Viva intensamente – Augusto Vieira
Calma, amigo! O que você pensa que é viver? O que você quer levar da vida? Inimigos? Quem não os tem? Bom é nunca desejar fazê-los. Eles que te odeiem, de graça. Eles que te ofendam, sem motivos. Você simplesmente deve deletá-los, sem ódio ou ressentimento. Não cultive o ódio porque ele é o mais eficiente mecanismo de autodestruição de seu corpo e de sua alma. Além do mais, se você odiar uma pessoa ela passará a te governar. Deixe isso pra lá. Não se avexe. Quem sabe, um dia, seu inimigo cairá na real e verá que está errado? Se não, azar dele. Doenças? Quem não as tem? Não dramatize suas dores. Cuidado com aqueles que fazem comércio de seu sofrimento. Você é dono de seu corpo e de sua mente. Mais ninguém. Eles só te esclarecerão, mas quem decide tudo é você. Não deixe que te dominem. Só aceite por as mãos em seu corpo quem você permitir, salvo em algumas poucas condições excepcionais, salvadoras de sua própria vida. Um amigo meu, já idoso, não tinha quase nenhum problema de saúde. Resolveu fazer o tal do check-up. Morreu em menos de três meses. Arranjaram-lhe tanta doença e deram-lhe tanto medicamento que o cara ficou intoxicado e seu organismo não resistiu. Aprenda a conviver com os vírus e bactérias. Afinal, a gente não convive com eles desde a concepção? E nosso organismo sempre não os têm driblado? Muita gente traça normas de higiene de forma tão neurótica, que parece que sonha em esterilizar a humanidade. Ave Maria! Se você liga um televisor vê, a todo momento, um entrevistado dando conselhos de saúde pra você. Quem sabe de sua saúde, antes de ninguém, é você mesmo, cara. Saiba que há muito interesse econômico nessas falas. Remédios, quase todos, são meras drogas, vendidas por empresas multinacionais. Bons mesmo são aqueles que a natureza nos oferece, de graça. Água de riacho. Ar puro do campo. Perfumes de flores. Ervas. Céu estrelado. Luar. Calor de Sol. Cheiro de mar, de chuva e de mato. E mil coisas mais. Revezes? Quem não os tem? O negócio é sempre estar disposto a dar a volta por cima e encontrar caminhos que antes pareciam inexistentes, mas que estão aí, pra todos nós. Saiba descobri-los, você mesmo. O importante é ter consciência de que você só levará dessa vida a vida que você levar. Não levará o dinheiro que ganhou. Não levará os carros, os perfumes, as joias e os objetos que comprou. Levará, sim, os momentos em que soube ser feliz e ter paz. Tumbas não têm gavetas, nem garagens. Morte? Quem não a terá? É inexorável. Todos morreremos um dia. Aprenda a conviver com ela. Quando vier pra você, em sendo bela mulher, trate-a como se fora sua mais nova namorada. Não tenha medo. A vida, amigo, vale a pena justo porque, todos, seremos, um dia, levados por ela. O resto? Ah, o resto! Desculpe-me, caro amigo: conversa fiada. Pra boi dormir.
João Cozinheiro, patrono do orgulho gay – Augusto Vieira
Como esse mundo dá voltas! Nos anos 70, do século próximo passado, vereador, vivi problema semelhante. Um par quis concentrar todas as casas das raparigas de Montes Claros num único local. Saí em defesa delas e, felizmente, a Câmara à qual eu tive a honra de pertencer, também não acolheu essa tese discriminatória. Em minha feliz juventude em minha aldeia, Montes Claros, a cidade que tem o povo mais “amigueiro” do Brasil, havia dois viados antigos, cozinheiros, chamados “seu” Leopoldo e “João Cozinheiro”. “Seu” Leopoldo era um cavalheiro. Trabalhou na firma chamada Vieira & Cia, da qual meu pai era sócio. Cozinhava com maestria. Era solitário e muito individualista. Trajava ternos maravilhosos, usava gravatas borboletas e seus sapatos, de tão limpos, brilhavam. Leitor assíduo de revistas e jornais conversava, mesmo falando errado, até sobre política internacional. Tinha o hábito de visitar, com toda cerimônia, os amigos. João Cozinheiro, muito humilde, era o viado típico de nossa cultura, ou seja, o viado “curraleiro”, sertanejo e popular. Tinha sua casinha, na Av. Cel. Prates, onde morreu, velhinho. Alma boa, caridoso, sempre sorridente, respeitava a todos e era por todos respeitado. Havia outro gay, também cozinheiro. Trabalhava no “Espeto de Ouro”, restaurante de Zé Amorim. Era o nosso querido Olguinha. Gente finíssima. Por incrível que pareça, Olguinha foi contratado pela Cowam, do saudoso Walduck Wanderley. Saulo, irmão de Walduck, hoje dono da empresa, me contou que Olguinha mudou sua opção sexual, casou-se e teve filhos. Fica, pois, destruída a clássica teoria de que não existe ex-viado. Olguinha, para nossa tristeza, faleceu em 2006. Ao que me consta, a primeira pessoa que assumiu publicamente sua sexualidade, em MOC, foi Nilsinho. Não era cozinheiro. Bonitão, cabelos a Elvis Presley, muito bem trajado, rebolava em plena via pública e, quando assoviávamos, deslumbrava-se e parecia uma libélula voando pelas ruas da cidade. A partir dos anos oitenta, do século passado, foi um Deus nos acuda. Os viados de minha aldeia se assumiram. Surgiram inúmeros nas famílias mais abastadas, inclusive na minha. Viados ricaços. Viados remediados. Viados pobres. Viados brancos. Viados negros. Viados mulatos. Viados cultos. Viados analfabetos. Viados alfabetizados. Viados, enfim, de todo tipo. Gente que nunca imaginávamos. Isso foi, sem dúvida, uma demonstração de honestidade. Anti-social seriam nossa intolerância e a falsidade, a hipocrisia, a dissimulação, a concupiscência e o “mau caratismo” dos que optaram por uma existência gay. Quando meu filho, então com quatorze anos, perguntou-me o que eu desejaria que ele fosse, na vida, dei-lhe a seguinte resposta: — Não me cabe decidir seu futuro, mas só te peço uma coisa: não seja bicha escrota. Quer dizer, já nos anos 80, despido de preconceitos, ensinei, em outras palavras, a meu próprio filho, que ele poderia ser até viado, mas nunca escroto. Que era necessário ter ética, moral, até para dar o botão aos outros, como fizeram “seu” Leopoldo, João Cozinheiro e Olguinha, exemplos de cidadãos dignos, trabalhadores e honestos. Em minha aldeia, de uns tempos para cá, todo ano acontece a já famosa e badalada Parada GLBTS (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Simpatizantes). É, meus caros leitores, “minha terra” já “tem palmeiras” onde canta o orgulho gay. São os inexoráveis novos tempos. Nada a ver com Sodoma e Gomorra. Quem tem alguma coisa contra os gays que se conforme e caia na real, sob pena de se tornar retrógrado, anacrônico e sem lugar no mundo. Carregávamos, pela história, a fama de terra de homens valentes, machos e destemidos. O mundo mudou. Não podemos nem devemos ser intolerantes e preconceituosos. Que Deus abençoe todos os viados, lésbicas, bissexuais, transexuais e simpatizantes do orgulho gay de minha aldeia! Desejo a eles todo o sucesso do mundo, na IV Passeata, e até ouso fazer-lhes uma sugestão: elejam João Cozinheiro patrono do orgulho gay de Montes Claros.
Babacas de minha aldeia – Augusto Vieira
Minha aldeia, cidade polo, desde os primórdios, nunca discriminou quem nela não nasceu. Basta que o forasteiro se integre a nós para tornar-se um de nós. Basta que ele aprenda a amar a cidade, sua gente e seus costumes. No entanto, há uns que só querem levar vantagens às nossas custas. Sugar-nos, em todos os sentidos. Muitos criam entidades – milhares delas – e se tornam presidentes vitalícios ou outras coisas que tais, só para polirem os próprios egos. Não estão nem aí pra nós. Gostam mesmo é de se promoverem às nossas custas. Aí, então, nos colocam, sem nos consultar, em cargos subalternos dessas entidades e nos mandam aqueles ofícios fajutos comunicando as “honrarias” das figurações. Vão a tudo quanto é evento ou solenidade, são convidados pra tudo quanto é mesa e não perdem uma oportunidade, sequer, de fazerem longos, vazios e chatos discursos. Não podem ver um banquinho que sobem nele pra derramarem suas asneiras. E vão, assim, ocupando nossos espaços na maior cara de pau. E ai de quem contestá-los. A continuar assim, a qualquer momento, ao meio-dia, sairei com uma lanterna, andando por nossas ruas, procurando um nativo que exerça alguma função importante em nossa tribo. Esses forasteiros profundamente vaidosos e egoístas estão nos dominando gradativamente e não estão nem aí pra nossa História, pra nossa gente, pra nossas mais caras tradições e pra nosso futuro. São nossos gigolôs. Só pensam neles próprios. Quero mais é que eles se fodam. E quem disser que isto é ser xenófobo que vá à pqp!
A memória de Nonô – Augusto Vieira
Transcrevo, aqui, a crônica, do maestro Armênio Graça Filho, em homenagem à memória de meu querido pai Nonô: “Não há uma só vez em que passe em frente a sua antiga residência, na rua Presidente Vargas (ao lado da casa de Biela, aquela que tocava harmônio na Igreja da Matriz), lá em Montes Claros, que não me lembre dele: alto, forte, sorridente e bem humorado. Norival Vieira, meu querido “Nonô”, é, para mim, o primeiro exemplo de personalidade “pro ativa”, hoje tão em moda. O amor, o carinho, a delicadeza, a disponibilidade e o extraordinário humor com que tratava a esposa Maria Helena e os filhos Duto, Di e Xande, ainda sobravam para gastar comigo. Lembro-me bem de chegar à sua casa, à noite, e ouvir a “radiola” tocando “Cachito” ou “La Golondrina”, canções interpretadas por Nat King Cole, num disco long-play intitulado “Cole en Espanõl”, que foi verdadeira febre na cidade e trilha sonora de minha infância. Sentávamos na sala de jantar, em torno daquela mesa giratória circular dupla, ou seja, dois tampos circulares de dimensões diferentes superpostos. Num se apoiavam pratos e talheres e, no outro, que era móvel e acima do primeiro, ficavam os alimentos. Jantávamos ou fazíamos um lanche. Depois eu sempre pedia: – Nonô que tal a gente comer um abacaxizinho lá na serra de Bocaiúva? Sempre pronto, ele chamava Maria Helena e os filhos que ali estivessem e seguíamos no seu glorioso Buick V8, todo cheio de cromados, céleres e felizes, rumo à serra. Nonô e eu éramos amigos íntimos e confidentes. Eu devia ter 5 ou 6 anos. Lembro dele me perguntando o que eu achava do Sputnik, o primeiro satélite artificial, lançado pelos russos, e de Laika, a cadela, também russa, que foi o primeiro ser vivo a ir ao espaço. Ele achava um feito notável do homem. E era. Nas noites que íamos à Serra de Bocaiúva, noites e céus que só Montes Claros tem, saíamos do carro e ficávamos olhando o firmamento, procurando localizar e ver o Sputnik se movendo. Meu Deus, que emoção! Lá embaixo tal qual uma lagoa de luz, Montes Claros emergia da escuridão. As memórias deste céu noturno, estrelado e lindo, de minha infância, foram a inspiração para que, anos mais tarde, eu viesse a compor o poema sinfônico tempus sidereum. Quando a canção “Boneca Cobiçada”, cantada por Anísio Silva (Boneca çobiçada, teus lábios têm veneno, teu corpo não tem dono…), foi proibida de ser tocada em Montes Claros por Padre Dudu e pelo bispo D. José Alves Trindade, por ser imoral, música do pecado, de “zona boemia e rapariga” (como se dizia na época), houve um comentário geral e intenso na cidade e, é lógico, fiquei sabendo dos boatos, pois criança percebe tudo. Fui consultar meu amigo Nonô. E lhe perguntei: – Nonô “o quê qui é” zona boêmia e rapariga? Ele deu uma grande e sonora gargalhada e disse: – Vou te explicar. Maria Helena protestou veementemente: – Nonô, não! De jeito nenhum! Seu Armênio (meu pai) vai ficar bravo e brigar com você. Mas o impávido Nônô tinha lá as suas artimanhas e jeitos. Convenceu e amaciou Maria Helena até ela concordar. Como quem não quer nada, convidou-nos a um passeio noturno. Entramos, os três, no Buickão, e saímos pela noite montes-clarense. Sentado no banco da frente, junto à janela, coração acelerado, sentia frio em meu rosto. Onde estaríamos indo? O que seria “zona boemia” e “rapariga”? O automóvel ganhou as proximidades da Praça de Esportes, contornou-a, pelos fundos, e lembro-me bem dos faróis, varando e iluminando a noite, e da cerca viva de fícus que contornava toda a praça. Finalmente Nonô parou nas proximidades de um sobradinho azul claro, em cuja entrada se viam uma luz vermelha, acesa, e colunas, retorcidas como um parafuso, pintadas de branco. Uma varanda com cadeiras e uma grade de ferro batido separavam a casa da rua. Lembro, ainda, que, no silencio da noite, tocavam música lá dentro e ela chegava até nós, no carro. Mulheres entravam e saiam acompanhadas de homens, enquanto outras, em grupos, estavam paradas na calçada. Risos, abraços e afagos. Entra e sai de gente. Música tocando. Aí Nonô me explicou que aquilo é que era a zona boêmia. Um lugar onde tocavam música e dançavam. Um lugar onde as pessoas, quando tristes, iam para se alegrar. E “raparigas”, continuou, eram aquelas moças que eu estava vendo, entrando e saindo, e que trabalhavam e moravam ali, naquela casa. Elas é que ajudavam as pessoas tristes que ali chegavam. Eram as enfermeiras da santa casa da alma dos homens. Maria Helena, impaciente, com razão, disse que já demoráramos demais e era hora de irmos. Ainda fiz duas perguntas: o porquê daqueles nomes esquisitos “zona”, “boêmia” e “rapariga”, e de ter Padre Dudu implicado com aquele lugar e aquelas pessoas que pareciam ajudar e cuidar dos outros. O grande filósofo Nonô, com sua inteligência, presença de espírito e perspicácia, logo disparou: – Armeninho, todas as cidades são divididas em vários lugares, chamados de zonas. Aqui neste lugar, onde estamos, é a Zona da Alegria. Ali, ao lado, está a Praça de Esportes, que é a Zona do Esporte, aonde as pessoas vêm nadar, jogar futebol, vôlei e basquete. Lá longe, fica o cemitério, que é a Zona dos Mortos. Há também a Zona das Escolas, onde ficam o Grupos Escolares, o Colégio Imaculada, a Escola Normal. Entendeu? – Sim, disse eu, mas por que esse nome complicado: rapariga? Aí Nônô se superou: – Rapariga é palavra estrangeira. “Rapa” é raspar, tirar; “riga” é tristeza. Entendeu? Entendi, disse, e arrematei: – Então “rapariga” é raspadeira de tristeza. E todas aquelas moças são raspadeiras de tristezas. – Isso mesmo, replicou o mestre, sorrindo, vendo que sua tese havia sido compreendida. Maria Helena pontuou, mais uma vez, o adiantado da hora e a necessidade premente de partirmos. Nonô ligou o carro e arrancamos lentamente, passando na porta do puteiro. No banco da frente, na janela do carona,
Começou o Campeonato Brasileiro de 2017

Atlético empata fora de casa e Cruzeiro ganha no Mineirão Apesar das chances criadas na segunda etapa, com duas bolas tiradas em cima da linha do gol pela zaga adversária, os jogadores do Atlético valorizaram o resultado de empate em 1 a 1 contra a equipe do Flamengo no Maracanã, no sábado (13). O confronto abriu a edição 2017 do Campeonato Brasileiro.“Foi um grande jogo, condizente com a grandeza e rivalidade dos dois clubes. Pelo segundo tempo que fizemos, merecíamos ter saído com a vitória, eles salvaram duas bolas em cima da linha”, avaliou o goleiro Victor, que ainda reclamou de um pênalti não marcado a favor do Atlético na segunda etapa.“Se tivesse que haver um vencedor, seríamos nós, mas não podemos desprezar esse ponto conquistado fora de casa. O Flamengo vai tirar ponto de muita equipe de qualidade aqui no Maracanã”, completou. Já o Cruzeiro conseguiu a reação e superou o São Paulo, por 1 a 0, no Mineirão. O gol da vitória celeste sobre o Tricolor – que também vem de insucesso na competição internacional, além de quedas no Paulistão e na Copa do Brasil – foi anotado por Ramón Ábila. O centroavante argentino perdeu boas chances no primeiro tempo, mas garantiu o resultado positivo aos dois minutos da etapa final, após boa jogada de Alisson. Com os primeiros três pontos na Série A, o Cruzeiro se vinga do São Paulo, responsável por tirar a invencibilidade celeste na temporada, vencendo por 2 a 1, no Mineirão, pela Copa do Brasil, há um mês. Apesar do revés na ocasião, a Raposa garantiu a classificação diante do time de Rogério Ceni. A partida deste domingo ainda marcou o retorno do capitão Fábio como titular à meta cruzeirense.
Especialistas pedem desconfiança de delatores

– Deveria ser óbvio para qualquer um que não se pode dar credibilidade a gente como os repugnantes Monica Moura (a mulher sem noção do marqueteiro João Santana) e Emílio Odebrecht – pessoas que relatam crimes de que participaram em meio a sorrisos, como se estivessem contando um “causo” qualquer –, mas, tragicamente, vivemos na era da idiotia. Desse modo, o óbvio precisa ser dito e mesmo não sendo dito por qualquer um, ainda há quem não entenda. Recorramos, pois, a mais uma matéria relevante sobre o tema delação premiada. Nesse sábado 13, o jornal Folha de São Paulo informa que “Especialistas pedem cautela com delações premiadas”. As delações premiadas são um instrumento válido e vieram para ficar, mas é preciso usá-las com cautela e fazer avanços em sua regulamentação para preservar garantias fundamentais dos acusados e dar maior segurança ao processo penal como um todo. Essa é a avaliação de advogados e professores de direito consultados pela Folha sobre esse instrumento do processo penal, disciplinado pela lei 12.850, em 2013. “A delação premiada é um sintoma do enfraquecimento de garantias fundamentais. Minha principal preocupação é que o Brasil caminha para a dispensabilidade do processo: em vez de garantir a presunção de inocência do réu, torna-se um obstáculo para provar a culpabilidade do réu. Passamos para a presunção da culpa”, pondera Lenio Streck, advogado e membro da Academia Brasileira de Direito Constitucional. Professor de processo penal na Faculdade de Direito da USP, Gustavo Badaró afirma que em crimes sem vítima determinada e de resultado material de difícil detecção -como nos casos de corrupção-, a delação é um mecanismo importante, “mas o processo penal não pode se restringir a ele”. “É um absurdo, por exemplo, prever o início de pena de quem nem sequer foi investigado. É inaceitável e leva, no limite, à privatização do direito processual penal e do direito penal, algo que até defensores de um Estado mínimo se oporiam”, declara. Pierpaolo Cruz Bottini, professor de direito penal da USP, diz que não é “absolutamente contra começar a cumprir a pena a partir da homologação do acordo, mas é preciso que isso esteja regulamentado”. Para ele, a colaboração no processo penal deveria ter critérios mais claros, a exemplo do que já acontece nos acordos negociados no âmbito do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). “Temos que equacionar o problema da delação versus quais benefícios e em quais condições. Há um subjetivismo muito grande nas definições atualmente”, afirma Bottini, que tem clientes citados na Operação Lava Jato. Presidente do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), Fabio Tofic Simantob sugere que o processo de negociação da delação tenha regras estabelecidas. “Hoje, a negociação não tem nenhuma previsão legal, o que dá margem para arbítrio. É preciso saber o que pode ou não ser negociado, por exemplo”, diz ele, que advogou para o marqueteiro João Santana. Outro ponto importante de uma eventual regulamentação, segundo Simantob, é estabelecer que o réu não pode ser informado do que a autoridade procura na delação, o que garantiria a transparência na obtenção dos dados. Para Badaró, “um ponto dramático” do que ocorre nos acordos de colaboração da Lava Jato é a criação de penas não previstas pela legislação. “A lei da delação prevê perdão judicial, redução de pena em até dois terços e substituição da prisão por pena restritiva de direitos, não a adoção de novas modalidades de pena. Esses limites legais servem para o acusado e para o sistema como um todo funcionar. Indo ao extremo, não proporíamos substituir um ano de prisão por uma chibatada, embora muitos detentos topassem essa troca.” Tanto Badaró quanto Simantob avaliam que, na Lava Jato, está sendo feito o uso da prisão preventiva como mecanismo de obter a colaboração do preso provisório. “A ânsia de agradar a autoridade para sair da cadeia faz com que o preso floreie versões”, diz Simantob. Além disso, o presidente do IDDD enfatiza a necessidade de os investigadores obterem provas. “Uma prática em voga é assumir que o mero contato com a realidade do que foi delatado torna tudo verdadeiro. Exemplo: diz-se que alguém foi na casa de outro receber propina. Prova-se que ele de fato foi à casa, e isso torna-se suficiente para dizer que recebeu propina. Mas não fica provado o recebimento da propina. É algo temerário e que preocupa.” O vídeo aqui ilustra toda a questão. Nele, o leitor poderá ter a dimensão do tipo de gente sem moral que está sendo guindada pela mídia e pela Lava Jato à condição de sumidades inquestionáveis das quais as acusações se convertem instantaneamente em “provas” suficientes para tirar a liberdade daqueles que acusam – após o vídeo, leia moção de desagravo a este blogueiro. E-MAIL DE MÔNICA MOURA PODE TER SIDO CRIADO ESTE ANO – O e-mail que a publicitária Mônica Moura diz ter trocado com Dilma Rousseff por meio da caixa de rascunhos de uma conta do Google – e pelo qual teria sido informada previamente de sua prisão na Lava Jato, segundo ela – aponta mais uma fragilidade. O Google não mostra o ano de criação de uma mensagem na caixa de rascunhos quando se trata de data recente, como é o caso do e-mail apresentado por Mônica Moura, que foi registrado em cartório. Quando o rascunho é do ano anterior, a mensagem mostra a data. Confira no exemplo abaixo, mostrado pelo blog Verdades Ocultas: O Jornal GGN já havia apontado que o registro em cartório do e-mail fora feito em uma data em que Mônica estava presa. A “prova” do e-mail, que não tem origem, destino e não pode comprovar a data, foi ridicularizada na internet. Confira reportagem da Revista Fórum.
Deputados perdoarão as próprias dívidas

– Dos 50 parlamentares favoráveis ao novo Refis, 22 não pagam o Fisco. Eles propõem austeridade para jogar as suas dívidas nas costas do povo. André Barrocal traz em CartaCapital reportagem sobre o perdão bilionário a parlamentares-empresários com a proposta do novo Refis: “Transformada em bunker, a “Casa do Povo” articula o perdão bilionário das dívidas de parlamentares-empresários e seus doadores, enquanto vota reformas impopulares.” Michel Temer estabeleceu que a dívida deve ser paga 20% à vista e o resto em até dez anos. “A proposta logo vai a votação no plenário da Câmara e, por obra e graça de uma comissão especial de deputados e senadores, ficou ainda mais generosa, coisa de Madre Teresa de Calcutá: prazo de até vinte anos e perdão de 90% a 99% de juros, multas e encargos”. O relator da Comissão é Newton Cardoso Junior, mineiro do PMDB, que deve R$ 53 milhões em débitos vinculados à sua pessoa física ou a empresas das quais é diretor ou presidente! Um dos financiadores de sua campanha, o Banco Mercantil do Brasil, deve R$ 38 milhões. Os outros golpistas e caloteiros de Minas, que também fazem parte da comissão são Raquel Muniz, que deve de R$ 3,1 milhão e Renato Andrade, que deve R$ 1 mil O campeão de propostas para alterar a MP foi Alfredo Kaefer, paranaense do PSL (isso existe?). Das 376 emendas apresentadas, 44 eram dele. Kaefer deve R$ 32 milhões! Confira abaixo quem são os deputados que mais devem ao Fisco. Brasil da crise vai perdoar dívidas de parlamentares-empresários Em abril deste ano, a Folha de S.Paulo deu mais detalhes da patranha: Parlamentares que devem à União R$ 3 bilhões em tributos inscritos na dívida ativa tentam se beneficiar com o perdão dos débitos em uma negociação para alterar a medida provisória que instituiu o PRT (Programa de Regularização Tributária), uma nova regra de parcelamento com a Receita Federal. O projeto de conversão da MP em lei deve ser concluído até meados de maio e está sob a relatoria do deputado Newton Cardoso Júnior (PMDB-MG). O parlamentar acumula débitos de R$ 67,8 milhões em nome de suas empresas. O deputado afirmou que seu relatório está pronto e deve ser apresentado nesta terça-feira (25). Deputados e senadores submeteram ao relator 376 emendas ao texto enviado pelo Executivo. Quase metade delas partiu de parlamentares devedores. Outra parcela (37%) foi apresentada por congressistas que se elegeram com doação de empresas inscritas na dívida ativa da União. Folha fez um levantamento da dívida total de deputados e senadores com dados fornecidos pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional por meio da Lei de Acesso à Informação. Na Câmara, 291 deputados devem R$ 1 bilhão em nome próprio, de empresas controladas por eles ou de que são sócios. Também entram nessa conta companhias, fundações ou agremiações em que os parlamentares aparecem como corresponsáveis. A maior parte dessas dívidas (R$ 724,6 milhões) está nas empresas controladas por um grupo de 190 deputados, ou 37% da Câmara. Com informações do Conversa Afiada.
A MENTIRA SOBRE O ROMBO NA PREVIDÊNCIA

– Os futuros prejuízos e as farsas da Reforma da Previdência, do golpista governo – A Reforma da Previdência Social volta a preocupar milhões de trabalhadores. A proposta apresentada pelo governo Michel Temer altera de forma significativa o regime de aposentadoria do setor público. As propostas previstas pela PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 287/16 dificultam o acesso aos benefícios, exigem mais tempo de contribuição e reduzem drasticamente os valores a serem recebidos por meio de aposentadorias e pensões. Segundo o Governo Federal, a Reforma da Previdência Social é necessária devido o rombo causados aos cofres públicos. O Executivo afirma que em 2015, o déficit da Previdência foi de R$ 89 bilhões e subirá para pelo menos R$ 133 bilhões em 2016; atingindo R$ 168 bilhões em 2017. Diante dessa inverdade, os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil não devem permitir que tal informação ganhe força. A verdade é que em 2015, o Governo Federal arrecadou para a Seguridade Social R$ 700 bilhões e foram gastos R$ 688 bilhões. No mesmo ano, foram desvinculados para outras finalidades cerca de R$ 66 bilhões da previdência, saúde e assistência social. É falso dizer que a Previdência tem déficit, ao contrário ela tem superávit. A Previdência Social não é sustentada apenas por contribuições dos empregados e empregadores. A Previdência também conta com recursos embutidos em cada produto ou serviço adquiridos pelo consumidor. No preço de tudo que o contribuinte adquire estão incluídos tributos que deveriam ser destinados à previdência, à saúde e ao amparo da velhice de todos. Em outras áreas deste hotsite, existem informações sobre a base de cálculo da receita, despesa e resultado da Seguridade Social, além de gráficos comparativos. Auditores Fiscais da Receita Federal
Presentes para as mães, na Feira de Artesanato

– A estrutura da Feira de Artesanato de Montes Claros está montada na Praça Doutor Carlos Carlos Versiani. As dezenas de barracas estão instaladas naquele logradouro público desde quinta-feira (11), onde permanece até domingo (14). O objetivo é dar mais oportunidades e opções de presentes para o Dia das Mães, numa ação da Prefeitura de Montes Claros, através da Secretaria de Cultura. A presidente da Associação dos Artesãos, Maria de Fátima Ferreira Xavier, lembra que a transferência temporária da estrutura foi uma decisão acertada e elogiada pelos expositores e consumidores. “Estamos contentes com o sucesso das atividades, tendo em vista que a população está gostando e pode adquirir presentes variados, a preços justos”, afirmou a presidente, lembrando que a Feira já é uma tradição, aos domingos, pela manhã, na Praça Doutor Chaves (Matriz). Outro otimista com a Feira é o expositor Djalma Alves Santana. “É mais um espaço para a gente expor o nosso trabalho e trazer novos produtos e artesanatos para o público. Uma chance de vender nosso artesanato e homenagear as mães. Trabalho na Feira desde 2001, com esculturas em madeiras e acredito que a tendência é melhorar a renda”, lembrou, afirmando que o espaço também proporciona geração de empregos, direitos e indiretos. Gleice Karina Braga visitou a Feira na manhã desta sexta-feira (12), juntamente com sua mãe e disse que a exposição, na Praça Doutor Carlos, é uma grande oportunidade para adquirir artesanatos de boa qualidade para a data especial e, ainda, presentear amigos. “Somos de outra região e estamos adorando visitar a Feira de artesanato de Montes Claros”, afirmou. Ascom-Prefeitura Montes Claros
Modo de tocar e fazer viola como patrimônio imaterial

– Levantamento mapeia construtores e tocadores de viola em todo território mineiro – Iepha-MG prepara documentação para tornar tradição em patrimônio imaterial. Instrumento é um dos elementos estruturantes da identidade mineiraO Governo de Minas Gerais dá mais um passo importante para reconhecer o modo de tocar e fazer viola como patrimônio imaterial do estado. Está em andamento o mapeamento dos construtores e tocadores de viola, que são convidados a acessar o site do Instituo Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e realizar o cadastro online.O levantamento vai permitir ao Iepha-MG mapear quantos são e quem são os responsáveis por perpetuar uma das mais tradicionais características da cultura mineira e, dessa maneira, endossar o pedido de abertura do processo de registro junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Estamos convidando todos os violeiros, construtores e fabricantes de viola”, reforça a diretora de Proteção e Memória do Iepha-MG, Françoise Jean.A diretora do Iepha-MG ainda salienta que os violeiros que quiserem efetuar o cadastro terão o apoio das prefeituras. “Aquelas secretarias de cultura que promoverem o cadastro dos violeiros nos seus municípios vão ganhar uma pontuação extra no ICMS Cultural, que se reverte em recursos de repasses de ICMS”, esclarece Françoise Jean, que também enaltece os benefícios da iniciativa para a criação de políticas públicas assertivas para o setor. Tradição mineiraPara o violeiro Chico Lobo, reconhecido músico mineiro com mais de 30 anos de carreira, o mapeamento é muito importante na medida em que vai catalogar tanto os mestres violeiros do interior quanto os artistas que vivem da viola. “A gente tem o reconhecimento no Brasil de que Minas Gerais é o grande celeiro dos violeiros”, frisa Chico Lobo. “É um instrumento que está no cotidiano, na vida do mineiro”, complementa.O costume de fazer e de tocar a viola está presente em grande parte do território mineiro e dialoga com muitas outras práticas tradicionais, como as folias, congadas e demais festejos populares. Nas celebrações religiosas, por exemplo, atua como fio condutor de todo o ritual. Por sua vez, nas comunidades rurais, a música assume o papel de elemento mediador das relações sociais.Para a violeira e professora de viola caipira, Letícia Leal, o instrumento musical tem uma sonoridade peculiar e uma forma única de tocar. “A gente, como violeiro, tem que entender isso e explorar o instrumento ao máximo para levá-lo a outros patamares. Isso a gente não consegue fazer sozinho. Então, quando você se une a outros na discussão, você consegue agregar e mostrar uma força”, acredita Letícia Leal.Em entrevista, Letícia Leal fala um pouco sobre sua relação com a viola.Clique aqui para ouvir trecho da entrevista com a violeira. Viola em debatePara ampliar a discussão do tema, o Governo de Minas Gerais apresenta, nos próximos dias 16 e 17 de maio, o seminário Violas: o fazer e o tocar em Minas Gerais. Na abertura do evento, o secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, vai detalhar o Projeto Violas. Já a presidente do Iepha-MG, Michele Abreu Arroyo, falará sobre a solicitação de abertura do processo de registro da viola como patrimônio imaterial junto ao Iphan.Serão dois dias de imersão na história e também no universo cultural e simbólico da viola no Brasil e em Minas Gerais para compreender as relações deste instrumento com as vivências coletivas, religiosas e identitárias do povo mineiro. Além dos violeiros, o encontro terá a presença de pesquisadores, tocadores, mestres e construtores de violas para as rodadas de debates.“A gente chegou à conclusão de que mais interessante do que a gente produzir uma pesquisa fechada aqui no Iepha-MG, seria trazer essa discussão para fora, para a sociedade. Então, é promover uma grande discussão pública com a sociedade, ouvindo os vários envolvidos para, num segundo momento, a gente construir ações de salvaguarda da viola e uma política pública voltada para essa expressão cultural da viola em Minas Gerais”, acredita Françoise Jean.Ouça o convite especial feito por Chico Lobo.O evento acontece no auditório do BDMG Cultural, no Circuito Liberdade. para fazer a inscrição e aqui para conferir a programação completa do seminário. Via Agência Minas