Efeito Tiririca – Por Felipe Gabrich

-Merece uma profunda reflexão por parte da sociedade brasileira, acima das paixões partidárias, a renúncia do deputado Tiririca.- Não se trata de uma simples renúncia de um deputado federal de um partido da chamada base governista. O país vive um estado de exceção, governado por uma administração espúria e antipopular, praticamente imposta à nação após um polêmico e discutível processo de impeachment que destronou a ex-presidenta Dilma Rousseff. O Congresso Nacional – Câmara dos Deputados e Senado – anda votando atualmente a toque de caixa e de maneira até acintosa aos foros parlamentares – em troca de verbas e de cargos no segundo escalão da República – projetos de fins duvidosos e até mesmo atentatórios a direitos adquiridos pela população em geral. Trocando em miúdos: o país se debate numa crise institucional sem precedentes. Dentro desse cenário, um dos mais bem votados deputado federal do maior colégio eleitoral do país, que é São Paulo, em duas eleições seguidas, resolve abandonar a política. Analisem desapaixonadamente os senhores leitores: O parlamentar em pauta renuncia a um mandato parlamentar que lhe dá direito, segundo suas próprias palavras, a uma remuneração mensal de 23 mil reais (livres dos descontos), carro à disposição e outras mordomias. Esse deputado retirante está abrindo mão – vale repetir – de um salário de 23 mil reais num país de salário mínimo de míseros 900 reais, fora outras vantagens do cargo, dizendo-se envergonhado. Além disso – e isso há de ser considerado em todas as análises, Tiririca não é apenas o deputado federal Tiririca. Antes, Tiririca é um palhaço popular. E usou desse seu prestígio de palhaço para se eleger e carregar nas costas outros deputados. Não é, pois, um deputado da base oposicionista, um contrário, um comunista, um subversivo da ordem pública, que está renunciando. É um palhaço que se elegeu deputado e que, como autêntico homem do povo, sente vergonha desse cargo público, que deveria ser sublime e honroso. Mas que, infelizmente, causa vergonha a quem durante sua vida tem feito o povo rir. Sem medo de ser feliz. O palhaço-deputado Tiririca teve apenas a ousadia de jogar a primeira pedra na falta de vergonha que impera entre os políticos brasileiros, de maneira geral. Que o leitor/eleitor pense seriamente nisso. (*) Jornalista
A volta do AI-5 começou na UFMG

– Nassif: Ditadura ataca agora UFMG e mostra que morte do reitor não mudou nada; Barroso, inspirador dos filhotes da Lava Jato – por Luis Nassif, no GGN A notícia, agora de manhã, de que a Polícia Federal invadiu a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) levando em condução coercitiva o reitor e a vice-reitora, em uma operação sintomaticamente denominado de “Esperança Equilibrista”, comprova o avanço político do estado de exceção. A operação visa apurar desvios no Memorial da Anistia, construído pela UFMG. Assim como no caso da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) repete-se a combinação de PF, Controladoria Geral da União (CGU) e Tribunal de Contas da União (TCU). Há anos o Memorial padece de problemas burocráticos. Problemas administrativos, que demandam análises administrativas, são transformados em casos policiais, para que se infunda o terror nas universidades, último reduto da liberdade de pensamento no país, depois que a Lava Jato se incumbiu de desmontar o PT e a reforma trabalhista investiu contra as centrais sindicais. A história do Memorial é bonita. Todo o país que passou por ditaduras tem movimentos emblemáticos representando a luta contra a repressão. O Brasil teve mais de 50 mil pessoas anistiadas, reconhecidas como perseguidas pela ditadura e não tinha nenhum monumento. A Comissão de Anistia, quase dez anos atrás, lançou o projeto de Memorial da Anistia, com verbas do Ministério da Justiça e parceria com UFMG. A ideia seria reformar o Coleginho e ali fazer uma exposição permanente. E, ao lado, um prédio para ser o acervo da Comissão de Anistia. Os problemas ocorreram quando se analisaram as condições do Coleginho, cuja estrutura, antiga, não suportaria as reformas. Foi planejado, então, a construção de um prédio ao lado, que abrigaria o acervo e a própria Comissão de Anistia. Os valores, de R$ 19 milhões, eram perfeitamente compatíveis com a nova estrutura proposta. Foram abertas três sindicâncias, no Ministério da Justiça, do Ministério Público Federal e na própria UFMG apenas para apurar se houve imperícia no projeto para o Coleginho, que não levou em conta suas condições. Com o impeachment, não houve sequer nomeação do novo presidente da Comissão de Anistia, e as obras foram paralisadas. Este ano, foi realizada uma audiência pública em Belo Horizonte, na qual se solicitou à UFMG que terminasse o projeto. E foi recusado pela óbvia falta de verbas que assola as universidades federais. A invasão da UFMG e a condução coercitiva de oito pessoas mostram três coisas. A primeira, é que não há um fato apurado e um suspeito preso. Monta-se o velho circo de prender várias pessoas, infundir terror na comunidade, e obter confissões sabe-se lá por quais métodos. A segunda é que a morte do reitor da UFSC não mudou em nada os procedimento. Têm-se uma PF incapaz de solucionar o caso do helicóptero transportando 500 quilos de cocaína, soltando o piloto e liberando o veículo em prazo recorde e, agora, a investida política contra a segunda universidade. A terceira, é que o nome dado à operação – “Esperança Equilibrista” – é claramente uma provocação aos setores de direitos humanos. Esse monstro está sendo diretamente alimentado pelo Ministro Luís Roberto Barroso, do STF, que se transformou no principal inspirador da segunda onda repressiva dos filhotes da Lava Jato. Vamos ver quem são as vozes que se levantarão para denunciar mais esse ataque. A força policial invadiu a sala da vice-reitora. Quando outros professores chegaram lá, aboletada na cadeira da vice-reitora estava uma corregedora da CGU, como se fosse a nova dona do pedaço. Faltou uma foto para documentar a extensão do arbítrio.
Provocação aos direitos humanos na UFMG

– DEPOIS DO CASO CANCELLIER, PF AGORA ATACA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – – A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira, 6, oito mandados de condução coercitiva e 11 mandados de busca e apreensão numa operação contra suspeitas de desvio de recursos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os recursos foram destinados à construção do Memorial da Anistia Política do Brasil, financiado pelo Ministério da Justiça e executado pela UFMG. Entre os alvos de condução coercitiva estão o reitor da UFMG, Jaime Arturo Ramírez, a vice-reitora, Sandra Regina Almeida, além do ex-reitor Clélio Campolina e da ex-vice-reitora Heloisa Starling, coordenadora do projeto ligado ao Memorial. Segundo informações divulgadas pela PF, teriam sido gastos mais de R$ 19 milhões na construção e pesquisas de conteúdo para a exposição, mas o único produto aparente é um dos prédios anexos – ainda inacabado. “Do total repassado à UFMG, quase R$ 4 milhões teriam sido desviados por meio de fraudes em pagamentos realizados pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) – contratada para pesquisas de conteúdo e produção de material para a exposição de longa duração”, informou a PF por meio de nota. Caso ocorre pouco tempo depois da operação da PF que levou ao suicídio do reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier. Leia material da Agência Brasil sobre o assunto: A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira (6) a Operação Esperança Equilibrista, com o objetivo de apurar a não execução e o desvio de recursos públicos para a construção e implantação do Memorial da Anistia Política do Brasil. Idealizada em 2008, a fim de preservar e difundir a memória política dos períodos de repressão, a obra foi financiada pelo Ministério da Justiça e executada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em nota, a PF informou que 84 policiais, 15 auditores da Controladoria-Geral da União e dois do Tribunal de Contas da União estão cumprindo oito mandados judiciais de condução coercitiva e 11 mandados de busca e apreensão. A obra seria feita a partir da reforma do Coleginho, localizado no bairro de Santo Antônio, em Belo Horizonte. Nele seria instalada uma exposição de longa duração, com obras e materiais históricos. Estava prevista também a contrução de dois prédios anexos e uma praça de convivência. De acordo com a PF, mais de R$ 19 milhões já teriam sido gastos na construção e em pesquisas de conteúdo para a exposição. No entanto, acrescenta a PF, até o momento apenas a obra referente a um dos prédios estaria sendo feita e, mesmo assim, estaria inacabada. Ainda segundo os investigadores, quase R$ 4 milhões teriam sido desviados por meio de fraudes em pagamentos feitos pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), que foi contratada para fazer os estudos de conteúdo e a produção de material para a exposição. Os desvios já identificados ocorreram por meio do pagamento a fornecedores sem relação com o escopo do projeto e de bolsas de estágio e de extensão. Na nota, a PF informa haver a expectativa de que o montante desviado seja ainda maior, a partir das análises que serão feitas nos materiais apreendidos e dos interrogatórios a serem feitos com os suspeitos de envolvimento no caso. O nome da operação foi inspirado no trecho da música “O Bêbado e o Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, que é considerada o hino dos anistiados.
Odebrecht: os laços de família são o dinheiro

– Estarrecedora a reportagem da Folha sobre o clima de apreensão no império Odebrecht com a iminente soltura do delfim Marcelo, preso há dois anos. – Via Fernando Brito – Tijolaço Ao contrário do que deveria ser um momento de alegria, com a volta ao convívio com o filho do patriarca Emílio, “o ambiente, de acordo com executivos e delatores ouvidos pela Folha, é de preocupação”. De acordo com pessoas com acesso ao empresário na prisão, ele se mostra insatisfeito com um acordo cujo resultado considera extremamente injusto, principalmente no que se refere à sua participação no pagamento de propina. Há o temor de que aponte omissões e imprecisões no acordo, tema frequente de conversas de quem o visita em Curitiba. Ou seja, de que comece a evidenciar que as dezenas de delações de executivos da empresa – todos devidamente recompensados com prêmios em dinheiro do “patrão” – foram, na verdade, uma “conta de chegar” ao que deles exigia a Procuradoria Geral da República, no que até então – antes da JBS – era a “jóia da coroa” do jusdedurismo implantado no Brasil. Porque, como registra o jornal, a delação “foi arquitetada por Emílio, que via nesse instrumento a única maneira de salvar os negócios da falência” e causou o rompimento entre pai e filho. Se um filho não importa à construção de uma narrativa que renda frutos nos negócios do império, o que importaria a verdade? Tanto é assim que o jornal diz, já no título que o medo é que ele “aponte mentiras” no que foi delatado ou, é possível imaginar, que construa as suas próprias inverdades, para melhorar ou manter os termos de sua condenação. Além do pai, Marcel, diz a Folha, estaria “rompido” com a irmã, Mônica, com o cunhado, Maurício Ferro, que também é diretor no grupo, e com a mãe, a quem era muito ligado, além do diretor jurídico do grupo, Adriano Maia, operador do acordo de delação. Não admira que, para um clã que se confunde com um império de negócios, os laços de família sejam mais fracos que as correntes do dinheiro. O que admira é que a Procuradoria da República não dê a mínima importância ao que pode haver de mentiras num acordo de delação que – sem tirar nem pôr de forma idêntica ao da JBS – é apenas uma operação de salvação comercial, ainda que isso custe a honra e a liberdade de terceiros.
Globo confessa corrupção nos direitos de transmissão

SÓCIO DA GLOBO ADMITE TER PAGO PROPINA A TEIXEIRA Em depoimento nesta segunda-feira 4 na Suprema Corte do Brooklyn, nos Estados Unidos, o ex-repórter esportivo e presidente da Traffic Assessoria e Comunicações, J. Hawilla, revelou ter pago propina para Nicolas Leoz, ex-presidente da Conmebol, Julio Grondona, ex-presidente da Federação Argentina, morto em 2014, e Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF – Sócio da Globo, o ex-repórter esportivo e presidente da Traffic Assessoria e Comunicações, José Hawilla, prestou depoimento no caso Fifa nesta segunda-feira 4 na Suprema Corte do Brooklyn, nos Estados Unidos, chamado pelo governo norte-americano. Com um tubo de oxigênio, J. Hawilla revelou ter pago propina para Nicolas Leoz, ex-presidente da Conmebol, Julio Grondona, ex-presidente da Federação Argentina, morto em 2014, e Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF. Ele contou ainda que foi sócio da empresa argentina TyC (Torneos y Competencias), responsável pelo pagamento de propina e que negociava direitos de transmissão e anúncios em campeonatos como a Copa América e a Libertadores da América. Depois de ter sido repórter de campo, Hawilla foi diretor de esportes da Rede Globo em São Paulo. Em 2003, fundou a TV TEM, sigla de Traffic Entertainment and Marketing, que forma uma cadeia de TVs afiliadas da Rede Globo no interior de São Paulo. As TVs de Hawilla cobrem quase metade do estado de São Paulo: 318 municípios e 7,8 milhões de habitantes, alcançando 49% do interior paulista. Entre as cidades cobertas estão, São José do Rio Preto, Bauru, Sorocaba e Jundiaí. Hawilla comprou também do Grupo Globo, em 2009, o Diário de São Paulo. Ele já era dono da Rede Bom Dia, de jornais em cidades da área coberta pela TV TEM.
Debaixo do tapete – Por Felipe Gabrich

Esquisito, para não dizer assustador, como algumas coisas acontecem neste país sem que o povo seja informado do desfecho das ações governamentais realizadas sob forte aparato cinematográfico da chamada grande mídia falada, escrita e televisionada. Nem nas delegacias e nem nos tribunais de justiça. Senão, vejamos: – Um senador da República diz ao vivo e em cores que é preciso matar os bandidos intermediários antes que eles façam delação premiada à justiça; – Um senador da República diz a um comparsa que é preciso “estancar a sangria”, com a conivência, inclusive, do Supremo Tribunal Federal; – Um deputado federal amigo do presidente da República é filmado ao vivo e em cores pela Polícia Federal correndo com uma mala cheia de dinheiro de propina pelas ruas da cidade grande; – Um deputado-ministro acusado e investigado por receber propina mantém um apartamento com malas repletas de dinheiro (R$ 51 milhões de reais), em um apartamento da capital da Bahia; – Soldados do Exército integraram a Força de Segurança Nacional para acabar com o crime organizado e o narcotráfico nas favelas do Rio de Janeiro: apreenderam drogas, armas pesadas e mataram bandidos procurados, de acordo com a pirotecnia midiática; – Teria essa Força de Segurança Nacional implantado a ordem e a lei nas favelas cariocas ou abandonaram as comunidades banida pelo crime organizado? – Um comandante da Polícia Militar é fuzilado pela bandidagem organizada. Ou teria sido uma ação apelidada de crime de arquivo? – O ministro da Justiça diz que a Polícia Militar do Rio de Janeiro está em conluio com o Crime Organizado das favelas. Esses acontecimentos e seus consequentes desdobramentos legais deveriam ser devidamente focados nas publicidades governamentais, para conhecimento da opinião pública nacional que, infelizmente, não sabe a verdade das coisas. * Felipe Gabrich é jornalista
Gleisi: Porque Lula cresce nas pesquisas

A presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, explica que o porquê de o ex-presidente Lula crescer nas pesquisas para Mais do que comentar os resultados da última pesquisa do Instituto DataFolha, divulgada no sábado (2), é importante refletir sobre os motivos do favoritismo incontestável do Presidente Lula nas sondagens para as eleições de 2018. Além de crescer na liderança das consultas eleitorais em todos os cenários, Lula também dispara e consolida ampla vantagem sobre todos os demais pré-candidatos em um eventual segundo turno. Chega a ser compreensível, mas jamais justificável, a surpresa de parcela da sociedade com a popularidade de Lula. As disputas políticas no Brasil nunca se deram em uma arena justa e nem foram um caminho fácil e tranquilo para ser trilhado por Lula e pelo PT. Lula é o alvo de uma campanha sistemática e violenta de ataques à sua imagem, sua pessoa, aos membros de sua família e também ao legado de seu governo na melhoria de vida da população brasileira. A leitura tendenciosa e contaminada pelo ambiente das disputas políticas sempre foi um vetor de desqualificação dos avanços dos governos do PT ou mesmo da invisibilidade nos noticiários da importância e da efetividade dessas políticas de inclusão social na transformação da realidade brasileira. Esta semana, a ex-ministra do Desenvolvimento Social do Governo Dilma, Tereza Campello, lançou um livro “As faces da desigualdade – Um olhar sobre os que ficam para trás”, no qual discorre com precisão científica e aprofundada sobre as causas e efeitos da desigualdade no Brasil, suas dimensões para além dos comparativos patrimonial e de renda monetária e, ainda, sobre o que representaram de fato as políticas inclusivas dos governos de Lula e Dilma e os investimentos na proteção social do nosso povo entre os anos de 2002 e 2015. O Brasil ainda é um dos países mais desiguais do mundo. Há muitos desafios e muitas dívidas sociais ainda pendentes. O golpe que destituiu do poder a Presidenta Dilma e os interesses por trás das medidas tomadas pelo governo que está aí desde então, tem imposto um estado de exceção autoritário e antidemocrático ao País, com graves retrocessos: um estado de desigualdades. O golpe trouxe um desmonte criminoso na reversão dos níveis profundos de desigualdade que estava em curso desde 2003 e que freava um ciclo histórico de exclusão e de injustiça social. As políticas dos governos do PT impactaram na desnaturalização da pobreza e das discrepâncias, provando que a desigualdade social em toda a sua complexidade não é algo dado e irreversível. Ela pode e deve ser mudada com vontade política e com intervenções de um estado forte, presente e responsável. Em pouco mais de uma década, o aumento real do salário mínimo, a formalização do mercado de trabalho, a incorporação dos mais pobres no orçamento federal, a distribuição efetiva da renda, o Bolsa Família e suas condicionalidades, bem como a promoção de uma política social integrada, segundo Tereza Campello, explicam boa parte das transformações do período. Mas ela lembra que as pessoas não são excluídas apenas sob o viés da economia. A exclusão nega-lhes todo o acesso a direitos, bens e serviços produzidos pelo conjunto da sociedade. Nega-lhes oportunidades de vida digna. Para atuar efetivamente na problemática da desigualdade, é preciso enxergar outras questões determinantes, como acesso à água, saneamento básico, energia, à educação, saúde, moradia e a bens de consumo, que incrementam o mercado interno. Em uma comunidade no interior do Paraná, o simples acesso à energia elétrica por meio do Programa Luz Para Todos, por exemplo, representou a inserção de comunidades inteiras na produção de leite, produto que pode a partir daí, somado aos incentivos e créditos para a produção da agricultura familiar e camponesa, ser resfriado, comercializado, transportado e transformado. Isso não é diferente da realidade em pequenas propriedades do semi-árido nordestino com a chegada de cisternas, a proteção de fontes ou mesmo a expansão dos investimentos na infraestrutura das comunidades. “As faces da desigualdade no Brasil” são diversas e complexas. Os governos de Lula e Dilma atacaram e obtiveram resultados importantes e significativos em cada uma dessas frentes. Esse assunto não se esgota aqui. Temos ainda muito o que refletir a respeito e também muito o que fazer para recuperar o que foi perdido e transformar. A pesquisa, objetivamente, aponta para esse caminho. *Artigo inicialmente publicado no Blog do Esmael Gleisi Hoffmann é senadora da República e presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores (PT).
Vira-lata corre para tirar Lula do páreo

EM RITMO RECORDE, GEBRAN CONCLUI VOTO SOBRE LULA A corrida para julgar Lula na segunda instância a tempo das próximas eleições fica cada vez mais evidente; o desembargador João Pedro Gebran Neto, relator responsável pela Operação Lava Jato na 8.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4), em Porto Alegre, concluiu em ritmo acelerado seu voto sobre o recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na condenação no caso do triplex do Guarujá – Relator responsável pela Operação Lava Jato na 8.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4), em Porto Alegre, o desembargador João Pedro Gebran Neto concluiu seu voto em relação ao recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – o petista foi condenado pelo juiz Sergio Moro no dia 12 de julho a nove anos e seis meses de prisão em regime fechado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no processo do apartamento tríplex do Guarujá (SP). A conclusão do caso revela uma nova tendência dentro da Lava Jato, com a celeridade do andamento dos processos. O voto de Gebran Neto foi fechado exatamente 100 dias após a apelação chegar ao seu gabinete, na tarde de sexta-feira (1.º). Apenas três apelações da operação ficaram menos tempo com o relator para preparação do voto. O texto com a conclusão de Gebran Neto já está nas mãos de outro desembargador, Leandro Paulsen, revisor da 8.ª Turma. Pelos trâmites internos, Paulsen irá vistoriar o voto do relator, preparar seu próprio voto e encaminhar ambos para o terceiro membro do colegiado, Victor Luis dos Santos Laus. Somente depois disso será marcada a data do julgamento da apelação. As informações são de reportagem da Gazeta do Povo.
hipócritas comemoram até o pibinho de 0,01%

A galinha pousou * Por Marcelo Zero A mídia e o governo tentam disfarçar, mas o resultado pífio do terceiro trimestre de 2017 desapontou todo o mundo. O crescimento foi de apenas 0,1% sobre o trimestre anterior, quando a prévia do Banco Central era de 0,58%. Na prática, isso significa economia estagnada. Mais que “pibinho”, é PIB microscópico, um “nanopib”. O “nanopib” do Golpe foi aferido após o IBGE revisar a sua série e dessazonalizá-la. Descobriu-se, com isso, que a “recuperação” econômica, o voo de galinha do início deste ano, impulsionado pelas exportações agrícolas e pela liberação do FGTS, perdeu força. A galinha pousou, como mostra o gráfico a continuação. Neste ano, ao contrário das previsões panglossianas dos apoiadores do Golpe e da sua ultraortodoxia, o crescimento ficará abaixo de 1%. Zero vírgula alguma coisinha ridícula. Um “nanopib” anual. A mídia e os “especialistas”, no entanto, tentam disfarçar o desastre com contorcionismos lógicos e sofismas que fariam corar Górgias. Falam do crescimento de 1,2%, neste terceiro trimestre, do consumo das famílias, como se isso fosse algo extraordinário. Porém, no acumulado do ano, o consumo das famílias acumula um aumento irrisório de 0,4% sobre o mesmo período de 2016, o qual foi um período terrível, um fundo de poço abissal. Comemora-se, assim, algo menos pior que o desastre total. Comemorar um resultado desses é como comemorar Nagasaki depois de Hiroshima, pois a primeira matou menos que a última. No acumulado do ano, os investimentos, a formação bruta do capital fixo, continua fortemente negativa, mesmo com os esforços desesperados dos golpistas para vender a estrangeiros tudo o que for possível: pré-sal, Petrobras, Eletrobrás, jazidas minerais, terras. Tudo a preços de liquidação da soberania. Ressalte-se que, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, a formação bruta de capital fixo caiu 0,5%. Quando se analisa o crescimento por setor, vê-se que apenas a agropecuária apresentou crescimento expressivo, impulsionado, sem dúvida, pelas exportações de commodities agrícolas, que tiveram boa recuperação, e pelas ótimas safras deste ano. A indústria e os serviços, apesar dos soluços recentes na indústria de transformação e no comércio, continuam em situação negativa, no acumulado do ano. Assim, não fosse a performance da agropecuária, teríamos um PIB negativo, em 2017. Agora, imagine o leitor se estes “números extraordinários”, comemorados efusivamente pela mídia que apoia o golpe, tivessem sido obtidos na época de Dilma ou Lula. Haveria, é claro, um oceano ácido de críticas e previsões sombrias sobre o governo “incompetente” e seus “pibinhos”. Essa mesma mídia que hoje aplaude um crescimento de 0,1% foi a mesma que chamou um crescimento de 2,7% de “pibinho”. Essa mesma mídia, que dizia que o “ciclo do crescimento baseado no consumo estava esgotado”, hoje comemora um crescimento do consumo das famílias de 1,2%%, no terceiro trimestre, e de ridículo 0,4%, no acumulado do ano. Essa mídia hipócrita, que desdenhava dos 22 milhões de empregos formais gerados nos governos do PT e do maior processo de distribuição de renda da nossa história, que resgatou dezenas de milhões da miséria e tirou o Brasil do Mapa da Fome, hoje aplaude a pequena queda no desemprego baseada, em praticamente 100%, na geração de ocupações precárias e informais, no trabalho de conta próprias e de empregados sem carteira de trabalho e sem direitos. Aplaudem, desse modo, a precariedade laboral e o fim dos direitos trabalhistas. Comemoram as demissões dos trabalhadores com carteira e sua transformação em motoristas de Uber e vendedores de quentinhas. Observe-se que, ao longo dos governos do PT, a formalização no mercado de trabalho aumentou de apenas 45,7%, em 2003, para 57,7%, em 2014. Contudo, os “especialistas” criticavam o aumento dos “custos do trabalho”. Mas a verdade é que o Golpe e sua política ultraortodoxa não serão capazes de gerar um crescimento sustentável e socialmente inclusivo. Com essa política irracional e de austeridade suicida, o Brasil só terá voos de galinha, com aumento da pobreza e da desigualdade. As privatizações, a venda predatória do patrimônio público e o setor externo não trarão o crescimento sustentado e inclusivo de volta. Ao contrário do que se diz, o principal fator para o desenvolvimento brasileiro nos tempos dos governos do PT, foi o mercado interno de consumo de massa, não o ciclo internacional das commodities. As exportações como um todo representam cerca de 11% do PIB e a das commodities, em particular, apenas 6,8% do PIB. Em contraste, o consumo das famílias representa mais de 60% do PIB. Portanto, o crescimento sustentado passa necessariamente pela distribuição da renda e pela geração de emprego de qualidade, com bons salários e todos os direitos assegurados. Passa também pela ampliação do Estado de Bem Estar, pelos programas sociais e pela Previdência como instrumento de inclusão social. O crescimento sustentável num país continental como o Brasil, que tem a quinta população do mundo, passa, como diz Lula, pelo processo de colocar dinheiro nas mãos dos pobres. Contudo, o governo golpista está fazendo o contrário de tudo isso. Está, na verdade, tirando dinheiro das mãos dos pobres e colocando-o nas mãos dos ricos. É um Robin Wood ao contrário. Promove a volta da informalidade e da precariedade laboral, com a Deforma Trabalhista, e arruína os mecanismos de inclusão social e atenuação da pobreza, com sua infame Reforma da Previdência, que afeta, sim, os mais pobres. Além disso, o governo golpista está destruindo todos os mecanismos estatais de estímulo à economia. A surreal Emenda Constitucional nº 95, que contrai os investimentos públicos por 20 anos, algo que não existe em nenhum país do mundo, impede o Estado de retomar seus imprescindíveis gastos e destrói os orçamentos em Ciência e Tecnologia, Saúde e Educação. O fim da política de conteúdo local da Petrobras elimina os empregos na cadeia do petróleo. A ofensiva contra o BNDES, nosso grande banco de desenvolvimento, impede os investimentos pesados de longo prazo em infraestrutura. Com essa política irracional e destrutiva, não há como se gerar um novo ciclo de desenvolvimento sustentável. Não há nenhum país do mundo que tenha
71% rejeitam governo ilegítimo de Michel Temer

Pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo nesse domingo mostra que Michel Temer continua muito mal avaliado. De acordo com o instituto, 71% dos brasileiros consideram o governo ruim ou péssimo, 23% acham que é regular, 5% pensam que é ótimo ou bom e 1% não sabe. O Datafolha ouviu 2.765 entrevistados entre 29 e 30 de novembro, em 192 cidades. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. Segundo a Folha, o nível de confiança da pesquisa, é de 95%, o que quer dizer que, se levarmos em conta a margem de erro de dois pontos percentuais, a probabilidade de o resultado retratar a realidade é de 95%. Segundo o jornal “Folha de S.Paulo”, 50% dos entrevistados dizem acreditar que o desemprego vai aumentar; 26% deles acha que vai ficar como está; e 21% que vai diminuir. Já o poder de compra vai diminuir para 42% dos entrevistados; vai ficar como está para 34%; e vai aumentar para 19%. Por conta da margem de erro, a rejeição ao presidente se manteve estável, num patamar muito baixo, desde a última sondagem, realizada em setembro. Na ocasião, 73% o consideravam ruim ou péssimo; 20% o consideravam regular; 5% bom ou ótimo; e 2% não souberam opinar. O brasileiro também não anda otimista quanto aos rumos do país, o que mostra que o discursoirrealdo governo, de que a economia está se recuperando, não anda colando na população. Segundo o jornal “Folha de S.Paulo”, 50% dos entrevistados dizem acreditar que o desemprego vai aumentar; 26% deles acha que vai ficar como está; e 21% que vai diminuir. Já o poder de compra vai diminuir, segundo 42% dos entrevistados; vai ficar como está para 34%; e vai aumentar para 19%.