A hipocrisia sobre as pedaladas, o crime que não houve, por Luís Nassif

Não é preciso detalhar o mundo de negócios escusos que se seguiu ao impeachment, a eleição de um alucinado defensor da tortura. A absolvição de Dilma Rousseff, Guido Mantega e Luciano Coutinho só serve para duas coisas. A primeira, para desnudar ainda mais o caráter institucional nacional – o sistema que se articula em torno do Supremo Tribunal Federal, Congresso, órgãos de mídia. A segunda para mostrar por quê é impossível uma justiça de transição no país: não se viu nenhum pedido de desculpas dos principais culpados pelo golpe. A Folha ainda tentou justificar a absolvição sob o argumento de que houve uma amenização nos princípios da lei de improbidade. Um exemplo nítido da hipocrisia nacional. Ontem, a colunista Miriam Leitão escreveu excelente artigo criticando a condescendência de Lula com os militares, fruto de uma justiça de transição jamais aplicada no país. Um dos pilares da justiça de transição é expor todos os crimes cometidos no período, para que não se esqueça, não se repita. Mas nenhum pio sobre o golpe das pedaladas, do qual ela foi uma das principais defensoras. Nem se venha com o álibi da mudança da lei de improbidade, como colocou a Folha, para explicar a absolvição. Não houve o golpe das pedaladas. O Estado tinha uma conta corrente com bancos públicos. Quando estava superavitário, recebia juros; deficitário, pagava. Houve excesso de endividamento sim, para suprir necessidades do Bolsa Família. Mas a pedalada só ocorre quando não se respeita o princípio da anuidade fiscal – isto é, quando se deixa uma dívida para o ano seguinte. E isso não ocorreu. Sabiam disso os Ministros do Supremo Tribunal Federal que aprovaram a abertura do processo de impeachment pela Câmara. Toda a trama teve como acusador principal o procurador do Tribunal de Contas da União, Júlio Marcelo de Oliveira que, dias antes do depoimento na Comissão Processante do Impeachment, testemunhei almoçando com Marcos Lisboa em um restaurante de Brasilia. Lisboa foi um dos principais articuladores da operação, que resultou na fatídica Lei do Teto, uma excrescência que pretendia amarrar o orçamento público por 20 anos. Foi um período tão maluco, que Júlio Marcelo, até então um procurador inexpressivo foi alçado à condição de herói e se chegou ao ápice do ridículo com o Conselho Nacional de Procuradores-Gerais de Contas o indicarem para o Supremo Tribunal Federal. Durante as sessões do Senado, soube-se que Júlio Marcelo participara do movimento “Vem pra Rampa”, que visava a incentivar ministros do TCU a rejeitarem as contas da gestão de Dilma. Terminado o show, voltou a ser o procurador inexpressivo. A desmoralização na Justiça não ficou nisso. Para o Ministro Luís Roberto Barroso, o impeachment não ocorreu por conta das pedaladas mas por falta de apoio político. Esqueceu-se de uma das responsabilidades centrais das constituições, presente desde o advento do nazismo, para impedir a repetição desses abusos, é impedir que maiorias eventuais empalmem o poder. Assim como é papel do Supremo ser contra majoritário – isto é, se opor aos movimentos de linchamento criados nas ruas. Para Barroso, ao contrário, o Supremo tinha que se abrir às vozes das ruas. A rigor, o único Ministro a declarar claramente ser contra o impeachment, por não ver crime de responsabilidade, foi Marco Aurélio de Mello. Não é preciso detalhar o mundo de negócios escusos que se seguiu ao impeachment, o desmonte de políticas sociais, a desmoralização da democracia, a eleição de um alucinado defensor da tortura. E, nesse período, uma pandemia que vitimou 700 mil pessoas porque, à frente do governo, estava a consequência maior dos atos avalizados pela mídia, pelo Congresso, pelo Supremo, por juristas tido como liberais, como Oscar Vilhena. E com o orçamento público arrebentado pelos exageros de Paulo Guedes, pelo tombo nos precatórios, sem que se ouvisse um pio do herói Julio Marcelo. Definitivamente, é um país sem caráter. GGN

Trump vai pagar R$ 1 milhão para aguardar julgamento na Geórgia em liberdade

O ex-presidente mais 18 pessoas são acusados de tentar reverter o resultado da eleição de 2020 nos EUA O ex-presidente americano, Donald Trump, afirmou que irá se entregar às autoridades da Geórgia, nos Estados Unidos, e disse que vai comparecer na próxima quinta-feira (24) em um tribunal do estado. As declarações ocorreram na própria plataforma do ex-presidente, a “Truth Social”. “Você acredita nisso? Estarei indo para Atlanta, Geórgia, na quinta-feira para ser preso”, iniciou. Trump, na Georgia, foi acusado de uma suposta tentativa de reverter o resultado das eleições presidenciais estadunidenses em 2020. O ex-mandatário ainda terá de pagar uma fiança no valor de 200 mil dólares (R$ 987.820,00 na cotação atual) estipulada pelo juiz do caso para não ter de aguardar a decisão da sentença na cadeia. Além de Trump, o tribunal de Atlanta indiciou mais outros 18 aliados e ex-assessores do ex-presidente pela suposta participação no esquema. Os acusados são investigados por supostamente terem exercido pressão sob as autoridades locais, dentre elas, o secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, do partido Republicano, para agir na interferência direta na contagem de votos no estado.

Em nova vitória do governo, Câmara aprova texto-base do arcabouço fiscal

Planalto comemora retirada da Educação e ponto final ao famigerado teto de gastos de Michel Temer.  O texto-base do arcabouço fiscal, a lei que balizará todos os processos orçamentários e de gastos públicos no país, foi aprovada em segunda votação na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (22), após a matéria ter sido alterada e aprovada no Senado Federal, há mais de dois meses. Na prática, o arcabouço substitui o famigerado e tão criticado teto de gastos implantado durante a gestão do ex-presidente golpista Michel Temer. Realizada em duas etapas distintas, a votação na Câmara primeiro analisou as mudanças promovidas no texto pelos senadores, cuja aprovação se deu por 379 votos a 64. As alterações feitas no Senado versam sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e o Fundo Constitucional do Distrito Federal, que foram isentos desse novo mecanismo de controle de gastos. No caso do Fundeb, a exclusão foi comemorada pelos governistas e pelo Planalto, que a viam como fundamental. Os deputados derrubaram ainda uma mudança feita pelos senadores, por 423 a 19. Tratava-se de um artigo que autorizava o governo a mandar o valor das despesas considerando a projeção da inflação até o fim do ano na hora da elaboração do Orçamento de 2024. A aprovação do arcabouço fiscal era tida como fundamental pelo governo Lula (PT), uma vez que permitiria fazer mais investimentos e gastar mais em vários setores essenciais, o que não era possível com o então teto de gastos, em que pese ainda a necessidade de se encontrar uma fórmula para aumentar a arrecadação. Pelo novo mecanismo, há um limite nesses valores a serem gastos, com a clara intenção de se manter um equilíbrio nas contas públicas, sem, no entanto, as amarras extremas do sistema anterior. Nas redes sociais, parlamentares governistas comemoraram a aprovação do arcabouço fiscal e anunciaram o feito como uma nova vitória da gestão de Lula no Congresso Nacional, especialmente por conta das tensões e relações conturbadas envolvendo o Executivo e o Legislativo no transcorrer deste ano, sobretudo com a Câmara. “Vitória! Arcabouço aprovado com educação fora do teto! Acabamos de aprovar, em definitivo, o texto do novo arcabouço fiscal. Na prática, ele confere mais segurança fiscal ao país, extingue o teto de gastos de Temer e retira a educação dos limites de gastos. Vitória!”, postou o deputado Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara. “Imensa vitória do nosso governo: aprovada pela Câmara a redação final do Novo Regime Fiscal Sustentável. A confirmação do texto era fundamental para colocar o Brasil no rumo certo da economia!”, comemorou o deputado Zeca Dirceu (PT-PR), líder do PT na Câmara. “Conseguimos! O Fundeb está fora do novo Arcabouço Fiscal. A educação pública é essencial para o futuro do país e precisa ser protegida”, escreveu o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP). Revista Fórum

Rolex de Bolsonaro repercute na mídia mundial – Por Altamiro Borges

 Após ganhar as manchetes na imprensa internacional como presidente negacionista e genocida, que causou milhares de mortes na pandemia da Covid-19, e por fazer o Brasil regredir à situação de pária no mundo, Jair Bolsonaro agora é destaque também como ladrão e contrabandista. Nos últimos dias, vários jornais abordaram o escândalo das joias e não pouparam o fascista nativo. A fama do vigarista se espraia pelo planeta. O britânico The Guardian ironizou: “‘Todo Rolex conta uma história’, afirmou certa vez o fabricante de relógios de luxo. A polícia brasileira acredita que esse slogan é particularmente verdadeiro quando se trata do relógio cravejado de diamantes no centro de uma investigação sobre a suspeita de furto de presentes oficiais de alto valor por pessoas próximas de Jair Bolsonaro – e possivelmente pelo próprio ex-presidente”. A reportagem ainda registrou que a operação da Polícia Federal contra serviçais do ex-presidente “foi chamada de Lucas 12:2 – uma referência à frase da Bíblia: ‘Não há nada oculto que não venha a ser revelado, ou escondido que não venha a ser conhecido’. O nome parecia ser uma referência zombeteira a um dos principais bordões de Jair Bolsonaro, do Evangelho de João: ‘Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará’”. “Imagem de homem do povo” está abalada Já o francês Le Monde informou que o fascista nativo é suspeito de ter desviado presentes da Presidência para “benefício pessoal”, contrabandeando artigos de luxo para os EUA após a vitória de Lula em 2022. Em março passado, o jornal Le Monde já havia descrito o envolvimento do fujão como “embaraçoso” e “extremamente constrangedor”, afirmando que o escândalo deixou “seriamente abalada” sua “imagem de homem do povo”. O diário O Público, de Portugal, afirmou que Jair Bolsonaro está em “maus lençóis” após as mensagens vazadas do seu ex-ajudante de ordens, tenente-coronel Mauro Cid, e das acusações feitas pelo hacker Walter Delgatti na CPMI dos Atos Golpistas. Em outra postagem, o jornal português analisou o pedido de quebra de sigilo fiscal e bancário do presidente fujão e da ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro. Escândalo das joias e a “ironia de Bolsonaro” Por sua vez, o espanhol El País publicou artigo de opinião de Juan Arias intitulado “A ironia de Bolsonaro que está se afogando no escândalo das joias de ouro e diamantes”. O jornalista trata da diferença entre o discurso anticorrupção do ex-presidente e as acusações de envolvimento em várias maracutaias. Ele afirma ser irônico que Jair Bolsonaro possa ser preso pelo caso das joias e não por atitudes citadas como mais graves, como “a tentativa de golpe de Estado ou sua zombaria com a epidemia de covid”. “A história dessas joias poderia dar um filme de comédia sobre pequenos traficantes, como o fato de terem sido trazidas escondidas no fundo da mochila de um militar e de alguns desses objetos preciosos, como um colar de diamantes para a esposa de Bolsonaro, ainda estarem retidos na alfândega do Rio e ainda não terem sido recuperados”, ironizou Juan Arias no El País. Vale citar ainda o estadunidense Washington Post, que destacou a operação de busca e apreensão da Polícia Federal contra auxiliares do ex-presidente. Segundo a postagem, Jair Bolsonaro teria “supostamente” recebido US$ 70 mil pela venda ilegal de presentes de luxo. A reportagem também lembra o envolvimento do fascista nos atos golpistas do 8 de janeiro em Brasília e enfatiza que o presidente fujão está inelegível por oito anos. Altamiro Borges é editor do Blog do Miro

SRS e SMS de Janaúba realizam oficina prática com médicos e enfermeiros

Numa iniciativa da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros, juntamente com o Serviço de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Janaúba, dezenas de médicos e enfermeiros participaram de Oficina Prática em Avaliação Multidisciplinar em Hanseníase. A doença, também conhecida como lepra, é uma infecção causada por uma bactéria que ataca os nervos periféricos e a pele. É uma das doenças mais antigas que acometem o homem, com referências datadas de 600 anos antes de Cristo. Os médicos e enfermeiros que participaram da oficina trabalham em Unidades Básicas de Saúde (UBS), principal porta de entrada da população ao Sistema Único de Saúde (SUS). Na abertura da capacitação, o secretário de saúde de Janaúba, Helvécio Campos Albuquerque, ressaltou que “as atividades práticas fazem parte da meta de ações do município, com foco na atualização dos profissionais que atuam na saúde pública”. Durante a oficina, foi apresentado o panorama epidemiológico da hanseníase no município de Janaúba. Os profissionais receberam orientações quanto aos aspectos microbiológicos, sorológicos e também com relação ao teste rápido para a detecção da doença. As referências técnicas das Coordenadorias de Vigilância Epidemiológica e de Saúde da SRS Montes Claros, Siderllany Aparecida Vieira Mendes e Damaris Soares do Carmo; o médico e professor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Mariano Fagundes Neto Soares; Karine Suene Ribeiro, doutoranda em ciências da saúde; e Thaís Emanuely de Freitas Teixeira, referência técnica em vigilância epidemiológica de Janaúba, fizeram apresentações sobre o avanço no diagnóstico da hanseníase; tratamento; notificações de casos no Sistema de Informações de Agravos de Notificações (Sinan) e avaliação dermatoneurológica simplificada em hanseníase. (Ascom SES-MG)

CPMI deve ouvir sargento que pagava contas de Michele

De acordo com o deputado Rogério Correia (PT-MG), integrante da CPMI, também devem depor o comandante da PM do DF e, novamente, Mauro Cid A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que apura a responsabilidade pelos atos golpistas de 8 de janeiro, deve aprovar nesta terça-feira (22/8) a convocação do suspeito de sacar dinheiro vivo em caixas eletrônicos para pagar despesas da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), o sargento Luis Marcos dos Reis. Ele deve depor na quinta-feira (24/8), segundo o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), que integra a CPMI.”Ele será ouvido para vermos tanto sobre essa misturada de contas públicas e privadas, nessas denúncias de corrupção de Michele e Bolsonaro, mas também do ato do dia 8. No nosso entendimento essas coisas se misturavam, pois havia ali também financiamento do golpe, através dessas figuras”, afirma o deputado. Segundo ele, depois a CPMI deve ouvir integrantes da cúpula da Polícia Militar no Distrito Federal, presos semana passada por uma operação da Polícia Federal, que investiga os atos de 8 de janeiro. Eles são suspeitos de ajudar os atos e de tentar obstruir as investigações “Pelo menos um deles queremos escutar”, disse o deputado que defende que o depoente seja o comandante-geral da PMDF, coronel Fábio Augusto, que está entre os presos.“Após essa operação ficou evidente que a Polícia Militar, por meio de um conluio de sua direção, permitiu que o golpe fosse tentado e as pessoas chegassem até os Três Poderes”. Além de aprovar a apreensão dos passaportes de Bolsonaro e Michele, a CMPI também quer ouvir novamente o tenente-coronel Mauro Cid, preso desde 8 de maio, por suspeita de fraude nos cartões de vacinação de integrantes do governo Bolsonaro. No mês passado ele foi convocado para depor na CPMI, mas decidiu não responder as perguntas dos deputados. Depois disso, Cid passou a ser investigado também por envolvimento na venda de joias que Bolsonaro ganhou de presente e que deveriam ter sido entregues para o acervo da  União. “Já que ele está disposto a falar, queremos que ele conte, não somente sobre a venda das joias, mas sobre o que ele sabia sobre os atos golpistas”. De acordo com o deputado a CPMI está no “rumo certo” e todas essas convocações devem ser votadas amanhã.

Dalmar Ferraz, acusado em morte de Daniele e Rosalvo é preso em Conquista

Ele foi condenado a 28 de prisão pelas mortes do jornalista e sua namorada e estava foragido Acusado em morte de jornalista e namorada há mais de 20 anos é preso em Conquista Um empresário réu por envolvimento na morte de um jornalista e a namorada dele, em 2002, foi preso nesta segunda-feira (21) em Vitória da Conquista, no Sudoeste. Segundo a Polícia Federal (PF), a prisão ocorreu com apoio de policiais da Cipe Sudoeste na casa do suspeito, identificado como Dalmar Ferraz de Melo Júnior. Ele foi condenado a 28 de prisão pelas mortes do jornalista Rosalvo Bastos e Daniela Oliveira. O duplo homicídio ocorreu na noite do dia 4 de maio de 2002, em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. Dois homens atiraram e esfaquearam as vítimas. A suspeita é que os crimes ocorreram por vingança, após a morte de um irmão do empresário. Atuaram na prisão do empresário o Grupo de Capturas da PF em Vitória da Conquista, policiais militares da Cipe Sudoeste. Após a prisão, o homem foi levado para o Conjunto Penal do município baiano onde ficará à disposição da Justiça. Com informação de Bahia Notícias

Movimentos negros convocam ato nacional em meio a aumento de chacinas

Em Montes Claros, o ato acontecerá na Praça Dr. Carlos às 17 horas, desta quinta-feira Em três semanas, incursões policiais de SP, RJ e BA mataram 60 pessoas – Foto: JUNIOR LIMA @XUNIORLPor Gabriela Moncau, no Brasil de Fato Um ato nacional pelo fim da violência racista convocado por organizações do movimento negro acontecerá simultaneamente em pelo menos 14 estados brasileiros na próxima quinta-feira (24). A mobilização acontece em um momento em que, entre fim de julho e início de agosto, chacinas policiais mataram ao menos 32 pessoas na Bahia, 18 em São Paulo e 10 no Rio de Janeiro. Na noite desta quinta-feira (17), ainda, a liderança do Quilombo Pitanga dos Palmares, Maria Bernadete Pacífico, foi executada a tiros dentro do terreiro Ilê Axé Kalé Bokum, onde era ebomi, na região metropolitana de Salvador (BA). Definidas em uma plenária online feita no último dia 10 com cerca de 250 organizações, as manifestações de rua serão em 24 de agosto por ser este o dia de morte do ativista abolicionista e advogado Luiz Gama. Os atos inauguram uma jornada de lutas que deve ter atividades mensais até o 20 de novembro, dia da consciência negra. A articulação inclui o Movimento Negro Unificado (MNU), Agentes de Pastoral Negros do Brasil, Associação de Mães e Familiares de Presxs (Amparar), Frente Nacional de Mulheres do Funk, Geledés – Instituto da Mulher Negra, Unegro, Conen, Uneafro Brasil, entre outras entidades. Muitas delas fazem parte de frentes mais amplas, como a Convergência Negra e a Coalizão Negra por direitos. A jornada reivindica que o Supremo Tribunal Federal (STF), com base no precedente da chamada ADPF das Favelas que foi instituída no auge da pandemia de covid-19, proíba “operações policiais com caráter reativo” e “grandes operações invasivas em comunidades sob pretexto do combate ao tráfico”. As organizações do movimento negro demandam, ainda, uma Lei Federal que exija câmeras em uniformes de agentes armados (estatais e privados); um plano nacional de indenização e apoio à familiares de vítimas do Estado, a federalização da investigação de chacinas policiais; a desmilitarização das polícias; e o fim da guerra às drogas. Execuções sumárias “O assassinato brutal de uma líder política, quilombola, mulher negra e do candomblé mostra a face do Brasil real, violentamente racista, machista, misógino, que persegue lideranças negras e é intolerante com as religiões de matriz africana. Mãe Bernadete passou os últimos anos denunciando o assassinato de seu filho Binho, pelas mesmas motivações”, diz nota da Uneafro Brasil, uma das 250 entidades organizando a jornada. “Ela estava sim sob risco e pedia proteção ao estado. Era uma situação amplamente conhecida. Porque não foi atendida? Onde está o Estado em seu papel de garantir a segurança e a vida das pessoas? No próximo dia 24 os movimentos negros tomarão as ruas em todo país contra a violência policial e também levará essa exigência: Quem mandou matar Mãe Bernadete e Binho?”, salienta a Uneafro. A Bahia, onde Bernadete Pacífico foi executada e palco de chacinas policiais que mataram 32 pessoas entre 28 de julho e 4 de agosto, é governada atualmente por Jerônimo Rodrigues (PT). Já em São Paulo, sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Operação Escudo na Baixada Santista é a mais letal operação institucional da polícia desde o Massacre do Carandiru, em 1992. Além das 18 pessoas assassinadas, outras 464 foram presas em três semanas. “Isso não é política de segurança. Isso é execução sumária. Não temos nem pena de morte no Brasil. Mesmo nos países onde há pena de morte, há julgamento para as pessoas. Se o julgamento é justo ou não, são outras discussões. Mas aqui, a polícia prende, julga e executa como um Deus todo-poderoso sobre a vida da população preta, pobre e periférica”, constata Regina Lúcia dos Santos, do MNU. “Basta de chacina”, finaliza: “O movimento negro no Brasil não vai se calar”.

Reunião do Cidadania é marcada por bate-boca e pode levar à queda de Roberto Freire

Presidente do partido há 31 anos, Freire tem liderança questionada por ala da executiva nacional, que conseguiu antecipar a eleição Por Itatiaia Uma reunião do Cidadania, neste sábado (19), foi marcado por bate-boca entre integrantes da executiva nacional. A troca de ofensas, em uma reunião online, expôs um racha dentro da legenda, liderada há 31 anos – desde os tempos de Partido Popular Socialista (PPS), antes de mudar de nome – pelo ex-deputado federal Roberto Freire. Um grupo de lideranças do Cidadania conseguiu marcar uma reunião, em setembro, que pode destituir Freire do comando do partido. O caso foi revelado pelo Estado de S. Paulo, que publicou trechos de vídeos da reunião na internet e que mostram o clima exaltado do encontro. Nonato Bandeira, dirigente do Cidadania na Paraíba, acusou Freire de enterrar a legenda. “Era um dos maiores partidos do Brasil e você conseguiu a façanha de destruir”, disse. “Não transfira suas responsabilidades e não tente bater boca com todo mundo (…) Tenha compostura de presidente. Você perdeu a compostura e quem perde a compostura não tem condições de liderar”, afirmou. Em outro momento, o vice-presidente Daniel Coelho, de Pernambuco, e o secretário-geral, Régis Cavalcante, de Alagoas, batem boca e se ofendem de “vagabundo” e “canalha”. Ao Estado de S. Paulo, Freire disse que a antecipação de uma reunião da Executiva do partido tem como objetivo afastá-lo da liderança da sigla para que o partido possa aderir ao governo Lula. “O que pretendem é me expulsar do partido. Querem me tirar, porque querem aderir ao governo Lula. Não vou reconhecer essa reunião do dia 9 de setembro como legítima”, afirmou Freire em entrevista ao jornal. Hoje, o Cidadania compõe uma federação junto com o PSDB e integra, na Câmara dos Deputados, um bloco com partidos do Centrão, como PP e União Brasil e partidos que integraram a chapa que elegeu Lula à Presidência, como PSB, Avante e Solidariedade.

Equinox Gold promove seminário sobre segurança de barragens de mineração

BOAS PRÁTICAS – A Mineradora Equinox Gold, que explora a Mineração Riacho dos Machados, realizará seu I Workshop de Segurança de Barragens de Mineração, com a presença de técnicos e autoridades das microrregiões de Grão Mogol, Salinas e Janaúba, principalmente dos secretários municipais de Defesa Social, além da participação de técnicos da Defesa Civil do Governo de Minas. O evento, que faz parte do projeto “Boas Práticas” da Equinox Gold – Mineração Riacho dos Machados e integra as ações de PAEBM do ciclo 2023-2024, será realizado entre os dias 22 e 23 de agosto de 2023, das 8:00 às 17:00 hs, na Câmara de Vereadores de Porteirinha (Av. Dalton Cunha, SN, Vila Kennedy) “O Workshop de Segurança de Barragens tem como propósito capacitar as Coordenações Municipais de Defesas Civis–COMDEC ́s dos municípios das regiões vizinhas ao nosso empreendimento. Para tanto, contaremos com a parceria da empresa Sete e da CEDEC de Minas Gerais”, informou o gerente-geral Herbert Guido Ernesto. Além do investimento empresarial, que implica no desenvolvimento da região em que a empresa está inserida, a presença do empreendimento tem forte viés social, com incentivo a vários projetos em benefício da comunidade, tendo consequência, inclusive, na geração de renda e no estímulo às manifestações culturais do local.