesse ser atribuído a Lula e Dilma, não sabiam de nada sobre o senador tucano, para quem chegaram a montar um grupo de apoio eleitoral na internet. Aécio, o queridinho dos operadores da Lava Jato Marcelo Auler, em seu blog Outubro de 2014, no Facebook, acima de diversas fotos do candidato à presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, rodeado de vistosas mulheres, o delegado de Polícia Federal, Igor Romário de Paulo, chefe da Delegacia Regional do Combate ao Crime Organizado (DRCOR) no Paraná, apontado pelo agente Dalmey Fernando Werlang como autor da ordem para instalar um grampo ilegal na cela que receberia o doleiro Alberto Youssef, postou em um grupo fechado: “Este é o cara!”. Dias depois, às vésperas do segundo turno que reelegeu Dilma Rousseff, do PT, o delegado federal encarregado das investigações da Operação Lava Jato, Márcio Anselmo Adriano, comentou a notícia na qual Luiz Inácio Lula da Silva dizia que Aécio não era “homem sério e de respeito”. Márcio Anselmo escreveu: “O que é ser homem sério e de respeito? Depende da concepção de cada um. Para Lula realmente Aécio não deve ser“. Não demorou muito e o delegado Mauricio Moscardi Grillo, que em sindicância concluiu que o grampo na cela de Alberto Youssef era inoperante, apesar de ele ter registrado 263 horas e 41 minutos de conversas – leia em Armação Federal II: “indisciplinas” do DPF Moscardi -, também deixou sua digital na campanha de Aécio. Abaixo do comentário de Márcio Anselmo, postou uma propaganda eleitoral do tucano segundo a qual Lula e Dilma sabiam de toda a corrupção do esquema da Petrobras, acrescentando: “Acorda!”. As postagens vieram a público em 13 de novembro daquele ano, já com a eleição definida. Foram reveladas na reportagem de Júlia Duailibi, em O Estado de S. Paulo: Delegados da Lava Jato exaltam Aécio e atacam PT na rede. Continue lendo no blog do Marcelo Auler.
Perícia comprada para Temer foi desmoralizada

– PIG em conflito: O Globo, dos irmãos Marinho, desmente a Folha, dos Frias – – O empresário Otávio Frias Filho, dono da Folha, tentou salvar Michel Temer, comprando uma perícia para questionar os áudios que devem derrubar o atual governo, e acabou desmoralizado. Reportagem que acaba de ser publicada pelo jornal O Globo, dos irmãos Marinho, revela que o perito Ricardo Caires dos Santos fez um trabalho precário, com equipamentos amadores, e não tem vínculos com o Tribunal de Justiça de São Paulo, ao contrário do que diz a Folha. Caires é também figura frequente em programas sensacionalistas e de celebridades e recuou quando foi questionado pelo Globo. “Esse trabalho tem como intuito que outro profissional faça a perícia”, afirmou. A coluna deste domingo da ombudsman da Folha revela que leitores do jornal ficaram indignados com a tentativa de Otávio Frias de salvar Temer. Abaixo, a reportagem do Globo sobre a “perícia” da Folha: Autor de laudo citado por Temer usou equipamento amador Autor do laudo citado pelo presidente Michel Temer em seu pronunciamento de sábado, o perito judicial Ricardo Caires dos Santos afirma ser profissional em transcrever áudios. Bacharel em Direito pela Unifig, de Guarulhos, onde também diz ter se especializado em Direito Penal, ele se tornou figura frequente em programas sensacionalistas e de celebridade na TV. Antes de se dedicar à degravação da conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer, coube a ele, por exemplo, determinar se havia ou não um fantasma em uma fotografia divulgada na internet pela atriz americana Jéssica Alba, em janeiro do ano passado. Embora costume se apresentar como perito do Tribunal de Justiça de São Paulo, ele é um prestador de serviços eventual da Justiça, sem qualquer vínculo com o tribunal. Procurado pelo GLOBO, ele afirmou que seu trabalho é apenas inicial e que qualquer conclusão a respeito da conversa depende de uma outra perícia. Negou ainda que o áudio da conversa tenha 50 pontos de edição, como apontado por reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em seu site na sexta à noite. Segundo ele, são 14 pontos de edição, entre 15 e 20 pontos de corte e diversos trechos de ruído. Santos, no entanto, disse não ser possível apontar onde estão os pontos de edição. — Esse trabalho tem como intuito que outro profissional faça a perícia. E, sobre os pontos que eu mostrei, ele (o outro perito) venha e fale: folha dois é só corte, folha três não dá para ouvir, na folha 33 existe edição. Esse seria o rito para ter a perícia — explicou. ESPECIALISTA EM ‘ESPIONAGEM’ O laudo feito por Santos, ao qual O GLOBO teve acesso, é composto da transcrição do áudio da conversa e, em 54 trechos do diálogo, ele identifica os “pontos a serem analisados”. Aos ouvidos de um leigo, esses pontos são apenas inaudíveis. Para elaborar o laudo, ele afirma ter usado um tocador de mídia, o programa Audacity, uma ferramenta gratuita para edições de áudio caseiras e o software Vegas Pro 10, ferramenta profissional para edição de vídeo, embora não haja imagens da conversa de Temer e Joesley. De acordo com especialistas ouvidos pelo GLOBO, as ferramentas adotadas por Caires são insuficientes para dizer se houve ou não edição da gravação. – A perícia de um áudio é um trabalho multidisciplinar, exige um grupo de pessoas, diversos softwares e alguns dias de trabalho. Não dá pra fazer em poucas horas – afirmou um perito que pediu para ter a identidade preservada. Embora se diga experiente no trabalho, Santos cometeu uma série de erros em sua degravação da conversa: a presidente do BNDES Maria Sílvia Bastos foi confundida com Marina Silva, a CVM, Comissão de Valores Mobiliários, foi transcrita como CDN. Em sua conclusão, Santos escorregou ainda na língua portuguesa. Ele escreve: “para melhor identificação está marcados (sic) os pontos em vermelho e amarelo” e “o objeto “áudio” está eivados (sic) de vícios”. Santos defendeu ainda que os trechos editados teriam reduzido o tempo total de conversa de 50 minutos para os 38 minutos apresentados pelo empresário. Ele não considerou na perícia, no entanto, a gravação feita enquanto Joesley estava no carro, antes e depois de entrar no Palácio para conversar com Temer. No site que mantém na internet, Caires se diz especializado em espionagem. Apesar da carreira de perito, o site também mostra que ele atua no ramo imobiliário, inclusive com registro de corretor de imóveis. O site é onde ele também faz propaganda de suas participações nos programas de TV.
Juizeco tucano sumiu da mídia sem deixar vestígios

.– Muita gente deve estar fazendo a mesma pergunta: Cadê Sérgio Moro? O juiz, herói nacional, orgulho do Brasil, sério candidato a “gênio da raça”, sumiu de repente.- O Cafezinho – Até anteontem, todos os dias ele estava na mídia, às vezes em vídeos extraindo confissões com seu boticão judicial, ou em áudio, conduzindo depoimentos com mão de ferro, como o de Lula. Às vezes, fazendo declarações através de notas. E também em conferências, em fóruns internacionais, dando palestras. Abruptamente, e isso já há quase 72 horas, Moro sumiu da mídia. Seu silêncio é um daqueles que, como diria Marx, oprime o cérebro dos vivos. Zumbe como pernilongos num enxame de interrogações em torno da cabeça do brasileiro. Por que o herói se calou? A resposta parece ser sua decisão no episódio das perguntas de Cunha. Sérgio Moro, como se sabe, barrou 21 das 41 perguntas que Cunha dirigiu a Temer. Conforme se expressou mais tarde, ao se posicionar contrariamente à libertação de Eduardo Cunha, Moro viu chantagem nas perguntas formuladas pelo ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados: “Tais quesitos, absolutamente estranhos ao objeto da ação penal, tinham, em cognição sumária, por motivo óbvio constranger o Exmo. Sr. Presidente da República e provavelmente buscavam com isso provocar alguma espécie intervenção indevida da parte dele em favor do preso”, disse Moro. “Isso sem olvidar outros quesitos de caráter intimidatório menos evidente”, acrescentou. De fato. Não podemos olvidar. Mas, cá prá nós, quem pode ser intimidado, constrangido, chantageado ou pressionado por um malandro corrupto senão um outro tão malandro tão corrupto quanto ele? E parece que o Exmo. Sr. Presidente da República se enquadra na definição. Na versão de Sérgio Moro, ficou parecendo que Eduardo Cunha era o vilão Gargamel e Michel Temer, o bom vovô Smurf. É uma versão atraente, um pouco infantil, é verdade, mas infelizmente totalmente desajustada aos fatos. Ouvindo as conversas e assistindo aos vídeos com as revelações sobre Temer, tudo faz crer que Cunha era um dentre os diversos operadores de Michel Temer. Essa virada pela qual Temer foi desmascarado terá certamente efeitos graves para a credibilidade de Moro. Ficou parecendo que ele, ao exercer a censura sobre as perguntas de Cunha, garantiu uma imensa chance de impunidade para Temer. Basta pensar o seguinte: e se não fossem as revelações da JBS qual seria a situação de Temer, do nosso Excelentíssimo Senhor Presidente, agora? Ele estaria com os seus milhões surrupiados, com o acordo de quase meio bilhão com a JBS, e com muito mais coisas que não sabemos, que talvez nunca venham à tona. Estaria muito feliz e alegre, como estava até há alguns dias atrás, fazendo tiradas debochadas em seus pronunciamentos, como a de que sua política era a de “nenhum direito a menos”, ou de que “governo tem que ter marido”. Não fosse a JBS, a recusa de Moro em aceitar as perguntar de Cunha, teria blindado o Excelentíssimo Temer. Mas Michel Temer blindado o que significaria? Nada mais nada menos que a condução do golpe até a consecução de seus objetivos finais: 1) destruição de todos os direitos dos trabalhadores no Brasil; 2) fim da previdência e das aposentadorias; 3) destruição da democracia e do estado de direito. É pouco? Ah, e ainda tem o Aécio. O amigo com o qual Moro aparece às gargalhadas numa foto que ficou célebre. Sim, com Aécio, aquele que surge nos áudios negociando R$ 2 milhões em propina e dizendo que se delatassem mandava matar. Gargalhadas com Aécio e foto sorridente, em postura reverencial, com Temer. Já não é mais que suficiente? Tudo isso talvez explique o silêncio de Sérgio Moro. Não foi só Temer que recebeu um golpe fatal com as revelações da JBS. É possível que outras sumidades sejam destronadas junto com ele.