Para aprovar reformas, caloteiros serão perdoados

 TEMER OFERECE BILHÕES AOS DEPUTADOS PARA MEXER NA SUA APOSENTADORIA   Aécio Neves, o articulador do Golpe, continua sendo o principal aliado do ilegítimo Temer Traído por sua própria base e aprovado por apenas 4% dos brasileiros, Michel Temer cedeu à chantagem do Congresso e vai aliviar a dívida de grandes inadimplentes com fisco; depois de barganhar com cargos de confiança e indicações políticas, o Programa de Regularização Tributária (PRT), popularmente conhecido como novo Refis, deve ser o maior pacote de “bondades” da história; a versão proposta pela comissão especial criada pelo Congresso alivia significativamente multas e juros, inclusive de grandes devedores, e provocaria uma perda de arrecadação de R$ 23 bilhões; o texto aprovado na comissão permite o parcelamento das dívidas em até 180 meses e, dependendo da parcela inicial, garante às empresas devedoras o direito a até 90% de desconto nas suas multas; a medida deve desequilibrar ainda mais a arrecadação federal 247 – Para aprovar suas impopulares reformas, o igualmente impopular Michel Temer se rendeu ao toma-lá dá-cá do Congresso. Depois de barganhar com cargos de confiança e indicações políticas, o peemedebista deve aprovar um perdão bilionário a devedores em troca de apoio parlamentar para as mudanças trabalhista e previdenciária. As informações são de reportagem de Julio Wiziack, Bruno Boghossian e Daniel Carvalho na Folha de S.Paulo. “Batizado como Programa de Regularização Tributária (PRT), e popularmente conhecido como novo Refis, o novo plano começou a ser discutido depois que o Congresso alterou proposta original do governo, incluindo vários benefícios para devedores. A equipe econômica é contrária aos descontos e trabalha para reduzir ao mínimo a perda de arrecadação nas negociações. No limite, aceita descontos de até 25% nas multas e 25% nos juros sob determinadas condições de pagamento da dívida. As discussões estavam em andamento nesta segunda (15). Até a conclusão desta edição, a expectativa de arrecadação com o novo Refis, que era de cerca de R$ 8 bilhões com a proposta original do governo, passou para cerca de R$ 1 bilhão no novo plano. A versão proposta pela comissão especial criada pelo Congresso para examinar a proposta original do governo provocaria uma perda de arrecadação de R$ 23 bilhões. Com dificuldade para fechar as contas do governo em meio à lenta recuperação da economia, a equipe econômica pressionou o presidente Michel Temer a mudar o plano. Com as negociações, o governo estuda dois caminhos. Um deles seria o próprio Congresso votar uma emenda conciliadora. Outra ideia seria deixar que a medida provisória com a proposta original do governo perca a validade e enviar nova medida incluindo as condições negociadas com os parlamentares. O texto aprovado na comissão permite o parcelamento das dívidas em até 180 meses e, dependendo da parcela inicial, garante às empresas devedoras o direito a até 90% de desconto nas suas multas.”

Eugênio Aragão: Comigo não, barraqueiros!

 – Atônito, o país assiste ao barraco entre o Ministro Gilmar Mendes e o Procurador-Geral da República. –  Por EUGÊNIO ARAGÃO*  O que espanta não são os argumentos, mas o baixo nível do embate. Não se trata de uma discussão jurídica, mas de um verdadeira incontinência verborrágica. E agora, parece, tendo o Ministro esgotado seu primeiro pente de balas envolvendo a filha do Procurador-Geral no entrevero, quer, no uso do segundo pente, arrastar-me para a sua briga de fim de feira pela xepa. Lembro o título de um conhecido livro autobiográfico, no qual o historiador alemão Joachim Fest relata ter recusado fazer parte do mainstream nazista no Terceiro Reich: “Ich nicht!”, em português, “Eu, não!” Onde a opinião própria é reprimida pelo ódio coletivo estimulado por mídia de massa e pelas instituições que deveriam zelar pelos direitos fundamentais, é deveras difícil nadar contra a corrente, manter-se fiel às suas convicções. Quem experimenta rejeitar os falsos truísmos é castigado por intensa estigmatização na forma de bullying, mobbing ou bashing. Na internet, os ataques se dão por cyberbullying, agressões verbais destinadas a ferir sentimentos e desencorajar o debate. Sou forçado a me acostumar a isso, não sem elevado custo emocional. Faço-o por ser um cabeça-dura, que não se deixa dobrar quando tem certeza da correção de sua atitude. Numa época em que a intolerância e a balbúrdia vêm se tornando norma de conduta no espaço público, o barraco entre um Ministro do STF e o Procurador-Geral da República não deveria causar surpresa. Causa, isso sim, desconforto e tristeza profunda assistir a tamanho rebaixamento das nossas instituições. Aos fatos. O clima entre as duas autoridades não anda bem há algum tempo. Mais precisamente, a partir do momento em que o chefe do Ministério Público não conseguiu evitar as investigações contra a turma falso-moralista da direita orgânica brasileira, representada por Aécio Neves, Aloísio Nunes Ferreira, José Serra et caterva. Enquanto o MPF vinha atirando apenas nos governos do PT e em seus aliados de sempre e de outrora, o Ministro não se incomodava. Na verdade, os pífios “elementos de convicção” até então expostos ao voyeurismo público, alimentado por uma mídia partidária e sem compromisso com o país, vinham a calhar para dar substância a processos que visavam, no TSE, à cassação do mandato e à inelegibilidade de Dilma Rousseff. Prestavam-se a aplacar a bronca do Ministro com a circunstância de o Senado, ao impedir a Presidenta, não ter cassado seus direitos políticos. Achava, de certo, que lograria fazê-lo no tribunal que preside, graças à mistura das ações ali em curso com os falsos achados da operação “Lava Jato”. O Ministro não conseguia esconder sua “Schadenfreude”, termo alemão que resume incomparavelmente o – amiúde mesquinho – comprazimento com a desgraça alheia. Uma vez relator do pedido do MPF de instaurar inquérito contra Aécio Neves, mudou de tom. Quis inviabilizar a iniciativa. A insistência de Rodrigo Janot impediu isso. Até as pedras sabem das afinidades entre Aécio e o Ministro Gilmar. Mas nada se fez a respeito. Por que será que o Procurador-Geral da República não opôs exceção de suspeição à época? O primeiro confronto maior deu-se, porém, com a divulgação da lista de Marcelo Odebrecht, envolvendo oito ministros do governo golpista de Temer em supostas práticas de corrupção. Aos costumes, Gilmar não foi gentil. Acusou o Ministério Público de promover entrevista em off para antecipar ilicitamente a quebra do sigilo judicial sobre a lista. De imediato o chefe do MPF atestou ao Ministro “disenteria verbal” e “decrepitude moral”. “Starker Tobak!” – literalmente, “tabaco forte”, diria um alemão. No Brasil atual, diríamos: “É dose!”. Os fatos são notórios e foram amplamente divulgados na mídia. Em novo momento, o chefe do MPF resolveu arguir a suspeição do Ministro Gilmar Mendes para a relatoria de habeas corpus impetrado em benefício de Eike Batista. O Ministro Gilmar havia determinado a soltura do empresário, desagradando o Procurador-Geral. Agora, este lhe atribuía ter ignorado que sua esposa, Dra. Guiomar Feitosa Mendes, é sócia do escritório de Sérgio Bermudes, advogado de Eike. Por regra do CPC, o Ministro estaria impedido de atuar no feito, segundo o chefe do MPF. A peça da Procuradoria-Geral da República foi de qualidade técnica sofrível. Confundiu suspeição com impedimento e incompatibilidade, demonstrando que o signatário não domina esses conceitos. Na minha experiência docente, qualquer aluno de Processo Penal em curso de Direito faria melhor. A aplicação analógica de institutos de processo civil no processo penal é muito problemática, pois cada disciplina tem seu marco normativo próprio e completo. Mas o pior é que o escritório de Sérgio Bermudes não patrocinava Eike Batista em feitos criminais. Já nos cíveis, tudo indica que a Dra. Guiomar não advogou. Entre parênteses: o Procurador-Geral da República e o meio jurídico e político em geral conhecem bem as práticas controvertidas do Ministro Gilmar. Reúne-se com réus que deverá julgar, promove jantares para políticos, ostenta sem qualquer recato amizades e inimizades partidárias e opina na mídia sobre casos por decidir, sem cogitar no afastamento dos respectivos feitos. Reporta-se com pouca elegância a colegas e desafetos, longe do trato urbano e decoro que sua condição funcional lhe impõe. Inúmeras foram as possibilidades do Ministério Público de enfrentar tais desvios de conduta. Ele poderia ter agido quando o Ministro concedeu provimento liminar para tornar sem efeito a posse de Lula no cargo de Ministro-Chefe da Casa Civil de Dilma. Na prestação de contas da Presidenta Dilma Rousseff, a atuação do magistrado também foi tudo menos isenta. Mas nada aconteceu. Agora, no caso de Eike Batista, o chefe do MPF escolheu um caso fraco e ruim para mostrar sua musculatura. Para começar, a decisão do Ministro Gilmar motivadora da inconformidade do Ministério Público foi plenamente defensável. Estava mais que na hora de pôr freios ao abuso das prisões preventivas destinadas a extorquir delações. E, ao que tudo indica, nada o impedia de jurisdicionar. Houve-se o magistrado com raro equilíbrio. Fecham-se parênteses. A resposta à ousadia do MPF não tardou. E o jogo foi baixo. A mídia

Filósofa a Moro: é a ditadura do Judiciário

 Juiz que é Juiz não pode ser aplaudido – Em evento na London School of Economics, no Reino Unido, Djamila Ribeiro, mestre em filosofia política e ativista questionou o magistrado sobre seus posicionamentos à frente da Operação Lava-Jato Djamila Ribeiro, mestre em filosofia política e ativista (Créditos: Ricardo Matsukawa/El País) Da Revista Fórum: Djamila Ribeiro enfrenta Moro em debate em Londres: “Juiz não deveria ter partido” A filósofa Djamila Ribeiro questionou o juiz Sergio Moro sobre seus posicionamentos à frente da Operação Lava-Jato. O magistrado participou ontem (13) de um debate na London School of Economics, no Reino Unido, com a presença do ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo. Na ocasião, Cardozo afirmou que o impeachment de Dilma Rousseff se tratou de um golpe baseado em “acusações pífias” e foi recebido com palmas. Quando a discussão passou às perguntas da plateia, Djamila, que falará no evento no domingo sobre questões de gênero, criticou o “discurso do populismo penal”. A ex-secretária-adjunta de Direitos Humanos da cidade de São Paulo lembrou que a decisão de interromper as atividades do Instituto Lula foi feita com uma “canetada”. “Juiz não deveria ter lado, juiz não deveria ter partido”, enfatizou ao comentar a torcida em torno da figura de Moro no debate.

Minas Gerais reforça benefícios do parto normal

 Por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) mãe e bebê têm garantido o direito ao parto normal e humanizado  A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) reforça a importância da realização do parto normal de forma acolhedora e humanizada. O Sistema Único de Saúde (SUS) entende que cada parto é único e, por isso, diversos programas e ações estão sendo construídos para que a mulher seja acolhida e tenha suas vontades respeitadas.Em Minas Gerais, os partos normais realizados no SUS são maioria. Em 2016, dos 165.241 partos realizados no estado pelo SUS, 55,3% foram normais. Entretanto, os partos normais ainda são cercados de mitos, como se causassem dor e sofrimento à mãe e à criança.Mas as vantagens desse tipo de parto são extensas, começando pelo fortalecimento do sistema imunológico do bebê que, ao passar pelo canal vaginal da mãe, tem contato com bactérias naturalmente presentes nessa parte do corpo da mulher. Além disso, por meio do parto normal, o ritmo cardíaco, fluxo sanguíneo e a maturação pulmonar do bebê são gradativamente trabalhados.Aniele Oliveira Rosa passou pela experiência do parto normal nas suas duas gestações. A última foi há 11 meses, quando sua segunda filha nasceu, em Belo Horizonte, com todo o procedimento feito por meio do SUS.“Eu sempre quis parto normal, principalmente por causa da recuperação que é mais rápida. No parto do meu primeiro filho a minha mãe estava comigo como acompanhante, por isso fiquei mais calma. Já no segundo parto, da minha filha mais nova, eu me senti um pouco mais tensa, mas correu tudo bem”, conta.Considerado um dos momentos mais importantes para a construção do vínculo entre a mãe e o bebê, o parto precisa ser tranquilo e seguro, prezando pelo acolhimento da gestante e da criança.Entre os principais direitos da gestante estão: a livre escolha do acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, conforme previsto na Lei Nº 11.108, de 7 de abril de 2005, contato pele a pele com o bebê, amamentação, analgesia para o parto e redução de intervenções desnecessárias.Existe um mito de que o parto normal é um procedimento de dor e sofrimento e que a cesariana é mais segura. Entretanto, existem riscos e eventos adversos que podem acontecer nos partos realizados com cirurgia ou pelo uso de medicamentos para a operação cesariana. Rede CegonhaComo incentivo ao parto humanizado e ao cuidado integral com a saúde da mãe e da criança, a SES-MG aderiu à Rede Cegonha, estratégia do Ministério da Saúde que implementa uma série de cuidados com a saúde da mulher.Por meio do programa é assegurado às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e à atenção humanizada durante o período da gravidez, parto e puerpério. Além disso, através do programa, é garantido à criança o direito a um nascimento seguro, crescimento e desenvolvimento saudáveis.De acordo com a coordenadora de Atenção à Saúde da Mulher da SES-MG, Ana Paula Mendes Carvalho, a adesão à Rede Cegonha é uma entre as diversas estratégias adotadas pelo estado para incentivar o parto normal, acolhedor e humanizado.“A SES-MG participa de diversos espaços e estratégias que abordam a questão da qualificação da atenção perinatal, o que inclui a mudança no modelo de atenção ao parto e nascimento, redução de cesarianas desnecessárias e promoção do parto normal seguro, digno e respeitoso. Aderindo à Rede Cegonha, Minas reafirma o compromisso em qualificar assistência às mulheres e famílias”, afirma Ana Paula. Profissionais preparadosA transição do modelo de atenção ao parto e nascimento é um processo que envolve complexas mudanças culturais, sociais e assistenciais. Nesse sentido, um dos desafios é a formação dos profissionais de saúde, que devem estar preparados para acolher a mulher.“É importante que a temática seja abordada com enfoque nas evidências científicas, nas boas práticas de atenção ao parto e nascimento, no modelo centrado na mulher e família, valorizando o modelo colaborativo, no qual a equipe multidisciplinar participa do cuidado integral à mulher”, explica Ana Paula Mendes.Uma das estratégias centrais no incentivo ao parto normal é a inserção de enfermeiras obstétricas nos cenários de parto e nascimento, como parte integrante da equipe. Por isso, em Minas Gerais, foram criados cursos de aprimoramento voltados para enfermeiras que já atuam no SUS.A especialização, vinculada à Rede Cegonha, é coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e vinculada às universidades federais em Belo Horizonte, Diamantina e Uberlândia. Atualmente, há três turmas em formação.O cuidado e a assistência destas profissionais, compondo a equipe multiprofissional no cenário do parto e nascimento, é relevante para a redução das intervenções e cesáreas desnecessárias. Outras ações de incentivoEntre as ações coordenadas pela SES-MG está o Comitê Estadual de Prevenção de Mortalidade Materna, Infantil e Fetal, que também aborda a influência dos cuidados perinatais (pré-natal, parto, nascimento e puerpério), tanto para a mulher, quanto para o recém-nascido.Além disso, também está sendo desenvolvido pela SES-MG, em parceria com a Organização Panamericana de Saúde (OPAS), o Projeto Zero Morte Materna por Hemorragia Pós-parto, que prevê a qualificação dos profissionais de maternidades do SUS, abordando a temática do parto e demais cuidados perinatais para a prevenção dos casos de hemorragia puerperal.Em 2015, a SES-MG realizou o Seminário de Boas Práticas de Atenção ao Parto e Nascimento, no qual foi implementado o Fórum Perinatal da Região Ampliada de Saúde Centro. Os fóruns são espaços de diálogo permanente, inclusivos, plurais, democráticos e participativos, com o objetivo de construção de consenso e referenciais éticos e políticos, que envolvem discussões sobre a rede de assistência e a linha de cuidado integral para adequação dos serviços às necessidades da população.Outro espaço de discussão neste âmbito é o Grupo Condutor Estadual da Rede Cegonha, que conta com participação de representantes das Regiões Ampliadas de Saúde do estado de Minas Gerais. Neste espaço são discutidas estratégias para ampliação e fortalecimento da Rede Cegonha em Minas.Mensalmente, a SES-MG participa também das reuniões da Comissão Perinatal de Belo Horizonte, espaço com representações de gestores, profissionais e sociedade civil, de fortalecimento e apoio à humanização do parto nas maternidades de Belo

Montes Claros perdoa multas, juros e correções

 – Programa de refinanciamento de dividas dos contribuintes entra em vigor amanhã (16)  O prefeito Humberto Souto autorizou a secretaria municipal de finanças a iniciar já nessa terça-feira, dia 16 de maio, o maior programa de refinanciamento de dividas dos contribuintes em atraso com o IPTU, ISSQN, taxa de lixo e demais tributos municipais. A adesão ao REFIS 2017 deve ser feita na prefeitura nos próximos 60 dias e quem o fizer terá o perdão de todos os juros, correções e multas incidentes sobre os impostos taxas em atraso, em fase de cobrança administrativa ou execução judicial. O pagamento poderá ser feito de uma só vez ou em até 12 parcelas mensais. Os contribuintes vão ficar adimplentes assim que iniciarem o pagamento, podendo receber a certidão negativa de débito (CND) municipal. Estima-se que o REFIS 2017, proposta feita por Humberto Souto e aprovada pela câmara municipal, vai beneficiar contribuintes de Montes Claros que juntos acumulam débitos de mais de 300 milhões de reais com a prefeitura. O perdão de juros, multas e correções vai reduzir significativamente o valor devido por cada contribuinte em atraso.

Esses meus fabulosos colegas da “Vetusta” – Augusto Vieira

Amigos da juventude, dos bancos da universidade. Sempre presentes, nos momentos tristes e alegres. Tenho recebido vários telefonemas deles, querendo notícias da cirurgia do marca-passo, desejando-me coisas boas. Como gosto deles! Hoje, mesmo, me emocionei com o carinho do Baía, que está, nesta foto, comigo, com o Ruas, com o Cyro e com o Nadim. Ruas, padrinho de meus dois casamentos, e Cirinho, infelizmente já nos deixaram. Sei os nomes completos de todos os meus colegas da Faculdade de Direito da UFMG, de cabeça, sem consultar qualquer lista. Só pra exemplificar, os da foto: José Antonino Baía Borges, Fábio Nonato Ruas, Cyro Machado Bandeira de Mello e Nadim Bechara Andere. E não erro um, sequer. Zé Carlos Mata Machado também sabia. Nas eleições da Faculdade a gente passava a lista várias vezes para avaliar os desempenhos de nossos candidatos e, de tanto fazer isto, decoramos todos os nomes. Mas o que vale não é isso. É o que deles, de quase todos, ficou incrustado em meu coração, como pérolas colhidas da vida.   Amigos da juventude, dos bancos da universidade. Sempre presentes, nos momentos tristes e alegres. Tenho recebido vários telefonemas deles, querendo notícias da cirurgia do marca-passo, desejando-me coisas boas. Como gosto deles! Hoje, mesmo, me emocionei com o carinho do Baía, que está, nesta foto, comigo, com o Ruas, com o Cyro e com o Nadim. Ruas, padrinho de meus dois casamentos, e Cirinho, infelizmente já nos deixaram. Sei os nomes completos de todos os meus colegas da Faculdade de Direito da UFMG, de cabeça, sem consultar qualquer lista. Só pra exemplificar, os da foto: José Antonino Baía Borges, Fábio Nonato Ruas, Cyro Machado Bandeira de Mello e Nadim Bechara Andere. E não erro um, sequer. Zé Carlos Mata Machado também sabia. Nas eleições da Faculdade a gente passava a lista várias vezes para avaliar os desempenhos de nossos candidatos e, de tanto fazer isto, decoramos todos os nomes. Mas o que vale não é isso. É o que deles, de quase todos, ficou incrustado em meu coração, como pérolas colhidas da vida.

Desbabacando-me – Augusto Vieira

Fui educado para ser o melhor em tudo, mais bonitinho, mais inteligente e mais forte do que meus colegas. Depois passaram a exibir meus dotes artísticos para as visitas, como se eu fosse um bibelozinho. Pediam-me para tocar piano e mal eu iniciava a música era aquele converseiro na sala. Dava vontade de me levantar do banquinho e mandar todo mundo à puta que pariu. Mas eu segurava a barra. Quando terminava, vinham os fingidos aplausos e os falsos elogios. Passei, então, a ser corrompido pelas más companhias, quando eu próprio era o corruptor. Que corruptor qual nada! Corruptos eram os ensinamentos que eu recebia. Depois me formei e era obrigado a ser o melhor profissional do ramo. Meu sucesso era comentado em verso e prosa, como se eu ainda estivesse a tocar aquele maldito piano para as visitas. Convenci-me de que teria de ser o melhor em tudo e comecei a sentir inveja do sucesso de meus colegas. Inveja mesmo, da pior que possamos imaginar. O sucesso deles me incomodava e eu tinha de fazer algo para sempre ficar por cima. Habituei-me, assim, a ser presidente de uma porrada de coisas, um líder. Uma menina cujo pai inaugurara um prédio com seu nome, na hora em que o bispo cortou, com uma imensa tesoura, a faixa verde estendida no saguão, exclamou: — Grandes bostas! Daí, fui percebendo – e ainda não percebi tudo – que eu era um líder de merda e que fora educado pra ser babaca. Como está sendo difícil desbabacar-me!

ENCANTARES – Augusto Vieira

Letra da música que compus agora, à tarde – 24/02/2013, para Lena Ó, minha mãe querida, Não vás agora, não, Não fujas desta vida, Guarde aqui teu coração. Não vás, ó minha amada, Pra onde eu nunca vi. Abandona esta jornada, Fique viva por aqui. Se acaso viajares Que o faças bem, sem dores, Ouvindo só cantares Dos teus mais caros amores. Obrigado, madroeira, Pelo bem que semeaste. Suba ao céu, moça faceira, Deus te espera num estandarte.

Moacir Lopes – Augusto Vieira

Família Lopes. Povo danando de inteligente, trabalhador e honesto. Todo o território de minha aldeia vem deles, através de uma doação que o Alferes Lopes fez a São Sebastião. Quem não tiver escritura de qualquer terreno em Montes Claros é só pedir à Mitra Diocesana que tudo ficará legal. Ela, representante da Santa Sé, como administradora dos bens doados à igreja aqui em nossas plagas, tem legitimidade jurídica para tal, através do Bispo Diocesano. Os Lopes já começaram, historicamente, mostrando sua generosidade e sua religiosidade. Desde menino tornei-me admirador do Coronel Domingos Lopes, líder do PTB, sempre coligado ao nosso PSD. Homem austero, bonito, elegante, inteligente, usou seu prestígio perante vários governos para trazer muitos benefícios para nós. Depois conheci Valeriano, “seu Valu”, que era muito amigo de meu pai. Gostava de ouvir as conversas dos dois. Aí, então, fiquei conhecendo uma pérola de pessoa, um nosso vizinho de fazenda, o velho Josefino Lopes, lá do Levantado, isto sem falar de um cavalheiro chamado Nozinho Lopes, que fazia divisa conosco no rio Caititu. Conheci Maria Lopes através de ligação familiar, por ter sua filha, Mundinha, casado com meu tio Luiz Quintino, irmão de minha mãe. Que mulher extraordinária! Extremamente caridosa, sempre a resolver problemas dos menos favorecidos pela riqueza material. Passei a admirar seu dinamismo e sua capacidade de se comunicar com as pessoas. D. Maria era conhecida e querida por todas as gerações. Depois dessa ligação familiar, conhecer pessoalmente Donana, que residia ao lado do Bispo Diocesano, foi um pequeno passo. Ela sempre estava na varandinha de sua casa, na Praça Dr. Chaves. Eu passava e ela me cumprimentava com um belo sorriso, até que um dia criei coragem e resolvi parar e conversar. Quanta sabedoria encontrei naquela mulher tão simples! Sabia tudo de Montes Claros e da região. Meu pai dizia que ela era extraordinária porque, tendo se enviuvado muito cedo, criou a filharada com a maior dignidade e com muito trabalho. Disse-me até que ela sabia como ninguém comprar animais de carga e revendê-los, nos tempos em que eles eram o meio de transporte mais usado na região. Moacir é um dos filhos dela. Foi deputado estadual, federal e prefeito de minha aldeia, mas, antes disso tudo, um grande médico. Meu tio Luiz Quintino uma vez me disse que ele era um virtuoso com um bisturi na mão. Construiu, com recursos próprios, um hospital na cidade e ali nunca deixava alguém sem assistência médica. Quando prefeito, seu Chefe de Gabinete era seu primo, o inesquecível Hamilton Lopes, um cavalheiro, culto e educadíssimo, irmão de um santo vivo chamado Padre João. Hamilton era marido de minha querida prima Sônia Prates Gonçalves de Quadros, grande educadora. Ambos já encantaram. Trabalhei com Moacir alguns meses, presidindo, por indicação dele, o Montes Claros Tênis Clube. Pedi demissão porque ele autorizou que se pulasse carnaval no Ginásio Darcy Ribeiro, o que, como desportista, considerei inadmissível. Saí numa boa e ele continuou a me respeitar, como sempre. E eu a ele. Depois de brandas e tumultuadas andanças pelo poder, como sói acontecer a quase todos os políticos, Moacir voltou à medicina e à vidinha gostosa de fazendeiro. Sempre, nas minhas idas à minha aldeia, tinha o prazer de revê-lo no restaurante do Automóvel Clube, no horário de almoço, degustando as delícias da cozinha do pessoal de Zim Bolão. Todo de branco, ou seja, vestido de médico, cumpriu seu juramento até não mais ter forças físicas para trabalhar. Faleceu no CTI de nossa Santa Casa. Era homem de palavra, profundamente leal aos amigos, muito franco e sincero. O que tinha que falar, dizia na presença da pessoa. Não mandava recados. Corajoso, nada lhe metia medo. Tinha monstruosa capacidade de trabalho. Sua pele, grossa, própria dos homens incansáveis, o protegia das adversidades físicas. Moacir amou como ninguém nossa terra e nossa gente. Foi um homem bondoso em sua travessia e merece colher generosos frutos, em recompensa pelo bem que fez a muita gente pobre dessa nossa região tão sofrida, mas altiva e raçuda, que nem ele e sua mãe. Descanse em paz, meu caro amigo! Para ler a notícia completa Assine aqui o JN Notícias veja mais sobre baladocianas2017-05-09 09:22:15Baladocianas – Augusto VieiraMUDANÇA – BALORIZONTE Caros amigos, a verdade é que não estou feliz aqui em minha aldeia. Resolvi voltar pra Belo Horizonte, que me adotou como filho e me deu o título de cidadão…2016-09-09 08:01:00Comentários – Benedito SaidGRITO – Hoje, ao mesmo tempo em que ocorrer o desfile de Sete de Setembro, Dia da Independência, será realizada nova edição do Grito dos Excluídos. A concentração…

Walter Zorro – Augusto Vieira

Ah, que saudade de meu querido amigo Walter Zorro, meu “Cumpade Varto”, mais ainda depois que soube que ele também, como muitos outros de que falo em meus escritos, nos deixou. O nome dele era Walter Ramos. Cabra macho. Só Júri respondeu mais de dez e em todos foi absolvido. Um artista. Bonitão, bom de prosa, de poesia, de viola, exímio contador de “causos” e com pontaria de “cowboy”. Atirava tão bem, de 38, que cortava cinza de cigarro na boca de uma pessoa. Nas duas vezes que corri risco de vida, como vereador de Montes Claros e Juiz de Direito de Jequitinhonha, ele queria acampar em minhas residências para me proteger. Felizmente não houve necessidade. Passou uma noite memorável em minha casa de Pirapora. Gravei tudo e passei a fita para meu grande amigo e artista Tino Gomes. Quando dirigia as filmagens do “Cabaré Mineiro”, em Montes Claros, em 1978, Carlos Alberto Prates Correia pediu-me que o contatasse, pois desejava que ele figurasse numa das cenas mais importantes do filme. Era uma reprodução do antigo cabaré, que fascinara Carlos Drummond de Andrade, inspirando-o à poesia que deu nome ao filme e que Tavinho Moura musicou. A dançarina espanhola, Avana, era a linda Tânia Alves que, na cena, cantava a música, sob os aplausos entusiásticos dos figurantes, no clímax da noitada boêmia. Pois bem, consegui falar com “Cumpade Varto”, por telefone, em Brasília de Minas, de tardinha, no dia da filmagem. Passei o convite e ele só respondeu: — Tô ino. Chegou em cima da hora, todo empoeirado, no seu caminhão. Nós, os figurantes, ficamos na residência do Dr. Hermes de Paula, ao lado do prédio pertencente à Mitra Diocesana, onde seria feita a filmagem e onde havia sido recriado o cabaré, esperando, ansiosos, o momento de entrarmos em cena. O costume – a cena era de época – era os homens frequentarem o cassino de terno e gravata e as mulheres com vestidos longos, colados ao corpo, rodados a partir das proximidades dos joelhos. Teríamos que reviver o cabaré, com orquestra e tudo o mais. Até inesquecível Sebastião Mendes, “Ducho”, participou com seu bandolim. A filmagem mobilizara toda a cidade e foi necessário colocar um segurança na porta do “cabaré”, porque todos queriam assistir e participar, o que era impossível. Quando Walter Zorro entrava, com um paletó novinho, emprestado por Dr. Hermes, o segurança o revistou e bateu a mão no 38 que estava em sua cintura, verberando autoritariamente: — Não pode entrar armado!!! “Cumpade” retrucou no ato: — Óia aqui, minino, cê fala cum aquele tal de Cabeto, fi de “seu” Corrêia e de D. Mercês Prates, que Walter Zorro não entra desarmado nem em cabaré de mintira. Entrou “berrado” e participou, como figurante, da linda cena